Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2021 | 03h00


Desgoverno Bolsonaro

Presidente ‘fake’

Agora é oficial. Com sua live de 29/7 sobre a urna eletrônica, ele provou que não só acredita em fake news, como as estimula e atua a partir delas. É o nosso fake presidente. Até quando, caro deputado Arthur Lira? Acredita que é fake quando ele e outros indicam que, se não ganhar as eleições em 2022, não passa o poder? Acredita mesmo que essa fala também é fake?

WILSON SCARPELLI WISCAR@TERRA.COM.BR

COTIA

*

Nenhuma novidade

Jair Bolsonaro apenas provou que não tem provas.

ADALBERTO AMARAL ALLEGRINI ADALBERTO.ALLEGRINI@GMAIL.COM

BRAGANÇA PAULISTA

*

Falastrão canastrão

Quase três anos foram necessários para que finalmente uma única verdade se fizesse presente no (des)governo do messiânico traste. Em cadeia nacional ele conseguiu demonstrar que não é um mito, mas um senhor mitômano. Sua live de quinta-feira, quando prometeu apresentar provas contra o voto eletrônico, que desde março de 2020 escamoteava, foi grotesca, deplorável. Atuação própria de um falastrão canastrão. E pensar que ainda teremos de aguentar essa abjeta figura por mais de um ano. Vade retro!

RENATO OTTO ORTLEPP RENATOTTO@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Renúncia

Que vergonha o presidente do Brasil! O sr. Jair Messias Bolsonaro apresentou somente fake news para “provar” que o sistema de eleição eletrônica seria fraudulento (30/7, A1). Com a insistência nessa história, parece não se lembrar (ou não quer se lembrar) de que ele próprio foi eleito por voto eletrônico para deputado federal e também para a Presidência. Se suas alegações tivessem fundamento, ele teria sido eleito ilegalmente, certo? Nesse caso, deveria ser o primeiro a renunciar ao cargo, não é, não?

TOMOMASA YANO TYANOSAN@GMAIL.COM

CAMPINAS

*

Voto impresso é só pretexto

Há 30 anos Bolsonaro e mais recentemente seus filhos vêm sendo eleitos por meio da urna eletrônica. Com a certeza de que vai perder as próximas eleições, Bolsonaro apenas busca preparar o caminho para contestar o resultado.

CECILIA CENTURION CECILIACENTURION.G@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Ataque anunciado

O jornal The New York Times noticia que, em dezembro, Donald Trump mandou funcionários do Departamento de Justiça declararem que a eleição presidencial nos EUA fora corrompida, para que ele e seus aliados pudessem iniciar uma campanha para reverter o resultado do pleito, favorável ao adversário democrata. Como o presidente do Brasil não tem nenhuma iniciativa própria, só faz o que lhe mandam ou copia dos outros, vê-se que toda a campanha pelo voto impresso é o trailer do que ele fará nas eleições do próximo ano. Seria bom que o presidente da Câmara desse início a um dos numerosos pedidos de impeachment que repousam na sua gaveta, para evitar esse ataque anunciado.

ALDO BERTOLUCCI ALDOBERTOLUCCI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Patrimônio cultural

Raízes queimadas

Um inapto montou o pano de cenário muito próximo de um holofote e tocou fogo no Museu da Língua Portuguesa. Ineptos e inaptos trabalhavam em silêncio num edifício fadado ao incêndio e assim torrou o Museu Nacional. Um inapto fazendo manutenção no ar-condicionado causou curto-circuito e fez queimar a Cinemateca Nacional. Todas essas e outras mais foram situações absolutamente previsíveis, não se pode dizer que tenham sido meros acidentes. A pergunta que fica: qual a diferença entre o vândalo que tocou fogo na estátua do Borba Gato e os responsáveis pela cultura neste país? Recuperar o que foi perdido é impossível, perda literalmente irreparável, mas quem vai ser responsabilizado? Não faz muito tempo um bêbado dirigindo em alta velocidade e sem carteira de habilitação derrubou um poste e apagou um bairro inteiro que tem negócios e escritórios essenciais para o Brasil. Quem pagou pelo estrago? Ele não foi. E todos nós silenciamos. Considero inaceitável que não tenhamos leis específicas para manutenção de nossos museus, do nosso patrimônio histórico. Definitivamente, pessoas inabilitadas não podem executar nenhum trabalho dentro ou relativo a museus ou patrimônio histórico. Não podemos continuar queimando nossas raízes.

