Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo;

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2021 | 03h00

Educação

Incompetência exposta

Ao ler a notícia de que prefeitos deixaram de investir R$ 15 bilhões em educação (Estado, 6/12, A10), entendemos por que a educação de nossas crianças colhe resultados pífios. Quando a pandemia chegou, nenhum professor sabia dar aulas online, mas na iniciativa privada os docentes aprenderam rápido a como continuar com as aulas. Já as escolas públicas fecharam as portas e se esqueceram do compromisso com as famílias, crianças e professores. Por que os alunos não receberam os tablets prometidos? Por que os professores não foram treinados? Agora, a poucos dias do fim do ano, os prefeitos se preocupam não com a educação, mas com o que fazer para não serem punidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. É a incompetência exposta. Pobre Brasil!

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com 

São Paulo

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Reforma política

‘Depois de mim, o dilúvio’

Ninguém duvida de que o poder político centralizado no presidencialismo de coalizão só nos levou a um estado de crise crônica, de desigualdade social e miséria, em que boa parte da sociedade vive miseravelmente e o País não se liberta da estagnação. Assim, as discussões sobre o semipresidencialismo e o parlamentarismo, com reforma constitucional sujeita a referendo popular, devem visar a mudanças já em 2022. É certo que os povos da América Latina depositaram maiores esperanças em líderes carismáticos do quem em participação cívica, como disse José Álvaro Moisés ao Estado (5/12, A10). Uma reforma política é imprescindível já para 2022, não para o distante 2030, como querem políticos que se armam do escudo “depois de mim, o dilúvio”.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br 

São Paulo

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Semipresidencialismo

A PEC do semipresidencialismo tem graves falhas no seu desenho institucional: 1) em reunião conjunta do Congresso, o Senado poderia rejeitar três vezes o primeiro-ministro aprovado pela Câmara dos Deputados, com o objetivo de forçar sua dissolução, provocando um confronto entre as duas Casas Legislativas, já que a medida não atinge o Senado; 2) o presidente da República apresentar moção de censura contra o primeiro-ministro colocaria o chefe de Estado no papel que caberia à oposição ao chefe de governo no Parlamento, e, assim, provocar um choque entre os Poderes; 3) o presidente da República propor ação de inconstitucionalidade preventiva no Supremo Tribunal Federal contra a “pauta-bomba” aprovada pelo Congresso, mas ainda não sancionada, exacerbaria o embate político na Praça dos Três Poderes, com a judicialização da política no Supremo.

Luiz Roberto da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br 

Campinas

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Meio ambiente

Protecionismo europeu

O desmatamento da Amazônia deve provocar o bloqueio europeu a commodities produzidas pelo Brasil já em 2022, como acentuou a ex-adida comercial da França no Brasil Emily Rees, segundo normas submetidas a um longo processo de consulta pública do qual o Brasil deixou de participar. Esta onda protecionista ameaça, diretamente, US$ 50 bilhões em exportações de carne bovina, soja, farelo de soja e café, totalizando 50% das vendas externas do agronegócio brasileiro. Uma péssima notícia. Sem dúvida, começamos a assistir, na prática, às consequências da falta de compostura dos governantes brasileiros que, em 2019, ofenderam a primeira-dama francesa. “Feia”, mesmo, é como ficará a economia brasileira após os embargos programados.

Gary Bon-Ali gary.bonali@gmail.com 

São Paulo

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Mercúrio legalizado?

Prefeitos do Amazonas viajaram a Brasília com garimpeiros para discutir a exploração de ouro no Rio Madeira. Tradução: querem pressionar parlamentares para legalizar a perturbação ambiental resultante da sucção do lodo pelas dragas e o envenenamento de pessoas, da água, dos peixes, das plantas e do ar pelo uso do mercúrio na extração do ouro. Essas autoridades deveriam incentivar, isso sim, o uso de outros métodos de extração do ouro, entre os quais a separação mecânica e a pelo uso do tiossulfato, um método aplicado com sucesso na Austrália desde 2018. É melhor pagar um pouco mais pelo ouro ou continuar com um método criminoso e medieval em detrimento da saúde e do meio ambiente?

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

 

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PANDEMIA E PONDERAÇÃO

Quando questionado sobre a nova cepa da Covid-19, o ministro da Saúde,  Marcelo Queiroga, disse: “Nesse momento é necessário ponderação e equilíbrio”. Como perguntar não é ofensa, ministro, será que o excesso de ponderação e equilíbrio  não foi o principal motivo da morte de mais de 600 mil brasileiros?

