Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2022 | 03h00

Tensão na Ucrânia

Guerra de narrativas

A situação da Ucrânia mostra como a guerra de narrativas é construída na polarização política como propaganda ideológica, com visões irreconciliáveis, nesta nova guerra fria. Na versão ocidental, o presidente pró-Rússia foi forçado a abandonar o país após uma revolução democrática, em 2014. A Crimeia foi invadida e, depois, começou uma guerra civil no leste do país. A Ucrânia quer aderir à Otan, mas agora foi cercada pela Rússia, que ameaça invadir e tomar a capital Kiev. A independência das regiões de Donetsk e Lugansk viola o Direito Internacional e as tropas russas vão ocupar militarmente território ucraniano. Na versão russa, houve um golpe de Estado que derrubou um presidente democraticamente eleito, em 2014. A anexação da Crimeia foi aprovada em referendo realizado em toda a península. A Rússia está se defendendo do expansionismo da Otan, que quer posicionar mísseis em direção a Moscou. As regiões separatistas, que têm população russa, tornaram-se Repúblicas independentes e foram reconhecidas pela Rússia, que vai enviar tropas de paz. Ambos os lados têm suas razões.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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Tragédia em Petrópolis

Programas habitacionais

O que Petrópolis vive hoje é mais uma tragédia previsível e evitável. Assistimos, atônitos e impotentes, a centenas de mortes por deslizamentos de morros e soterramentos, enquanto governantes continuam fazendo nada para tirar a população carente dessas áreas de risco. São milhões de brasileiros nessa situação. Com os bilhões destinados ao Fundo Eleitoral, por exemplo, para políticos fazerem suas campanhas à nossa custa, muitos bons programas habitacionais poderiam ser implantados. Ao invés disso, políticos e governantes se locupletam com o dinheiro público. Que as lágrimas dos desabrigados e enlutados pesem na consciência dos corruptos e irresponsáveis.

Vera Lúcia Lahoz

veralahoz@terra.com.br

São Paulo

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Segurança pública

Arriscado

Sobre a reportagem Comandante dá aval a protesto da PM em MG e cria desafio a Zema (21/2, A8), há que registrar o quão inaceitáveis são o gesto do comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, Rodrigo Rodrigues, e as palavras por ele empregadas. A atitude do coronel Rodrigues de endossar publicamente um ato de protesto de seus comandados como o que veio a ocorrer na segunda-feira (21/2) é claro sinal de insubordinação, quebra de hierarquia e ativismo de uma organização que não foi criada para funcionar sob os mesmos parâmetros que regem organizações democráticas como partidos políticos, sindicatos, o próprio Poder Legislativo e o eleitorado de forma geral. As polícias militares, até por concentrarem as armas que devem proteger a sociedade, não podem atuar desta maneira para reivindicar o que julgam ser direito seu. Não entro no mérito de se o governador mineiro tem desenvolvido política acertada para esta ou outras áreas, mas seguramente o que se constata é algo que resvala em regimes políticos populistas, que, por seu turno, caminham próximo dos autoritários, quando não se tornam um. O que se viu nas ruas de Belo Horizonte, com uso de carros de som e gritos atacando o governador, só confirma isso. Que os setores que prezam efetivamente o regime democrático, muitos dos quais viam ou veem com simpatia estes movimentos (quando não os incentivam), reflitam sobre os riscos embutidos nesta visão de mundo.

Rui Tavares Maluf

rtmaluf@uol.com.br

São Paulo

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Eleição 2022

Gilberto Kassab

Lembro-me de como ele surgiu na vida política, vindo do malufismo. Foi eleito vice de José Serra para a Prefeitura de São Paulo. Herdou o cargo de Serra e conseguiu se reeleger para o mandato seguinte. De lá para cá, assumiu cargos de ministro e secretário de Estado, em que se revelou inexpressivo. Inspirado pelo balcão de negócios em que se transformaram os partidos, criou o PSD, agremiação sem programa sério, mas que no terreno fértil das adesões oportunistas conseguiu formar uma bancada expressiva. Serviu a todos os governos desde então, e hoje surge como político expressivo e negociador competente, enganando, inclusive, os candidatos à Presidência. Seria bom que os eleitores lessem a coluna Kassab como ele é, de Eliane Cantanhêde (20/2, A10).

