Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2021 | 03h00

Milícias digitais

Atentados à democracia

A Polícia Federal (PF), autorizada pelo ministro da Suprema Corte Alexandre de Moraes, prendeu Roberto Jefferson, no inquérito das milícias digitais. A PF apura indícios e levanta provas que apontam para a existência de uma organização criminosa agindo com o fim de atentar contra o Estado Democrático de Direito. Atualmente presidente nacional do PTB, Jefferson já foi filiado ao PP e ao MDB. Eleito deputado federal em 1983, em setembro de 2005 teve o mandato cassado, ao ter seu nome citado num esquema de propinas. Ele também se envolveu no escândalo de corrupção nos Correios e denunciou o mensalão. Há que observar como o fundo eleitoral, entre diversas outras fontes de dinheiro público, vai parar nas mãos de verdadeiros delinquentes, para nossa absoluta tristeza.

JOSÉ CARLOS SARAIVA DA COSTA JCSDC@UOL.COM.BR

BELO HORIZONTE

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Dias contados

Finalmente, o atuante ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ao prender o ex-deputado Roberto Jefferson, mandou um recado – direto – ao presidente Bolsonaro: se não parar de tentar desestabilizar as instituições com seus discursos e suas milícias digitais, e ante a abertura dos vários processos contra ele, “seus dias estão contados”...

ARTUR TOPGIAN TOPGIAN@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Baixo conceito

A prisão do ex-deputado Roberto Jefferson, líder do PTB e aliado do presidente Bolsonaro, atinge mais uma vez o conceito da classe política. Até quando vamos conviver com a falta de lideranças políticas com preparo intelectual e, sobretudo, com atitudes adequadas para o nosso desenvolvimento?

URIEL VILLAS BOAS URIELVILLASBOAS@YAHOO.COM.BR

SANTOS

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Congresso Nacional

Pelotão de fuzilamento

As propostas de mudanças eleitorais em discussão na Câmara dos Deputados são o maior retrocesso político da nossa História, comandado pelo mais ardiloso presidente que a Casa já conheceu. O fuzilamento é geral: Constituição, STF, Justiça Eleitoral, institutos de pesquisas, minorias, dinheiro público e, moral e incondicionalmente, os mais atingidos pelos tiros certeiros, nós, os eleitores.

ABEL PIRES RODRIGUES ABEL@KNN.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Bode no elevador

Acostumado a agir nas sombras, desde o tempo em que seguia os passos de Eduardo Cunha, para quem o inferno eram os outros, Arthur Lira adotou – a partir do momento em que foi alçado por Jair Bolsonaro ao posto de presidente da Câmara dos Deputados, a troco de bilhões para saciar a sede dos comparsas (perdão, mas não encontro termo mais apropriado) na Casa – a tática de assustar o cidadão comum que acompanha o desenrolar da política: põe na pauta uma proposta horrenda para o País, que muda as regras do jogo para pior do que já é, e na madrugada – essas votações são sempre na calada da noite – “alivia” com a votação de outra proposta também muito ruim, mas, aparentemente, um pouco menos nefasta que a anterior. Ao amanhecer, a mídia noticia que os nobres deputados rejeitaram a medida que assombrava a Nação com nítido retrocesso, mas deram meia volta volver. É a tática do vamos dar um susto, mas, diante do que poderia vir, o eleitor vai respirar aliviado, sem questionar os passos para trás que lhe foram impostos. Foi o que aconteceu na madrugada de quarta para quinta, quando foi decidido votar o distritão e acabaram por aprovar a volta das coligações partidárias – tão ruins quanto o distritão para o aprimoramento da democracia representativa. É ou não um golpe de mestre? Cunha deve estar orgulhoso do discípulo.

JANE ARAÚJO JANEANDRADE48@GMAIL.COM

BRASÍLIA

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Nostalgia

Arthur Lira, que decepção! Só pensa no chefe e nas vantagens que ele oferece. O povo? Ora, o povo que se dane! Saudades do Rodrigo Maia...

