Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2022 | 03h00

Alta do petróleo

Combustíveis mais caros

Diante da perversa guerra da Rússia contra a Ucrânia, e com o Brasil quase estagnado economicamente, a Petrobras reajustou os preços dos combustíveis: o da gasolina aumentou em 18,7% e o do diesel, em 24,9%. O gás de cozinha também sofreu aumento, de 16,1%. A empresa está errada e atuando contra o povo brasileiro? Não! Quem, na verdade, está errado e não tem se importado com o desenvolvimento do País são Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional. Refiro-me à aprovação do Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões e aos mais de R$ 25 bilhões em emendas parlamentares a serem pagas até as eleições de outubro. Mas, para aprovar a reforma tributária e a administrativa, que poderiam colocar o Brasil na rota do desenvolvimento, o presidente e os congressistas viraram as costas para o País. Já a Petrobras, que é uma empresa mista, ou seja, do governo e de mais de 5 milhões de acionistas, segue o que manda o bom senso administrativo, porque seu produto é uma commodity e precisa seguir os preços internacionais para ter condições de investir e de defender seus acionistas e até a União, que deve receber R$ 38 bilhões em dividendos neste ano. Ora, não fizeram a lição de casa Bolsonaro e grande parte dos congressistas que mamam nas tetas do governo e esfolam os contribuintes. Agora, estão desesperados para encontrar uma solução que reduza o preço dos combustíveis. Mas essa solução, se houver, será paliativa e poderá prejudicar a Petrobras e pouco ajudar os consumidores.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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Repeteco

O preço do petróleo estourou por causa da guerra na Ucrânia, mas faz quase dois meses que a Petrobras não reajusta o preço. Bolsonaro decidiu que, danem-se os acionistas, ele quer a reeleição, pouco importa que sua decisão de proibir uma empresa de capital aberto de gerir o seu negócio seja ilegal. Dilma Rousseff fez o mesmo no final de seu governo, pouco antes de seu impeachment. Seria bom termos esse repeteco.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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Ajuste

O preço de venda do combustível é formado pelo custo do produto (petróleo + álcool) acrescido dos custos de distribuição, Cide, PIS-Cofins e ICMS, cada um com sua porcentagem. No caso de aumento do custo do produto, podem ser mantidos o preço de venda e os custos adicionais, desde que as porcentagens destes sejam variáveis. Não é justo que, pelo aumento do custo do produto, os custos adicionais também sejam aumentados.

Fabio Duarte de Araujo

fabionyube2830@gmail.com

São Paulo

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Brasil

Vulnerabilidades

Afora segurança cibernética, a apresentação feita pelo embaixador Rubens Barbosa sobre as vulnerabilidades do Brasil (Estado, 8/3, A5) muito se assemelha às preocupações de Ruy Barbosa atuando como ministro da Fazenda em 1890, no governo de Marechal Deodoro na recém-constituída República do Brasil. O principal objetivo, na época, era incentivar a industrialização, com maior facilitação de créditos, mas o que houve foi maior especulação financeira, com ações de empresas emitidas sem lastro, criação de empresas fantasmas, com dinheiro emprestado sem investimento produtivo, desvalorização monetária acentuada, aumento da inflação e dívida pública. O tema é recorrente, muda de nome (“Encilhamento, reaparelhamento econômico, 50 anos em 5”, “milagre econômico – PND”, “campeões nacionais”). Vale reproduzir a conclusão de Ruy Barbosa: “Embora republicano, o Brasil continua sob o regime colonial, como um povo simplesmente agrícola e colhedor de matérias-primas para a Europa, que lhas reverte com lucro enorme, que lhes fornece todas as manufaturas, todas as coisas indispensáveis à vida e ao bem-estar, de acordo com o sistema comercial de que somos vítimas, como os povos da Ásia e da África”.

Pedro Luiz Bicudo

plbicudo@gmail.com

Piracicaba

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Insanidade

Quando pensamos que governo e Congresso chegaram ao fundo do poço da irresponsabilidade, eles cavam ainda mais fundo e aprovam a urgência do projeto de mineração em terras indígenas. Eu e outros cidadãos indignados trabalharemos para que, se essa insanidade não for barrada pela representação parlamentar, seja punida e resolvida nas urnas.