Antônio Dilson Pereira

advdilson.pereira@gmail.com

Curitiba

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

UMA INVASÃO QUE NINGUÉM QUER

A invasão da Ucrânia é algo que ninguém quer. Nem o Ocidente nem a Rússia e muito menos os ucranianos. Mas há um aspecto de fundamental importância que Biden faz questão de ignorar ao analisar a questão: a vida de quantas dezenas de milhares dos seus soldados os EUA estariam dispostos a sacrificar para obter seus objetivos na Ucrânia? Qual seria a resposta dos demais países da Otan a essa mesma pergunta? E, se perguntassem aos ucranianos, quantas dezenas de milhares de soldados vocês estariam dispostos a perder para ter o direito de integrar a Otan? Agora, pergunte à Rússia, quanto sangue de seus filhos estaria disposta a dar para impedir que os foguetes da Otan sejam instalados nas fronteira russas com a Ucrânia? Tranquilamente, os russos estariam dispostos a perder nem que fossem cem mil soldados. A instalação de foguetes da Otan na Ucrânia é uma ameaça muito maior à Rússia do que constitui um objetivo de quem quer que seja na Ucrânia, na Europa ou nos EUA. Foi uma estratégia que encantou a alguns membros da aliança e que teria tido sucesso se tivesse passado despercebida. Mas os russos se deram conta do tamanho da ameaça. É hora de desmontar o circo. Assim, se o bom senso prevalecer, há bastante espaço diplomático para acomodar os interesses geopolíticos de todas as partes e evitar o pior. Infelizmente, até agora, o bom senso não prevaleceu em nenhuma oportunidade em que Putin e Biden se encontraram. Minha sugestão é convidar Angela Merkel e Barack Obama a fazer parte da mesa. Ela por sua ampla e bem-sucedida experiência neste tipo de acordos. Inclusive no acordo anterior envolvendo a Ucrânia. E ele para abrir a caneta e colocá-la na mão de Biden. Evitar algo que facilmente pode descambar em uma hecatombe nuclear é dever de todos. 

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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PUTIN, AUTOR DA CRISE

Por que ninguém acusa? Nenhum político, nenhum cientista político ou outro comentarista, nenhum órgão de imprensa acusa Putin de agressor e sofista/mentiroso na crise que ele provoca em torno da Ucrânia. Mesmo as redes sociais não viralizam esta verdade. A Otan foi criada durante a guerra fria como organização de defesa. A guerra fria terminou, mas a Rússia manteve o seu poder militar e a Otan continuou existindo. O comportamento de Putin justifica o receio dos países libertados, que os fizeram aderir à organização de mútuo apoio na defesa. A Ucrânia também se tornou independente e não deseja voltar ao domínio russo. Nenhum país pode ser mantido unido indefinidamente pelo poder dos tanques, recurso que Putin já exibiu antes. À população nos domínios da Rússia não interessa “glórias de grandeza e poder”. Putin deve temer uma nova desintegração estimulada pela atratividade – tipo de poder psicossocial – da União Europeia. Ele sabe que esta não tem visões de agressão nem preparação militar. Portanto, não existe “risco para a segurança da Rússia”. Estas verdades precisam ser divulgadas por todos os meios de comunicação.

Harald Hellmuth

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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QUEM PODE MAIS CHORA MENOS

A Rússia de Wladimir Putin, em busca do protagonismo que teve no cenário mundial nos tempos da extinta URSS, fustiga os EUA, União Europeia e Otan, ameaçando invadir a Ucrânia e desrespeitando o Memorando de Budapeste, de 1994. Tratados, protocolos, convenções, memorandos e leis existem aos montes, para não serem cumpridos. Putin, ex-KGB e ditador russo, aprisiona e manda envenenar dissidentes, impõe sua vontade sobre seus países satélites e a ONU pouco se manifesta.

J.A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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GASODUTO NO CENTRO DA CRISE UCRANIANA

A crise da Ucrânia é só um capítulo de uma disputa de poder muito maior entre os Estados Unidos e a Rússia, sobre a Alemanha e a Europa. O Gasoduto Nord Stream 2 é o centro da crise atual envolvendo a Ucrânia. É só uma disputa geopolítica. Os Estados Unidos não querem ver a Alemanha dependente do gás natural da Gazprom russa, o que aproximaria ainda mais aquele país da Rússia, o que os americanos e a Inglaterra não aceitam. A União Europeia, liderada pela Alemanha, unida à Rússia por tamanha dependência econômica é inaceitável para a continuação do poder hegemônico dos Estados Unidos sobre a Europa. 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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MAGISTRADOS DEIXAM A TOGA

São aterradores os fatos noticiados na matéria Magistrados deixam a toga e atuam em casos bilionários de recuperação judicial (Estado, 20/02, A9). Afinal, tudo lembra uma revoada de abutres. O mais triste é verificar que algo de muito errado acontece nessas recuperações, que se transformaram em fonte de fortunas da noite para o dia. Todas as atividades nessas ações devem ser muito transparentes, pois no final essa conta pode sobrar para o contribuinte de algum modo.

