Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2021 | 03h00

PEC dos Precatórios

O calote do calote

Uma verdadeira bomba fiscal será armada, caso o Senado Federal aprove a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o pagamento dos precatórios. Os governos futuros terão de lidar com um montante de mais de R$ 500 bilhões em dívidas judiciais não pagas, ou seja, será o calote do calote. A informação vem de uma consultoria contratada pela Câmara dos Deputados. A PEC dos Precatórios é, por si só, inconstitucional, visto que altera o princípio da coisa julgada, cláusula pétrea da Constituição. A proposta, amplamente defendida pelo governo Bolsonaro, cria uma verdadeira armadilha fiscal e, ao mesmo tempo, exigirá dos próximos mandatários modificações permanentes no texto constitucional, uma vez que não haverá recursos para pagar o valor acumulado. A não ser, é claro, que haja aumento de impostos. É lamentável que a Câmara tenha chancelado uma medida como esta. Aliás, é igualmente deplorável que o Congresso Nacional se curve a interesses eleitorais, ao invés de pensar no futuro do País. As contas públicas precisam de atenção e de responsabilidade, caso contrário, os problemas econômicos da atualidade serão apenas o início do pior.

Willian Martins martins.willian@yahoo.com.br

Guararema

*

Bola de neve

Adiar parte do pagamento de precatórios, como prevê a PEC em tramitação no Congresso, além de desobediência à Justiça, é como pagar o mínimo no cartão de crédito. O resto a pagar sofrerá juros e correção, virando uma bola de neve que nós, brasileiros, teremos de pagar no futuro. Fácil para o governante atual, muito difícil para os seguintes.

Radoico Câmara Guimarães radoico@gmail.com

São Paulo

*

Uma boa história

Bexiga inclusivo

A edição do Estado de 16/11 (A20) trouxe a prazerosa matéria sobre o Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (Crai), reputado, por suas ações, como padrão internacional pela ONU, o que não só ratifica a proverbial inclinação de acolhimento imigratório da cidade de São Paulo, como também joga luzes sobre o bairro do Bexiga, onde a instituição se situa. Ocupado, de início, por antigos escravizados e, depois, fortemente por italianos, o bairro sempre foi um notável exemplo de inclusão social desde o início do século 20, quando negros falavam italiano e italianos sambavam. Tinha-se uma espécie de “globalização centrípeta”, isto é, de fora para dentro, na qual raças tão distintas se harmonizavam no mesmo espaço habitável, sem formação de guetos ou quarteirões confinados por etnias. Pode-se até dizer que a grande vocação boêmia e artística do Bexiga decorre da singular mescla afroitaliana de sua gente. E a localização do Crai consagra a empatia mágica que o Bexiga desperta.

José D’Amico Bauab, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo josedb02@gmail.com

São Paulo

*

O touro de ouro

A ira de Deus

A respeito da colocação, pela Bolsa de Valores de São Paulo, de um touro de ouro em frente à sua sede, no centro da cidade, uma réplica em fibra de vidro do touro de bronze de Wall Street, em Nova York, ambos símbolos da pujança dos mercados financeiros, cabe relembrar o triste episódio bíblico da adoração do bezerro de ouro pelos hebreus quando da ida do profeta Moisés ao Monte Sinai para receber das mãos de Deus as tábuas sagradas dos Dez Mandamentos. Que o touro paulistano sirva apenas de elemento de ação promocional para a divulgação e atração de futuros clientes para a Bolsa, sem que desperte novamente a ira de Deus. Vai que...

Vicky Vogel vogelvick7@gmail.com

Rio de Janeiro

*

Bode expiatório

O Brasil queria colocar um bode na sala para desviar a atenção dos seus problemas econômicos. Achou uma solução inusitada: um touro na rua, verdadeiro bode expiatório para a situação atual do País.

Luiz Roberto da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

*

Pobreza

A escultura do touro de ouro em São Paulo é muito mais do que apenas cafona, inapropriada, afrontosa, ostentatória e sem originalidade, ela é o retrato da pobreza intelectual e cultural da nossa elite econômica.

Sandro Ferreira sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)

*

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

*

LULA NA EUROPA

Lula com quatro assessores se reuniu com líderes progressistas na Europa durante 12 dias. (Segunda viagem após sair da prisão). Elea promete tudo o que os europeus querem ouvir, sem explicar como vai  colocar em prática. 

