Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2022 | 03h00

Guerra na Ucrânia

Um mês

Ontem fez um mês que a Rússia invadiu a Ucrânia e virou o mundo de ponta-cabeça. Mesmo quem vive a milhares de quilômetros do conflito está sendo atingido pelos estilhaços desta guerra: os preços de alimentos e combustíveis, no Brasil e no mundo, dispararam. Consequentemente, virá a fome, depois de 2020 e 2021 já terem trazido tanta dificuldade para o mundo. Como é possível a mesma tecnologia humana que há mais de meio século enviou o homem à Lua ser hoje utilizada para destruir cidades inteiras?

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

*

Guerra perdida

Os números da invasão da Ucrânia pelo exército russo dão mostras dos abomináveis crimes de guerra cometidos por Vladimir Putin. Segundo estimativas dos EUA, a Rússia já teria lançado nada menos que 1,2 mil mísseis contra alvos civis, entre eles 23 hospitais, 1 maternidade, 330 escolas, 27 centros culturais, 98 edifícios comerciais e 900 casas e prédios residenciais. A Otan calcula que entre 7 mil e 15 mil soldados russos foram mortos em quatro semanas de guerra. Em comparação, a Rússia perdeu cerca de 15 mil soldados ao longo de dez anos de conflito no Afeganistão e 11 mil em uma década de guerra na Chechênia. Enquanto os soldados russos não sabem por que guerreiam, os ucranianos resistem, com bravura e valentia, em defesa de sua pátria. Como se vê, Putin perdeu a guerra quando ordenou o primeiro disparo.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

*

Jogos de azar

Projeto de Lei nº 442

Acrescento ao artigo ‘Alea jacta est’, de José Serra (Estado, 24/3, A4), que o jogo é uma excelente lavanderia de dinheiro ilegal, oriundo de tráfico de drogas, corrupção, roubos, etc. E exatamente por isso muitos parlamentares defendem a legalização dele no País, embora nenhum reconheça ser essa a razão.

Luciano Nogueira Marmontel

automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)

*

O artigo do senador e ex-ministro José Serra contra a volta dos jogos de azar é muito claro, aborda as várias e maléficas facetas dos cassinos. Mesmo as lotéricas já são nocivas à sociedade, mas nestas os valores de aposta são baixos, portanto o desperdício do cidadão que se alimenta da ilusão de ganhar dinheiro fácil talvez não seja tão grande.

Maria Veronika Keri

marika.keri@gmail.com

São Paulo

*

Orçamento

Bônus ressurreto

É um verdadeiro tapa na cara dos brasileiros a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe ressuscitar o bônus do quinquênio, extinto em 2005, a ser concedido a juízes e procuradores (Estado, 24/3, B2). Trata-se de um adicional de 5% ao salário a cada cinco anos de trabalho. Sabemos que tal aberração seria só o começo, pois logo seria estendida para todos os servidores públicos. Será que o apoio de Bolsonaro e do Congresso é só para garantir mais votos em ano eleitoral ou seria para garantir que processos envolvendo o presidente, sua família e congressistas continuem engavetados? A cada dia que passa o Brasil afunda cada vez mais no comprometimento do Orçamento público.

Maria Carmen Del Bel Tunes

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

*

Economia

Fatos e narrativas

Bastante interessante o artigo Mais jornalismo e menos narrativa, publicado no Estado de 21/3 (A5). Ele traça um quadro otimista com base em números extraídos possivelmente da cartilha do sr. Paulo Guedes. Fato é que milhares de brasileiros hoje passam fome, milhares de pessoas estão desempregadas e outras milhares estão morando nas ruas porque não temos uma política correta de distribuição de renda. Mas, por Deus, por que, se a economia vai tão bem, a maioria da população tem a impressão de que o País vai tão mal? Entendendo que os números apresentados sejam de boa-fé, só me resta concluir que está faltando uma política de distribuição de renda que faça com que os benefícios de uma boa política econômica fluam para toda a sociedade, e não apenas para tão poucos. Ou seja, um governo só é bem avaliado se o resultado de sua ação permeia toda a sociedade. E, infelizmente, o que tem alcançado a sociedade não é tão alvissareiro.

