Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2021 | 03h00

Pandemia

Cirurgias eletivas

A redução de 25,9% no número de cirurgias eletivas (sem o risco de morte iminente) realizadas no primeiro semestre de 2021, em relação ao mesmo período de 2019 – de 4.186.892 procedimentos, naquele ano, para 3.099.006 – é o grande efeito colateral da covid-19 no sistema de saúde brasileiro. Os números são do Conselho Federal de Medicina (Estado, 13/9, A13). Os médicos se preocupam porque, enquanto alguns problemas de saúde, como hérnias ou varizes, e correções estéticas podem aguardar sem grandes problemas, outros não. É o caso do câncer, de problemas cardiovasculares e de outros cujo retardo agrava o quadro e pode levar a óbito. Felizmente, a covid-19 dá sinais de solução no País, quando temos boa parte da população vacinada e suprimentos para avançar com o programa de imunização. A diminuição do número de óbitos e de infectados e, consequentemente, a baixa na ocupação dos hospitais mostram um quadro positivo, que provoca alívio, mas que não autoriza a população a relaxar. É preciso compreender que a covid-19 é uma nova forma do velho coronavírus, desta vez mais agressiva e com cepas diferentes que podem se juntar e tornar mais fortes. Da mesma forma que as autoridades governamentais e sanitárias têm o dever de colocar à disposição da população as vacinas, o povo também tem a obrigação de recebê-la e de se cuidar, porque, do contrário, além de ficar exposto ao problema, o indivíduo não vacinado é um agente multiplicador e perenizador da moléstia. Isso caracteriza absoluto egoísmo, falta de civilidade e, sem dúvida, falta de amor à própria vida.

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES  ASPOMILPM@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Manifestações da oposição

Divididos

O fracasso das manifestações de domingo (12/9) pelo Brasil indica uma divisão da oposição ao governo que, a persistir, pode inviabilizar uma vitória contra Jair Bolsonaro na próxima eleição. Pergunto: será possível que a oposição se una?

CELSO JORGE DE CARVALHO CELSO@LAG.ADV.BR

RIBEIRÃO PRETO

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Efeito contrário

Passeata com oposição dividida é igual remédio que dá efeito contrário. Pouca gente e desorganização fortalecem o time adversário.

MARCOS GOMES FIGUEIRA MGFIGUEIRA2@HOTMAIL.COM

ÁGUAS CLARAS (DF)

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Nem um nem outro

A todos os verdadeiros democratas, se quiserem efetivamente uma união em repúdio ao atual presidente, que primeiro deixem claro que não será Lula o concorrente nas próximas eleições. O Brasil não merece.

CARLOS AYRTON BIASETTO CARLOS.BIASETTO@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Governo Bolsonaro

O ‘problema’

Cumprimento o Estado por manter em suas páginas colunistas como o sr. J. R. Guzzo, pois, assim, podemos acompanhar as acrobacias mentais de que são capazes os que teimam em defender o indefensável. De fato, para o sr. Guzzo (Nada mais simples, 12/9, A8), “a solução para o ‘problema Bolsonaro’ é a mais simples do mundo: a eleição de 2022”. Pergunto: e o que fazemos se o “problema” promete inviabilizar essas eleições ou não aceitar seu resultado? Esperaremos 2022 para pedir ao sr. Guzzo uma nova “solução mais simples do mundo”?

RENÉ LAPYDA ABEPTAB2@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Maus perdedores

Nada mais simples e sóbrio que o excelente artigo de J. R. Guzzo no Estado de domingo. O problema do Brasil têm sido os maus perdedores, da direita à esquerda, com passagem pelo centro. Quem perde o debate parece não se resignar democraticamente. Não sabemos mais ser voto vencido. Nesse sentido – e não quero, aqui, trazer qualquer apoio ou “desapoio” ao STF –, a ministra Rosa Weber nos ensinou quando, tempos atrás, votou matéria controversa, na qual tinha sua própria convicção, mas, com o “voto vencido” em tema semelhante no passado, como ela mesma comentou durante a leitura, seu voto seguiria o decidido no pleno da Casa. Eleições não são brincadeira e impeachment é remédio sério, verdadeira quimioterapia que pode matar o paciente, em vez do câncer. Então, as eleições de 2022 são o remédio de que precisamos, ganhe quem ganhar.

