Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2022 | 03h00

O Brasil e a guerra

Independência

O Itamaraty, que sempre agiu de forma independente, votou na Assembleia-Geral da ONU a favor da resolução contra a Rússia. Com isso, deu provas de que permanece como um baluarte na resistência a Bolsonaro e seus seguidores. Este voto foi importantíssimo para mostrar aos brasileiros que nossas instituições, bem ou mal, continuam vivas, fortes e que não se submeterão aos desígnios de um fanfarrão boçal.

Leão Machado Neto

lneto@uol.com.br

São Paulo

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Neutralidade condenável

A neutralidade não combina com o Brasil nem com a sua posição em meio às grandes nações do planeta. Sempre na comodidade de sua histórica neutralidade, desta vez até a Suíça fez uma opção e condenou a Rússia. O posicionamento do Brasil deve ser o de uma nação independente que condena a agressividade e os passos ditatoriais russos, em defesa de um país que não deseja ser subserviente nem ser acoplado à Rússia. A Ucrânia merece respeito e consideração.

José C. de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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Em defesa do potássio

O presidente Bolsonaro, que dias antes do início da guerra esteve com Putin e se disse “solidário à Rússia”, não esperava o apoio maciço dos países em favor da Ucrânia após a covarde invasão. Agora, sem justificativa plausível para o apoio precipitado, diz que o Brasil depende do potássio que importa da Rússia. Uma saída vergonhosa. Não havia outra, capitão?

Toshio Icizuca

toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

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Solidariedade à Rússia

O que faz Bolsonaro apoiar a destruição das cidades, casas e das famílias ucranianas e o assassinato de cidadãos daquele país pelos russos, exatamente como fazem Venezuela, Cuba e Nicarágua? Teria a viagem de Bolsonaro à Rússia selado o apoio de Vladimir Putin à sua reeleição, colocando a sua disposição a poderosa máquina de hackers russa e a “generosidade”, quem sabe, dos amigos multimilionários daquele autocrata? Alguém é capaz de responder? Perguntar não ofende, nem mata.

Fernando Pirro

fpirro@uol.com.br

São Paulo

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Escolhas

Menosprezando Volodmir Zelenski, Jair Bolsonaro disse que os ucranianos escolheram um comediante para a presidência. A meu ver, escolheram um comediante e acharam um estadista. Já os brasileiros esperavam eleger um estadista, mas acharam um comediante que está levando o País a uma tragédia.

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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Truão

Zelenski ganha a admiração do mundo por ser um comediante que se tornou presidente da Ucrânia e defender o seu país da invasão russa com ardor patriótico de verdadeiro estadista. Nada mau. O indesejável reverso também é encontradiço: no concerto das nações há presidentes que se transformam em comediantes. Nada bom. O bicho pega, no entanto, quando, entre estes mandatários com pendores arlequinais, se destaca um que se deixa enlear em odioso cipoal de escárnios, fanfarrices, zombarias e se transforma num acabado truão. Aí é o pior dos mundos, e não há tatu que aguente. (Basta o milagre ou é preciso nomear santo?)

Joaquim Quintino Filho

jqf@terra.com.br

Pirassununga

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Rumo à civilização

O grande desafio para a Nação descobrir o fio da meada rumo ao alinhamento com países minimamente civilizados está marcado para o mês de outubro, no primeiro turno das eleições majoritárias. Entre os anseios da sociedade politicamente esclarecida está a renovação do Congresso, que poderá fortalecer as instituições republicanas, ensejando o início de uma revolução de ideias em direção à verdadeira democracia. Como eu disse, este será o principal desafio, posto que, numa democracia que se preze, há que haver parlamentares à altura. Mas a nossa conjuntura política nos leva a imaginar que este sonho de mudança jamais se realizará sem uma terceira força que mude o atual status quo. Não que não tenhamos quadros adequados para compor essa legião. Há, sim, muita gente, mas pesa sobre essas pessoas a força da vaidade, por exemplo. Quem assumirá a liderança de forma consensual deste movimento? O tempo urge e ainda não se delineou uma terceira via capaz de acabar de vez com o bolsolulismo que aflige o nosso cotidiano.

