Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2022 | 03h00

Petrópolis

Segundo golpe

Um mês depois da tragédia de enchentes e deslizamentos de terra, Petrópolis sofre um segundo golpe: os rios transbordaram no fim de semana passado, especialmente no centro histórico, coração do município. A prefeitura, depois da tragédia de fevereiro, fez rapidamente uma maquiagem nas principais ruas e praças, mas a limpeza dos bueiros e obras de esgotamento dos cursos d’água e desassoreamento não são feitas há mais de 50 anos. O prefeito sumiu e não mostrou a cara nem para dar conforto moral à população. A economia municipal está em frangalhos e não sabemos se se recuperará logo. Onde estão os recursos federais que foram encaminhados para a cidade? Já sumiram? Acho que se esvaíram nas corredeiras e no Rio Piabanha.

Mário Negrão Borgonovi

marionegrao.borgonovi@gmail.com

Petrópolis (RJ)

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Leva tempo

A chuva de domingo (20/3) novamente provocou enchentes em Petrópolis (RJ), causando transtornos à cidade e seus moradores. Não faz muito tempo, a cidade passou por isso e sofreu estragos significativos: desabamentos, quedas de barreiras, deslizamentos e mortes. O descaso do poder público não muda de uma hora para outra, leva tempo, mas pensar e escolher melhor seu candidato na próxima eleição ajuda.

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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É preciso seriedade

A solução para os deslizamentos e as muitas mortes que acontecem neste tempo de chuvas é simples, mas ninguém parece querer enfrentar o problema objetivamente. Primeiro, a engenharia de solos deve determinar quais áreas são seguras para construções comuns e quais necessitam de fundações especiais que resistam às chuvas torrenciais. Esse estudo deve ser observado rigorosamente, sem jeitinho nem influência política que libere construções inseguras. Segundo, as residências sem condições de segurança devem ser desocupadas, forçosamente, se necessário, com mudança para novos projetos residenciais em locais com infraestrutura adequada e acesso fácil a transporte público, com tarifas acessíveis. As áreas desocupadas devem ser replantadas com plantas de raiz profunda, para evitar futuros deslizamentos. Com essas medidas, executadas seriamente, evitaríamos muitas mortes. Com vida não se brinca nem se arrisca. Planejamento urbano é coisa séria.

Silvano Corrêa

scorrea@uol.com.br

São Paulo

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Guerra na Ucrânia

Mundo dividido

Estamos entrando na era dos conflitos geopolíticos entre democracias e autocracias, como Martin Wolf, do Financial Times, afirmou em análise publicada no Estadão (20/3). Entramos em nova era histórica da política mundial. A brutal invasão protagonizada por Vladimir Putin à Ucrânia é o estopim desta virada no rumo da geopolítica, neste surpreendente século 21, em que todos esperávamos viver um período de paz e progresso nas relações entre países e pessoas. A sombra da guerra, movida por ambições de domínio, parece ser nossa eterna desgraça como primitiva espécie tribal. Homo sapiens apenas na pretensão, Homo bellicus na realidade de sempre.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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Ignácio de Loyola Brandão

Rua João Moura

Lendo a crônica de Ignácio de Loyola Brandão de domingo (Não reclamo, entristeço – 2, 20/3, C11), eu me vi ali, com nome e sobrenome, “Lu Franco”. Fiquei um tanto nostálgica, confesso. Mas logo passou. A rua mudou, o bairro mudou, minha casa na João Moura não existe mais. A topografia urbana se transformou, eu me transformei. Tudo virou passado. Ou nem tudo. Uma coisa permanece como ontem, como sempre. Continuo com a certeza de que o beijo não vem da boca. Que bom ainda me ver no presente de Ignácio através destas lembranças. Um beijo para ele.

Luiza Franco

mlfsp@hotmail.com

São Paulo

Grande Ignácio, afaste a tristeza, a lembrança é eterna! Estive contigo por volta de 1973/1974, quando você estava na Editora Planeta em frente ao Conjunto Nacional. Eu, um estudante de Comunicação, fui muito bem recebido. Vivam as padarias. Viva a CPL. Pois: Pai do Céu / antes de partir / quando chegar o meu dia / me dê a última chance / café de coador e um pão na chapa / lá na padaria / que alegria!

