Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal o Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2021 | 03h00

Covid-19

Vacinas, aids e a mentira

Novamente o presidente Bolsonaro foi pego na mentira. Desta vez, afirmou em sua live que no Reino Unido pessoas que tomaram as duas doses da vacina contra a covid-19 estavam desenvolvendo a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (aids). Desmentido por cientistas de todo o mundo, Bolsonaro ficou com cara de paisagem pela enésima vez e conseguiu que a live fosse derrubada por Facebook e Instagram. Mas rubor no rosto já não existe mais no presidente.

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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Leviandade

Como diria Cazuza, que país é este em que o presidente passa por cima do seu ministro da Saúde e vem a público alardear que vacinados contra a covid-19 estão desenvolvendo aids mais rapidamente? Será que os bolsonaristas mais fiéis e crédulos no presidente não concordam comigo de que uma informação como esta deveria ser dada pelo ministro da Saúde, com a autoridade técnica que lhe é conferida, após rigorosa checagem da veracidade e credibilidade da origem da notícia? A atitude do presidente beira a leviandade e é mais uma prova cabal do negacionismo deste que foi eleito por milhões de antipetistas, como eu, que não tinham a menor ideia da incapacidade de Jair Bolsonaro para ser até síndico de condomínio.

Ricardo Bruno Rickbruno@uol.com.br

São Paulo

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Descabido

Vivemos uma pandemia que matou milhões de pessoas no mundo, e a ciência se desdobrou para tentar resolver o problema. Laboratórios e cientistas do mundo todo trabalharam para desenvolver a vacina, que minimizou enormemente a disseminação da covid-19. No Brasil, tivemos uma queda acentuada nos números de infectados e de mortes. É completamente descabido, portanto, que pessoas de fora da área da ciência façam pronunciamentos sem sentido sobre efeitos maléficos da imunização. Vamos respeitar o que dizem os cientistas do mundo todo.

Marco Antonio Martignoni mmartignoni@ig.com.br

São Paulo

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A palavra de Bolsonaro

“Conhecereis as mentiras e, mesmo assim, elas me elegerão.” Esta parece que deverá ser a principal passagem da Bíblia de Bolsonaro e de sua camarilha na campanha pela reeleição no ano que vem.

João Di Renna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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Eleições de 2022

Generais e a terceira via

De acordo com o Estadão de domingo (24/10, A12), apenas dois generais aceitaram fazer declarações públicas sobre a polarização política que tem imperado no País ultimamente e que, sem dúvida, além de prejudicar o cenário político nacional e as discussões com vistas às eleições do próximo ano, impede qualquer análise séria sobre possíveis providências que seriam necessárias para recolocar o Brasil na busca do desenvolvimento. Ainda segundo o Estadão, enquanto muitos senhores das Forças Armadas evitam “dar entrevistas para evitar atritos”, os generais da reserva Carlos A. Santos Cruz e Francisco Mamede de Brito Filho não se omitem. “Romper a polarização é importante para o País reconquistar um nível mínimo de consenso político e de diálogo”, disse o general Mamede. Uma grande verdade. Pois é, até quando pessoas de influência e poder de mando – e não falo só de militares – vão optar pela omissão e, indiretamente, por permitir que um governo obscurantista, ignorante e totalmente perdido, em prejuízo do Brasil e dos brasileiros, funcione apenas para proteger seus próprios interesses, nos quais se inclui o principal deles, a reeleição? Ou será que todos os demais concordam com o que tem feito este desgoverno?

Paulo Roberto Guedes prguedes51@gmail.com

São Paulo

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Desigualdade

Cidade Tiradentes

Sou professor de educação infantil na cidade de São Paulo e, lendo a opinião da leitora sra. Izabel Avallone (Fórum dos Leitores, 23/10, A4), que nos apresentou informações da Rede Nossa São Paulo, fiquei chocado com os dados da expectativa de vida de 58 anos do cidadão que mora na comunidade onde trabalho: Cidade Tiradentes. Ali faltam saneamento básico, asfalto e só há um hospital. Ainda assim, o prefeito não se esqueceu de reajustar o seu salário em 46% a partir de janeiro do ano que vem, um absurdo.

