Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2021 | 03h00

O Brasil de Bolsonaro

Retrato desolador

A inflação atinge todas as faixas de renda. Mas para os mais pobres falta comida na mesa. E nosso grande ministro da Economia ainda pergunta: “Qual o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos?”. Nada que ver com os desmatamentos, que se superam dia a dia... O ministro da Saúde faz mais piruetas que bailarina de circo, mas as vacinas continuam parcas e a corrupção, avantajada. O ministro da Educação pode entender muito de ovelhas, mas as universidades e a educação pública andam à míngua. Os militares não se preocupam nem com a retífica de seus tanques de combate, se bem que nem em pesadelos posso imaginar que eles pensem em sanar os padecimentos da Nação com canhões. Se educarem os recrutas para serem bons cidadãos, já está excelente. A corrupção, a boquinha, o “toma lá dá cá” nunca floresceram tanto na pátria amada. Se Deus é brasileiro, com certeza tirou umas férias.

MARIZE CARVALHO VILELA MARIZECARVALHOVILELA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Destruidor da Pátria

Estou completamente desanimado e enojado com o que estão fazendo com o Brasil. O crime mais recente é esse de um bando de tresloucados terem se apoderado da data magna da brasilidade. Inacreditável! Nem mais se comenta o significado dessa data. O que importa é se estaremos na Paulista agitando a bandeira a favor do destruidor da Pátria. Para completar meu desalento, fico muito penalizado ao ver amigos e parentes próximos lutando ainda contra a urna eletrônica – uma piada de mau gosto – e a favor da pior quadrilha que já comandou este país. Olhando para o futuro, o que me consola é ver meus filhos já bem situados neste caos e meus netos todos sendo educados em padrão que facilitará a saída deles deste hospício.

NELSON PENTEADO DE CASTRO PENTECAS@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Pá de cal

Para encerrar de vez a discussão sobre o voto impresso, creio que a solução é simples: basta que o presidente, seus familiares e os apoiadores do voto impresso paguem o custo total das impressoras que teriam de ser adaptadas às urnas eletrônicas. Mas sem nenhum centavo de dinheiro público, o que seria injusto com a imensa maioria dos brasileiros, que apoiam e confiam no atual sistema de votação. Simples assim!

MARIO MIGUEL MMLIMPEZA@TERRA.COM.BR

JUNDIAÍ

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Corresponsabilidade

Se as criminosas ameaças de Jair Bolsonaro e seus seguidores forem levadas a cabo, seus protetores políticos deverão participar da culpa pelos crimes. A começar pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira. Por menos mal causado ao País, outros dois presidentes foram afastados, sem maiores problemas. Quanto mais demorar este desgoverno, pior para o sofrido nosso Brasil.

LUIZ RIBEIRO PINTO BRASILCAT@UOL.COM.BR

RIBEIRÃO PRETO

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Hora do Congresso

Excelente o artigo A hora do Congresso (25/8, A2), de Luiz Felipe D’Avila. Já passou da hora de o Congresso Nacional deixar de ser omisso e tomar atitudes necessárias para o bem das nossas instituições. Nossos políticos são muito expeditos só para votarem matérias que lhes interessam, como o aumento do fundo eleitoral, a volta das coligações proporcionais...

CLEO AIDAR CLEOAIDAR@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Reconciliação

Somos todos brasileiros: gostamos de música, dança, esporte, sol, mar, boas comidas típicas, etc. Que Deus nos abençoe. Um conciliador, ponderado, é do que estamos necessitados. Uma casa dividida não prospera, como diz a Palavra de Deus.