ARTURO ALCORTA ARTUROALCORTA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

Olimpíada de Tóquio

Os meninos do Brasil

Nossos meninos estão lutando muito. Fazendo o seu melhor. E que bonito estão fazendo! Uma pequena maranhense nos trouxe uma linda medalha prateada. O menino potiguar também, mas dourada. E outros jovens brasileiros estão lá na grande luta, a luta da vida deles, de seus sonhos. São uma grande esperança da Nação. Todo esse esforço é feito com suor e sangue de muitas famílias humildes, que lutam para sobreviver e fazer acontecer o sonho dos filhos sonhadores, que do outro lado do mundo buscam o pódio. Que honra! Que beleza! Bem diferente dos nossos políticos, que estão na maior luta para ser aprovado o fundão de quase R$ 6 bilhões para a grande festa deles, que não é a nossa. Que diferença, que tristeza... Mas esses meninos em Tóquio ficarão na memória do sofrido e injustiçado povo brasileiro, que está tendo agora a alegria de ver triunfar o esforço de nossos pequenos grandes patriotas.

DOROTI PASCOETO VIEIRA APAULAVIEIRA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

Ginasta de prata

Glória à incrível Rebeca Andrade! Aos curiosos, sugiro assistir ao filme Descalços no Parque, de 1967, com Jane Fonda e Robert Redford. Ali encontrão a fonte de inspiração dos autores do funk Baile de Favela.

ALEXANDRU SOLOMON ALEX_SOL@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

*

_____________________________________________________


Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



CONFIANÇA NAS ELEIÇÕES

No próximo dia 5 será votada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n.º 135/2019, que determina a impressão dos votos pela urna eletrônica. O que parecia um simples adicional de segurança acabou se transformando em briga de cachorro grande. De um lado, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fazendo campanha para rejeitar a exigência, sob o argumento de que o processo é seguro e não há necessidade de impressão. Na outra ponta, o presidente Jair Bolsonaro denunciando a insegurança das urnas e falando de fraudes que teriam ocorrido nas eleições presidenciais de 2014 e 2018, e na possibilidade de se repetirem na de 2022. Sua fala enfática conduziu à suposição de estar em marcha um golpe para a não realização das próximas eleições. Voto impresso, aumento de 185% na verba do Fundo Eleitoral (que sustenta as campanhas eleitorais) e todas as desconfianças que se tem levantado descredibilizam o processo eleitoral brasileiro. É preciso resolver essas pendências sem brigas. Do contrário, só tende a aumentar a má imagem que o povo tem dos políticos, facilmente identificada no crescente número de abstenções e votos brancos e nulos. É preciso acabar com a polarização e todos pensarem nos interesses do País, e não de grupos isoladamente.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

*

CRIMES E DELÍRIOS

Mais uma vez são revelados detalhes das bravatas e falsidades propaladas quanto à suposta fraude eleitoral (Eis a prova de Bolsonaro, 27/7, A3). Não adianta brandir a espada da Justiça contra o despresidente, pois os demais Poderes estão acovardados ou são cúmplices dos crimes praticados no seio dos Palácios do Planalto e do Alvorada. A esperança é de que, passada esta catástrofe em pouco mais de 500 dias, todos os coniventes possam ser igualmente julgados. Os delírios governamentais não podem ser justificativa para os crimes cometidos diuturnamente pelo despresidente. À pergunta se os atos são nazistas ou de delírio, há que considerar que parte das bases do nazi-fascismo é uma realidade alternativa e falsa, nada diferente do que a extrema-direita vem construindo no Brasil. Doentes estão o povo e a democracia brasileiros.

