Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2021 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Pesquisa aflige Planalto

A nova rodada da pesquisa XP/Ipespe demonstra a derrocada de Jair Bolsonaro perante o eleitorado: 54% dos entrevistados indicam que a gestão do presidente é ruim ou péssima e apenas 23% a classificam como boa ou ótima. No levantamento acerca do primeiro turno da eleição presidencial de 2022, Lula dispara na preferência de 40% dos eleitores, Bolsonaro cai para 24%. Por seu passado como, no mínimo, cúmplice da corrupção petista, porém, Lula ainda não pode cantar de galo, mesmo que Bolsonaro, com seu desgoverno show de horrores, não tenha condições de se reeleger. Urge, então, que se apresente logo um candidato probo e determinado a servir à Nação.

PAULO PANOSSIAN PAULOPANOSSIAN@HOTMAIL.COM

SÃO CARLO

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Panos quentes?

O presidente Jair Bolsonaro age como todo líder autoritário. Só conversa com quem lhe obedece. No mesmo diapasão vemos líderes de Belarus, Vladimir Putin e outros mais. Falar de democracia com essa gente é viajar para Marte. Neville Chamberlain tentou aplicar a política do diálogo e dissuasão com Hitler antes da invasão polonesa. Adiantou? Nada. Portanto, não será a retórica dos eufemismos que acabará com essa ladainha de ataques às instituições – que, aliás, não são imunes a críticas; a avaliação popular dá bem uma imagem de sua atuação. O sistema político-partidário vigente no País leva o povo a ter de optar entre um sistema péssimo e outro menos, como faz hoje com os candidatos que se apresentam para sua escolha. Porém nesta “república monárquica” o peso do Executivo prepondera sobre os demais Poderes, já que, como diz o próprio nome, deve executar estratégias que ocasionarão consequências mais objetivas para o povo. A de Bolsonaro é uma só: a simples confrontação. Diária, insana. Todos sabem que a técnica do tudo ou nada é arriscada. Para ele.

SERGIO HOLL LARA JRMHOLL.IDT@TERRA.COM.BR

INDAIATUBA

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Ópera-bufa

Análise lúcida e necessária a de Roberto Teixeira da Costa no artigo Um país ciclotímico chamado Brasil (17/8, A2). Perfeita a analogia com seriado de mau diretor e elenco mal escalado. Poderíamos até comparar este desgoverno a uma ópera-bufa ou a uma pornochanchada, mas nesses gêneros em geral tudo sempre termina bem. Ele está mais para circo de horrores, em que o palhaço ri enquanto o circo pega fogo. Não tem perigo de terminar bem.

ANTONIO CARLOS MOLINA ACMOLINA01@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Pandemia e negacionismo

Contra o uso de máscara

Quando um ministro que se diz da Saúde vem a público e se declara contra o uso obrigatório de máscara, temos de reconhecer que o Brasil não é, de fato, um país sério. E assim continuará enquanto tivermos no comando do nosso país um presidente e, agora, um ministro da Saúde que são abertamente contra todos os princípios de higiene e saúde pública.

ROBERTO LUIZ PINTO E SILVA ROBERTOLPSILVA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Irresponsabilidade criminosa

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, contradizendo-se, já acha dispensável o uso de máscara. Este é um governo que continua apostando na contaminação. Uma irresponsabilidade criminosa, considerando os estudos no mundo todo, e que não pode ficar impune.

LUIZ FRID, médico FRIDLUIZ@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Portador são

Se a declaração contra o uso de máscaras fosse do general ex-ministro da Saúde, poderia até ser “perdoada”, em razão de sua formação acadêmica. Porém, vinda do ministro Marcelo Queiroga, um médico, essa declaração é realmente lamentável e imperdoável. Independentemente da sua infeliz declaração, o dr. Queiroga deve se lembrar do conceito de “portador são”. E então, vai ou não reconhecer o papel importantíssimo da máscara para a defesa contra a pandemia de covid-19?

TOMOMASA YANO TYANOSAN@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Trânsito

Ser contra a multa e o uso

obrigatório de máscaras é o mesmo que ser contra os semáforos nos cruzamentos.

