Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2021 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

A ameaça do general

Ontem, ao ler o Estado, deparei com reportagem que assusta e só acreditei nela porque sou assinante do jornal há muitos anos e sei de sua responsabilidade no que publica. O que assusta, e faz pensar estarmos já sob disfarçada ditadura, é a informação de que o general Braga Netto, ministro da Defesa, acompanhado dos comandantes da Aeronáutica, do Exército e da Marinha, mandou emissário ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, com aviso curto e seco: não haverá eleições em 2022 sem voto impresso e auditável. Bem, como não é segredo, essa ameaça tem origem no presidente Jair Bolsonaro, que acredita piamente contar para tal com o apoio das Forças Armadas. Diante da ameaça dos militares ao presidente da Câmara, fica a pergunta: se os parlamentares ignorarem a ameaça, qual será a reação deles? Vão fechar o Congresso? Apoiar Bolsonaro se, derrotado, não entregar o cargo ao vencedor – que esperamos não ser Lula da Silva, mas uma terceira via?

LAÉRCIO ZANNINI SPETTRO@UOL.COM.BR

GARÇA

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Subindo o tom

“A quem interessar possa, sem voto impresso e auditável não haverá eleições”, conforme informa o Estado de ontem. O autor do recado dispõe de 330 mil homens, ante uma população superior a 212 milhões. Mesmo se o cão mordesse e os subordinados tivessem a mesma ideia, o que é muito improvável, significaria que somos uma democracia frágil e ainda temos instituições do Estado que se julgam donas do Brasil. Como também é balela a sempre repetida frase de que aprenderam com os ensinamentos de 64.

ALBERTO MAC DOWELL DE FIGUEIREDO

AMDFIGUEIREDO@TERRA.COM.BR

SÃO CARLOS

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Impeachment já!

Estamos sendo ameaçados pelo chefe da Defesa de Bolsonaro, que “condicionou” a eleição ao voto impresso. Recado duro enviado ao sr. Arthur Lira, presidente da Câmara (Progressistas-AL). O sr. Lira pode melhorar sua biografia respondendo a essa ameaça do ministro, finalmente, analisando um dos inúmeros pedidos de impeachment do presidente – motivos há. Assim, não terá de se preocupar com ameaças e fará um enorme favor aos brasileiros.

TANIA TAVARES TANIATMA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Retrocesso

Por que essa vontade doida do presidente de manter a ideia de retroceder ao voto impresso, que é, esse sim, manipulável?

ALICE A. C. DE PAULA ALICEARRUDA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Mixórdia

Um presidente desbocado, que desrespeita o povo brasileiro um dia e outro também; um militar profissional, ministro da Defesa, que manda recados ameaçadores à democracia; um senador, outrora inimigo hostil do atual presidente, conduzido por este ao centro do poder e em seu lugar, como suplente, vai assumir a mãe dele; enfim, sacramentando esse escabroso cenário, um indicado para ministro do Supremo Tribunal por ser “terrivelmente evangélico”, num Estado laico. E ainda querem que acreditemos que este país é governado...

HONYLDO ROBERTO PEREIRA PINTO HONYLDO@GMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

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Acuado

O presidente Bolsonaro está numa situação complexa. Ainda não está filiado a nenhum partido, não exerce liderança entre os congressistas, tem conflitos com o Judiciário federal e as pesquisas indicam descontentamento com sua conduta na chefia do governo. E, para completar, a CPI do Senado tem mostrado sérias irregularidades nas negociações das vacinas.

URIEL VILLAS BOAS URIELVILLASBOAS@YAHOO.COM.BR

SANTOS

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Ministro do Centrão

O sr. Ciro Nogueira é do partido do sr. Paulo Maluf, afilhado do sr. Severino Cavalcanti (aquele do mensalinho do restaurante da Câmara), todos de triste memória. O que os brasileiros podem esperar de uma pessoa investigada pelo Ministério Público e de quem o nomeou?

CARLOS T. SCHIBUOLA CSCHIBUOLA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Onyx Lorenzoni no Trabalho

Esse político é o chamado “especialista em tudo”, já foi ministro de áreas as mais diversas.

Se tem cargo, é governo.

