Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2021 | 00h00

Fake news

Justiça seletiva

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato do deputado estadual Fernando Francischini (PSL-PR), por ter ele propagado mentiras sobre fraudes nas urnas eletrônicas. E Jair Bolsonaro, que reiteradamente praticou o mesmo crime, está acima da lei? Tal desigualdade de tratamento só contribui para o total descrédito da Justiça, que, ao assim atuar, não deixa dúvida: é uma Justiça seletiva.

Junia Verna Ferreira de Souza juniaverna@uol.com.br

São Paulo

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Tolices

Ao mesmo tempo que o TSE, muito apropriadamente, cassou o mandato do deputado Fernando Francischini (PSL-PR), por disseminação de notícias falsas contra as urnas eletrônicas, o futuro presidente do tribunal, ministro Alexandre de Moraes, declarou que, “se houver repetição do que foi feito em 2018, o registro (da chapa) será cassado e as pessoas que assim fizerem irão para a cadeia por atentar contra as instituições e a democracia no Brasil”. Se essa atitude fosse adotada nos dias de hoje, não só faltaria cadeia para abrigar os disseminadores profissionais de fake news, como o próprio presidente Bolsonaro cumpriria pena interminável, tamanha a quantidade de mentiras que já disparou contra as urnas eletrônicas desde que assumiu o governo. É evidente que a turma da “liberdade de expressão” que confunde liberdade com bagunça vai protestar, mas isso pouco importa. Fato é que o País está cansado de mentiras populistas, tanto bolsonaristas como lulopetistas, e, assim como o ministro Alexandre afirmou que a Justiça é cega, mas não é tola, o povo também precisar fazer sua parte e deixar de acreditar cegamente em tolices.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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Advertência

O TSE rejeitou por unanimidade, por falta de provas, os pedidos de cassação da chapa Bolsonaro- Mourão por divulgação de notícias falsas durante as eleições de 2018. Para não perder a viagem, no entanto, os togados eleitorais emitiram algumas determinações de advertência, sendo a mais incisiva a do relator do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal e futuro presidente do TSE durante o pleito de 2022, Alexandre de Moraes. Afirmou ele que, se houver repetição do que aconteceu em 2018, o registro da chapa será cassado e os responsáveis, presos. Tudo se passa como se, para alívio de um aluno acusado indevidamente de indisciplina, o mestre o tenha livrado da palmatória, prevenindo-lhe, porém, de que, diante de suspeitas de outras travessuras semelhantes, mesmo sem provas, o castigo será fatal. Patético.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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Contas de luz

Auditoria da CGU

Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) descobriu que os brasileiros pagaram R$ 5,2 bilhões a mais na conta de luz, entre 2017 e 2020, por erros de cálculo do governo e do setor elétrico. Como perguntar não é ofensa, por que será que eles nunca erram nos cálculos que venham a ser favoráveis aos consumidores?

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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Polônia

Muro contra imigrantes

Em 1989, a derrubada do Muro de Berlim foi comemorada efusivamente como uma ode à liberdade. É evidente que tal alegria e conquista se relacionaram mais ao contexto de reunificação de um país e derrocada da União Soviética do que ao conceito de cidadania planetária. Os muros resistem, como é o caso das fronteiras entre os EUA e México, com a construção suspensa, e entre Espanha e Marrocos, sem citar as zonas sujeitas a conflitos bélicos. Um novo muro será construído, agora na fronteira entre Polônia e Belarus, como noticiou o Estado (30/10, A22). As justificativas econômica e legalista são recorrentes, mas certamente ocultam o recrudescimento do preconceito e da intolerância. Parece prevalecer a ideia de que os diferentes devam ser os únicos responsáveis na resolução de suas mazelas, como se muitas dessas não fossem decorrentes das relações de poder e de exploração econômica entre as nações. O que desmorona, agora, é o propalado conceito de globalização, suspeitamente difundido a partir da década de 1980. Prevalecem as visões de segregação e proteção entre países e, pior, entre povos de culturas e etnias diferentes.

