Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2022 | 03h00

Governo Bolsonaro

Demissão de Milton Ribeiro

Desde o início da Nova República, em 1986, até hoje tivemos 24 ministros da Educação, ou seja, 1,5 ano para cada ministro. Como podemos ter uma boa política para o setor com essa rotatividade? A educação nunca foi prioridade de nenhum governo, mas com o capitão bateu-se o recorde de quatro ministros no período. Começou com um colombiano, seguido por dois mentirosos e terminamos com um distribuidor de Bíblias em vez de livros.

Manuel Pires Monteiro

manuel.pires1954@hotmail.com

São Paulo

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Mudança de foco

Jair Bolsonaro é mestre em desviar o foco de fatos constrangedores de seu governo. A troca do presidente da Petrobras estava em banho-maria há cerca de um mês. Mas foi diante da situação insustentável do ministro da Educação que o presidente imediatamente demite o general Silva e Luna, indica um novo presidente para a Petrobras e desloca o foco do noticiário. E Adriano Pires à frente da empresa é uma incógnita: ou ele faz tudo ao contrário do que escrevia em artigos publicados ou não dura um mês no cargo.

Vital Romaneli Penha

vitalromaneli@gmail.com

Jacareí

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As indicações de Bolsonaro

Silva e Luna diz que a Petrobras tem dificuldade de explicar à sociedade a necessidade de operar de acordo com interesses privados (Estado, 29/3). Ficou evidente, em sua gestão – em forma de bônus e reajustes –, o apreço do Conselho por lucros. A saída do general não significa muito, mas evidencia ainda mais a mediocridade das indicações do presidente Bolsonaro. Uma estatal deve, sim, trabalhar com políticas públicas, senão para que existe? A Petrobras precisa de investimentos para a modernização de sua capacidade de refino, diminuindo as importações e ficando menos refém do dólar. Sem contar que a revolução verde já chegou e o potencial que o Brasil tem para se destacar com projetos sustentáveis em parceria com a Petrobras é imenso. Como não falar em políticas públicas, general? O desmantelamento é lamentável, para dizer o mínimo.

Djalma Antonangelo Junior

dantonangelo23@gmail.com

São Paulo

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Eleições 2022

Disputa presidencial

Pesquisas de intenção de voto e manifestações de artistas no festival de música Lollapalooza mostram que o eleitor brasileiro optará pelo “rouba, mas faz”, em detrimento daquele que “deixa roubar e não faz”. O voto em qualquer um dos dois é, inegavelmente, um atestado de ignorância do eleitor.

José A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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Campanha antecipada

Lamentável nossa Lei Eleitoral, anacrônica, autoritária e que permite descaradamente um ato de censura. Como impedir que a pessoa se manifeste a favor ou contra um candidato, como ocorreu no festival Lollapalooza? É por isso que as pessoas estão intolerantes e agressivas. O que deveria ser um direito passa a ser uma hipocrisia. Jair Bolsonaro e João Doria são candidatos desde a eleição passada; Lula e Ciro Gomes, desde 2018; e Sergio Moro, depois de sua filiação ao Podemos. Todo mundo sabe, e assim deve ser. Não há nada de democracia diante deste autoritarismo. Já podemos prever o que serão os próximos sete meses.

Izabel Avallone

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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Faz de conta

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faz de conta que proíbe campanha eleitoral antecipada e os candidatos fazem de conta que não a estão fazendo. É muita hipocrisia.

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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Protecionismo

A tentação

Muito oportuno foi o alerta de Luiz Carlos Trabuco Cappi (A tentação do protecionismo, Estadão, 28/3, B3) sobre o perigo dos protecionistas. Estamos num ano eleitoral, quando candidatos oportunistas prometem proteções que não podem ser entregues impunemente. Populismo e protecionismo andam juntos. Os dois enganam o povo, enfraquecem a economia e a própria democracia. Basta ler a bem documentada obra de Daron Acemoglu e James Robinson Por que as nações fracassam. Cumprimento Trabuco pela clareza e coragem ao dizer o que muitos empresários escondem.

