Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2022 | 03h00

Guerra na Ucrânia

A volta da barbárie

Nos anos 20 do século passado, um desvairado cabo austríaco, sobre a desordem de um país recém-derrotado e sujeito a uma drástica indenização imposta pelos vitoriosos, elegeu culpados e arregimentou a nação na construção do que seria um grande Reich de uma raça superior. Deu no que deu, com a enormidade dos terrores impostos à civilidade. Setenta anos depois, um advogado e ex-coronel da KGB, em sua megalomania saudosa do antigo poder geopolítico soviético, foi buscar no século 9º da unificação do povo eslavo as razões históricas para justificar sua agressão a um país vizinho visando a submetê-lo à ordem unida de um grande império soviético 4.0. A realidade percebida com a falta de escrúpulos do coronel para atingir seus objetivos vai da eliminação física de adversários políticos, passando pela submissão dos russos ao hermetismo das versões e propaganda oficiais fantasiosas, até o desrespeito sistemático de tratados e acordos firmados ignorando o Direito Internacional. Esses fatos desautorizam qualquer expectativa e torcida para que o atual massacre do povo ucraniano tenha um breve fim. Enquanto as nações ocidentais repetirem a covardia de 1939 contra a Polônia e tentarem contê-lo apenas com retórica e medidas econômicas incruentas, que sacrificam a si próprias e ao povo russo, estará estimulando e contribuindo com a falta de limites às ambições do presidente russo. A Ucrânia seria apenas um começo ou, como dizem os chineses, o primeiro passo de toda caminhada?

Alberto M. Dowell de Figueiredo

amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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As armas do ocidente

É muito cinismo as “democracias” ocidentais enviarem armas para os ucranianos. Isso serve, apenas, para prolongar a destruição do país e aumentar o preço da paz. Só beneficia as “democracias”, ao desgastar o exército russo, e Volodmir Zelenski, cuja fama vai sendo inflada pela propaganda “democrática”.

Tibor Rabóczkay

trabocka@hotmail.com

São Paulo

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Destruição sem limite

Quer dizer que a Ucrânia é o quintal da Rússia? E, portanto, a Rússia pode fazer o que quiser com a Ucrânia, destruir tudo o que lhe apetecer, incluindo vidas, muitas vidas?

Helio Teixeira Pinto

helio.teixeira.pinto@gmail.com

Rio de Janeiro

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Um problema para o Brasil

Os impactos no Brasil da guerra na Ucrânia serão enormes e as possibilidades de enfrentarmos uma estagflação, que já não era descartável antes do conflito, agora têm aumentado. E, com a possível piora nos fluxos internacionais de investimentos e de financiamento, deve ocorrer um aumento da “seletividade”. Evidente que, se o Brasil quiser ser um dos destinatários desses fluxos, terá de mostrar, além de condições de mercado e estabilidade política e econômica, um posicionamento que esteja de acordo com o que defendem os países democráticos do mundo ocidental. E este é um grave problema, considerando que o sr. Bolsonaro, assim como seu principal oponente nas próximas eleições presidenciais, o sr. Lula, parecem estar de acordo com os principais pensamentos de Vladimir Putin. É fato que a democracia e o Estado de Direito, em todo o mundo, enfrentam problemas, e agora mais do que nunca, pois não interessa a governos autocráticos e a ditadores manter a ordem internacional atual, em cujas regras e normas não se permite, por exemplo, avançar sobre territórios soberanos. Não parece haver dúvidas de que um dos objetivos maiores de Putin, cuja invasão da Ucrânia é mais um “ato”, é impedir o avanço dos valores democráticos e liberais em regiões próximas ou vizinhas do território russo. A Ucrânia, depois de conseguir se livrar das amarras impostas pela antiga União Soviética, decidiu já em 2014 estabelecer no país um regime democrático. E isso não está nos planos de Putin.

Paulo Roberto Guedes

prguedes51@gmail.com

São Paulo

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Os ataques e as sanções

Uma pergunta que se impõe neste momento: a eventual assinatura de um armistício no conflito na Ucrânia implicará a suspensão imediata das sanções impostas à Rússia e seus mandatários? Solução simplista como esta desacreditará as sanções como recurso válido a ser imposto aos praticantes de agressões gratuitas, como acontece no caso presente. Convém à ONU recomendar a adoção de prazo suficiente para intimidar futuras agressões entre nações.

