Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2021 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Cadê as provas, capitão?

Finalmente Jair Bolsonaro apresentou suas “provas” de fraudes nas eleições de 2018, que não passavam de erros de digitação de eleitores durante a votação, erros na ordem de votação nos candidatos e coisas do gênero. Mais uma vez o motoqueiro caiu do cavalo com suas afirmações mentirosas, que, aliás, se tornaram sua marca registrada desde o começo deste desgoverno. Voltou a atacar o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, por causa do voto impresso. Ávido por golpes contra a democracia, Bolsonaro insiste nessa aberração para poder, aí, sim, fraudar as próximas eleições. Também saltaram aos olhos as fotos tiradas por ele, seu filho 03 e a deputada Bia Kicis com a nazista, todos sorridentes e na maior alegria. Faz tempo que venho insistindo em que Bolsonaro e sua trupe nunca foram amigos da comunidade judaica no Brasil e do Estado de Israel, pois ele tem em seu âmago tendências nazi-fascistas. Bolsonaro enganou muitos durante a campanha de 2018, eu incluído, mas hoje tenho plena certeza de que em 2022 não voto nem nesse mentiroso nem no corrupto Lula. Urge, pois, uma terceira via, o tempo está correndo rápido e o Brasil não pode mais se dar ao luxo de ficar nas mãos de políticos tão desqualificados quanto esses dois.

BORIS BECKER

BORISBECKER@UOL.COM.BR

PRAIA GRANDE

*

Língua de trapo

Três anos falando que havia fraude nas eleições e Bolsonaro provou... que ele é a própria fraude! Tem de ser responsabilizado por suas sandices, pela língua de trapo.

LUIZ THADEU NUNES E SILVA

LUIZ.THADEU@UOL.COM.BR

SÃO LUÍS (MA)

*

Pinóquio-mor

Cadê a OAB, Ministério Público, advogados em geral, etc., que não enquadram (linguagem que ele conhece) o Pinóquio- mor da República? Somos uma república de bananas?

TANIA TAVARES

TANIATMA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Deturpação crônica

Uma prática comum do presidente Bolsonaro é deturpar a realidade. Nas suas comunicações, ele desvirtua os fatos e sempre cria uma situação irreal, que tenta fazer entender como verdadeira. Seu objetivo é um só: confundir os eleitores, principalmente os que têm pouca ou nenhuma informação.

JORGE DE JESUS LONGATO

FINANCEIRO@CESTADECOMPRAS.COM.BR

MOGI MIRIM

*

Fina-flor bolsonarista

Eu era garoto quando, um dia, meu pai disse: “Os virtuosos atraem os que buscam virtudes”. Depois disso enveredou por uma conversa sobre os que nos cercam terem alguma semelhança conosco, mesmo que não tenhamos consciência disso. Hoje em dia, lendo os jornais e assistindo aos noticiários sobre política brasileira, recordo-me de papai. Um tanto e meio de picaretagem flutuante no entorno do Palácio do Planalto: vendilhões de vacinas, rachadinhas, milícias, racistas, supremacistas brancos, neonazistas... Do alto de seu saber popular, torcendo entre dedos os fios de seu longo bigode, papai nos diria: “Me diga com quem tu andas...”.

EDUARDO BARBOSA

DUARDO.BARBOSA.CSO@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

*

Gênios da raça

Ele não é apenas lerdo, ladrão dos nossos impostos e sádico. Os quase 600 mil mortos mostram que é bem pior. E os vigaristas o apoiam contra a democracia porque nela a Justiça revela seus trambiques. Repetem a disenteria verbal sobre TrateCov, voto impresso, etc. Essa ralé existe em países mais civilizados, mas não incomoda onde são fortes a democracia, a economia e a justiça social.

JOÃO BOSCO EGAS CARLUCHO

BOSCOCARLUCHO@GMAIL.COM

GARIBALDI (RS)

*

Embate com o Sistema S

O grande professor José Pastore (29/7, B11) relata fielmente o trabalho que brilhantemente realiza o Sistema S. O governo não tem expertise para promover com qualidade e eficiência o que o Sistema S faz com esmero. Em verdade, por certo o governo central só quer dinheiro para o caixa da viúva.

ALBERTO DANIEL ALVES ANTÔNIO

ALBERTOALVESANTONIO@TERRA.COM.BR

SÃO CARLOS

*

Memória perdida

Incêndio na Cinemateca

Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas na cultura brasileira cai, e várias vezes. A Cinemateca foi atingida por um incêndio em fevereiro de 2016 e agora a tragédia se repete. Vários sinistros, recentemente, envolveram centros culturais e de pesquisa: Museu da Língua Portuguesa, Museu Nacional, Memorial da América Latina, Liceu de Artes e Ofícios, Instituto Butantan... No romance Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, livros são proibidos e jogados em fogueiras. Entretanto, as chamas que destroem nossa cultura não são obras de ficção. São obras do descaso com o patrimônio público, com a memória e com o pensamento brasileiro.