José Elias Laier

joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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‘CONHECENDO OS CANDIDATOS’ (Estadão, B4, 22/2)

Essa ideia (de Pedro Nery) é muito boa: obrigar todos os candidatos a cargos públicos, e não somente os candidatos à presidência, a apresentar suas declarações de Imposto de Renda dos últimos anos para poder participar das eleições. É muito importante para o eleitor saber quem viveu, vive e continuará vivendo exclusivamente de seus ganhos oficiais, ou não. 

Arcangelo Sforcin

despachante2121@gmail.com

São Paulo

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MARQUETEIRO DIGITAL

Carlos Bolsonaro foi nomeado pelo pai, Jair Bolsonaro, como o marqueteiro oficial para as próximas eleições. Afinal, ambos são chefes do gabinete do ódio e melhores do que qualquer outro. Aliás, a dupla negacionista tem certeza de que o ministro Luiz Roberto Barroso só ameaça, mas não tomará qualquer providência contra o disparo de milhões de fake news, nem mesmo contra a plataforma Telegram – aplicativo russo que interferiu nas eleições dos EUA e que propicia a disseminação das fake news –, que, apesar de não ter escritório no País, apoia a irresponsabilidade do governo federal. Esse é o Judiciário muito “preocupado” com as nossas eleições!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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MUDANÇAS QUE NÃO RESOLVEM

De que resolveria alterar o presidencialismo atual e vigorante para semipresidencialismo, se não tivermos líderes competentes, honestos e capazes de governar altaneira e satisfatoriamente? O quanto resolveria o semipresidencialismo se o ocupante do cargo submeter-se ao Congresso e este seja composto por legisladores capazes de lotear a Pátria e exigir sempre o seu quinhão nas verbas cujo destino aprovam?

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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DIREITA X ESQUERDA

A oito meses da eleição presidencial, sob a gravíssima ameaça da reeleição de Lula ou de Bolsonaro, segundo as pesquisas de intenção de voto, cabe reproduzir trechos do oportuno artigo de Ruy Altenfelder Eleições 2022:direita x esquerda (Estado, 21/2, A4): ”A distinção entre direita e esquerda – que por cerca de dois séculos, a partir da Revolução Francesa, serviu para dividir o universo político entre duas partes opostas – não tem mais nenhuma razão para ser utilizada. É usual a referência a Sartre, que parece ter sido um dos primeiros a dizer que direita e esquerda são duas caixas vazias. E que por isso, não teriam mais

nenhum valor heurístico ou classificatório, e menos ainda avaliativo.(...) Um extremista de esquerda e um de direita têm em comum a antidemocracia, que se aproxima não pela parte que representam no alinhamento político, mas apenas na medida em que representam alas extremas naquele alinhamento, pois os extremos se tocam”. Diante da análise, cabe dizer que votar na terceira via é a única saída para o País sair do poço sem fundo em que está metido até o pescoço desde os anos de desgoverno lulopetista, de lamentável memória. Nas próximas eleições, nem direita, nem esquerda, nem Bolsonaro, nem Lula. Muda, Brasil!


J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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BRASIL, IMPÉRIO DO CRIME

O Brasil deveria se envergonhar dos candidatos à Presidência da República. Lula e Bolsonaro deveriam estar na cadeia e o fato de eles estarem em liberdade é um tapa na cara da sociedade. Lula foi julgado, condenado e preso, teve o julgamento anulado, deveria ser julgado novamente, mas o STF resolveu lhe conceder uma inacreditável prescrição antecipada de seus processos em função de sua idade, na prática isso significa que Lula poderá ser um presidente da República inimputável. Jair Bolsonaro é diretamente responsável pela destruição sem precedentes do meio ambiente, o desmatamento se tornou política de Estado. Bolsonaro atrasou propositalmente a compra de vacinas, sua visão tacanha, leiga e negacionista foi imposta, passando por cima dos médicos e da ciência, isso custou a vida de centenas de milhares de cidadãos brasileiros. O fato de Lula e Bolsonaro continuarem a existir na vida pública é consequência da falência das instituições brasileiras. O Brasil se tornou o império do crime. Roubar dinheiro público é só o que importa para o Congresso e para as instituições. Lula e Bolsonaro criaram os maiores esquemas de roubo de dinheiro público da história: mensalão, orçamento secreto, emendas secretas, fundo partidário, só um retumbante idiota pode acreditar que tudo isso vai acabar com as eleições. O Brasil não é um país democrático, quem escolhe os governantes são os partidos políticos e quem se atrever a acabar com os esquemas de roubo de dinheiro público será massacrado pela fúria dos corruptos que mandam no País. Sérgio Moro deverá ser anulado muito antes das eleições; Bolsonaro e Lula vão disputar o segundo turno e quem ganhar vai manter e ampliar os esquemas de roubalheira generalizada de dinheiro público. O Brasil vai seguir seu caminho rumo ao que há de pior nas ditaduras de quinto mundo.     

