Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2022 | 03h00

Museu Nacional

Resgate de autoestima

Sem olhar para o ano que terminou e tendo a consciência de que “velhas dificuldades” se unem a novas, aumentando os desafios, 2022 é um momento de esperança que traz consigo uma possibilidade de resgatar um pouco da nossa autoestima, com as comemorações do bicentenário da independência do Brasil. Apesar das dificuldades e do tempo exíguo, o projeto Museu Nacional Vive está confiante em entregar uma parte das instalações do Palácio de São Cristóvão para a sociedade. Seria importante que o governo não deixasse escapar essa oportunidade e procurasse participar mais do projeto. Como dizemos, em tom de brincadeira: sem museu não tem festa!

Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro

alexander.kellner@gmail.com

Rio de Janeiro

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Eleição 2022

O fim da reeleição

Dois anos após FHC ter assumido seu primeiro mandato, a Câmara dos Deputados aprovou, em 28/1/1997, a emenda constitucional que permite a reeleição de prefeitos, governadores e presidente da República. Desde então, de quatro em quatro anos, o assunto fim da reeleição vem à tona. Então, desabrocha a demagogia. Quem está fora é favorável e quem está dentro e já foi terrivelmente a favor do fim da reeleição desconversa quando é consultado sobre o assunto. Segundo matéria recente do Estadão (29/12/2021, A7), o número de pré-candidatos à Presidência este ano desfavoráveis à reeleição cresceu em relação a 2018: só três se posicionaram contra, incluindo o atual presidente. Inocente quem acreditar que um dia teremos um único mandato para o principal cargo do País. Aviso aos postulantes, neófitos e velhas raposas da política: não acreditamos mais em Papai Noel.

Sérgio Dafré Sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

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O aprendizado do voto

A opinião contrária à reeleição hoje é, sem dúvida, fortemente influenciada pelo comportamento do atual presidente, além de carregar em si um viés eleitoral. Fato é que não haveria problema algum em um presidente ser reeleito se apresentasse boa gestão no primeiro mandato. Além disso, é preciso considerar que um eventual mandatário pode fazer de tudo, inclusive usar a máquina pública, para eleger um sucessor – como ocorreu com Lula, que, ao final do segundo mandato, fez campanha e elegeu seu poste, Dilma Rousseff. A discussão deste tema fatalmente passa pela questão do aprendizado do voto. Se o brasileiro médio soubesse votar, a tese da reeleição seria irrelevante.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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Na raiz

A matéria do Estado discorre com farta argumentação sobre a polêmica da reeleição presidencial. Chama a atenção que, quando candidato, Jair Bolsonaro era terrivelmente contra a reeleição, mas logo no começo do mandato começou a trabalhar já pensando na reeleição. Como já é sabido, o populismo, o corporativismo e, especialmente, o patrimonialismo são características arraigadas em nossos políticos, e todas essas mazelas se alimentam do instituto da reeleição em todos os níveis, especialmente no caso da Presidência.

José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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A mosca azul

A mosca azul pica os candidatos assim que eleitos, e eles passam, com exceções, a governar pensando na reeleição. Realmente, quando um novo governo assume, tendo o anterior feito coisas importantes para a população, seria importante haver mais um tempo para a continuidade daquela política. Ter uma lei obrigando o eleito a concluir obras necessárias para, só depois, iniciar outras já seria um alento.

Tania Tavares taniatma@hotmail.com   

São Paulo

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Literatura

Lya Luft

Nos derradeiros dias de um ano difícil, nos despedimos de Lya Luft, voz lúcida em meio ao apagão mental que assola o Brasil. Sua escrita era marcante, simples e objetiva. Atenta observadora da passagem do tempo, Lya foi uma ótima e sensível narradora de nossos dias. Cronista maravilhosa, escritora campeã de vendas, nunca entrou para o fechado clube de compadrio da ABL. Uma mulher à frente de seu tempo, Lya marcou época sem empunhar bandeira, expondo suas ideias de forma simples e leve.

