Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2022 | 03h00

Guerra na Ucrânia

Paradoxo

No estágio atual, a guerra na Ucrânia terá um país vencedor que será o perdedor. Por outro lado, haverá uma nação derrotada, mas que será a vencedora. Esse paradoxo é real e será notado claramente após o cessar-fogo. Os países que se opõem a esta carnificina devem dar uma saída honrosa a Vladimir Putin. O governante russo não pode sair deste conflito como derrotado, ele tem de sentir alguma glória para recuar e terminar o quanto antes esses ataques insanos. Ele já perdeu esta guerra. Cabe a Zelensky fazer as concessões necessárias para o término do conflito, ele já é o vencedor. Em resumo, se ocorrer a via negociada, teremos rapidamente a clássica negociação ganha-ganha e o mundo poderá voltar a um novo normal.

Antonio Carlos Gobe acgobe@gmail.com

São Paulo

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No passado

No artigo Um Putin isolado também internamente (Estado, 11/3, A14), Mikhail Zygar, autor do livro Todos os homens do Kremlin, relata que, segundo assessores próximos, Putin perdeu o interesse pelo presente. A economia, temas sociais, a pandemia, nada o incomoda. Em vez disso, Putin e Kovalchuk, seu amigo trilionário, estão obcecados com o passado. Na sua mente, Putin se vê num momento histórico único, em que ele é capaz de enfim reparar anos de humilhação (sic). O séquito de Putin trabalha para convencê-lo de que ele é o único capaz de salvar a Rússia. Analogamente, por aqui, muitos devotos fanáticos creem que o atual presidente seja o único capaz de salvar o País (sic). Pobre Brasil!

José Claudio Marmo Rizzo

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

Lei do Impeachment

Revisão oportuna

São procedentes a revisão e a discussão da Lei do Impeachment que ocorrem, desde fevereiro, por uma comissão de juristas. Aliás, é mais que oportuna, na medida em que desde o impeachment de Collor nenhum presidente atravessou incólume a Presidência da República sem que houvesse alguma tentativa de impedimento – bem-sucedida com Dilma Rousseff. Mas, embora haja vários pontos merecedores de reavaliação, é inegável que o conceito de impeachment de presidente da República, no Brasil, está de tal maneira banalizado que não poucos eleitores consideram, erroneamente, não haver problema em eleger um mandatário e impedi-lo à menor vacilação. A revisão da lei dificilmente alterará esse hábito. Além disso, tecnicalidades à parte, o impeachment em última instância é um processo político e, pois, sujeito a forças próprias do Parlamento. Portanto, acerta o presidente da Câmara, Arthur Lira, ao dizer que vai propor a retomada da discussão sobre a implantação do semipresidencialismo, o que tornaria a questão do impeachment “sem efeito”.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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Vale a pena?

Atualizar e/ou revisar a Lei do Impeachment, nesta altura do campeonato, independentemente do mérito, será oportuno e conveniente? A oito meses das eleições – e que eleições! –, vale a pena mexer em assunto de tamanha complexidade, com tantos fatores envolvidos? Acho que é chegado o momento de tratar conjuntamente e com seriedade os temas espinhosos de impeachment e recall. Para início de conversa, pergunto: por que não atribuir aos eleitores – não aos seus “representantes” – a continuação ou revogação de um mandato presidencial? Quem vota deve poder, também, vetar. Voto e veto facultativos, não por obrigatoriedade, mas por cidadania.

João Pedro da Fonseca fonsecaj@usp.br

São Paulo

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INSS

Revisão da vida toda

É lamentável a ausência, na grande imprensa, de uma profunda análise do que ocorreu no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a “revisão da vida toda do INSS”. O ministro Nunes Marques, agindo como lacaio de seu patrocinador e no limite do prazo, travou uma ação que já havia sido julgada pelos seus pares. Beneficiava aposentados mais idosos, uma classe sem poder de mobilização ou relevância política. O uso de instrumento regimental, manipulado em favor de posição individual e claramente governista, mostra uma fragilidade institucional do STF, que deveria ser o mais relevante guardião da justiça. Assim como hoje prejudica idosos aposentados, no futuro poderá voltar-se contra quem desagradar aos poderosos de plantão.

