Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2022 | 02h00

Educação

Política desastrada

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) foi criado em 1999 no governo FHC e, em nome de uma política social abrangente e inclusiva, expandido em 2010 pelo ex-presidente Lula. Mas este fez tudo errado. Reduziu drasticamente os juros do programa e estimulou a abertura de inúmeros cursos superiores, a maioria de qualidade duvidosa. O resultado: uma inadimplência impagável e os melhores e mais bem pagos postos de trabalho ainda restritos aos mais qualificados profissionalmente. O líder petista se vangloria de ter facilitado o acesso dos mais pobres a cursos superiores, mas esse discurso já não convence mais. Seria de bom-tom se o ex-presidente refletisse e reconhecesse os erros do passado, entre eles o modo populista e atabalhoado do “faz de qualquer jeito”, cujas consequências desastrosas econômicas e sociais são conhecidas.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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Jovens à deriva

O Fies é resultado de uma política populista de financiamento. O somatório de um ensino médio fraco leva os jovens a se aventurarem no Fies, matriculando-se em cursos pagos que não propiciam necessariamente uma boa formação. Muitos jovens não terminaram seus cursos, outros tantos não têm como pagar por causa da crise econômica gerada em grande parte pela má gestão da economia. O Fies é só mais uma faceta dos maus-tratos impingidos pelos políticos aos jovens no Brasil.

Flávio Madureira Padula vpadula@gmail.com

São Paulo

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Governo

Aumento da corrupção

A Polícia Federal (PF) diz que, no governo Bolsonaro, houve o menor número de prisões por corrupção dos últimos 14 anos. É óbvio, ela correu solta, ninguém investigou nada. O orçamento secreto, para citar apenas um exemplo, não se trata de corrupção? Os políticos deste país me causam asco.

Lourdes Migliavacca

São Paulo

Diferenças gritantes

Como é grande a diferença entre o Brasil e a Inglaterra. Lá investigam e tentam condenar um político festeiro. Aqui investigam e, apesar de todas as provas, não conseguem condenar um político corrupto!

Renato Maia casaviaterra@hotmail.com

Prados (MG)

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Judiciário

Bem lembrado

O recado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, dado na abertura dos trabalhos no Judiciário, “de que não há mais espaço para ações contra a democracia”, deve ser ouvido pelos demais ministros do STF. Basta seguir a Constituição Federal, e não invadir as competências alheias.

Jorge Peixoto Frisene jpfrisene@zipmail.com.br

São Paulo

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Confusão

Em que mundo vive o presidente do STF ao alardear inverdades em seu discurso de abertura do ano do Legislativo de 2022? Quem tem atropelado o direito é o próprio STF, data máxima vênia. Ou vivemos em países diferentes?

Ary Braga Pacheco Filho ary.pacheco.filho@gmail.com

Brasília (DF)

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São Paulo

Erros de gestão

O que se autoproclama grande gestor mostrou a que veio. Na mesma semana decidiu não utilizar a verba destinada a evitar tragédias, como as chuvas, e o que estas vieram a causar. Depois, na Linha 6 do Metrô, onde concluiu a passagem deste para o esgoto, houve esse estrago. Muita desgraça em pouco tempo. Meu voto, nunca mais.

Carlos Eduardo de B. Rodrigues cebr2403@gmail.com

São Paulo

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Violência

Linchamento no Rio

A explosão de casos de tentativa de linchamento nas praias do Rio de Janeiro, em janeiro, culminou com um trabalhador congolês sendo amarrado a uma árvore e espancado por 15 minutos até a morte. Moïse Kabamgabe tinha apenas ido cobrar o salário de dois dias de trabalho num quiosque, quando foi vítima dessa barbárie. O grau de selvageria da sociedade brasileira está se tornando insuportável perante os olhos do mundo.