ROBERTO ANANIA DE PAULA ROBERANA@TERRA.COM.BR

JUNDIAÍ

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Em São Paulo

Mosquitos

A maioria dos mosquitos morre no inverno, eles não suportam as baixas temperaturas. Os que sobrevivem reduzem sua atividade, incluída a produção de ovos. Foi isso que salvou São Paulo quando sofreu uma infestação sem precedentes no ano passado. Mas é só chegar o calor e eles ressurgem. Sugiro à Prefeitura que tenha misericórdia dos moradores de nossa cidade e aja a tempo, aplicando inseticidas, para evitar o que aconteceu no ano passado.

JORGE ALBERTO NURKIN  JORGE.NURKIN@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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7 de Setembro

Na Paulista

Independentemente do grupo político que for autorizado a usar a Avenida Paulista para as comemorações de 7 de Setembro, certamente veremos os lamentáveis e, ao que parece, inevitáveis shows de depredação. Prejuízos de grande monta e cenas de vandalismo explícito num local estratégico, não só por abrigar uma ampla rede de hospitais em suas proximidades, mas também por se tratar de uma via de importância vital para a cidade, sem falar nos direitos de quem lá reside, que fica nessas ocasiões refém das manifestações. Seria uma demonstração de bom senso e cidadania das autoridades tentar, ao menos uma vez, mudar o local dessas manifestações.

VERA BERTOLUCCI VBERTOLUCCI@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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Convocação de caminhoneiros

Até tu, Sérgio Reis? Fecha a porteira, menino!

DEVANIR ALVES FERREIRA  DEVANIRALVESFERREIRA13@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


O IMPÉRIO DA IGNORÂNCIA

O Brasil ostenta a pior gestão da pandemia do planeta, o número de mortos é 5 vezes maior que a média mundial. Estamos no segundo ano da pandemia, até as sombras das árvores já aprenderam que se deve usar uma máscara, evitar aglomerações, passar álcool nas mãos e tomar a vacina. O governo Bolsonaro, no entanto, trabalhou com afinco, desde o começo, contra essas medidas elementares, recomendas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotadas com sucesso no mundo todo. É absolutamente inacreditável o parecer da procuradora Lindora Araújo desacreditando o uso da máscara. O Taleban está no poder aqui no Brasil também, vivemos no império da ignorância, da corrupção e da incompetência, sem perspectiva alguma de sair deste pesadelo.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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TRÊS SENADORES

A eleição no Senado e a CPI da Covid vêm revelando ao Brasil a atuação de três políticos altamente qualificados em meio a tantos medíocres congressuais. A senadora Simone Tebet, do MDB de Mato Grosso; Alessandro Vieira, passofundense do Cidadania de Sergipe; e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, DEM-MG, candidato não declarado à Presidência da República. Inteligentes e extremamente competentes, são um modelo de políticos que merecem o voto dos eleitores, seja qual for sua ideologia. Os eleitores brasileiros, fascinados por figuras tão populistas quanto incompetentes e ignorantes, precisam aprender a escolher seus representantes e dirigentes, ou seremos sempre um país de terceira classe.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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MILITARES

A CPI expõe interesse de militares em faturar com a pandemia, isso já está muito claro e demonstrado. Outro interesse dos militares é o tão sonhado golpe de Bolsonaro e a volta da ditadura.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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O LOUCO

Além do título de genocida, pelas mortes por covid-19 e suas muitas consequências, Jair Bolsonaro passará para a história como o presidente mais louco e capaz de centenas de ações impopulares, inusitadas e inconsequentes. Entre elas, interferir, diretamente e na cara dura, nos outros Poderes da República, como vem fazendo ao pedir impeachment de ministros (juízes) do Supremo Tribunal Federal (STF). Outra desastrada, não menos perigosa, é a tentativa de golpe que ele vem propagando e ameaçando fazer, caso algumas de suas sandices não prosperem, tal como a que queria o retrocesso das urnas eletrônicas auditáveis pelo voto impresso. Mas como, para felicidade geral da Nação, o número de bolsonaristas fanáticos tem crescido igual a rabo de cavalo e mula – sem trocadilho –, estes e tantos outros atos do presidente só têm conseguido emporcalhar, manchar e envergonhar as páginas de muitos livros que, em breve, serão escritos sobre esta triste parte de nossa história.