Nilton Pedro Longo longo.nilton@gmail.com

São Paulo



Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

 

INFLAÇÃO

Quem nasceu após 1994 não teve o desprazer de viver em um país com hiperinflação, quando os preços eram reajustados a todo momento e quem recebia o salário tinha que correr para o supermercado, porque no dia seguinte já teria perdido o poder de compra. Resumindo: era um inferno. Parece que hoje muitos idosos, que viveram aquele período sombrio, esqueceram-se da dura lição, ao apoiarem um presidente fraco e desesperado para recuperar a popularidade perdida, com atitudes patéticas, irresponsáveis e infames em três anos de mandato, e que agora não se importa em estourar os cofres públicos e acordar o dragão da inflação, na tentativa de se reeleger. Cálculos modestos falam em R$ 150 bilhões a conta que terá de ser paga em breve. Reconheça-se que tem parceria com o presidente da Câmara, Arthur Lira, sócio do clube onde Valdemar da Costa Neto, Ricardo Barros e Ciro Nogueira dão as cartas. Já o ministro da Economia faz de conta que não é com ele, e o Brasil, ora o Brasil! O sonho deles é Miami, Dubai e Nova York, onde torram dinheiro roubado como quem diz bom dia! Porém, nada é mais deplorável do que fazem com o preço dos combustíveis. Só pode ser campanha predatória a Petrobras, com o objetivo de jogar o País contra a estatal. Não basta a entrega aos lobos de Wall Street, eles querem dar de bandeja um patrimônio construído com recursos do povo brasileiro durante quase 70 anos ao Deus “mercado”. É a celebração dos dogmas do liberalismo em uma orgia financeira, que só aumenta o abismo entre ricos e pobres, atualmente no Brasil em escala sem precedentes. Em qualquer governo decente, o ministro da Economia já teria sido demitido e o presidente, pegado o boné e ido para casa. 

Sandro Ferreira

sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)

 

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COMBUSTÍVEL PARA A DEMAGOGIA

Demagogos, populistas e salvadores da “pátria” costumam propor soluções simples e erradas para problemas complexos. Em períodos eleitorais, essas propostas tendem a se tornar ainda mais frequentes. O mega-aumento da gasolina, diesel e gás de cozinha da última quinta-feira, 10, é um dos exemplos mais recentes. As primeiras medidas sugeridas para suavizar os efeitos são renúncia fiscal e controle e represamento de preços. Além de discutíveis no curto prazo, permanecem em aberto as propostas de médio e longo prazos, as questões estratégicas que cheguem às causas. É preciso superar o “Brasil em sobressalto, aos trancos e barrancos”. É necessário e urgente imprimir rumo e direção a este barco à deriva, interromper este voo às cegas. Precisamos de horizontes, perspectivas, bússola, mapa, ponto de partida, travessia e ponto de chegada. Enfim, projeto de País já!

João Pedro da Fonseca

fonsecaj@usp.br

São Paulo

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INFLAÇÃO EM 12 MESES DE 10,54%

Se a inflação de 10,06% em 2021 corroeu o orçamento da família brasileira, como divulga o IBGE, preocupa ainda mais quando o acumulado

em 12 meses até fevereiro deste ano chega a 10,54%, já que o índice inflacionário do mês citado apresentou alta de 1,01%, o maior para o mês

desde 2015, contra 0,54% de janeiro. Essa alta em fevereiro se deve aos reajustes das mensalidades escolares e dos preços dos alimentos e bebidas. Como exemplo, a batata subiu 23,49% e a cenoura, 55,41%. Porém, é difícil, ou quase impossível, o Banco Central cumprir a meta de inflação de 3,5% neste ano. Mesmo porque os especialistas que projetavam no ano alta de 5,6%, agora já falam que pode ficar acima de 7%, em razão desta insana guerra da Rússia contra a Ucrânia, em que os preços do gás e petróleo, e até do trigo, subiram muito no mundo. Como reflexo, já tivemos nesta semana reajuste cavalar dos combustíveis pela Petrobras, de 16% no gás, 18,7% na gasolina e 24,9% no diesel. E, como economistas estimam, a inflação em abril pode chegar até 11% ou 11,5%, e depois cair, dependendo da continuidade ou não da guerra. Para tal, já se projeta para este ano uma taxa Selic de 10,75% para 13%, que deve provocar alta dos juros para empresas e consumidores e inibir a atividade econômica.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS

A Petrobras acabou de aumentar os preços dos combustíveis e do gás natural liquefeito (GNL), o que vai impactar em nossa vida, e na inflação que já teve em fevereiro a taxa mais alta desde 2015. Embora o presidente Bolsonaro não defina os preços da Petrobras, é seu dever nos esclarecer sobre a inserção desta suposta “estatal” na economia brasileira, sendo o Governo Federal o maior acionista, detentor de 36,61% e 18,48% das ações ordinárias e preferenciais da empresa, respectivamente. Parte importante dos problemas atuais se devem às políticas implantadas pela Petrobras na busca de aumentar seus lucros. Por exemplo, por falta de interesse no refino de petróleo, o Brasil aumentou suas importações em 2021 de gasolina, óleo diesel e GNL em 119%, 20,4%, e 187%, respectivamente, em relação a 2020. Por desinteresse na produção de ureia (um importante fertilizante nitrogenado), a Petrobras tem uma fábrica parada e sem destino em Araucária (PR), e por aí vai. Ou seja, a 8ª maior empresa do mundo não é mais nossa, suas decisões visam o lucro, dane-se a economia do País. É esta questão que o capitão e os nobres congressistas deveriam debater em regime de urgência, e não a invasão das terras indígenas, como prevê o projeto de lei 191/2020.

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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COMBUSTÍVEIS DO POPULISMO

O aumento do preço dos combustíveis é a pedra de toque dos candidatos ou governos populistas. Lula da Silva e Bolsonaro já tiveram a oportunidade de provar que abjuram o aumento dos combustíveis, mesmo que em detrimento da Petrobras e da própria União como acionista. As regras de mercado, no entanto, devem ser observadas, embora possam contar com defensivos que anulem fatos e ocorrências que afetam as populações. Os aumentos dos combustíveis, no Brasil, estão sujeitos à variação do preço internacional do barril de petróleo, que, por sua vez, é submetido à variação do dólar. É a regra que deve vigorar, exceto se houver forma criada para amortecer o impacto das variações referidas. São comuns, então, os fundos e acertos tributários, entre outras providências. O Brasil vai viver até as eleições com o drama populista dos candidatos Lula e Bolsonaro, ambos populistas e ambos dando pouca importância aos estragos do congelamento dos preços dos combustíveis. Na verdade, os brasileiros já estão acostumados a suportar as intervenções e as manipulações dos populistas no aguardo de dias melhores e mais promissores.

José Carlos de Carvalho Carneiro 

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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INFLAÇÃO E ELEIÇÕES

A chamada “inflação do diesel”, que atualmente nos atinge, terá efeitos na alimentação e transporte, como especialistas já estão prevendo. Essa realidade poderá impactar fortemente a inflação deste ano, que certamente terá efeitos nas eleições gerais de outubro próximo. Isso já está deixando os principais candidatos aos cargos eletivos bastante atentos a tal realidade, que, em suas campanhas, será decisiva em suas possibilidades de vitória. Quem viver, verá.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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ASSOMBRO

Mal inicia a campanha presidencial e os absurdos começam a propagar-se. Lula dá início aproveitando-se do preço do petróleo, sugere "brasileirar" o critério de definição dos preços internos aos equivalentes da importação, ou seja, mexer na paridade dos preços internacionais aqui no Brasil. Conhecendo o PT na economia, mais um desastre poderá se avizinhar, ocorrendo a infelicidade de sua vitória. Mas não fica por aí. O comportamento narcisista, do ego inflado, verifica-se nas manifestações de Lula. Trata-se de pessoa insegura procurando disfarçar a própria fragilidade por medo de sua própria fraqueza. Como fiel narcisista é um insatisfeito ansiando por segurança psíquica, e acaba agindo de maneira autodestrutiva e, para lidar com a humilhação, como dos 500 dias em cana, culpa os outros os atacando e, como de hábito, negando o óbvio. "Não há ninguém mais perigoso do que aquele que foi humilhado", lembra Nelson Mandela. Fiquemos atentos!