Anderson Antonio Vidal mesttrevidal@gmail.com

Suzano

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

MAIS UMA BOA IDEIA

Além de uma cachaça conhecida, apareceu no fim de semana mais uma ideia até melhor que ela: com os sinais de loucura que se acentuam mais a cada dia, o afastamento de Jair Bolsonaro poderia ser feito porque uma pessoa com essa responsabilidade tem de ser excluída de seu cargo de imediato por insanidade. Seria um belíssimo presente de Natal a todos os brasileiros.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

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ESSA TEM ENDEREÇO CERTO

A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que é especializada em direito público, aprovou a Súmula 651, com o seguinte teor: “Compete à autoridade administrativa aplicar a servidor público a pena de demissão em razão da prática de improbidade administrativa, independentemente de previa condenação, por autoridade judiciária, à perda da função pública”. Na verdade, os entendidos dizem que tal súmula foi esculpida e tem o endereço certo para o presidente Jair Bolsonaro. Fica a dica!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobisola@uol.com.br

São Paulo

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FUNDO ELEITORAL

Sei que os eleitores são representados pelos parlamentares que elegeram. Mas tenho certeza absoluta que, se consultados diretamente, a esmagadora maioria dos eleitores seria favorável à extinção do fundo eleitoral. Querem se eleger? Que o façam com os seus próprios recursos e não com o meu, o seu, o nosso dinheiro! 

Renato Fogaça de Almeida rfog@uol.com.br

São Paulo

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NÃO É SÓ O JAIR

É indiscutível a procedência, por parte do Facebook e do Instagram, da retirada da live em que Jair Bolsonaro divulga que pessoas que tomaram duas doses de vacina contra o coronavírus no Reino Unido estariam desenvolvendo aids – mais uma magnânima e criminosa de suas habituais mentiras. É preciso considerar, entretanto, que tal iniciativa só foi tomada por se tratar de uma pessoa pública expressiva, um presidente da república. Pois as plataformas estão abarrotadas de boçalidades dessa natureza, publicadas e replicadas por desconhecidos sem o mínimo impedimento. É evidente que é impossível fiscalizar e derrubar todos os conteúdos ignorantes e mal-intencionados, mas dá pra melhorar bem se houver vontade. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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PRESIDENTE CENSURADO

O presidente Bolsonaro, retirado do ar pelo Facebook quando, em live, associou a vacina contra a covid-19 com a aquisição de aids, nada mais fez, e faz, que reafirmar o fato de ser totalmente inadequado ao cargo que ocupa. Despreparado para ocupar qualquer cargo, aliás, Bolsonaro provou que é totalmente nocivo ao Brasil, além de ser um ser desprezível que, acuado politicamente, prefere afundar o barco que ser afastado de seu comando. Fora, seu trambiqueiro de quinta categoria!

Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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A MENTIRA

A informação difundida por Jair Bolsonaro, que a aplicação de duas doses das vacinas contra a covid-19 estaria desenvolvendo aids, alcançou alguns familiares, obrigando-me a esclarecê-los que se tratava de uma mentira deslavada. Aproveitei para explicar que, no Brasil, essa balela partiu de um indivíduo que, quando militar, ameaçou colocar bombas no sistema de abastecimento de água da sua cidade. Embora o Superior Tribunal Militar tenha livrado sua cara da condenação, viu-se rejeitado entre seus pares, desligando-se do Exército como capitão. Em 1988 foi eleito vereador pelo Rio de Janeiro. Dedo-duro, foi acusado pela imprensa de enviar aos militares denúncias de discursos de colegas com ataques às Forças Armadas. Em sete mandatos como deputado federal, destacou-se por suas grosserias, linguajar chulo e atitudes machistas com suas colegas parlamentares, além de trocar de partido por quatro vezes. Com promessas até o presente não realizadas, elegeu-se presidente submetendo o País à pior governança de sua história, que resultou em mais de 600 mil mortes por covid-19, afastou parceiros comerciais, enterrou a economia e está trazendo pela coleira e inflação de volta. Como sua credibilidade entre as pessoas esclarecidas é igual a zero, agora tenta ludibriar a população menos elucidada, por meio de auxílio financeiro que não sai de seu bolso e notícias mentirosas como a apontada. Em síntese, trata-se de um indivíduo mentiroso, rude, incompetente e aproveitador da boa-fé alheia.

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto 

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DEVER DE CASA

O Brasil está de pires na mão por causa da pandemia e quer alterar o Imposto de Renda PF, PJ e dividendos, mas não precisará se o governo fizer o seu “dever de casa” (extinguir os fundos partidário e político, reduzir a pesada máquina pública e o excesso de penduricalhos dos invejáveis salários nos Três Poderes; férias só de 30 dias no Judiciário e o Legislativo funcionando de segunda a sexta-feira, viagem às suas bases só no último final de semana do mês), e sobrará recursos para o Auxílio Brasil e para investir. O benefício será enorme sem os fundos partidário e político; tornará governável o Brasil, pois, em pouco tempo, tende a reduzir de 33 partidos para uns 6. É a forma sensata de priorizar o Brasil sem aumentar a já pesada carga tributária.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@gmail.com

Vila Velha (ES)