MARCO ANTONIO CAFFÉ MARCO_CAFFE@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Solução na Câmara

O jornalista Rolf Kuntz, em artigo no Estado de domingo, aponta, logo no título, que a solução para o “problema Bolsonaro” está na Câmara dos Deputados. O que ele afirma ali é a simples e crua realidade que nos assola. A jabuticaba mais absurda é a que delega ao presidente da Câmara dos Deputados a decisão de dar ou não sequência a um pedido de impeachment do chefe do Executivo. Não depende de qualquer fator jurídico ou político, somente da decisão pessoal dele. Eis um absurdo, que tem como apoio legal apenas no Regimento Interno daquela Casa. O STF está analisando a sua legitimidade. Ora, Bolsonaro não precisou da metade do seu mandato para se revelar o pior presidente da história da nossa República. Não surgirá outro para lhe roubar tal título. Impossível. Sem nenhum preparo – pior, sem nenhum interesse pelos problemas reais da Nação –, Bolsonaro já nos meteu num buraco do qual não será fácil sairmos. A sua conduta liberando a Amazônia para ser saqueada impunemente, por exemplo, influiu no rigor da estiagem atual. Pior, sua política no combate à pandemia causou um número de mortos muito acima do esperado. Tais fatos já deveriam ter provocado a sua destituição. Já seu ataque, em 7 de setembro, contra o STF, tentando ainda um golpe de Estado, se enquadra em crime de responsabilidade. Ninguém, a rigor, acredita no comunicado escrito por Michel Temer e assinado por ele.

GILBERTO PACINI BENETAZZOS@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

PAZ!

O ministro Luis Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal foi muito objetivo ao divulgar que “não se faz democracia com tropas e tanques”. É uma mensagem que merece muita reflexão, pois efetivamente precisamos de paz, para um crescimento social e econômico adequado.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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LIÇÕES PARA A TERCEIRA VIA

As manifestações mixurucas do dia 12/9 foram duas lições para os candidatos da terceira via. A primeira é que o sonho de Lula é ter o atual presidente como seu adversário, ele não vai fazer nada para tirá-lo porque poderia vencer de imediato, sem segundo turno. A segunda é que, quando há muitos candidatos, não há nenhum. Ou eles se põem de acordo – e ganham a eleição – ou teremos o retorno dos amigos de Cuba que farão mais um porto Mariel de graça para os ditadores daquela ilha.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

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MENOS...

Eu sou contra o governo do presidente Bolsonaro e não fui às ruas para não parecer que era a favor de Lula, como muitos. Pró-Bolsonaro foi uma manifestação organizada com dois meses de antecedência e amparada por contribuições de empresários que custearam a vinda de centenas de ônibus de muitas cidades para a Avenida Paulista. “Devagar com o andor que o santo é de barro.”

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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TERCEIRA VIA EM FORMAÇÃO

Neste último movimento político pelas ruas do País ficou patenteada a divisão da oposição ao atual governo federal. Percebe-se que, efetivamente, existe um movimento chamado Terceira Via, que deseja um nome fora do atual binômio Bolsonaro x Lula no pleito de 2022. Falta ainda o surgimento desse novo nome, que poderá ter sucesso, encerrando a atual disputa pelo poder, entre aqueles dois nomes. Quem viver verá.

José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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PARECER DE JURISTAS DA CPI

Das indecorosas declarações na manifestação popular de 7 de Setembro e depois da farsante carta de desculpas à Nação, Jair Bolsonaro, nesta semana, se defrontará com indigesto e duro parecer de juristas da CPI da Pandemia, como informa a jornalista, e articulista do Estadão Eliane Cantanhêde. Esse parecer, sob a liderança do ex-ministro da Justiça Miguel Reale Junior, pedirá o enquadramento do presidente por vários crimes, principalmente sobre o seu desprezo em salvar vidas nesta pandemia. Ou seja, pela falta de compra de vacinas de forma antecipada, de charlatanismo por indicar remédios sem comprovação científica, cometendo o tal e grave crime contra a humanidade! Ele não pode escapar de uma implacável penalidade e até perda de mandato.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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INJUSTIÇA

Depois que o STF anulou todas as condenações envolvendo Lula da Silva, os outros processos estão sendo arquivados a toque de caixa. Os seis anos de investigação da Lava Jato e as inúmeras delações premiadas contra o ex-presidente petista foram para a lata de lixo, e o mais “inocente” brasileiro continua livre, leve, solto e saltitante, ávido para retornar e dar continuidade ao projeto de poder do PT. Como confiar numa justiça tão injusta quanto a nossa.