VÁLTER VICENTE SALES FILHO

VALTERSAOPAULO@YAHOO.COM

SÃO PAULO

*

Reprise

Pelo descaso, mais um incêndio em instalações culturais que, por absoluta falta de manutenção, estão caindo pelas tabelas. Esse da Cinemateca é só mais um filme já visto, reprise que não vale a pena ver de novo.

A. FERNANDES

STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Em São Paulo

Estrada abandonada

É inaceitável o estado deplorável da estrada que liga a bela Vila de Picinguaba à Rio-Santos, em Ubatuba, no litoral norte. A prefeitura de Ubatuba abandonou a vila de pescadores à própria sorte. Os três quilômetros de acesso estão praticamente destruídos, sem asfalto e com crateras. Ubatuba recebe muito dinheiro graças ao turismo e aos barcos que saem da Picinguaba para a Ilha das Couves e outros destinos. O mínimo que se espera é que a prefeitura cumpra a sua obrigação e cuide dessa estrada.

RENATO KHAIR

RENATOKHAIR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

_________________________________________________________

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


TEMOS BANANAS, NÃO PROVAS

Após meses de declarações sobre fraudes no sistema eletrônico de votação e “ameaças” de apresentar provas concretas, o capitão Jair Fake News Bolsonaro acabou declarando, num pronunciamento patético na TV, que não tem nenhuma prova. Não se trata de uma atitude aloprada do capitão, mas sim de um plano para sempre levantar assuntos secundários e polêmicos para desviar a atenção dos graves problemas do Brasil, piorados por sua incompetência fenomenal e insensibilidade perante o sofrimento. Presidente, trata-se de coisas sérias, a pandemia da covid-19, o desemprego persistente, a fome das pessoas, a degradação do meio ambiente, a corrupção no seu governo, ou tire licença do cargo, pois é temeroso pensar na continuação deste desastre até 2022.

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

*

CREDIBILIDADE

Será que dá para alguém acreditar nas falas do sr. Bolsonaro, que precisamos de voto impresso? Até agora, ele desfez e mentiu sobre tudo o que em campanha prometeu: ser contra o Centrão, a favor da Lava Jato, etc. Então ele mente, não dá para acreditar em fraudes nas eleições, como ele diz.

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

*

MENTIRA

Mentira e verdade formaram um tema filosófico por séculos. Tomás de Aquino e Kant foram absolutistas e não admitiam a mentira em hipótese alguma, inclusive em favor do perseguido por seu assassino. Moderados a admitiram para salvar um bem muito precioso, como a vida. Hoje, é feijão com arroz cozinhado e comido no cercadinho do Alvorada. Um argumento tanto para kantianos como para utilitaristas é de que mentir destrói a confiança mútua e desgasta os relacionamentos humanos; as fake news (retomar nossa linguagem seria a primeira busca da independência) de Bolsonaro, sobretudo as mentiras que denigrem eleições limpas, esfarrapam nosso relacionamento social e nossa política.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

*

DIREITO DE MENTIR

Jair Messias Bolsonaro, presidente da República brasileira, exerce, na sua plenitude, o direito de mentir, porque faz questão de quase diuturnamente faltar com a verdade, como modo e meio de realizar suas pretensões. Mas não fica só no mister escolhido, porque seus adeptos seguem a mesma orientação na prática de fazer circular fake news, seguindo todos para o objetivo comum sempre perseguido: a reeleição de 2022. O Direito Processual Penal admite que o réu falte com a verdade para se defender do delito cometido, mas Bolsonaro falta com a verdade, dissemina fake news, na maioria das vezes, não para se defender, porém para atacar ou para transferir responsabilidades. Assim, essa é uma qualidade (para ele) que não deveria estar presente no comportamento presidencial. Ou deveria?

