Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2022 | 03h00

Educação

Sinal de alarme

Como bem sabido, todos os países, principalmente os mais desenvolvidos, se preocupam com o desempenho dos seus alunos especialmente no aprendizado de Matemática, matéria que trabalha conhecimentos essenciais para o mundo moderno. Ao primeiro sinal de que algo não vai bem nessa área, a mobilização das autoridades é imediata. Sem dúvida, os números mostrados na matéria Pandemia faz nota de Matemática ser pior da série histórica de prova paulista (Estado, 3/3, A19) são alarmantes e exigem urgentes respostas das autoridades educacionais paulistas. Embora os nossos números de desempenho em Matemática nunca tenham sido brilhantes, a atenção agora deve estar voltada para, ao menos, redobrar os esforços dos educadores.

José Elias Laier

joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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Guerra na Ucrânia

Conversa fiada

A reunião entre negociadores ucranianos e russos na quinta-feira (3/3) resultou na decisão de abrir um corredor humanitário para a retirada de civis do meio da guerra. Outro encontro pode acontecer, talvez, na próxima quinta-feira. Conversa fiada. Na velocidade com que o Exército russo toma a Ucrânia, não será preciso nova reunião. Até lá, Putin já terá o presidente ucraniano de joelhos e o país em suas mãos.

Laércio Zanini

spettro@uol.com.br

Garça

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Chernobyl parte 2

O bombardeio russo próximo a uma usina nuclear ucraniana nos põe de volta diante do temor de um desastre sem precedentes, fazendo Chernobyl parecer apenas “o trailer”.

Sérgio Eckermann Passos

sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

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Será?

Vladimir Putin não contava com o boicote internacional, a resistência da Ucrânia, a disposição do povo ucraniano em defender sua pátria e um presidente ucraniano destemido, que deixou a commedia dell’arte para empunhar a espada da defesa de sua nação. Agora, Putin só tem a ameaça nuclear para fanfarronear. Será?

Elisabeth Migliavacca

Barueri

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O fim do mundo

Numa de suas muitas quadras, Nostradamus previu que o fim dos tempos poderia ocorrer nos anos 2020, mas deixou a esperança de que o mundo também poderia ser salvo em 2027. Acredite-se ou não nele, o fato é que irresponsabilidades e inconsequências de EUA e Rússia põem o mundo em suspense diante da possibilidade de uma hecatombe nuclear. Era só o que faltava! Vladimir Putin, em menos de uma semana de guerra, já fazia a ameaça atômica, numa precipitação que não lhe é habitual. A Ucrânia parte para a resistência, que tende a ser massacrada caso a guerra persista, como parece. Nos EUA, novos falcões, senhores da guerra, empresas bélicas e políticos em busca de popularidade, também não nos trazem confiança de que se deva buscar o entendimento, a paz. Qual a justificativa do complexo militar norte-americano, se não houver guerras? Enfim, para quem não acredita em Nostradamus, é bom começar a crer em Deus.

Sandro Ferreira

sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)

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Desafio geracional

A deflagração do conflito entre Rússia e Ucrânia representa um marco simbólico para a recente crise das democracias liberais. A debilidade desses regimes se fez evidente pela ascensão de líderes populistas autoritários, como Donald Trump (EUA), Recep Tayyip Erdogan (Turquia), Viktor Orbán (Hungria) e Jair Bolsonaro (Brasil); por movimentos religiosos extremistas (vide Estado Islâmico); e pelo ressurgimento de agrupamentos supremacistas (vide neonazismo). Aos meus 23 anos, tornam-se nítidos dois dos maiores desafios de minha geração: a escalada política, econômica e militar de nações regidas por governos tirânicos e o desafio de harmonização entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. As soluções de ambos os problemas demandarão liderança política nacional e atuação multilateral na política externa. O Brasil, no entanto, caminha para o isolamento geopolítico e para uma eleição presidencial polarizada entre um capitão reformado ilhado em seus devaneios negacionistas e um ex-presidente cuja concepção de mundo remete à ordem anterior à queda do Muro de Berlim – ambos devendo boas explicações à Justiça. O futuro à vista não nos é nada animador.