José Alcides Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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SÓ A JUSTIÇA DIVINA

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, concedeu progressão ao regime semiaberto ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, condenado, em 2019, por lavagem de dinheiro e associação criminosa, em processo relacionado à apreensão de R$ 51 milhões em dinheiro em um apartamento em Salvador, Bahia. O ministro apenas aplicou a lei; lei que é da responsabilidade do Congresso Nacional; Congresso Nacional que deveria fazer as contas relativas a quantas vidas humanas foram sacrificadas, ou que poderiam ser salvas, pelo desvio, ou não, de R$ 51 milhões (no mínimo) do dinheiro público. Mas essas contas não interessam a quem se aproveita dos dinheiros públicos, de modo legal ou não. Eles, os do Congresso Nacional, se interessam muito mais pelo peso da lei em suas costas. Boa sorte em sua nova boa vida, senhor Geddel! Desejo-lhe, e a todos os nossos congressistas, toda a justiça divina a pesar em suas consciências!

Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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DECADÊNCIA DO MITO

O mito Jair Bolsonaro optou, conjuntamente com seus apoiadores, que os brasileiros jamais iriam se vacinar. A ideia era a “contaminação de rebanho por contágio”, em que todos ficariam doentes para, logo depois, o comércio deslanchar, desdenhando das vacinas. Na verdade, só se interessou fortemente pela vacina Covaxin, que oferecia tramoias e trambiques. Agora e após 560 mil óbitos percebe-se que as coisas estão melhorando conforme a vacinação avança. E o que temos para hoje é “a franca decadência do mito”!

Júlio Roberto Ayres Bisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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CRIMES DE BOLSONARO

A dois meses do encerramento da CPI da Covid, o grupo de juristas coordenado pelo ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior vai entregar nesta semana um parecer de mais de 200 páginas aos senadores apontando os possíveis crimes cometidos pelo presidente Bolsonaro no enfrentamento à pandemia no Brasil. A cúpula da CPI avalia enquadrar Bolsonaro em crimes de três naturezas distintas. O de lesa-humanidade, que permite denúncia em tribunal internacional; o de responsabilidade, que dará respaldo ao pedido de impeachment na Câmara, e o de crimes comuns, que podem motivar uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), entre os quais a acusação por prevaricação na compra da vacina indiana Covaxin. O País torce e espera ansiosamente que o Senado se porte à altura de sua grande responsabilidade, punindo com rigor o negacionista e genocida presidente Bolsonaro, e que o jurista Reale Júnior obtenha o mesmo êxito de 2016, quando do pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Muda, Brasil. Basta de Bolsonaro.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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PERVERSIDADE GOVERNAMENTAL

Discordo apenas da frase inicial do editorial Por que chegamos a isso (13/9, A3), pois muitos esperavam – e até tinham certeza sobre – a situação caótica do desgoverno atual. Opções havia, preteridas em função de inimigos inexistentes, como também aponta o editorial. Não há como esperar governo onde só há crimes, proteção familiar e corrupção intrínseca para se manter no poder. Seguimos, pois, com o perverso criminoso fazendo papel de demente inimputável.

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

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REPERCUSSÃO DO 7 DE SETEMBRO

Em sua coluna de 12/9, J.R. Guzzo diz que o presidente da República é um débil mental mal-intencionado, inepto e perigoso, que está destruindo o País. Porém, afirma que a solução é aguardamos pelas eleições de 2022, e, além disso, se Bolsonaro ganhar o problema fica resolvido (!). 

Em outra frente, o cientista político André Singer nomeia a marcha do governo Bolsonaro como “autocratismo de viés fascista”, já que o presidente defende golpe contra a Constituição, a democracia e a liberdade. O professor da USP ressalta que não houve recuo por parte de Jair Bolsonaro após as manifestações de 7 de Setembro, pois o objetivo do presidente é confundir a sociedade.

Singer entende que devemos insistir no “impeachment”, já que Bolsonaro demonstrou capacidade de mobilização, apesar de ser minoritário, tendo maiores chances de estar no 2º turno em 2022.

Ao não comparecer às manifestações de 12/9, organizadas em diversas capitais por movimentos contra a corrupção, o PT deu sinais claros de que prefere concorrer com Jair Bolsonaro nas eleições do próximo ano, o que enfraqueceu sobremaneira os protestos pró-impeachment. Assim, cabe à sociedade civil pressionar o Congresso Nacional, com a maior efetividade possível, para que possamos recuperar o tempo perdido com o desgoverno atual, sem correr o grave risco de ter Jair Bolsonaro como candidato à reeleição nas eleições que se aproximam.

