Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2022 | 03h00

Petróleo

Reforma nos transportes

O petróleo, mais uma vez, está desestabilizando a economia mundial. Antes da eclosão da guerra Rússia-Ucrânia, seu preço já vinha subindo e forçando a inflação, inclusive no Brasil, onde a maioria dos transportes é dele dependente. Caminhoneiros reclamam não conseguirem repassar ao preço do frete o alto valor que são obrigados a pagar pelo combustível e ameaçam greve, só não a deflagrando por razões de alinhamento político com o presidente da República. O mesmo sofrimento é experimentado pelos donos de automóveis que consomem gasolina e etanol, pois, mesmo sendo um combustível nacional, o derivado da cana tem seu preço fixado ao redor de 70% do da gasolina. Por mais que as autoridades queiram controlar os preços, isso é impossível, porque depende da commodity importada. Agora, a lei que unifica o ICMS dos combustíveis em todos os Estados tornou-se um problema, pois, em vez de reduzir, vai aumentar o tributo em nove Estados e no Distrito Federal. O País precisa seguir urgentemente com reformas, e a principal delas é na matriz de transportes. Em vez de utilizar só o caminhão, é preciso aumentar a participação de trens e dos barcos fluviais. Sem uma grande reengenharia no setor, continuaremos, para sempre, escravos do petróleo.

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br

 São Paulo

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Guerra na Ucrânia

O mocinho

Na cena política internacional é comum vermos a criação de personagens para representar o vilão do momento no mundo ocidental. São “tiranos”, “facínoras”, “sanguinários”. Já foram o Coronel Noriega (Panamá), Idi Amim Dada (Uganda), Saddam Hussein, Muamar Kadafi, entre outros. A bola da vez é Vladimir Putin. A novidade é que, na situação atual, criaram também o mocinho, a vítima que se transformou em herói. Trata-se de Volodymyr (pronuncia-se Valadímir) Zelensky. Dois homônimos em papéis opostos. Ocorre que este “herói”, um comediante empossado presidente, dia sim e outro também açula a Otan para se envolver na guerra com a Rússia, inclusive prevendo que esse país vá atacar um membro da Otan com mísseis – só se o Vladimir russo fosse louco, o que não me parece ser o caso, apesar de ele ser claramente um autocrata sem nenhum apego à democracia. De qualquer modo, seria bom ficarmos todos bem atentos. Com suas declarações, fica claro que o Vladimir ucraniano está entusiasmado em espalhar pelo mundo a desgraça que acometeu o seu país. Tragédia que, pelo que sei, ele bem poderia ter evitado.

José Jairo Martins

josejairomartins7@gmail.com

São Paulo

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Matriosca sinistra

Matriosca, ícone da cultura russa ligado à maternidade, é um conjunto de bonecas de madeira encaixáveis como peças sobrepostas. Se Vladimir Putin não for contido em sua sanha bélica, a Ucrânia será a primeira peça de uma matriosca sinistra que, nação após nação, vai desvelar à humanidade a “mãe de todas as guerras”, a 3.ª Guerra Mundial, deflagradora do apocalipse nuclear. Sem meias-palavras. O amanhã do gênero humano depende de Putin não ter amanhã.

Túllio Marco Soares Carvalho

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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Eleições 2022

Lula e o PT

Excelente o editorial do Estado de ontem – Lula vai esconder o PT, de novo (A3). Lula, em sua campanha, tentará esconder o real caráter e a irresponsabilidade dos governos do PT. Ele, que foi condenado em três instâncias por crimes de corrupção e teve essas condenações suspensas por problemas processuais, nunca buscou de fato provar sua inocência. E muitos de nós sabemos que o que ele sempre buscou foi criar narrativas para negar as maiores evidências de sua conduta errada (mensalão e petrolão). Sempre foi assim, e assim continuará.

Carlos Sulzer

csulzer@terra.com.br

Santos

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Dinheiro esquecido

Mais justo

O Banco Central nos impôs uma gincana para resgatar recursos esquecidos nos bancos. Muito tempo perdido com opções que não funcionam. Estes valores giram em torno de R$ 8 bilhões e são cerca de 80 milhões de pessoas físicas ou jurídicas aptas a receber algum valor. Afinal, não seria mais justo destinar estes bilhões a famílias carentes, que estão passando fome? Os brasileiros, em pé, aplaudiriam.