Gustavo Chelles

guchelles@gmail.com

São Paulo

 

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


UMA SOLUÇÃO

Relembremos que o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) consistiu em uma iniciativa do governo brasileiro na gestão do presidente Ernesto Geisel de intensificar a produção de álcool combustível (etanol) para diminuir os aumentos, ao menos, da gasolina. Essa atitude, que foi efetivada, teve como fator determinante a crise mundial do petróleo durante a década de 1970, pois, na verdade, o preço do petróleo, e, por conseguinte, o da gasolina, não só estava muito elevado, como passou a ser constante devido à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), e causou grande peso nas importações do Brasil e consequentes aumentos dos preços do petróleo e todos os produtos em nosso país. Atualmente, a imensa maioria dos automóveis brasileiros é flex e, assim, movida tanto a gasolina como a álcool (etanol), ato/fato este que possibilitaria baixar o consumo de gasolina, e, com a economia feita, poderia ser subsidiado o diesel, que abastece a frota de transporte de todos os produtos comercializados, mormente os alimentos. Lembremos, outrossim, que a adição/"mistura" do álcool combustível (etanol) à gasolina surgiu anos e anos depois e, hoje, deixou de ter o objetivo primordial da produção do álcool combustível, como acima exposto, a par de "ter de manter" um pequeno porcentual na referida mistura. Por que o governo federal não retoma a "prática" que comprovadamente foi usada e deu certo? Acaso não seria uma solução para minorar o aumento da gasolina?

Fernando de Oliveira Geribello

fernandogeribello@gmail.com

São Paulo

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ÁLCOOL COMBUSTÍVEL

Os preços estão em alta tanto nas refinarias e bombas de combustível como nas discussões político-econômicas, devido à guerra na Europa, pandemia, economia, eleições, crises políticas, entre outros fatores. Mas faço uma ressalva: não ouvi até agora ninguém falar sobre o álcool combustível. Por que não estimular o consumo melhorando o preço desse produto? Consumir mais álcool e menos gasolina e diesel, além de ambientalmente correto, estimula os produtores, o agronegócio e as usinas produtoras. É uma política energética a ser trabalhada. Em tempo: trabalhar também o biodiesel.

Roberto da Costa Manso Vasconcellos

vetrobertocmv@uol.com.br

Boa Vista

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NOSSA BATALHA

E os preços dos combustíveis não param de subir. Cada aumento tem suas “justificativas”. O aumento nas cotações do dólar e do petróleo sempre foram os vilões. Agora tem a Rússia massacrando a Ucrânia, o que faz aumentar os preços. E depois tem muitos que defendem que a Petrobras é nossa, quando na verdade é de quem tem ações, ou seja, dinheiro! Em maio os acionistas vão receber os dividendos da empresa, são muitos bilhões em lucros. Isso quer dizer que, se o governo quisesse intervir, poderia, mas é omisso e conivente com o sistema. E nós, a imensa população de assalariados, é que pagamos caríssimo pelo descaso e inércia governamental. O que adianta o País bater recorde de arrecadação de impostos em 2021 e as estatais terem lucros se o povo padece? Enfim, nada que esteja ruim não pode piorar! Reflexão: cada país com suas próprias batalhas, a nossa é sobreviver aos abusivos preços! E sair correndo atrás de postos para abastecer com preços “velhos”. 

Alex Tanner 

alextanner.sss@hotmail.com

Nova Odessa

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CAFÉ COM LEITE

Jair Bolsonaro é, mesmo, considerado como o presidente "café com leite" pelo mercado. Na verdade, ele disse a todos os pulmões que iria congelar ou subsidiar os preços dos combustíveis e que substituiria o presidente da Petrobras. Em resposta, a Petrobras impôs aos brasileiros um mega-aumento da gasolina, que causará mais inflação e mais dívida. Afinal, pela ótica da estatal, foram somente 13 singelos aumentos da gasolina neste ano. Ora, fica evidente que Jair Bolsonaro não tem nenhuma força política e é considerado o próprio "café com leite" que só pensa na reeleição. Quem viver verá!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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LIMPEZA

O valor necessário, segundo o governo, para não onerar a população e não prejudicar a Petrobras relativamente à necessidade de aumentar o preço dos combustíveis foi a constituição de um fundo regulador, de operação complexa e duvidosa, no valor de R$ 3 bilhões. Considerando que as verbas disponíveis para a campanha eleitoral, entre as verbas secretas e o Fundo Eleitoral, chegam a R$ 21 bilhões, os parlamentares bem que poderiam abrir mão desse valor. Estariam, desta forma, limpando a imagem que têm com a população, que é a pior possível.