Mário Barilá Filho 

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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ALCKMIN SERÁ CAPACHO DE LULA?

Sempre votei no Alckmin por acreditar nem tanto em sua eficiência como governante, mas porque parecia um pouco menos intragável como político, mas mesmo assim aprovado como gerente de algo que poderia ser uma empresa ou um banco, além de parecer honesto quando governador do nosso Estado, apesar de que, para ter certeza absoluta, ainda é muito difícil quando se trata de políticos. Diante da ausência de lideranças capazes de desbancar o PT aqui, acreditamos que ele poderá ser governador ou, no mínimo, senador. Para nós paulistas, todo esse capital conseguido em nosso Estado ele jogará no lixo se acabar sendo vice de Lula, que simplesmente o tratará como um capacho depois de eleito. Seria muita ingenuidade de Alckmin crer em promessas do petista, ou então ele é como os demais que vivem da política, sempre mentiu para nós e quer, isso sim, uma “boquinha” na mesa do banquete para poder participar dos lucros dessa empreitada petista com saudades do cofre generoso que campeou nos 13 anos de Lula a Dilma.

Laércio Zannini

spettro@uol.com.br

São Paulo

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CANDIDATO TRAMPOLIM

O eleitor paulista é enganado e o eleitor paulistano sente-se duplamente traído pelo candidato trampolim, quando o prefeito da capital abandona o cargo logo no início do mandato (2005-2006), após apenas 16 meses, para ser governador de São Paulo (2007-2010) e, depois, renuncia novamente para disputar a Presidência da República sem concorrer à reeleição do executivo estadual. Infelizmente, a história vai se repetir novamente com o ex-prefeito da capital (2017-2018) e atual governador (2019-2022), que anunciou que vai concorrer ao executivo federal. Colocar a ambição pessoal acima dos interesses da cidade de São Paulo e do Estado, sem concluir ambos os mandatos, prejudica projetos de longo prazo e provoca descontinuidade da administração pública.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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GILBERTO KASSAB

Kassab é sim a síntese do pior que podemos pensar em termos de

político – o aproveitador –, mas ele se difere, no entanto, de alguns, como os bolsonaristas, pois tem um tico e teco que funciona.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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ABSORVENTE

As manobras que estão sendo levadas a efeito presentemente por Gilberto Kassab, dono feudal do PSD, ex-prefeito da maior cidade do País, ao fingir que “empresta” – este talvez seja o verbo correto, por enquanto – apoio nas próximas eleições presidenciais a várias forças, alojadas em partidos indiscutivelmente antagônicos como os que servem de abrigo de casamata a Lula da Silva, a Jair Bolsonaro, a Eduardo Leite, a João Doria e a quem mais aparecer, são caracterizadas pelo tipo mais detestável de mimetismo político, aquele que adquire a cor do nicho de poder potencial do qual momentaneamente se aproxima e que muda quando dele se retira e se dirige a outro, sem permanecer em nenhum. deles, até descobrir o que mais lhe convém, quando então adere. Trata-se Um comportamento que reflete com fidelidade a qualidade oportunista e arrivista do homem público brasileiro, e que visa somente a galgar o poder, sem, após resultados favoráveis nas urnas, dar a mínima atenção ao eleitor iludido e descartado após usado, tal qual absorvente. Lastimável!

Paulo Roberto Gotaç

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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HARMONIA

O presidente Bolsonaro não vai à posse de ministros no TSE. O seu governo mostra o tempo todo que quer harmonizar azeite com água. Claro que prefere sempre o embate. Já perdeu.