Luiz Roberto da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Rio de Janeiro

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O HOMEM É O LOBO DO HOMEM

Esta expressão bastante antiga reflete o comportamento deletério do homem sobre a própria vida, ao sobrepor interesses individuais mesquinhos aos coletivos, desdenhando dos malefícios causados pelo primarismo de um modo egoísta de viver. Não é preciso ser cientista para perceber os malefícios causados pelos desmatamentos e incêndios florestais, verdadeiros tiro no pé ao provocar o triplo impacto negativo de reduzir o potencial de absorção do dióxido de carbono; provocar o efeito estufa pela emanação de gases produzidos, elevando a temperatura global com alterações no clima que provocam secas ou excessos de chuvas prejudicando a agricultura e as condições de vida das populações com cheias e desabamentos; destruir os biomas nativos, causando danos irreversíveis à fauna e à flora, potenciais geradores de riqueza e renda para as populações locais e para toda a sociedade. Por cobiça ocupamos os fundos de vales destruindo as várzeas onde se espraiavam excedentes de águas de chuva, tendo de construir piscinões para corrigir o erro, nem sempre suficientes, como assistimos ultimamente no Sul da Bahia e em Minas Gerais. Permitimos a ocupação e a retirada da vegetação suporte de morros argilosos nos entornos dos centros urbanos, como agora em São Paulo, pois a especulação imobiliária de um capitalismo medieval reserva essas áreas de menor valor para os despossuídos, sob o olhar omisso e indiferente do poder público, que se lastima anualmente com lágrimas de crocodilo diante da pobreza vitimada. No entanto, nada disso é fatal, pois é possível reverter a irresponsabilidade encestando ações preventivas e cautelares. Por exemplo, poderia ser criada uma nova lei de uso do solo, que impedisse a construção em fundos de vales e nas elevações instáveis, que seriam transformados em reservas florestais, melhorando a qualidade do ar urbano. Como também poderia ser substituído o atual modelo monopolar dos grandes centros urbanos por um multipolar que aproximasse o morar do trabalho e do lazer, evitando os grandes deslocamentos diários com perda de tempo, energia e engarrafamentos. Também é importante desenvolver um novo conceito de urbanização que evite selar o solo urbano, permitindo que a percolação da água de chuva, além do seu aproveitamento para serviços, ajude a economizar a água tratada. Depois de um século com a economia apoiada em combustíveis fósseis como fonte de energia industrial e de transportes, após perceber que a energia nuclear é inviável enquanto não dispuser de sistemas seguros e uma finalidade mais nobre para o lixo atômico produzido, está se buscando a alternativa elétrica para os automóveis e a geração de energia limpa eólica e solar, além de pesquisas com hidrogênio verde como combustível. Assim como a consciência pela reciclagem de matérias-primas, pois de nada serve abrir um imenso buraco de um lado e construir um enorme monte de outro com o lixo produzido. Portanto, o homem tem condições, caso pretenda, de desenvolver modos de vida saudável e menos perniciosos se assim o desejar.

Alberto Mac Dowell de Figueiredo

amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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NAUSEABUNDA REALIDADE

João Doria, governador de São Paulo, sempre tão asséptico, sempre tão limpinho, viu suas pretensões presidenciais serem engolidas por um enorme buraco cheio de esgoto. A indômita e nauseabunda realidade urbana não ofereceu sua face para a maquiagem do marketing político. 

Túllio Marco Soares Carvalho

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte      

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CONSTITUIÇÃO

Nossos dirigentes, sejam do Executivo ou Legislativo, teimam em enfrentar problemas conjunturais alterando algo que deveria ser perene: a Constituição.

Depois da gambiarra da PEC dos precatórios (para arranjar dinheiro para mais gastos), agora querem mudar mais uma vez a Carta para resolver a alta dos combustíveis.

E de mudança em mudança – pontuais, repito, sem estarem respaldadas por visão mais ampla dos temas em que mexem – vamos remendando a Carta.

Por que não discutir o tal Fundo de Estabilização com cortes no cartão corporativo da Presidência? Com corte no Fundo Eleitoral e nas emendas secretas? Com redução do número de assessores legislativos? Com redução de reembolso de despesas médicas dos nobres senadores? Com proibição de o Estado pagar classe executiva em viagens internacionais? Com proibição de uso de aviões da FAB para autoridades e família e amigos?