Emmanoel Agostinho de Oliveira

eaoliveira2011@gmail.com

 São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

SEGURANÇA NACIONAL

Jair Bolsonaro não tem apreço pelas instituições e governa no estilo informal das milícias criminosas, isso ficou claro quando se soube da existência de um gabinete paralelo com poder maior que o próprio Ministério da Saúde. O Brasil precisa saber quem está orientando Bolsonaro nas questões de política externa, nada justifica o alinhamento de Bolsonaro com o presidente Putin, junto com o bloco comunista e algumas poucas nações, todos párias contumazes. Descobrir quem é o novo guru de Bolsonaro é uma questão de segurança nacional, essa forma de governo informal não encontra amparo na constituição e expõe o País a riscos gravíssimos.        

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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A QUEDA DE PUTIN

Como se sabe, o autocrata Vladimir Putin, no poder desde o ano 2000 (!),como se fosse um imperador, sancionou uma polêmica lei aprovada pelo Parlamento que permite a ele disputar outros dois mandatos, de seis anos cada, podendo, assim, permanecer no poder até 2036 (!), superando, de longe, qualquer outro presidente da Rússia ou da extinta União Soviética. O resultado da criminosa e covarde invasão à Ucrânia, pondo o mundo dos países livres e democráticos unidos em uníssono em apoio ao país, pode acabar em pesadelo para o "czar" russo. Seu tiro pode acabar saindo pela culatra, não sendo exagero prever que não conseguirá terminar o seu atual mandato até 2024. O urso russo morrerá de fome e de frio isolado no inverno. Quem sobreviver verá.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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CHINA POMBA DA PAZ

A China poderá ser a pomba da paz nesta guerra absurda. Foi positiva a resposta da China ao pedido da Ucrânia para ela atuar como intermediária para um cessar-fogo e acordo de paz da Ucrânia com a Rússia. Uma virada na política externa chinesa de decisiva importância, pelo fato de a China ser a grande potência da qual a Rússia é totalmente dependente, no momento em que as portas das nações do Ocidente se fecharam para Putin. Uma grande esperança de paz e de muito prestígio para a China, numa jogada de mestre do chanceler Dmytro Kuleba e do presidente Volodimir Zelenski, da Ucrânia, e de Xi Jinping, para quem esta guerra só atrapalha seus negócios pela rota da seda que passa pela Ucrânia, ponte entre Ásia e Europa.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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NULO E/OU NEUTRO

Na matemática nulo e neutro têm uma diferenciação. Na vida real tem quase o mesmo significado. Por exemplo, quando Bolsonaro diz que vai ficar neutro com relação à crise Rússia e Ucrânia, significa a nulidade como dirigente. Suas ações no espectro governamental são sempre nulas ou neutras. Multiplicar 1 x 0 ou 0 x 1 o resultado é o mesmo. O Brasil está no zero há muito tempo em quase todos seus aspectos. Porém com esta leva de políticos que aí estão vamos ficar na mediocridade ainda por um bom tempo. Vamos melhorar a qualidade de nosso voto. Depende só de nós.

 Iria de Sá Dodde

iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

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QUANDO A JUSTIÇA É APENAS UMA HIPÓTESE

Que Bolsonaro se consagrou logo no primeiro ano do mandato como o pior presidente da nossa República já é fato comprovado. Também não resta dúvida de que não parou de se superar daí em diante. Além da devastação do nosso meio ambiente, da política criminosa no combate à pandemia, entre outras, o presidente persevera em nos envergonhar perante a comunidade mundial. Desta vez chegou à fama quando declarou solidariedade a Putin, líder da Rússia, ao mesmo tempo que a comunidade internacional já tinha certeza da invasão da Ucrânia. Suas afirmações posteriores sobre a guerra naquele país nos causaram vergonha perene. Parecem afirmações de uma pessoa fora da realidade por algum motivo psicológico. Foi assistindo às barbaridades dos soldados russos na Ucrânia, com uma invasão injustificada e covarde, que cheguei à conclusão de que no Brasil a Justiça é apenas uma hipótese. Se assim não fosse, Bolsonaro já teria sido destituído há tempos, se o presidente da Câmara dos Deputados não estivesse prevaricando, retendo um número expressivo de pedidos de impeachment. Lira alega cinicamente autoridade que não possui, em retribuição àquele que o ajudou a ocupar o seu posto atual. O presidente vem infringindo as leis em vigor, inclusive realizando campanha para a sua reeleição, não só fora do período permitido, como utilizando verba pública, sempre contando com o apoio ilegal do deputado Arthur Lira. Os prejuízos ao País são irrecuperáveis. Se lembrarmos que o Centrão se formou durante a Constituinte, a nossa Justiça, principalmente para os políticos, é apenas uma hipótese.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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ATÉ A FIFA APLICA SANÇÕES

