Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2022 | 03h00

Congresso Nacional

R$ 23,8 milhões por ano

É de estarrecer a matéria do Estado de domingo (27/3) Cada parlamentar custa ao Brasil R$ 23,8 milhões por ano. Por que na Alemanha, um país rico, o custo anual de cada parlamentar equivale a R$ 7,18 milhões (na França são R$ 5,49 milhões e no México, R$ 5,34 milhões), enquanto no Brasil, país pobre, cada parlamentar nos custe tantos milhões? É uma exorbitância! Um retrato de que ao longo dos anos nosso Parlamento não se tem importado com a pobreza e a falta de desenvolvimento econômico e social: quase 50% dos brasileiros ainda vivem sem saneamento básico e sem moradia digna. Pior: ao lado de péssimos governos, nosso Congresso não aprova reformas como a tributária e a administrativa, sem coragem de eliminar privilégios de servidores federais.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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Monstruosidade

Excelente a matéria colocando o dedo na ferida e demonstrando o que mais causa decepção nos brasileiros: a estrutura do Congresso Nacional. Mas a pergunta que continua sem resposta é como corrigir esta monstruosidade, que é uma das principais causas da ineficiência da máquina governamental.

Martim Affonso Santa Lucci

mslucci@uol.com.br

Campo Grande

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Não falta nada

Sinceramente, não me surpreendi com a notícia de que cada parlamentar custa ao Brasil quase R$ 2 milhões por mês. Afinal, temos saneamento básico em todas as cidades, rodovias bem asfaltadas, saúde e educação públicas de Primeiro Mundo. Isso sem considerar que nossos parlamentares terão um Fundo Eleitoral de quase R$ 5 bilhões para gastar este ano. País rico é assim.

Ariovaldo J. Geraissate

ari.bebidas@terra.com.br

São Paulo

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Guerra na Ucrânia

Um momento histórico

É conhecido de todos os que se interessam por geopolítica a chamada “armadilha de Tucídides” e sua correlação com a situação atual do mundo, a disputa entre uma potência hegemônica estabelecida, mas em decadência, ante uma nova potência em ascensão e, pois, candidata a ocupar a hegemonia mundial – como desenvolveu o cientista político Graham Allison em A caminho da guerra. Também é bem conhecida a teoria do “heartland”, desenvolvida por Halford J. Mackinder, professor de Oxford, em 1904, em seu O pivô geográfico da História. Pois é justamente no “coração da Terra” de Mackinder, a Europa Oriental, onde está se desenvolvendo uma guerra que pouco interessaria aos seus dois contendores (Rússia e Ucrânia), mas que interessa muito à potência hegemônica atual, que agrega adesões e poderes contra a nova potência em ascensão, a China. Para os EUA, a hora do enfrentamento é agora, quando ainda detêm mais dinheiro, influência e poder que sua desafiante. A futura “senhora do mundo” gostaria de esperar um pouco mais, mas terá de se manifestar já. Não adianta fingir que nada tem que ver com o que está acontecendo no caminho da sua “nova rota da seda”. Tudo indica que estamos vivendo um momento histórico. Quem (sobre)viver terá muita coisa para contar. Só não se sabe se essa história será contada em computadores, celulares, livros ou em pedra lascada. Oremos!

José Jairo Martins

josejairomartins7@gmail.com

São Paulo

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Saúde

Cigarro eletrônico

Consumido por jovens e proibido, cigarro eletrônico traz riscos à saúde (Estado, 27/3, A16). Defender a liberdade de fumar cigarro eletrônico faz todo o sentido nesta época de fake news, quando há campanha antivacina no meio de uma pandemia. Estudos patrocinados pelo fabricante apontam a segurança dos dispositivos eletrônicos, enquanto consumidores são internados na UTI. A pessoa saudável fazendo tratamento precoce para ficar viciada e doente por causa dos efeitos da nicotina, a porta de entrada para o tabagismo.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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Março azul

Oportuno e didático o artigo Por que março é azul?, do médico Marcelo Averbach (28/3, A4). Alerta a população masculina para a necessidade da conscientização e prevenção do câncer colorretal. Tive caso doloroso na família, de parente idoso que, quando teve diagnosticada a doença, era tarde demais. Cumprimento o dr. Marcelo, cuja assistência à população do vale do Rio Tapajós é digna de reconhecimento nacional.