Válter Vicente Sales Filho valtersaopaulo@yahoo.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O DINOSSAURO DA ONU NÃO ASSUSTA OS GOVERNANTES

Dias antes do início da Conferencia do Clima (COP26), em Glasgow, na Escócia, a ONU lançou seu garoto-propaganda, o dinossauro Frankie, que discursou na tribuna da organização, como uma forma de amedrontar os governantes e as empresas poluidoras que não agem para reduzir a emissão dos gases de efeito estufa. Ninguém se assustou mesmo ele tendo falado “Não escolham a extinção”, e o que é pior, eles só prometem iniciar as reduções a partir de 2030, se ainda existir vida aqui na terra, porque a civilização dos maias e os dinossauros desapareceram porque esgotaram seus recursos naturais, como as florestas, e pereceram por falta de água.

Esse é o mundo hoje. Os governantes não têm nenhum projeto nem ações práticas em favor da natureza e da vida no combalido e degradado planeta Terra, que lamentavelmente vive na Era do Desconhecimento e da Desinformação. Com tristeza pelas gerações futuras e a biodiversidade.

José Pedro Naisser (ecologista) jpnaisser@hotmail.com

Curitiba

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BOLSONARO E A COP 26

Quer dizer que o pseudopresidente não vai à Escócia para a reunião do clima porque não quer ser hostilizado. Agora ele deveria mostrar o macho que acha que é, quando está nas redes sociais. Pessoalmente não passa de um gatinho. Escondido atrás do notebook e das redes sociais é fácil. Cara a cara não vai ter o que dizer. Mais um vexame para o Brasil, que ultimamente está perdendo de goleada. Tá doendo mais que os 7x1. Quanta vergonha. E ele insiste nas suas teimosias.

Será que nem a mulher dele ele escuta? Não tem ninguém pra falar com ele, dizer que está totalmente errado em um monte de coisas. Uma dose de “semancol” seria ótima, para que a gente pudesse ter a coragem de pôr a cabeça pra fora e poder respirar, sem ser ridicularizado e tachado de todos os nomes feios possíveis e impossíveis. E ainda tem mais um ano.

José Claudio Canato jccanato@yahoo.com.br

Porto Ferreira

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TURISMO

O nobre presidente Bolsonaro e comitiva encontram-se na Europa, em Roma, para reunião do G-20. Torço para manter-se sereno.

Por aqui, o vice Mourão afirmou que o presidente faz bem em não participar da conferência do clima em Glasgow. Todos lhe jogariam pedras. Perguntar não ofende: o que deveriam jogar? Rosas? Crisântemos? 

José Perin Garcia jperin@uol.com.br

Santo André

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BOLSONARO, O FUJÃO

Explica, mas não justifica. O capitão ficou na Itália para ser homenageado pela prefeita Alessandra Buoso do vilarejo italiano Anguillara Veneta (4.212 habitantes). Aguentar poucos protestos locais é muito mais fácil que enfrentar os participantes da COP26 em Glasgow, onde um discurso fantasioso como aquele na 76ª Assembleia-Geral da ONU sobre agricultura sustentável, energia renovável e indústria de baixa emissão não seria aceito. Parabéns presidente por sua escolha, ter a honra de ser homenageado por uma prefeita do partido de ultradireita Liga Norte, em detrimento de participar de uma conferência global que decidirá o futuro das próximas gerações. Greta Thunberg nele!

