Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2022 | 03h00

Corrupção no MEC

O gabinete paralelo

A divulgação do áudio em que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirma dar prioridade a prefeituras cujos pedidos de verbas foram negociados por pastores evangélicos é gravíssima por revelar a transformação do MEC num balcão de negócios. Ao reduzir a liberação de recursos públicos, que deveria atender a critérios técnicos, a uma espécie de “ação entre amigos”, Ribeiro demonstra que a descompostura e a improbidade resumem sua gestão. Não é admissível, porém não espanta a declaração do ministro de que o favorecimento a pastores atende a uma solicitação do presidente Bolsonaro, que com desfaçatez utiliza o MEC de forma eleitoreira. A situação só piora quando se conhecem mais detalhes das negociatas do “MEC paralelo”, que incluem até denúncia de pedido de 1 kg de ouro para liberar verba para um município. Com o beneplácito de governantes ímprobos, “mercadores do templo” estendem seus tentáculos à administração pública, e no seu mais alto escalão. Mandam às favas a ética, a gestão e a legalidade no momento em que o MEC deveria se dedicar a organizar nacionalmente a retomada da Educação após dois anos com as escolas fechadas em razão da pandemia. Não há mais adjetivos para qualificar as ações do MEC, que nos últimos anos coleciona fiascos. Agora se sabe que à incompetência se junta o aparelhamento da pasta com objetivos que nada têm que ver com a preocupação com a qualidade da educação no País. Investe-se, isso sim, no atraso e no retrocesso que compromete o futuro do Brasil.

Azuaite Martins de França assessoriajp@cpp.org.br

São Paulo

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Ciência e tecnologia

As escolhas do Brasil

A Universidade de Stanford, nos EUA, atualizou a lista dos cientistas mais influentes do mundo em todos os campos do conhecimento, e entre eles há 812 brasileiros. Embora na lista não conste o nome de nenhum parlamentar brasileiro, estes senhores vão gastar este ano mais de R$ 21 bilhões com o Fundo Eleitoral e emendas de relator, enquanto o orçamento para Ciência e Tecnologia (C&T) encolheu em 2022, para R$ 6,6 bilhões. O Brasil só vai avançar quando investir em assuntos sérios como educação, C&T, saúde e habitação, e não em “picaretagem” parlamentar, sob qualquer denominação.

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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Eleições 2022

Vinhos da mesma pipa

Por mais que Lula e Bolsonaro – os mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos para a Presidência – se apresentem ao eleitorado como antagonistas, são, sem conta, as inúmeras afinidades que os unem. Duas delas são escancaradas: não assumem qualquer responsabilidade, a culpa é sempre dos outros; e mantêm um silêncio eloquente sobre as barbaridades cometidas contra os ucranianos pelo tirano Putin. Terceira via, encontre meios e forma para decolar!

Junia Verna Ferreira de Souza juniaverna@uol.com.br

São Paulo

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Aliança medrosa

Se está tão fácil para Lula vencer as eleições, como mostram as pesquisas, ele não precisa de ninguém. Então por que se aliar a inimigos como Alckmin, de quem já escutou acusações pesadas, e até ACM Neto? Por que dividir o poder, se pode vencer sem eles?

Paulo Tarso J. Santos ptjsantos@yahoo.com.br

São Paulo

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Memória seletiva

No discurso de filiação ao novo partido, Geraldo Alckmin lembrou que ele e Lula foram adversários, mas nunca atentaram contra a democracia. E o mensalão, a compra do Congresso por Lula, foi o quê?

A.Fernandes  standyball@hotmail.com

São Paulo

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Alckmin, com sua pose de beato franciscano, vendeu a alma ao diabo para ter seu espacinho na política preservado. Descreve a figura com quem está se unindo como um santo a ser canonizado. Livrai-nos, Senhor!

Sergio Cortez sergiocortez@myofficestore.com.br

São Paulo

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Metamorfose

Lula certa vez disse ser uma metamorfose ambulante, que muda de posição sempre que conveniente. Agora encontrou sua cara-metade, Alckmin, que em passado recente chamou Lula de ladrão para baixo, e hoje diz que Lula é a democracia. Sinceramente, não sei quem representa melhor tal metamorfose.