Um extremo retrocesso econômico e social será a conta a pagar pelo povo russo pela ação deste soberbo e incendiário presidente da Rússia, Vladimir Putin, que perversamente decide invadir e bombardear com a sua poderosa tropa a Ucrânia, na qual deixa um rastro de destruição, feridos e mortos. E, em meio a esse caos, fez bem a Fifa de eliminar a Rússia da Copa do Mundo deste ano no Catar e de todas as competições internacionais de futebol. Assim como os EUA e União Europeia aplicaram duríssimas sanções econômicas à Rússia, que deve ficar alijada do sistema financeiro, pois teve contas fora do País confiscadas, incluindo as reservas cambiais e também dos bilionários russos. Efeitos já ocorrem com o rublo, papéis das suas empresas despencam na bolsa e já se fala em quebradeira de bancos russos. Será que Putin vai suportar a revolta de seu povo?! O implacável Tribunal de Haia já vê crime contra a humanidade por parte deste presidente que, se pensava sair vitorioso desta excrescente aventura que se meteu invadindo a Ucrânia, certamente, será o grande derrotado...

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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ROTO FALANDO DO ESFARRAPADO

O presidente Jair Bolsonaro é o próprio fanfarrão quando resolve abrir a boca e fazer seus comentários. Disse que a culpa é do povo ucraniano que elegeu um comediante e deu no que deu. Sem olhar para o próprio umbigo, omitiu que os brasileiros elegeram um péssimo militar que fora exonerado do Exército Brasileiro pela sua incapacidade, indisciplina e desrespeito à ordem pública e, também, deu no que deu. Na verdade o presidente ucraniano, Volodmir Zelensky, se mostrou, em todos os sentidos, muito superior ao nosso presidente tupiniquim. É o roto falando do esfarrapado. Mais uma vergonha para o rol de Bolsonaro!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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RETROCESSO

A invasão da Ucrânia pela Rússia pecou por seu anacronismo. Estivéssemos ainda em meados do século 19, quando os Estados Unidos anexaram o Texas e a Califórnia, após uma guerra travada contra o México, além de outros atuais Estados federativos norte-americanos, somando cerca de 2.000.000 km², e o mundo não seria tão afrontado em seus princípios humanistas e de soberanias atuais. Quem foi o responsável pela Guerra do Paraguai, o próprio Paraguai ou a Inglaterra? De qualquer modo, o Brasil anexou 60.000 km² do Paraguai e a Argentina anexou outros 90.000 km². As Malvinas são argentinas ou inglesas? Sim, o mundo, os seus costumes e as suas leis internacionais evoluem pelo passar dos tempos e pela própria evolução histórica de seus acontecimentos. Mas, os seres humanos, esses, não; esses são incorrigíveis e fazem as histórias do progresso humano e das sociedades humanas sempre voltarem aos tempos das cavernas.

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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PUTIN, UM CRIMINOSO DE GUERRA

Com todo o cerco econômico à Rússia adotado pelos países contrários à invasão da Ucrânia, a impressão é que Putin não está nem aí para eles, porque tem sob seu domínio as forças militares que por enquanto estão com ele. O medo de todos nós é que esse indivíduo, em algum momento irritado com a demora em tomar o país ucraniano e colocar de joelhos o presidente Zelensky, dispare um míssil atômico contra algum alvo que nem podemos imaginar qual, visto ele ameaçar até a Finlândia e a Suécia. A impressão que fica é que as medidas econômicas contra a Rússia não darão resultado, porque Putin não está nem aí se entrar para a história como um criminoso de guerra, desde que retome a Ucrânia e a partir daí reconstrua uma nova URSS e seja reconhecido pelo seu povo.

Laércio Zanini

spettro@uol.com.br

Garça

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CARIDADE OU OPORTUNISMO

O governador de São Paulo está oferecendo asilo para ucranianos. Por que não vemos essa bondade com os brasileiros que estão jogados nas ruas? Muitos não têm casa, comida e emprego. Parece mais uma jogada eleitoreira, um oportunismo do que uma preocupação com quem sofre. Quem anda pelas ruas da maior cidade da América Latina pode ver o tamanho do abandono dessas pessoas. Portanto, não precisa ir tão longe se a razão é fazer caridade. 

