Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2022 | 03h00

Guerra na Ucrânia

Brincando com fogo

Há quase 60 anos, 150 km (distância entre Cuba e Flórida pelo mar) foram a distância para uma terceira Guerra Mundial. Hoje, com um míssil russo quase atingindo a Polônia, a 25 km da fronteira com a Ucrânia, vimos o mesmo filme, novamente. Putin está brincando com fogo. E nós, o resto do mundo, no meio, assistindo a tudo isso.

Sérgio Eckermann Passos

sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

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Inimigos da civilização

Imaginem que forças inimigas bombardeassem a Catedral de São Basílio, em Moscou, ou o Palácio de Verão, em Pequim, o Louvre, em Paris, a Igreja de São Francisco, em Salvador, a Basílica de Aparecida, ou o Museu Nacional de Arte da Ucrânia, em Kiev, o que seria da história da humanidade? Apenas ditadores ignorantes e cruéis, inimigos da civilização e do pensamento, ousariam.

Etelvino José H. Bechara

ejhbechara@gmail.com

São Paulo

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Combustíveis

O que falta é vontade

Não entendo todo este alvoroço causado pelo aumento dos preços dos combustíveis. Não inventamos o etanol combustível? Depois, não criamos os carros flex? Não íamos inundar o mundo com nosso álcool? Então, por que importamos álcool de milho dos EUA? Por que a Petrobras está metida na distribuição do etanol? Nossa maior praga é não nos dedicarmos com afinco à resolução dos nossos problemas. Por vezes surgem ideias geniais, que são abandonadas logo ao surgirem opções mais lucrativas. Foi assim com o etanol, que deixou de ser a menina dos olhos do governo com o surgimento do pré-sal. Foi todo aquele auê com a discussão sobre os destinos dos seus polpudos royalties, e, resultado: nem uma coisa nem outra. Continuamos dependentes da importação. Temos um território imenso para plantar qualquer vegetal fornecedor de destilados ou óleos. Um clima excelente, sem ameaças comuns a outros países, como invernos rigorosos. O que falta é vontade. Para quem é crente, eu diria que Deus já fez a parte dele, o resto é conosco.

Nestor Rodrigues Pereira Filho

nestor.filho43@gmail.com

São Paulo

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A função da Petrobras

Quem acha que a Petrobras tem de ter função social não tem o menor conhecimento de economia e finanças e não poderia ocupar cargo de grande importância. A Petrobras foi constituída como empresa de capital misto, ou seja, União e acionistas independentes. Muitos brasileiros e estrangeiros resolveram investir na Petrobras acreditando que o negócio de petróleo era bom e que poderiam ter um rendimento sobre o valor investido. Milhares de pequenos aplicadores têm ações ou fundos que mantêm a Petrobras em suas carteiras. Milhares devem ser aposentados que vivem dos dividendos. Além disso, é preciso explicar que a Petrobras, como companhia de capital aberto, tem de respeitar leis e regulamentos, portanto não pode ter uma função social que comprometa seus resultados. Se querem transformar a Petrobras em empresa com função social, que recomprem todas as ações do mercado, fechem o seu capital e, então, o poder público faz o que quiser com ela. É bom salientar que, se a Petrobras não tiver lucro para repor equipamentos e se atualizar, no fim ela também acaba.

Marco Antonio Martignoni

mmartignoni1941@gmail.com

São Paulo

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Eleições 2022

Doido para ser vice

Geraldo Alckmin, não conseguindo uma vaga do ninho como vice, tinha como certo ir para o PSB para ser vice de Lula. Furo n’água, o partido quer o governo paulista. Então, negocia com o PV. Assim, de galho em galho, o ex-tucano se mostra doido para ser vice, não importa por que partido. Eu, que votei nele, não voto mais.

Paulo T. Juvenal Santos

ptjsantos@yahoo.com.br

São Paulo

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Como continuar a acreditar num político que tanto criticou Lula e seu partido, mas, agora, quer se juntar a ele só para realizar o sonho antigo de viver em Brasília, ainda que como vice?

Carlos Alberto Duarte

carlosadu@yahoo.com.br

São Paulo

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Para evitar críticas

Interessante os líderes petistas falarem num plano mais enxuto para um próximo mandato de Lula. Depois da Lava Jato, não adianta usar outro produto de limpeza, enxaguar e centrifugar. O cheiro vai continuar a ser sentido e reconhecido pela maioria dos brasileiros.

