Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2021 | 03h00

Reforma política

Semipresidencialismo

No debate sobre o semipresidencialismo tem sido omitida a necessidade da reforma política, que, embora exigida pela sociedade e por setores políticos, permanece sepultada no Congresso Nacional há mais de 20 anos. A reforma política precisa corrigir falhas da legislação partidária e eleitoral que favorecem o acesso à gestão pública (Executivo, Legislativo e Judiciário) de políticos e servidores desqualificados e motivados por objetivos mesquinhos. Essa reforma precisa incorporar ajustes estruturais como: 1) substituir o nefasto sistema de governo presidencialista brasileiro pelo parlamentarismo, um sistema avançado, adequado para conduzir e controlar o Executivo na gestão do interesse público; 2) implantar uma legislação partidária e eleitoral capaz de alocar políticos qualificados no governo. A reforma política é uma exigência inadiável em face do notável fracasso na condução da gestão pública que resulta de insuficiências da Constituição federal de 1988.

NELSON FREDERICO SEIFFERT NFSEIFFERT@OUTLOOK.COM.BR

FLORIANÓPOLIS

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Soluções oportunistas

Semipresidencialismo e parlamentarismo sempre ressurgem como pretensas soluções para o caos político em que o Brasil se encontra imerso desde a proclamação da República. O que nossos pretensos líderes fingem não perceber é que essa anarquia predominante é resultado de um sistema político-eleitoral dominado por caciques nada republicanos, em que o eleitor é impedido de participar quando vê aqueles que elegeu chafurdar em seus interesses, nada podendo fazer para impedir eventuais desatinos. Exemplo, o assalto ao Orçamento direcionando R$ 5,7 bilhões ao fundo eleitoral, com chocante silêncio de integrantes de grandes partidos, como PT, PL, PP, PSDB, MDB, Republicanos, DEM e PDT, contra essa excrescência. E isso com o PT pretendendo eleger a alma mais honesta do Brasil e outros partidos em busca de uma terceira via contra o extremismo instalado, todos pedindo candidamente (!) nossos votos. Enquanto esse esquema de catervas políticas dominantes não for eliminado por propostas de interesse nacional, como voto distrital em todos os níveis, recall e consulta à população sobre decisões relevantes, a cidadania continuará se dissipando na desesperança de construir uma Nação que possamos chamar de nossa.

HONYLDO ROBERTO PEREIRA PINTO HONYLDO@GMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

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Rumo certo

O semipresidencialismo é um passo no rumo certo: uma democracia mais consistente, mais amiga da governabilidade e mais limpa. Um dia, quem sabe, chegaremos ao fim da linha: o parlamentarismo.

EUCLIDES ROSSIGNOLI CLIDESROSSI@GMAIL.COM

OURINHOS

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Congresso Nacional

Saúva

Associo-me a todos os que aqui protestaram contra o aumento da verba de campanha aprovada em causa própria pelo Congresso. Nós, pobres mortais, nem podemos alegar surpresa quando somos informados de atitudes cruéis como passar o fundo para quase R$ 6 bilhões quando temos milhões de desempregados e outros tantos não têm sequer uma refeição por dia. Frieza absoluta. Empatia com o eleitor? Faz-me rir... Adotam técnica velha de chutar o pau da barraca porque o presidente, em fase de fraqueza política, poderá vetar esse número indigesto, mas mantendo um valor ainda superior ao anterior. Impressionante dizer que estamos numa democracia se o povo nada pode fazer senão protestar. Tenho de concordar com Lula da Silva quando dizia que o Congresso era composto por 300 picaretas. Pêsames!

SERGIO HOLL LARA JRMHOLL.IDT@TERRA.COM.BR

INDAIATUBA

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Fundão

Parte dos nossos deputados federais é mesmo da pá virada. Assombroso S. Exas. ousarem, neste momento de instabilidade em todos os segmentos, triplicar o fundo eleitoral. Os mais irritados do poderoso Centrão até desafiam o presidente da República: se vetar, será retaliado! Temos de aceitar e conviver com políticos com esse caráter? Não, não! Isso precisa mudar. O Congresso não pode ser lugar de velhacos.