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

*

É SÓ UMA DESCULPA

O presidente negacionista do Brasil admitiu que não tem como provar as pretensas fraudes nas eleições com urnas eletrônicas, porque ele sabe disso e apenas usa esta mentira para ter uma desculpa, quando perder a reeleição e tentar o mesmo golpe terrorista do cafajeste Donald Trump, seu ídolo e tão mentiroso quanto ele.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

*

PAPELÃO

Ao tentar provar fraude em eleições com urnas eletrônicas, numa live na quinta-feira passada, o presidente Bolsonaro mostrou não ter o mínimo senso do ridículo. Só rindo...

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

*

AINDA O TAL VOTO IMPRESSO

Um conselho singelo e simples para aquilo que ocupa o Palácio do Planalto: caso não haja o sonhado voto impresso, não se candidate.

Guto Pacheco jam.pacheco@uol.com.br

São Paulo

*

FALAS FALSAS E ENGANOSAS

O editorial Como enfrentar a impostura, publicado no Estadão de 30/7, revela um fato estarrecedor: Jair Bolsonaro, em 2020, deu 1.682 declarações falsas e enganosas. Uma média de 4,3 por dia! Os números dão de pesquisa da organização britânica de liberdade de expressão a Artigo 19, que também aponta que Bolsonaro e seus assessores, em 2020, fizeram 464 declarações públicas contra a imprensa. Presidente antidemocrático. Este jogo desprezível e de notória falta de civilidade do presidente é para confundir a população, que tem sido informada diariamente pela imprensa das aberrações de seu desgoverno. Jair Bolsonaro é um mentiroso contumaz, não respeita as nossas instituições e menos ainda o eleitor que o elegeu. E afronta o STF. Mas hoje Bolsonaro foge do impeachment como o diabo foge da cruz.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

*

‘COMO ENFRENTAR A IMPOSTURA’

Concordo que não se deva usar a mesma linguagem do atual ocupante da Presidência da República para rebater suas mentiras criminosas. Mas, com expressões somente elegantes, a sociedade não entenderá o que se está a combater. Por outro lado, o ocupante da Presidência da República só agride, ofende, ameaça e persiste em sua crueldade porque as instituições não estão funcionando. Se o procurador-geral da República estivesse fazendo jus ao que o erário lhe paga, e bem, já teria a formalização de denúncia perante o STF. E se o STF também estivesse funcionando corretamente, inquéritos que envolvem o presidente da República já teriam tramitado o suficiente para a demonstração do cometimento de vários crimes. Contudo, o Poder Judiciário, como a inestimável colaboração do PGR, está a garantir a impunidade do atual presidente da República. O tal inquérito do STF pelo STF e para o STF, sob o domínio de Alexandre de Moraes, só tem fôlego para um Daniel da Silveira. Temos na presidência da Câmara federal alguém que não poderia estar lá, se PGR e STF funcionassem corretamente. Óbvio que não dará acolhida a qualquer pedido de impeachment, pois seu Centrão está com a faca e o queijo na mão. A bem da verdade, o butim. O Poder Legislativo não está funcionando corretamente há décadas, pois o Poder Judiciário, sobretudo em sua cúpula, não funciona de acordo com sua finalidade. Assim sendo, o Poder Executivo avança em direção a um autogolpe, e os pobres cidadãos não podem fazer nada, sob o risco de terem contra si algum procedimento com base na Lei da Segurança Nacional, tão ao gosto do futuro ministro do STF. Temos de reconhecer que as instituições não estão funcionando, para que, se for ainda possível, começar a funcionar urgentemente.

