Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2022 | 03h00

Tensão na Ucrânia

Escolhas melhores

Em seu primoroso artigo Recuo das guerras está em risco na Ucrânia (Estado, 15/2), Yuval Harari justifica a ausência de conflitos armados entre grandes potências desde a 2ª Guerra argumentando que “o declínio da guerra não resultou de um milagre divino ou de uma mudança nas leis da natureza. Resultou de humanos fazendo escolhas melhores”. Prova disso é que, “em décadas recentes, governos de todo o mundo sentiram-se seguros o suficiente para gastar uma média de apenas cerca de 6,5% de seus orçamentos em forças armadas, enquanto gastaram muito mais em educação, assistência médica e bem-estar social”. Ou seja, a eventual invasão da Ucrânia e a deflagração de uma nova grande guerra, além de moralmente inconcebível, seria desastrosa para toda a humanidade sob os aspectos econômico, social, sanitário e educacional. Portanto, se não se sabe ainda qual a melhor escolha para resolver este conflito, a pior é, certamente, inviável. Só falta combinar com os russos…

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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Pequena Rússia

“Pobre México, tão longe de Deus, tão perto dos EUA.” Não sabemos se a “Pequena Rússia” (Ucrânia) está assim tão longe de Deus, mas está perto demais da Rússia. Na verdade, a Ucrânia é a antessala de visitas da imensa casa russa, que durante 1.300 anos foi uma casa só. Por sua porta entraram invasores poloneses, suecos, alemães e franceses. Alguns passaram por lá mais de uma vez, deixando um rastro de morte e destruição no solo sagrado onde pisaram Vladimir e Alexander Nevsky, santos de ucranianos e russos. A “mãe” Rússia, por experiência e sofrimento, jamais o permitiria novamente.

José Jairo Martins

josejairomartins7@gmail.com

São Paulo

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Jogo político

Vladimir Putin sabe que os EUA são um cão feroz, porém medroso, e utiliza suas habilidades políticas gerando medo no inimigo, com exercícios militares nas proximidades da Ucrânia, como se estivesse na iminência de invadir o país. Mas sabemos que tudo é um jogo político e os russos devem estar ganhando com a queda das bolsas e a desvalorização de moedas importantes do planeta, na velha tática de comprar quando estiver barato e vender quando estiver caro. Jogada de mestre do presidente russo, que deve estar rindo dos norte-americanos.

Reinner Carlos de Oliveira

reinnercarlos@uol.com.br

Araçatuba

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O autocrata

Para garantir a sua perpetuação no poder, o autocrata-mor Vladimir Putin, que lidera um país com características mais europeias do que asiáticas, impede que a liberdade seja percebida pelos russos, repelindo as 32 democracias liberais existentes. Os populistas autoritários de extrema direita e os neopopulistas de esquerda, obviamente, onde quer que estejam, cortejam Putin e suas ações.

Bruno Fernando Riffel

brunofriffel@gmail.com

Araxá (MG)

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Pós-vergonha

Divulgou-se ontem que o presidente Jair Bolsonaro chegou à Rússia e que esta retirou parte de suas tropas da fronteira com a Ucrânia, e, ainda, que o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles afirmou – como muitos apoiadores bolsonaristas – que Bolsonaro evitou a 3ª Guerra Mundial. E assim, no mundo da pós-verdade, chegamos ao mundo da pós-vergonha e da pós-dignidade, onde tantos que se satisfazem com a inversão de valores e com a ignorância coletiva dos fatos reais labutam para que o Brasil seja dominado por falsários ideológicos e certos pseudopatriotas, em verdade, traidores da dignidade humana.

