Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2022 | 03h00

PSDB

Partido dividido

A realidade brasileira supera a ficção americana. Na peça de teatro The Best Man (1960), que depois se transformou no filme Vassalos da Ambição (1964), o escritor Gore Vidal retratou uma convenção partidária em que dois oponentes farão de tudo, de chantagens até ameaças, para conseguir a indicação do partido para concorrer ao cargo de presidente. Aqui, no Brasil, a disputa entre dois governadores do PSDB será dura até a convenção da sigla, em julho, para a escolha do nome que disputará a Presidência pelo partido, que está dividido.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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No divã

Realmente, o PSDB precisa de um divã. O partido fez uma prévia milionária e escolheu um candidato à Presidência da República que tem um belíssimo governo para mostrar – o bom encaminhamento da despoluição do Rio Pinheiros e a vacina contra a covid-19 são bons exemplos. Mas alguns dos caciques do partido dizem que ele não cresce nas pesquisas de intenção de voto. Ocorre que ele está trabalhando e a campanha ainda não começou. Cumprimento o ex-presidente FHC, que se manifestou para que as prévias sejam respeitadas. Pena que Eduardo Leite, também muito bom, tenha sido picado pela mosca azul e corra o risco de macular seu currículo como mau perdedor. Haja divã.

Cecilia Centurión

ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

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De Bolsonaro a Lula

Negacionismo

Parece que o vírus do negacionismo está grassando vertical e horizontalmente. Além de negar fatos reais como a pandemia de covid-19 e obviedades, como na defesa do terraplanismo, o negacionismo agora nega malfeitos cometidos. Depois de constatar que o procurador-geral da República foi contaminado, ao negar a existência de prevaricação do presidente no caso da vacina Covaxin; e idem a Polícia Federal, depois de negar a existência de intervenção “anunciada” pelo presidente na sua estrutura – após quatro trocas do diretor-geral da instituição –, agora foi a vez de o pré-candidato Lula negar, em inflamado discurso na Federação Única dos Petroleiros (FUP), ao puro estilo do Lula-CUT dos anos 80, a existência de malfeitos na Petrobras. Foram exaustivamente comprovados o loteamento das diretorias e o saque da Petrobras pela quadrilha do PT, com o PP e o PMDB, cada partido com seu modo particular de explorar a vaca leiteira até exauri-la completamente, inclusive com o auxílio de empreiteiras de megaprojetos que viraram elefantes brancos. Essas empreiteiras confessaram os malfeitos e pagaram pesadas multas por eles. Agora, chega o “candidato” a negar veementemente a existência desses malfeitos, atribuindo-os à perseguição judicial de um grupo de procuradores, isto é, à Operação Lava Jato. O Brasil está definitivamente mal servido de candidatos à sua Presidência nas próximas eleições.

Elie R. Levy

elierlevy@gmail.com

São Paulo

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O suplício da Petrobras

Lula comparou a Petrobras a Jesus. Tem certa razão. Com tanta corrupção em toda a parte da empresa, a estatal pagou as contas dos maiores pecados de nossa nação. Quantos e quais favores as empreiteiras que forneciam à estatal tiveram de prestar para os sádicos que se embriagavam com seu sangue? Nem a resposta a essa simples pergunta o brasileiro sabe até hoje. Pobre Petrobras. Pobre Brasil. Ainda bem que pessoas como Lula nos lembram constantemente do mal que estes bandidos lhes fizeram.

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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Nem-nem

Nem ladrão nem rachadinha; nem ladrão nem pró-covid-19; nem ladrão nem mentiroso; nem ladrão nem incompetente; nem ladrão nem ditador. Fujamos desta escolha de Sofia. A terceira via é a única esperança para o Brasil em outubro.

Eduardo A. Sickert P. de Melo

vovonumero1@hotmail.com

Marília

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Congresso Nacional

Caso Daniel Silveira

Que país é este? Agora o plenário da Câmara dos Deputados se transformou em valhacouto de deputado desobediente de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF)? Acabou, para os integrantes do Legislativo federal, qualquer possibilidade de cumprirem a Constituição de 1988: basta ali se hospedar. Confirmou-se, neste episódio, que a lei não é para todos.