Ana Lucia Amaral anamaral@uol.com.br

São Paulo

*

ISONOMIA DE TRATAMENTO

Enquanto a população de rua encontra-se literalmente entregue ao frio, os deputados federais, legislando em causa própria, aumentaram em 100% a subvenção eleitoral, passando de R$ 2,5 bilhões para mais de R$ 5 bilhões os seus subsídios destinados à próxima eleição. Autodecisão inadmissível e injustificável, enquanto milhões de moradores de rua convivem com ratos e baratas em todas as grandes cidades deste imenso continente chamado Brasil. A solução para enfrentar tal problema, pertinente a todos os governantes Brasil afora, não é outra que não seja reduzir os absurdos e desnecessários gastos governamentais. Para agravar ainda mais o chamado custo Brasil, milhares de imóveis encontram-se fechados, cujos proprietários não dispõem de recursos para honrar o implacável ônus do IPTU. Motivo esse que acaba se transformando em solução imediata aos nossos governantes, no que concerne à proteção dos irmãos brasileiros cognominados de “moradores de rua”, que vêm lamentavelmente morrendo à míngua, por conta da inusitada baixa temperatura que ora nos assola. Assim, em troca do pagamento do referido IPTU, esses imóveis destinar-se-iam, especificamente, ao acolhimento dos irmãos brasileiros ora “jogados”, literalmente, nas calçadas dos nossos grandes centros, tudo sob a supervisão da prefeitura local, a quem caberia as providências indispensáveis à recepção dos nossos patrícios assim acolhidos. Desse modo, estar-se-á, no mínimo, igualando o tratamento que vem sendo dispensado à “comunidade canina”, que ora se dão ao luxo de serem acolhidos na mesma cama de seus donos.

Gary Bon-Ali garybonali@globo.com

São Paulo

*

PANTOMIMA

Desrespeitável público! Bem-vindo a mais uma encenação no Picadeiro Central! Esta peça se dará em três atos, a saber: Primeiro Ato – os porcos do reino pedirão 5,7 bilhões de pérolas, em vez do atual 1,7 bilhão, para enfeitar suas fileiras; Segundo Ato – o fazendeiro-mor, indignado, só deixará que levem módicos 4 bilhões delas (baixando o total em 1,7 bilhão, exatamente a quantidade que atualmente levam); Terceiro Ato – os porcos, destilando falso altruísmo e compreensão da atual situação, aceitarão de bom grado essa “redução”, o que fará as reses da fazenda mugir de alegria por terem alguém enérgico que as represente, e não deixe que os porcos façam o que bem entendem. Ao final, enquanto os atores pedem para apoiá-los no ano que vem, para poderem apresentar espetáculo igual ou ainda maior, o público se divide entre alguns que candidamente aplaudem o bem ensaiado roteiro, enquanto a maioria silenciosa se pergunta se ainda há narizes de palhaço suficientes para todos.

Guillermo Antonio Romera guillermo.romera@gmail.com

São Paulo

*

MANOBRA CONHECIDA

Esta manobra do fundo eleitoral, com a participação combinada do digníssimo presidente da República, é mais conhecida do que andar para a frente. Se em uma negociação se quer ganhar 2, se pede 4. Façam as contas, bate certinho.

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

*

O CENTRÃO NA CASA CIVIL

Não interessa o que eu falo, mas o que eu faço... Revelação da escolha de Ciro Nogueira por Bolsonaro para ocupar a Casa Civil do governo: uma questão de identificação, com a corrupção.

Alice A. C. de Paula alicearruda@gmail.com

São Paulo

*

POLÍTICA NACIONAL

Está claro que Bolsonaro se tornou refém do Centrão!

Robert Haller

São Paulo

*

ANTES QUE SEJA TARDE

Até onde irá este presidente predador? Quem vai detê-lo? Estamos seguindo céleres para 600 mil mortos por covid-19, por ação negacionista direta de Bolsonaro, que aparelhou o Ministério da Saúde para conseguir isso. No Dia do Agricultor, um jagunço que estimula a morte a tiros com espingarda, no lugar da enxada na propaganda da Secretaria de Comunicação do governo, Bolsonaro, aconselhado pelo ministro da Saúde, veta a obrigação das empresas de saúde de fornecerem a seus filiados remédios contra o câncer a serem tomados fora dos hospitais: mais mortes. Abandona a Cinemateca até a sua destruição pelo fogo, quando já haviam sido dados todos os avisos da tragédia que se aproximava. Nunca se venderam tantas armas neste país! Bolsonaro já entregou os anéis e os dedos ao Centrão e, agora, se dedica totalmente à campanha para a reeleição, para continuar mentindo e destruindo, saciando sua sanha assassina. Estará em tempo integral dedicado a mentir sobre as urnas eletrônicas, por saber que, se não for tirado antes do poder, não será reeleito. Quem sabe agora, dono do governo, Arthur Lira se inspire para defenestrá-lo, antes que seja tarde até mesmo para o Centrão.