Mario Cobucci Junior

marcoitobucci@gmail.com

São Paulo

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TORCEDOR VALIOSO

Lula torce pela recuperação de Fernando Henrique Cardoso, internado com fratura no fêmur. Tem consciência de que o ex-presidente é forte e respeitado aliado nas eleições de outubro. 

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com  

Brasília

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BRT DO RIO

Diariamente o carioca, principalmente o morador que depende do BRT, sofre com este sistema de transporte. Se é que pode ser chamado de transporte. Este é o típico desastre anunciado. Feito a toque de caixa para as Olimpíadas de 2016, sediadas no Rio de Janeiro, sem critério, planejamento etc. O preço da passagem deste sistema, e o de outros ônibus urbanos, foi represado por interesses político-eleitoreiros do então governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes. O BRT com menos de dois anos de concluído, já apresentava problemas no asfalto, que persistem até hoje e pioraram. Essa gestão interesseira e desastrosa em razão da realização das Olimpíadas no Rio em 2016 obrigou que as obras fossem feitas a toque de caixa com material de péssima qualidade. No estilo embrulha e manda. Maquiaram a cidade e a fatura vem agora. Isto é inevitável. O que fazer? Votar melhor, dirão alguns. Em quem? Se todos, com raríssimas exceções, se elegem visando interesses próprios ou de terceiros. É um jogo de cartas marcadas. Cargo eletivo no Brasil é o melhor emprego do mundo. Alguém já procurou ver a lei eleitoral brasileira? É uma utopia. É para rir. Feita após a abertura política e paralelamente com criação de poderes dependentes e desarmônicos entre si. É isso mesmo. Não há harmonia entre os poderes. O que há é rabo preso entre um e outro. Por que os ministros do STF têm que ser sabatinados pelo Senado? Membros do STF, STJ e outros cargos do Judiciário deveriam ser indicados juízes togados, de carreira, pelo Ministério da Justiça. O chefe do executivo só nomearia o nome levado pelo ministro da Justiça. Isso acabaria ou diminuiria bastante o rabo preso. Por que o Legislativo impõe regras e condições para o Executivo? Isto sem falar das "chantagens" de votar assuntos vindos do Executivo se não aprovarem e liberarem as verbas para os partidos e as campanhas políticas. E assim vai vivendo o brasileiro na esperança de que alguns politiqueiros dizem, desde a década de 40, "vai melhorar", "é o país do futuro". Só não dizem o futuro de quem. Jogam uma migalha de vez em quando para o povo para aplacar a ira. Como o povo tem memória curta, se contenta com qualquer migalha, esquece logo e começa tudo de novo.

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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TARDE DEMAIS

Segundo o noticiário, para tentar melhorar nas pesquisas eleitorais, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho 02 e um dos principais conselheiro do presidente, deu aval a mudanças de discurso de Jair Bolsonaro (PL) a respeito da vacinação contra a covid-19. Como é sabido, o presidente sempre foi contra a imunização. Na minha opinião essa decisão de mudança chegou tarde demais, até porque as 654.086 mil vítimas da pandemia infelizmente não poderão mais ouvi-lo.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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PUTIN PRISIONEIRO

Os artefatos bélicos russos de alta letalidade, utilizados em áreas povoadas na guerra da Ucrânia, colocam em risco a população civil. Bombas clusters estão sendo utilizadas, espalhando grande quantidade de fragmentos, atingindo vários civis. Quando não detonada, esse tipo de bomba pode se tornar uma mina terrestre. Novas tropas russas estão invadindo a Ucrânia, intensificando os combates. Cidades como Mariupol estão sem alimentos e água. Várias tentativas de abrir corredores humanitários para a evacuação de civis já fracassaram. A Comissão Europeia está avaliando a imediata adesão da Ucrânia a União Europeia. Atendendo aos critérios estabelecidos no Estatuto de Roma e no direito internacional, o Tribunal de Haia poderá condenar Vladimir Putin e as autoridades militares russas por crimes de guerra envolvendo perdas de vidas e sofrimentos desnecessários.