Iria de Sá Dodde

iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

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INCONTINÊNCIA LEGISLATIVA

O artigo do professor Marcelo de Azevedo Granato publicado no Estadão (Incontinência legislativa, 11/3, A10) veio bem a calhar, diante do seu currículo e ante a incontinência legislativa, jamais tão exacerbada como na atual legislatura. Mesmo não sendo da área do Direito, estranho há tempos como é possível a Carta Magna ter tantas emendas, muitas ao sabor dos interesses imediatistas dos parlamentares. Como bem diz o articulista, “a Constituição vira um instrumento de privilégio”. E fica parecendo uma colcha de retalhos, completo eu. Ainda no dia anterior, o Estadão publicou reportagem (Juristas discutem alterações na Lei do Impeachment; veja o que pode mudar, 10/3) sobre a alteração da Lei do Impeachment, proposta no Senado, e o deputado Arthur Lira, matreiro, alega que o que define um processo de destituição é sempre a política. Não adianta colocar as solicitações para votar, se o presidente tem maioria na Câmara, que negará o pedido. Com essa desculpa esfarrapada, ele vem retendo 77 desses pedidos contra Bolsonaro, além daqueles herdados de Rodrigo Maia. Ora, ele não pode segurar tais processos. Não tem poder legal para tanto; ao contrário, segundo juristas, está cometendo crime de prevaricação. Cumpre a ele consultar o plenário e, de preferência, em voto aberto, para que cada um responda pela sua decisão nas próximas eleições. Isso é o que exigem a Carta Magna e o Regimento Interno da Câmara dos Deputados. É errado, também, que os demais parlamentares não tenham ainda acionado o Supremo Tribunal Federal (STF) para que Lira cumpra com a sua obrigação, ou responda pelo ilícito que vem cometendo. Tal crime não tem nada de comum. É gravíssimo, tendo em vista os danos irrecuperáveis que Bolsonaro vem causando ao País.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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AÉCIO ABSOLVIDO

Uma prova de que o Poder Judiciário está cupinizado e apodrecido é a absolvição de Aécio Neves e caterva no caso gravado e claro de pedir propina de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista em 2017.

Ademir Valezi

adevale@gmail.com

São Paulo

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LEI DA FICHA LIMPA NÃO MUDA

O que é bom para o País parece ser ruim para a classe política. Se já não aprovam o que seria de extrema importância, como as reformas tributária e administrativa, agora, ousados, tentaram melar a Lei da Ficha Limpa, na qual políticos corruptos ou criminosos ficam inelegíveis por oito anos. Esta lei entrou em vigor em junho de 2010 e, posteriormente, foi ratificada pelo STF. Mas, como vivem de facilidades, diferentemente do cidadão comum, o PDT, partido de Ciro Gomes, solicitou ao STF para que reduzisse a punição da Lei Ficha Limpa. Mas, em boa hora, a maioria dos ministros do Supremo, felizmente, negou este absurdo pedido do PDT, que certamente encontrou também apoio de outros partidos. É como aquela máxima: uma mão lava a outra...

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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DEFASAGEM NA TABELA DO IR

O prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda (IRPF) este ano começou em 7/3 e vai até 29/4. O Leão faminto está à caça de 34,4 milhões de contribuintes e quem não prestar contas até o prazo limite levará mais uma mordida de R$ 165,74, multa por atraso na entrega. Todo ano é a mesma ladainha: "Venha a nós, e ao vosso reino, nada!” Paródia recorrente desde 1996 até o ano em curso. A defasagem da tabela progressiva é astronômica, 134,52% (apuração Sindifisco), e prejudica sobremaneira a classe média trabalhadora. Se  integralmente corrigida,  hoje seriam 12 milhões de contribuintes isentos do famigerado  ajuste anual. Ano passado o Governo Federal  enviou ao Congresso, pegando carona em administrações passadas, correção muito aquém da defasagem. Um projeto de lei foi enviado  ao Congresso Nacional que isenta rendas de  até R$ 2,5 mil, menor que o prometido, de cinco salários mínimos. Andou na Câmara e empacou no Senado, portanto,  de desdém em desdém aguardemos o ano que vem, pois este "restinho de ano", com a guerra na Ucrânia, aumento dos combustíveis, inflação nas alturas e as eleições se aproximando, o máximo que poderemos ouvir seräo mais promessas furadas. 