José Luiz Pagliaro

parafa27@yahoo.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CARTADA DE MESTRE

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes demonstrou toda a sua expertise no trato com a plataforma Telegram – aquela que dava total apoio às fakes news de Bolsonaro. Ora, o aplicativo imediatamente se enquadrou e já suspendeu as desinformações disparadas pelo gabinete do ódio dos Bolsonaros. Na verdade, o presidente, com cara de paisagem pelo revés sofrido, disse: “É perseguição implacável para cima de mim”. Ora, Jair Bolsonaro ainda não percebeu que o Brasil não é uma terra sem lei onde sua famiglia faz e desfaz o que bem entende. Resumo da ópera: nocaute do Telegram e de Bolsonaro, com um único “jab”. Fica a dica!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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TELEGRAM, JUSTIÇA E LIBERDADE DE IMPRENSA

Nos resta repetir Balzac em Ilusões Perdidas: "Se a imprensa não existisse, seria preciso inventá-la”. E o excelentíssimo ministro Marco Aurélio de Mello, por ocasião da aposentadoria do ministro no TST Ildélio Martins, em 1986: "O magistrado não pode evitar a decisão. Está na virtude do equilíbrio e do bom senso e na aptidão para a tarefa o segredo da descoberta do direito. E não é só. É na busca das provas que a justiça encerra toda a problemática jurídica, que lança mão da lei, do costume e de princípios para resolver questões."

Fernando de Oliveira Geribello

fernandogeribello@gmail.com

São Paulo

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ALVOS DA LAVA JATO DE VOLTA ÀS URNAS

A matéria Anulações em série estimulam alvos da Lava Jato a voltar às urnas (Estado, 21/3, A7) escancara a ineficiência do nosso Judiciário jogando no lixo o gigantesco trabalho da Operação Lava Jato, e tudo isso em decorrência de vícios processuais só examinados no Supremo Tribunal Federal. Não há como entender todo esse desperdício de dinheiro público praticado pelos membros mais preparados do Judiciário. O pior será chegar-se à conclusão de que tais vícios decorrem de leituras mal feitas da legislação, só percebidas na derradeira instância.

Jose Elias Laier

joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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ANULAÇÃO DE CONDENAÇÕES

O Poder Judiciário brasileiro sempre protegeu os bandidos de colarinho branco. Para eles, corrupção não é crime. Anular condenações da Lava Jato é o maior absurdo cometido pelo Judiciário.

Renato Maia

casaviaterra@hotmail.com>

Prados (MG)

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O POPULISTA E O FARELO

O Auxílio Brasil, de R$ 400, farelo no dizer de Bolsonaro, agradou a muitos brasileiros. E a atitude populista já rende uma boa melhora nos índices de aprovação de Bolsonaro. Infelizmente, até outubro deste ano, vamos verificar muitos festivais populistas, mas cada um com seu farelo diferente, porque imaginação não falta aos nossos marqueteiros.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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VICE

Não é nenhuma surpresa a indicação de Braga Netto, por Bolsonaro, como vice da chapa presidencial. E não é pelo fato de ter feito escola militar, e sim por diversas ameaças que fez à democracia enquanto governo, um aliado para quem sabe o golpe.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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LULA PROMETE

É interessante e enigmática a afirmação de Lula de que a atual legislatura é “talvez o pior Congresso que tivemos”. Caberia a pergunta: o que difere a relação do Centrão com o atual governo – particularmente no que concerne ao orçamento secreto –, da compra de votos de parlamentares que acontecia no governo Lula, o chamado Mensalão? Resposta: absolutamente nada. Quanto à crítica do ex-presidente ao semipresidencialismo, nenhuma novidade: personalidades autocráticas e populistas não admitem perder o controle sobre o Congresso. O novo Lula, caso eleito, promete. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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SÚPLICAS

Simone Tebet pede votos, na TV, parecendo que está suplicando, chorando ou com os sapatos apertando nos calos. Onde estão a firmeza, a contundência, a bravura das palavras que a senadora costuma exibir no Senado? No final, a exemplo da propaganda do candidato Lula, Tebet garante que "vamos reconstruir o Brasil". Quem, afinal, copia quem?

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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JORNALISMO HEROICO