ARMANDO BERGO NETO BERGONETO@TERRA.COM.BR

CAMPINAS

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Economia

Pedaladas fiscais

No artigo A constitucionalização das pedaladas (26/8, A3), diz José Serra: “O texto encaminhado pelo governo apresenta cinco partes: 1) Institui o parcelamento de pagamento de precatórios e sentenças judiciais na administração pública federal; 2) altera o teto de gastos a partir de triangulação de operações financeiras, com impacto fiscal imprevisível; 3) flexibiliza importante dispositivo da Lei de Responsabilidade Fiscal, que veda financiamento de gasto corrente com recursos derivados da alienação de bens e direitos: 4) muda o desenho constitucional da regra de ouro, enfraquecendo o controle das despesas correntes; e 5) autoriza a capitalização de fundos por meio de transações extraorçamentárias, reduzindo a transparência fiscal”. Pergunto: isso é, realmente, para fazer parte da diretriz de um Orçamento a ser aprovado pelo Poder Legislativo?

JOSÉ ETULEY BARBOSA GONÇALVES ETULEY@UOL.COM.BR

RIBEIRÃO PRETO

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Outra solução

De que adianta aumentar os juros, se a inflação é causada pelo próprio governo, como também pelas empresas que têm preços controlados pelo governo? O problema hoje não é frear o consumo, porque o povo não tem mais poder de compra, por causa da bolsoincompetência. No meu entender, o aumento de juros é um engodo para os rentistas ganharem dinheiro sem riscos até que a pandemia passe.

FRANZ JOSEF HILDINGER FRZJSF@YAHOO.COM.BR

PRAIA GRANDE

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Criminalidade

Pix e sequestros

Em vista da atual explosão de sequestros relâmpagos e roubos com o Pix, há que repensar os riscos desse meio de pagamento eletrônico instantâneo nos celulares. Não existe pagamento que não possa esperar alguns poucos minutos para se efetivar. TED, cartões de débito e de crédito já cumprem bem essa função. O Pix talvez tenha como grande efeito benéfico apenas a maior facilidade de fiscalização pelo Banco Central.

PEDRO PAULO PRADO PEDROPAULOPRADO@INSTALE.ENG.BR

SÃO PAULO


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


NEM AÍ

Pacheco impõe derrota a Bolsonaro e rejeita pedido de impeachment de Moraes (Estado, 25/8). O Senado arquivou o pedido ridículo de Jair Bolsonaro pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, e ele não está nem aí. O que importa para ele é criar mais raiva dos bolsonaristas para que as manifestações do dia 7 de setembro sejam mais agressivas e deem a impressão de que ele está mais forte do que é na realidade. Tivemos um presidente que criou o “nós contra eles”, agora temos outro que só trabalha para aumentar o ódio entre os brasileiros. Venha nos salvar, terceira via!

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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BOLA NAS COSTAS

Bolsonaro levou mais uma bola nas costas quando pediu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ora, mesmo avisado pelo próprio presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, sobre o natimorto pedido, o negacionista insistiu e obteve mais uma derrota para sua coleção. Tanto é verdade que Bolsonaro resolveu desistir do mesmo pedido contra o ministro Luís Roberto Barroso. No fundo, Bolsonaro está mais preocupado é com o próprio e merecido impeachment, a que faz jus. Afinal, acuado e desmoralizado, certamente também não vai emplacar no STF seu amigo “terrivelmente evangélico” André Mendonça. É o que temos para hoje. Lamentável!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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UNIÃO E EMPATIA

O senador Rodrigo Pacheco, presidente do Senado Federal, reclamou da falta de união e empatia do povo brasileiro em face das agruras da pandemia. Ora, senador, mas como incutir união e empatia a partir de um Congresso Nacional que sempre age em benefício próprio, em favor dos seus parlamentares, e sempre em desfavor da população brasileira? Por que, então, os senhores, parlamentares, não dão o exemplo de união e empatia com a população brasileira, e abrem mão do Fundo Eleitoral bilionário e do monte de regalias e benesses injustas que tanto maculam as suas boas intenções?