João Di Renna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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URNA CONFIÁVEL

Ontem fiz um ecocardiograma doppler colorido num desktop superpotente e que imprime o resultado na hora. Pois é, colorido. Engraçado, não é? Você tem muito mais detalhes e pode conferir na hora. Mas, por garantia, não devia ter feito com aquele equipamento de 1974 que foi trazido por Egas Armelin para o Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, provavelmente com um monitor de fósforo verde e que não imprimia nada, ficava só no monitor e pronto. A urna que não imprime o voto é a mesma situação. Não aceitar melhoramentos é sinal de burrice, ou tem outras coisas de interesse por trás. Até já ouvi que dá trabalho contar votos. O TSE está com preguiça? Os mesários estão com preguiça? O voto impresso é um pedido do povo, não de Bolsonaro. Ainda bem que ele está a favor e seria melhor que todos fossem, teríamos menos medo da apuração e ninguém poderia lançar uma dúvida sobre o TSE. Não aprovado o voto impresso, não me resta a opção senão acreditar que existe falcatrua na apuração dos votos. 

Synval Delano Motta Runha srunha@outlook.com

São José dos Campos

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VOTO ELETRÔNICO

O presidente sofreu derrota na PEC do voto de papel ou, como ele diz, “auditável”. É interessante que Bolsonaro (votei nele), depois de 20 anos de urna eletrônica, só agora veio a questioná-la! Ele foi eleito deputado federal várias vezes e presidente da Nação em urnas eletrônicas, e seus filhos foram os mais votados também nesse sistema. Ou Bolsonaro sabe de alguma coisa ou desconfie de possível conspiração. Pois até hoje nada foi apurado de ilícito no sistema eletrônico de votação. Mas, se bancos e grandes empresas gastam bilhões de reais anualmente em segurança na tecnologia para evitar fraudes/roubos, creio que tudo é possível. Porém, quando se fala em voto no papel, a contagem tem simpatizantes, corruptíveis e partidários camuflados, e as fraudes seriam maiores em todo o País.

Alex Tanner alextanner.sss@hotmail.com

Sumaré

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NA MAIOR CARA DE PAU

Ei-lo que surge impávido após a votação da Câmara que derrotou sua pretensão de instituir o voto impresso, para insistir na tese furada de que o voto eletrônico é passível de fraude, não obstante já houvesse declarado não dispor de qualquer prova nesse sentido. Justifica-se, alegando que os votos que derrotaram essa tese foram obtidos mediante chantagem manifesta dos parlamentares que os prolataram. Tal postura adotada após invadir as ruas de Brasília com tanques fumegantes e carros de combate no dia da decisão da Câmara chega a atingir as raias do absurdo, o que não é nenhuma surpresa, emanando de quem veio, um dos maiores caras de pau que já se recolheu sob o abrigo dos Palácios da Alvorada e do Planalto.

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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SÉRGIO REIS X STF

Como se sabe, circulou no último domingo em grupos de WhatsApp e no Twitter um áudio e vídeo do cantor sertanejo Sérgio Reis ameaçando o País. Com sua conhecida voz macia, o ex Jovem Guarda diz sem meias palavras: “Nós resolvemos o seguinte: vamos manter o dia 7 de setembro calmo. Dia 8 vamos ao Senado. Eles vão receber um documento assim: vocês têm 72 horas para aprovar o voto impresso e tirar todos os ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é um pedido; é uma ordem! É assim que eu vou falar com o presidente do Senado: isto é uma ordem! Se vocês não cumprirem em 72 horas, nós vamos dar mais 72 horas, só que nós vamos parar o País. Já está tudo armado. Não vai trafegar ninguém nas estradas. E, se em 30 dias eles não tirarem aqueles caras, nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É assim que vai ser”. Sérgio Reis dando ordens ao STF: a que ponto chegamos!

J. S. Decol  decoljs@gmail.com

São Paulo

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PARA QUEM RECLAMAR?