VITAL ROMANELI PENHA VITALROMANELI@GMAIL.COM

JACAREÍ

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Economia esvaziada

Em vez de esvaziar o Ministério da Economia, o melhor é dispensar Paulo Guedes. Até hoje ele não disse a que veio, só propõe aumentar impostos para melhorar as finanças do Estado. Vai ser difícil sair deste PIB pífio se não for feita essa mudança. Na época do presidente Michel Temer estávamos economicamente bem melhor do que estamos hoje. A meu ver, Bolsonaro deveria chamar o Meirelles para salvar o País.

REINNER CARLOS DE OLIVEIRA REINNERCARLOS@UOL.COM.BR

ARAÇATUBA

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Pandemia

Previsão e mitigação

O Estado e seus colunistas têm feito ao longo de um ano e meio precisas análises da pandemia no País e no mundo. O problema é que o Sars-CoV-2 surpreendeu para pior nesse período até agora, o que faz antever novos problemas. A sazonalidade inicial nas estações frias desandou em graves surtos de verão, a preponderância em idosos deu sequência ao atual acometimento de adultos jovens, as taxas de letalidade pioraram mesmo quando o conhecimento sobre a doença avançou e a imunidade após a doença e a vacinação se mostra transitória. Salvou-nos do desespero total a reduzida infecção de adolescentes e crianças. Antes de novas surpresas negativas, urge programar para todo o País a vacinação, já aprovada pela Anvisa, dos 12 aos 17 anos e, na sequência, dos 3 aos 11, o que tem sido aventado por alguns órgãos de saúde pública e infectologistas. Não há tempo a perder.

BERNARDO EJZENBERG BERNARDOEJZENBERG@YAHOO.COM

SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


GOLPE POR RECADO

Em manchete de ontem (22/7), o Estadão anunciou o golpe. O golpe já está dado, pelo general Walter Braga Netto, ministro da Defesa – da defesa de Jair Bolsonaro ser ditador. O pretexto do momento é o voto impresso. O recado “duro” dado ao presidente da Câmara não deixou dúvida: “Se não tiver eleição auditável, não terá eleição”. Um golpe com aviso prévio de mais de 15 meses. Assim, a Nação já sabe o regime que será implantado no Brasil. Que já está lá e vai ficar. Donald Trump vai morrer de inveja, por não ter contado com generais como os brasileiros, em Washington, quando tentou dar seu golpe invadindo o Congresso. Aqui se dá golpe por recado. O ministro da Defesa desmentiu e o Estadão reafirmou.

 Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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AMEAÇA

A ameaça do ministro da Defesa, Braga Netto, acerca das eleições, de que, caso não tenha voto auditável, não terá eleições, é criminosa. Num país minimamente sério e com um Poder Judiciário e Ministério Público independentes, Braga Netto estaria agora na prisão, pois trata-se de crime contra o Estado Democrático de Direito, a democracia.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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O BRASIL NÃO TEM MEDO

O Brasil não tem medo das bravatas golpistas do general Braga Netto. O povo brasileiro sabe que a banda boa do Exército irá cumprir o seu dever e enquadrar a banda podre de oficiais corruptos, incompetentes e golpistas que estão envergonhando a Nação sob o comando do ainda presidente Jair Bolsonaro. Bolsonaro e os generais golpistas estão caminhando para um rude despertar quando a banda boa do Exército começar a cumprir o seu dever.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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DEMOCRACIA ACIMA DE TUDO

