Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2021 | 03h00

Ciência e tecnologia

Menos recursos

Com muita tristeza me deparei com a reportagem sobre o Ministério da Economia ter reduzido em 87% a verba destinada para a área de ciência e tecnologia neste ano. Aonde iremos chegar com este governo que não liga para a pesquisa, mas pode liberar mais de R$ 7 bilhões para partidos políticos? Nós, povo brasileiro, civilizadamente precisamos reagir, pelo futuro deste país maravilhoso.

ALEXSANDRO GONSALES AGONSALESADM@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Pandemia

O CFM e a cloroquina

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), entidade que representa os médicos do Brasil, vem sendo criticado – pior, ameaçado – pelos sábios da CPI da Covid, por não querer vetar o emprego da cloroquina no atendimento de pacientes acometidos pela doença. A sua atitude de que, diante das incertezas, do desconhecimento sobre a covid-19, cabe ao médico assistente, junto com a família do paciente, decidir sobre o tratamento vai ao encontro da prática médica até então, despojada da ideologia e calcada na ciência. Melhor examinar os títulos deste doutor e compará-los aos de Renan e Aziz.

ROBERTO MACIEL  ROVISA681@GMAIL.COM

SALVADOR

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O ato médico

A afirmação do presidente do CFM, o médico Mauro Luiz de Britto Ribeiro, de que a atuação primordial da entidade objetiva à autonomia do médico, não representa plenamente suas atribuições. Constata-se em suas normas que estas alcançam a definição do ato médico, incluindo, assim, a terapia e os medicamentos utilizados. Limitar a ação do CFM à defesa da autonomia médica nas intervenções terapêuticas, além de omissivo quanto às atribuições deste conselho, está provocando uma arriscada dicotomia nas condutas dos profissionais médicos. E, diante desta inédita e trágica pandemia, do ponto de vista da população atendida, desprezar estudos científicos internacionais adotados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), bem como aqueles das universidades brasileiras, além de uma inaceitável atitude soberba, é menosprezar as pesquisas científicas inerentes ao aprimoramento da atividade, em claro prejuízo à assertividade do ato médico.

HONYLDO ROBERTO PEREIRA PINTO HONYLDO@GMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

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Inflação

A volta do dragão?

Tendo chegado a nada menos que 10,25% (!) em 12 meses, a palavra inflação justifica parecer ser um aumentativo, pois não? E agora, que disparou, quem vai pôr o guizo no dragão? Pobre Brasil...

J. S. DECOL DECOLJS@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Discurso terrorista

O presidente Bolsonaro ameaçou os brasileiros há alguns dias e disse que haverá desabastecimento no Brasil no ano que vem. Disse que vai faltar comida por falta de fertilizantes. E concluiu que isso é para o mundo todo. Assim, sem mais nem menos, manda uma bomba sem pensar que está alimentando a especulação – e a inflação. Mas nada anunciou o que o seu governo está fazendo para resolver o problema. Disse apenas que mandou embaixadores e secretários no exterior fazerem inspeções nos mercados de suas cidades. Mais uma vez, um discurso terrorista.

MARIA TEREZA CENTOLA MURRAY TEREZAMURRAY@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Nobel da Paz

‘Sem jornalismo, não há paz’

Excelente e oportuno, ao menos para mim, o editorial do Estado (9/10, A3). Explico: há tempos não lemos, ouvimos ou vemos nenhuma notícia alentadora, por mínima que seja. A gentalha que está no poder, destruindo o Brasil, está conseguindo tirar o ânimo de nos informarmos. Não temos a menor esperança de um amanhã melhor. Mas, me contradizendo, com o jornalismo e paz, ainda tentaremos vislumbrar alguma luz. Talvez para os nossos bisnetos.

GUTO PACHECO JAM.PACHECO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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O papel do leitor

Não existe má informação, mas desinformação. No Brasil, temos alguns jornais e outros órgãos da imprensa, revistas, rádio e TV, que exercem bem o seu papel. O Estado acerta ao dizer que, na relação entre jornalismo e paz, revela-se também a contribuição do leitor. O Prêmio Nobel da Paz reconheceu a boa imprensa, aquela que, baseada nos fatos, não receia ou se omite na informação completa ao leitor. Exerce seu papel com dignidade acima de tudo.