José Carlos Saraiva da Costa

jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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ESQUECEU OU NÃO LEU

Para quem fez carreira na KGB nos anos da Guerra Fria, parece que "Adolf" Putin (o carniceiro de Moscou) ou não leu ou, se leu, esqueceu que a regra mais básica da guerra é nunca subestimar o inimigo. E isto disseram os manuais de Sun Tzu, Maquiavel, Clausewitz e Klaus Marcus. Agora, a estes ilustres nomes, se junta mais um verdadeiro estrategista que comediante quando em guerra: me refiro ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Slava Ukraini!

Paulo Boccato

pofboccato@yahoo.com.br

Taquaritinga

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MIKHAIL GORBATCHOV

O ex-presidente da União Soviética é filho de pai russo e mãe ucraniana. Hoje, aos 91 anos, aposentado. Como o mundo precisa hoje de um líder assim. Tão grande foi para a humanidade e até hoje a maioria dos russos ainda não entendeu sua importância.

Márcio Roberto Lopes da Silva

marcioped.itu@gmail.com

Itu

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REVISÃO DA VIDA TODA

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os aposentados podem pleitear a revisão dos valores que recebem do INSS. É oportuno que seja possível fazer essa revisão porque eu conheço uma pessoa que recolheu pelo máximo a vida toda e, quando se aposentou, foi surpreendido com um salário mínimo de aposentadoria. Esse assalto deve ter sido muito comum e a burocracia estatal sempre negou o direito ao recálculo por quem se sentiu lesado. A maior confissão do poder público de que esse método fazia parte da política do INSS é a notícia de Bolsonaro afirmando que “isso vai quebrar o Brasil”, e a manobra em curso no Supremo para reverter essa decisão. Ou seja, todos nós fomos sistematicamente esbulhados pelas autoridades como se isso fosse uma política de Estado. Belo estado (em minúsculo) que temos…

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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CONSUMO DE ÁLCOOL

O caderno Bem-Estar do Estadão de sábado apresenta a reportagem de Kátia Arima "Mais uma dose? Melhor não" (Beber 'socialmente' também traz riscos à saúde; veja como minimizá-los, 12/3, D4) resumida na chamada junto ao título, que sentencia: "Especialistas explicam que beber apenas 'socialmente' também pode ser nocivo ao corpo e dão dicas para um consumo consciente". Data vênia, senhores especialistas. Acabo de completar 82 primaveras que a esta altura seria mais adequado chamar de invernos. E desde minha juventude sempre bebi bebidas alcoólicas, hard drinks, em quantidades maiores do que esses especialistas consideram como consumo consciente. Tudo começava com uma ou duas doses de conhaque Otard Dupuy nacional tomadas no Lanches República, na praça de mesmo nome em São Paulo onde eu encontrava a minha "turma". Seguiam-se várias outras doses ao longo das boates, conhecidas como "inferninhos", por onde passávamos nas imediações da rua Major Sertório. Ou então os "serial Cuba Libres" tomados no decorrer dos bailes de formatura que frequentávamos e de onde saíamos trôpegos, de madrugada. Ou ainda as sucessivas caipirinhas tomadas no Bar do Roque, na confluência das praias de Itararé, em Santos, e São Vicente, que chegavam a amortecer meus lábios. Posso afirmar que ao longo de 54 anos de casado consumi, no mínimo, um litro de uísque por mês, sem contar as garrafas de vinho que minha mulher e eu derrubamos frequentemente ao redor de uma tábua de queijos. Se álcool consumido acima da recomendação desses especialistas fizesse mal à saúde, eu já estaria morto. Não estou dizendo que álcool não faz mal. O problema do álcool não é tanto o mal físico que ele causa, embora em níveis de consumo muito alto pode levar à cirrose hepática. O problema do álcool são seus efeitos comportamentais, desencadeando agressividade, imprudência e irresponsabilidade como dirigir embriagado, por exemplo. Aos especialistas que colaboraram com o artigo publicado, lembro que, anos atrás, outros colegas seus especialistas exorcizavam o consumo de ovos, o que hoje se mostrou exagerado. Senhores, vamos com calma!

José Claudio Marmo Rizzo

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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