Em carta com escrita de alta qualidade, Marcio M. Bonilha, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (Fórum dos Leitores, 18/8, A3), aponta para a liberdade que um juiz do STF se dá para quebrar regras constitucionais e legais. Dr. Bonilha conclama os pares da Suprema Corte a corrigir o desvio. O problema parece-me estar no nascedouro do juiz: como e quem “dá à luz” um juiz no Brasil. Enquanto qualquer presidente da República – que não foi eleito para ser jurista – tiver o poder de escolher o jurista que lhe der na telha para ocupar a cadeira e que permanecerá lá não só pelos quatro anos de seu governo, como os outros ministros – fazendo acordos milionários com os partidos políticos para garantir sua indicação, o STF será uma fábrica de excrescências. Os desmandos nos causam dor, e não tem para quem reclamar, pois os pares “nasceram” da mesma forma. Alguns de parto natural, meno male, outros a fórceps.

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

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O RABO ABANANDO O CACHORRO

Jair Bolsonaro ficou indignado com a prisão do seu ferrenho seguidor Roberto Jefferson – só porque ameaçou de morte os ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral – e disse que vai pedir ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que abra processo de cassação dos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, pois, segundo ele, os dois “extrapolam com atos os limites constitucionais”. Como Bolsonaro mente dia sim e outro também, e gosta de jogar para os outros seus grotescos erros, fica claro que ele não tem limites. É o clássico rabo abanando o cachorro.

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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PAU QUE BATE EM CHICO BATE EM FRANCISCO

Liberdade de expressão? Ora, gostaria de saber se me seria permitido aparecer em vídeos com armas nas mãos e palavras de ordem incitando a violência contra ministros do STF, com ameaças pesadas. Tenho certeza de que não! Demoraria muito pouco e a polícia estaria batendo à minha porta para me deter, pois eu seria, no mínimo, considerada uma ameaça à ordem pública e à vida de um cidadão, seja ele ou ela quem fosse. Assim, se a lei vale para mim, valerá para todos, inclusive para o novo integrante do círculo de amigos chegados do presidente! Somos todos iguais perante a lei. Então, este argumento da liberdade de expressão para Roberto Jefferson é papo furado. Vamos respeitar a democracia  e zelar por ela, pois é isso que nos cabe fazer como cidadãos de bem, entre outras obrigações, pois a democracia nos impõe direitos, sim, mas deveres também. Ou isso ou o processo civilizatório caminhará em marcha à ré, o que seria trágico! Com certeza a maioria do povo brasileiro almeja viver num país pacífico e civilizado, pois só assim seremos respeitados mundo afora e muito mais prósperos.

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas

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É A CONSTITUIÇÃO

Em dois anos e meio de governo, o tão sonhado desejo de Eduardo  Bolsonaro de fechar o STF com um cabo e um soldado não se realizou, tampouco acontecerá. O desfile patético de tanques da Marinha, recheado a motor desregulado e poluição ambiental, constrangeu as próprias Forças Armadas e simbolizou o fracasso que está sendo a aventura militar com Jair Bolsonaro (terá sido desfile de despedida?). Fato é que não existe ditadura alguma por parte do STF, como quer fazer crer o presidente, seus filhos e a militância bolsonarista. O que existe é a Constituição, que, entre outras coisas, reza que atentar contra a democracia é crime e nem o presidente tem imunidade contra isso. Ou seja, enquanto a ameaça arrogante e autoritária de Eduardo Bolsonaro não deu em lugar algum, as reiteradas ameaças golpistas do presidente, isso, sim, lhe custará caro por força da Constituição. Esperneie quem quiser, a democracia e o respeito à Constituição são irreversíveis.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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BOLSONARO E O STF

Cumprimento o Estadão pela publicação do excelente e indispensável artigo do professor Celso Lafer intitulado A Bíblia não é a Constituição (15/8, A2). Leitura obrigatória para os senhores senadores e senhoras senadoras – e para a cidadania como um todo.