ADEMIR VALEZI VALEZI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Em tempos de fake news...

O Nobel da Paz condecorou o jornalismo sério, combativo e da liberdade de expressão. E condenou o jornalismo mentiroso, faccioso e das entrelinhas.

MARCOS GOMES FIGUEIRA MGFIGUEIRA2@HOTMAIL.COM

BRASÍLIA

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Crime

Salvem o jornalismo e os jornalistas, pilares da democracia e guardiões da verdadeira liberdade de expressão. E que fique claro: criar e disseminar fake news não é direito de expressão de opinião. É crime.

FERNANDO PIRRÓ FPIRRO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Redes sociais

Lucro ou civilização

O papel das redes sociais na construção da agenda pública é um caminho sem volta para a anomia. O discurso tóxico, sectário e de ódio promove engajamento e potencializa lucros, logo, é uma questão de business as usual. As plataformas tecnológicas se transformaram em veículos de comunicação, mas não respondem, como a imprensa profissional, pelos conteúdos veiculados. Logo, a moderação e a curadoria do que é publicado é ruim para os negócios. Sem regulação, o lucro prevalecerá sobre a civilização.

JOSÉ TADEU GOBBI TADGOBBI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


INSUSTENTÁVEL

Não se sustentam os argumentos do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o uso da cloroquina no tratamento da covid-19. A covid-19 não é mais uma doença desconhecida, como afirma o presidente do CFM, a covid-19 é uma virose para a qual existe o tratamento seguro e eficaz chamado vacina. Depois que a toda-poderosa FDA norte- americana e a Organização Mundial da Saúde (OMS) descartaram e desautorizaram o uso da cloroquina no tratamento da covid-19, a insistência neste assunto é absolutamente insustentável.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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INGLÓRIO

Inglórias são as tentativas para justificar o injustificável, assim como perturbadoras são as reiteradas ingerências de políticos e mandatários que tentam, a todo custo ­– ou, melhor, ao custo de tantas vidas –, dar um sentido qualquer a perturbadores negacionismos que, inutilmente, tornam-se aquela pedra no meio do caminho dos cidadãos brasileiros. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, num de seus tantos exercícios fracassados de verborragia intelectualista, comparou o uso de máscaras na pandemia de covid-19 ao uso de preservativos, dizendo que não se pode fazer lei que os obrigue ao uso das pessoas. Ó, prezado ministro, não que eu queira chamar sua atenção para as diferenças das esferas pública e privada das atuações do governo e da sociedade civil, porém não é muito mais fácil, por exemplo, aceitar a lei da gravidade que tentar revogá-la por decreto ou escamoteá-la afirmando que ela existe apenas porque o mundo plano alterna-se, incessantemente, de sob nossos pés a acima de nossas cabeças? Ah, ministro! Assim, a pós-verdade ganha ares de ciência pura e exata e a própria ciência entrará na fila do SUS à espera de declinar de sua hora de se vacinar contra as magias da demagogia e dos feitiços do obscurantismo.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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MAIS RESPEITO

O 4.º ministro da Saúde do governo atual, Marcelo Queiroga, no dia em que as mortes pela covid-19 no Brasil ultrapassaram 600 mil, concedeu uma entrevista coletiva à imprensa. Falando pelos cotovelos, detalhou o seu Programa Nacional de Imunizações (PNI), voltou a dizer que “comprou” milhões e milhões de vacinas – que nunca aparecem –, mas ficou em silêncio e com cara de paisagem sobre os milhares de famílias que, em luto, choram pela perda de parentes e amigos. Afinal, como um negacionista obediente, Queiroga, novamente, deixou muito a desejar. O País precisa de mais respeito.

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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600 MIL MORTOS

Por quem os sinos dobram? Dobram pelos 600 mil óbitos em nosso país. Dobram pelos milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas. Dobram por milhares de famílias que ficaram sem seus entes queridos. Coragem! Coragem!