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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CARNAVAL

O prefeito de São Paulo diz que ainda há tempo para a realização ou não do carnaval. É um tema delicado, afinal, a sua realização aos cofres públicos é importante, mas as possíveis mortes por covid entrarão na sua conta, prefeito.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

São Paulo

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MEDIDAS NECESSÁRIAS

Não à toa o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, se recusa a ocupar o gabinete do ex-prefeito Bruno Covas. Covas era um político de visão, responsável e ponderado, não exitava em tomar medidas impopulares, mas corretas, diante das instabilidades funcionais causadas pela pandemia. Será que Ricardo Nunes acredita que na aglomeração da festa de réveillon todos usarão máscaras? Será que espera ou terá condições de oferecer fiscalização eficiente? E o que fazer após uma avalanche de contágios na cidade? Fecha-se tudo novamente?  Uma falta de respeito com a população e com os profissionais da saúde; uma irresponsabilidade populista diante da tragédia que ainda bate em nossas portas.

Ana Silvia Machado 

anasilviappm@gmail.com

São Paulo

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FUNDOS ELEITORAL E PARTIDÁRIO

Imagine um empresário que, ao desejar desenvolver seu negócio, em vez de captar os recursos necessários para tal via financiamentos legais, a serem amortizados pelo seu trabalho, ou mesmo lançar mão de economias próprias, acumuladas ao longo do tempo, resolve partir para uma solução ousada que consiste em diminuir os salários de seus funcionários e usar o produto dessa rapina a fundo perdido em investimento, o que resultará, em última análise, no aumento de sua fortuna pessoal. Esta é mais ou menos a lógica dos polpudos fundos eleitoral e partidário, sem os quais nossos "representantes" no Congresso afirmam ser impossível "fazer" democracia. 

Paulo Roberto Gotaç

pgotac@gmail.com>

Rio de Janeiro

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LULA LIVRE

Chamam de legalismo, fundamentalismo, positivismo, etc. as ações dos que tudo justificam pelas letras da Lei. Tudo isso, claro, quando interessa. Mas há os que realmente acreditam e confiam nessa sacralidade do literal, mormente quando possui o pedigree nas letras de uma Constituição Federal. E foi assim que a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), com seu voto de minerva, garantiu a impunidade legal, fundamentalista e baseada no Direito positivo, do ex-presidente Lula, embora este estivesse condenado por nove juízes, desembargadores e ministros da Corte judicial superior. Nada como meandros de leis, exegeses, hermenêuticas, doutrinas e jurisprudências para jamais aclarar o que é justo ou injusto, devido ou indevido, moral ou imoral. Mas bem-vindos todos os candidatos às eleições presidenciais de 2022! Pois o povo brasileiro poderá, então, dar seu voto obrigatório como verdadeira água benta de batismo às impolutas personalidades históricas que serão devidamente julgadas apenas pelo tempo, esse inapelável juiz que sabe, melhor do que ninguém, separar o joio do trigo e os verdadeiros heróis dos farsantes de ocasião.

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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PERFIL DE BOLSONARO

Retrato definitivo da alucinação política por que atravessa o Brasil neste quadriênio de  horror governamental, o editorial   de 5/12 (Um Estado para chamar de seu, A3) disseca corpo e alma de um governo   anti-democrático em marcha batida para o totalitarismo absoluto.  Única meta do clã Bolsonaro, pela qual luta incansavelmente é   transformar todas as forças militares do Estado em seu exército   particular, garantidor de uma ditadura vitalícia, como os piores  regimes totalitários da história. "Eu sou o Estado" é como pensam   e agem todos os candidatos a ditador. 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmai.com

Porto Alegre

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AUTORITARISMO 

Eleitores brasileiros de bem devem ler mais este alerta do editorial deste combativo jornal (Um Estado para chamar de seu, 5/11, A3), que define as intenções nefastas do presidente Jair Messias Bolsonaro, que está transformando o nosso constitucional Estado Democrático de Direito em um instrumento particular a seu serviço e a dos seus. Bolsonaro criticou Lula pelo aparelhamento do Estado, mas o que quer, como demonstra o editorial, é "o Estado a serviço do governo, o governo a seu serviço". Em outras palavras: autoritarismo ditatorial. Já o faz em relação ao Exército dele, a Constituição dele e a umbilical caneta dele. Pergunto: ainda há no Brasil políticos, partidos sérios e instituições para nos proteger?

Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut

h.halbsgut@hotmail.com

Rio Claro

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SEGREDOS

Alô, Supremo Tribunal Federal, já que os Congressistas (Câmara e Senado) resistem em revelar os políticos que usaram nossos impostos em emendas secretas, que tal o STF começar a julgar os deputados e senadores que têm pendências com a Justiça, ou isso também é secreto?

Tania Tavares   

taniatma@hotmail.com  

São Paulo   

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DEBOCHE

A legenda da foto que aparece da página A12 do Estadão (3/12), mostrando o novo ministro do STF abraçando efusivamente o presidente e vice-versa, ambos gargalhando de orelha a orelha,  não é adequada. A legenda que melhor retrataria a imagem seria: "Tá dominado! Tá tudo dominado!"