Luiz Thadeu Nunes e Silva luiz.thadeu@uol.com.br

São Luís

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


OS JOVENS E A POLÍTICA

Sobre a matéria escrita pelos jornalistas André Shalders e Thiago Faria (Jovem evita política nas redes sociais para não ser ‘cancelado’, Estadão, 2/1, A6), eu a li atentamente, pois é um tema que tem que ver com minha vivência de anos aplicando Fóruns de Cidadania Participativa pelo Movimento Voto Consciente. Várias escolas, públicas e privadas, universidades, entidades, empresas, etc. foram visitadas por nós, moderadores destes debates, que tinham por princípio estimular o cidadão a abranger este árido tema, a Política. Produtivo e interessante aspecto que sempre foi quase um tabu e continua de maneira inequívoca ainda sendo visto como algo que tem de ser encarado de quatro em quatro anos, o sufrágio. O WhatsApp, o Facebook, o Instagram, o Messenger, todos aplicativos se tornaram fontes de trocas de informações, enquanto aos jovens, parece-me que na contramão de nosso prognóstico, acabou inviabilizando uma melhor escolha do eleitorado, com relação ao quadro apresentado de eleitos. O jovem, como bem o disse a pesquisa da Avaaz e da Fundação Tide Setubal, se fechou em copas para não ser “cancelado”. Eram nas salas e nos auditórios dos colégios, nos sindicatos, nos movimentos estudantis, nos grêmios, nas igrejas, onde conversávamos sobre Ciência Política, a importância do voto consciente, o conhecimento das políticas públicas, a política sem partido, e no convencimento de que dessa forma estaríamos abrangendo a cidadania. Portanto, é importantíssimo conhecer a Ciência Política, aquela que na sua maioria o brasileiro é afastado, até mesmo por interesse partidário e geral de parlamentares permanecerem com seus cabrestos sempre dirigidos a seus interesses. Nos vários anos em que aplicamos estes Fóruns de Cidadania Participativa, houve interesses de várias classes, mas também na educação melindres do tema em si, no que a escola pública poderia ser prejudicada. Um medo que se esconde num país que tem como base a democracia, principalmente nestes tempos em que estão sendo aplicadas sansões por temas que desagradam ao governo.

Maria C. de A. Barbosa das Eiras cecilia.eiras74@gmail.com

São Paulo

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UM NOVO ANO APREENSIVO

O artigo de Bolívar Lamounier no Estadão do primeiro dia de 2022 fez um resumo preciso da nossa política, desde a época de Getúlio Vargas até Bolsonaro (Desordem e regresso?). Só gostaria de acrescentar em seu relato a importância do presidente Itamar Franco, que foi o responsável tanto pela nomeação da equipe econômica idealizadora do Plano Real quanto a de FHC como ministro da Fazenda, para viabilizar a sua aprovação pelo Congresso. Esse excelente relato leva-nos a crer que este ano, ao contrário do que todos almejamos, será uma repetição dos anteriores. Sua abjeta ojeriza à vacinação, agora ameaçando as nossas crianças, ao criar obstáculos ignaros para retardar a sua aplicação, confirmam a permanência de uma aversão doentia em relação à ciência. Para tanto, conta com o auxílio de um ministro médico, indigno do seu diploma. Com Arthur Lira na presidência da Câmara dos Deputados, segurando dezenas de pedidos de seu impeachment, não temos como almejar qualquer melhoria em relação aos anos anteriores. Praticamente em todos os ministérios, com ênfase na Saúde, com a pandemia e no Meio Ambiente, com os projetos de hidrelétricas e mineradoras na Amazônia e pelo menos mais uma usina atômica, próxima as maiores cidades do País. O atraso no aproveitamento do potencial de energia eólica e, principalmente, a solar beira a um crime de lesa-pátria.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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ÚNICA SAÍDA

Como bem disse o articulista Bolívar Lamounier no artigo Desordem e regresso? (1/1, A4), “dentro de dez meses teremos Lula pintando Bolsonaro como um desequilibrado, Bolsonaro pintando Lula como um ladrão e milhões de brasileiros concordando em que ambos estarão certos”. 2022 é ano de eleição, não de reeleição de Lula nem de Bolsonaro. Para sair deste vale das trevas, é preciso que o País consiga escapar da grave ameaça da volta do sórdido e corrupto lulopetismo ou da continuidade do fascistoide e liberticida bolsonarismo. Para tanto, votar na terceira via é a única saída. Muda, Brasil.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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O BRASIL DOS SONHOS

O ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, em seu artigo publicado no Estadão de sábado (1/1) com título Alvissareira, ao desnudar a realidade deste desgoverno federal, diz como seria bom começar o ano lendo notícias boas. De que, por exemplo, Jair Bolsonaro, numa guinada de amor à Pátria e respeito às nossas instituições, reformulou seu ministério com gente altamente capaz, como no Meio Ambiente, na Educação, na Cultura, até na Saúde, que já coloca em prática a vacinação contra covid-19 de crianças de 5 a 11 anos, além da quarta dose de reforço para todos brasileiros... Que, inclusive, reconduziu à presidência do Inpe o consagrado físico Ricardo Galvão, que foi escorraçado do cargo porque divulgou o recorde de desmatamento na floresta amazônica. E o presidente, preocupado com o desenvolvimento econômico e a criação de empregos, diuturnamente negocia com o Congresso as reformas tributária e administrativa. E, acrescento, que voltou atrás e vetou o calote dos precatórios, porque não abre mão do respeito ao teto dos gastos e ao equilíbrio fiscal. Que bom seria se tudo fosse verdade!  Mas, otimista com a sensatez do eleitor, Miguel Reale Jr. espera que essas “boas notícias” sejam as de 1.º de janeiro de 2023, obviamente, se não votar no Bolsonaro! E, na minha opinião, sem essa, também, da volta de Lula ao Planalto. Misericórdia!