José Pastore

j.pastore@uol.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

ROTATIVIDADE GOVERNAMENTAL

A impressionante rotatividade dos membros do primeiro escalão do atual governo é espantosa. No caso do Ministério da Educação, afastado após denúncia de corrupção, espanta pois, há pouco mais de uma semana, o presidente da República afirmava que colocaria “a cara no fogo” pela honestidade do agora ex-ministro (Revelação de gabinete paralelo no MEC derruba ministro da Educação, 29/3, A8). Essa realidade de rotação dentro do governo é, certamente, uma das características mais contundentes da atual administração federal, cujos efeitos toda a nossa imensa população sofre as consequências em seu dia a dia.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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EXONERAÇÃO DE MILTON RIBEIRO

A reportagem Revelação de gabinete paralelo no MEC derruba ministro da Educação (Estado, 29/3, A8) é fruto de um maravilhoso trabalho jornalístico e investigativo realizado nas últimas semanas pelo melhor meio de comunicação do Brasil e sua equipe de profissionais. O Brasil agradece mais uma vez ao jornal O Estado de S. Paulo e pelo resultado, a exoneração desse profissional do setor público.

Werner Sönksen

wsonksen@hotmail.com

Kirkenes (Noruega)

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INDISPENSÁVEIS CUMPRIMENTOS

Sem a imprensa, nossa sociedade mundial estaria entranhada numa caverna sombria e, fora, seus aproveitadores estariam em perpétuas festanças. Assim o Estado cumpriu seu papel de descobrir, informar e valorar. No caso, uma prática não só ímproba como medieval. A improbidade do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, veiculou-se pelo propinoduto que foi ao limite da troca de barras de ouro. O medievalismo residiu na intenção canhestra de, pela força do Ministério da Educação, "evangelizar" a educação. A cultura que temos de transmitir às gerações supervenientes é a do pluralismo. As religiões são ancoradas na fé, que pode, inclusive, realizar uma função de paz nas relações sociais, mas é incerta. Pior se são religiões que portam Bíblias como se fossem almanaques. Admiráveis profetas católicos redigiram a Bíblia em crônica solidão – uma das maiores produções literárias de todos os tempos –, e não por isso o catolicismo pretendeu transformar suas escolas, pródigas no Brasil, em apêndices da Igreja. E era precisamente isso que o Ministério da Educação, não por sua iniciativa, mas certamente seguindo a orientação de Jair Bolsonaro, pretendia com semelhante obscurantismo.

Amadeu Roberto Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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PASTORES E OVELHAS

Travo uma verdadeira luta contra meus próprios preconceitos. Gostaria de evitar, mas vejo as religiões fortemente ligadas ao temor e às recompensas. Os fiéis são levados a crer que Deus é vingativo – ou eles fazem a tal “adoração” ou estão condenados a terríveis consequências, como doenças, acidentes, desemprego e tudo o mais que se possa imaginar de ruim. Por outro lado, se almejam melhorias, terão que contar “com as graças de Deus”. Claro que esse tipo de filosofia é destinado às classes mais humildes, justamente as mais carentes de educação. E é aí que os aproveitadores, disfarçados de líderes religiosos, deitam e rolam. Dizem que a Bíblia é mais poderosa do que as armas, o que realmente é verdade, pois para esses “pastores” basta decorar algumas passagens dela e o reino do céu lhes estará garantido, aqui mesmo na terra. Aproveitam pois sabem que deuses são transitórios e só existem enquanto houver pessoas que acreditarem nas suas existências. Basta examinar a história para ver toda uma sucessão de deuses e divindades lutando para se apoderarem das cabeças dos humanos. O cristianismo, que comparativamente é um adolescente nessa competição, proporciona incalculável lucro para os dirigentes de suas diversas igrejas/facções/religiões, pois domina justamente alguns dos países mais ricos do planeta. É lamentável que alguns praticantes não tenham a paciência de esperar pela recompensa final, que seria de alcançarem o paraíso, ao lado de suas divindades, e mas prefiram os prazeres terrenos proporcionados pelas verbas oficiais, que na verdade são o dinheiro de todos nós, já que governos não criam riquezas milagrosamente.

 

Nestor Rodrigues Pereira Filho

nestor.filho43@gmail.com

São Paulo

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RESPEITO AOS PASTORES

Não se pode generalizar. A bem da verdade, existem pastores e Pastores (com “P” maiúsculo). Os pastores em grande maioria somente pastoreiam seus rebanhos com o poder da fé e da oração. Pastores verdadeiros são aqueles que pisam no barro, embaixo de chuva ou de sol escaldante, para visitar seus irmãos em Cristo em suas casas, doentes ou não, muitas vezes para levar uma boa palavra, uma boa oração e a santa ceia do Senhor. Esses não têm viés econômico. Por isso, a grande maioria dos Pastores merece respeito e gratidão por seus atos.