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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MUITA AREIA PARA O CAMINHÃOZINHO

A capacidade de Jair Bolsonaro não chega a quatro linhas, como diz, mas a uma única, a do círculo, que começa e termina nele mesmo. O deputado Arthur Lira, presidente da Câmara federal, acredita que mandatos têm de ser cumpridos até ao fim, independentemente dos malefícios que o eleito promova, pois, segundo ele, o povo está mais preocupado com o desemprego, a inflação e o salário, como se fosse possível obter progresso e não protelação com uma nau sem rumo, mal conduzida por um capitão desgovernado, acolitado por um gerente financeiro de campanha eleitoral. Numa época em que as lideranças políticas têm as pernas mais curtas do que as da cadeira em que sentam, seria interessante aprender os conceitos que regem as carreiras de Estado como os expostos com objetividade na entrevista do coronel Glauco Carvalho, reserva da PM Paulista (‘Bolsonarismo tenta destruir todos os valores da corporação’, diz ex-comandante da PM, Estado, 25/8). Isso é válido para o general Braga Netto, aquele que em recente audiência no Congresso discorreu e negou impropriedades praticadas, em voz de comando para seus anfitriões, como se seus subalternos fossem, e, respectivamente, para os comandantes almirante Garnier, da Marinha, general Paulo Sérgio, do Exército, e, principalmente, o brigadeiro Carlos Baptista, da Aeronáutica. Como diz o Estadão, “tempos muito estranhos estes em que uma manifestação de respeito de generais do Exército à Constituição traz certo alívio para os cidadãos que prezam pela liberdade”. Ou seja, nossas instituições estão frouxas a ponto de necessitar de declarações, em outros tempos, óbvias para a nacionalidade.

Alberto Mac Dowell de Figueiredo amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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PARTINDO PARA O TUDO OU NADA

O editorial do Estadão com título Uma crise insolúvel (25/8) reflete a “gravidade da crise política e institucional” que angustia e paralisa o País. Jair Bolsonaro não governa! E, como está desmoralizado perante a opinião pública e derrete nas pesquisas, o presidente, inconsequente que é, faz de tudo para provocar instabilidade política e, em consequência, prejudicar as expectativas para nossa economia, para a criação de empregos, etc. Se não fosse grave este momento que vivemos, até de aspiração do Planalto, de ruptura institucional, cinco ex-presidentes (Sarney, FHC, Collor, Lula e Temer) não teriam buscado diálogo sobre a atual crise com os comandantes das Forças Armadas. E estes responderam, como se esperava, que sempre vão agir em respeito à nossa Constituição. Porém, como diz o jornal, e eu concordo, como o pior presidente do Brasil, se não for impedido, Bolsonaro partirá para o “tudo ou nada” nos 16 meses de gestão que lhe restam, prejudicando ainda mais a Nação.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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ANTES QUE SEJA TARDE

PMs impulsionam atos em direção ao golpe por Bolsonaro. Não bastassem os eleitores que se mantêm fiéis ao discurso extremista, golpista e antidemocrático, agora se juntam a eles os policiais militares das corporações de alguns Estados, criando um clima perigoso para a democracia, o País e a sociedade. Não há em hipótese alguma justificativas para tais atos contrários à inteligência e ao bom senso. O Congresso Nacional está sob o comando de um amigo de Bolsonaro, sua base ideológica é grande com apoio do Centrão. A esquerda é oposição e minoria nas duas Casas do Congresso. Bolsonaro não governa porque não quer, não gosta de trabalhar, prefere ficar criando factoides, buscando agredir adversários e iludir seus aliados com um discurso beligerante, agressivo e que não contribui em nada com a situação do País. Seguimos os mesmos passos da Venezuela com Chávez e Maduro, e espero que o arrependimento dos apoiadores não venha tarde demais e com desculpas inaceitáveis após a instalação do caos.