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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‘ALVISSAREIRA’

“...se não votar em Bolsona”, nem em Lula. Faltou completar.

Albino Bonomi acbonomi@yahoo.com.br

Ribeirão Preto, SP

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BOA NOTÍCIA

A única notícia boa de 2022, verdadeiramente, é de que podemos através do voto democraticamente tirar do poder o pior presidente brasileiro de todos os tempos, Bolsonaro, que flertou e continua a flertar com a ditadura, a truculência, o machismo, a homofobia e tantos outros comportamentos lamentáveis, incluindo crimes.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE

Sobre o pronunciamento do presidente da República transmitido no dia 31/12/2021, senhor presidente, por que se sente tão incomodado com a exigência do passaporte vacinal em lugares públicos, tanto para brasileiros como estrangeiros que vêm visitar o Brasil? Parece que sofreu ou sofre de alguma fobia grave, pois havia dito anteriormente que “preferia morrer a perder a liberdade”. Como presidente, o senhor deveria saber que quem visita um país estrangeiro deve seguir as normas básicas do país. Aproveitando o seu pronunciamento, o senhor já não se lembra da falta de esforço e competência do governo federal no combate à pandemia de covid-19 no País, o que levou à perda de milhares de vidas e à superlotação de hospitais em todo o país? Porém, o senhor nem sentiu a perda de tantas vidas por este vírus, pois não foi nenhum dos seus familiares. Só por essa sua “atuação”, mereceria ser impichado, embora tenha conseguido barrar todos os processos de impeachment “por ajuda de um deputado”. Foi somente graças ao esforço do povo brasileiro (e aqui gostaria de reafirmar categoricamente que a iniciativa não partiu do governo federal) que hoje o Brasil está conseguindo controlar a epidemia do coronavírus, inclusive a variante Ômicron, o novo mutante da covid-19. Isso tudo é fruto do esforço coletivo do povo, não do seu governo. E agora vem dizer, com orgulho, que “a imunização no Brasil é um exemplo para o mundo”. Gostaria que o senhor refletisse mais um pouco no bem-estar de toda a população brasileira, ao invés de pensar em só beneficiar a si mesmo e algumas categorias.

Tomomasa Yano tyanosan@gmail.com

Campinas

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O DISCURSO DE BOLSONARO

Creio que resolveríamos o problema fiscal (déficit público) do Brasil criando um imposto referente a mentiras e fake news. Só com governantes, deputados, senadores e vereadores teríamos uma arrecadação estrondosa. A alíquota para pescadores seria baixa.

Vital Romaneli Penha vitalromaneli@gmail.com

Jacareí

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NÃO ESQUEÇAMOS O OVO DA SERPENTE

Entendo o sofrimento e as razões que David Klein apontou em O Brasil não é um país nazista (Estado, 29/12/2021, A4), para não relativizarmos o uso dos termos nazista e fascista. Contudo, em minha opinião, a melhor homenagem que hoje podemos fazer para as vítimas do holocausto seria combater qualquer método usado por tais facínoras, de ontem e de hoje, para que aquilo não ocorra mais em qualquer escala. Vale lembrar que o atual governo já abrigou um plagiador de Goebbels e tem como chefe máximo alguém que não se furta a encontrar com a extrema-direita alemã.

Pedro Moura pedro.zzz.moura@gmail.com

São Paulo

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INSEPULTOS

O autor do artigo O Brasil não é um país nazista é, no mínimo, míope. Nazismo, fascismo e genocídio são termos que estão, infelizmente, se tornando rotineiros em diversos cantos do mundo e que se refletem no crescimento dos extremistas de qualquer orientação, no negacionismo derivado de educação frágil e adepta do simplismo, na defesa do individualismo exacerbado e na ausência de um solidarismo mais envolvente. O articulista não enxerga que esses termos são mais amplos do que aquilo que ele vê, pois eles correspondem a verdadeiros vírus incrustados nos homens e suas ideias, preconceitos, medos e desejos, e que não se extinguem, permanecem inertes e sempre prontos a ressurgirem. Fascismo e nazismo são processos não encerrados e enterrados, e por isso precisando ser sempre reconhecidos e descritos, nas diversas formas e nuances em que se apresentam, e combatidos nos tempos presentes.

André Beretta aberettafilho@gmail.com

São Paulo


 

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