KÁROLY J. GOMBERT KJGOMBERT@GMAIL.COM

VINHEDO

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Tucanagem

Vendo o resultado das votações importantes e a postura dos deputados do PSDB, entendi o porquê de Geraldo Alckmin deixar o partido. Esse partido ficou com a cara e o jeito daquele cidadão que responde a processo e fugiu de tentar ser reeleito senador. Nunca mais!

JOSÉ ROBERTO PALMA PALMAJOSEROBERTO@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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Pandemia

Retenção de vacinas

É um crime o que o Ministério da Saúde vem fazendo com os brasileiros: milhões de doses de vacinas estocadas e não distribuídas aos Estados. O Rio teve de suspender a vacinação para o grupo de 24 anos por falta de doses. Em São Paulo, o governador compra vacinas extras para dar conta da ineficiência do Ministério da Saúde. Com isso a doença se alastra e as variantes vão surgindo. Um crime e uma irresponsabilidade!

MONICA ABATE GUGLIELMI NICABATE@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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Perigo no parque

Sempre que possível vou ao Parque Ibirapuera. É um lugar amplo e lindo, com suas matas, belas árvores, até flores, o ribeirão e o lago. A Guarda Civil Metropolitana, com homens e viaturas, nos dá forte sensação de segurança. Na entrada, placas sobre necessidade de máscara, álcool em gel, termômetro. Mas... O problema são as pessoas sem máscara ou com máscara no pescoço, em geral correndo, algumas ofegantes, passando junto aos demais frequentadores. O governador João Doria e o prefeito Ricardo Nunes, que tanto se empenham no combate à covid-19, precisam fazer mais essa lição de casa: fazer a segurança do parque advertir ou retirar quem age com incivilidade e desrespeito.

NOEDIR A. G. STOLF STOLF@INCOR.USP.BR

SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


NÃO É O QUE QUEREMOS

Enfrentamos a maior crise energética das últimas nove décadas, enquanto desligamos um supercomputador que faz as previsões do tempo. A variante Delta da covid-19 está chegando ao País e ameaçando, sem qualquer alerta nacional quanto aos cuidados necessários, enquanto no Palácio do Planalto a máscara é opcional, sob risos. O desemprego bate a casa de 15%, a economia está em frangalhos, com milhares de negócios fechando. Simultaneamente, a imagem-síntese da maioria dos parlamentares brasileiros, o sr. Ricardo Barros, afronta maliciosamente a CPI da Covid; o instável e raivoso presidente Jair Bolsonaro zomba das urnas eletrônicas; e a Câmara dos Deputados aprova o retrocesso eleitoral com o retorno das coligações, prejudicando a forma como escolhemos nossos candidatos. Definitivamente, não são o gestor e os representantes que queremos.

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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NÃO TEM JEITO

Distritão, coligações, poxa! Não há mesmo jeito de grande parte dos parlamentares brasileiros pensar, primeiro, no País e na população! Por que, então, não pedem para sair? Por que não cedem seus lugares, tão mal ocupados, para aqueles que demonstrem maiores sentimentos de compaixão, probidade e vergonha na cara? Será, mesmo, que deitam em sua cama à noite e não sentem seu peito oprimido, sua consciência vergada e suas perspectivas de vida limitadas aos poucos anos das décadas que se esvaem, na ampulheta do tempo, com a mesma velocidade dos passados que em piscares de olhos já desapareceram?

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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SACO CHEIO

Partidos repudiam desfile militar, mas gostam de um fundão valorizado, de um distritão e de coligação. Estou de saco cheio de um presidente ditatorial, de um Congresso corrupto, de um STF conveniente e de uma imprensa que só quer ver sangue para vender suas matérias.

Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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PSDB DE BOLSONARO?