Paulo H. Coimbra de Oliveira  ph.coimbraoliveira@gmail.com

 

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

 

G-20 PODE EXPULSAR RÚSSIA

Passado um mês do terror da decisão de Vladimir Putin de invadir e destruir com as tropas russas a Ucrânia, o presidente americano Joe Biden, presente na sede da Otan, em Bruxelas, pede que a Rússia seja expulsa do grupo de países do G-20. Mas reconhece ainda não haver consenso para essa decisão. No encontro, Biden anunciou ainda mais sanções econômicas contra políticos, oligarcas e empresas estatais russas do setor de armamento. Questionado por jornalistas sobre a posição da China, mais favorável à Rússia, o presidente americano disse que não fez ameaças, mas ponderou ao líder chinês Xi Jinping que o “futuro” da China está mais atrelado ao Ocidente do que à Rússia, já que, se verificarmos o total do comércio bilateral com os EUA, em torno de US$ 700 bilhões anuais, e com a zona do euro, de mais de US$ 800 bilhões, não chega a US$ 140 bilhões com a Rússia. Enquanto isso, em função desta insana guerra, além de um rastro de destruição, milhares de inocentes morrem diariamente, e outros quase quatro milhões de ucranianos humilhados tiveram de fugir e buscar refúgio nos países fronteiriços na zona do euro.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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PUTIN E A GUERRA

Eu particularmente acho que a Rússia de hoje é um país fraco economicamente e em termos populacionais para se meter em jogos de guerra. A Rússia faria muito melhor buscando um entrosamento econômico com a Europa, principalmente com a Alemanha e criando um corredor de investimentos e de serviços por dentro da Ucrânia. E dar importância e relevância a Otan é algo de imensa estupidez. Putin conseguiu fortalecer a organização e criar um imenso embaraço econômico para o seu país a troco de nada. A Rússia ainda vive com esta mentalidade geopolítica ultrapassada. Hoje, importam negócios, não territórios. Aliás, também não compreendo esta invasão russa. Onde está a vantagem de tal estupidez? Crianças inocentes sendo mortas, mais de 75 outro dia. A conta desta barbárie recairá sobre Putin. A Rússia será isolada da economia mundial e das cadeias de produção por décadas. O país vai empobrecer, uma barbaridade. A Rússia já perdeu em todos os sentidos possíveis. Algo de uma estupidez homérica. Coisa própria de um sujeito ruim e desumano como Putin, que além de tudo é um completo idiota. 

Paulo Alves

pauloroberto.s.alves@hotmail.com

Rio de Janeiro

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PÓS-GUERRA SOMBRIO PARA O BRASIL

A única certeza sobre a guerra da Ucrânia é que não será fácil a vida dos derrotados. Não existe um cenário que contemple uma vitória da Rússia, as pesadíssimas sanções econômicas impossibilitam qualquer hipótese de triunfo de Vladimir Putin. A Ucrânia já deixou claro que não quer nem ouvir falar do Brasil. O cenário mais provável é um recuo da Rússia, com algumas concessões, e a Ucrânia saindo muito favorecida, recebendo ajuda maciça do Ocidente para a sua reconstrução. O Brasil deveria se preocupar muito com o cenário do pós-guerra, porque Lula e Bolsonaro seguem apoiando Putin, o País já tem um status de pária e pode acabar no limbo absoluto junto com Coreia do Norte, Cuba e Eritreia, os outros países que apoiam o líder russo.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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AUTOCRATAS

 

O presidente Jair Bolsonaro se filiou às loucuras dos autocratas Xi Jinping, Vladimir Putin e Donald Trump, líderes das três maiores potências globais. Na verdade, Bolsonaro figura como o "primo pobre e café com leite" que faz tudo para se manter na mídia, mas que não é levado a sério pelos chefões. Afinal, há muita diferença entre expectativa e realidade, e só Bolsonaro ainda não percebeu.