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CENSURA NUNCA MAIS

A  respeito da inadmissível, descabida e condenável determinação do Departamento de Proteção ao Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública do desgoverno Bolsonaro para que as plataformas de streaming suspendam a exibição do filme Como se tornar o pior aluno da escola, baseado no livro homônimo do apresentador de TV e humorista Danilo Gentili, sob alegação de necessária proteção à criança e ao adolescente, por fazer apologia à pedofilia, cabe reproduzir o artigo 220 da Constituição vigente: “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, sendo vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”. Diante do artigo, claro como a luz do dia, e sem entrar no mérito sobre a qualidade do filme e sua classificação etária, cabe apenas dizer: ditadura e censura nunca mais. Basta!

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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LIBERTINAGEM

A notícia divulgada pelo Estadão de que o governo proibiu o filme do humorista Danilo Gentili (Governo proíbe veiculação de filme; juristas contestam e Gentili vê ameaça, 16/3, A13) merece comentários. Desde que o mundo existe, em todas as regiões, em todos os países, em todos os regimes políticos, sempre houve censura, em maior ou menor escala. Nos meios artísticos, particularmente nas artes cinematográficas, os órgãos governamentais que controlam o que é divulgado publicamente atuam com o estabelecimento de faixas etárias para as quais os filmes são adequados ou, como se diz, são próprios ou apropriados. Na minha infância, lembro-me da existência de quatro classificações para filmes exibidos nos cinemas: os livres e os proibidos para menores de 10, 14 e 18 anos. O controle disso ficava por conta dos porteiros das salas de espetáculos que, quando desconfiavam da idade de um jovem espectador, exigiam dele uma prova documental qualquer. Isso dava chance a burlas, com a apresentação de carteira de estudante falsificada ou com a carteira de um irmão mais velho com fisionomia parecida. Mas era um número insignificante de casos. Porém, com o advento da televisão, da internet, dos PCs, laptops, tablets e smartphones, tudo pode ser divulgado e a singela classificação etária que os proprietários e produtores de filmes querem como única censura se mostra insuficiente para a função a que se propõe. A alegação de que essa função deveria ficar por conta dos pais é, no mínimo, cínica. Com os canais de streamings, os aplicativos para notebooks e celulares, as mídias sociais, os youtubers, enfim, com os TikToks da vida, é impossível controlar tudo isso durante 24 horas. No caso em questão, que é o filme Como se tornar o pior aluno da escola, só o título já merece considerações e exigiria explicações do autor, produtor e diretor sobre qual a intenção por trás dessa obra cinematográfica. Ser um manual da vagabundagem e do desrespeito às autoridades escolares, a pretexto de comicidade? É óbvio que é preciso aprimorar a censura antiquada admitida ainda hoje pelos profissionais de cinema e outras artes cênicas e adaptá-la aos tempos atuais. Caso contrário, tudo vai continuar seguindo uma trilha para a destruição dos valores morais da sociedade, que seguirá o caminho da libertinagem.

José Claudio Marmo Rizzo

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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POLITICAMENTE CHATOS

Esse caso do suposto incentivo à pedofilía no programa de humor em que Fábio Porchat brinca com seus alunos na aula e fala sobre uma "farra" entre eles, assunto tāo corriqueiro entre adolescentes e jovens, mostra o quanto a sociedade está chata. Por outro lado, espero que esses que hoje sofrem perseguições de "puritanos" sintam na pele o horror que sentem os que sofrem "policiamento ideológico" por nāo pertencer à esquerda "fofa e humanista" e pensem 1.000 vezes antes de proibir a liberdade de quem pensa diferente. Dói, né? Lembrem-se sempre disso. Parabéns a Fábio Porchat, que não ficou calado e a liberdade. Que faça assim também para defender os que não se alinham politicamente com a esquerda.

Roberto Moreira da Silva 

rrobertomsilva@gmail.com

São Paulo

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COMO SE TORNAR O PIOR ALUNO DA ESCOLA

O Ministério da Justiça determinou que todas as plataformas de streaming – Netflix, Globoplay, YouTube, Amazon, Prime Video e Apple TV – se abstenham de veicular o filme Como se tornar o pior aluno da escola, sob pena pecuniária de R$ 50 mil por dia pelo descumprimento. A ordem foi simples e abrangente. Afinal, por que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que na sua grande maioria são contrários ao disparo de milhões de fake news realizadas pelo gabinete do ódio, também não conseguem eliminar de uma vez as plataformas como o Telegram, que dá apoio à famiglia Bolsonaro? Será por medo ou desdém?

