Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2022 | 03h00

Orçamento

Apropriação política

A rigor, o Orçamento foi elaborado pelo Centrão ­­­– uma espécie de criatura mitológica, que devora as verbas do governo ­–, apropriando-se das cotas que seriam destinadas a atividades realmente importantes para a população, para atender aos seus interesses. E ainda poderá até prejudicar os próprios partidos que compõem atualmente o chamado Centrão. Três dessas legendas, Republicanos, PP e PL, vão controlar cerca de R$ 150 bilhões do Orçamento Federal. Os valores elencados no Editorial (Um Orçamento a serviço da reeleição, 25/1, A3) me levou a lembrar da história da galinha dos ovos de ouro. Em plena pandemia, nem a Fiocruz ficou livre da sanha do Centrão. Com a inflação em alta e a pandemia ainda ativa, quando chegar o período eleitoral tais desatinos vão pesar na balança contra Bolsonaro. Discordo do editorial quando afirma que caberá ao próximo presidente resgatar o poder de elaboração do Orçamento. Bolsonaro tem de ser destituído. É questão de sobrevivência. O deputado Arthur Lira não pode reter uma centena de pedidos de destituição de Bolsonaro. A Carta Magna não lhe confere tal poder. Está cometendo crime de prevaricação ao retardar ou deixar de praticar disposição expressa em lei. O Supremo Tribunal Federal já deveria há muito ter se pronunciado a respeito.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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Oposição silenciosa

Aparentemente o Orçamento da União apresenta características eminentemente políticas. Atividades básicas foram sacrificadas para dar lugar aos arranjos políticos como o orçamento secreto, verba para campanha em valores enormes e outros itens. O assustador neste processo é a omissão da oposição. Eu me pergunto onde está o PMDB, PSDB, PT e outros?

Marco Antonio Martignoni mmartignoni@ig.com.br

São Paulo

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Cleptocracia

Com o Orçamento Federal sancionado pelo Bolsonaro e o Centrão governando o Brasil de fato, pode-se dizer que estamos diante de um marco na história do Brasil: o dia em que a democracia deu lugar à cleptocracia.

Franz Josef Hildinger frzjsf@yahoo.com.br

Praia Grande

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Eleições

Voto consciente

Gostei do artigo O eleitor e as eleições, de Michel Temer (25/1, A6). Destaco o seguinte: votar a favor, levando em conta as ideias sugeridas por uma candidatura, e não apenas opor-se à outra candidatura. Precisamos de líderes, gente com capacidade de articulação e negociação. Acrescento apenas mais uma coisa muito importante: avaliar o histórico do candidato, o que ele fez de bom e de ruim, analisar se ele merece um crédito futuro.

Roberto da C. M. Vasconcellos vetrobertocmv@uol.com.br

São João da Boa Vista

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Energia elétrica

Reajustes

Reajustes que corroem o bolso do contribuinte, com a anuência do Planalto, têm um grau de irresponsabilidade irreparável, como é o caso das altas nos preços de energia elétrica. E o editorial do Estadão (24/1, A3), O céu é o limite para conta de luz, demonstra bem essa farra. Ora, se a inflação, de 2015 até 2021, acumulou 48%, por que a energia elétrica para residências teve 114% de alta? E para grandes consumidores o aumento ficou em 36%, abaixo da inflação? Mesmo reconhecendo que temos períodos climáticos adversos, como da falta de chuva que derrubam os níveis dos reservatórios, essa alta é um abuso. Como destaca o jornal, os critérios e fiscalização são “opacos” para conceder esses reajustes. E deve piorar, porque no Orçamento de 2022, os subsídios para energia vão aumentar 25%.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

SãoCarlos

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Jornalismo

O papel da imprensa

O professor Carlos Alberto Di Franco colocou o dedo na ferida com seu brilhante artigo Jornalismo – menos adjetivo e mais substantivo (24/1, A2). Nós, leitores, estamos sequiosos por matérias que detalhem a verdade, e estamos cansados de variações insossas sobre os temas da moda. A propósito, parabenizo o Estadão por seu novo formato e pelas seções A Fundo e Para Fechar, que vão exatamente na direção incansavelmente proposta pelo professor.