 

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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BOTAR A CARA NO FOGO

Quando acontecem desastres naturais, pede-se à população a doação de alimentos não perecíveis – óleo, arroz, feijão, etc. Dois supostos “pastores”, recebidos frequentemente pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, e que fazem parte do “governo paralelo”, exageraram na dose. Em troca da liberação de verba do Ministério da Educação (MEC) para as prefeituras, pediram 1 kg de ouro, um outro material não perecível. Presidente, talvez não seja uma boa ideia botar sua “cara no fogo” pelo ministro porque a política de seu governo é conhecida por “um manda e o outro obedece”, não?

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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TEMPLOS OU LAVANDERIA?

Depois do último escândalo de corrupção envolvendo pastores e o Ministério da Educação do governo Bolsonaro, divulgado pelo Estadão, será que os templos religiosos são locais para orar ou para lavar dinheiro sujo? Com Bolsonaro, nossas instituições estão se tornando "terrivelmente evangélicas". Até quando os eleitores evangélicos aceitarão ser enganados e continuarão apoiando esses falsos profetas?

Maria Carmen Del Bel Tunes

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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PRESIDÊNCIA SEM EDUCAÇÃO

Não há surpresas quanto à corrupção no desgoverno Bolsonaro, ainda que aquilo que nos chega são apenas as pontas dos icebergs distribuídos ao longo da Esplanada dos Ministérios. O editorial Assim Bolsonaro trata a educação (Estado, 24/3, A3) aponta o escândalo da vez, com pastores conduzindo "re-ganhos" pelo orçamento do culto, em complemento ao orçamento oculto no Parlamento. O Estadão clama pela saída do ministro da Educação, mas conclui ser difícil, pois continuam o despresidente no Palácio do Planalto e o Centrão no poder.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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MENTIRAS QUE NÃO CONVENCEM

Bolsonaro diz que não há corrupção em seu governo. Lula da Silva diz que é o mais honesto dos mortais. Acredite quem quiser. E Geraldo Alckmin é homem de opinião e de ideologia imutável. Será? Leia jornais dos últimos 20 anos. Será que as repetições podem mudar os conceitos de muita gente?

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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QUE VERGONHA

Que vergonha, sr. Geraldo Alckmin. Votei no sr. várias vezes para governador e para a Presidência. Vejo agora, depois de anos de comportamento antipetista, o sr. rasgar sua biografia, atirar ao lixo e queimá-la. E isto tudo para ver-se novamente debaixo dos holofotes, após ter submergido dos fracos resultados conseguidos na última eleição. Ora, sr. Alckmin, vê-lo chamar Lula de salvador da pátria é de dar engulhos. O sr. será mais uma marionete nas mãos de Lula e do PT, mas sem dúvida conseguirá o spotlight que o deixará em evidência, mas que facilitará a mim e outros desavisados enxergar bem nitidamente o seu posicionamento eleitoreiro e sem nenhum compromisso com ideais. Já que não tem luz própria, utilizará a do Lula. Quanto a mim, o sr. nunca mais terá um voto meu.

Joaquim Antonio Pereira Alves

metaexport@hotmail.com

Santos

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O ELEITOR E A CORRIDA PELO PODER

O eleitor tem assistido – desde 3 de março – à formação das mais improváveis alianças políticas com vistas às próximas eleições. Tradicionais adversários, que trocavam insultos em campanha e fora dela agora se unem. E, até a sexta-feira próxima (1.º de abril), muita coisa estranha ainda poderá acontecer. É por causa desse tipo de comportamento oportunista que rejeito a escolha do candidato por razões emocionais ou pessoais. Quando o interesse deles fala mais alto, esquecem tudo o que pregaram e se unem em nova configuração. Quem neles acreditou fica, no mínimo, chateado ou, até, revoltado. O eleitor, cuja única vantagem em participar é levar ao governo e ao Legislativo homens e mulheres que, na sua opinião, poderão trabalhar pelo desenvolvimento e bem-estar da comunidade, não deveria dar atenção às pregações destrutivas que uns e outros fazem em relação aos seus adversários. Não deve ter como inimigos os oponentes daqueles em quem votou ou pretende votar. Precisamos ter eleições civilizadas e acabar com a polarização que torna os políticos e parte de seus seguidores uma boiada incontrolável. Com esse tipo de comportamento, a sociedade não avança e a democracia tende a falir. É preciso compostura.