Lairton Costa

lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

JURO VAI A 11,75 A.A.

O juro praticado pelas instituições financeiras no Brasil sempre foram e são exorbitantes, mesmo quando se comemorou o juro de um dígito a.a. esse número era muito superior ao dos países desenvolvidos, muitos dos quais sempre praticaram taxas negativas, a fim de assegurar o crescimento do PIB. As últimas altas foram ainda mais danosas para a economia brasileira, pois tiveram como efeito colateral a reanimação da TR, indexador que é uma lembrança da correção monetária, que tanto contribuiu para o baixo crescimento de nossa economia anteriormente. As instituições financeiras se locupletam dessa fórmula que segue a mesmice da "ortodoxia brazuca" e praticam juros de quase 400% a.a., asfixiando o tomador de crédito, que se vê enredado com o aumento das dívidas, sem aumento ou até mesmo redução da renda. O Brasil precisa encontrar uma fórmula de incentivar o seu mercado interno para redução das desigualdades e isso será impossível com as altas taxas de juros praticadas.

Airton Reis Júnior

areisjr@uol.com.br

São Paulo

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COMPARANDO

Os países árabes exportadores de petróleo – não me refiro à administração política que neles existe –, como se vê, de certa forma colocam, se não todo, pelo menos boa parte de seus lucros com a venda deste produto a serviço da nação. É só vermos o investimento em cidades visando o turismo, numa visão administrativa digna de elogios, pois sabem que o petróleo um dia acaba, e eles, já se antecipando a isso, dedicam-se paralelamente à indústria de turismo, preparando-se para o futuro. É a colocação do petróleo a serviço da nação, com a construção dessas cidades turísticas. No tocante ao Brasil, o petróleo está a serviço da Petrobras, e contra o Brasil e os brasileiros.

José Carlos

jcpicarra2019@gmail.com

São Paulo

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REPÚBLICA APARELHADA

O Brasil é talvez o país da lista dos top 10 em corrupção, e com o povo que mais cabe no ditado “mulher de malandro gosta de apanhar, e quando apanha fica mais apaixonada”. Meu Deus, estão nos roubando. A Petrobras tem que ser vendida hoje. "O petróleo é nosso": os governantes entendem esse “nosso” como se fosse deles, e não de quem pagou e paga por ela, a Petrobras. Teríamos que exigir a troca total de comando até do terceiro escalão da Petrobras. A guerra começou e os bandidos já aumentaram o gás, o combustível e, com isso, todos os bens de consumo. O Brasil é campeão de bandidos nos "altos comandos". Gente que ao ouvir a palavra “guerra” destrói o bolso do povo. Fora, República! Sinceramente, no final do ano, vamos votar nos políticos que façam por nós.

Roberto Moreira da Silva 

rrobertomsilva@gmail.com

São Paulo 

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BRASIL AO VIVO E A CORES

Eliane Cantanhêde, em Do limão, limonada (18/3, A8), pintou o quadro Brasil neorrealista, tal qual é e sem retoques. Somos a nação dos joões-bobos deslumbrados: "Nos enganem que nós gostamos". O Brasil do jeitinho, das mandingas, da folia. O País dos pastores do dízimo de 100% da manada bovina, que precisa de um paizão, de santo ou do diabo. Lula e Bolsonaro os representam, em todos os sentidos e sentimentos. Cada povo tem o governo que merece e os desmerece. A saída é mesmo pelo aeroporto, porto, rodoviárias ou a pé. Jamais seremos um país sério, como o general de Gaulle não disse, mas pensou e acertou. Na política: 27 partidinhos picaretas, de eleger incompetentes e corruptos, como gostam os eleitores. Vou me mudar para a linda e minúscula República de San Marino, onde os políticos não recebem uma só lira para trabalhar pelo bem da nação. Aqui, eles ganham uma fortuna para trabalhar só em seu próprio interesse.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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DOAÇÃO

Doarei meu R$ 1 esquecido no Banco Central para o pobre, raquítico e necessitado Fundo Eleitoral, abençoado pelo Congresso e por Bolsonaro com minguados R$ 4 bilhões e 600 mil.  