Arthur Meili meiliarthur0@gmail.com

São Paulo

*

O PT CONTINUA O MESMO

O PT quer filosofar e montar um programa em cima de verdades que enterrou. Não reconhece os erros e dá a entender que agiu do jeito certo e cumpriu um programa de interesse nacional. Exceto a primeira fase do governo Lula da Silva, época em que houve obediência ao tripé da economia vitoriosa, advinda de FHC: câmbio flutuante, responsabilidade na área fiscal e metas inflacionárias cumpridas. Os tempos posteriores foram de convivência com a corrupção na Petrobrás e em quase todos os setores da coisa pública. E quem poderia confiar em seus programas e suas pregações? Além de prestigiar ditaduras conhecidas no Planeta (Cuba, Venezuela e Nicarágua), sempre quis fazer política e administração em voos solos, dispensando críticas em geral. Cesteiro que faz um cesto, faz um cento. Dá para acreditar?

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

*

LULA

Ao que parece Lula, líder nas pesquisas para a Presidência em 2022, devido às condenações em Segunda Instância, só será barrado como ficha suja na prorrogação do segundo tempo. Dada a indiferença da mídia e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às pesquisas, parece até que a Lei da Ficha Limpa é letra morta. 

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

*

POPULISMO FISCAL

Depois do Bolsonaro, a  nova matriz econômica do PT travestida de populismo fiscal deverá ser o novo inferno dos brasileiros, caso as pesquisas de intenção de voto se concretizem. Dizem que, depois da tempestade, vem a  bonança, mas, pelo  andar da carruagem, os solavancos terão continuidade. A esperança é a decolagem de Sergio Moro.

José Alcides Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

*

LULA VERSUS BOLSONARO

Lula e Bolsonaro envergonham a democracia brasileira, os dois deveriam ser banidos da vida pública, mas não é isso que vai acontecer, os dois serão candidatos à Presidência da República. O octagenário Lula só está em liberdade graças à inoperância do sistema Judiciário, incapaz de concluir qualquer processo e proferir a tal sentença transitada em julgado. O caso de Bolsonaro é muito pior do que o de Lula, Bolsonaro é acusado de crimes gravíssimos, inclusive da morte de centenas de milhares de cidadãos brasileiros. O fato de Lula e Bolsonaro ainda existirem na vida pública, atesta a completa falência das instituições brasileiras e é motivo de enorme vergonha para a população. É uma grande mentira dizer que o povo não sabe votar, o correto é dizer que o sistema político partidário brasileiro não sabe escolher candidatos, é um acinte o País ter de escolher entre Lula e Bolsonaro.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

*

MORO COMO TERCEIRA VIA

Lamento ter de discordar do sr. Edmar Monteiro (Fórum dos Leitores, 12/11). Se o ex-juiz Sergio Moro optou por deixar uma carreira notável para trás e integrar o governo Bolsonaro, provavelmente não foi porque considerou o ex-capitão uma sumidade, mas achou que poderia contribuir com sua experiência de homem público e seu extraordinário saber jurídico. Além disso, ao deixar o governo em abril de 2020 mostrou sua grandeza de princípios e valores, que não compactua da podridão de negociatas que corroem a base das instituições democráticas: a ética e a moralidade administrativa. Assim, Sergio Moro é uma excelente opção como "terceira via", tendo a capacidade de agregar nomes que rejeitam tanto Lula como Bolsonaro e, mais que isso, acreditam que o Brasil necessita urgentemente de um projeto a ser posto em prática para avançar. 

Maria Lucia Ruhnke Jorge mlucia.rjorge@gmail.com

Piracicaba

*

MAU PASSO

Um passo mal dado pode ser considerado um passo para trás, querem um exemplo? Sergio Moro jamais deveria ter deixado a magistratura. Logicamente que a vida é dele, mas não se pode negar que arcamos com boa parte do seu prejuízo.

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@lwmail.com.br

Niterói

*

ESCOLHAS

Se Geraldo Alckmin pretende retornar à política  se aproximando de Luis Inácio Lula da Silva, melhor ele continuar exercendo a medicina.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