Cecilia Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

*

COMO?

Conforme descreveu a leitora sra. Shirley Schreier, no Fórum dos Leitores do Estadão de 30/7, como podemos entender um presidente da República que alega falta de recursos para fornecer medicamentos para o tratamento de câncer, e aprova bilhões de reais para o Fundo Partidário? Realmente, a impressão que se se tem é de que o objetivo do presidente é pensar na sua reeleição. Na minha opinião, ele pode tirar seu cavalinho da chuva.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

*

QUESTÃO DE VIDA OU MORTE

O presidente Jair Bolsonaro vetou uma lei aprovada pelo Congresso Nacional que obrigava planos de saúde a cobrirem remédios de via oral contra o câncer, para o tratamento em casa. A proposta barrada por Bolsonaro havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados no início de julho deste ano. E eu, finalmente, consegui entender o porquê de haver tanta repulsa pela direita política, e é porque aqui, neste caso, falaram mais alto os interesses da empresa que os interesses dos segurados, e logo numa questão de vida e morte. É, esta direita à brasileira não nos caiu nada bem, e ainda mais com toda esta onda de ameaças à democracia. Mas como foi que pudemos nos enganar tanto assim?

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

*

ASSUMIR A CULPA

Bolsonaro não é culpado de ter sido eleito presidente. Tem título de eleitor, idade, enfim, tudo o que a Justiça Eleitoral exige de um candidato. A culpa de sua eleição é nossa. Sim, minha, sua, enfim, de todo o povo brasileiro que se deixou enganar por este político carreirista que jamais justificou sua eleição para nenhum cargo eletivo, mas sempre foi eleito. A pergunta é: por quê? Qual a razão de um cidadão deste nível baixíssimo estar enganando a sociedade brasileira há mais de 30 anos, culminando com sua eleição para a Presidência da República? A resposta é simples. Não temos ciência de nossa responsabilidade cívica, o que nos leva a eleger tipos como Bolsonaro, Lula, Dilma, Collor, enfim, cidadãos como todos nós, despreparados para o exercício do múnus público. A diferença é que somos governados por esta gente que escolhemos a esmo, sem analisar antes a razão desta nossa atitude. Assim, não adianta reclamar. Ou mudamos nossa forma de escolher nossos dirigentes ou ficaremos sempre lamentando a escolha que fizemos, e veremos o País cada vez mais se afundando no seu atraso e no sofrimento de sua gente.

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

*

NO ESPELHO

Muito boa a reflexão de Daniel Martins de Barros em Quem topa ser honesto? (Estado, 26/7). O que nós chamamos de desonestidade dos políticos é, na verdade, o espelho do que somos como povo. Nós é que colocamos estes políticos para nos representar lá no alto. E olha que temos imensa fila de gente com os mesmos pensamentos querendo entrar lá, para nos representar. O que fazer? Começando por escolher o caminho “correto como ser humano”. No longo prazo, é o caminho que traz melhor fruto.