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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BRASIL PARALELO

O presidente Bolsonaro instituiu gestões paralelas em seu governo: no auge da pandemia o Ministério da Saúde era comandado por um bando de curiosos sem vínculo formal com o governo e com poder absoluto na Saúde, o resultado foi a lambança da cloroquina, a carnificina em Manaus, o atraso na compra das vacinas e a morte evitável de centenas de milhares de cidadãos brasileiros, resultado da pior gestão da pandemia do planeta. Existe um gabinete paralelo também no Ministério da Educação. O objetivo é roubar dinheiro público, o que é feito pelos pastores, picaretas especialistas em roubar o povo nas falsas igrejas. Jair Bolsonaro tem verdadeira ojeriza pelas instituições, pela lei e pelo governo, prefere agir como se fosse o chefe de uma milícia criminosa, faz o que quer, ignora a Constituição, as leis, a liturgia do cargo, faz tudo por decreto, está destruindo o País fomentando esquemas cada vez mais vorazes de roubo de dinheiro público: rachadinha, orçamento secreto, emendas secretas e gestões paralelas nos ministérios. O Brasil terá que ser reconstruído depois da catastrófica passagem de Bolsonaro pela Presidência da República. Se Bolsonaro for reeleito, o País entrará em colapso com as quadrilhas criminosas bolsonaristas lutando pelo dinheiro no meio da rua.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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'DE VOLTA AO PASSADO'

Tenho lido, ouvido e assistido ao chororô de "meninos e meninas" de auditório do ex-presidiário Lula, criticando e lastimando a medalha concedida a Bolsonaro do Mérito Indígena. Uns desejam que a medalha seja confiscada pelo próximo governo – vão ficar na vontade –, outros que o presidente seja impichado por falta de decoro – coisa de gente mal-informada –  e assim vão as lamúrias. No vácuo do assunto, sugiro que o próximo governo, que para a decepção de muitos, será o mesmo, confisque os 11 títulos "honoris causa", que literalmente significa "por causa da honra", concedido ao ex-presidente que posava de  "estadista", por universidades daqui e do exterior, quando ainda não sabiam da verdadeira índole do homenageado. Que sejam também estornadas as 263 honrarias recebidas durante os 8 anos de seu governo, que também caíram no conto do vigário. Foram tantas as armações e engodos que até a maior autoridade do mundo à época, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o chamou de "o cara". Esse demagogo, imaginem, sonhou até com o prêmio Nobel da Paz. É mole!  E, por fim, que seja cassado seu único diploma, o  de presidente da República. Quem sabe assim nossos filhos e netos não percam tempo pesquisando sobre esse estorvo da recente História do Brasil.

Sérgio Dafré

sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

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PUXA-SACOS DO PRESIDENTE

É de estarrecer ver um ministro da Justiça, como Anderson Torres, conceder a Jair Bolsonaro “medalha” por serviços relevantes em “defesa de povos indígenas”, mesmo sabendo que esse irresponsável do Planalto defende extrair mineração em terras indígenas, e nesta pandemia abandonou esse povo, já que vetou a obrigação de oferecer água potável, materiais de higiene e leitos aos infectados pela covid-19. Porém, somente depois de uma decisão do STF, esse negacionista presidente, inimigo da ciência e de salvar vidas, foi obrigado a atender e com urgência as melhorias sanitárias e de saúde destes povos. Ora, o que não falta neste governo são puxa-sacos do mal, ou improdutivos. Como daqueles, até ministros, que distante da ética e da moral se humilham aos absurdos de

Bolsonaro. Como de fazer coro do kit-covid, para cura do coronavírus, a favor das aglomerações, do não uso de máscara etc. E esta decisão de Anderson Torres, de condecorar o presidente, é uma afronta às nossas instituições. Tal qual, assistimos à mediocridade deste governo.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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BOLSONARO CONDECORADO

Só mesmo neste macunaímico País de ponta-cabeça, em que até o impossível se torna possível, poderia haver algo mais esdrúxulo, surreal e descabido do que o Ministério da Justiça ter dado ao negacionista e ecocida presidente Bolsonaro a medalha do Mérito Indigenista "em reconhecimento aos serviços relevantes relacionados à defesa das comunidades indígenas". Causa espécie e indignação tamanho absurdo, justamente pelo agraciado ter manifestado como projeto de governo a exploração comercial e predatória do subsolo, sobretudo na zona norte, sem levar em consideração os limites das áreas indígenas demarcadas por lei. Só falta agora o MJ conceder a Bolsonaro medalha de Mérito Sanitário e Humanitário por sua relevante e decisiva contribuição para mais de 650 mil (!) mortes pela covid. Parafraseando Tim Maia, cabe dizer que "este país não pode mesmo dar certo. Aqui, prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia, pobre é de direita" e Bolsonaro é medalhado. Pobre Brasil.