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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CAPITÃO ATLETA  

O capitão “atleta” Jair Bolsonaro optou por fugir da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Na verdade, pelo seu eterno negacionismo, por desprezar, em todos os sentidos, a Amazônia Legal, arrasada por desmatamento, incêndios criminosos e garimpagem ilegal, Bolsonaro amedrontou-se. Afinal, o “atleta” preferiu correr das pedradas que certamente levaria dos comandantes dos países sérios. É Jair Bolsonaro fazendo sua carreira criminosa e levando o Brasil de roldão!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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INDIGNOS

Existe maior hipocrisia do que os políticos usarem o bilionário Fundo Eleitoral para fazer o eleitor acreditar que ele merece seu voto? Claro que só vale em ano eleitoral, no resto do mandato só se interessam pelas benesses do cargo. Pior que não ficam nem rosados com tamanha enganação!

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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DEMOCRACIA REPRESENTATIVA

As atitudes e ações da classe política brasileira, em todos os níveis, não deixam dúvidas. Aqui no Brasil, sacramentada pelas eleições, a democracia se faz realmente com a maioria: metade dos ludibriados mais um.

Ademir Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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A INCONSTITUCIONALIDADE DA PEC DOS PRECATÓRIOS

Como se sabe, o precatório consubstancia uma dívida líquida e certa decorrente de sucessivas apurações judiciais, até que passa a existir como coisa julgada e sem possibilidade de mais discussões. Assim, o precatório é título de dívida não mais discutível e deve ser pago pelo Poder Executivo, em especial, dentro de uma ordem cronológica estabelecida anualmente e alterada em decorrência dos pagamentos efetivados. Assim, priorizar precatórios de valor menor, pressupondo que pertencem a pobres, e dilatar os pagamentos de precatórios de somas maiores, porque pertencem a ricos ou empresas ricas, constitui desrespeito a direitos líquidos e certos, portanto, o ato que assim é votado e aprovado pelo Poder Legislativo é inconstitucional e não deve prevalecer no mundo jurídico. Aliás, a OAB já declarou à imprensa que a entidade entrará com a medida judicial competente no STF, tornando sem efeito a aventura maléfica aos credores estatais. A PEC dos Precatórios é uma anormalidade jurídica, econômica e financeira, que não pode prevalecer.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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NEGACIONISMO DA EDUCAÇÃO

Fico pensando se as instituições do País tivessem se empenhado em denunciar os desmandos e desvios megalomaníacos da gestão petista, hoje, provavelmente, não estaríamos sofrendo com o desgoverno Bolsonaro. A educação deveria ter sido tratada com prioridade pelos governos, mas não foi o que aconteceu no Brasil, e continua não sendo (negacionismo da educação). O resultado disso só poderia ser esse, a polarização entre um Barrabás e outro negacionista da ciência e da realidade, longe de ser comparado a Jesus Cristo, o Justo. Merecemos opção melhor? Creio que sim, mas pela misericórdia de Deus, que é Pai!

Silvia R. P. Almeida silvia_almeida7@hotmail.com

São Paulo

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AS BESTEIRAS DO MINISTRO

Quem diria que a série histórica das cotações do dólar teria a função de medir o desempenho do ministro da Economia. Ainda em março de 2020, cotado a R$ 4,65, o ministro Paulo Guedes afirmou que, “se fizer muita besteira, o dólar vai a R$ 5,00”. Agora, cotado a R$ 5,62, dá para ver o tamanho das “besteiras” que ele fez.

Jorge de Jesus Longato financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi-Mirim

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A JUSTIÇA (?) DO TSE

O enorme fiasco do julgamento da chapa Bolsonaro-Mourão e dos disparos de milhões de fake news na campanha à Presidência da República que elegeu da dupla, pelo chamado Tribunal Superior Eleitoral, dá uma pálida ideia do Poder Judiciário do Brasil. Os assim chamados juízes têm certeza de que houve disparos eletrônicos de mentiras, que afetaram a votação, mas nada fizeram a não ser lançar ridículas ameaças caso os fatos se repitam em 2022. O que poderia ser mais triste num país sem juízes de verdade? Tudo o que não precisamos são covardes irresponsáveis regiamente pagos para julgar com seriedade, não para passar a mão na cabeça de ninguém, muito menos de quem se mostra desonesto em tudo o que fala e faz. O Brasil vai continuar de luto por falta de um Judiciário eficaz. Até quando?