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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TRAUMA LEGAL

No seu artigo Um trauma legal, de 22/02 (O Globo), o advogado criminalista João Bernardo Kappen conclui, por a mais b, que o ex-presidente Lula é inocente de todas as suas acusações e o ex-juiz Sergio Moro é o culpado por quase tudo, e ainda que, por esta sua culpa irremissível, o ex-juiz Moro deve ser lembrado pela história como aquele culpado por ter corrompido – e para sempre! – o Estado Democrático de Direito (sic). Claro que as poeiras de Protágoras e Górgias, os dois maiores sofistas gregos da história da Antiguidade clássica devem estar se revirando, por orgulhosos, em suas covas, e ainda mais quando os mesmos sofistas alegavam que podemos imaginar tudo, inclusive o que não é (em contraposição à posição imobilista da realidade, do filósofo Parmênides) e, mesmo, defender qualquer coisa, inclusive aquilo que jamais foi ou aquilo que jamais será. Não à toa os sofistas foram os precursores dos advogados! Mas ao afirmar que as decisões de cinco ministros da Suprema Corte, do Supremo Tribunal Federal (STF), que votaram a favor da prisão após a segunda instância de justiça, foram dadas à margem de qualquer interpretação possível da Constituição Federal, o articulista se trai, apresentando-se, então, e finalmente, conforme o seu talhe: mais um advogado que se incomoda muito com a possibilidade do fim dos infindáveis recursos judiciais – muito caros sempre – que mantêm fora das grades os apaniguados dos dinheiros e do poder político impune e inconsequente. Caro doutor Kappen, se o Lula é inocente e o Moro é culpado, depois de tudo o que houve, de tudo o que se divulgou e de tudo o que se apurou, então exultemos em vivas, pois, aos sofismas, aos sofistas e aos ridículos juízos e pareceres que os insensatos fazem da democracia, do País e da justiça!

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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POLÍTICOS E SOLIDARIEDADE

Dizem que o brasileiro é o povo mais solidário do mundo. Talvez seja, e faz muito bem às comunidades. Quem mais gosta desta palavra são os políticos, os prefeitos das cidades que sofrem com as tragédias. Se não existisse a solidariedade do povo, os prefeitos que não cuidam das suas cidades teriam de ficar ausentes delas por muito tempo, até a comunidade esquecer que o maior responsável pelas calamidades provindas de chuvas torrenciais são os mandatários das cidades sujeitas às intempéries. Na verdade, o povo também tem parcela de culpa, porque quem elege os prefeitos são os eleitores. Então, onde está o erro? A resposta é uma questão cultural do povo. Logo, a solução do problema é questão de tempo, e haja tempo.

Toshio Icizuca

toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

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SEM LERO-LERO

Tragédias como a de Petrópolis só deixarão de ocorrer no Brasil no dia em que for politicamente mais barato desalojar e expulsar os incautos das encostas geologicamente perigosas do que resgatar corpos debaixo de escombros de desabamentos causados por chuvas de verão. Para isso, só precisamos de uma coisa: um estadista.

Oscar Thompson

oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

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O EXEMPLO DOS VOLUNTÁRIOS

Nesse Brasil conduzido por falsos líderes, a colaboração voluntária na tragédia de Petrópolis de Loren Tiago, Matheus Dias e Valdir da Conceição é um sopro de esperança e exemplo de solidariedade. Os autores do processo de desconstrução do País, em andamento há décadas, com destaque para os presidentes passados e o atual, deputados, senadores e a corte (no sentido literal) do Judiciário, tendo como aliados a elite patrimonialista, aí inclusos os ambiciosos e individualistas candidatos à Presidência, todos claramente desprovidos do sentimento da vergonha, deveriam mirar-se nesses exemplos de autêntica brasilidade. No entanto, verificando-se que o foco único e permanente dessa caterva é a preservação do poder, temos a comprovação incontestável de que na formação moral desses indivíduos, por opção e omissão consciente, faltou-lhes um item essencial: o altruísmo. 

Honyldo Roberto Pereira Pinto 

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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NEGACIONISMO VACINAL

Quando tomamos conhecimento que 32 milhões de brasileiros ainda não tomaram a terceira dose da vacina contra a covid-19, mesmo que ela esteja disponível nos postos de vacinação. É assustadora tal inércia desse contingente populacional, que está retardando o fim dessa infecção virótica entre nós.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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ANS E AMIL

É inacreditável que a ANS aprove a negociação da Amil. A agência deve acreditar em Papai Noel, pois a Amil já descredenciou vários laboratórios para a realização de exames, demitiu muitos médicos e, mesmo assim, a ANS acredita em suas promessas Amil.

Isac Reismann

isac.reismann@gmail.com

São Paulo

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GRETA

Estamos assistindo, lamentavelmente, ao fogo que está devorando boa parte da mata em território argentino na divisa com o Rio Grande do Sul.

Será que avisaram a ativista Greta Thunberg que isso está ocorrendo ou ela só se preocupa quando o país é governado pela direita?

Carlos Alberto Duarte

carlosadu@yahoo.com.br

São Paulo

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