César Francisco Martins Garcia cfmgarcia@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

OPERAÇÃO MÃOS SUJAS

Na Itália, a Operação Mãos Limpas, que investigou e condenou políticos e empresários corruptos, aglutinou os envolvidos e seus defensores e acabou sendo desbaratada, com danosas consequências. No Brasil, juízes que sempre demonstraram contrariedade e ojeriza à Operação Lava Jato, imitando a atitude grosseira de um ministro de Estado, aproveitaram o grave momento da pandemia para abrir a porteira e deixar passar a boiada de todos os atos e firulas jurídicas para desqualificar os promotores e juízes que investigaram e condenaram, em mais de uma instância, políticos e empresários corruptos, que lesaram a Nação. Está muito evidente que alguns componentes de corporações e representantes dos Poderes constituídos, associados em defesa de interesses pessoais e partidários, pretendem anular processos e condenações. A mídia independente e a população esclarecida não se podem omitir diante dessa descabida ação para proteger os culpados.

O corrupto e demagogo, condenado em três instâncias, e o mentiroso e negacionista, que prometeu combater a corrupção e atualmente desqualifica o ministro escolhido com essa proposta, serão candidatos à Presidência em 2022.

A escolha é da população, é preciso refletir antes de votar. A nação corre um sério risco.

José Paulo Cipullo

j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto

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PELO FIM DA IGNORÂNCIA NO PODER

Sugiro que todo o dinheiro do Fundo Eleitoral seja aplicado na criação de uma escola de política, que formaria as futuras gerações de líderes do País. Essa escola daria aulas de português, história, geografia, ciências, matemática, línguas, negociação, lógica, ética, enfim, tudo que falta para os políticos de hoje. A aprovação no curso seria obrigatória para todos os postulantes a cargos públicos. O Brasil precisa acabar com a ignorância no poder.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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A ESTÁTUA BÍBLICA

Nada é mais emblemático do mundo econômico atual do que a estátua com cabeça de ouro, o peito e os braços de prata, o ventre e as coxas de bronze, as pernas de ferro e os pés de barro com que sonhou o rei Nabucodonosor, interpretado pelo profeta Daniel como uma alegoria de seu império. Ao que parece nada mudou sob o sol no planeta Terra, de todas as injustiças sociais em todas as nações. Umas piores do que outras. Parece uma descrição detalhada do Brasil, suas elites douradas e sua massa popular atolada no barro de que é feita a base da nação. 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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MANCOMUNADOS

Deveríamos ter pelos órgãos de governo que promovem a Justiça o maior respeito. Mas fica difícil quando a mídia noticia que o Ministério Público praticou verdadeira orgia salarial. Imitam despudoradamente outros órgãos da Justiça. Seus órgãos controladores, CNJ e CNMP, nada fazem, até porque seus membros são também beneficiados. Penso que nestes casos o Poder Executivo deveria se manifestar contrário por meio do presidente da República. Afinal, é ele que tem os recursos, que são escassos. Mas não acontece nada, pois, no final das contas, todos estão “terrivelmente mancomunados”. Quanta promiscuidade.

Iria de Sá Dodde

iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

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ANVISA

É certo que  Bolsonaro não queria comprar as vacinas contra a covid, mas, se dependesse de Lula, não existiria a Anvisa que as aprovou.

Abel Pires Rodrigues

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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LUZ X TREVAS 

Na criminosa e condenável campanha em que o negacionista, irresponsável e genocida desgoverno Bolsonaro segue incentivando e promovendo a não vacinação para o combate à pandemia, nota técnica publicada pelo Ministério da Saúde (!) classificou a famigerada hidroxicloroquina como eficaz no tratamento da covid-19 e afirmou a não efetividade das vacinas. Contra mais esse absurdo posicionamento, cinco respeitadas entidades criaram uma frente e assinaram o Pacto pela Vida e pelo Brasil, numa necessária e contundente crítica contra o “circo da insensatez” das tentativas de desacreditar a recomendada imunização pediátrica de nada menos que 69 milhões (!) de crianças de 6 a 17 anos. O pacto foi assinado por Dom Walmor Oliveira de Azevedo (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB); Felipe Santa Cruz (Ordem dos Advogados do Brasil - OAB); José Carlos Dias (Comissão Arns); Luiz Davidovich (Academia Brasileira de Ciências); Paulo Jerônimo de Sousa (Ass. Brasileira de Imprensa); e Renato Janine Ribeiro (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC). Causa espécie verificar que após mais de 620 mil (!) óbitos provocados pela tenebrosa pandemia, o desgoverno bolsonarista siga em sua cruzada medieval promovendo a sórdida campanha antivax. Ao fim e ao cabo destes tempos escuros, ásperos e difíceis, a luz da Ciência e da Medicina haverá de prevalecer sobre as trevas do obscurantismo e da ignorância. Que assim seja.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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PANDEMIA E CIÊNCIA