Elias Menezes

elias.natal@hotmail.com

Belo Horizonte

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O CÍNICO, A CORRUPÇÃO E A GUERRA

Diógenes de Sinope, filósofo que fez da mendicância sua expressão de virtude, vivia perambulando com sua lamparina pelas ruas da antiga Atenas, na Grécia, e quando era indagado alegava que estava procurando um homem honesto. Detalhe: ele morava em um tonel e buscava como ideal cínico uma vida sem luxúria, a despeito das benesses da civilização da época. Era, ainda, conhecido como Diógenes, o Cínico, que enfrentou Platão com uma galinha depenada; atraiu a admiração de Alexandre, O Grande, pela franqueza; e praticava como nenhum outro filósofo de sua época a “parrhesia” (do grego: fala franca, fala reta). Admirado por Foucault, outro filósofo, que em seu livro Coragem da Verdade descreveu-o assim: “O cínico é o homem do cajado, é o homem da mochila, é o homem do manto curto, barba hirsuta, pés descalços e sujos, com a mochila, o cajado, e que está ali, nas esquinas, nas praças públicas, na porta dos templos, interpelando as pessoas para lhes dizer algumas verdades”. Ou seja, para Foucault: “O cinismo é a forma de filosofia que não cessa de colocar a questão: qual pode ser a forma de vida que seja tal que pratique o dizer-a-verdade?”. A “verdade cínica” é um grande desafio para a nossa sociedade atual. É o calcanhar de Aquiles. É o ponto nevrálgico das relações humanas da vida em comum. Ou seja, é dificílimo aceitá-la, simplesmente porque, a partir da “verdade cínica”, existem coisas que não são negociáveis, não são objetos do mercado, não são vendáveis, não são consumíveis e nem muito menos comercializáveis. Entretanto, a guerra que sequestra a verdade entre a Rússia e a Ucrânia e o mundo atual clama justamente pelo contrário, por coisas negociáveis, vendáveis, consumíveis e comercializáveis, em que a corrupção e a mentira são destacadamente a regra, e não a exceção. Aliás, o combate à corrupção e às falsidades políticas da guerra tem sido uma das principais bandeiras advindas do clamor das ruas nos últimos tempos e encontra desafios gigantescos advindos dos próprios protestantes que para as ruas foram, decorrentes em grande parte dos seus próprios vícios. Ou seja, ainda é raro, é raríssimo, encontrar alguém que nunca tenha cometido pequenos desvios de conduta no seu cotidiano, como, por exemplo, furar uma fila de um cinema qualquer ou comprar produtos falsificados na feirinha da “china”. É importante frisar que esses comportamentos não deslegitimam, de forma alguma, o grito e o clamor que vêm das ruas contra a corrupção e contra a guerra, pelo contrário, apenas exemplificam que o problema da corrupção no mundo e da guerra que acontece no coração da Europa está para além da esfera midiática que apenas busca altos índices de audiência. Enfim, ao lançar um olhar mais sutilmente crítico sobre a guerra entre russos e ucranianos, o que se encontra no horizonte é, estupefato e embasbacado, o arguto Diógenes de Sinope, o Cínico, perambulando com sua lamparina pelas ruas dos países da Otan, tentando encontrar um homem honesto.

Antonio Sergio Neves de Azevedo

antonio22yy@hotmail.com

Curitiba

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GUERRAS E GUERRAS

Uma diferença marcante entre as guerras do Iraque e da Ucrânia é que à primeira a comunidade internacional assistiu impávida. Não houve sanções nem manifestações de ruas e quase nenhuma exposição, na mídia, do drama vivido pelo povo iraquiano, enquanto os jatos desovavam megatons sobre Bagdá e cidades próximas, incendiando edifícios, fábricas, escolas, campos de petróleo. Tais eventos eram noticiados até com ares de comemoração. Era para ser uma operação “cirúrgica”, segundo o então presidente George Bush, no entanto, durou anos, e o país permanece em situação igual ou pior do que estava no governo de Saddam Hussein – cuja execução, cabe realçar, foi oferecida ao público como espetáculo de fazer inveja aos tribunais da Inquisição, algo que até ali imaginaríamos impensável de ser reeditado, no contexto de nossa suposta modernidade.

