Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2022 | 03h00

Pandemia

A vacina e as federais

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, publicou uma portaria esdrúxula, parecida com aquela de fazer consulta pública sobre a vacinação das crianças de 5 a 11 anos, proibindo as universidades federais de exigir dos estudantes o comprovante de vacinação contra a covid-19 para o retorno das atividades presenciais este ano. Tal proibição seria um problemão para muitas universidades com estrutura física de salas de aula e laboratórios que não permitem o afastamento dos alunos. O que ele fez para repor as perdas das verbas das universidades em 2022, que foram 15,3% menores em 2021 que em 2019? Vai ajudar a recuperar as verbas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), cujos orçamentos caíram 73,4% desde 2015? Claro que não. Mas o que importa é obedecer à orientação antivacina do presidente Bolsonaro, permanecendo, assim, na cadeira de ministro. É assim sempre: “um manda e o outro obedece”. E dane-se o Brasil!

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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Autonomia universitária

Novamente o governo federal agride a Constituição. O princípio da autonomia universitária antecede historicamente a formação do Estado em âmbito mundial. Outrossim, subordina-o sob o aspecto da relevância constitucional ao proclamar o predomínio das mais elevadas instituições que veiculam o pensamento humano. Pensadores como Lafayette Pondé, Ortega Y Gasset, nosso contemporâneo mestre de direito administrativo Celso Antônio Bandeira de Mello e tantos outros de ilustre lavra proclamam unanimemente o princípio. O constituinte brasileiro originário, de 1988, estampou-o no artigo 207 sob o aspecto administrativo, margeado por uma plêiade de normas jurídicas que tutelam a liberdade, a começar da independência didático-científica. Quase cotidianamente, no desbussolado governo Bolsonaro, que não sabe como governar um país constitucionalizado, o Supremo Tribunal Federal (STF) é chamado para exercer seu dever de guardião de nossa Lei Maior, ante a insensatez do ministro da Educação, Milton Ribeiro, consistente na exigibilidade do passaporte funcional somente por lei. Tem-se certeza de que este governo despreza seu povo ao negar as medidas protetivas da pandemia.

Amadeu Garrido

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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USP

Ruy Castro

Na entrevista publicada pelo C2 de 30/12/2021, Ruy Castro comenta de forma derrogatória o papel deletério “da USP” na promoção da memória da Revolução Modernista de 1922, que teria cancelado outras manifestações de vanguarda na arte brasileira. Suas palavras, atacando a Universidade de São Paulo, me lembraram as expressões de um vídeo veiculado na época da eleição de Bolsonaro no qual os irmãos Weintraub (Arthur e Abraham) referiam-se à USP cuspindo de lado, com nojo, ou das afirmações igualmente depreciativas de Olavo de Carvalho sobre a instituição. A USP é uma instituição de ensino e pesquisa, pública e gratuita, com mais de 240 cursos de graduação, mais de 230 cursos de pós-graduação, quase 6 mil professores e quase 100 mil alunos de graduação e pós-graduação. É interessante e reveladora esta forma pouco precisa de se referir a uma instituição que nunca policiou ou censurou a manifestação de seus professores e intelectuais e sempre defendeu a diversidade de opiniões.

Walter Colli, professor emérito da USP

walcolli@iq.usp.br

São Paulo

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Tragédia na Bahia

Empilhando crueldades

Mantendo seu modo negacionista, o presidente Bolsonaro expôs nosso país mais uma vez ao ridículo. Decidiu não aceitar apoio e ajuda oferecidos pela Argentina aos flagelados pelas enchentes no sul da Bahia. Bem verdade que “negar” é, sem dúvida, marca registrada deste governo. Decidir não aceitar auxílio do país vizinho foi uma insolência desmedida. Lembra a oferta de oxigênio pela Venezuela aos infectados pela covid-19 em Manaus, igualmente recusada. Sabe-se que, agora, o maior problema na área afetada pelas chuvas na Bahia é a falta de água potável – e transformar água suja em potável é exatamente uma das especialidades dos técnicos oferecidos pelo país vizinho. Continuamos empilhando crueldades deste governo.