Nivaldo Ribeiro Santos nivasan1928@gmail.com

São Paulo

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CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Na semana em que o País superou a macabra e trágica marca de mais de 600 mil (!) óbitos vitimados pela tenebrosa pandemia, o Ministério da Economia, de Paulo Guedes, do negacionista e genocida desgoverno Bolsonaro teve o desplante de reduzir drasticamente as verbas para o setor de ciência e tecnologia neste ano, uma queda de nada menos que 87% (!), de R$ 690 milhões para apenas R$ 89,8 milhões. Tristes tempos em que áreas de suma importância, como a ciência e a tecnologia, são destratadas com menoscabo, relegadas a segundo plano, como se fossem desnecessárias e desimportantes para o futuro do País. Muda, Brasil. Basta de Bolsonaro.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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‘DIPLOMACIA BRASILEIRA’

A nota da seção Há um Século de 8/10 me trouxe um misto de orgulho de nosso passado e de tristeza quanto ao presente. Quanta diferença em relação à nossa diplomacia no século 21!

Radoico Câmara Guimarães radoico@gmail.com

São Paulo

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UM NEGÓCIO A REVER

Com o progressivo desmate da Amazônia, com sua floresta sendo substituída por pastagens e/ou plantações de soja, o agronegócio brasileiro está dando um tiro no pé. Além de ser mais delgado, mais lixiviado de nutrientes e mais pobre que o do sul, o solo amazônico secará facilmente com sua maior exposição ao sol e às altas temperaturas equatoriais. Aos poucos, ficará mais seco e até menos favorável para a agricultura. A remoção da floresta e o aumento da insolação afetarão negativamente o regime de chuvas, diminuindo o volume de água que os rios voadores trazem às áreas ao sul da Amazônia. No momento, já há redução de volume de água no Pantanal e no fluxo de águas nos grandes rios, como o Paraná e o São Francisco. Sinceramente, mesmo sem considerar o efeito dos desmates no aquecimento global, o avanço do agronegócio brasileiro para a Amazônia é um negócio a rever.

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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IMPOSTO PARA MULTINACIONAIS

Embora em teoria eu concorde com o acordo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) com a aprovação de mais de 130 países, sobre a cobrança de um imposto mínimo global de 15% das multinacionais a partir de 2023, na prática, os preços dos produtos dessas empresas vão aumentar, a inflação mundial deve subir, e principalmente nos países pobres e em desenvolvimento. Os únicos beneficiados serão as máfias inescrupulosas organizadas por parasitas das tetas destes governos e seus cupinchas. Mais dinheiro para perpetuar governos corruptos e ditaduras. Para as populações carentes desses países, como sempre, nada deve mudar.

Ely Weinstein elyw@terra.com.br

São Paulo

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TROUXAS E ESPERTOS

Sexta-feira (8/10), Ibovespa em alta festejando o aumento do combustível e o aumento da inflação? Segundo títulos de matérias publicadas no Estadão em 8/10/2021, temos 600 mil mortos pela covid-19 no Brasil, Petrobrás aumentando preços da gasolina e do gás de cozinha em 7,2%, Lula (ainda tem espaço na mídia) dizendo que a regulação da mídia é tema do Congresso, e não do presidente – mas ele e a mídia não informaram que o Executivo tem dinheiro para comprar o Congresso –, diretor afastando delegado da Polícia Federal que coordenava área que investigava filho de Bolsonaro, e inflação chegando a 10,25% em 12 meses. Mas, apesar de tantas notícias ruins, o Ibovespa encerrou em alta de mais de 2,00%. Enfim, esta é a nossa republiqueta de bananas em ação, enganando trouxas e beneficiando os espertos.

Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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O DINHEIRO DO BRASIL

O dinheiro do Brasil está indo para Brasília para pagar quem não precisa e não merece e, também, tirando dos precatórios para dar aos predatórios.