José Claudio Marmo Rizzo

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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PROFISSIONALISMO X GRATIDÃO

Embora a indicação inicial do nome do dr. André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha sido feita pelo presidente da República, a conquista da vaga no STF foi pelo próprio mérito de qualificação profissional. Agora que a sua indicação foi aprovada pelo Senado e, inclusive, homologada pelo STF, o sr. Mendonça é um ministro da Suprema Corte do Brasil. Assim, o povo brasileiro espera que as suas decisões judiciais sejam baseadas exclusivamente na Constituição Federal, e não a quem se deve a gratidão pela indicação.

Tomomasa Yano

tyanosan@gmail.com

São Paulo

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VALE METADE DO GÁS

O "vale gás" anunciado pelo governo federal no valor de R$ 52 deveria se chamar "vale metade do gás" ou ainda "vale menos da metade do gás". O valor médio do botijão de gás no País está em R$ 102 e há regiões em que o custo passa dos R$ 112. Em vez de promover esse tipo de política ineficiente, assistencialista e sem efeito prático de fato, o governo deveria estar empenhado em segurar o aumento sucessivo, constante e quase desesperador do gás GLP e dos combustíveis de modo geral. Não há salário, bolsa isso ou aquilo que dê conta de tanto reajuste em um período tão curto de tempo.

Willian Martins

martins.willian@yahoo.com.br

Guararema

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‘A MALDIÇÃO DA DESIGUALDADE’

É a primeira vez que tenho esse tipo de interação com vocês que admiro tanto. Caro PH.D., sr Claudio de Moura Castro, de vez em quando ficou de mal com o Estadão e penso em cancelar minha assinatura, mas sempre aparece alguma situação para me mostrar como esse nosso relacionamento de altos e baixos é precioso na minha vida. Hoje quem fez esse papel foi seu artigo (5/12, A8). Li o texto tomando meu café da manhã como sempre faço, quando cheguei na metade voltei e comecei a ler em voz alta para a Regina, minha companheira há mais de 34 anos, coisa que só faço quando acho que o artigo é surpreendente, quando considero que realmente faz a diferença e tornará nossa vida mais interessante, rica e desafiadora. O artigo é brilhante pela forma que consegue fazer com que uma pessoa totalmente leiga no assunto como eu tenha uma espécie de epifania e compreenda que muitas das coisas que pratica e acredita, mais por intuição do que pela razão, fazem sentido. Seu artigo desperta o desejo de estudar mais sobre o assunto do repertório linguístico, do poder das palavras para o desenvolvimento cognitivo, das conversas, da “norma culta” e você faz isso sem precisar usar os termos do seu doutorado, faz isso com o sentido e a simplicidade que somente as pessoas muito evoluídas intelectualmente conseguem fazer. Na minha rotina diária, sou defensor de que as pessoas precisam evoluir, para isso, incentivamos um ambiente de trabalho em que os indivíduos tenham a oportunidade de se expor, de se educar, falar, debater, em que seus braços possam ser estender além das suas responsabilidades, em que tenham cada vez mais repertório, em que compreendam o mundo em que vivem, além do ambiente de trabalho, enfim, que evoluam. Minha realização é a evolução dessas pessoas. Obrigado pelo artigo por muitos motivos. Como ficaria cansativo relatar aqui, listo os dois principais: 1) dar-me consciência de que a palavra é a matéria-prima do pensamento e que posso continuar no meu caminho de estimular a evolução das pessoas pelo crescimento do repertório; 2) por ter me dado o raro privilégio de ler seu artigo para a  minha amada Regina. Muito obrigado pela centelha de pensamento.

Cassio Roberto Dias Brigide

cassio@nadir.com.br

São Paulo

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RECONHECIMENTO 

Parabéns ao Estadão por esse merecido prêmio, “Mídia do Ano”, conferido pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). Prêmio esse pela ousadia do jornal, que, depois de 146 anos de vida, mudou para melhor seu formato! E também pelo outro Prêmio ANJ, de liberdade de Imprensa, pelo reconhecimento ao exaustivo trabalho do consórcio de Imprensa no combate à desinformação em meio a essa pandemia. Aplauso a todos envolvidos nesta nobre arte do jornalismo!

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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‘MÍDIA DO ANO’

Cumprimentos ao Estadão nosso de cada dia por ter sido merecidamente escolhido como A Mídia do Ano pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial na 47ª edição do Prêmio da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), pela disruptiva mudança da edição do centenário jornal, do tradicional formato standard para o novo e moderno berliner, após 146 anos de vida. No conteúdo, o respeitado Estadão, manteve seu histórico e inegociável compromisso com a rigorosa apuração e publicação dos fatos, com a verdade, a liberdade de impressão e de expressão. No formato, o aggiornamento para o novo Estado, mais leve e ágil na leitura e no manuseio, em total acordo com os novos tempos.

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

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VIDA LONGA

Gostaria de dar parabéns a toda a equipe do Estadão pelo prêmio recebido da Associação Nacional dos Jornais (ANJ). Realmente o jornal ficou mais agradável em todos os sentidos: leitura, conteúdo, formato, cores. Vida mais do que longa ao Estadão!

Petuel Preda

petuelpreda@gmail.com

São Paulo

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