Se não dispuséssemos agora nesta pandemia de covid-19 da tecnologia da internet, que permitiu, e permite, que nesse isolamento nos comunicássemos virtualmente com nossos conhecidos, provavelmente teríamos sofrido mais do que efetivamente sofremos. Essa realidade tecnológica foi de uma eficácia impressionante em nossas mentes, mostrando como a ciência foi fantástica na superação desses dois últimos anos que toda a humanidade vivenciou.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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CONHECEREIS A VERDADE

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, disse Jesus aos seus discípulos (João 8:31-32).

Essa passagem bíblica tem sido muito usada pelo presidente Jair Bolsonaro, no entanto, quando se fala em verdade, perguntamos, verdade de quem? 

Quando Jesus falou sobre a verdade, fez referência a Ele mesmo, como sendo o caminho, a verdade e a vida. Então, essa verdade não pode ser apropriada por outros, para benefício próprio.

Pergunto: a ciência também pode ser chamada de verdade? Sim, creio que pode, uma vez que está buscando desvendar e construir conhecimento a partir de fatos reais (verdadeiros). 

Se nosso presidente defende a verdade, já passou do tempo de abraçar a ciência como caminho para a superação da pandemia e do próprio “buraco” em que nós brasileiros nos encontramos! Negar a ciência é “virar as costas” para a verdade, para a vida e bem-estar da Nação.

Silvia R. P. Almeida

silvia_almdeida7@hotmail.com

São Paulo

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GUEDES FICA

O ministro da Economia, Paulo Guedes, fica sim, no Ministério. Na verdade, ele é o único responsável pela alta diária do dólar. Afinal, sua offshore, comandada por sua filha Paula Drumond Guedes, já contabiliza mais de US$ 10 milhões em caixa. Assim, não há motivo para Guedes se afastar do governo, mesmo estando mais por baixo do que umbigo de cobra. E os “negócios”, como ficam?

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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DEMOCRACIA MALTRATADA

“Lula nunca tratou bem a democracia brasileira”, frase final do editorial do Estadão O mal que Lula faz à democracia  (A3, 23/01) leva-me a perguntar: e os responsáveis por sua libertação, tratam bem a democracia?

Carlos Ayrton Biasetto

carlos.biasetto@gmail.com


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DESFAÇATEZ

Inacreditável, inadmissível, um absurdo, mas deu no Estadão (A11, 21/1): Afastado do TCE de São Paulo por mais de 7 anos, conselheiro Robson Marinho recebeu R$ 3 mi entre salários de R$ 35 mil e 13º. É assim que funciona a nossa Justiça: aguarda-se o tempo necessário, exato, certo para então dar o processo por encerrado por prescrição. E o pior, ninguém do Ministério Público Federal que lhe havia imputado o crime de ter a titularidade de offshore na Suíça explica ou responde por deixar um processo prescrever, trazendo-lhe  nas suas palavras “desgaste pessoal”. Coitado, impedido de trabalhar por longos 7 anos para receber míseros R$ 3 milhões e sem vale-refeição. A desfaçatez em nosso país parece sem limites!

Mario Miguel

mmlimpeza@terra.com.br

Jundiaí

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A MILÍCIA ATACA

Desde que elegemos uma família de milicianos, estão transformando nosso país em favela, destruindo a saúde, a cultura, a educação, o meio ambiente, a segurança e tudo o que poderia nos aproximar da civilização. Agora, o ataque ao helicóptero do Ibama mantém a destruição de patrimônio público sem que nosso presidente tenha mostrado o menor interesse com essa destruição.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com


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SALVANDO AS CAVERNAS

Ministro do STF defende a suspensão do ato presidencial diante do “risco de danos irreversíveis” às cavidades naturais subterrâneas e suas áreas de influência. Mais uma derrota do nosso inconsequente presidente da República.

Robert Haller

São Paulo


 

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