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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TSE DEFENDE A DEMOCRACIA?

Desde que divulgado o resultado do julgamento do TSE a respeito da chapa Bolsonaro-Mourão estou a me perguntar para que serve a dita “Justiça Eleitoral” fora fazer apuração da votação? Lembrei-me do processo contra a chapa Dilma-Temer, arquivado por excesso de provas, porque não seria conveniente tirar Temer, que assumiu no lugar de Dilma. Um juízo político jogou no lixo quilos e quilos de documentos comprobatórios do financiamento criminoso da campanha de 2014.

Agora, no caso da chapa Bolsonaro-Mourão, o relator do processo colocou tantos níveis para a avaliação das provas que impediu e impedirá a apuração de crimes tais quais os tratados naquele processo. Avaliar se influiu muito ou pouco os disparos em massa no resultado da eleição: como será feita essa avaliação? Uma outra pesquisa eleitoral? Feita por quem e como?

Ao fim e ao cabo, outra decisão de cunho político. Deixa o presidente da República sangrando, assim o ex-presidiário terá mais chances de se eleger.

Cá entre nós: recadinhos de Alexandre de Moraes só demonstram que são bons em gogó, mas em julgar não. Patético, quando não desolador. Não dá para contar com o Poder Judiciário. Mas dizem que as instituições estão funcionando. Pergunto: para quem?

 Ana Lúcia Amaral anamaral@uol.com.br

São Paulo

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TRAVESTIDOS

A notícia publicada na página A10 do Estadão de ontem (30/10) Interesses corporativos unem PT e bolsonaristas no Congresso

(“Maior partido de oposição se alinha à base do presidente em votações de projetos que beneficiam classe política e enfraquecem órgãos de controle”) comprova que no Brasil o regime vigente é uma “ditadura do Poder Legislativo” travestido de “democracia”. Esses senhores (se é que assim podem ser chamados) fazem o que querem, como querem e quando querem, independentemente do interesse da população brasileira que dizem representar (sic).

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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SEM TERCEIRA VIA

A notícia de que interesses corporativos unem PT e Bolsonaristas no Congresso não espanta ninguém minimamente informado, que facilmente observa que as caras que dão as cartas no governo Bolsonaro são praticamente as mesmas que deram nos governos petistas, muitas envolvidas nos escândalo do mensalão e na Operação Lava Jato. Não prosperando a sonhada terceira via, poderemos votar em branco, anular o voto ou escolher qualquer um dos dois, com uma única certeza, a de que a união continuará.

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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A BANCADA DA RACHADINHA MANDA NO PAÍS

O Brasil está perdendo centenas de bilhões de dólares com a inoperância diplomática do governo Bolsonaro. O País poderia ter liderado o mundo na vacinação, poderíamos ter sido o primeiro país a vacinar a população e a sair da pandemia, centenas de milhares de vidas poderiam ter sido poupadas, a economia teria sofrido muito menos. O Brasil poderia estar liderando o mundo nas questões ambientais, recebendo investimentos bilionários, mas graças à visão tacanha e equivocada de Bolsonaro o Brasil se tornou o grande vilão tanto da pandemia quanto das mudanças climáticas. O Brasil tem um presidente da República recebido a pedradas por onde for, grosso, antipático, profundamente incompetente, sem o menor traquejo social, incapaz de se comunicar, não é recebido por ninguém, anda pelos cantos, come no meio da rua porque não consegue sequer entrar em um restaurante por se recusar a tomar a vacina. Bolsonaro se tornou um ônus gigantesco para o País. A bancada da corrupção, dona do Congresso, já deveria ter se dado conta de que o Brasil não tem nada a ganhar com a permanência de Bolsonaro na Presidência da República. É patético saber que Bolsonaro só se sustenta no cargo graças ao apoio inabalável da bancada da rachadinha.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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SOCIEDADE OU ALBERGUE NOTURNO?