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FOME

Até há pouco tempo atrás, mesmo a população mais carente e desassistida podia pôr no prato o feijão com arroz de cada dia, alguma carne e verduras. Atualmente, tem de se alimentar de ossos, pés, pescoço de frango e restos de comida jogada no lixo. A que ponto chegamos. Pátria faminta, Brasil.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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‘GOVERNAR É POSSÍVEL’

O editorial de 25/10/2021 tem razão ao afirmar que não precisa de um Congresso excepcional para governar, mas há de convir que um melhorzinho produz resultados melhores e a esperança por maior qualidade não deveria ser considerada utopia. Na atualidade temos o suprassumo da inoperância que junta um presidente incapaz com uma Câmara conduzida por um deputado sem princípios que dispõe de uma arca oficial para controlar os colegas, mais fácil do que no tempo do deputado Eduardo Cunha que tinha de fazer mutretas para controlar os colegas do baixo clero. Arthur Lira, que foi seu assistente, conhecendo as dificuldades, criou as tais “emendas do relator”, que dispensam o trabalho de encher o caixa. E o jogo de governar segue com Jair chutando e Lira segurando. E assim segue refém o pobre Brasil, rezando para que o Senado ou o STF atuem como o VAR.

Alberto Mac Dowell de Figueiredo amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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GOVERNO E POSSIBILIDADES

O editorial Governar é possível (25/10, A3) quase lembra a dúbia máxima do general Pompeu “navegar é preciso” e suas consequências e interpretações. Com correção, o desgoverno atual é retirado dessa possibilidade, mas há que lembrar que o período de Fernando Henrique Cardoso, tido como exemplo, foi pontuado pelo escândalo da emenda da reeleição e pela onipresença do “engavetador geral da República”, Geraldo Brindeiro. Tempos distintos, métricas diferentes.

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

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BURACOS NEGROS NA POLÍTICA 

Buracos negros são o resultado de estrelas gigantes que colapsam sobre si mesmas, atraindo tudo o que existe em sua órbita, inclusive a luz, transformando-se em berçário de novos sóis e planetas, numa eterna recorrência emblemática de como funciona o universo de que fazemos parte. Buracos Negros ocorrem na política, em países onde governos entram em colapso cada vez mais seguido, levando nações ao desespero, descrença e desesperança. Diferentemente do mundo cósmico, a política depende do errático comportamento humano, este enigma tão indecifrável e imprevisível. O Brasil, novamente colapsado, é o buraco negro da vez. Se o que está escrito nas estrelas prevalecer aqui também, veremos um novo Sol renascer em 2022, como já aconteceu antes em nossa História de escolhas equivocadas para o cargo mais alto da República.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com 

Porto Alegre

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SONHO EM 2022

A continuidade da crise governamental do atual governo federal, ante principalmente o negacionismo em razão da pandemia que o mundo vivencia, tem efeito nefastos sobre toda a nossa imensa população. A esperança de que nas próximas eleições gerais em 2022 possamos ter candidaturas novas e competentes para substituir as atuais no poder permite que sonhemos com um novo normal a nossa frente, com mais tranquilidade a todos nós, nessa imensa Nação tão sofrida.

José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

OS DESAFIOS QUE NOS ESPERAM LOGO ALI, EM 2022.

Temos um problema grave: falta um projeto de nação. Qual o nosso projeto? E quais as propostas para chegar a ele? Se não decidir isso, ficamos assim: desenvolvendo iniciativas pontuais aqui e acolá, e só. A reforma política é urgente, até para dar condições às outras reformas. Outro ponto bastante importante é que o governo mantenha uma estabilidade econômica, evitando o retorno da inflação. Também é necessário investir mais em educação.

José Ribamar Pinheiro Filho pinheirinhos@gmail.com

Brasília

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MUITOS PARTIDOS E POUCOS PROGRAMAS

São 33 partidos políticos, mas com poucos tendo programas e ideologia em seus textos de comportamento e condução. A grande maioria deles prevê os interesses dos fundadores e a possibilidade de, em junções, propiciarem benesses aos seus criadores. Na realidade, não têm como programa os interesses fundamentais da Nação. Por que existem então? Simplesmente porque está muito fácil o modelo de formação e fundação. Se o Brasil tivesse cinco agremiações políticas, bem estruturadas, com foco para programa direcionado para os verdadeiros interesses nacionais, então teríamos competições eleitorais legítimas e filiados interessados, e não um conglomerado de alienados políticos que aceitam qualquer cooptação para serem integrantes. A continuar essa bagunça partidária, os bons candidatos continuarão sendo misturados com os aventureiros, incapazes de cumprir as tarefas a que se propõem. Como colocar ordem na casa? É só olhar para as grandes democracias do planeta.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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NO BRASIL, O MAL SEMPRE VENCE O BEM

De um lado temos a mídia cumprindo o seu papel: informando sobre tratoraço, superfaturamento, orçamento secreto, compra de base de apoio parlamentar, etc. Do outro lado temos muitos servidores públicos concursados, recebendo altos salários e penduricalhos, lotados na Justiça Eleitoral, nos Tribunais de Contas da União e Estados, na Controladoria-Geral da União, na Polícia Federal, no Ministério Público Federal e Estadual, no Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que deveriam fiscalizar, investigar, processar e punir os corruptos. Mas, driblando os dois lados e a democracia, temos os corruptos, livres, leves e soltos, rindo das nossas caras. E o brasileiro ainda bate palminhas e faz arminha. 

Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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GUEDES E A ESCOLA DE CHICAGO

Bolsonaro garante que já foi proposto, feito e tudo o mais o que o ministro aprendeu na tal “escola de Chicago”. Pior, quem pode não faz absolutamente nada contra isso! E nós, otários pagadores de impostos, vamos aguentar o cara chicagando no País até o final do mandato.

Ademir Fernandes standbyball@hotmail.com

São Paulo

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BOI DE PIRANHA

O “posto Ipiranga” virou boi de piranha de Bolsonaro, justificada, assim, a evasão de seus auxiliares.

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com.br

São Paulo

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IDEIAS QUANDO SE ELEGE REITOR DA USP

Em momento de renovação da reitoria da USP, ambos os candidatos expõem ao Estado suas respeitáveis ideias. Contudo, quando se fala em interação entre a Universidade Pública e a sociedade que é seu sustentáculo, não se pode ignorar a prática, vista em outros países, de instalação de espaços nas cidades voltados à difusão da cultura. Temos muitos imóveis ociosos que poderiam servir à instalação desses espaços, destinados ao diálogo entre professores e a população em geral. Os empregos, cada vez mais rarefeitos sob a crise e no mundo robótico, levarão ao ócio, que não será criativo se a academia, mais do que democrática, deixar de tornar-se essencialmente popular.

Amadeu Roberto Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Cancelamentos ou silenciamentos, repentinos ou gradativos, são atitudes que recorrentemente vêm atingindo pessoas ou instituições que se manifestam em desacordo com o que é considerado no momento – posto que pode se transmudar – como politicamente correto, o que quer que isto signifique. Com exceção dos emissores que pregam ódio gratuito ou excitam ostensivamente a violência, a serem energicamente repelidos – embora tais motivações já tenham sido aceitas por várias sociedades em determinadas conjunturas, como os que deram origem às duas sangrentas grandes guerras deflagradas no século passado na velha Europa –, qualquer outro pretexto para ocultar propositalmente opinião ou posicionamento deveria ser considerado publicamente como abuso preconceituoso, destinado a reduzir ou “domesticar” a liberdade de expressão que, por ser caracterizada principalmente por diversidade, não deveria ser colocada em “jaulas”. É triste constatar o amordaçamento de brilhantes intelectuais e jornalistas, apagados por força de um ambiente que não admite o contraditório sadio, pelo simples fato de não se afinar a interesses dominantes e paroquiais de ocasião.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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AINDA A ILEGALIDADE DOS PRECATÓRIOS

Em seu artigo no Estadão de 22/10 (A saga e os riscos dos precatórios), o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nobrega critica uma das maiores excrescências da nossa administração pública, que são os precatórios. Fui premiado com quatro deles, de natureza alimentar, dos quais só recebi dois, e o último demorou 30 anos. Oriundo de uma dívida desonesta, criada por um administrador público que sabe que não terá de pagá-la, deveria estar capitulada no Código Penal, pois seu autor a empurra para os seus sucessores e, mesmo depois, como precatório, se prolonga por anos a fio. Se meu tipo de precatório me prejudicou muito, imagino aqueles que advêm da desapropriação de imóvel, principalmente se for a residência da vítima. Um fato ocorrido em São Paulo ilustra bem o absurdo de tal prática. Jânio Quadros, então prefeito da cidade, vinha sendo por demais criticado pelo presidente da Associação Comercial de São Paulo. Ele editou um decreto desapropriando a residência do seu crítico, para lá instalar uma creche. As críticas cessaram de imediato e o decreto, claro, foi revogado. Ao propor tirar dos precatórios a verba para o auxílio emergencial, além de furar o teto, o “Posto Ipiranga” transformou-se em uma bicicletaria, pedalando como o seu antecessor, Guido Mantega, depois de trazer de volta a inflação. Foi tão ignóbil, para agradar ao presidente, que implodiu a sua equipe no ministério. O ex-ministro da Fazenda disse que excluir as emendas do relator seria uma saída. Acrescento ainda o orçamento secreto e o cheque em branco, outros dois absurdos que só o Centrão poderia imaginar, e Bolsonaro apoiar, como se fôssemos apenas uma republiqueta. Destituição já. Não dá para esperar 2023.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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