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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Partidos políticos

Janela indiscreta

A democracia tem um preço e o pagamos, desde que seja um recurso bem usado. Porém, vemos parte significativa dos parlamentares legislar em causa própria, desdenhando da escolha do eleitor quando se permite o troca-troca partidário sem justificativas. Além disso, para o parlamentar eleito dentro do quociente eleitoral usando a votação mais expressiva de outro candidato, é traição dupla: do eleitor e do nobre colega. É mais um dispositivo que torna o sistema representativo frágil, como bem apontou o editorial ‘Janela partidária’ deturpa a política (15/2, A3). Com toda a opinião contrária, ainda insistem em usar o partido só para ter acesso aos fundos públicos.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

PARTIDO TERMINAL        

Apesar dos defeitos, e não são poucos, que podem ser atribuídos ao PT desde sua existência, o partido tem uma qualidade essencial inegável: permanece coeso mesmo em meio a atribulações internas. Infelizmente, coesão é algo que já não faz mais parte do repertório do PSDB, cuja trajetória de implosão e esfacelamento envergonha a história pregressa de um partido que tanto contribuiu para mudanças estruturais vitais do País – o Plano Real de FHC é apenas uma delas. Tentar barrar a candidatura de João Doria com a alegação pífia de que sua candidatura não vai emplacar é inconformismo de quem não aceita a derrota e resolve mudar as regras do jogo depois do jogo terminado (!). Mesmo que isso aconteça, o que é difícil, qualquer outra candidatura será, por princípio, ilegítima. O partido, em fase terminal, vira caricatura de si próprio. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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ALCKMIN SERÁ CAPACHO DE LULA?

Sempre votei no Alckmin por acreditar nem tanto em sua eficiência como governante, mas porque parecia um pouco menos intragável como político, mas mesmo assim aprovado como gerente de algo que poderia ser uma empresa ou um banco, além de parecer honesto quando governador do nosso Estado, isso para ter certeza absoluta ainda é muito difícil quando se trata de políticos. Diante da ausência de lideranças de desbancar o PT aqui, acreditamos que ele poderá ser governador ou no mínimo senador. Para nós paulistas, todo esse capital conseguido em nosso Estado ele jogará no lixo se acabar sendo vice de Lula, que simplesmente o tratará como um capacho depois de eleito. Seria muita ingenuidade do Alckmin crer em promessas do petista, ou então ele é como os demais que vivem da política: sempre mentiu para nós e quer, isso sim, uma boquinha qualquer para poder participar nos lucros dessa empreitada petista com saudades do cofre generoso que campeou nos 13 anos de Lula a Dilma.

Laércio Zannini

spettro@uol.com.br

São Paulo

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MINERAÇÃO ARTESANAL

Em sua tarefa de destruir o meio ambiente, o governo Bolsonaro saiu com essa novidade “para reduzir o desemprego” na Amazônia. Como nosso presidente é ligado às milícias, devemos prever que vai decretar o “assalto carinhoso”, vai tornar nossa vida muito mais gostosa.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

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LEI LULA

Proponho que todos os brasileiros que estão respondendo a processos na justiça e tenham 77 anos ou mais sejam beneficiados pela prescrição de seus processos. O mesmo benefício concedido ao ex-presidente Lula deve ser concedido a todos, pois, de acordo com o artigo 5º da Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. 

Mário Barilá Filho 

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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SEM PRISÃO

Devagar, mas não muito, nossas Supremas Cortes vão caminhando para aumentar os recursos para a impunidade. Só encontraremos nos presídios gente pobre que não pode pagar bons advogados que encontram as conhecidas filigranas jurídicas para que seus clientes permaneçam em liberdade.

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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MUDANÇAS

Bolsonaro vai embora ao fim deste ano e vai deixar o ambiente político mais claro. Precisamos procurar entender como foi possível ele chegar a presidente e, mais importante, como foi possível ele completar um mandato de quatro anos. Parece que tem muita coisa para ser mudada na nossa política.

Euclides Rossignoli

clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

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CRENÇA X REALIDADE

Em 2002 e 2006 a maioria do povo brasileiro escolheu Lula para presidente. Em 2010 e 2014 Dilma foi escolhida. Em 2018 foi a vez de Bolsonaro. A falta de transparência e de educação tem esse resultado: a dívida do País aumenta a cada ano, os banqueiros ficam mais bilionários e o iludido povo, mais pobre. A crença está relacionada a opiniões, sentimentos e forma de perceber a realidade.