Nada confirma a opinião de Carlos Alberto Di Franco em seu artigo no Estadão (Mais jornalismo e menos narrativa, 21/3, A5) defendendo o governo Bolsonaro das "narrativas" da imprensa, que estaria brigando contra "números e fatos" produzidos pelo atual desgoverno do Brasil. Se a economia do País vai bem é mérito exclusivo de empresários e trabalhadores brasileiros que, apesar dos maus governos, atuam com liberdade e competência, características de democracias consolidadas, apesar de governantes medíocres e incompetentes. A imprensa brasileira não poderia se calar diante de um governo negacionista da pior pandemia dos últimos 100 anos e de um presidente contra a vacinação da população, que já contabiliza 650 mil mortos. Não morreram muitos mais porque o povo se vacinou em massa, apesar de Bolsonaro. Como poderia a imprensa ficar calada diante de ministros da Deseducação, como um Abraham Weintraub, de um ministro destruidor do Meio Ambiente, como o desflorestador Ricardo Salles. O que dizer do antidiplomata Ernesto Araújo, um chanceler saído das trevas medievais? Escolas, colégios e nossas universidades souberam resistir ao assédio destrutivo de ministros contrários à educação livre e democrática brasileira. A imprensa repercutiu o clamor nacional pela preservação de nosso vital meio ambiente diante da destruição protagonizada pelo presidente, seus ministros e dirigentes do Ibama, Funai e outros órgãos ambientais. O Itamaraty resistiu como pode às investidas do anacrônico Cavaleiro Templário. Apesar de Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, a que foi negado combustível, a economia brasileira aprendeu, há muito tempo, como sobreviver apesar de Brasília e seus políticos. A imprensa do Brasil praticou jornalismo heroico e independente, defendendo os interesses maiores da nação, diante da maior investida destruidora e totalitária que sofreu desde nossa árdua redemocratização. Que saibamos votar nesta próxima eleição. 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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VERDADE X DESINFORMAÇÃO

Carlos Alberto Di Franco merece elogio pela manifestação contra falsas “narrativas” em Mais jornalismo e menos narrativa (Estado, 21/3, A5) no noticiário adverso ao governo de Bolsonaro. Este governo sofreu o infeliz impacto da pandemia e agora enfrenta os efeitos da guerra na Ucrânia. “Mas não dá, com honestidade intelectual, para dizer que estamos indo para o abismo.” Pelo contrário: os números indicam para uma situação econômica promissora ainda em 2022. 

Harald Hellmuth

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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MENOS NARRATIVA

A sublime coluna do sempre brilhante Carlos Alberto Di Franco, publicada em 21/3 (Mais jornalismo e menos narrativa, A5), é um oásis de lucidez em meio a tanto jornalismo ativista e parcial. É imprescindível que as linhas editoriais de tradição recuperem o senso das proporções e a honestidade intelectual para retratar a realidade sem a contaminação das paixões. Lamentável que jornalistas ponderados tenham cada vez menos espaço nos grandes meios de comunicação, onde mais conta a narrativa que os fatos concretos.

Lorenzo P. C. Spedicato

lorenzopcs@gmail.com

Ribeirão Preto

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MAIS JORNALISMO E MENOS NARRATIVA

O texto do jornalista Carlos Alberto Di Franco (Mais jornalismo e menos narrativa, 21/3, A5) veio a calhar neste momento, porque temos um bom exemplo sobre o jornalismo com falta de informações esclarecedoras da atual invasão da Rússia na Ucrânia. Os jornalistas deixaram de detalhar um pouco mais da vida do atual presidente da Ucrânia, Zelenski. Não se fala nada da sua carreira, nem da experiência política e militar, tampouco esclarece se serviu ao Exército. Tem também notícias na internet que falam que tem dinheiro aplicado na Inglaterra, faltou a história do Império Soviético com detalhes. Nem relembraram as guerras na Coreia e Vietnã em que os EUA foram o principal protagonista.

José Luiz Abraços

octopus1@uol.com

São Paulo 

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A ORDEM MUNDIAL ALTERNATIVA

Em relação à análise A ordem mundial alternativa (Estado, 21/3, A12), no meu entender, a economia mundial já parece estar pendendo definitivamente para a Ásia. Podemos estar vendo, na geopolítica, um desafio às políticas de certas nações ocidentais de intervenção em outros países soberanos. A Rússia e a China com certeza se perguntam: se certas nações ocidentais podem, por que não podemos também? A questão da democracia é mais complicada: será que dá para incutir em poucos anos os ideais democráticos e liberais em povos que experimentaram séculos de autoritarismo, como a Rússia e a China? São países que viveram também décadas de socialismo. Não se deve esquecer também que a China ainda lembra as humilhações que sofreu por parte de certas nações ocidentais, os tratados desiguais e o desmembramento territorial, como a perda de Hong Kong após a Guerra do Ópio. E a Rússia ainda lembra as invasões napoleônica e hitlerista que sofreu quando baixou a guarda para certas nações ocidentais. No fundo, trata-se de uma nova ordem mundial multipolar surgindo, em que as velhas e novas potências terão que reaprender a conviver, quer queiram ou não. O resto é decorrência disso.