Luciana Lins

lucianavlins@gmail.com

Campinas

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EU ACUSO

Todo cidadão responsável deve acusar Vladimir Putin de “Crime Contra a Humanidade”. Ele demonstra não ter a mínima consideração pela vida dos ucranianos nem pela vida de seus comandados. A comunidade dos povos deve execrá-lo, começando pela ONU, o papa e outros líderes religiosos, os governos dos países e todos os cidadãos. Que se abra de imediato um processo em tribunal internacional. Eu acuso! É também a forma de prevenir imitações.

Harald Hellmuth

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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SANÇÕES

Que não haja ilusões: as sanções econômico-financeiras impostas à Rússia como represália à invasão da Ucrânia retornarão sob várias formas ao restante dos países mundo afora, pois vive-se num planeta interconectado, funcionando de forma não linear. Assim, a sanção lançada em uma direção pode retornar desfigurada à origem e produzir às vezes efeitos tão ou mais danosos. Que se preparem todos, portanto, para eventuais altas dos combustíveis, com consequentes custos aumentados de energia, além de reflexos negativos nos agronegócios globais, acarretando carestia de alimentos, entre outros desdobramentos sinistros. Espera-se que seja dada atenção a uma montagem inteligente do arsenal de sanções partidas do Ocidente para que o feitiço não acabe virando contra o feiticeiro e tudo termine como um jogo em que todos perdem.

Paulo Roberto Gotaçprgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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ESPERANÇA NAS NEGOCIAÇÕES

Que Putin “não é flor que não se cheire”, como diz o jargão popular, é o óbvio ululante, mas a maioria dos meios de comunicação esquece dois fatos importantes do passado, que também quase provocaram uma guerra mundial e têm relação com os principais players deste novo perigo de conflito mundial. Começou em 1961 com a instalação pelos EUA de mísseis com ogivas nucleares na Turquia e Itália. Logo a seguir, em resposta, a União Soviética, em 1962, começou a instalar uma base para lançamento de mísseis com ogivas nucleares em Cuba, a 150 km da Flórida. Nessa ocasião os EUA agiram sozinhos, bloqueando a passagem de navios russos para Cuba. Após um acordo, os soviéticos concordaram e desmontaram a base de lançamento. Agora temos a repetição do mesmo problema, a instalação de mísseis com ogivas nucleares no “quintal” da Rússia, e, salvo melhor juízo, a Ucrânia foi incentivada indiretamente pelos EUA.

 A Ucrânia, em vez de realizar uma negociação, que seria dificílima, sobre as províncias separatistas, a Crimeia e contra alguma invasão russa, provocou-a e a Rússia, numa ação assustadora, invadiu a Ucrânia. Infelizmente o papel que o presidente da Ucrânia está fazendo é o de “bucha de canhão” e o povo ucraniano está sofrendo. Temos de ter esperança nas negociações. 

José Luiz Abraços

octopus1@uol.com.br

São Paulo

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DISFUNÇÃO COMO REGRA

O capitão presidente, ao se manifestar pela neutralidade diante da carnificina promovida pelo comunista Vladimir Putin contra a inofensiva população ucraniana, parece que se esqueceu que já afirmou “querer varrer os comunistas do Brasil”. Trata-se de incoerência ou disfunção laborativa. Fico com a segunda opção. Na mesma família, paga-se o custo de um mandato de deputado federal a Eduardo Bolsonaro, na expectativa deste legislar sobre assuntos relevantes e atuais ao País, e não ficar tratando de assunto já pacificado desde 2005, quando quase 64% dos eleitores votaram pela proibição do comércio de armas de fogo no Brasil. Novamente, somente uma disfunção laborativa explicaria tal desvio. Truncando a frase de Winston Churchill: nunca antes tão poucos fizeram tão mal a tantos brasileiros. Felizmente, 2 de outubro está logo aí. 

Honyldo Roberto Pereira Pinto 

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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PAULO SOTERO

Favor transmitir parabéns ao professor Paulo Sotero pelo artigo Um Brasil altivo e ativo, mas do lado errado na seção Espaço Aberto (Estado, 2/3, A5). Lembrá-lo que nos anos 1990, importante secretário de Estado americano alertou que seria erro fatal a Otan tentar uma expansão futura,

Pois a Rússia interpretaria (corretamente) como intenção sub-reptícia de expansão geopolítica. Portanto, americanos e europeus tinham consciência do caso.

César Eduardo Jacob

cesared30@gmail.com

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