JOSE PERIN GARCIA JPERIN@UOL.COM.BR

SANTO ANDRÉ

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Injustiça social

Por que os que querem mandato eleitoral não podem financiar suas campanhas sem explorar o povo? Não basta termos de sustentá-los, uma vez eleitos? A situação financeira do povo está difícil, o governo alega falta de fundos para imunizar toda a população, e vai tirar essa dinheirama dos nossos impostos para propaganda política e compra de votos? Isso tem de acabar, não é justo!

MARINA R. B. MALUFI MMALUFI@TERRA.COM.BR

OLÍMPIA

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Desgoverno Bolsonaro

CPI para quê?

O sujeito foi contra o lockdown e o isolamento social, dá apoio total ao coquetel que foi rejeitado pela ciência médica e é contra as vacinas… Nem é preciso CPI para o impeachment, há motivos que não precisam ser provados, pois foram falados e escritos pelo próprio presidente ao longo desta agonia.

MANUEL PIRES MONTEIRO MANUEL.PIRES1954@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Negociatas das vacinas

O que ficou claro até aqui é que o Ministério da Saúde e seu ministro, funcionários, políticos apoiados pelo presidente e empresários gananciosos se reuniram para levar à morte, até agora, mais de 540 mil brasileiros.

LOURDES MIGLIAVACCA LOURDESMIGLIAVACCA@YAHOO.COM

SÃO PAULO

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Vivendo e aprendendo

Um tempo no Exército, mais um pouco como vereador, muito tempo como deputado federal e aprendeu e pôs em prática direitinho: criar dificuldades para vender facilidades.

SÉRGIO BARBOSA SERGIOBARBOSA19@GMAIL.COM

BATATAIS

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



CARESTIA NA MESA

De acordo com dados da Consultoria LCA sobre a carestia das proteínas, as maiores altas neste ano serão no preço da carne de boi (17,6%), seguida da suína (15,1%), de frango (11,8%) e dos ovos de galinha (7,6%). Com a renda comprimida e o desemprego em alta, as vitrines dos açougues vão virar miragem e a população vai acabar vegetariana na marra. Pobre Brasil...

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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EXTINÇÃO DO VALE-TRANSPORTE E VALE-REFEIÇÃO

Fazer mudança tributária (nada de reforma) por meio de um projeto de lei em que o jovem relator (Celso Sabino/PSDB-PA) precisaria envelhecer muito (Bertrand Roussel) antes de ser-lhe atribuído esse papel, em cujo pacote de maldades está inserida a extinção do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), instituído em 1970, só reflete o velho costume de encontrar saída para os impasses lançando o ônus sobre os descamisados e sem voz. Os trabalhadores ficarão sem o vale-refeição e o vale-transporte. Não direi que fui um dos advogados de sindicato a conquistar esses “benefícios” em dissídios coletivos. Recordarei que, tendo trabalhado bem antes dos 14 anos de idade, sem registro e recebendo exclusivamente o “salário-de-menor”, ia da periferia ao centro de São Paulo esmagado num “papa-fila” e tendo de arcar com o preço da passagem. Na triste hora do almoço num escritório de advocacia, abria numa saleta uma marmitinha amassada em que minha saudosa mãe tinha conseguido inserir apenas um pouco de arroz e um pedaço de linguiça amanhecida, dura e encarquilhada, cuja imagem ainda passa pelas frestas de minha memória. É o que espera os trabalhadores a serem privados dos vale-transporte e vale-refeição. É possível que o relator seja um dos integrantes das motociatas dos sábados, apoiador de um governo que caminha na contramão da política do G-20, do Fundo Monetário Internacional e das instituições internacionais que vislumbram, finalmente, depois da experiência pandêmica, reduzir as desigualdades entre os viventes deste mundo de Deus, parafraseando editorial de O Estado (16/7). Sabemos que os sindicatos estão enfraquecidos, mas, por favor, resistam.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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SEM OBSCENIDADES