José C. de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

*

NECESSÁRIA RESPONSABILIZAÇÃO

O presidente Bolsonaro há mais de um ano noticia, ou ameaça, que iria apresentar provas de que houve fraudes nas eleições de 2018 com o uso das urnas eletrônicas. Pela gravidade das possíveis repercussões de tal insinuação acusatória, causa estranheza que as instituições políticas democráticas brasileiras, mormente o Supremo Tribunal Federal (STF), não tenham ainda exigido a apresentação de tais provas, sob pena de responsabilização criminal do senhor presidente da República, com desdobramentos num possível processo de impeachment. A verborragia desenfreada e intestina do presidente Bolsonaro não merece ser aturada da forma covarde, omissa e frívola como tem sido até agora, pois, ao se constituir numa ameaça real à nossa democracia, este senhor, prolixo em tagarelar bobagens e econômico em saber situar-se devidamente como presidente de um país, deve ser interpelado, reajustado em seus limites adequados, como presidente e como pessoa – e até, em sendo o caso, impedido de continuar a nos desagradar assim, de modo covarde, mesquinho e antidemocrático.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

*

O VOTO E A PAZ POLÍTICA E SOCIAL

As lives de Jair Bolsonaro costumam ter uma hora ou menos. Mas a da quinta-feira (29/7) durou mais de duas horas. O voto impresso foi o tema principal, contrapondo-se o presidente ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Bolsonaro defende a aprovação da PEC 135/2019, da deputada Bia Kicis, que determina a impressão do voto nas urnas eletrônicas. Barroso é contrário, por considerar seguro o atual sistema. A live mostrou técnicos de informática demonstrando possibilidades de fraude. Bolsonaro evitou afirmações ácidas, mesmo manifestando sua estranheza à reabilitação política de Lula. Reconheceu, entre outras coisas, a importância dos veículos de comunicação para a democracia brasileira. Comportou-se como o “Jair do Centrão”, como ele próprio se autodefiniu dias atrás. A divergência entre os líderes do Executivo e do Judiciário é salutar e – o mais importante – dá ao Legislativo, a instituição encarregada de atualizar a legislação, os elementos para decidir da melhor forma. Cumprida essa etapa, o processo restará aperfeiçoado e os Três Poderes terão dado sua contribuição ao fortalecimento da democracia. Considere-se, ainda, que os deputados, senadores e os demais ocupantes de cargos eletivos – governadores, prefeitos e vereadores – também são interessados na segurança do processo de votação, porque, da mesma forma que os candidatos a presidente da República, eles também estarão sob risco se o sistema for passível de fraude. Espera-se que as manifestações do domingo em favor do voto impresso sejam pacíficas e produzam o melhor resultado para a sociedade. Precisamos de paz. Sem ela, a democracia, que muitos batem no peito dizendo ter ajudado a implantar, poderá até deixar de existir. 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

*

FRAUDE ELEITORAL

Que mané prova, que nada! A única comprovação é que só foi mais uma das “live” natimortas de sempre...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

*

ESTRIPULIAS

Só um sistema de governo muito ruim e um Parlamento muito frouxo podem explicar todas as estripulias do homem mais poderoso do País por tempo tão dilatado. Vamos ver se a elite pensante brasileira abre os olhos e resolve ver que é preciso superar o presidencialismo copiado da Norte América.

Euclides Rossignoli clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

*

BOLSONARO E OS SONHOS DA BANCADA DA CORRUPÇÃO

Existem motivos de sobra para o impeachment de Jair Bolsonaro: suas mentiras contumazes, a destruição deliberada da Amazônia, a pior gestão da pandemia do planeta, constante falta de decoro, corrupção na compra de vacinas, no orçamento paralelo – qualquer uma dessas ações deveria levar ao afastamento de Bolsonaro, se houvesse vontade política para tanto. O Brasil precisa entender que Bolsonaro serve a um propósito maior, ele atende aos interesses da bancada da corrupção. Os donos do País, os partidos políticos, estão perfeitamente felizes com Bolsonaro, os esquemas de roubo de dinheiro público renasceram revigorados graças a Bolsonaro, depois do susto da Operação Lava Jato. A destruição da Amazônia é um desejo antigo da bancada ruralista escravocrata, o orçamento paralelo é um verdadeiro sonho dos corruptos e o fundo eleitoral realiza o desejo de todos os corruptos de ter um pouco de dinheiro também no caixa 1. O País precisa entender que o sistema político brasileiro existe para atender aos interesses dos partidos políticos. O povo? A Nação? Que se danem! A corrupção generalizada que sempre imperou no Congresso está se espalhando por todas as instituições, inclusive as Forças Armadas, que nunca receberam tanto dinheiro na vida e passaram a gostar do jogo. Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República, Supremo Tribunal Federal, tudo dominado. Afastar Jair Bolsonaro do cargo é o primeiro passo para o País começar a longa jornada para erradicar a corrupção generalizada no governo. Não será fácil, mas o País não tem outra escolha se não quiser se juntar definitivamente ao que há de pior nas republiquetas africanas.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

*

SALVAR O PESCOÇO OU SUICÍDIO ELEITORAL?