Rafael Moia Filho rmoiaf@uol.com.br

Bauru

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BRASIL EM TRANSE

As pessoas com poder público, político, econômico ou militar, no Brasil, têm o dever de agir, sem vacilação, no sentido de evitar que nosso jovem e irresponsável país entre em colapso, por total irresponsabilidade do atual presidente da República e seu grupo, em clara atuação para inviabilizar a próxima eleição presidencial. Um grande complô para destruir as estruturas democráticas do Estado brasileiro está em marcha acelerada para detonar um golpe de Estado e impor uma ditadura totalitária de extrema direita no Brasil. Já ultrapassamos o momento de ouvir e ler palavras denunciando o golpe, agora está na hora da ação de autoridades, com algum grau de responsabilidade, na nação brasileira sob ataque de seu próprio Executivo federal tirânico e destrutivo.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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ESTADO DE GOLPE

Certamente influenciado pelo ultradireitista Steve Bannon, o maquiavélico e sórdido ex-estrategista político de Trump, o liberticida presidente Bolsonaro se vale da tática sinistra de ataques à democracia com a explícita e anunciada ameaça de golpe de Estado para manter o País em permanente tensão em estado de golpe. O próximo 7 de setembro será um marco divisor de águas. Quem sobreviver verá. Cuidado, Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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PÁTRIA AMADA

Em resposta às ameaças veladas do presidente Bolsonaro no desfile militar de 7 de setembro, a população deveria sair às ruas protestando pela volta dos civis ao poder.

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

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‘O AGROGOLPISMO’

Embora neto de pequenos produtores rurais, nos meus 79 anos, nasci, vivi e estudei na capital de São Paulo. O pouco conhecimento do campo adquiri nos livros, em trabalhos de planejamento no campo e em viagens a, ao menos, 23 Estados da Federação. Por outro lado, adotei de autor desconhecido a máxima “deixar de elogiar alguém que merece com medo de que o elogiado se torne convencido é o mesmo que pagar uma dívida com medo que o credor gaste mau o dinheiro”. Portanto, registro que a carta do leitor sr. Sandro Ferreira (O agrogolpismo, Fórum dos Leitores, 22/8) foi uma das mais inteligentes e precisas que li neste Fórum,  e, portanto, a endosso, ipsis verbis.

Carlos Gonçalves de Faria marshalfaria@gmail.com

São Paulo

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ENTENDENDO O REBANHO

Procuro entender o que motiva o comportamento político dos adeptos do bolsonarismo, quando se faz associação a termos como messias, pasto, pastor, rebanho. Messias é um indivíduo que pode ser interpretado subjetivamente através de uma narrativa promocional, como líder, ser capaz de propiciar um estado desejável para a sociedade, ser um reformador, um pastor para conduzir um rebanho. O pastor, na pecuária, é a pessoa que conduz e mantém os animais sob vigilância, visando à obtenção de bens como carne, leite, etc. O pasto é um espaço onde o criador acolhe os animais do rebanho e lhes oferece alimento. O rebanho é descrito como um grupo e animais da mesma espécie, controlado pelo proprietário, com objetivos econômicos. No caso de rebanhos humanos, por similaridade, uma pessoa que se diz dotada de poder místico, ou um pastor, oferece alimento subjetivo, que povoa o imaginário, mantém a conduta do rebanho focada na sujeição psíquica, ideológica e moral, prevendo contribuições financeiras dos adeptos aderentes, em troca dos serviços místicos prestados. No contexto brasileiro, pode ser avaliado que o rebanho de adeptos, seduzido por um presidente fracassado, seja decomposto em seus segmentos mais notórios, como sendo: 1) um grupo de pastores que atua em seitas místicas reunindo um rebanho de ingênuos, oferecendo promessas de pastos divinos em troca de dízimos, isenções, etc.; 2) um grupo de fardados que busca pasto em vantagens monetárias para engordar seus proventos; 3) um grupo de políticos, diga-se, com apetite imenso, que busca ser suprido, sem limites, com pasto disponível nos cofres públicos; 4) um grupo de defensores da justiça, dispostos a buscar pasto, vendendo seus princípios por pecúnia; 5) um grupo de curandeiros, que usa a medicina na busca de fartura do pasto disponibilizado pela indústria de fármacos, que os estimula a prescrever medicamentos indevidos; 6) um grupo de motociclistas reunido por boçais, engajados por exibicionismo narcisista e promessas de aceso a pastos inconfessos. Deu para perceber, o que motiva os adeptos é a economia, estúpido. Pasto amado Brasil.