Patricia Porto da Silva

portodasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

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SOLUÇÃO LEGAL

Quais os caminhos legais para afastar Vladimir Putin de seu cargo? O ocidente deve perseguir com afinco essa alternativa, oferecendo vantagens para a Rússia caso afastam Putin do comando e terminem a guerra rapidamente. Uma vez afastado do cargo, Putin responderia pelos crimes de guerra no tribunal de Haia.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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O MUNDO EM GUERRA ENTRE O VELHO E O NOVO

De repente, o mundo virou de pernas para o ar. A guerra convencional, que pensávamos já extinta ou restrita a grupos rebeldes de regiões pobres, é exposta globalmente como um show televisivo. Os ucranianos, armados de espingardas, paus, pedras, panelas e outros instrumentos singelos, encaram o poderoso Exército russo. Há até o blefe – coisa comum em guerras – em que as partes exageram em relatar seus feitos. Nós, que não somos ucranianos nem russos e estamos longe do conflito, não sabemos em quem acreditar. Mas o importante é que se encontre a solução. O presidente Bolsonaro chegou a ser desaconselhado a visitar a Rússia, mas cumpriu a agenda, falou pela paz, assinou a resolução da ONU pelo cessar-fogo; e agora abre as fronteiras brasileiras para os refugiados ucranianos. A guerra Rússia-Ucrânia é um misto do antigo e do moderno e, de um simples desentendimento regional, ganhou contornos mundiais. É interessante o Brasil manter sua neutralidade, pois tem boas relações com os dois lados e isso pode ajudar. Brigar com a Rússia é para os Estados Unidos e países líderes da Europa. Talvez o ponto do equilíbrio seja encontrado na China. Coisa para as potências militares ou econômicas. Nosso país tem de ser cauteloso e evitar a politização interna do conflito. Tratar dele é tarefa do governo, do Congresso Nacional e da diplomacia, com seus especialistas, que devem saber o que fazer. O mundo precisa agir de forma contemporânea. Os encarregados pela economia, política e relações sociais têm a obrigação de abandonar os velhos dogmas – direita, esquerda, centro e suas variantes – e olhar ao seu redor o grande número de recursos e oportunidades para se desenvolver e garantir o bem-estar geral. Chega de colocar na frente ideias que oportunistas de séculos atrás conseguiram impingir aos seus contemporâneos e as futuras gerações tomaram como adequadas.

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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SOLDADOS RUSSOS ENGANADOS POR PUTIN! 

Soldado russo preso pelo Exército ucraniano, algemado e chorando, fala com sua mãe e diz que ele e seus colegas foram enganados por Putin e seus comandantes, convencidos de que participariam de grandes manobras de exercício e não de uma guerra de verdade, de uma invasão da Ucrânia! Ele diz ao celular: “Fomos enganados. Mentiram para nós!”. É por aí que Vladimir Putin será derrotado!

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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UMA BOLHA PARA PUTIN

Hitler teve o seu complô perpetrado por seus pares insatisfeitos. Não deu certo, mas houve uma tentativa. Putin, provavelmente, também terá o seu, organizado por russos incomodados com uma guerra que os afeta por causa das sanções que estão sendo impostas à Rússia. Não se sabe se dará certo. Se não der certo, Putin pelo menos vai saber que não pode tudo e passará a viver numa bolha para proteger-se. Viagens? Nem pensar!

Alvaro Salvi

alvarosalvi@hotmail.com

Santo André

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PARADOXO NUCLEAR

Há dias, a Rússia deu início à invasão militar do território Ucraniano, onde estão instalados 15 reatores nucleares, o que nos induz a uma indagação simples: o que acontecerá se algum desses reatores for atingido pelo fogo cruzado ou se faltar energia ou água para mantê-los sobreaquecidos? Certamente um desastre será inevitável.

A ignóbil atitude bélica tomada pela Rússia, ao invadir a Ucrânia, tem o seu lado positivo, tendo em vista que tal agressão foi, quase que unanimemente, condenada pelos membros da ONU, à exceção de China, Índia e Emirados Árabes Unidos.

Desde o término da 2ª Guerra Mundial, há 77 anos, é a primeira vez que o mundo encontra-se unânime para poder, objetiva e taxativamente, deliberar sobre o que é necessário e precisa ser praticado por todos os integrantes da ONU, a fim de criar-se um inflexível controle, no que concerne à desnecessidade de o vulnerável planeta Terra continuar convivendo com a existência do poderio nuclear, que ora a todos ameaça.

Ao mesmo tempo que o mundo se utiliza da energia nuclear para o seu desenvolvimento, também se expelem resíduos tóxicos e nocivos aos habitantes do nosso agastado planeta.

É chegada a hora de o mundo escolher qual o planeta-depositário que deverá ser escolhido para ser o “guardião” desse nefasto material, que já chegou a ser o “sonho dourado” dos principais países do globo terrestre.