Carlos Gaspar  carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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INFLAÇÃO DO ALUGUEL

Assistindo a algumas reportagens sobre estes inescrupulosos aumentos contratuais locatícios e demais tipos, concluo que é um absurdo o poder público não se manifestar contra estes contratos leoninos e acabar de uma vez por todas com que as pessoas e empresas usem destes meandros das leis para beneficiar o contratante. E por que, de uma vez por todas, não usam o porcentual da inflação anual, medido e auditado pelo órgão do governo federal denominado IBGE, e não o da FGV? Com estes aumentos abusivos, as empresas não conseguem pagar os aluguéis e aumenta a tendência de os funcionários perderem o emprego. Já se verifica nas ruas que há muitas mais pessoas dormindo nas calçadas brasileiras.

Ricardo Cardoso rfcrepres@yahoo.com.br

Bauru

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PREFEITURA DE SÃO PAULO

Sobre o artigo Da Prefeitura de São Paulo, uma notícia boa e outra má (7/10, A2), a respeito da informação do texto dada pela municipalidade (“no nível básico, a alta prevista é de 23% e no nível médio, de 30%”), ela não procede. Eu, como servidor da Prefeitura de São Paulo, constato que esta proposta gerará um “aumento” de 0,5% nos meus proventos, ou seja, isso não é alta.

Laércio Francisco Borges laerciofb@hotmail.com

São Paulo

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POBREZA MENSTRUAL

Curioso que por décadas nunca se falou neste problema, que aflige as mulheres desde a criação da humanidade, mas agora virou tema de campanha. Quanta ignorância se escreve sobre o assunto, “tem dinheiro para caças de combate, mas não para o absorvente”, que é objeto relativamente novo no mercado mundial – nossas mães e avós se remediavam de outras formas, e ninguém deixava de ir à escola ou fazer suas coisas. Desculpem minha franqueza, mas quem recebe R$ 300 do governo fale para o marido deixar de tomar duas cervejas por mês e compre o seu absorvente.

Harry Rentel harry@florarome.com.br

Vinhedo

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ASSUNTO SÉRIO

Com exceção do “pad man” na Índia, ninguém se preocupava com a distribuição de absorventes higiênicos para a população, e, no Brasil, mais que de repente, apareceram defensores. Foi só o presidente vetar um projeto a respeito que apareceu a deixa para a imprensa e artistas se virarem contra esse veto. Até especialistas de botequim falaram a respeito. Hipocrisia pouca é bobagem. A preocupação é criticar por criticar o mandatário da Nação, pouco se importando com as mulheres que necessitam. Algo sério virou assunto político. Teve até mimimi com doação de dinheiro.  Lamentável. 

Reinner Carlos de Oliveira  reinnercarlos1970@gmail.com

Araçatuba

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MENOS IMORAL

Não seria menos imoral, em vez de tirar o “auxílio absorvente”, tirar os auxílios e penduricalhos dos parlamentares que não vivem em estado de miséria e vulnerabilidade social?

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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A CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA

Causa perplexidade a decisão da Justiça paulista de manter presa provisoriamente uma mulher pobre, negra, desempregada, faminta e mãe de cinco filhos menores, que está sendo acusada de tentar furtar alimentos num mercado, avaliados em ínfimos R$ 21,00. Como cidadão e consumidor, irei boicotar o tal mercado que, de forma desumana, mandou prender esta pobre mulher. Já o Judiciário detém o monopólio da aplicação da lei. Gostando ou não de suas decisões, estamos todos sujeitos a elas – este mesmo Judiciário que recentemente concedeu a liberdade provisória para uma milionária acusada de ter pagado R$ 200 mil para que matassem o seu marido. Gostaria de saber o que é mais grave: tentar furtar alimentos avaliados em R$ 21,00 de um mercado ou mandar matar alguém. Por que a mulher pobre, negra e famélica que é acusada de um delito leve e insignificante deve responder presa a um processo, enquanto a mulher milionária acusada de mandar matar pode responder à acusação do crime hediondo de homicídio doloso qualificado, livre, leve e solta? Afinal, qual é o critério utilizado? Não se pode admitir a criminalização da pobreza no Brasil e o dois pesos e duas medidas nas decisões judiciais. A lei deveria valer para todos, de forma imparcial e equânime. O que vemos no Brasil de hoje é a inversão de valores e o uso de critérios questionáveis na aplicação da lei. A pandemia deixou mais de 600 mil mortos até agora, e os responsáveis pelo genocídio seguem impunes. O ministro da Economia tem milhões de dólares num paraíso fiscal e nada acontece contra ele. Agora, se você for uma mulher pobre, negra, desempregada, com cinco filhos, estiver passando fome e tentar subtrair um pacote de miojo, um refrigerante e algo mais, o rigor da lei contra você será implacável.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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RIO DE JANEIRO SEM PAZ