 Roseli Fischmann roseli.fischmann@uol.com.br

São Paulo

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GUARDAR A CONSTITUIÇÃO SEM SER POLÍTICO

As leis são como nuvens. Quando elaboradas, representam o momento, pensamento e o interesse do povo, que podem mudar com o passar do tempo. É para equalizá-las com a configuração celeste atual que existem as supremas cortes, zeladoras da Constituição e, por extensão, de todo o ordenamento jurídico de um país, porque, para vigorar, toda lei tem de ser constitucional. A lembrança é do amigo Ronaldo Moribe, companheiro de memoráveis jornadas. O assunto veio à mesa diante do risco explícito de crise institucional. Criou-se, no Brasil, o mau hábito de recorrer à Justiça naquilo que os políticos – representantes do povo – não conseguem resolver no próprio meio. Uns recorrem e outros dizem que a judicialização e interferência do Judiciário em prerrogativas do Executivo e do Legislativo enfraquece os Poderes. É um perigo quando o Judiciário é acionado para resolver questões políticas. Os políticos dão provas de ineficiência para cumprir suas tarefas e os magistrados podem se sentir com superpoderes, vendo-se tentados a invadir a seara alheia. E a sociedade sofre as consequências. Os juízes, especialmente os ministros do STF, deveriam se ater a guardar a Constituição e evitar entrar em polêmicas que os transformem em partes das discussões e os levem a ter de se justificar em entrevistas. Melhor seria guardarem suas forças para a manifestação dentro dos processos, onde suas palavras realmente têm força e fazem a diferença. Juiz não é político e deve ser mais contido para evitar o descrédito e o enfraquecimento de sua nobre missão. Os que tiverem pendor para a política, devem deixar a toga e se candidatar. Manter o cargo e atuar politicamente é incompatível.           

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo    

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RACIONAMENTO DE ENERGIA

O governo Bolsonaro vem deixando de informar à população uma série de dados sobre os serviços prestados, não cumprindo com a sua obrigação e causando grandes transtornos a todos. Conforme reportagem do Estadão de 17/8, oculta mais uma, que é o risco do apagão de energia elétrica. Alega que o indicador de déficit de energia é ineficaz. Essa ausência, no período da pior crise hídrica do País, é um verdadeiro crime contra a população. A meu ver, tem um motivo para tanto. Ele já superou todos os recordes de devastação da Amazônia, por ignorar que é aquela é a responsável pelas precipitações nas regiões ao sul do Brasil. Também, por retrógrado, comete o erro de erigir novas hidrelétricas na Amazônia, ignorando o imenso potencial tanto da energia eólica como da fotovoltaica. Ambas com a vantagem de serem construídas mais próximas aos centros de consumo, dispensando as longas linhas de transmissão. O Brasil possui o maior potencial de energia fotovoltaica do planeta, porém, graças ao governo Bolsonaro, está deixando de aproveitá-lo no desenvolvimento da nossa matriz elétrica. A influência política para tal descaso é escrachada. Chega ao absurdo de propor a instalação de usinas termoelétricas para auxiliar na inoperância das fotovoltaicas durante a noite. Mesmo com os sinais mais severos do planeta sobre o aquecimento global, ignaros, insistem nas termoelétricas por interesse próprio, nenhum em favor da população. Esquecem que a nossa produção de eletricidade é toda interligada, podendo as eólicas, intermitentes, mas em vários períodos diferentes, e ainda as hidrelétricas já existentes compensarem a inoperância noturna das fotovoltaicas. Não tem mais sentido construir hidrelétricas na Amazônia.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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A ELIMINAÇÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO

De acordo com o professor Eliseu Martins, “a figura dos Juros Sobre o Capital Próprio (JCP) veio tentar reduzir uma iniquidade fiscal muito séria criada com a extinção da correção monetária dos balanços”, a partir de 1995. A eliminação desse dispositivo irá perpetuar essa iniquidade. Mas já que o desejo ardente do(s) autor(es) do novo projeto de lei é fazer “pagar os ricos”, “ir na jugular dos bancos”, etc., há uma maneira simples de evitar a distorção. É sabido que as pessoas físicas recebem os JCP, taxados a 15%. Salta aos olhos, até de um parlamentar distraído, que com a supressão dos JCP a União deixará de arrecadar esse valor. Bastará, então, mantendo os JCP, aumentar a alíquota de 15% paga pelos acionistas para compensar a perda dos 15% decorrente da supressão destes, bem como a perda da arrecadação de Imposto de Renda das empresas devida à manutenção dos JCP. Imaginemos uma alíquota de, por exemplo, 25%, ou o que os analistas determinarem. Com isso, a medida será neutra, o apetite do Fisco estará saciado, os balanços das empresas não ficarão distorcidos, as empresas não pagarão impostos sobre lucros inexistentes e o sonho dourado de fazer pagar os ricos, trombeteado ad nauseam, se realizará. Como dizia a grande Melina Mercouri em Nunca aos domingos, iremos todos à praia.

Alexandru Solomon asolo@alexandru.com.br

São Paulo

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FALTA  AMOR NO RIO DE JANEIRO?

Que o atual prefeito do Rio de Janeiro comece a cuidar com mais empenho do dia a dia da cidade. Torna-se imperativo que seja  afastada com urgência a sensação de completo abandono que impacta diariamente o cidadão carioca. São vias expressas importantes em decomposição, repletas de crateras capazes de pulverizar as mais robustas suspensões de veículos; moradores de rua acampados em hordas infladas pela pandemia, concentradas muitas vezes em pontos, principalmente no centro da cidade, outrora visitados por turistas, hoje afugentados; pichações vergonhosas que emporcalham espaços que poderiam exibir, no mínimo, grafites artísticos e atraentes e, finalmente, mas talvez mais importante, o transporte público indigno que enche de desânimo quem sai para trabalhar. Enfim, a população gostaria de mitigar a impressão crescente de que falta amor à atual prefeitura no trato diário da cidade.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro                                                                                               

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O FANTASMA DO TERRORISMO

Estamos assistindo a um quadro humanitário dramático do povo afegão. Se a situação já não era tão confortável com a ocupação americana e seus aliados, agora, órfãos com a saída das tropas internacionais e com a tomada do país pelos extremistas do Taleban, o povo tenta fugir destas milícias e é fuzilado e morto.  Donald Trump, durante sua gestão como presidente do EUA, fez acordo com este grupo extremista prometendo que depois de 20 anos as tropas americanas iriam deixar o Afeganistão, e Joe Biden, certo ou errado, seguiu à risca esse acordo costurado por Trump. O Afeganistão não tem solução. Assim como, infelizmente, temos os mesmos problemas insolúveis na Síria, no Iraque, em parte do Líbano, na África, etc., onde governos totalitários e corruptos são contaminados por terroristas e financiados por Rússia, Irã, Arábia Saudita, etc. Somente no Afeganistão os EUA gastaram mais de US$ 1 trilhão. E o povo americano não aprova mais essas ações políticas, ditas humanitárias. E, como um acordo envolvendo os países citados acima é quase impossível, mais a China, que se recusa a engajar, agora, com o Taleban assumindo o governo do Afeganistão, o mundo viverá com o fantasma do fortalecimento do terrorismo.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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11 DE SETEMBRO

O próximo 11 de setembro será comemorado no Afeganistão pela primeira vez após 20 anos. O ponto alto será a reabertura dos campos de treinamento da Al Qaeda em várias províncias sob o som dos hinos de morte aos EUA. Biden fez por merecer um local por lá aos pés de Bin Laden na qualidade de líder submisso do mundo livre. Só ficará faltando seu discurso explicando que “a culpa foi toda de Trump” para as mulheres afegãs e as meninas proibidas de ir à escola. Teria sido a última transmissão antes que ouvir rádio também lhes seja proibido. Mas não será preciso, elas já entenderam tudo sem precisar do seu discurso.

Jorge Alberto Nurkin  jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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O MUNDO EM RISCO

A retirada das tropas americanas do Afeganistão vai se tornar a dor de cabeça de Biden e igualá-lo a Jimmy Carter entre os piores presidentes americanos do último meio século. O erro de cálculo juvenil de Biden põe em risco a Ásia e, consequentemente, o mundo. Só Biden e seus apoiadores míopes não percebem isso.

Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

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