Gary Bon-Ali

gary.bonali@gmail.com

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UCRÂNIA – CORAÇÕES E MENTES

Digamos que a Rússia consiga conquistar a Ucrânia. Qual o seu plano para lidar com uma população que não aceita o seu domínio de modo algum? Ora, isso não assusta nem um pouco Putin. Ele tem muita experiência com situações em que é preciso conquistar o coração e a mente do povo. Veja como é na Bielorússia, ou o que fez na Geórgia e nos outros países que absorveu. Ou ainda a proeza que realizou na Síria, onde Bashar Assad antes só era apoiado por uma pequena minoria e, agora, aí do sírio que não sorri para ele. Ou na Venezuela, onde a grande maioria do povo passa fome e os votos computados “maciçamente elegem” Maduro e os seus. Ou em Cuba, onde o povo continua fidelizado e castrado, mesmo após a morte de Fidel Castro. Ou na Coreia do Norte, onde para se esquecer de suas agruras o povo passa o dia inteiro cantando músicas de louvor a Kim Jong-un. E a lista passa pela China e suas minorias, pelo Irã e vai longe. A técnica utilizada pelos regimes totalitários para domesticar um povo revoltado é baseada no que se faz para adestrar cães. No começo um sanduíche de mortadela para os que colaboram. Depois de algumas vezes, um elogio: “É isso aí, camarada!”. Ao mesmo tempo, campos de reeducação para os que teimosamente se opõem. Execuções públicas, etc. Não vou me estender em detalhes que podem revoltar o estômago de alguns. O objetivo é fazê-los obedecer sem pensar. E claro, uma mídia que só noticia o que interessa, do jeito que interessa, se interessar. Com o tempo a população estará sentando, rolando, pegando a bolinha e fazendo qualquer coisa que o ditador Putin mandar. Isso é o que Putin pensa. Já Zelensky discorda e conclama: “Glória à Ucrânia”. Só o tempo dirá. 

Jorge A. Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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ESCONDENDO-SE ATRÁS DA CRISE

O presidente Jair Bolsonaro, como um grande “estadista” que é, continua se escondendo atrás da crise que nunca pretendeu resolver. Afinal, a inflação aumentou drasticamente, a gasolina também, as commodities (mercadorias) idem, mas, Bolsonaro culpou a mídia, depois o lockdown imposto pela covid, depois na falta de escrúpulos da Petrobrás e, agora na guerra – que ele apoia – entre russos e ucranianos. Assim, enquanto tudo vai para o buraco, Bolsonaro faz motociatas, dança funk em iates chamando as mulheres de “cadelas”. Na verdade é considerado como o presidente mais medíocre que o Brasil já teve. É o que temos para hoje!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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PSD – GILBERTO KASSAB

A respeito da oportunista postura camaleônica do Partido Social Democrático (PSD), de Gilberto Kassab, cabe lembrar suas palavras por ocasião da criação da nova sigla em 2011: “O PSD não será de direita, não será de esquerda, nem de centro”. Irmão siamês do fisiológico “Centrão”, comporta-se como um torcedor de futebol que vai ao estádio sem camisa de time e grita goool! a cada tento marcado, não importa por qual lado. Pobre Brasil!

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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TUDO COMBINADO!

Para quem estranhou o voto do ministro do STF André Mendonça, (indicado por Bolsonaro), contra o fundo eleitoral de R$4.9 bi, aí está o resultado. Tudo milimetricamente combinado. O Brasil que se dane!

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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NOMEAÇÃO DE JUÍZES

Li que o novo presidente deverá nomear mais 31 juízes nos tribunais do Brasil, é isso? Aí pergunto: para que tantos juízes, em todos os tribunais, se nada resolvem? Seria para receberem mais penduricalhos? Verbas extraordinárias? Para que servem efetivamente, já que a Justiça em geral anda a passos de cágado e nada resolve.

Jonas de Matos

jonas@jonasdematos.com.br

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CONCURSOS VICIADOS?

É muito estranho que a população presidiária brasileira, em sua imensa maioria, seja composta, comprovadamente, de negros e pobres, e que as estatísticas prisionais e seus condenados decorram do trabalho de profissionais como delegados de Polícia, promotores de Justiça e juízes de Direito, todos pessoas formadas em faculdade de Direito. Estranho que ninguém, ou quase ninguém, parece ter descoberto que a profissão de julgar, com seriedade e justiça, é ato divino e que fazer isso sem qualquer tipo de preconceito é próprio do seres humanos superiores, mas não apenas de pessoas escolhidas por critérios aferidos em concursos públicos, em especial, se esses forem viciados!

Bismael B. Moraes

bismoraes@yol.com.br

Guarulhos

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