Fernando T.H.F. Machado 

fthfmachado@hotmail.com

São Paulo

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BRASIL NÃO É NORUEGA

Prezado senhor J. R. Guzzo, li seu artigo (Atraso de vida, 20/3, A11) e pergunto: o Brasil não é a Noruega, mas o que faz a Noruega diferente do Brasil? Como será que os noruegueses discutem uma questão de extrema importância como a produção de energia? Por que os noruegueses se comportam de forma diferente em relação a questões que afetam enormemente o país em que vivem? Com certeza os políticos, pelo menos alguns deles, confundem governo e Estado, e acreditam ter o direito de livremente dispor de bens, cargos, nomeações, usurpar direitos etc. Por que isso acontece? Porque somos uma sociedade desorganizada, não fazemos sequer um abaixo-assinado contra o que acreditamos estar errado, somos mal-informados, e principalmente acreditamos que os noruegueses podem ter uma empresa estatal porque são melhores do que nós. E, se acreditamos que alguém agiu de forma incorreta na administração da estatal, o melhor é privatizar. E, aí, não estamos castigando quem agiu de forma incorreta, estamos castigando a todos nós brasileiros, a exceção, é claro, dos novos donos. Uma vez privatizada, os lucros são remetidos para o exterior, e se retornam, retornam muitas vezes para fins especulativos. Se não privatizarmos, podemos usar os recursos hoje existentes de controle, para melhorar a administração e fiscalização da coisa pública. Enorme quantidade de recursos foram gastos na Operação Lava Jato, e eu pergunto: o que restou em termos técnicos da área jurídica, da área de auditoria, da área administrativa para fins de controle das empresas públicas? Se ocorreram desvios de tanta monta, não ocorreram em um único ano. O que devemos estudar é quais são os regulamentos de tais empresas, quais as leis que as regem, por que desvios podem se prolongar por anos, e ninguém percebe nada? Pois se em vez de trabalharmos e aprendermos a cuidar do que é nosso, entregarmos tudo aos estrangeiros e a uma pequena minoria de grandes acionistas, o que vamos ver é o que vem acontecendo nas últimas décadas: aumento da  concentração de renda, retrocesso no desenvolvimento tecnológico, redução da participação da indústria na economia do País, universidades com ensino defasado trinta anos em relação às economias desenvolvidas. Enfim, caminhamos para sermos como a África do século XIX. Senão, pergunto, qual país no mundo produtor de commodities transporta sua produção em caminhões? Quando ocorreu o primeiro choque do petróleo em 1973, o que fizemos de lá para cá? Fincamos pé nas ideias de 1960 que a ferrovia é mais cara do que a rodovia, sem avaliação de custo, sem visão estratégica de que um recurso finito e de exploração cada dia mais custosa teria seus preços elevados com o decorrer do tempo e aumento da demanda. Se não nos dedicarmos a estudar os assuntos em profundidade, jamais seremos como os noruegueses. Dizem que para os jornais a má notícia é a boa notícia porque é a que atrai a atenção, mas precisamos de jornais mais do que comentem repetidamente o que já se sabe, precisamos de jornais que informem, e se for falar de noruegueses, ao menos informem por que os noruegueses são melhores do que nós.

Maria Cristina Cordeiro Dellatorre

cristina.cordeiro1414@uol.com.br

Itatiba

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LUZ VERDE

Apesar da guerra da Ucrânia estar se afigurando mais complexa do que aparentava inicialmente, com desfecho ainda longínquo, podendo inclusive enveredar por rumos sombrios como a ameaça nuclear e o transbordamento para fora dos atuais limites; apesar da perspectiva de um possível alívio no garrote da pandemia que atormentou a humanidade ao longo dos dois últimos anos, tirando e arruinando economias nacionais e individuais, embora já existam rumores de novas cepas revitalizadas, e da incerteza vinculada a todas as nuances deste possível cenário ao mesmo tempo de esperança e apreensão, é lícito especular que, para o Brasil, mesmo servindo, ao longo do corrente ano, de palco a ferozes campanhas que desembocarão nas eleições mais polarizadas dos últimos tempos, há indícios de que, no curto ou médio prazo, pode surgir uma luz no fim do túnel. Resta saber se a luz que que vai pipocar será verde, o que significará "vá em frente", ou vermelha, que indicará "aguarde estacionado". Ao povo, fica reservada a tarefa de torcer pela luz verde.