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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DESCOLAMENTO DA REALIDADE

Perplexo com o artigo em questão (Orgulho do Congresso, 16/3, A4) – descolamento esquizofrênico da realidade –, gostaria de considerar que vêm do Congresso as seguintes decisões: 1) carga tributária asfixiante; 2) medidas de dilapidação do meio ambiente; 3) exemplos nefastos e astronômicos de apropriação em autobenefício da riqueza da nação – Fundo Partidário, Fundo Eleitoral; 4) foro privilegiado (essa gema da cultura de desigualdade); 5) patrimonialismo desenfreado; 6) desperdícios monumentais à larga; 7) emendas secretas do orçamento etc.Tudo encimado pelo cancro da corrupção que corrói o País. Não sou Poliana – prova isso que me assombro quando algo positivo vem de Brasília, creditando tal fato, raro, a um subproduto de algo que deve ter beneficiado diretamente alguns parlamentares. Ciente de que a canalha que infesta (o termo é esse) o Congresso – ressalvadas honrosas exceções – é o resultado da falta de educação de um povo tolhido na oportunidade de aprender, deixo vazar neste libelo meu sentimento mais profundo de tristeza pelo que sofre esta nação tão rica, e tão pobre. Se não há interesse espúrio que comandou o artigo ora sob ataque, é caso de – para conectar o preâmbulo deste texto com o seu arremate – encomendar o internamento psiquiátrico daquele articulista.

Luiz Carlos Andrade Rocha

luiz.candraderocha@gmail.com

Curitiba (PR)

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SÍNDROME DE POLIANA

Penso que o articulista Nicolau da Rocha Cavalcanti sofre da síndrome de Poliana, atrevendo-se a dizer que o Congresso Nacional é "muito melhor do que a imagem" que temos dele (Orgulho do Congresso, 16/3, A4). Lembra-se de antigas leis boas (LRF, marcos civis, códigos voltados ao exercício da cidadania), mas se esquece das recentes arapucas aprovadas (PEC dos precatórios, lei da improbidade administrativa, lei da liberação de agrotóxicos) e de outras em discussão (legalização dos jogos de azar, controle do valor de combustíveis, teto de gastos). Com certeza deveria ler Cândido, ou o Otimismo, de Voltaire, para cair na realidade e cultivar seu jardim.

Nelson Dumas

dumasnh@gmail.com

Brasília

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DEMOCRACIA CARA

Com fundo eleitoral indecente, mais de 30 partidos políticos absolutamente figurativos, sem programas ou ideologias coerentes, um número exagerado e desnecessário de senadores e deputados federais, uma plêiade de deputados estaduais, mais de cinco mil prefeitos, uma quantidade quase infinita de vereadores, tudo acrescido de verbas de gabinetes, carros luxuosos para transportar grande parte de todas essas "excelências", além de helicópteros disponíveis para pequenos deslocamentos e jatinhos oficiais para idas e vindas, e prédios palacianos muitas vezes suntuosos, exigindo dispendiosas manutenções, com onipresentes postos de cafezinhos, entre muitos outros sorvedouros de recursos, é estarrecedor o custo da ineficiente, corrupta e injusta democracia brasileira. Pobre contribuinte! 

Paulo Roberto Gotaç

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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DINHEIRO PÚBLICO

Os políticos em geral deveriam se preocupar com o “papel social” do dinheiro público e não o fazem. No entanto, isso não isenta o Estado (maior acionista da Petrobras) de priorizar a população brasileira em detrimento dos acionistas que colocam seu capital onde lhes interessa e convêm. Quem investe numa estatal deve considerar o papel social da empresa.

Maria Ísis Meirelles Monteiro de Barros

misismb@hotmail.com

Santa Rita do Passa Quatro

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BRASIL ZERADO

Paulo Guedes afirmou que o Brasil é duro na queda, que cai e levanta, que está melhor do que todos os países lá fora, que não tem déficit nenhum e está zerado. Como perguntar não ofende: será que o que está zerado no Brasil não é o bolso da maioria dos brasileiros, até porque hoje há milhões de pessoas que não conseguem pagar suas contas?

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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MARIELLE FRANCO

Com certeza eu gostaria de ver o desfecho definitivo do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes (Uma chaga aberta, 15/3, A9). Mas lamento que a atenção que esse caso recebe seja completamente desproporcional ao de dezenas de outros assassinatos. Em 18/2/17 houve um caso semelhante. O vereador Alexandro Pereira da Silva foi assassinado quando conduzia sua motocicleta em Santa Helena de Minas (MG). Procurei, mas não encontrei na internet qualquer informação sobre as investigações. Será que Marielle Franco vale tão mais do que esse?