Nelson Frederico Seiffert nfseiffert@outlook.com.br

Florianópolis

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‘AGRESSÃO NUA E CRUA’

Esta é boa! Onde está a lei que proíbe notícias falsas? O jornalista J. R. Guzzo (Agressão nua e crua, 22/8) continua a utilizar a coluna paga por um assumidamente democrático jornal para desancar o Poder Judiciário. Sistematicamente, este senhor se alinha às narrativas bolsonaristas sem que se veja um contraponto efetivo no jornal. Até quando temos de aguentar as rebuscadas construções golpistas deste pseudojornalista?

Hector Bottai bottaihector@gmail.com

São Paulo

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IGNORÂNCIA AMBIENTAL

O Brasil vem cometendo desatinos e loucuras na área do meio ambiente: desmatamento recorde, queimadas gigantescas, construção de barragens e usinas hidrelétricas sem estudo, e a conta de todas essas barbaridades está finalmente sendo apresentada à Nação brasileira: o Brasil secou, não tem mais água, acabou. Depois de tanta ignorância na gestão do meio ambiente, o País conseguiu se transformar num deserto em tempo recorde. O Brasil acabou com a Mata Atlântica e o Pampa, não sobrou nada do Cerrado, o Pantanal não alaga mais e a Amazônia não gera mais os seus maravilhosos rios voadores – tudo o que sai da Amazônia agora é a fumaça das queimadas. O Brasil precisa parar imediatamente tudo o que está fazendo na gestão do meio ambiente. O Ministério inteiro deveria renunciar, cargos à disposição para que especialistas em gestão ambiental possam assumir e tenham autonomia para começar a tentar reverter a catástrofe ambiental que está acontecendo a vivo, diante dos olhos do mundo inteiro. Um estudo do impacto ambiental do uso da água no País irá indicar claramente que o crescimento do agronegócio nas últimas décadas é absolutamente insustentável, e isso precisa começar a mudar imediatamente. Desmatamento zero e recuperação ambiental já.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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A IGNORÂNCIA MATA NO ATACADO

No final de 2007, o Estadão publicou uma revista sobre a Amazônia, com o subtítulo “ainda é possível salvar?”, denunciando os absurdos que já ocorriam há tempos na “mais rica biodiversidade do planeta”. Ali podemos ler, entre outras, as reportagens 51 horas rio abaixo, no Rio Negro, até a chegada a Manaus, além daquela sobre Balbina, “a hidrelétrica do caos”. De fato, Balbina foi um erro técnico extraordinário, por gerar pouca energia elétrica e criar uma represa que hoje é um grande emissor de gases do efeito estufa. A construção da hidrelétrica no Rio Xingu foi criticada por climatologistas da Amazônia, pelo fato de ele ter enorme importância no regime de chuvas no Sudeste do País. Mas tanto o exemplo de Balbina como os avisos dos cientistas não convenceram o ex-presidente Lula a não construir Belo Monte, outro absurdo técnico, mais danoso ainda do que Balbina. Hoje temos uma usina deficitária, por gerar eletricidade por apenas cinco meses por ano. Ainda temos de conviver com o absurdo de o consórcio vencedor da sua operação querer erguer na local uma usina termoelétrica para funcionar nos meses em que a hidrelétrica estiver parada. Eis como chegamos ao caos atual, agravado pela gestão mais criminosa do meio ambiente em toda a história da República, que é a de Bolsonaro. Liberou a Amazônia para a pilhagem geral, noticiada como “madeira ilegal”, em lugar de árvore roubada. Ademais, vem insistindo nas construções de hidrelétricas naquele bioma, reduzindo ainda mais as chuvas nas regiões onde é mais atuante o agronegócio. Ao mesmo tempo, além de deixar de investir em usinas eólicas e fotovoltaicas, dificulta a produção particular das mesmas. Não por acaso, a estiagem piorou nas regiões ao sul do País, dificultando as condições de vida tanto da população como dos animais. O País não pode mais ter pessoas sem a devida competência técnica no comando dos órgãos do governo decidindo o nosso futuro. Principalmente nos ministérios. O atual comprovou isso.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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BAIXO NÍVEL