Está em tramitação na Câmara de Vereadores do Rio a proposta de cinco vereadores para liberar, no território urbano da Cidade, a possibilidade de produção de armas de fogo. Desde 1991, a Lei Orgânica do Município, em seu art. 33, proíbe que, no território da Cidade – que é todo urbano – sejam produzidas e comercializadas armas de fogo e fogos de artifício. É uma ótima visão, que perdura até hoje, para facilitar a construção de um futuro de paz para a cidade. Qual a motivação destes cinco parlamentares ao acharem que esta cidade, centro de milícias, precisa permitir em seu território a produção e comercialização de armas? A quais interesses essa iniciativa serve? A iniciativa representa um enorme retrocesso numa cidade que nem sequer tem território para produzir alimentos. Precisamos, sim, de centros de produção de remédios, vacinas, tecnologia de ponta e indústrias criativas, entre outros. A proposta de emenda à Lei Orgânica está na pauta para votação. E, como emenda à Lei Orgânica, não irá sequer à sanção ou veto do prefeito. Precisa de dois terços dos votos dos vereadores. Quem irá colocar a mão nesta cumbuca? É preciso ficar de olho em quais vereadores se colocam favoráveis à bala e à facilitação da violência. Por oportuno, que as palavras do papa Francisco pedindo por “menos armas e mais comida, menos hipocrisia e mais transparência, mais vacinas distribuídas de forma justa e menos armas comercializadas indiscriminadamente” sejam assimiladas pelos vereadores, já que, neste caso, nem sequer estão consultando a população.

Sonia Rabello, jurista, professora colaboradora do Lincoln Institute of Land Policy (EUA) no Programa de Capacitação para América Latina, ex-procuradora-geral do município do Rio de Janeiro e professora titular na FDir/UERJ (aposentada) copelli@gmail.com

Rio de Janeiro

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NOBEL DA PAZ 2021

O Prêmio Nobel da Paz outorgado aos jornalistas Maria Ressa, das Filipinas, e Dmitri Muratov, da Rússia, na realidade é extensivo a todos os jornalistas deste planeta que têm consciência de sua profissão, coragem, espírito de crítica honesta e capacidade de só criticar onde necessário, e competência para noticiar com pormenores que narrem a exata verdade fática. Obviamente, o especialíssimo prêmio não merece ser extensivo aos jornalistas componentes da imprensa marrom, aos que se submetem convenientemente nas primeiras etapas de lutas honrosas e dignas e, ainda, àqueles que vivem para cantar os hinos dos poderosos em suas orquestras indignas de se apresentarem nos palcos que acomodam plateias seletas e exemplares. Assim, poucos restam que possam se sentir homenageados e estimulados. No jornalismo, na verdade, muitos são os eleitos e poucos os escolhidos.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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JORNALISMO PREMIADO

Excelente o editorial do Estadão (9/10) Sem jornalismo, não há paz. Todo cidadão sensato e a favor do regime democrático deve estar orgulhoso com o Prêmio Nobel da Paz conferido a dois jornalistas, Maria Ressa, das Filipinas, e de Dmitri Muratov, da Rússia. Dois países que têm hoje governos autoritários e repressores, mas, mesmo assim, estes jornalistas com coragem lutam a favor da liberdade de expressão e contra a desinformação. O prêmio, também, é um tapa na cara de Jair Bolsonaro, que diuturnamente ofende a imprensa. É importante a cumplicidade da sociedade neste exercício da boa de informação, como destaca o editorial: “Na relação entre jornalismo e paz, revela-se também a contribuição do leitor nessa empreitada de civilidade”. Perfeito!   

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

 

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