Wilson Demetrio

wilson_demetrio@yahoo.com.br

Campinas

*

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CASTRATO SENADOR

Um certo senador do Amapá, aquele de sempre, contribuinte cotidiano da vaidade dos supremos ministros, pelas redes sociais, com júbilo, sob a forma de furo de reportagem de um desastrado e descompensado "foca", divulgou, a meio da manhã de 24 de março, quinta-feira, que a Comissão de Educação do Senado aprovou a convocação do ministro da Educação, Milton Ribeiro, para esclarecer as "denúncias" de supostas influências de líderes religiosos que não têm qualquer vínculo com a estrutura governamental na liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para algumas prefeituras em troca de bene$$e$ nada republicanas. Por algumas emissoras de TV, o ministro já trouxera à luz o que ocorreu e o que fez quando soube das anônimas acusações. Independentemente da investigação de ofício da Procuradoria-Geral da República já demandada, que deve ser rigorosa havendo provas e robustos indícios, fugindo ao objeto do espetaculoso noticiário, cabe comentar: por qual razão o castrato senador não usou o rotineiro caminho da judicialização, sempre promovida irresponsavelmente, para todos os fins, pelos companheiros do STF? Visando a chamar a si os holofotes e microfones? Rompeu-se a parceria por "fadiga do material", decorrente dos insanos, inaudíveis, ineficazes e ineficientes gritos das partes, sem eco fora de suas bolhas, que não estão justificando o perigoso custo X benefício dos circenses espetáculos?

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Recreio (RJ)

*

O HORROR, O HORROR

Muitas reflexões nos vêm à mente a respeito dos tais pastores do Ministério da Educação (MEC). É um fato grave? É. É surpresa? Não. Não é surpresa por diversos motivos. Em primeiro lugar, políticos trocam verbas ministeriais por propina ou apoio desde o primeiro governo que existiu no mundo, há milhares de anos atrás. Também não é surpresa que o cordão umbilical entre Bolsonaro e certa corrente evangélica nunca pareceu ter motivações exatamente religiosas. Também não é surpresa que o envolvimento de pastores com política, mesmo que sob um prisma esquerdista, tampouco pareça espiritual. Ainda que não houvesse uma situação de corrupção evidente, ao menos a relação entre pastores e políticos esquerdistas sempre me pareceu, digamos, estratégica, para facilitar os interesses logísticos das igrejas. O mesmo posso dizer com a secular relação entre ditaduras e democracias, repúblicas e monarquias, igreja católica e outras denominações cristãs. Ainda sobre os pastores do MEC, mais coisas espanta: em primeiro lugar, o pedido descarado de propinas, à luz do dia, institucionalizado, como uma atividade normal e corriqueira, dentro do Ministério da Educação. Os pastores falavam em "molha nossa mão" com a mesma simplicidade que dissessem "pega a ficha no caixa". Isto é muito suspeito. O que também não seria surpresa: que soubéssemos que a denúncia sobre os pastores partiu de dentro do próprio governo, a partir de informações enviadas à imprensa e à Justiça por alguém próximo a Bolsonaro ou ele mesmo. Sempre fiquei desconfiado que os motivos pelos quais as aspirações de cunho nazifascista de alguns membros do governo sempre foram deliberadamente escancaradas para que a opinião pública soubesse o que havia ali dentro. Este teria sido o motivo pelo qual o antigo secretário da Cultura, Ricardo Alvim, teria feito um discurso imitando Goebbels. Este seria o motivo pelo qual Bolsonaro encontra-se com Orbán e diz: "Deus, pátria, família". Foi como um pedido de socorro, como se Bolsonaro estivesse dizendo, para quem quisesse entender: "Eu não posso ser reeleito, porque estou controlado por estas pessoas". O conjunto exato de circunstâncias relacionadas à candidatura de Bolsonaro, em 2018, será escancarada um dia. A ligação entre o Brasil e os Estados Unidos de Donald Trump e Steve Bannon é menos preocupante que a ligação entre o Brasil e a Europa, como jornalistas investigativos independentes daquele continente já divulgaram e a imprensa brasileira tem pleno conhecimento, aguardando o momento exato de jogar os excrementos no ventilador. Para finalizar, quero relatar a minha gargalhada ao saber que deputados, de todos os partidos, fingiram surpresa e o horror, o horror, com a história dos pastores do MEC. Então, os nobres colegas nunca trocaram “x” por “y”? Eu acredito em duendes.