Todos nós, os conscientes do valor da democracia e dela defensores, estamos cansados de ameaças de golpe pelo presidente e de seus asseclas militares por motivos fúteis. Eles impõem como uma das condições o voto auditável, aquele que já é auditável desde que foi concebido. O que querem é o tal comprovante para tirar do povo o sigilo do seu voto, uma vez que o papel pode, este sim, ser surrupiado por fraudadores ou, então, se entregue ao eleitor, poderá ser conferido na base do cabresto pelo “coronel” de plantão. O outro motivo, claro, é a constatação pela CPI do envolvimento dos “santos” militares em falcatruas inaceitáveis! Seria bom que as Forças Armadas se comprometessem, como as dos EUA, ao deixar claro serem uma instituição de Estado, e não de um governo para lá de ruim, na ocasião em que quiseram ser usadas por Trump. É bom que saibam que os tempos mudaram e não estamos mais em 1964. Eu juro que sairei às ruas com o meu patriotismo à flor da pele, para defender meu país do autoritarismo anacrônico, bem típico de gente ignorante, mas arrogante, que deseja o poder pela força. E tenho certeza que de seremos milhares, quiçá milhões, nas ruas a dar um basta neste desgoverno, com seus aliados ignóbeis, que nada de bom produzem a não ser iniquidades. Sobretudo nós, os mais velhos, que desejam deixar para seus filhos e netos um Brasil viável, mais próspero, mais feliz e justo. Não teremos medo, podem estar certos! Vamos formar um bloco de resistência a fim de estancar este mar de absurdos que nos rouba a oportunidade de viver em paz e com liberdade! Sim, nos cansamos de viver num país que só nos envergonha por não ser levado a sério pelo próprio povo brasileiro – à exceção dos crentes que não querem enxergar – e muito menos pelo mundo desenvolvido. Ora, chega, basta e nos poupem! Não aguentamos mais!

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas

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A DEMOCRACIA DE ACORDO COM BOLSONARO

Jair Messias Bolsonaro, presidente do Brasil, jurou cumprir e respeitar a Carta Magna. As eleições fazem parte do regime democrático e do Estado Democrático de Direito, com previsões claras nos textos constitucionais. Mas Bolsonaro deseja eleições a seu modo, como condição para que elas existam e aconteçam. Os votos precisam ser auditáveis, com impressão, como complemento, nas atuais urnas eletrônicas, sendo o seu desejo não apoiável, porque o atual sistema, fiscalizado pela Justiça Eleitoral, é exemplo para o planeta e nunca ocorreu fraude em eleições anteriores. A propósito, Bolsonaro, que sempre falou em fraude, até o momento, embora notificado pela corregedoria do TSE, não apresentou nenhuma prova sequer de fraude eleitoral. Agora, à socapa e à sorrelfa, segundo a imprensa apurou, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, secundado por demais militares de todas as Armas, deu o recado ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, de que as eleições só ocorreriam se houvesse o voto auditável. A ameaça fortifica a fala anterior de Bolsonaro e vem em ofensa ao regime democrático vigorante no País. O Poder Legislativo, o Poder Judiciário e as forças vivas e atuantes da Nação não podem aceitar a ameaça, porque injusta, ilegal e incompatível com o regime escolhido pelos brasileiros. Existiria unanimidade sobre o tema nas Forças Armadas?

José C. de Carvalho Carneiro josecarlosdecarvalhocarneiro@gmail.com

Rio Claro

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CASAMENTO COM COMUNHÃO DE BENS

Bolsonaro tinha um discurso de não se vender aos corruptos.  Foi eleito. Lula tinha um discurso de que no Brasil havia 300 picaretas. Foi eleito e reeleito, elegeu seu poste e foi preso, uma história que todos conhecem pelo incansável trabalho da Lava Jato, que expôs ao mundo a corrupção brasileira. Passados alguns anos, o STF jogou por terra toda a apuração da operação e isentou o maior corrupto do País. Que do Congresso Nacional se pode esperar tudo, o.k., mas ver uma suprema corte fazer política, aí passou dos limites. Acabamos de ver o casamento de Bolsonaro com Ciro Nogueira, sob o regime de comunhão total de bens, para o bem e para o mal. Dirão alguns “como pode?”. Pois é, não pode, mas acontece, como aconteceu com os governos que antecederam Bolsonaro. O caso é que agora a noiva, Ciro Nogueira, ocupa o coração do governo. Já vimos este filme, e no que vai dar só o tempo dirá. Uma coisa é certa: o Congresso Nacional tem preço, e quem precisa dele paga. Simples assim. Tem solução? Tem: tirá-los de lá. Eis a tarefa do eleitor.

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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UM A MENOS

Bolsonaro coloca Ciro Nogueira na Casa Civil. Um a menos para perturbar a CPI!