José Perin Garcia

jperin@uol.com.br

Santo André

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


Feliz 2022, Brasil!

Que 2022 traga boas notícias e que sonhos e projetos se tornem realidade. É apenas uma mudança no calendário, mas é também oportunidade para um momento de pausa na caminhada, de olhar para trás, para retornar o caminho com mais alegria e esperança. O que vem por aí. O ano de 2022 será de desafios para as cidades, o País e o mundo, mas tem tudo para ser divertido. Ver as coisas com otimismo é o começo para fazer de 2022 um ano de paz. Desejo a todos muita paz, alegria e um País mais tolerante. Nenhum ano será realmente novo, se continuarmos a cometer os mesmos erros dos anos velhos. Sejamos melhores do que somos agora. Por dias melhores. Deus abençoe o Brasil. Feliz todos os dias de 2022 e bem-vindos acontecimentos! Que seja um ano de crescimento e positivismo para todos.

José Ribamar Pinheiro Filho pinheirinhosb@gmail.com

Brasília

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Brasil em 2022

Por tudo o que aí está, Executivo, Legislativo e Judiciário, em todos os níveis, são os responsáveis, sim. As vãs promessas de ontem são a crise de hoje.

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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Confrontação

Ridícula a confrontação de Rui Costa ante Bolsonaro, aceitando a colaboração de 10 profissionais argentinos de áreas diversas para apoio às vítimas das catástrofes na Bahia. A Argentina, quebrada, nada pode oferecer em material e o número de profissionais é simbólico. O Exército está na área com mais de 200 homens, não mostrados pela mídia. Às vezes, aparece um helicóptero militar muito grande: é da frota de Black Hawks do Exército. Rui Costa quer capitalizar a crise, quer R$ 80 milhões só para ele, mas não dá conta dos R$ 48 milhões dos respiradores pagos e nunca entregues. Aquieta, Rui, põe dinheiro do Estado da Bahia, a dinheirama do ICMS sobre combustíveis, do qual você não abriu mão para baratear a gasolina. Perdeu! Perdeu!

Roberto Maciel rovisa681@gmail.com

Salvador

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Chuvas na Bahia

Por que tanta fúria, oh, chuvas que caem no Estado da Bahia? Cidades estão sendo destruídas. Está morrendo gente. Casas, móveis, eletrodomésticos, animais, tudo indo embora. Oh, chuvas, o que será daquela gente agora? O que esperar em tempos tão difíceis? Quanta desilusão! Aquele que está fora pode dizer “levante a cabeça e dá a volta por cima”. Ah, que fácil solução. Oh, chuvas que caem no Estado da Bahia. Tanta fúria, nunca vi. São águas que levam tudo. Não dá para passear de jet-ski. 

Jeovah Ferreira jeovahbf@yahoo.com.br

Taquari (DF)

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Perguntas que merecem respostas já

Ante a foto estampada no Estadão há alguns dias, do presidente passeando em Santa Catarina, enquanto a população sofre perdas extraordinárias na Bahia com uma enchente inédita, ao lembramos de quantas vítimas da pandemia, que sucumbiram apenas pelo fato de o presidente atrasar o início da vacinação no Brasil ­– bem mais do que os 100 mil soldados brasileiros mortos na guerra contra o Paraguai ­–, quando um médico que está ministro da Saúde faz declarações que ofendem a nossa inteligência, praticamente rasgando o seu diploma, para agradar a um presidente retrógrado e ignorante em Medicina, temos o direito de indagar às pessoas que detêm algum poder, para impedir tantos desatinos que agora colocam em risco as nossas crianças. À primeira-dama, no sentido de se manifestar, ante a declaração do presidente de que a sua filha de 11 anos não será vacinada. A segunda, para o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, do que mais será preciso para ele dar prosseguimento aos inúmeros pedidos de impeachment de Bolsonaro? A terceira, para o presidente do Conselho Federal de Medicina, mais o que ministro médico Marcelo Queiroga precisa fazer para que se dê início ao processo de cassação do seu diploma? E a quarta, aos nossos parlamentares, para que digam quantas vidas perdidas ainda serão necessárias para que se dignem a afastar o pior presidente que o País já teve?