Júlio Zavack

juliozavack@gmail.com

Goiânia

*

1 KG DE OURO

Como se vê, os pastores vendilhões do templo agora também cobram em outras moedas: 1 kg de ouro. Pecado mortal!

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

*

PASTORES E CORRUPÇÃO

O contínuo envolvimento de um segmento do setor evangélico com a corrupção política do País, em que propinas eram pedidas dentro de Bíblias, mostra como esses pretensos religiosos não são de fato merecedores de tais adjetivações éticas e morais. Na verdade, tais indivíduos usam a capa de uma pretensa religiosidade para obter ganhos financeiros e econômicos para si e para as denominações a que pertencem ou controlam.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

*

PROVA DE REVEZAMENTO

As provas de revezamento no atletismo são formadas por quatro atletas, cada um com sua habilidade, que correm com tudo o que podem para aumentar a velocidade da equipe e chegar à vitória. Nosso presidente genial formou uma equipe de revezamento no Ministério da Educação, que fez de tudo para perder e levar a educação de nossos jovens para a sarjeta. Mais uma "proeza" desse presidente incompetente que não podemos reeleger de forma alguma.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

*

CORRUPÇÃO NO GOVERNO BOLSONARO

Bolsonaro continua na Presidência e vai garantindo o caixa dois para a campanha dele e de seus filhos, com verbas suficientes para reelegê-los e mais alguns "cumpanheiros". Sabemos que o Congresso, a Procuradoria-Geral da República, o Tribunal de Contas da União e o Judiciário vão fingir que estão tomando algumas providências em relação ao último escândalo ocorrido no MEC, somente para inglês ver, mas nada acontecerá de fato, pois todos são farinha do mesmo saco. Enfim, temos que aprender a conviver com a corrupção, já que não temos disposição de ir para a rua protestar e seguir em frente com nosso complexo de vira-lata, batendo palminhas e fazendo arminhas para Bolsonaro ou Lula, aquele que conseguir mais votos dos eleitores otários na próxima eleição. Acredito que 2022 será o ano recordista de votos em branco. A conferir. 

Maria Carmen Del Bel Tunes

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

*

QUAL O PIOR?

Os brasileiros estão num dilema para outubro. Escolher qual o pior candidato para presidente. Ambos incompetentes e pouco escolarizados. Só produziram malfeitos. Um diz que é a alma mais honesta e o outro diz que não rouba nem deixa roubar. Mentem descaradamente. Apenas roubam diferente um do outro. A 3.ª via ou voto nulo é a mesma coisa. Caramba. A única saída é o aeroporto.

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira

ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro

*

PARADIGMAS DE INJUSTIÇAS

Deltan Dallagnol, como digno e competente membro do Ministério Público Federal, é condenado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) porque demonstrou ao Brasil o cerne da corrupção na pessoa de Lula da Silva. Não é bom ser corrupto? O ministro da Educação, Milton Ribeiro, associado com Bolsonaro, segundo diz, fez de sua pasta um mercadão total, onde se transaciona desde ouro até Bíblias, mas tudo sob o manto religioso. Para o time pastoral de Milton Ribeiro não tem importância o mandamento: não invocar o santo nome (de Deus) em vão, porque a causa é nobre, é beneficiar financeiramente alguns diletos companheiros de delitos patrimoniais. Relembre-se de que Jesus usou de violência uma só vez: quando expulsou do templo os mercadores que o usavam para seus negócios. Que o procedimento sirva de exemplo aos pastores corruptos. Resultado: pastores livres e Dallagnol condenado.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

*

PRESERVAÇÃO DA HONRA DE DESONRADO

O STJ condenou Deltan Dallagnol a indenizar o candidato Lula, que teve sua honra alegadamente maculada pela atuação do ex-procurador da República. A atuação, ninguém desconhece, foi exagerada, e possivelmente ocultava pretensões políticas do dr. Deltan. Mas algo intriga os que se colocam a refletir: se o STJ também foi capaz de ratificar decisão condenatória de Lula, com base nas acusações da força-tarefa do MPF, não estariam também os ministros do STJ obrigados a indenizar o candidato?