A notícia política mais chocante do ano está no esclarecedor editorial do Estadão de 12/8/2021 O valor da palavra de Bolsonaro: “Na votação da PEC do voto impresso, o PSDB, que se anuncia como partido de oposição, deu mais votos à matéria do que o PP do senador Ciro Nogueira, prócer do Centrão alçado à Casa Civil de Bolsonaro”. Como social-democrata e ex-tucano, do PSDB de Mário Covas, Franco Montoro e Fernando Henrique Cardoso, fiquei perplexo com tamanha traição destes abutres travestidos de tucanos. O triste suicídio de um partido que honrou a política nacional pós-ditadura militar.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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SEM COMANDO

Depois da votação desta semana que enterrou o voto impresso, que, infelizmente, teve muitos votos a favor do MDB, DEM, PSD e também do PSDB, que fez parte deste rol dos traíras, os tucanos, demonstrando literal falta de comando no partido, votaram em peso a favor da volta do excrescente sistema de coligações para o próximo pleito, de 2022. Se a medida for aprovada também no Senado (espero que não), os partidos de aluguel vão prosperar e proliferar o número de siglas, piorando ainda mais a governabilidade no País. 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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PSDB, QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ

PSDB, quem te viu, quem te vê... O partido tucano, que se anuncia oposição ao sofrível desgoverno Bolsonaro, deu mais votos a favor do esdrúxulo e antiquado projeto do voto impresso do que o famigerado e tomaladacaísta Centrão do novo chefe da Casa Civil Ciro Nogueira. Acreditem se quiserem...

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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NAS MÃOS DE FHC

Se FHC ama o PSDB, deveria controlar sua compulsão por citar o PT a torto e a direito e começar a trabalhar: em primeiro lugar,  para que Geraldo Alckmin supere ressentimentos passados; em segundo lugar, para que José Serra perceba que está na hora de passar o bastão; e, em terceiro lugar, que use o espaço imenso que a mídia lhe dá para mostrar ao povo que é necessário começar a pensar com seriedade. Precisamos em Brasília de alguém ágil, que saiba “executar” tornando realidade os planos, as metas, não importa se sua calça é justa ou não, se ele é almofadinha ou não, marqueteiro ou não, ou qualquer outro adjetivo depreciativo do repertório bolsonarista e de opositores. O momento é grave, chega de brincadeiras espúrias visando a holofotes e passar o tempo. É hora de construir! Teríamos, assim, uma trinca para votarmos em 2022 que preservaria a unidade e o respeito do PSDB e do Estado de São Paulo: Doria presidente, Alckmin senador (futuro presidente do Congresso) e Rodrigo Garcia governador. Está nas mãos de FHC e do meio empresarial e financeiro: temos tempo, se começarem a agir rápido.

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

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JABUTIS NA MP 1045

O Supremo Tribunal Federal (STF) afirma que é inconstitucional e antidemocrático inserir temas estranhos em texto original de uma medida provisória (MP). Essa posição do STF é um dos motivos que nos levam a repudiar as mudanças aprovadas na Câmara dos Deputados, no dia 10 de agosto de 2021, no texto da MP 1045, que originalmente visa a reeditar regras para a manutenção dos postos de trabalho, durante a pandemia da covid-19, através da redução de jornada e salários e a suspensão de contratos. Os temas estranhos, que apelidamos de “jabutis”, inseridos nesta Medida Provisória 1045, são para reduzir ainda mais os direitos trabalhistas da classe trabalhadora, impor o trabalho precário, dificultar a fiscalização dos ambientes de trabalho, impedir o acesso da classe trabalhadora à Justiça e afastar os sindicatos das negociações com os patrões, deixando os trabalhadores e trabalhadoras mais vulneráveis nas relações de trabalho, entre outras estranhezas. Alegam os autores destes “jabutis” que as emendas inseridas na MP 1045 são para gerar emprego. Balela! A reforma trabalhista, que acaba de completar quatro anos, não gerou os milhões de empregos prometidos. Estes “jabutis” são, na verdade, uma tentativa de continuar a nefasta reforma trabalhista do governo Temer, resgatar os horrores da MP da carteira de trabalho verde e amarela do governo atual e fazer o Brasil retroceder ao tempo da escravidão. O desemprego se combate com investimentos, empregos de qualidade com direitos e renda digna. Portanto, reafirmo aqui a posição de repúdio das centrais sindicais contra as mudanças aprovadas na Câmara dos Deputados. Continuaremos atuando no Senado Federal para que a MP 1045 retome o seu objeto inicial e o diálogo prevaleça. A luta faz a lei!