A população brasileira desconhece o nível das pessoas que há 30 anos ou mais está destruindo os diversos biomas no Brasil, principalmente a Amazônia. Gente de uma educação que deixa muito a desejar, incapazes mesmo de saber avaliar o prejuízo que causam ao planeta. Movidas apenas pela ganância, egoísmo com a única finalidade de se dar bem, não quantificando o mal à biodiversidade. Fui testemunha dos planos e ambições desta gente. A falta de escrúpulos orienta seus objetivos. Inocentes que não imaginam o que pode ocorrer não mais no longo prazo: a corda já está esticada, como diz o compositor, o tempo não espera ninguém. Por esta e muitas outras, como técnico do setor e no crepúsculo da vida, alerto a quem possa interessar: ajam rápido e cortem de vez a ganância desta gente, porque não sabem o que estão causando a todos, inclusive a seus próprios descendentes.

Itamar C. Trevisani itamartrevisani@gmail.com

Jaboticabal

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A ESTRADA E O CAMINHO DAS ÁGUAS

As grandes soluções não podem ser somente obtidas através dos grandes projetos. É importante, estratégica e necessária essa compreensão pela sociedade, organismos técnicos e gestão pública. Existem práticas e/ou técnicas simples e eficazes, comprovadas pela história e pelo tempo, que podem ser aplicadas para captar e armazenar água, permitindo uma inteligente convivência com a seca no Nordeste brasileiro. Evitar o flagelo é impossível, mas utilizar a estrada, também, como o caminho das águas poderá ser uma prática de convivência possível. Em algumas zonas áridas da Austrália, as capas de rolamento impermeáveis das rodovias são utilizadas como implúvios, superfícies para captação das águas das chuvas. Daí, as águas pluviais são direcionadas para reservatórios ao longo dessas vias. Tal procedimento num país inovador, moderno e desenvolvido é semelhante ao que já se utilizava, milhares de anos antes de Cristo, no deserto do Negev, que ocupa mais de 60% do atual território de Israel. Para inovar não é preciso inventar. Assim, como engenheiro e sertanejo, vislumbro uma maior utilização das extensas estradas nordestinas como fator importante para a captação e acumulação das águas pluviais. Além dos implúvios, outras práticas já consagradas, como a dos aterros-barragens, deveriam ser mais corriqueiras, e não apenas eventualmente adotadas. Vale lembrar, também, as construções dos bueiros com os chamados “cachimbos” – caixas coletoras com entrada d’água em nível acima dos tubos de escoamento –, que contribuiriam para a acumulação das reservas hídricas. Complementando tudo isso, a construção de pequenas barragens, em lugar dos pontilhões, nos córregos e riachos das estradas vicinais – técnica conhecida como “passagem molhada” –, representaria, também, mais uma forma eficaz e de menor custo para disponibilizar água para o Nordeste brasileiro. Vamos inovar, avançar e relembrar: água para o sertanejo é sempre milagrosa.