Em pronunciamento na terça-feira (13/7), Jair Bolsonaro orientou a fazer o contrário do que determina o Partido dos Trabalhadores para ter sucesso nas questões econômicas. Lembrou que no Programa Mais Médicos 80% dos salários desses profissionais eram enviados para Cuba. Explicou que o mensalão começou dentro dos Correios e que o Postalis comprou papéis do governo venezuelano. Relatou que a CEF e a Itaipu Binacional davam prejuízo durante os governos de Lula e Dilma. Explicou que as células que querem levar o Brasil para o socialismo desejam a volta da impunidade e da corrupção. Anunciou a redução dos impostos para os games e do PIS/Cofins do óleo diesel. Defendeu a livre iniciativa e o livre-comércio. Foi um alívio não escutar nenhum palavrão declamado pelo presidente, que não consegue explicar os motivos pelos quais apenas 15% da população já foi completamente imunizada contra a covid-19 e quase 540 mil óbitos foram registrados em razão desse vírus.

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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POBRE SORTE A DO BRASIL

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu à violência policial contra negros nos Estados Unidos para defender a legitimidade do governo cubano, alvo de protestos no domingo dia 11 de julho. “Você não viu nenhum soldado em Cuba com o joelho em cima do pescoço de um negro, matando ele”, disse, referindo-se ao assassinato de George Floyd, homem negro morto pela polícia americana em 2020, o que gerou comoção global. Ou seja, o candidato Lula, primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto na eleição vindoura de 2022 para presidente do Brasil, continua em sua posição de, primeiro, atacar qualquer divulgação de fatos com respeito aos governos socialistas no mundo, para então, e só depois, nada mais declarar sobre esses fatos, mesmo se tais fatos digam respeito à dinâmica social de países, e não a ideologias que se digladiam em torno de verdades únicas que jamais existiram. Pobre sorte a do Brasil, entre o que já se provou muito ruim e o que se prova, agora, pior ainda. Socorro, terceira via! Onde estás que, de modo peremptório, não te pronuncias?

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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PROTESTOS EM CUBA

As maiores manifestações em mais de seis décadas em Cuba colocam em xeque o monopólio político de partido único instituído após a Revolução Cubana, em 1959. Atualmente, o turismo está paralisado por causa da pandemia de covid-19. Sem voos internacionais, não há remessa de dólares dos cubanos que vivem no exterior. Há escassez de alimentos, medicamentos e produtos básicos na ilha caribenha, o que leva a longas filas pelas ruas das principais cidades do país. Além da crescente inflação e de apagões elétricos, as mudanças climáticas provocaram uma prolongada seca que vem afetando a produção de açúcar nos últimos anos. Agredir ou prender manifestantes e jornalistas, durante os protestos, apenas chama ainda mais a atenção para a falta de liberdade política e de expressão, quando a internet é cortada para evitar a circulação de informação contra o governo comunista.

Luiz Roberto da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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O PARAÍSO DA ESQUERDA

A população de Cuba protesta por causa do agravamento da pandemia do coronavírus e pela crise econômica e sanitária no país. A manifestação contra o governo de Miguel Diaz-Canel foi considerada a maior demonstração de insatisfação com o regime comunista em território cubano. Pelo visto, o regime é bom mesmo. Mas o presidente cubano não é genocida. Vão acabar dizendo o de sempre, que a culpa é dos embargos econômicos dos EUA à ilha. Dizem isso há mais de 50 anos. São muito incompetentes. Os esquerdopatas dizem que a ilha é um paraíso, mas ninguém vai morar lá.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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CUBANIZAÇÃO AUTOMOTIVA