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes imprensametsp@gmail.com

São Paulo

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A PRISÃO DE ROBERTO JEFFERSON

O STF, numa demonstração de força suprema, determinou a prisão do advogado e ex-parlamentar Roberto Jefferson, que teve a ousadia de usar um preceito básico da Constituição, ou seja, a liberdade de expressão. Por outro lado, a mesma suprema corte de Justiça inocentou e libertou o maior criminoso da história brasileira. De fato, como disse George Orwell, “alguns são mais iguais do que outros”.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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ATÉ ONDE VAI O STF?

Tudo bem que o presidente atual é fraco, mas nunca vi ser tão perseguido como o atual. O STF virou um puxadinho do PSOL, que a qualquer ato deste governo, desde o início, já aciona o STF, que prontamente o atende. Enquanto isso, várias ações mais importantes levam dez anos ou mais para serem julgadas. A parcialidade impera lá, com ministros todos indicados por políticos. Estão claramente passando por cima das leis, e Sergio Moro sentiu na pele isso, uma vergonha histórica no sistema judiciário brasileiro. Até investigações estão fazendo? Tudo mostra a falência do sistema brasileiro, movido pela corrupção geral.

Tiago H. M. Carvalho e Silva tiago64hmcs@yahoo.com.br

Campinas

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RICARDO BARROS NA CPI

No depoimento do líder do governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros, à CPI da Covid, ficou a impressão de que os membros da comissão não se prepararam para arguí-lo. Mas será que existe como se preparar para o debate com um político experiente, sagaz, cínico e sem nenhum escrúpulo, como Barros? É só ver o caso do presidente Bolsonaro, quem será capaz de convencê-lo a parar de pregar contra o voto eletrônico 24 horas por dia? Não adianta passá-lo de convidado para convocado, como ele próprio já avisou. Melhor será deixa-lo de fora, pois já existem provas suficientes para um relatório contundente.

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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CHARLATANISMO

Muito oportuna a conclusão da CPI da Covid, que decidiu indiciar o presidente Bolsonaro por charlatanismo, de acordo com os artigos 283 e 284 do Código Penal, que estabelece punição para os crimes de charlatanismo e curandeirismo. Não se pode esquecer o crime de exercício ilegal da Medicina, previsto no artigo 282 do Código Penal. Jair Bolsonaro assumiu sozinho a gestão da Saúde na pandemia, auxiliado apenas por um ajudante de ordens tão leigo quanto ele próprio. O resultado foi o catastrófico agravamento da pandemia no País – o número de mortos é muito superior à média mundial. Existem estimativas mostrando que, de cada 5 mortes, 4 poderiam ter sido evitadas, se apenas o Brasil tivesse ficado na média mundial, se apenas o País tivesse seguido as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS): vacina, máscara e distanciamento social. O charlatão Jair Bolsonaro foi e continua sendo radicalmente contra essas medidas, adotadas com sucesso no mundo todo para conter o avanço da doença. Jair Bolsonaro é, sim, diretamente responsável pela morte evitável de centenas de milhares de cidadãos brasileiros, com o atraso proposital que ele provocou na vacinação. Somam-se a isso tudo as estarrecedoras evidências de tentativas de obtenção de vantagens indevidas na compra das vacinas por pessoas ligadas ao governo Bolsonaro. Há motivos de sobra para Bolsonaro e seus comparsas apodrecerem na cadeia.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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CIÊNCIA SÉRIA

Além de charlatanismo e curandeirismo, exercício ilegal da Medicina. Seja qual for a acusação contra Jair Bolsonaro, é preciso ficar claro que esse fenômeno é via de mão dupla, ou seja, quem se deixa envolver por tamanhas enganações também tem sua dose de responsabilidade. Alguns dos vários aprendizados e legados desta pandemia são o fortalecimento e a valorização da ciência séria, e a sociedade precisa cumprir sua parte.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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‘MATANDO BICHAS’

Em live, Bolsonaro afirmou que há dois dias estava com sintomas de covid-19, tomou ivermectina e, no dia seguinte, estava ótimo. Ora, como disse Bolsonaro, o remédio serve para “matar bichas”, e certamente conseguiu eliminar as “bichas” de seu corpo de atleta. Esse é o estadista que temos!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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ARTIGOS 282, 283 E 284

Sobre a matéria CPI vai acusar Bolsonaro de charlatanismo (Estadão, 12/8, A10), aí está fácil, quero ver a mesma coragem (como a do saudoso Padre Quevedo) e denunciar tantos e tantos exploradores, religiosos, que ainda hoje cometem Exercício Ilegal da Medicina, Charlatanismo e Curandeirismo, respectivamente, Artigos 282, 283 e 284.