Juntando todos estes privilégios e desperdícios poderíamos ter este tal Fundo sem mexer de forma pontual na Constituição.

Eduardo Aguinaga

eduardo.aguinaga22@gmail.com

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INTOLERÂNCIA

Ministro Luiz Fux, mais do que apelo por tolerância política, o senhor deveria fazer um veemente apelo por justiça e verdade neste País, cuja falta, isto sim, é intolerável!

Lourdes Migliavacca

lourdesmigliavacca@yahoo.com.br

São Paulo

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DIREITO DE AUSÊNCIA DA PRESIDÊNCIA

Bolsonaro vem exercendo o direito de ausência da Presidência desde 1º de janeiro de 2019. Como não tem a menor ideia do que deve fazer um presidente da República, por ignorância e total incompetência, exerce o

direito de total ausência. É um não presidente presente por ausência de cérebro. 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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FINALIZANDO

Agora a justificativa do presidente Bolsonaro é que tudo que vai mal no Brasil é culpa de governadores e prefeitos. Acho que a culpa é nossa por ter eleito para a Presidência da República alguém tão despreparado. Ainda podemos nos redimir nas eleições deste ano.

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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SER CORRUPTO TAMBÉM

Defender o Lula significa defender toda a corrupção na qual está envolvido.

Eugênio José Alati

eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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AVAL POLÍTICO ACIDENTAL

Ao tirar uma foto com Lula (A2, 1/2/22), Renan Calheiros automaticamente deu aval de honestidade para Simone Tebet, candidata presidencial do seu partido.

Oscar Thompson

oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

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NA IMINÊNCIA DE UMA 3ª GUERRA MUNDIAL      

A viagem que o presidente Jair Bolsonaro fará à Rússia para encontrar Vladimir Putin, no Kremlin, está deixando toda a humanidade de cabelos em pé. Ora, é sabido que Bolsonaro é o próprio hipopótamo junto a uma cristaleira e, assim, tudo vai ficar em cacos. O conselho unânime é que Bolsonaro se abstenha de conversar sobre a tensão entre Europa, EUA e Rússia, caso contrário, a iminência de uma 3ª guerra mundial será um desastre irremediável. Na verdade, Jair Bolsonaro precisa entender que, para proteger a humanidade, deve ficar de boca bem fechada, como já dizia aquela senhorinha de Taubaté. 

Júlio Roberto Ayres Brisola       

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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NOVO PRESIDENTE DA OAB

O advogado José Alberto Simonetti assumiu a presidência do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Lendo atentamente a entrevista do novo presidente nacional da OAB à jornalista Pepita Ortega publicada no Estadão (A9, 1/2) fiquei muito motivado e esperançoso, concluindo ter sido adequadamente edificante, precioso e contagiante. Ademais, nunca me identifiquei com o perfil combativo do antecessor, Felipe Santa Cruz.

O dr. José Alberto Simonetti foi prodigiosamente enfático ao acentuar que “a OAB não pertence a absolutamente nenhum partido político e que nenhum partido político que queira tentar ou ousar fazer gerência na Ordem conseguirá fazer com que isso vingue”. E acrescentou que “a Ordem não pertence a Lula, a Bolsonaro, à esquerda, à direita, ela pertence verdadeiramente à advocacia”.

Eu acredito ter sido um pertinente recado aos advogados integrantes do Grupo Prerrogativas, especialmente, ao dr. Marco Aurélio de Carvalho, advogado fundador da ABJD e do Grupo Prerrogativas, que quer porque quer um debate com o presidenciável Sérgio Moro revelando bem sua tendência ideológica e preferência pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o qual já demonstrou ostensiva proximidade.

Parabéns e votos de muito sucesso ao dr. José Alberto Simonetti.

Junios Paes Leme

junios.paesleme@outlook.com

Santos

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OAB E LAVA JATO

O novo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, o criminalista José Alberto Simonetti, eleito para um mandato de três anos, afirmou que o legado da Operação Lava Jato é muito negativo e deu graças a Deus que a Lava Jato foi desmobilizada. E afirmou: “Argumentam que houve uma recuperação de ativos na casa de 20 bilhões de reais, mas o prejuízo foi muito maior com a quebra de empresas tradicionais do Brasil”.