Há alguns dias, um amigo soltou: “Vamos virar a Cuba dos carros”. A explicação: os preços dos automóveis dispararam – sem igual – durante a pandemia. Falta de matéria-prima? Possivelmente. Mas há o fator “lucro Brasil”, o que nos leva a crer que isso veio para ficar. Há quem diga, no mercado automotivo, que a disparada dos preços apenas começou. Deste jeito, vamos ficar iguais a Cuba no futuro. Carros cada vez mais velhos, continuando a rodar até o fim. Por embargo? Não. Por preços dos novos cada vez mais absurdos.

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

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ESCÁRNIO NO CONGRESSO

R$ 5,7 bilhões para o fundo eleitoral. Um escárnio num país que deixou de fazer um censo por R$ 2 bilhões, que tem várias Santas Casas à míngua por falta de verba, entre outras mazelas. Defendemos a democracia e o Estado Democrático de Direito. Mas, enquanto houver esta suruba partidária, com quase 30 partidos no Congresso, não escaparemos dessa situação de reféns de escroques que ainda agora defendem o Distritão. Que estes projetos tipo Distritão e outros não nos joguem mais no fundo do poço ainda. Não é de agora, mas este Congresso está de uma forma inescapável nos jogando para uma iniciativa golpista. Acho que não é o que eles querem, mas estão fazendo de tudo para que o povo assim o exija e faça.

Edmir de Machado Moura negrinho10@hotmail.com

Caçapava

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O QUE NOS RESTA

O Congresso acaba de triplicar a verba para o Fundo Eleitoral para satisfazer à ganância dos nossos “representantes”. Serão quase R$ 6 bilhões retirados do povo, que sofre uma pandemia e tem 15 milhões de desempregados e milhares de empresas falidas. Se não temos ninguém para defender o País e proteger o povo, então só nos resta a esperança de fazer uma limpeza no Congresso nas próximas eleições, para salvar o Brasil.

José Carlos Costa policaio@gmail.com

São Paulo

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CONTRA A BANCADA DA CORRUPÇÃO

O fundo eleitoral é uma vergonhosa aberração criminosa, imposta nos seguintes termos: ou o governo dá dinheiro aos partidos políticos ou os partidos políticos vão continuar roubando dinheiro público para torrar nas campanhas políticas. Proponho a extinção do fundo eleitoral e a padronização das propagandas políticas. Toda a campanha eleitoral seria feita exclusivamente no horário eleitoral gratuito que já existe, os candidatos apresentariam suas ideias, num fundo branco, sem música ou qualquer outra produção cinematográfica. Tempos iguais para todos os candidatos. O Brasil pode economizar cerca de R$ 10 bilhões extinguindo o fundo eleitoral e acabando com a palhaçada do voto impresso, que custaria bilhões para ser implantado. Os desavisados que insistem no voto impresso deveriam provar não só que é possível fraudar a urna eletrônica, mas também provar que é impossível fraudar o voto de papel. O Brasil precisa virar o jogo contra a bancada da corrupção.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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O BRASIL MERECE SOSSEGO

Mesmo internado num hospital de São Paulo, o presidente Jair Cloroquina Bolsonaro utilizou as redes sociais para criticar o “circo” da CPI da Pandemia, descrevendo três de seus membros como “estão mais para três otários que três patetas”. Não é um caso isolado de destempero: percebendo a diminuição das chances da sua reeleição, voltou a defender o voto impresso, chamando o ministro Luís Roberto Barroso de “péssimo ministro”; decidiu ignorar o questionamento da CPI sobre o aviso do deputado Luís Miranda sobre a maracutaia do contrato da compra da Covaxin, e por aí vai. Os médicos não poderiam aproveitar sua internação hospitalar para fazer uma implantação subcutânea de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) de tranquilizante/antidepressivo de ação prolongada, para que o Brasil tenha um pouco de sossego?