Carlos Gaspar

carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CENSURA

A perseguição ao filme de Danilo Gentili e Fábio Porchat é daqueles momentos que se tornaram corriqueiros no governo Bolsonaro. Se não é com a gente, é contra, logo, vamos perseguir como se fazia na ditadura, modelo que Bolsonaro sonha desde que foi eleito. Lembremos que não é o primeiro caso de perseguição, já que o fez incansavelmente contra a exibição do filme Marighella.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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FÁBIO PORCHAT

O polêmico e descuidado ator Fábio Porchat está novamente no centro de uma polêmica, pois está sendo acusado de apologia à pedofilia por causa da sua atuação no filme Como se tornar o pior aluno da escola. Porém, descuidada mesmo é a sociedade brasileira, conjuntamente com os politicamente corretos de quase sempre, pois nenhuma voz autorizada se ergueu para condenar Porchat por ter vulgarizado o líder espiritual mais venerado do mundo ocidental, Jesus. Pois uma coisa é ser cosmopolita e artista, ou mesmo ateu, como ele se diz, porém, outra coisa bem diferente é introduzir aspectos que jamais existiram na vida real de uma personagem histórica do vulto e importância de Jesus. Que Porchat represente quem ele desejar, da maneira que quiser, mas que tenha respeito profundo – o que demonstrou não ter – quando fizer referências descabidas sobre aspectos sexuais que determinada figura histórica jamais apresentou.

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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PETRÓLEO

Os críticos da Petrobras precisam saber que o petróleo que pertence ao povo brasileiro é aquele que está lá no fundo da terra, às vezes abaixo do fundo do mar. Quando chega aqui em cima e é refinado, ele já é bem mais do que "o petróleo do povo brasileiro": é um produto de alto valor comercial. Mas, então, o povo brasileiro entrega seu petróleo de graça para a empresa extraÍ-lo, refiná-lo, vendê-lo e embolsar os lucros? Não. A Petrobras paga à União, aos Estados e aos municípios pelo óleo que tira lá do fundo. São os royalties.

Euclides Rossignoli

clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

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COMBUSTÍVEL CARO

O combustível é caro no Brasil em grande parte devido à alta taxa de tributos, um dos mais altos do mundo. O Brasil pode realmente diminuir a carga tributária, mas para isto deveria diminuir o excesso de despesas improdutivas tal como as mordomias nos poderes constituídos, a aberração de quase R$ 5 bilhões para campanha eleitoral, verbas partidárias, uso exagerado de aviões pelas autoridades e outras coisas mais. Havendo redução de despesas improdutivas, daí sim podemos reduzir impostos no combustível. 

Marco Antonio Martignoni

mmartignoni1941@gmail.com

São Paulo

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DIVERGÊNCIAS GOVERNAMENTAIS

Impressionante como o atual aumento dos combustíveis têm gerado desentendimentos entre o presidente Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Tais divergências sobre causas e efeitos de tais posturas sobre ditos reajustes mostram como conceitos sobre a economia não conseguem se ajustar dentro de um mesmo governo, o que fragiliza a campanha de reeleição do atual governante.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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REFORMA TRIBUTÁRIA

Prezado Bernard Appy, o Brasil não precisa de uma reforma tributária (A hora da verdade, 15/3, B2). O Brasil precisa apenas acabar com os privilégios e tratar todos igualmente, como manda a Constituição. Acabe com as isenções da Zona Franca de Manaus, onde só existem multinacionais milionárias, que só estão lá para não pagar imposto. Acabe com todos os subsídios do setor agrícola, hoje o mais rico e o que mais cresce. Acabe com "entidades sem fins lucrativos", pois isto não existe. Qualquer negócio é montado com a intenção de lucrar, ou no mínimo viver às custas dele.

Renato Maia

casaviaterra@hotmail.com

Prados (MG)

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DESTROÇOS DA GUERRA

A aventura do déspota russo Vladimir Putin é responsável pelo maior índice de inválidos e refugiados de guerra do século XXI. Deixa também uma terra arrasada por onde passou na Ucrânia. Supor que uma alternativa para cessar o conflito consiste em ocupar fisicamente os territórios conflagrados é mera dicotomia especulativa, já que qualquer ocupação pressupõe acomodação, hipótese inconcebível em meio aos destroços a que foi reduzida a Ucrânia.

Lairton Costa

lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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ZELENSKI ERROU

Recentemente, em pronunciamento na TV ucraniana, o presidente Zelenski fez elogios aos jornalistas russos que fizeram protestos contra a posição de Putin em dizer que o ataque à Ucrânia não é guerra e proibir os russos de dizerem o contrário, inclusive com prisão. Acredito que a atitude do presidente urcraniano foi um erro. Fazer esse tipo de pronunciamento no momento atual, ainda mais após Putin ter feito elogios a Zelenski pela maneira como está conduzindo a reação ao ataque russo. No momento em que as duas partes em conflito já conversam sobre o fim da guerra, esse tipo de fala não é nada producente, só pode acirrar.