*

DEBATE ENTRE OS TUCANOS 

Nada melhor para a democracia do que realizar as prévias entre os pré-candidatos majoritários dos partidos. Como o bom exemplo, o PSDB escolherá seu candidato ao Planalto no próximo dia 21. Melhor ainda, quando ocorrem debates pela corrida presidencial, como esse realizado nesta sexta-feira (12/11) pelo Estadão com três pré-candidatos tucanos, Arthur Virgílio (AM) e os governadores Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP). O que ajuda o eleitor a conhecer melhor os postulantes a esse cargo maior da nossa República.  E não me surpreendeu verificar os momentos de estocadas entre os pré-candidatos, já que não estavam como turistas nesse evento. Foram boas suas posições sobre o meio ambiente, além de serem contrários ao furo do teto dos gastos, ao calote dos precatórios, ao orçamento secreto, etc. Ênfase também aos setores da saúde e educação, já que não discordam da necessidade de maior atenção do Planalto a esse setor. Mas que, nesta gestão de Bolsonaro, se transformaram em autêntico desastre. Parabéns, ao Estadão e aos pré-candidatos por aceitarem como cúmplices da democracia participar desse importante debate.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

*

PEC DOS PRECATÓRIOS

O artigo 5.º da Constituição assegura a irretroatividade da lei, garantindo o direito adquirido e a coisa julgada. Trata-se de direito fundamental. A mesma Constituição veda a apreciação de projeto de lei que o altere. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu serem inconstitucionais as emendas que, em 2000 e 2015, prorrogaram o prazo para pagamento dos precatórios. Mas não é que a Câmara apreciou e aprovou essa nova PEC, protelando o cumprimento da coisa julgada? Será que o Senado tambem vai apreciar e julgar?

Nevino Antônio Rocco nevino_a_rocco@aasp.org.br

São Bernardo do Campo

*

TRABALHADOR PREJUDICADO

Dois anos atrás, para reduzir o déficit da Previdência, o trabalhador foi prejudicado, aumentando a idade para a aposentadoria. Agora, para privilegiar o patrão, querem reduzir sua contribuição, ou seja, aumentar o déficit. É sempre assim, prejudicam o trabalhador e premiam o patrão! Aguardem a  nova reforma da Previdência! 

Renato Maia casaviaterra@hotmail.com

Prados (MG)

*

APENAS VAIDADE

Paulo Guedes é um péssimo ministro da Economia. Faz, por vaidade, qualquer coisa que Bolsonaro lhe peça. 

Iria de Sá Dodde iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

*

COP-26, APENAS PROMESSAS

Alguns avanços e muitas frustrações em mais uma Conferência Mundial sobre o Clima. Um embate entre jovens e ambientalistas versus interesses econômicos de grandes países industrializados pautaram a COP-26 de Glasgow, como se esperava. Grandes mudanças climáticas naturais sempre ocorreram no planeta ao longo de 4,5 bilhões de anos. Mas, desde 1769, com o advento da máquina a vapor, de James Watt, o homem passou a intervir de maneira muito mais intensa nas mudanças climáticas. O desenvolvimento industrial e comercial  nestes 250 anos, em paises ricos e poderosos, explicam a resistência em mudar seus modelos de fontes energéticas (carvão, petróleo, gás metano e outros combustíveis fósseis) para as fontes renováveis de energia. A tão sonhada Revolução Verde,  de uma nova era, ainda vai acontecer em passos lentos. Interesses econômicos de nações ricas e de países incompetentes ainda pautam a vida sobre a Terra. De promessas e boas intenções o inferno continua cada vez mais cheio.

Paulo Sergio Aris paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

*

PROBLEMA DO ENSINO

Há anos o problema no ensino no Brasil é que se preocupam com a forma, e não com o conteúdo. 

Fernando de Oliveira Geribello fernandogeribello@gmail.com

São Paulo

*

DESRESPEITO URBANO

Trabalhei por vários anos no centro antigo de São Paulo - precisamente na área financeira da Rua Álvares Penteado com o Anhangabaú - e vejo hoje um desrespeito à cultura  da cidade, o touro de fibras dourado colocado em frente à Bolsa de Valores, numa imitação tacanha ao da área financeira de Nova York.

Sendo assim, em breve, se o Palmeiras for campeão da Libertadores,  outra financeira vai colocar um porcão verde na Avenida Antártica. As áreas públicas da cidade  podem ser agredidas assim por “monumentos” desse tipo? Pagam por isso? Seria melhor se os colocassem dentro das suas propriedades. 

Adriles Ulhoa Filho adriles@uai.com.br

Belo Horizonte

*

PAPA FRANCISCO

A impressionante lucidez ética do papa Francisco, ao agradecer aos jornalistas por exporem os assédios sexuais na Igreja, demonstra como as lideranças de quaisquer instituições deveriam agir. Essa postura do líder católico reflete a modernidade dessa liderança nesses tempos atuais, em que nada mais de errado ou antiético pode ficar oculto para sempre. Mas que os negacionistas antiquados tentam desesperadamente e arcaicamente preservar.

José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

*

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.