Bolsonaro deseja aumentar o valor da Bolsa Miséria para garantir os votos dos pobres, mas a cada aumento do valor da bolsa a inflação aumenta muito mais, causando um efeito contrário para os mais necessitados, que afundam ainda mais na miséria. Por ora, Bolsonaro pode contar apenas com os votos dos bolsominions radicais, que não são suficientes nem para eleger alguém para síndico de um condomínio, quanto muito para reelegê-lo. Talvez Bolsonaro escape do impeachment, mas sua reeleição nasceu com o umbigo roxo. Enfim, quanto mais Bolsonaro se aproximar do Centrão, mais longe ele fica da reeleição e mais descontrolada fica a inflação. O Posto Ipiranga (vulgo Paulo Guedes) não tem competência suficiente para apagar este incêndio, nem caráter para abandonar o barco que está afundando. Prefere ficar e ajudar a afundá-lo.

Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

*

PROPAGANDA ESPETACULOSA

A propaganda do Ministério da Educação do governo Bolsonaro para anunciar um “Novo Ensino Médio” no País em 2022 nos faz lembrar muito as campanhas publicitárias espetaculosas do governo Dilma, em que as letras sumiam dos livros e a comida, dos pratos das crianças – suposta realidade, caso ela não vencesse a eleição de 2014. O tom da propaganda, corroborado pela descrença neste governo, me deixou a nítida sensação de que iria ouvir o locutor ao fim dizer “em breve, nos melhores cinemas do País”.

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

*

O INCÊNDIO NA CINEMATECA

O incêndio na cinemateca era uma crônica anunciada, após o abandono total do governo Bolsonaro das mais de 2 mil cópias de filmes altamente inflamável. Mais um patrimônio cultural sendo devastado pela irresponsabilidade do governo Bolsonaro.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

*

UM PRESIDENTE INCENDIÁRIO

Não tenho dúvida de que Jair Bolsonaro é um presidente incendiário. Em vez de governar, faz o diabo para promover confrontos com opositores e até com membros do STF. E, sem cumplicidade para salvar vidas, como agora na pandemia, ainda desrespeita o trabalhador brasileiro. É o que se viu no caso lamentável da homenagear ao Dia do Agricultor, esta semana, quando a Secretaria de Comunicação Social da Presidência postou em seu site uma foto em que um agricultor carrega uma arma no ombro, como se estes dignos homens do campo, que produzem com muita competência alimentos para o mundo, fossem “jagunços”. Uma afronta! Infelizmente, está difícil de conviver com um presidente da República cuja diversão parece ser indignar o País!

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

*

PAI AMOROSO

Depois da atabalhoada mensagem sobre o Dia do Agricultor, quando foi deletada a infeliz imagem de um homem do campo segurando uma arma, a criativa e precavida Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto encomendou dois filmes, em homenagem ao Dia dos Pais. Recheados de amor e ternura. Deixando o presidente encantado e emocionado. No primeiro, Bolsonaro e filhos aparecerão eufóricos. Cada um segurando uma arma diferente. Todos sem máscara. No segundo filme, caso o primeiro seja reprovado pelas redes sociais, surgirá Bolsonaro com ar vitorioso, sem máscara, exortando a cloroquina, com palavras de amor eterno dos filhos.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

*

ABRIR O DEBATE?

O entregador preso por atear fogo na estátua de Borba Gato, em São Paulo, disse que o fez para abrir o “debate”. E conseguiu. Agora ele terá a oportunidade, se quiser, de se informar melhor sobre o bandeirante através de vários artigos publicados, entre eles o magnífico Borba Gato, de Luiz Eduardo Pesce de Arruda (Estado, 30/7, A2). Nele o autor lembra muito bem que “é preciso interpretar o passado sem cometer o erro do anacronismo, quando se ambiciona impor a fatos passados a ética do presente”, e questiona muito pertinentemente: se “como (...) todas as intervenções arquitetônicas remanescentes do período colonial e do Império empregaram mão de obra escravizada, devemos demolir ou incendiar tudo isso?”. Tal conjectura é tão absurda quanto a forma que o entregador e seus cúmplices encontraram para abrir o “debate”: violência gratuita, ignorância moral e histórica e rigidez de pensamento. Em verdade, para esses cidadãos e os que apoiaram o vandalismo da estátua não existe debate, apenas opiniões prontas e engessadas.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