E, assim, sabemos agora que todos os sentimentos de esperança e de vitória de uma população esculhambada e soterrada viva pelos escabrosos crimes de corrupção sempre levados a cabo neste país nas últimas décadas de democracia não merecem qualquer apoio por parte da Ordem dos Advogados do Brasil que, por seu novo presidente, decerto considera muito mais vantajoso para o País as prerrogativas dos advogados, que sempre enriqueceram com seus clientes políticos corruptos, do que as prerrogativas de qualquer defesa social da população furtada, roubada e aniquilada pelos ladrões do dinheiro público. Viva a Lava Jato e abaixo os acólitos dos poderes discricionários pervertidos e desonestos! Coloque-se ao lado do povo, OAB! Pois a verdadeira Justiça é aquela que, primeiro, preserva a si mesma!

Marcelo Gomes Jorge Feres (advogado)

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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AS VILÃS QUE NOS ATORMENTAM

As vilãs responsáveis pelo aumento da inflação são a Petrobras, que já deveria ter sido privatizada, e a energia elétrica. Por falar em energia, foi decretada a crise energética. Depois disso, o Brasil está debaixo d’água, especialmente onde estão os reservatórios, portanto não se justifica a cobrança da bandeira vermelha. O presidente Bolsonaro assinou em dezembro medida provisória (MP) autorizando as empresas distribuidoras de energia a tomar no mercado financeiro dinheiro emprestado para que nós paguemos a conta de R$ 16,1 bilhões. E agora o presidente assinou a MP 1.078 que nos obriga a pagar o empréstimo na ordem de R$ 20 bilhões. Assim fica fácil, eles devem e nós pagamos. E o Congresso nada diz nessas horas, ou também se beneficia desses empréstimos?

Izabel Avallone

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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MUTANTES E SEUS BENEFICIÁRIOS

Há vírus cujo problema é a agressividade. Outros cujo problema é a capacidade de contágio. No caso da covid, o grande problema é a velocidade de mutação. Surgem variantes inofensivas; variantes tão contagiantes como o sarampo, a exemplo da Ômicron; e variantes altamente letais, como a nova variante de Wuhan que ainda nem nome tem. Os sintomas mudam. Os órgãos e sistemas afetados mudam. A imunidade contra uma nem sempre protege contra a outra. Ainda não surgiu uma variante trans com a genética de uma e o comportamento de outra. Mas o dr. Anthony Fauci deve estar financiando pesquisas a respeito na China. Apesar de tudo isso, a narrativa e a estratégia têm continuado as mesmas: máscaras e reforços de vacinas e tudo se resolverá como que por encanto. Pelo menos para as fábricas de máscaras, os laboratórios e os políticos que se elegem graças a esta narrativa há um futuro brilhante. 

Jorge Alberto Nurkin 

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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MAYANA ZATZ

A professora Mayana Zatz nos contou no programa Roda Viva que a importação de substâncias destinadas a pesquisas é muito difícil e demorada. É algo que existe há anos e a que ninguém do poder público deu solução. A maior parte dos responsáveis da Receita Federal que eu conheci é de pessoas preparadas, como é possível que continuem a tratar os cientistas como se fossem traficantes?

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

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TALEBAN

O absurdo mais absurdo: o Taleban oferecendo refúgio à jornalista Charlotte Bellis, grávida e impedida de entrar na Nova Zelândia.

Enquanto centenas de juízas afegãs estão escondidas, temendo pelas suas vidas no Afeganistão. Temendo que aqueles criminosos que condenaram se valham do regime atual para vingar-se delas. Algumas juízas conseguiram escapar para o Ocidente (Canadá, Alemanha...) e estão temendo pelo destino de suas famílias e colegas que ficaram para trás. 

Certamente, as jornalistas estão no mesmo barco. 

Medonho!

Irene G. Freudenheim

irene.margarete@terra.com.br

São Paulo 

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