Maria Lucia Ruhnke Jorge mlucia.rjorge@gmail.com

Piracicaba

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AMEAÇAS CONTINUAM

No domingo passado (12/9), o Estado lança luz sobre ameaças ao futuro do nosso Brasil, em quatro comentários, que se complementam para demonstrar a realidade. Começando pelas Notas & Informações Retrato do patrimonialismo, vemos que grupos de políticos interesseiros, já hà muito tempo vêm aproveitando brechas e/ou descuidos para manobras que lhes assegurem vantagens e/ou imunidades. Já em A afoiteza da Câmara vemos que, com o reforço proporcionado por Bolsonaro, tudo continua na mesma, e Artur Lira e seus pares conseguiram fazer, no Código de Processo Eleitorais , um desserviço à Nação.

Passando ao Espaço AbertoSolução do problema Bolsonaro está engavetada na Câmara, de Rolf Kuntz, mostra claramente que a melhor solução é o impedimento imediato, pois Bolsonaro sacrificará tudo para chegar ao segundo turno com Lula, mesmo sabendo que perderia, pois essa seria a única possibilidade de obter apoio da maioria nas Forças Armadas para o golpe das urnas.

Por fim, a coluna do bolsonarista J. R. Guzzo reconhece que a melhor alternativa para o mito é ficar quieto até 2022.

Luiz Ribeiro Pinto brasilcat@uol.com.br

Ribeirão Preto

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PESADELO CHINÊS

O risco de inadimplência da Evergrande, a grande construtora chinesa, acende um grande sinal de alerta sobre a China: estaria o país na iminência de experimentar uma crise financeira de grandes proporções? Mas como isso pode estar acontecendo com todos os bancos centrais ao redor do mundo facilitando a liquidez e com as taxas de juros perto do zero? A história começa com os EUA e os americanos também competindo por recursos. E continua com centenas de empresas chinesas negociadas em bolsa que quebraram de forma fraudulenta. Há uma situação também muito complicada no mercado chinês de renda fixa. Como consequência, as classificações de crédito de empresas chinesas começaram a cair, o que fez com que essas empresas passassem a ter de pagar um rendimento maior para que os investidores assumam os riscos, só que o rendimento delas já não vale o risco e aí a conta em relação a elas deixou de fechar. Como consequência, as ações chinesas estão desabando. Parece que ninguém sabe se haverá como segurar esta queda. Índices e dados por lá são números que refletem mais a vontade do Partido Comunista do que cálculos matemáticos. Assim sendo, não despertam muita confiança. Por sinal, a dívida da China tem crescido a uma taxa média anual de cerca de 20% desde 2008, bem mais rápido do que o seu Produto Interno Bruto (PIB). O total da dívida da China supera o da dos EUA, para um PIB bem menor. E foi estimada como sendo duas vezes mais alta que a média das economias de mercado emergentes. Considerando-se imóveis e bancos, o total da dívida, mais do que quadruplicou desde 2007. Ao longo da história e em todos os países, um rápido crescimento da dívida significa o prelúdio de uma crise financeira. Desnecessário dizer o quanto a China é importante e o seu peso para todo o mundo. Isso com os EUA já gastando os trilhões que podem e que não podem e estourando o seu orçamento (ou seja: sem recursos orçamentários para terminar este ano). E é especialmente preocupante para o Brasil: afinal a China é o nosso principal parceiro econômico – quer em comércio, quer em investimentos. Como diz a música: “Wake me up when it is all over”.

Jorge Alberto Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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ONU

A ONU não serve para nada mesmo. É utilizada para fazer politicagem da esquerda internacional. No Afeganistão os direitos humanos básicos estão sendo desrespeitados, pessoas sendo mortas e outras estão morrendo de fome naquela bagunça que virou aquele País. Ditaduras como Cuba e Venezuela estão do mesmo modo, e essa organização, em vez tomar atitudes contra os mandatários desses países e ajudar a população reprimida, faz o quê? Gasta tempo inútil falando mal do Brasil. Os dirigentes desse elefante branco deveriam começar a trabalhar, em vez de ficar dando pitacos. 

Reinner Carlos de Oliveira reinnercarlos1970@gmail.com

Araçatuba

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CRISE NA NATUREZA

As palavras de nossos ecologistas infelizmente são jogadas ao vento. Mas são os únicos que enxergam o que está acontecendo na realidade.