Almir Pazzianotto Pinto

pazzianottopinto@hotmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

SÓ EU QUE POSSO

O Partido Liberal (PL), de Jair Bolsonaro, conseguiu do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que fossem proibidas manifestações eleitorais de artistas contrários ao presidente no Lollapalooza. Alegou que a campanha só iria iniciar nos próximos meses. Após obter a liminar proibitiva, Bolsonaro imediatamente foi ao ato de filiação do PL e discursou freneticamente. “Não abro mão da minha autoridade”, já disse lá atrás. E emendou: “Só eu que posso”.

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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MANIFESTAÇÃO PROIBIDAS

O ministro do TSE Raul Araújo proibiu manifestações políticas no festival de música Lollapalooza (Estado, 28/3, A6). Alguém precisa avisar o ministro que, aqui, no Brasil, campanhas políticas antecipadas também são proibidas, principalmente quando feitas com dinheiro do contribuinte, que é o que o presidente Bolsonaro vem fazendo há muito tempo.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR) 

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CENSURA INEFICAZ

A vã tentativa de impor censura na campanha eleitoral vigente em grandes eventos públicos, como festivais de música, não consegue se viabilizar, como acabamos de verificar no Lollapalooza. Controlar multidões como essa é praticamente impossível, e a tentativa de censura só tem efeito contrário.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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DEBOCHE JUDICIAL

A Justiça determina que os artistas do “Lulapalooza” não façam manifestação política e impõe uma multa, classificada por Anitta como mixaria, do tipo “tenho grana, reservo R$ 500 mil por 10 manifestações e pronto”. Outro grupo inexpressivo, a banda Fresno, ganha a primeira página do jornal O Globo porque estampa em grande foto o que pretendem os eleitores petistas. E fica por isso mesmo? Por muito menos Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o Telegram. Mas contra Bolsonaro ficam a multinha mixuruca e o deboche contra a Justiça, que só é boa quando é parcial. 

Roberto Maciel

rovisa681@gmail.com

Salvador

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LOLLAPALOOZA NO TSE

Como o Judiciário do Brasil não tem nenhum processo a ser julgado, por não haver mais crimes no Brasil, os meritíssimos vão pautar a relevante questão de artistas darem opinião política em festivais de rock’n’roll.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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BOLSONARO CONFESSA

Ao arrepio da lei, Jair Bolsonaro faz um ato público puramente eleitoral que merece ser penalizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No evento, além de exaltar seu “exército” ou milícias de apoiadores, esse literal filho da ditadura confessa que às vezes lhe “embrulha estômago” cumprir a Constituição. Barbaridade! Que desfaçatez esse seu desprezo a nossa Carta Magna. Afrontando a tudo e a todos, ao lado de generais de seu governo e de membros do Centrão, o presidente “cara de pau” acrescenta que sua luta é do “bem contra o mal”. Ou seja, o bem para Bolsonaro é armar a nação, ser a favor do desmatamento, permitir corrupção à luz do dia na Educação e na Saúde, etc. Pior ainda é seu desprezo pela ciência e por salvar a vida dos brasileiros nesta pandemia. Como charlatão, receita medicamentos sem comprovação científica para cura da covid-19, estimula a população a fazer aglomerações e ao não uso de máscaras, e, para as mortes (hoje quase 660 mil), diz que não é “coveiro” e outras excrescências. Na realidade, Jair Bolsonaro, é o grande mal do Brasil.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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IMPORTÂNCIA

Quem diria que o ex-presidente Fernando Collor de Melo acabaria virando "papagaio de pirata" na filiação do Bolsonaro ao PL. Que tempos vivemos!