Robert Haller

São Paulo

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MUITO AMOR PARA DAR

O voraz Centrão e o temperamental Bolsonaro juntaram os trapos e oficializaram a união. Com juras de amor eterno. “O casamento do ano”, definiria o colunista Ibrahim Sued. Chutes na virilha e cusparadas na cara ficaram no passado. Bolsonaro garante que tem muito amor para dar. Além de caneta cheia de tinta para oferecer ministérios, emendas, cargos em diversos escalões e fundos. Dedicará todo seu charme para que a lua-de-mel com o Centrão seja inesquecível e resulte em numerosa prole e votos.   Por sua vez, o compositor bissexto, ministro Augusto Heleno, deletou da memória, do computador e das redes sociais estrofes que cantou, quando o governo navegava em águas tranquilas, debochando do Centrão. Com aplausos da plateia. Desta feita, Heleno mostrou sua imensa versatilidade musical, compondo novos versos, sem ficar corado, para saudar a entrada triunfal do novo e poderoso ministro da Casa Civil, o casto senador Ciro Nogueira: Centrão, nosso amigo de fé / irmão camarada / parceiro salvador de tantas jornadas / você é a tábua de salvação de Bolsonaro.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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CAMALEÃO

Ciro Nogueira (PP), aliado do PT, amigo de Lula e de Dilma Rousseff, como futuro chefe da Casa Civil do atual governo, passou a ser bolsonarista. Isso se chama política, ou seja, a arte de enganar o povo em proveito próprio.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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APENAS DIFERENTE

O mesmo Ciro Nogueira que achou que o então deputado Jair Bolsonaro “tem um caráter fascista, preconceituoso” e, ao mesmo tempo, afirmou que Lula foi “o melhor presidente da história deste país, principalmente para o Piauí e para o Nordeste”, agora vai comandar a Casa Civil da Presidência bolsonarista! Parafraseando o moto da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, “nem melhor, nem pior, apenas um senador diferente”.

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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REFORMA MINISTERIAL

Na Física, dois corpos não ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo. Na Química, dois elementos não permanecem juntos após uma reação química instável. Na ciência política, não existe presidencialismo de coabitação. Não tem como o presidente da República abrir mão do controle de todo o Ministério e, ao mesmo tempo, ser chefe de governo de algo controlado pelo Parlamento. Não há como triunfar o negacionismo científico no Brasil.

Luiz Roberto da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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A FRASE DA SEMANA

“Fui atropelado por um trem, mas passo bem”, disse o general Luiz Eduardo Ramos, quando soube da sua demissão como ministro da Casa Civil. Afinal, apesar de amicíssimo do presidente, o general sentiu na pele como é a maneira de Bolsonaro tratar as pessoas. Imaginem, então, o que não faz com o sofrido povo de bem. Ainda bem que, mesmo atropelado por um trem, ele passa bem. Lamentável!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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ATRIBUTOS

O general Luiz Eduardo Ramos, ainda ministro da Casa Civil, disse que se sentiu atropelado e que, se fosse substituído por alguém formado em Oxford ou Harvard, ele entenderia. O general sabe bem, por experiência própria, que para ocupar o cargo que perderá para o senador mensaleiro Ciro Nogueira, os atributos adquiridos nas duas instituições, de renome internacional, não são necessários. Estes o senador tem sobrando.

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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SÓ O PODER

Para que o presidente Bolsonaro quer a reeleição, se passou o governo para o Centrão?

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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IMPEACHMENT IMPOSSÍVEL

O Centrão está tão intimamente ligado ao presidente da República que, para o presidente da Câmara, aprovar o impeachment significaria aprovar essa medida contra ele mesmo. Aliás, o próprio Centrão, reconhecendo a não operacionalidade do presidente como presidente, está querendo criar um “primeiro-ministro”, deixando o presidente livre para proteger seus familiares e seus amigos, como tantas vezes disse preferir fazer.

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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SEM ESPERANÇA

Perfeita a carta do leitor sr. Antonio Carlos de Queiroz Ferreira (Fórum dos Leitores, 19/7), ao  comentar sobre a possibilidade de mudança de regime para semipresidencialismo. “Precisamos de uma reforma política, mas mais importante é que a sociedade consiga impor algum padrão de moralidade a seus líderes. É difícil termos esperança num país que consegue demonizar uma operação moralizadora como a Lava Jato, vetar o cumprimento de penas após decisão em segunda instância, ser capaz de, sem prova material, declarar suspeito um juiz eficiente. Espero um milagre para dar esperança a meus netos”.