Arcangelo Sforcin Filho

despachante2121@gmail.com

São Paulo

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CUSTO DE UM PARLAMENTAR BRASILEIRO

Muito esclarecedora a matéria de André Shalders (Parlamentar brasileiro custa R$ 23,8 milhões ao País por ano, 27/3, A7), que basicamente aponta o óbvio: a obesidade mórbida da máquina pública brasileira. O que estranha é que esses números tenham surgido apenas num estudo feito por pesquisadores em universidade norte-americana. Isso poderia muito bem ter sido feito por órgãos de imprensa brasileira há muito tempo – eu mesmo recomendei nesse mesmo veículo alguns anos atrás a elaboração de tal matéria com tal comparação –, uma vez que os números são públicos, tanto aqui no Brasil como na maioria dos países democráticos do planeta. Reitero aqui que não só o Legislativo tivesse esse holofote a ele voltado, mas também o Executivo e, principalmente, o Judiciário, mostrando o tempo médio de trânsito em julgado das causas no Brasil e em alguns países do exterior. Chegaremos à conclusão de que o País é uma piada para quem vê de fora e um desastre para quem vive aqui dentro.

Dário Nardini

dario.nardini@uol.com.br

São Paulo

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FUTURO DO BRASIL

Magnífico o texto do editorial O Brasil na nova ordem mundial (28/3, A3) do nosso Estadão! O que se pode depurar dessa análise, diante da geopolítica atual, é que mudanças importantes terão que ser implementadas por todas as nações do planeta. Tais mudanças haverão de produzir guinadas de 180º na conformação da maioria dos países –  abrir o coração para o mundo seria o mandamento, no meu entender. O Brasil, mais do que nunca, seria um dos mais afetados. Teríamos que repensar seriamente a nossa posição no contexto mundial, deixando de figurar como mero exportador de commodities para as grandes potências – China e EUA – e enveredar, de vez, na manufatura desses produtos, retirando do ócio mais de 12% da população ativa. O pior de tudo é que, para essa adequação, reformas cruciais terão que ser postas em prática. Aí é que a porca torce o rabo! Com o sistema político-partidário predominante teríamos chances de chegar lá? Tais reformas exigiriam uma ação abnegada da nossa classe política. Abrir concessões seria inevitável da parte dos nossos eleitos mandatários. Quantos deles largariam o osso? Eu diria que quase nenhum deixaria o "bem bom" proporcionado pelas leis criadas por eles para o seu próprio bem-estar em detrimento do resto da sociedade. Diante desse quadro, cidadãos brasileiros, temos que dar uma resposta à altura, sob pena de permanecermos como párias do mundo ad eternum. Quase duas centenas de milhões terão o poder de promover essa guinada tão necessária em 2 de outubro próximo. Depende de nós! Que venham novos políticos com ideias novas!

Emmanoel Agostinho de Oliveira

eaoliveira2011@gmail.com 

Vitória da Conquista (BA) 

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DINHEIRO ‘ESQUECIDO’

Em vez de anunciar "um novo ciclo de resgate" no Sistema de Valores a Receber, não seria mais fácil e prático o Banco Central determinar que os bancos intimem os clientes "esquecidos" – há mais de cinco anos sem movimentar a conta bancária – a sacar seus valores?

Artur Topgian

topgian.advogados@terra.com.br

São Paulo

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ÁLIBIS

Com “desconforto” abdominal, Bolsonaro é levado a hospital em Brasília (Estado, 29/3, A9). O presidente vai usar o álibi de estar passando mal toda vez que há "problemas" nos ministérios para desviar a atenção do povo? Só falta, na hora dos debates da campanha eleitoral, "resolver" passar mal. Chega de enganação!