Paulo Roberto Gotaç

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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AS CONTAS DA PANDEMIA

O Brasil tem uma dívida de gratidão com o governador de São Paulo, Joāo Doria, e com o Instituto Butantan, que agiram de maneira implacável em busca de soluções para minimizar o impacto da pandemia no País. João Doria e o Butantan confrontaram de cabeça erguida e peito aberto toda a fúria negacionista do presidente Bolsonaro, que atrapalhou o quanto pode o combate à pandemia, atacou as vacinas, cancelou compras de vacinas e de seringas, boicotou o uso da máscara, promoveu aglomerações e curas milagrosas com remédios ineficazes. João Doria e o Butantan deveriam receber reconhecimento formal pelo trabalho realizado, e Jair Bolsonaro deveria responder na Justiça pelas mortes provocadas pelo seu negacionismo cego, surdo e burro.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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JOÃO CARLOS MARTINS

Perfeito para este longo tempo de pandemia que vivemos o pensamento do genial maestro João Carlos Martins: "A ciência cura o corpo e a arte cura a alma". Quem tomou as vacinas, disponibilizadas pela ciência, curou o corpo, e quem teve a oportunidade de assistir à arte do pianista, curou a alma.

Abel Pires​ Rodrigues

ablrd13.ar@gmail.com

Rio de Janeiro

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GESTO NOBRE

Em entrevista em junho de 2020, o dirigente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, disse que o técnico Abel Braga parecia "bêbado e drogado” quando dirigia o clube. Pelas ofensas Abel ganhou R$ 50 mil na Justiça. Num gesto nobre, pouco divulgado pela mídia, Abel destinou o ganho às famílias dos 10 promissores garotos com 14 e 15 anos, vítimas fatais do incêndio no Ninho do Urubu.

Humberto Schuwartz Soares

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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FÓRMULA 1 2022

No primeiro GP do ano no Bahrein, a Ferrari fez dobradinha com seus pilotos, Charles Leclerk, o primeiro, e Carlos Sainz. E na terceira colocação ficou o heptacampeão e maior vencedor de GP, Louis Hamilton. E o melhor da corrida ficou para o fim: após a saída do Safety Car (carro de segurança), todos os carros ficaram próximos, e a duas voltas do fim, Sainz ultrapassou Max Verstappen, e Hamilton na última volta ultrapassou Sérgio Perez, que rodou após pressão. E os dois pilotos da RBR não cruzaram a linha de chegada. Enfim, a Ferrari, escuderia da F1 mais antiga (75 anos) voltando a vencer é legal e bom para o esporte! E eu vou continuar torcendo pelo inglês Hamilton. E no próximo domingo tem mais, o GP da Arábia Saudita. E a F1 na Band ficou infinitamente melhor! Parabéns.    

Alex Tanner

alextanner.sss@hotmail.com

Nova Odessa

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BOLO ARIANO

Padaria troca nome de bolo de “nega maluca” para “afrodescendente” imaginando que, com isso, estaria contribuindo para combater o preconceito. Gostaria de tecer um comentário a respeito: o tema do bolo não era preconceituoso. Seu nome não dizia que toda a nega é maluca. Ou que entre as malucas, predominam as negras. Só que aquele bolo em especial era da cor negra e tinha características de loucura. Por sinal, a palavra “nega” em português tem uma conotação mais carinhosa do que negativa. Já o novo nome – bolo “afrodescendente” é algo esquisito que traz imediatamente à tona a questão do preconceito ou o combate ao mesmo. Há muitas expressões utilizadas na nossa língua que podem ser levadas para o lado pejorativo. Mas nem tudo deve ser feito a ferro e a fogo. Por exemplo: o verbo judiar significa fazer maldade, judiação. Esta palavra é certamente preconceituosa e sua origem se baseia num antissemitismo expresso: a mensagem de que os “judeus fazem maldade”. Mas raramente algum judeu se ofende ao escutá-la. Nem existe campanha da comunidade judaica para retirá-la do vernáculo. Porque no Brasil sempre houve um valor maior chamado de tolerância. Tolerância sempre pesou mais do que o Aurélio. Aqui a questão da raça nunca esteve à flor da pele o tempo todo. Pelo contrário, muita gente nem sequer cogita a respeito do assunto a não ser que seja instigada a fazê-lo. Há pessoas racistas e há manifestação de racismo. Mas há legislação adequada para combater o racismo. E o fenômeno sempre foi minoritário, A grande maioria da sociedade sempre se faz presente condenando o racismo toda vez que ele aflora. A regra prevalente no Brasil é a da tolerância, da integração e da ojeriza ao preconceito. Assim, procurar importar dos EUA modelos sobre como combater o racismo é andar para trás. E muito. Especialmente levando em conta que o destaque dado nos EUA para teoria crítica do racismo não só não funcionou para promover a paz social, como teve efeito exatamente contrário em todos locais em que foi forçado goela abaixo das pessoas como, por exemplo, nas escolas. Sempre me dei muito bem com os afrodescendentes. Porém um bolo afrodescendente é indigesto. Não menos do que seria um bolo ariano.

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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