José Carlos Saraiva da Costa

jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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TEMPOS ESTRANHOS

Como já dizia o ex-ministro Marco Aurélio Mello, tempos estranhos em que vivemos. Se não vejamos: Ricardo Lewandowski quer comprar a residência de Abraham Weintraub; Lucas Furtado, do Tribunal de Contas da União (TCU), pede bloqueio dos bens do ex-juiz Sérgio Moro, após pedir o arquivamento do processo que o investigava; Bolsonaro chama nordestino de “pau de arara” e “cabeça chata”; os investigados José Dirceu e Gleisi Hoffmann aconselham o ex-presidiário Lula da Silva de como voltar à Presidência da República; congressistas ignoram ordem do STF e não dão transparência ao “orçamento secreto”; entre outras excrescências. É o que temos para hoje. Pobre Brasil!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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ATUALIZAÇÃO DA LEI DO IMPEACHMENT

Como pode o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski ser o presidente da comissão que revisará a Lei do Impeachment se, na época do impeachment de Dilma Rousseff, ele e Renan Calheiros rasgaram nossa Constituição??

Barbara Biselli

b.biselli56@gmail.com

São Paulo

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ENERGIA SOLAR

No artigo Energia solar deixa para trás outras fontes em leilão que amplia base do setor elétrico (B4, 13/2) faltou mais comentários sobre um ponto fundamental para o Brasil nessa área. Conforme informado no segundo texto da reportagem, o Brasil importa quase 98% dos equipamentos para geração de energia solar. O governo deveria incentivar o desenvolvimento e a fabricação desses equipamentos no Brasil, quer por meio de apoio a pesquisas nas universidades ou aos fabricantes, que já produzem raros equipamentos nessa área.

José Luiz Abraços

octopus1@uol.com.br

São Paulo

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BÔNUS PARA MORADOR DE ÁREA DE RISCO

Se a prefeitura der bônus para morador de área de risco, ele vai receber o bônus, mudar dali procurando outra área de risco para daqui a 5 anos receber outro bônus.

O ideal seria pegar o dinheiro do bônus, construir outra moradia, obrigá-lo a sair da área de risco. Esta moradia seria da prefeitura, se ele não quiser mais morar ali, devolveria o imóvel para a prefeitura que o destinaria a outro morador.

Renato Maia

casaviaterra@hotmail.com

Prados (MG)

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SUDETOS, UCRÂNIA?

Em 1938, o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain concordou com as reivindicações nazistas sobre a região dos Sudetos, então na Checoslováquia, habitada por população germanófona, que aspirava sua reincorporação à Alemanha. A tensão diplomática atingiu seu auge em setembro de 1938.

O acordo – e a concessão – de Chamberlain e Hitler foi justificado para evitar a guerra iminente, sob protestos do governo checo e de seu maior aliado, a França. O “nobre” diplomata britânico, conservador, só não contou que não havia um honrado cavalheiro do outro lado da mesa de chá, mas um rancoroso líder da revanche do Reich.

Em outubro de 1938, os nazistas ocuparam o território, com beneplácito diplomático internacional. Em 1939, invadiram a Polônia e a Checoslováquia, deflagrando a Grande Guerra. No mesmo ano, completava-se toda a ocupação da Checoslováquia pelo exército alemão.

Déjà-vu?

Roberto Yokota

rkyokota@gmail.com

São Paulo

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BANDIDOS X BANDIDOS

Neste imbróglio da Ucrânia, que envolve as grandes potências do mundo, ao contrário do que pensam os ingênuos e crédulos de sempre e os muito bem informados “experts” da política internacional, não há mocinhos e bandidos. São todos bandidos e com longa experiência em bandidagem. É uma luta por poder entre lobos e chacais bem peludos. Rússia e China, Estados Unidos e Inglaterra e a turma da União Europeia, liderada pela Alemanha e França, são todos especialistas em imperialismo e colonialismo, tendo sugado as riquezas dos países e o sangue das populações do resto das nações do mundo ao longo da História.