Cleo Aidar cleoaidar@hotmail.com

São Paulo

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A PROPOSTA DO SEMIPRESIDENCIALISMO

O semipresidencialismo, que passou a ser pregado no Brasil, numa análise maior, é a uma nova tentativa de estabelecer o parlamentarismo pretendido pelos constituintes de 1988, que foi derrotado no plebiscito de 21 de abril de 1993. Naquele dia, votaram 67.010.409 eleitores. O presidencialismo obteve 37.156.884 votos (69,20% dos votos válidos), ficando o parlamentarismo com 16.518.028 (30,80%). A República somou 44.266.608 (86,60%) votos, ante 6.843.196 (13,40%) da monarquia. Nestes 28 anos pós-plebiscito, os sucessivos governos promoveram a coalizão, barganhando com os parlamentares. O escambo cresceu tanto que levou aos escândalos de corrupção do mensalão e do petrolão, que conduziram ao cárcere influentes figuras, e ainda assombram muitos processados. A chegada de um governo que se recusou, enquanto conseguiu, a negociar nos trouxe ao quadro atual. Precisamos acabar com a hibridez de regime em que o governo é permanentemente pressionado. Temos de definir se presidencialistas, parlamentaristas ou semipresidenciaslistas. Não podemos ficar entre um e outro, pois assim não funciona. A mudança é urgente e sugere, inclusive, a reforma constitucional, para evitar a dualidade da Carta Magna, que tem inspiração parlamentarista, mas vigora e regula o presidencialismo. Temos de definir claramente por uma das três alternativas, não importa qual delas. Ao cidadão comum pouco importa o regime, desde que o governo seja honesto e cumpra suas obrigações. Não podem os políticos continuar loteando e desviando o dinheiro público. Para mudar, é lógico, precisamos de novo plebiscito e fazer a alteração vigorar só na posse dos eleitos depois da reforma. Alterar durante o mandato é casuísmo. O semipresidencialismo tem seus exemplos mais marcantes na França e em Portugal. No Brasil, já tivemos um período parlamentarista, entre setembro de 1961 e janeiro de 1963, quando o sistema foi rejeitado em plebiscito. Foi criado como solução política para os militares permitirem a posse do vice-presidente João Goulart, após a renúncia do presidente Jânio Quadros. Restou demonstrado que, já naquela época, a mudança do formato de governo não era a solução para a crise política. Que os artífices das alterações de hoje não cometam o mesmo engano.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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A PÁTRIA DOS JABUTIS

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, voltou a defender o semipresidencialismo, a partir de 2026. Se aprovada, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) altera o sistema de governo ao tirar poderes do presidente e redistribuí-los entre o novo cargo de primeiro-ministro e o Congresso Nacional. Mas será que a possibilidade do sucesso de uma terceira via nas eleições de 2022, mormente na pessoa de Sergio Moro, ou de outro verdadeiro patriota honrado e honesto desta vez, já causa movimentação entre os eternos beneficiários deste nosso sistema político atual, tão cheio de benesses com os parlamentares? Creio que tal discussão deveria só acontecer após os resultados da nossa próxima eleição presidencial. E olha que o Brasil, com propostas assim, continuará ainda a ser a verdadeira pátria dos jabutis, dos micos e dos embusteiros.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro               

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MEIA-BOCA

Aqui, sempre que o presidente e a Câmara fazem escaramuças, surge um movimento reformista para minar o Executivo. Há alguns anos tentou-se adotar o parlamentarismo meia-boca, no qual só caía o primeiro-ministro, os deputados não. Parece que este semipresidencialismo em estudo deve ser na mesma toada.

Paulo Tarso J. Santos ptjsantos@yahoo.com.br

São Paulo

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REFORMA

Qualquer que seja o regime que será aprovado para o presidente da República no futuro, as reformas política e partidária têm a obrigação de reduzir em 50% o número de congressistas, para que ele possa minimamente governar. O País não comporta despesas tão elevadas e com pouquíssimo retorno. A economia será enorme e pode ser mais bem aproveitada para o social. Essa medida serve também para os Legislativos estaduais e municipais, porque é ética e moralizadora.

Saverio Vicente Angrisani angrisani@bol.com.br

São Paulo

 

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