Eduardo Ricca

eduardo@vikanis.com.br

São Paulo

*

MIXÓRDIA

“Mixórdia” significa mistura desordenada, confusa, incompreensível. Pois é exatamente esse o patamar em que se encontra o cenário político brasileiro. Esse casamento, do chuchu com o sapo barbudo, é coisa que intriga a sociedade. Mas como pode causar tanta perplexidade a união entre o maior corrupto que já trafegou pelo Planalto e Alckmin, cuja bandeira (pelo menos é o que dizia) era a de combater a mesma corrupção? O passado lhes predica oposição. Onde estariam as razões dessa perniciosa união? Será que ninguém soprou no ouvido do Alckmin o ditado “dize-me com quem andas, dir-te-ei quem és”? Como disse alguém, na política nada se cria e tudo se corrompe.

Antonio B. Camargo

bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo

*

ALCKMIN E LULA

O discurso do Alckmin ao se filiar ao PSB, pelo menos a parte que meu estômago aguentou ouvir, é mais uma página política patética, em que homens públicos não veem limites para suas ambições de conseguir o poder a qualquer custo. Minha esperança é que um terceiro candidato se fortaleça, e varra todo esse atraso para bem longe.

Elisabeth Migliavacca

Barueri

*

O PARADOXO

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) é o órgão que administra a segurança e a paz entre os povos. Mediante a realidade momentânea, com a agressão russa contra a Ucrânia, estabeleceu-se o paradoxo: como justificar que a Rússia, país com assento permanente no Conselho de Segurança, promova uma guerra sem justa causa contra a Ucrânia? Expulsar a Rússia desse conselho não é medida factível sob qualquer ângulo que se faça a análise, inclusive por tratar-se de um país momentaneamente sujeito a uma liderança irresponsável, não obstante inclinado historicamente a soluções arbitrárias. Por outro lado, os abusos injustificados merecem reparo sob pena de desacreditar o próprio organismo mundial, independentemente de quaisquer posicionamentos ideológicos. Face ao impasse, restou a ONU apenas a adoção de restrições de natureza econômica, patrimonial e política, as quais, para ter efeito, não podem ficar restritas apenas ao tempo de duração do conflito,  merecendo estender-se muito além para não serem desacreditadas, afastadas retaliações bélicas, de consequências inadmissíveis no mundo atual. Destarte, a perda temporária de interesses econômicos, como as propiciadas pelos recursos russos e ucranianos, passam a merecer aceitação, com a recomposição dos canais de abastecimento mundial afetados.

Lairton Costa

lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

*

TEMPOS INCERTOS

Há coisas neste mundo que não conseguimos entender. Eu, com 76 anos de vida, gostaria de entender como é possível, em pleno século 21, um presidente de determinado país enviar tropas, tanques de guerra e mísseis para destruir o país vizinho. Diante de tal situação, eu pergunto: será que já estamos vivendo o apocalipse? Quero crer que sim. 

Virgilio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

*

ALBRIGHT

Madeleine Albright, ex-secretária de Estado dos EUA que morreu nesta quarta (Estado, 24/3, A18), costumava dizer que a História é vivida de frente para trás, mas é registrada de trás para frente. Ela não soube que seus pais eram judeus de nascença até completar 59 anos. De trás para frente, pode compreender a sua herança judaica e as causas para que a mesma ficasse oculta de todos por seis décadas.

 

Jorge A. Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

*

GCM COTIA

O trânsito parado na virada do km 26 na Raposo Tavares, sentido Cotia, não era acidente. Era uma quadrilha que sequestra as pessoas para fazer Pix. Graças a Deus, em Cotia, a  uarda Civil Municipal (GCM) não segue regras de "demônios" autointitulados “direitos humanos", em que o crime corre solto e protegido. Basta de policiais nos protegendo e morrendo por conta de "leis" criadas por facções políticas. O Governo Federal, que hoje é menos pior do que os últimos, deve dar a chance de os policiais sobreviverem ao crime.

Roberto Moreira da Silva

rrobertomsilva@gmail.com

São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.