José Pedro Naisser (carta publicada no Fórum dos Leitores de 12/9) possui um pensamento holístico, mas tem uma batalha inglória.

Não existem homens e governantes que vão ter poder de mudança de paradigmas que atendam às necessidades de reposição natural, diante da enorme população mundial, com seu alto grau de consumo, sua mobilidade, competição desenfreada, geradora de resíduos de todos os níveis.

O que pararia esta população é apenas uma reação dramática da natureza, e infelizmente para isto caminhamos.

A população é como um gigantesco navio que, mesmo se for desligado não vai parar de imediato, pois temos a lei da inércia que deixará seu movimento por um bom caminho em rumo desgovernado.

Além disso, não se veem possibilidades de que este navio possa ser desligado.

Roberto Barbieri rrbarbieri@terra.com.br

Passos (MG)

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O NOVO ‘DOMINGÃO’

Domingo assisti ao novo domingão, com o Luciano Huck. Sempre fui fã do Faustão e do seu modo divertido do início de carreira, em especial quando apresentava o Perdidos na noite, com a mistura do inusitado e do burlesco. Com o tempo Faustão foi envelhecendo e sendo formatado pelo padrão Rede Globo de televisão. Deixou de mostrar a criatividade pitoresca do brasileiro, passando a apresentar quadros que misturavam um pouco de jabá da própria emissora e suas estrelas, misturado a quadros de entretenimento. Gênio da propaganda o Domingão do Faustão esbanjava patrocínio e propagandas, cujos slogans o próprio apresentador fazia questão de ler – com muitos erros e engazopadas. Para evitar os erros, aos poucos a leitura do apresentador foi substituída pela de beldades treinadas para ler certinho a mensagem do anunciante. As bailarinas e o resgate de famosos esquecidos completavam o caldo do Domingão, que nos acalentava para mais uma semana de trabalho. 

Mas a aposentadoria do apresentador Fausto Silva ou a mudança de emissora nos levou ao inevitável! Luciano Huck deixou o programa de sábado para assumir o líder de audiência do domingo. Graças ao novo domingão, a carreira do apresentador foi salva evitando a malfadada ideia de concorrer à Presidência da República. Luciano não seria eleito e perderia o grande espaço de comunicador que ele tão bem ocupa na televisão brasileira aberta. 

Sem dúvida alguma, ele está anos-luz à frente dos demais apresentadores da televisão aberta e fechada. Luciano Huck mistura uma cultura geral e erudição com o compromisso de trazer para a televisão uma mensagem social e de transformação que foi perdida nos esquemas de produção de conteúdo da telinha. 

Sabemos que o caos e a desgraça alheia viraram a fórmula de audiência que impulsionou diversos programas vespertinos e aos poucos se estendeu aos noticiários de todas as emissoras brasileiras. A televisão aberta perde telespectadores todos os dias, talvez porque a nova geração de telespectadores não saiba mais conviver com uma programação que eles não controlam. Talvez porque simplesmente não queiram a televisão da desgraça, violência e caos social. Com razão! Recordo-me da programação dos anos 80, programação alegre e divertida, voltada para a “família brasileira”. 

Luciano Huck, em seu segundo episódio do Domingão, renova quadros do caldeirão que me lembram um quadro descontinuado do Fantástico, chamado Gente que Faz, que era patrocinado pelo falecido Banco Bamerindus. Um quadro que dava destaque aos heróis do Brasil, gente que, independentemente de apoio do Estado, recursos ou reconhecimento fazia o bem, pensava no próximo! 

Huck renova a preocupação em trazer para a televisão ações de pessoas que fazem o bem, que inspiram outras pessoas a fazerem o bem! 

O modelo de polícia e bandidos, de violência e desgraça não cumpre o papel social de um meio de comunicação tão importante como a televisão. Esse modelo só reproduz e incentiva a violência.

De outro lado, uma televisão que coloca em destaque as ações de pessoas que fazem o bem, de pessoas que se doam para suas comunidades, que semeiam cultura, educação e principalmente solidariedade tinha sido quase totalmente esquecida pelos responsáveis pela programação. 

Fico feliz em ver um programa que ainda demonstra esse tipo de preocupação. Em que o apresentador não precisa fazer macaquices, tampouco afrontar os valores da sociedade brasileira. Fico feliz que ainda tenhamos um apresentador que se preocupe em dizer que podemos esperar “um domingão lotado de coisas boas”. 

Pedro Ivo Gricoli Iokoi pedro.iokoi@iokoi.com.br

São Paulo

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