Sérgio Dafré

sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

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GUERRA NA UCRÂNIA - SEM ACORDOS DE PAZ

Após 90 minutos de reunião dos ministros da Rússia e da Ucrânia, na Turquia, e das entrevistas de ambos após a conferência, ficou claro não existir nenhuma possibilidade de acordos de paz. A guerra vai continuar até a exaustão militar e morte de milhares de civis ucranianos. Só matando Putin, Lavrov e os generais do alto comando, que não vão parar mais em sua guerra total contra o mundo ocidental não totalitário. Pior, impossível. 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com   

Porto Alegre

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HUMILHAÇÃO INACEITÁVEL

Ouvir as desculpas esfarrapadas do chanceler russo em face da realidade das consequências do conflito é totalmente inaceitável. A quem pretende enganar? Houvesse outro líder menos paciente que Joe Biden à testa dos EUA e a resposta já teria sido dada à altura da vergonhosa invasão de um país flagrantemente incapaz de se defender da covarde agressão russa. O teste de eficácia do armamento russo foi muito além do necessário e provocou a destruição de todo um país pacífico e ordeiro como se fosse um bando de insetos indesejáveis. Somente dirigentes desumanos e insensíveis podem concordar com as humilhantes justificativas russas.

Lairton Costa

lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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REFUGIADOS NO BRASIL

Até que enfim um ato de solidariedade do presidente da República: receber os repatriados da Ucrânia no aeroporto de Brasília. Poderia ter feito isso na pandemia de covid, visitando hospitais. Ou nas inundações da Bahia e Minas Gerais, mas aí já seria pedir demais.

Eliana Pace

pacecon@uol.com.br

São Paulo

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TRISTE DESTINO

No período de 2020/2021, a maioria  dos comentários na televisão era referente à pandemia da covid-19. Agora, em 2022, quando a pandemia deu uma diminuída nos números de mortes, eis que o noticiário foi substituído pela guerra na Ucrânia. A nós, pobres pecadores, só nos resta rezar.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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MEIO AMBIENTE E RECICLAGEM

Triste também é a nossa “cultura” em não preservar o meio ambiente. Gestores municipais há décadas omitem-se na aplicação de mecanismos dentro das competências das políticas públicas. Neste balaio de incompetências incluem-se as populações de cidades brasileiras, a partir das sedes das Regiões Metropolitanas instaladas. Alô, Ribeirão Preto? Alô, 34 cidades? O volume de reciclagem de materiais coletado aqui, nesta “fictícia Hollywoodiana Califórnia Brasileira”, é insignificante se comparado a outras cidades do País. Vergonhoso é em relação aos outros países. Muito há que se falar e orientar os políticos desta gigante pátria amada Brasil, nessa conflitante e desafiadora ação em prol do meio ambiente. Reciclagem tem no nó do novelo fácil desato e localização: visível na ponta inicial com população, coletores e gerentes da (res)pública. Quem opta por atuar em cooperativas competentemente administradas, obtém rendas. Muitas estão sem estruturas e logísticas

de arrecadação e destinação final. Estão na base do improviso e chutes sem aplicação da célebre fórmula empresarial PO3C. Apesar de aparentes esforços, não alcançam os objetivos: gerar lucros. Há os recicladores, que preferem agir pelas ruas de metrópoles e urbes, com suas ridículas “carrocinhas” (Vexatório!). A população das cidades deve ser instruída por prefeituras e câmaras municipais para ser partícipe dos imediatos cuidados de preservação do meio ambiente. Em seguida, campanhas publicitárias dentro de escolas, sindicatos, igrejas e através da imprensa e redes sociais. Acorda, Região Metropolitana de Ribeirão Preto! Nada no planeta azul será como antes!

José Benedito Martins

jbeneditomartins2013@gmail.com

Monte Alto

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