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo 

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SEBASTIANISMO PETISTA

O eleitorado sabe o que Lula fez nos verões passados. Pouco importa que o Supremo Tribunal Federal (STF), por causa de meras filigranas jurídicas, tenha anulado condenações criminais contra Lula, como se isso pudesse fazer o eleitorado deixar de saber o que sabe acerca das graves negociatas do “deus petista”. A pesquisa Datafolha mostrou sinais de alerta preocupantes para o ex-presidente, evidenciando que os ministros do STF não são senhores da consciência dos eleitores. A história de Lula – manchada com tinta indelével – não é a história de uma vestal. O sebastianismo petista é a crença dos trouxas.

Túllio Marco Soares Carvalho

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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SUPREMO POLÍTICO

O ministro do STF Gilmar Mendes, não satisfeito em soltar uma quantidade enorme de corruptos importantes com as mais variadas justificativas "jurídicas", agora quer destruir Sergio Moro. Se ele tivesse a metade da idoneidade e conhecimento jurídico do ex-juiz, ele só se pronunciaria nos autos. Mas ele gosta de política rasteira.

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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ÓLEO DE PEROBA E A CLASSE POLÍTICA  

O editorial Regalia descabida e inoportuna de (Estado, 25/3, A3), é uma amostra ao leitor da desfaçatez e cara de pau dos nossos congressistas – pelo andar da carruagem, o óleo de peroba vai ser negociado a peso de ouro nas prateleiras dos supermercados. A canalha, a todo custo, pretende ressuscitar o abono quinquenal para todo o funcionalismo público. Essas pessoas não têm a mínima noção de que o momento que estamos vivenciando exige muito mais que os governos – federal, estaduais e municipais – se preocupem mais em investir na quase inexistente infraestrutura do que no aumento suicida do custeio da máquina pública. Em se melhorando, por exemplo, a logística de transportes, aumentar-se-á a competitividade nas exportações, criar-se-á mais empregos, atrair-se-á mais capital estrangeiro, flexibilizar-se-á o câmbio (dólar x real), entre outros benefícios para a sociedade. Tudo isso tornará a nossa dívida pública menos impalatável, além de diminuir razoavelmente o índice de desemprego galopante. Torço ardentemente para que, nessas eleições, elejamos políticos capazes de administrar a coisa pública como se de iniciativa privada fosse. Daí, o primeiro passo será dado! 

Emmanoel Agostinho de Oliveira

eaoliveira2011@gmail.com 

Vitória da Conquista (BA)

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PETROBRA$

Enquanto o Brasil paga caríssimo pelo descabido e ultrapassado monopólio da Petrobras, seus dirigentes e funcionários se esbaldam em salários, regalias e penduricalhos como os amigos do rei nos velhos tempos da corte imperial. Pelos cálculos de um gestor de RH da companhia, somente o custo dos privilégios alcança cerca de exorbitantes R$ 7 bilhões (!) por ano, o equivalente a um terço do gasto total com pessoal, de R$ 21,7 bilhões (!) em 2020, incluindo os encargos sociais e tributários (‘Jabuticabas’ perduram na Petrobras e turbinam ganhos de funcionários, 25/3). Privatize já! Basta!

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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ALTERAÇÃO CLIMÁTICA E NÓS

Nunca nas últimas décadas tivemos tanta consciência das alterações climáticas que estamos vivendo nesses últimos tempos. Este ano, por exemplo, um calor infernal tem nos atingido de forma avassaladora, que nos deixa com a sensação de estarmos numa sauna contínua, seja em que área que estivermos das nossas maiores cidades, principalmente do Rio de Janeiro, que teve um dos verões mais secos e altas temperaturas dos últimos anos. Esperemos que nossas lideranças governamentais ouçam o que dizem os cientistas sobre a devastação da Amazônia e sua correção, no sentido de que possamos conter essas alterações climáticas que tanto nos está prejudicando, para que possamos ter um alívio nos próximos anos que teremos à nossa frente.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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