Toshio Icizuca

toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

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CRISE POLÍTICA NO PERU

O semipresidencialismo é um fracasso no Peru. O presidente da República eleito no segundo turno deve escolher retroativamente o primeiro-ministro de um Parlamento já escolhido anteriormente, em pleito realizado junto com o primeiro turno presidencial. O sistema de governo não funciona no país, pois de um lado a oposição não forma coabitação para governar e os gabinetes do presidente caem por causa da instabilidade diante da ausência de maioria parlamentar. A solução para o impasse é sempre o impeachment. Uma nova e muito previsível crise política depois de quatro presidentes em quatro anos.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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FISIOLOGISMO

A frequência com que parlamentares votam matérias em oposição a partidos aos quais estão vinculados e pelos quais foram eleitos resulta de incoerências, a começar pela forma como são constituídas nominatas partidárias. Muitas vezes, postulantes recém-filiados mas mancomunados com caciques partidários e sem razoável participação e identificação com a legenda são incluídos na nominata. Eleitos, assumem o tradicional adágio "pau que nasce torto, morre torto". Como na expressão consagrada pela perspicácia de Leonel Brizola, vivem a "costear o alambrado".  Incluem-se nesse contexto os recentes casos de alas do PDT e PSB que, ao contrário do posicionamento partidário, votaram com o governo pela liberação de mineração em terras Indígenas.

Antonio Francisco da Silva

anfrasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

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CIÊNCIA E PESQUISADORES

Soraya Smaili, Flavia Calé e Odir Dellagostin revelam o fundo do poço institucional, acadêmico, científico e tecnológico em que fomos jogados, quer olhemos para a indústria, quer para a formação científica (Valorizar a ciência e os pesquisadores, 15/3, A6). Vivemos o pior dos dois mundos, pois nem a ciência e os cientistas são valorizados em sua formação, com bolsas em valores defasados e pífios recursos para a pesquisa experimental, nem os que deveriam fazer a inovação no País, ou seja, as indústrias, os buscam para compor seus quadros e fundamentos de trabalho e investimento. Não basta mostrar todos os dados acumulados por décadas mundo afora que revelam ser a ciência e tecnologia a base para o salto social de qualidade que os países desenvolvidos deram. Em nossa República da cloroquina, parece que saber ler e escrever já é ter um olho, ainda que míope.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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OS IGNAROS

Notícia publicada no Estadão informa que morte entre não vacinados em SP é maior do que entre imunizados (15/3, A14). Segundo os dados da SES, publicados pela Folha de S.Paulo e confirmados pelo Estadão, o número de pacientes que foram a óbito em decorrência da covid-19 é 26 vezes maior entre os que não foram imunizados do que entre as pessoas vacinadas no Estado. Apesar disso, o Idiota-Mor da Nação, seus devotos imbecilizados e seus especialistas de fancaria insistem em campanhas antivacina. Esses ignaros teriam que ser tratados com óleo de rícino para ver se seus cérebros esvaziam.

José Claudio Marmo Rizzo

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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PARKLETS

Os parklets (Mesas em vagas de carro ganham espaço em SP e chegam a 200 bares, 13/3, A16) deveriam no mínimo pagar o equivalente a três vezes a área pública que ocupam no preço do IPTU dos imóveis que os instalam para que não concorram deslealmente com bares e restaurantes que investem em imóveis maiores para atender aos seus clientes dentro dos estabelecimentos. Parklets confinam os pedestres, pois junto com eles são colocadas mesas e cadeiras na calçada, tomando-a. Usar a pista para estacionamento de veículos ou para parklets puxadinhos de bares e restaurantes atenderem clientes são ambos um mau uso privado do espaço público, sendo o segundo até menos democrático que o primeiro. Os espaços públicos da via, tanto a pista como a calçada, devem ter uso prioritário para todas as pessoas em modalidades ativas de locomoção.

Jaques Mendel Rechter 

jaquesrechter@gmail.com 

São Paulo

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CRATERAS DE RICARDO NUNES

Dirigentes da Agência Espacial Americana (Nasa) solicitam ao prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), autorização para testarem nas ruas de São Paulo os novos veículos lunares. É que as crateras das ruas da cidade são semelhantes às da superfície da Lua.

Moyses Cheid Junior

jr.cheid@gmail.com

São Paulo

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SÃO PAULO X PALMEIRAS

Excelente a coluna de Robson Morelli sobre o que acontece com o futebol brasileiro (Torcedor quer 90 minutos de futebol, 14/3, A17). O que vimos no jogo entre São Paulo e Palmeiras na última quinta-feira, 10, foi um total descaso de um time para com a sua torcida, a torcida rival e a todos os assinantes de canal pay-per-view. O Palmeiras, atual campeão de quase tudo, protagonizou um espetáculo muito feio, desistindo do jogo com 15 minutos, após conseguir fazer um gol. Satisfeito com o resultado, o time abdicou do jogo e tivemos um só time durante os 75 minutos restantes. Que espetáculo é esse? O nosso futebol já foi grandioso e esse tipo de “covardia” é inexplicável e vergonhosa. Ou mudamos a forma como se trata o torcedor hoje ou o futebol não terá mais interesse. Na Europa, um dia antes, tivemos um espetáculo de jogo entre Real e PSG, em que os times se entregaram até o fim, dignamente. Espetáculo deprimente, o do Palmeiras. Deveriam ter devolvido o dinheiro para todos os que pagaram para ver um só time com vontade de jogar.

Leoclidio Minetto Junior

laserfilm@uol.com.br

São Paulo

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