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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FESTIVAL DE HORRORES

Estamos sofrendo um ultraje a cada dia depois da posse de Bolsonaro e a parceria que combinou com o abjeto Centrão, tanto no Senado como na Câmara dos Deputados, com um único objetivo: o enriquecimento ilícito e permanência no Poder. Nunca é demais repetir que o Centrão foi formado durante a Constituinte, portanto, influindo na redação da Carta Magna. Reúne os partidos de menor expressão nacional, com a adesão de alguns parlamentares das demais, formando a maioria no Congresso. Também, por ser fator crucial na avacalhação atual, importa recordar que o então deputado Jair Bolsonaro foi um membro do Centrão e a ele voltou agora ao se filiar ao PL. Neste domingo ficamos sabendo que cada parlamentar nos custa R$ 23,8 milhões por ano, ou pouco mais de R$ 1,98 milhões/mês (Estado, 27/3, A7). E ganham essa fortuna para aprovar indecências como os Fundos Partidário e Eleitoral. Eis o motivo principal que, neste Governo Federal, tivemos raríssimos acertos, mas muitos trambiques e estupidez derivadas de um grau de ignorância inédito na história da nossa República. Como balanço da pior escolha do eleitorado brasileiro, agora sabemos, que com a política ignara do presidente no combate à pandemia, 40% das mortes pela covid-19 poderiam ter sido evitadas, ou seja, cerca de 240 mil pessoas. Não esqueçamos, também, o enorme estrago que ele provocou em nosso meio ambiente e com certeza vai continuar provocando se defenestrado não for. Para coroar o festival de horrores, hoje tomamos conhecimento de quanto nos custa toda essa pilantragem, regiamente remunerada, por nós, através dos impostos que pagamos, sem perdão, a cada compra ou serviço que precisamos. Somos o povo mais trouxa do planeta.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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CUSTO DO PARLAMENTAR

Sobre a matéria Parlamentar brasileiro custa R$ 23,8 milhões ao País por ano (Estado, 27/3, A7), esse custo deve aumentar muito se considerarmos o desempenho dos parlamentares tipo Tiriricas, aqueles que proporcionalmente, e pela utilização do cargo,  praticamente, e efetivamente, nada fazem. Produtividade zero.

Arcangelo Sforcin Filho

despachante2121@gmail.com

São Paulo

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LINHA EDITORIAL

Assinante de longa data e nos últimos tempos muito insatisfeito com a maneira partidária e interpretativa com que o Estadão vem tratando as notícias da política, venho elogiar a reportagem sobre as benesses aos colaboradores da Petrobras e com agradável surpresa a manchete falando do custo dos nossos políticos (Parlamentar brasileiro custa R$ 23,8 milhões ao País por ano, 27/3, A7). Na minha modesta opinião, este é o verdadeiro Estadão, que sempre esteve participando de forma efetiva das grandes decisões e importantes questões nacionais. Somente devolvendo o País ao seu verdadeiro dono, que é o povo brasileiro, seremos uma nação de verdade.

Cássio Dutra

cassio@sopil.com.br

Vargem Grande do Sul

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INCONFORMADOS

Emblemática a foto de capa desta segunda (Estado, 28/3, primeira página), da pré-candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro, ao lado do presidente do partido ao qual se filiou, Valdemar Costa Neto, ex-presidiário no esquema da Lava Jato petista, e do ex- presidente Fernando Collor, impichado por corrupção. Na outra ponta dessa vendida polarização ao eleitor, desacreditado da possibilidade de surgir uma terceira via viável, assistimos ao ex-tucano de ninho e de anos de oposição ferrenha ao petismo, Geraldo Alckmin, dizer que Lula é a opção do País para que a democracia seja restabelecida. Não dá mesmo para se conformar que em outubro de 2022 tenhamos que escolher entre um desses dois.