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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Quando o dolce far niente é injúria real

Férias são merecidas por todos e, obviamente, pelo presidente da República. Mas é escárnio quando este desfila em motociatas num país de esfomeados e goza de prazeroso tédio nas praias de Santa Catarina, limitando-se a despachar às terras arrasadas da Bahia seu ministro da Cidadania, João Roma, e a editar medida provisória de R$ 200 milhões para auxiliar a recompor ampla infraestrutura do Estado destruída (O Estado, editorial de 29/12/2021). É o presidente que mira sua conduta pessoal no imperador romano Calígula, conhecido, entre outras “virtudes”, por sua natureza extravagante e cruel.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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As duas imagens

Uma, a do povo baiano tirando colchões e camas, fogões e armários da enchente que, feroz, desfaz na lama o sonho desses fustigados brasileiros; e aquela outra imagem, a do presidente navegando, solto e feliz, no jet-ski, bem ao estilo de homem descompromissado com a Nação e com a realidade que a fustiga.  Essas duas imagens em oposição talvez sirvam como fiel da balança na escolha do novo presidente. Claro que não faltarão os bajuladores e, para que não percam nem voz nem entusiasmo, acertam que o presidente é humano, de carne e osso. Mas, durante a pandemia, e as enchentes que afogam grande parte do Brasil, não é de bom timbre esse comportamento desleal para com o povo, faltando com a obrigação primária de um presidente: a de estar do lado de seu povo, no bem e no mal; na alegria e na dor.

Angonio B. Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo

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As férias do presidente

O que faria sentido para uma pessoa que não se importa com mais de 600 mil mortes estar diante de 21 mortes? Nada.

José Roberto Palma palmajoseroberto@yahoo.com.br

São Paulo

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Milhões ou bilhões

Para socorrer desabrigados, o governo liberou R$ 200 milhões. Para eleger políticos mercenários, liberou R$ 4,9 bilhões. Este é o Brasil!

Renato Maia casaviaterra@hotmail.com

Prados (MG)

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A obrigação de resolver o drama das águas

O drama das águas. Vastas regiões são assoladas pelo transbordamento de rios e a inundação de vias públicas, moradias, negócios e uma série de outros contratempos. Esse é um quadro recorrente. Ora na Bahia, Minas, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e em praticamente todos os pontos do território nacional. É prova de que só há mobilização quando ocorrem tragédias e somos obrigados a socorrer desabrigados e sepultar mortos. Mas nada ou pouco se faz durante o período da seca, que é pelo menos três vezes maior que o das águas. A difícil convivência do homem com a água é mundial e chegou junto com o desenvolvimento. Europa e Estados Unidos já tiveram rios mortos pela poluição e regiões alagáveis que sazonalmente provocavam elevados prejuízos e grande número de mortes. Mas hoje isso é passado porque investiram na correção dos problemas causados pelo desenvolvimento empírico, e colocam, a tecnologia à disposição de quem dela necessite. Os governantes brasileiros preferem socorrer catástrofes do que prevenir. Seria interessante que, da mesma forma que o Supremo Tribunal Federal fez com a covid-19, os prefeitos fossem chamados ao combate de seus pontos de alagamento. Eles os conhecem e sabem o que fazer. Deveriam começar montando projetos com recursos próprios e ter o direito de recorrer ao Estado e à União para as cosias maiores, que demandem aportes elevados. Raciocina-se que 90% do problema seria solucionado pelo próprio município, 8% dependeriam do Estado e os outros 2% da União. E ninguém mais morreria ou teria prejuízos provocados pelas águas em descontrole. O ministério público, por sua vez, deveria empenhar-se para a identificação das possíveis negligências e omissões que levaram às catástrofes. E, logicamente, responsabilizar civil e criminalmente, os agentes públicos ou privados que não cumpriram suas obrigações e com isso ensejaram o quadro adverso. 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

 

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