Luiz Roberto Turatti turatti.lr@gmail.com

Araras

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VÍRUS DESCONHECIDO

Na quarta-feira, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a população vai poder tirar as máscaras e que a vacinação contra covid-19 será finalizada até dezembro deste ano. Parece que Queiroga está muito mal informado, ou conhece algum medicamento milagroso que mantém em segredo. Israel, que tem 80% da população vacinada, está estudando adotar medidas de confinamento novamente, diante da nova onda forte da pandemia. Queiroga, que ainda precisa vacinar 77% da população brasileira, parece que vive em outro mundo, sem saber que as vacinas, que foram desenvolvidas rapidamente, não resolvem todo o problema. Ainda há muito trabalho para a ciência desvendar todos os segredos deste vírus mortal.

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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UNIVERSIDADE PARA POUCOS

O ministro da Educação tem sido duramente criticado, ironizado, até mesmo ridicularizado por defender “universidade para poucos”. Será que ele disse alguma grande bobagem? Vejamos. Nos Estados Unidos, a população universitária é 15% do total de habitantes no país, mas lá não existe curso superior gratuito. Quem quiser cursar uma universidade tem de pagar cerca de US$ 70 mil por ano – valor equivalente a praticamente um PIB per capita por ano (cerca de nove vezes o brasileiro). Na Alemanha, o porcentual de habitantes cursando universidades é cerca de 4% do total, praticamente o mesmo que no Brasil. Lá existem muitas universidades públicas, porém o PIB per capita alemão é 5 vezes maior que o brasileiro, ou seja, é um país rico, que pode pagar o custo da gratuidade. O preço de uma universidade privada alemã para quem quiser cursar é de aproximadamente 20 mil euros por ano. De qualquer forma, lá também tem “universidade para poucos”. O pior é que aqui, conforme me disse um parente meu que é professor universitário, os alunos das universidades públicas são em grande parte analfabetos, ou mesmo ignorantes funcionais, que frequentam as escolas para atividades de lazer social ou ideológicas, normalmente de esquerda. Assim, não dá para dizer que o ministro esteja muito errado.

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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LIMITADO MINISTRO

O desempregado, o engenheiro, o advogado, etc. que não tem medo de trabalho de verdade vai à luta. Milton Ribeiro, ora ministro da Educação, preferiu a pregação e a política. A Universidade Presbiteriana Mackenzie está vermelha de vergonha.