Luciano Nogueira Marmontel

automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)

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VALORIZAR A CIÊNCIA E OS PESQUISADORES

Esse jornal, mais uma vez, em mais um artigo subscrito pelos próprios interessados, conclama os seus leitores a "valorizar a ciência e os pesquisadores" (15/3, A6). Antes, por meio do editorial Educação, tarefa de todos (14/3, A3), comemorou a aprovação por unanimidade do Senado de mais uma possível norma, no caso  PLC 235/2019. Ora, é inútil pedir que a sociedade, um ente abstrato, valorize uma função exercida, pois é o próprio profissional quem deve se valorizar, e se a valorização não chega, quando é proveniente dos recursos públicos que são limitados, então é preciso buscar essa valorização em outros meios, valendo ressaltar que a maioria entre os professores titulares das universidades públicas já percebe rendimentos superiores ao teto salarial do serviço público e que o orçamento das mesmas universidades públicas está comprometido em mais de 100% com a folha de pagamento e outras despesas de custeio. Ao mesmo tempo, não é uma nova norma que garantirá a qualidade da educação, ou a "articulação colaborativa". Em geral, o que as novas normas introduzem é mais burocracia, algo que se desvia da finalidade da qualidade, na medida em que só representa mais camadas para controle onerando ainda mais os parcos recursos disponíveis, com o custeio de órgãos como tribunais de contas, "comissões de controle", gerando inclusive o afastamento de profissionais da área-fim para atividades burocráticas, com finalidade meramente corporativista. É preciso parar de gerar novas normas, revendo e extinguindo muitas das que existem, são contraditórias e só dificultam a gestão mais eficiente dos órgãos do governo. A reforma administrativa, através da PEC 32/2020, que soluciona essas e outras questões relacionadas à qualidade dos serviços públicos, está paralisada no Congresso Nacional, enquanto os parlamentares se dedicam a gerar fumaça.

Airton Reis Júnior

areisjr@uol.com.br

São Paulo

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ESTRATÉGIAS DE GUERRA

Os boicotes contra a Rússia nas artes, ciências e cultura em geral exibidos fora de lá só prejudicam os envolvidos. Os países da Otan têm os meios econômicos para sufocar Putin e seus aliados interno$. Putin é um cara sem limites e, acuado, pode cometer ainda mais atrocidades contra os ucranianos. As sanções econômicas vão mexer para valer com a sua economia e ele pode ceder. Bloquear Putin e seus desatinos tem que ser agora, senão amanhã invadirá a Suécia, Finlândia etc. Ou usará armas nucleares.

Tania Tavares   

taniatma@hotmail.com  

São Paulo

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OTAN PARA OTÁRIOS?

Não vi nenhum comentário a respeito, mas o que parece que ficou muito claro é a utilidade um tanto controversa da Otan. Se o receio das armas nucleares é o que determina os rumos da guerra na Ucrânia, até agora sem intervenção das potências ocidentais armadas até os dentes, não seria o caso de se questionar a verdadeira utilidade (e os custos envolvidos) da Organização do Tratado do Atlântico Norte? As restrições econômicas e financeiras que foram utilizadas até agora aparentemente não têm nada a ver com a Otan. E o pior é que também aparentemente a Rússia se preparou antecipadamente para isso, com enormes reservas em ouro.

Ademir Valezi

valezi@uol.com.br

São Paulo

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SUPREMO RUSSO

Será que o Supremo Tribunal Federal (STF) da Rússia não poderia dar uma ordem para o sr. Putin parar com essa guerra?

Carlos Alberto Duarte

carlosadu@yahoo.com.br

São Paulo 

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TUNTUM SONHANDO ALTO

Depois de melhorar significativamente o IDH da cidade, inclusive com rede de água e esgoto para todos, políticos de Tuntum (só os do time azul) colocam o time da cidade na primeira divisão (‘Coração do Maranhão’, Tuntum sonha alto, 16/3, A24). Parabéns, Tuntum! Todos nós, inclusive a mídia, sabemos demonstrar que o que não aprendemos com a pandemia (saúde em primeiro lugar), aprendemos com os romanos.

Celso Francisco Álvares Leite

celsoleite932@gmail.com

São Paulo

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