Abel Pires​ Rodrigues

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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CINISMO E POLÍTICA

O jornalista J. R. Guzzo afirmou que Lula-Alckmin “é a aliança mais cínica de que se tem notícia, há anos, na vida política brasileira” (Estado, 27/3, A11). Bem, com certeza é uma das mais cínicas, mas não a única. Em 2012 Lula negociou a adesão do PP de Paulo Maluf à chapa do pré-candidato Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo, com direito à famosa foto que causou furor dentro e fora do partido. Ali o cinismo, sem dúvida, se fez plenamente presente. É natural a indignação que esse tipo de coisa causa nos cidadãos de bem, fartos da politicagem. Entretanto, não há do que se iludir: cinismo e política sempre andaram e continuarão andando juntos. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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UM CORINTHIANS VERGONHOSO

O torcedor que viu o Corinthians perder para o São Paulo já sente que a participação na Libertadores deverá ser um fracasso, visto que, com o pavoroso futebol mostrado no domingo, como enfrentará um Boca Juniors? O pior de tudo é que até aqueles quatro veteranos que vieram como promessas de bom jogo e pareciam imunes à ruindade do resto do elenco, no jogo do Morumbi nenhum deles mostrou futebol e apenas William pode ser perdoado porque foi escalado mesmo não estando em condições físicas ideais “graças” ao tanto que apanhou no jogo anterior. Pela amostra no campeonato paulista, melhor nada esperar para o resto da temporada e só por milagre poderá acontecer algum resultado bom.

Laércio Zanini

spettro@uol.com.br

Garça

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UM TAPA NA CARA DO BULLYING

A cerimônia do Oscar sempre foi uma verdadeira aula de bullying: comediantes profissionais são autorizados a injuriar e ridicularizar quem eles quiserem, sem réplica, sem defesa, sem direito de resposta. A vítima tem que ouvir calada pois sabe que está sendo filmada e sua imagem está sendo transmitida ao vivo para o mundo inteiro. O tapa que o galã Will Smith desferiu de mão aberta na cara do comediante Chris Rock deveria servir para que a academia de cinema finalmente proibisse esse tipo de assédio, parasse de estimular esse tipo de comportamento que leva os Estados Unidos a viverem em uma interminável epidemia de intimidação sistemática e vexatória praticada tanto nas escolas como nos ambientes de trabalho e que é extremamente nociva para as vítimas, assunto muito bem abordado no filme que vence o Oscar.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Fiquei muito surpresa com a posse da sra. Fernanda Montenegro na Academia Brasileira de Letras (ABL), uma vez que desconheço qualquer obra de sua autoria. Não coloco em pauta seu talento em encenar mas acho muito mais adequado esta vaga ser preenchida por qualquer professor de ensino fundamental que alfabetiza centenas de crianças ao decorrer da carreira. muitas vezes em condições adversas, formando um exército de leitores. Estes, sim, merecem ser representados com cadeiras vitalícias na ABL.

Regina Célia Rissoni Valentim

regina.coord@gmail.com

São Paulo

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DIREITOS HUMANOS - ESCLARECIMENTO

Com relação ao comentário do leitor Júlio Roberto Ayres Brisola, publicado no Fórum dos Leitores do último sábado, 26, esclareço que a participação de São Paulo num órgão tão importante quanto o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) é uma conquista resultante do protagonismo e reconhecimento da cidade neste tema. A capital paulista tem programas de enfrentamento à fome que só no período pandêmico entregaram mais de nove milhões de refeições e seis milhões de cestas básicas para a população vulnerável. A cooperação internacional é uma via de mão dupla, e outros países ajudaram o Brasil no caso de grandes catástrofes. No enfrentamento à pandemia, a capital paulista contou com a cooperação de diversas empresas e entidades, muitas delas globalizadas. Apoio humanitário significa solidariedade, enquanto ver apenas a própria dor denota falta de empatia, e isto, sim, seria preocupante. Quando enxergarmos que a dor do outro é a nossa, o mundo será com certeza um lugar melhor para todos.

Claudia Carletto,

secretária municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo

priscilaoliveira@prefeitura.sp.gov.br

São Paulo

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