Paulo Seiji Isewaki isewaki@gmail.com

São Paulo

*

A TERCEIRA VIA

Parece nítida a tendência na população de aguardar ansiosamente uma candidatura que nos permita evitar o duplo desastre que se anuncia. Temos de deixar claro que juízes de três instâncias já julgaram o ex-presidente Lula culpado nos processos nos quais é acusado de corrupção, só não está preso porque somos um país esquisito. A alternativa atual, Jair Bolsonaro, só ainda não está preso, mas é uma questão de tempo, se nossos freios e contrapesos funcionarem. Meu sonho é um casal de senadores que não vou nomear – senão o Estadão não publica –, mas vou rezar para dar certo e ajudar o futuro de minha netinha.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

*

PERIGO REAL

O artigo publicado no Estadão de 28/7 do cientista político Luiz Felipe D’Ávila, sob o título ‘O Jardim dos Finzi-Contini’, analisa o comportamento da elite empresarial, que, entre o cinismo, o oportunismo e o egoísmo, crê que a eleição de 2022 está definida entre Lula e Bolsonaro. Para melhor demonstrar o perigo a que estamos sujeitos, recorre ao filme de Vittorio De Sica, com o título acima, adaptação da obra de Giorgio Bassani, 1960, sobre uma rica família judia, moradora de Ferrara, Itália, durante o regime de Mussolini. Desde a campanha de 2018, para quem acompanha a política nacional e internacional, ficou claro, com a escolha de Bolsonaro para presidente, o oportunismo dos radicais de direita, além do compadrio com grupos das Forças Armadas, para chegar ao poder. Aproveitaram os absurdos perpetrados pelos governos petistas, além da incrível colaboração de Lula, que prejudicou os demais candidatos, sem exceção. Com a sua eleição, configurou-se, além da ideologia, a união dos parlamentares do Centrão, com semelhança ao regime do venezuelano Hugo Chávez, ou ainda do próprio Adolf Hitler. O articulista tem razão, as demais forças do País estão repetindo a bobagem que fizeram em 2018. Dividiram-se em várias candidaturas e deixaram o campo livre, para o segundo turno, entre as piores para o País. Até para mim, que nunca militei na política, percebi o erro crasso que estavam cometendo. A desistência das demais candidaturas em prol de Ciro Gomes era clara. Poderia não ser o candidato ideal, mas era a melhor solução naquele momento. Espero que aceitem o conselho de rever o filme italiano. Não têm direito de errar de novo. Nem Lula nem Bolsonaro merecem voltar à Presidência. O atual me lembra o epíteto dado pelos cristãos a Átila, o rei dos hunos: “o flagelo de Deus”.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

*

ESPORTES SEM APOIO

O jornalista esportivo Marcelo Barreto, da Sportv, disse estes dias que o Brasil nunca deu apoio ao esporte nobre. Ao ouvir o comentarista contar um caso que ocorreu no Flamengo, lembrei-me de um episódio ocorrido quando cursava Engenharia na Universidade Mackenzie: eu era calouro, e o fato aconteceu em 1958. Jogava beisebol no time de Engenharia e era uma dificuldade conseguir materiais adequados. Sabedor de que o lutador japonês de luta livre Rikidosan, famoso na época, era grande apoiador do esporte e estava se apresentando na capital Paulista, o Centro Acadêmico Horácio Lane, da Engenharia, achou que deveríamos falar com o lutador. Os jogadores nisseis do time foram escalados para falar com o “Riki”, como era conhecido. EE seria o porta-voz, por falar melhor a língua japonesa. A comitiva de cinco estudantes foi até a cobertura do Hotel Danúbio, onde ele se encontrava, tomando banho de sol. Ao explicamos-lhe o motivo da nossa visita, recebeu-nos com muita gentileza e prontificou-se a nos enviar um quite completo para o time de beisebol após a volta ao Japão. Passados cerca de dois meses, recebemos o aviso do Correio de que havia uma encomenda vinda do Japão. Ao tentarmos retirar a remessa, fomos informados de que deveríamos pagar o imposto de importação devido. Não adiantou explicar que o material era destinado ao Centro Acadêmico e fora doado pelo famoso lutador. Não adiantou, e a vultosa soma pedida não foi providenciada, e o material ficou retido, mofando nos porões do Correio. Casos assim são corriqueiros, infelizmente, e os esportes nobres, como são chamados o beisebol e outros, são colocados à margem, sem apoio do governo. E o Brasil continua como um país de segunda categoria no esporte olímpico.

Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.