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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PSEUDOLÍDERES

Putin animando torcida em estádio repleto e comemorando a guerra e Bolsonaro de cocar recebendo a medalha de Mérito Indigenista – qual a situação mais pavorosa e deprimente? Dois pseudolíderes, mas em verdade deformidades humanas que o mundo contemporâneo criou embala e sustenta à custa do esgotamento das melhores esperanças e dos bons sentimentos. Nada podemos fazer, ainda, com relação ao russo, mas muito podemos fazer em relação a este seu admirador, o presidente brasileiro que afronta os sentimentos, escandaliza os pudores e despreza a justiça. Fora! Não há mais lugar na história para os demagogos, vulgares e falsos! Pois, mais dia, menos dia, os castelos dos falsos ruirão sob o próprio peso de seus desvarios e fanfarrices.

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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O QUE GANHAMOS?

O que o Brasil ganha em se mostrar veladamente simpático a um país totalitário, agressor, desrespeitador dos direitos humanos que tem sido condenado por quase todas as nações?

Marco Antonio Martignoni

mmartignoni1941@gmail.com

São Paulo

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POUCAS MUDANÇAS

Mesmo em estados atuais de guerra, as grandes vítimas continuam sendo as populações civis. Atualmente, as armas de desinformação às vezes são tão ou mais letais que as de destruição física. As primeiras corroem a credibilidade das notícias e introduzem incertezas na marcha dos acontecimentos, motivando mobilizações de comunidades inteiras que, ao convergirem para locais que supostamente constituem pontos de alívio temporário, na verdade se veem reféns de emboscadas que originam mais desilusão, sofrimento e óbitos. Por outro lado, as armas que arrasam cidades também pulverizam passados e quase sempre resultam em pungentes dramas de separações e mortes de entes queridos, formando inúmeros núcleos de dor e de traumas psicológicos que marcam indelevelmente as existências dos que sobrevivem. Por mais que a tecnologia militar se aperfeiçoe no sentido de selecionar e atingir somente alvos táticos, os grandes penalizados numa guerra, independentemente dos tipos de armas empregadas, ainda são os cidadãos comuns. Poucas mudanças desde quando os homens começaram a combater entre si.

Paulo Roberto Gotaç

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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VÍRUS NÃO LÊ DECRETO

Com o avanço das variantes da Ômicron, países como a China já estão em lockdown. O mesmo acontece na Europa, com a explosão de novos casos. Aqui no Brasil, autoridades sanitárias decretaram a liberação do uso de máscara protetiva em locais fechados, como academias, comércio em geral e shopping. A liberação parece precipitada, haja vista que o “vírus não lê decreto” editado pelo governo, mas continua fazendo sua parte de letalidade. Vamos aguardar 15 dias para saber quem está com a razão, se o vírus ou o decreto. Quem viver verá!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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NOVO SURTO DE COVID

Vem da China novamente um novo alarde da covid-19, com um aumento de leitos de internação e de testagem maciça. Como a mídia global notícia, na cidade mais populosa do país, várias áreas da megalópole foram confinadas na tentativa de conter o avanço da pandemia, o que serve de alerta a todo o planeta para tomar providências preventivas no sentido de conter o avanço dessa infecção virótica, que a nós todos nos atinge e tem efeitos devastadores, principalmente na geoeconomia como nunca na história da humanidade.

 

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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GLOBALIZAÇÃO DA ESTUPIDEZ

Big Brother Brasil, um programa gostoso, o Brasil que está chato. As pessoas estão muito metidas e imbecilizadas, julgam os outros por assistir a algo divertido. Ficam só falando de politicamente correto, bando de malas. Eu nasci no final dos anos 1950. Demos o sangue para "abrir as cabeças" obscuras, hoje vemos um bando de chatos e depravados ditando regras em nome de uma falsa esquerda humanista. Tolos e com graves limitações intelectuais. Se apegam a papagaiar livros, só que sem aceitar a liberdade. São na verdade cópias mal-acabadas e pioradas dos antigos opressores. Credo.

Roberto Moreira da Silva

rrobertomsilva@gmail.com

São Paulo

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