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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CPI DA PANDEMIA

Agora a narrativa do governo Bolsonaro é a compra de milhões de vacinas e de imunizações feitas. Com o tempo perdido, agora sendo comprovado com interesses de propina, com mais de 500 mil mortes, ninguém do governo Bolsonaro fica sequer indignado. Mas os brasileiros devem ficar, e muito!

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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NEGOCIANDO VACINAS

Pazuello teme ser preso após investigações de CPI e do Ministério Público Federal. Nada mais justo depois de tantas falcatruas.

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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ORDEM E PROGRESSO

A nota assinada pelo ministro da Defesa e comandante das Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica, entre outros – repudia com veemência as declarações do presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, senador Omar Aziz. Ressalta aquela autoridade militar que “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”. Antes que o nosso desgastado sistema de governo desmorone, é premente dar-se um basta à convulsão política a que ora assistimos entre os poderes da nossa combalida República. Na prática, cada um deve ocupar seu espaço, sem estar vinculado às amarras naturais das instituições a que pertencem. Por exemplo, o ex-juiz Sérgio Moro, para tornar-se ministro da Justiça, previamente, abriu mão da função de juiz federal, que à época desempenhava. Torna-se, assim, premente que os militares ora no governo requeiram baixa das suas respectivas instituições militares e, como paisanos, possam ocupar, serenamente, qualquer função governamental, o que não nos impede de continuarmos prestando-lhes continência.

Gary Bon-Ali garybonali@globo.com

São Paulo

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MILITARES EM CARGOS DE CIVIS

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que ganha terreno no Poder Legislativo, de autoria da deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC), tem a finalidade de, primeiramente, proteger os militares da ativa, evitando constrangimentos como os que ocorrem no caso do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde. E, em segundo lugar, evitar situações difíceis para as Forças Armadas. Em resumo, o projeto é bom para o serviço público dos três níveis e para os servidores públicos dos três segmentos da República. E os brasileiros agradecem.

José Carlos de C. Carneiro josecarlosdecarvalhocarneiro@gmail.com

Rio Claro

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TERCEIRA DOSE

Em se tratando de um negócio megalucrativo que envolve, inclusive, intermediações obscuras alvo de investigação na CPI, causa espécie que já se fale em terceira dose de vacina, se ainda não houve nem tempo nem número de pessoas vacinadas suficientes para embasar devida avaliação de efeitos da dosagem inicial no combate à pandemia. Sem dados objetivos a fundamentar cientificamente a necessidade da terceira dose, é de perguntar se alguma dose de oportunismo estaria embutida na proposta da terceira dose.

Patricia Porto da Silva portodasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

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A PARADIPLOMACIA CONTRA-ATACA

Na semana passada ficamos sabendo, pelo excelente texto de Marcelo Godoy (Governadores assumem negociações do clima, 12/7, A4), que a paradiplomacia deu mais um grande passo na busca de soluções alternativas para a proteção do nosso patrimônio ambiental. A iniciativa, presidida pelo governador Renato Casagrande, já conseguiu estabelecer canais de comunicação com o governo americano e a União Europeia, colocando em xeque o modelo federativo desenhado pela Constituição de 1988, que elenca a União como protagonista nas relações internacionais. De fato, tendo competência para editar normas gerais em matéria ambiental e um ministério inteiramente dedicado a estabelecer relações bilaterais no âmbito internacional, a União é o ator natural e mais apto para concretizar parcerias internacionais em matéria ambiental. Entretanto, tendo em vista a política criminosa do atual governo federal, nada resta aos demais entes da Federação que estão verdadeiramente comprometidos com a missão constitucional de preservar o meio ambiente, senão contatar diretamente os atores internacionais interessados em combater a catástrofe ambiental que está em curso. A paradiplomacia, então, revela-se como instrumento apto a mitigar os efeitos nocivos de um governo irresponsável e nos faz refletir e repensar o modelo federativo da Constituição de 1988.