Paulo Cesar Bastos paulocbastos@hotmail.com

Salvador

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IMPOSTO SOBRE APLICATIVOS

Parece que o governo quer criar mais um imposto sobre os aplicativos móveis. Isso só prejudica a população. Este dinheiro vai para onde? Não há transparência. Parece que a única coisa que o governo faz é ver onde pode arrecadar mais impostos para sua máquina improdutiva. Temos de lutar contra a criação de mais impostos para favorecer o corporativismo. Menos Estado, mais emprego privado à população. Se os políticos não fizessem nada já estaria bom, mas não, se reúnem para ver onde podem atrapalhar mais ainda a população, com leis esdrúxulas que só beneficiam a eles próprios. Acorde, Brasil! Chega de CLT com os seus impostos e contribuições INSS e FGTS que só limitam o salário do trabalhador. Todos pelo ME, chega de extorquir nosso salário na fonte. Paga quem acha que o governo emprega bem os recursos (sic). Reforma administrativa já. A reforma tributária só serve para aumentar os impostos dos trabalhadores. Acorde, Brasil!

Joaquim de Souza souajm@gmail.com

São Paulo

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A DERROCADA AFEGÃ

Com a abrupta retirada das tropas americanas do Afeganistão, chega-se à dura conclusão de que tal ocupação – 20 anos – serviu, apenas, para manter ativa a indústria bélica dos EUA, que dispendeu a surpreendente e absurda soma de US$ 2,26 trilhões, ou seja, US$ 300 milhões diários, para manter a ocupação daquele país. Como transparece a repentina saída dos EUA do Afeganistão, a população afegã não foi instada a se preparar previamente para essa inusitada decisão, pelo governo americano. Enquanto isso, o governo chinês já vem, há algum tempo, mantendo “relações amistosas” com o Taleban, situação bem diferente da que Pequim tinha há 20 anos. Posição esta reiterada durante recente visita à China de uma delegação do Taleban. A saída dos EUA do Afeganistão abre espaço para a exploração de materiais necessários à indústria chinesa: terras raras, lítio, ferro, cobalto, etc. Assim, a retirada dos EUA, como está sendo conduzida, é “um desastre geopolítico” e uma vitória para a China. Diante das agruras da população afegã que vimos acompanhando à distância, cabe a indagação: que atitude a Organização das Nações Unidas (ONU) está tomando para proteger (?!) as desesperadas famílias afegãs?

Gary Bon-Ali garybonali@globo.com

São Paulo

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O QUE SERÁ SERÁ

A música Whatever will be will be fez sucesso no filme O homem que sabia demais em 1956. Biden não se constrangeu em plagiar suas palavras ao explicar os fundamentos de sua estratégia para o Afeganistão: “Eu não posso prometer qual será o resultado final, o que será será...”. A grande novidade de suas explicações é que o presidente americano acrescentou que toda a evacuação está ocorrendo em coordenação com o Taleban. Que, diga-se de passagem, ditou todos os termos e até mesmo a data limite da operação. Ou seja: Biden fechou um acordo com o Taleban para garantir a passagem segura dos americanos, e é nisso que ele se baseia. Lá se vai a época em que, por princípio, não se negocia com terroristas, narcotraficantes, cortadores de cabeças, etc. Lá se vai a época em que quem cuidava da segurança dos americanos eram as tropas dos EUA, e não as de seus inimigos. Mas vivemos em tempos modernos. Apesar de tudo isso, Biden admitiu que o governo americano não sabe quantos americanos ainda podem estar no Afeganistão. Também não sabe quantas são as pessoas que trabalharam para os americanos e que agora estão tentando desesperadamente fugir do Afeganistão. Aquelas a quem os americanos haviam prometido que não as abandonariam. Mas Joe pelo menos mencionou que não há mais a Al-Qaeda no Afeganistão. Quase imediatamente, o porta-voz do Pentágono o corrigiu e disse que a organização existe, mas não representa, por ora, uma séria ameaça para a pátria americana. Enquanto isso, Kamala também estava realizando a sua viagem pela Ásia e aproveitando a oportunidade para trocar insultos com a China. Justamente a potência que tem ajudado tanto o seu presidente a encontrar um caminho na escuridão de Cabul. Um dia, Hollywood certamente fará um filme a respeito das trapalhadas, da humilhação e eventualmente de coisas ainda piores que possam estar por vir. Gostaria de sugerir desde já um nome para a película: O homem que sabia de menos.

Jorge Alberto Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

 

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