*

FUTURO E PASSADO

Muitos defendem que Borba Gato só pode ser visto no contexto do mundo em que viveu, e, portanto, não é “culpado”. Acho superficial essa argumentação, pois, no futuro, compreender o contexto de Jair Bolsonaro o eximirá perante a história e ele não será considerado “culpado”? Os revisionistas do futuro dirão que ele mentia descaradamente (Como enfrentar a impostura, 30/7, A3). Ora, dirão os defensores do contexto que Trump e outros governantes também mentiam. Ele era autoritário com desejos ditatoriais, ora, os dirigentes chineses e venezuelanos, esquerda e direita, também o eram. Ele fazia rachadinhas, ora, a corrupção era prática cotidiana no Brasil da época, e quem ousou denunciar a verdade, o juiz Sergio Moro, foi considerado “suspeito” pelas autoridades ditas supremas. Ele negava evidências científicas, ora, ele e metade da população mundial negavam o aquecimento global, a necessidade de vacinas, etc. Mentir, ser autoritário e vingativo, corromper e negar a realidade dos fatos serão o “contexto” do mundo em que viveu Bolsonaro, tal como ser escravagista era o “contexto” de Borba Gato. E, então, todo mundo está perdoado? Ou bem afirmamos, com todas as letras, e já, que Borba Gato e milhares de outras pessoas na História se deixaram dominar por aspectos obscuros da mente e da alma, ou a humanidade será cada dia mais desalmada. Até que um dia se extinguirá.

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

*

A PRATA DE REBECA ANDRADE

Da cinzenta Guarulhos, na periferia da Grande São Paulo, até a consagração com a conquista da prata no tatame de Tóquio, foi árdua e comovente a trajetória de Rebeca Andrade, a primeira brasileira medalhista olímpica de ginástica artística. De menina negra pobre, criada apenas pela mãe Rosa, doméstica, junto com outros 7 irmãos, ao pódio dos Jogos de Tóquio, soube superar inúmeros obstáculos, entre os quais três cirurgias nos joelhos, para encantar o mundo, os jurados e as supercampeãs Nadia Comaneci, Simone Biles e Daiane dos Santos ao som de Baile de Favela. Viva Rebeca! Viva o Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

*

O OLÍMPICO POVO BRASILEIRO

Ítalo Ferreira, ouro no surfe; Rebeca Andrade, prata na ginástica artística; Rayssa Leal e Kelvin Hoefler, prata no skate; Fernando Scheffer, bronze na natação; Daniel Cargnin e Mayra Aguiar foram bronze no judô. Em comum, são atletas extraordinários e gente simples e de origem pobre, verdadeiros representantes do também olímpico povo brasileiro, que luta por um lugar ao sol no pódio da vida. A todos eles, nosso orgulho e gratidão por tão bem representarem nossa nação. E ainda vêm mais honrosas medalhas dos humildes do Brasil.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

*

ESPORTE E INVESTIMENTO

O Brasil é um dos países mais promissores no desenvolvimento dos esportes olímpicos, mas é também um dos que menos investimento efetua. Nossos atletas, que podemos considerar verdadeiros heróis quando conseguem bons resultados, poderiam nos fazer ter muito orgulho deste país. Que pena...

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

*

ADOLESCENTES NA OLIMPÍADA

Parece que estamos voltando aos tempos da Grécia antiga. Pouca gente sabe que nos antigos Jogos Olímpicos gregos, realizados no santuário de Olímpia, além dos competidores adultos, havia também disputas entre meninos de 12 a 17 anos. Aliás, os jogos começavam com as provas da garotada e os vencedores eram muito festejados. Só depois os adultos entravam em cena. No entanto, nem as meninas nem as mulheres podiam participar dos jogos em Olímpia. Mas podiam participar em outros eventos. Agora, em Tóquio, são as adolescentes que estão se destacando, como a nossa Rayssa, de 13 anos, ao lado de outras igualmente jovens. Será que nem assim as nossas autoridades educacionais se mexem para desenvolver projetos esportivos nas escolas públicas de todo o País? Não está clara a dimensão educativa do esporte?

Douglas Tufano dgtufano@terra.com.br

Jundiaí

*

BALLET NOS CÉUS

Um total de 1.824 drones apareceram no céu, brilharam e giraram em conjunto formando um globo sobre o Estádio Olímpico durante a cerimônia de abertura da Olimpíada de Tóquio 2020-2021. Pela primeira vez, havia mais drones no evento do que pessoas. E pela primeira vez eles substituíram com louvor os fogos de artifício. O ballet surgiu na Renascença, mas foram os franceses, especialmente Luís XIV, que tornaram a sua exibição algo obrigatório em todas as cortes da Europa. Provavelmente, esta Olimpíada entrará para a história da arte, por ter tornado o ballet de drones nos céus uma das marcas de nossa época para os próximos séculos. 

Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo



 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.