O governo Bolsonaro incorre no pior dos mundos políticos possíveis. Ao decompor o equilíbrio das finanças públicas e atrair o bisão inflacionário, faz-nos retornar ao deserto. É como se nada significasse a obra monumental de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso com seus especialistas em economia pública. Também se esfola na areia grossa da recessão. O rompimento de gastos de R$ 1,647 trilhão para R$ 1,680 trilhão, assinalado no editorial do Estado Irresponsabilidade deliberada (A3, 30/10). “Não é o fim do mundo, se bem justificado tecnicamente”, diz Mansueto Almeida. Qual foi a conduta desse governo bem justificada tecnicamente? Admite-se a oitiva do grito da emergência e da concessão de auxílio, mas o populismo reinante não dará nenhum salto de qualidade; apenas o assistencialismo tíbio lançando mão dos precatórios, manipulação de cálculos (pedaladas) e nada de corte sistemático de despesas. Nenhuma mudança tributária efetiva, desenvolvimento econômico sustentável, em suma, para a decolagem dessa aeronave que se chama Brasil e permanece eternamente num hangar já rústico. Se as medidas necessárias para o País não foram tomadas até este momento, não serão praticadas no último ano de governo. Engana-se o tenente-capitão se acha que continuará altaneiro sobre seu cavalo jogando milho à tropa.

Amadeu Roberto Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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RETRATOS DO BRASIL

Aquele velho e surrado dito popular “quer conhecer alguém, dê poder a ele” se encaixa como uma luva na figura do presidente da CCJ do Senado, Davi Alcolumbre. Passados mais de cem dias, André Mendonça aguarda o senador Alcolumbre, envolvido também nas “rachadinhas”, marcar data da sabatina, conforme prega o artigo 101 da Constituição. O senador do Amapá quer usurpar prerrogativa do presidente da República e indicar para o STF Augusto Aras, da Procuradoria-Geral da República. Rodrigo Pacheco, presidente do Senado e do Congresso, observa o imbróglio, muda de partido, é alçado a presidenciável e não toma nenhuma atitude, e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes.

J. A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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AS CULPADAS SÃO AS MÁSCARAS

Acompanho a política nacional há sete décadas e, com certeza, jamais tivemos um chefe do Executivo tão ruim quanto Bolsonaro. Aliás, a bem da verdade, ele superou todas as mais sombrias hipóteses. Não por acaso, também nunca tivemos um Poder Legislativo tão torpe. A desfaçatez com que os membros do Centrão vêm tomando de assalto o Orçamento do governo federal lembra os atos praticados pelos bárbaros, que aprendemos nos livros de história e aos quais assistimos em grandes produções cinematográficas de Hollywood. Só hoje atinei para a provável causa de tanta avacalhação, ao saber da reportagem da revista Veja revelando o caso das rachadinhas do ex-presidente do Senado e atual presidente da CCJ daquela Casa, Davi Alcolumbre (DEM- AP). Entendi que a culpa é das máscaras. Sob a influência da indústria cinematográfica, ficou no nosso subconsciente que, se está de máscara, é para roubar. O senador protestou e se disse perseguido, coisa e tal. Quis atribuir a perseguição ao presidente, por estar segurando a sua indicação para uma vaga de ministro do STF. Ocorre que, pelo Regimento Interno do Senado, ele já extrapolou, faz tempo, o prazo para despachar o tal processo, independentemente do indicado merecer ou não tão honrosa indicação, e já deveria estar respondendo por isso. A acusação é acachapante, acompanhada de provas robustas e, se confirmadas, como parece ser o caso, o senador reuniria duas falhas de caráter, a desonestidade e a impudência. Não por acaso, o senador Alcolumbre anda sumido do Senado, ou quiçá, só mascarado.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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