Adriles Ulhoa Filho

adriles@uai.com.br

Belo Horizonte

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

TERCEIRA VIA EM XEQUE

A notícia de que João Doria havia desistido de se candidatar à Presidência da República, apurada pelo Estadão (31/3), deixou-me com as barbas de molho, assim como também, presumo, aqueles que anseiam pelo fortalecimento de uma candidatura apta a vencer um dos líderes das pesquisas no primeiro turnos das eleições deste ano e, com isso, concorrer em igualdade de condições em eventual segundo turno. Não resta dúvida de que João Doria seria um nome de peso, desde que houvesse consenso com vistas a uma coligação entre os partidos políticos que se situam avessos ao lulopetismo. No meu entender, a  unanimidade em torno de um nome que possa levar avante essa missão seria de ótimo alvitre. Afinal, o número de rejeições da parte dos eleitores a Lula e Bolsonaro pode trazer-nos alento no pleito de 2 de outubro. O percentual de votos brancos e nulos de 2018 – quase 20% – dá-nos um fio de esperança.

Emmanoel Agostinho de Oliveira

eaoliveira2011@gmail.com

Vitória da Conquista (BA)

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ADEUS, DORIA

Doria, governador de São Paulo (PSDB), disse que desistiu de sua pré-candidatura à Presidência da República por se sentir traído. Ele está colhendo o que plantou em 2018, quando traiu o próprio padrinho, Geraldo Alckmin, primeiro tentando dar-lhe uma rasteira para ele próprio ser o candidato à Presidência daquele ano e, depois, dando apoio a Bolsonaro ainda no primeiro turno das eleições. Adeus, Doria, não sentirei saudades. 

Maria Carmen Del Bel Tunes

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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PSDB

Que fim triste o do PSDB, que teve um presidente da República por duas vezes, Fernando Henrique Cardoso (FHC), mas fez a besteira de entregar a legenda de mão beijada para um não tucano, João Doria, que desfez de todos os seus fundadores, inclusive com palavras mal-educadas. Ele desprezou do ex-governador Alberto Goldman até FHC, colou-se ao título “BolsoDoria” e, para piorar as coisas de sua saída (ou não) da disputa à Presidência – em que tem desempenho nanico –, o partido dá voz a Aécio Neves. Tudo o que está ruim pode piorar.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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DORIA É DE DAR DÓ

João Doria, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, é a versão tucana da rainha Maria Antonieta, esposa do rei Luís XVI, que, reza a lenda, sugeriu aos famélicos franceses brioche na falta de pão. Se Doria ocupar o Palácio do Planalto, ao ouvir o clamor dos brasileiros por educação, sugerirá Harvard. Sendo o clamor por saúde, indicará o hospital Johns Hopkins. Sendo por segurança, sugerirá uma Mercedes blindada. E, sendo por comida no prato, o tucano indicará o Noma, top do guia Michelin. Doria é de dar dó.

Túllio Marco Soares Carvalho

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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JOÃO DORIA

Uma coisa é certa: no mundo da política brasileira, não dá para morrer de tédio. 

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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VALDEMAR COSTA NETO E O PL

Quem acompanhou a campanha eleitoral de Jair Messias Bolsonaro jamais poderia pensar que ele andaria de mãos dadas com Valdemar Costa Neto. Também não pensaria que ele poderia ingressar no PL, comandado pelo político mensaleiro cujo currículo, sem dúvida, está no mesmo nível de Bolsonaro e Lula da Silva. Queiramos ou não queiramos, o Brasil está entregue nas mãos desses políticos que, na verdade, pensam em tudo, menos na pátria nossa. Como consertar a existência de tais anomalias futuramente? Somente pela educação e pela formação moral bem feita realizada nos lares da República. Entretanto, o tempo de demora deixará o País muito desprotegido por décadas. Ou não?