E vão continuar explorando as outras nações enquanto tiverem forças para oprimi-las e elas tiverem riquezas para serem roubadas.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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DIRETAMENTE DE WUHAN

Essa pandemia já está durando muito. No início, com o susto, partiu-se, nos mais variados rincões, para uma espécie de cenário romântico, quando muitos apareceram nas sacadas para cantar, tocar instrumentos musicais ou simplesmente reproduzir “playlists” em volume aumentado. Era então um alívio para a clausura que estava só no início. Depois veio a fase do “vai passar”, carregada de esperança de que tudo voltaria ao normal muito em breve, o que não aconteceu. Na mesma onda, impuseram-se, mundo afora, os lockdowns, considerados imprescindíveis para “salvar vidas”, embora o cumprimento, mesmo parcial, de tal objetivo hoje esteja sendo colocado em dúvida. Os isolamentos draconianos provocaram as ruínas de várias economias e indivíduos, além da inflação e recessão mundiais. O mundo vive a era das vacinas, altamente lucrativas para as “big farmas”. Embora apontadas como responsáveis por certo arrefecimento das mortes, são contestadas, via vários pretextos, em vários países, por conta da obrigatoriedade. E as variantes? Ameaçam esgotar o alfabeto grego e começam a gerar filhotes sob a forma de subvariantes. Tudo indica que o fantasma da pandemia subsiste, seu espectro persiste e a politização decorrente virou instrumento de poder. Enfim, a verdade é que a humanidade ainda se encontra meio assombrada, sem perspectiva de regresso ao planeta de onde partiu há mais de dois anos, diretamente de Wuhan.

Paulo Roberto Gotaç

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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100 ANOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA

Há 100 anos, a Semana de Arte Moderna foi o marco que deu impulso decisivo à modernização das artes plásticas, da música e da literatura no País. Um evento distópico e inaugural, a luz elétrica que iluminou a escuridão da cultura fortemente influenciada pela Europa até então. Viva São Paulo, que corajosa e atrevidamente sediou e protagonizou a cena revolucionária. Depois daquela inesquecível e marcante semana no Theatro Municipal, ainda com “th”, o Brasil não seria mais o mesmo. Vivam os modernistas!

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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MONARK & OUTRAS PEDALADAS

Sobre essa polêmica envolvendo o “youtuber” Monark, meu pai, que era um homem simples, de educação apenas primária, deu-me um dos mais valiosos conselhos que já recebi. Ele dizia: “da boca para fora, você tem que ter o maior cuidado para não ofender as pessoas, ou mesmo, para não prejudicar a si próprio. Já da boca para dentro o reino é todo seu – pense e imagine qualquer coisa, por mais absurdo que for – sua cabeça é só sua – creia, descreia, duvide até dos deuses – ninguém irá censurá-lo” (não é bem assim, as religiões sempre tentam impedir certos raciocínios). Aos 78 anos, o que vejo hoje é que a tecnologia, aplicada num país deficiente em educação, por vezes aumenta a ignorância ao invés de combatê-la. Além das fake news, o povo acostumou-se a um imediatismo apressado – ninguém quer ler mais do que três linhas de um assunto. Então poucos sabem que, além dos campos de concentração, houve barbaridades inimagináveis nos confins da Europa ocupada, com milhares de homens, mulheres e crianças sendo executados e enterrados em grandes covas coletivas, e, segundo testemunhas da época, durante algum tempo a terra se remexia, pois muitos estavam ainda vivos quando enterrados. Aposto que o tal Monark nunca ouviu tais relatos.

Nestor Rodrigues Pereira Filho

nestor.filho43@gmail.com

São Paulo

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