David Mandelbaum davidmandelbaum22@gmail.com

Santos

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TAXA DE POLUIÇÃO

O Brasil pode chegar próximo a ser carbono neutro em 2030. Desflorestamento e queimadas zero seriam o primeiro passo. Portanto, o Brasil só tem o que ganhar com a taxa de poluição da União Europeia, caso se comporte direito.

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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O NOVO COLONIALISMO

Quase simultaneamente, EUA e União Europeia anunciaram planos para sobretaxar importações de países que não tenham uma agressiva agenda verde. Na superfície, faz todo sentido. Todos têm de se esforçar no intuito de reduzirmos os gases de efeito estufa. Só que, na realidade, o que os países ricos querem é institucionalizar a obrigação e responsabilidade de descarbonificação do planeta em países como o Brasil. Enquanto as economias desenvolvidas poluem a vontade com seus carrões com motores de 5 litros (para seu conforto de locomoção) e suas usinas termoelétricas (para seu conforto de ar-condicionado ligado 24/7), elas irão exigir dos países em desenvolvimento que se mantenham em padrões de vida de privação dos confortos que a vida moderna lhes poderia proporcionar justamente para que os países ricos possam usufruí-los. Não há como negar que, sob a liderança do presidente Joe Biden, Estados Unidos e Europa estão rapidamente encaminhando o mundo para uma segunda onda de colonialismo, em que as “colônias”, como o Brasil, precisam ser economicamente suprimidas para que os países ricos possam continuar a confortavelmente prosperar. Afinal, como diz o ditado, pimenta no olho do outro não dói.

Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

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O VALIOSO TRABALHO GRATUITO

A maioria das pessoas pensa que o exercício de uma profissão se dá unicamente quando ela gera renda. E que atividades não remuneradas não tenham tanto valor nem sejam tão relevantes. Daí decorre uma série de enganos, começando com a desvalorização do papel de mãe e dona de casa. Na sociedade moderna, surgiram diversas alternativas para suprir trabalhos que a mulher tradicionalmente sempre fez em casa. Mas não para todas as suas múltiplas funções. Por exemplo: quem educa e supervisiona a educação dos filhos? Quem conversa, escuta, aconselha e motiva os membros da família – especialmente o marido? Quem observa os problemas e quem os discute? E quem cuida daqueles que precisam de ajuda e lhes dá apoio? Quem se preocupa em criar eventos em que a família conviva entre si e se divirta em conjunto? Quando essas funções não ocorrem a contento, o resultado é aquele que todos conhecem. Até a escolha do cardápio e o preparo das refeições não deveria se reduzir apenas a questões nutricionais, mas junto com a comida costumava vir um rico cardápio de carinho e amor. E por trás das compras e até da forma de organizar e limpar a casa há uma série de conceitos e valores que fazem parte da cultura familiar. Mas não é só na família que o trabalho não remunerado e voluntário não é devidamente valorizado. Mas na sociedade em geral. É uma pena, pois muitos problemas poderiam ser resolvidos ou mitigados se as pessoas se dispusessem a compartilhar os seus talentos e o seu tempo em prol de objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos e de assistência social. Até mesmo um ajudando ao outro sem esperar pagamento ou recompensa. Todos têm o que dar. E em qualquer idade. Especialmente na juventude e na terceira idade. Por exemplo: estudantes de Veterinária e Zootecnia ou pessoas que gostam de seus pets ajudando animais que precisam. E por acaso faltam pessoas que também precisam de todo tipo de ajuda? Outro exemplo: um colega da mesma classe que não entendeu a lição. Eu sou favorável a que crianças e adolescentes, com a autorização dos pais e preferencialmente com o seu acompanhamento, aprendam a dar amor na forma de ajudar os outros. Quem sabe dar amor embalado em boas ações saberá e merecerá ser amado.

Jorge Alberto Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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