Tania Tavares   

taniatma@hotmail.com  

São Paulo

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CORTELLA

Muito me admira um jornal com a tradição e prestígio do jornal O Estado de São Paulo publicar uma falta de respeito para com um presidente da República num festival de jovens e para jovens sem se posicionar contra essa falta de educação de artistas de gosto duvidoso (TSE proíbe manifestação em festival de música; artistas e políticos reagem, 28/3, A6). Lamentável o jornal ter esquecido a lição do professor e filósofo Mario Sergio Cortella: “Ninguém precisa gostar de todas as pessoas, mas todos precisam respeitar todas as pessoas”. Esses desqualificados são covardes gritam impropérios contra um governo democrático, mas não se arriscam a fazer a mesma coisa contra um governo ditador. Que lástima!

Maria Gilka

mariagilka@mariagilka.com.br

São Paulo

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PSDB PARTIDO

Como se vê no dia a dia, a sete meses das eleições, a cisão no coração do PSDB entre os pró-Doria, legítimo vencedor das prévias que indicaram o candidato do partido à Presidência da República, e os antidoristas, liderados pelo deputado federal Aécio Neves et caterva, é de tal monta e profundidade que parece ter atingido o gravíssimo ponto de não retorno, ruptura sem chances de alguma possibilidade de harmonização e pacificação entre os lados beligerantes no horizonte próximo futuro. Como se sabe, no partido que tem mais caciques do que índios, as penas dos tucanos estão voando para todos os lados. Diante da esdrúxula e absurda situação, uma saída seria dividir o partido em dois, como fez há tempos o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Uma pena!

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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PARTIDO DE AÉCIO NEVES

Hoje o PSDB é o partido do Aécio Neves. Perdeu a alma e a visão de gente como Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Mendes Thame, Ronaldo Cesar Coelho, José Serra, Heloneida Studart, Afonso Arinos, Pimenta da Veiga, Magalhães Teixeira, Eduardo Jorge, Moema São Thiago, Caio Pompeu de Toledo, Euclides Scalco, Paulo Lacerda, José Ignácio Ferreira, Saulo Queiroz, Geraldo Alckmin, Paulo de Tarso, Fabio Feldman, Celio de Castro, Bresser Pereira e a elite do mundo político e econômico.

José Tadeu Gobbi

tadgobbi@uol.com.br

São Paulo

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CONCLUSÃO MACHISTA?

Pesquisas apontam que a admissão de mulheres nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) chega a mais de 72%. O artigo A saúde e as mulheres (A6, 29/3), baseado nesses dados, conclui que elas apresentam mais sintomas e diagnósticos de transtorno mental. Mas essa não seria uma conclusão precipitada? Eu sou da área da saúde mental e nunca li uma pesquisa séria que apontasse uma maior fragilidade do sexo feminino a transtornos mentais. Eu poderia argumentar com o artigo  que os dados apenas mostram que as mulheres são menos preconceituosas com as questões de saúde mental e portanto procuram ajuda com maior facilidade do que os homens.

Sandra Maria Gonçalves

sandgon46@gmail.com

São Paulo

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HOMENS

O mendigo que apanhou do professor após ser flagrado fazendo sexo parece um popstar. Nas redes sociais ele continua dominando. Deu detalhes de como foi o ato sexual, e ainda quis dar uma de romântico e inteligente. Ele é um verdadeiro covarde, faz por merecer a vida que tem. Infelizmente, os homens, em sua maioria, gostam de depreciar as mulheres, contando para os outros sobre os desejos ou fantasias sexuais delas. É machismo insano, que vem desde os primórdios dos tempos. Até a Bíblia, no velho e novo testamento, sempre coloca a mulher em segundo plano! Primeiro o varão. Enfim, o mendigo quis buscar promoção e diversos interesses, mas ele, de vítima, se tornou desprezível.

Alex Tanner

alextanner.sss@hotmail.com

Nova Odessa 

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TAPA OSCARIZADO

Falando do tapa oscarizado (Tapa de Will Smith em Chris Rock domina as discussões sobre a cerimônia do Oscar, 29/3, C5), imagine que você está com sua mulher e ela é vítima de piada de mau gosto. Você saca uma arma e elimina o sujeito? Vi inúmeras manifestações dizendo “foi pouco”, “merecia mais”, “defendeu a família” e por aí vai. Existe um fio sutil entre a barbárie e a civilização. E ele tem de continuar a existir. Por isso existem as leis, às vezes falhas, duras e contestáveis, mas necessárias. Um ato não justifica o outro. Espero que a Academia de Hollywood puna os envolvidos, pelo menos.

Elisabeth Migliavacca

Barueri

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