Marco Dulgheroff Novais marcodnovais@hotmail.com

São Paulo

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DEPOIS DA OLIMPÍADA

Pelé não pode ser considerado só o esportista do século 20. Pelé é o maior propagandista do Brasil em toda a história. Em qualquer parte do planeta, quando se diz que é brasileiro, imediatamente vem a palavra Pelé acompanhada de um largo um sorriso. Assim como Ayrton Senna, Maria Esther Bueno e tantos outros esportistas, alguns até mal falados por aqui. Abriram portas que vão muito além das do esporte; tiveram importância inegável em resultados positivos na macroeconomia e geopolítica deste Brasil. O Brasil voltou da Olimpíada de Tóquio com 21 medalhas, sendo uma de ouro no surfe e três de prata no skate. Surfe e skate são esportes baratos e, por isso, populares, só precisam de mar ou de uma praça qualquer para serem praticados. As demais medalhas foram alcançadas por atletas abnegados que necessitam de condições específicas para produzir resultados de ponta, algumas inexistentes no Brasil. A principal atleta dos Estados Unidos teve a coragem de desmontar emocionalmente e mostrar ao mundo que atletas são humanos. No ciclismo profissional, sabe-se que pelo menos 30% do resultado vem do emocional, o que deve valer para todo atleta de ponta. Os nossos medalhistas tiveram de superar suas ansiedades inerentes ao esporte mais o desprezo que recebem por aqui do poder público, das empresas privadas e de uma sociedade para a qual o segundo colocado é o primeiro perdedor, como dizia Nelson Piquet. Tirando as 4 medalhas do surfe e do skate, o nosso resultado foi pior que na Olimpíada do Rio de Janeiro, onde boa parte do Centro Olímpico já está caindo aos pedaços. Esporte deveria ser política pública de Estado para a saúde preventiva, o que custa muito menos do que internações, tratamentos, dispensa de trabalho, entre outras coisas. Definitivamente, não é. E parece que ninguém se interessa que seja, que os resultados venham, que se tenha bons exemplos. O fato de uma cidade de 11 milhões de habitantes, metrópole de 17 milhões, a maior, mais ativa, mais rica e mais importante cidade do Brasil e da América Latina ter tido uma única piscina olímpica pública, 50m por 25m, completamente livre para o uso da população, a do Pacaembu, fechada há dois anos é prova escandalosa, vergonhosa e incompreensível desta realidade. Nela, entre nadadores comuns, treinaram dois campeões de maratona aquática e um dos brasileiros que cruzou o Canal da Mancha e o Estreito de Gibraltar, entre outros. Na mesma piscina do Pacaembu vi um mágico projeto de polo aquático para garotos de favela. Era a única, e está fechada! Não vou falar de como estão as outras piscinas públicas de São Paulo, porque todas apresentam problemas. Não procurem pistas de atletismo abertas para a população, porque inexistem. Acabaram os campos de várzea! É praticamente assim com todos os esportes. Quer praticar, quer treinar? Vai para a academia, paga ou restrita. Como assim? Ou se junta a um grupo específico, tipo o ótimo pessoal de corrida de rua que organiza provas que normalmente ocorrem em horários da madrugada para não atrapalhar o trânsito. Como assim? Durante esta pandemia foram divulgados estudos internacionais com base científica que apontam que pessoas que não pararam a atividade física tiveram menos risco de pegar a covid-19 ou, se pegaram, foi mais fácil de tratar. Detalhe importante: atividades praticadas ao ar livre, fora de academia, fora de ambiente fechado. A situação do esporte no Brasil pode ser refletida pelo desprezo mostrado pelo governo federal e o presidente da República por nossos atletas que estiveram em Tóquio. Nenhuma palavra, nenhuma reação, nenhum aplauso, nada. E toda a sociedade assistiu a este silêncio de desprezo sem reagir.

Arturo Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

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DECISÕES INEXPLICÁVEIS

Há duas décadas aguarda-se decisão do Judiciário de São Paulo sobre o estelionato milionário perpetrado no proc.1035069-72.2020 de falência do Banco Hexabanco, em curso na 3.ª Vara de São Paulo. O caso envolve “fraudes”, branqueamento de ativos enviados a Jersey HSBC Holding BV e a ADM de bens Fema5. Há provas mais do que robustas juntadas ao proc.1078565-25.2018, mas a quantidade de decisões inexplicáveis – ou, para bom entendedor, explicáveis até demais! – merecem ser analisadas pelo presidente do Tribunal de Justiça. O processo que comprova esse estelionato de mais de 12 milhões conta com doc(s) de todos os crimes e a identificação dos fraudadores. Mas, sabe-se lá por que, foram ignoradas as evidências materiais, como o I.P.193/2000, laudo do Instituto de Criminalística, inquérito do Banco Central e até os resultados da CPI – Caso HKB. O negligente enfretamento das fraudes é uma afronta à sociedade. Graves desvios éticos estão comprovados. As provas são suficientes e o epicentro do pedido de enquadramento ao ART 101 do decreto lei n.º 7661, feito ao TJ de São Paulo, no proc. 2236078-77.2020, tem como base o negligente enfretamento das fraudes, que deixaram de apurar os fatos. O que falta? Instaurar a notícia Crime.

José Carlos V. da Costa bcifirst@gmail.com

Santos

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