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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GOLPE DE 64

Para o desencanto dos ainda defensores do golpe de 64, nenhum historiador nacional ou estrangeiro consegue relatar o acontecimento como um fato democrático. Passadas quase seis décadas do triste acontecimento, mesmo que ainda tenhamos defensores, inclusive lideranças agora no poder, percebemos cada vez mais o constrangimento dessas figuras ao tentarem defender o acontecido na década de 60. Mais alguns anos à frente, quando essa já senil geração tiver desaparecido, o relato histórico desse triste acontecimento estará definitivamente relatado nos livros de nossa história como uma das interrupções de nosso processo democrático.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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AS SEQUELAS DA DITADURA MILITAR

A ditadura militar deixou sequelas indeléveis. Refletindo claramente os traumas da repressão e injustiça do período, a Constituição promulgada depois procurava maneiras de evitar que novas violências fossem cometidas contra a liberdade e o povo brasileiro. Essa preocupação pós-traumática, no entanto, levou a Carta Magna a criar verdadeiras aberrações jurídicas, como a prisão após sentença condenatória transitada em julgado, algo impraticável e que só existe no Brasil. Os políticos foram os mais perseguidos na ditadura: eram destituídos dos cargos sem qualquer cerimônia, deportados, presos sem julgamento, sem acusação formal, sem direito de defesa. A Constituição, então, tornou-os seres inexpugnáveis: hoje é virtualmente impossível fazer qualquer ação contra um político brasileiro, mesmo que ele seja diretamente responsável pela morte de centenas de milhares de cidadãos brasileiros. O Brasil precisa superar os traumas da ditadura e desarmar a Constituição dos excessos cometidos para poder lidar com a epidemia de corrupção que se instalou no governo.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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PETULÂNCIA

Petulância, deputado Daniel Silveira, é o sr. desrespeitar a Corte maior e não usar tornozeleira eletrônica. O sr. não é melhor que qualquer outro brasileiro. Se o plenário é inviolável, a nossa Constituição é soberana. Mas, como dizem, mexe no bolso que a "vítima" acorda e o machismo, nesse caso, engole seco e cede (Moraes bloqueia conta; Silveira diz que vai usar tornozeleira, 31/3, A12). Parabéns ao ministro Alexandre de Moraes, que não se intimida diante de deputados machões.

Tania Tavares   

taniatma@hotmail.com  

São Paulo

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DANIEL SILVEIRA

O caso do vaivém do deputado Daniel Silveira mostra a distorção e confusão do conceito da imunidade parlamentar na cabeça desse parlamentar. Ele faz de conta que não entende a diferença entre imunidade para declarar suas opiniões políticas e impunidade para desobedecer a ordens jurídicas que devem ser cumpridas e, se quiser, contestadas na Justiça. Esperamos o término dessa novela patética para que o Congresso volte a resolver problemas como pandemia que não acaba, inflação fora de controle, desemprego persistente e por aí vai. Embora possam parecer menos importantes que a tornozeleira do deputado, também merecem atenção, certo?

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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EXTREMA SENSIBILIDADE

Nos últimos dias, vimos o nobre deputado Daniel Silveira ocupar seu gabinete da Câmara dos Deputados tornando-o seu dormitório e refeitório. Recusava-se a cumprir ordem judicial que determinava uso de tornozeleira eletrônica. Bradou, reclamou, deu entrevistas, fez discurso, mas capitulou. Demonstração clara e consistente de que o bolso, sem dúvida, é um dos “órgãos” mais importantes do corpo humano.

Jose Perin Garcia

jperin@uol.com.br

Santo André

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ZONA DE RISCO

Em muitas áreas de São Paulo, comerciantes e pedestres estão se defendendo contra roubos e furtos colocando cartazes e placas para sinalizar os locais da ocorrência desses delitos penais (Contra roubos, moradores do centro SP usam megafones, placas e apitos, 31/3, A19). É muito fácil culpar as polícias, mas não podemos olvidar que as autoridades da Audiência de Custódia, constituídas por um magistrado, membros do Ministério Público e defensorias estaduais costumam liberar várias crianças e adolescentes com várias passagens pelas delegacias, principalmente por assaltos. E a vida continua, com a segurança pública enxugando “gelo”.

Luiz Felipe Schittini 

fschittini@gmail.com

Rio de Janeiro

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CONGONHAS

A tecnologia EMAS (Engineered Material Arresting System) é muito importante para a segurança do Aeroporto de Congonhas, com uma área de escape de 70 metros na cabeceira da pista na Avenida Bandeirantes (Estado, 30/3, A13). Entretanto, há dois pontos que precisam ser avaliados e divulgados: 1) a área de escape na outra cabeceira será mais segura porque terá 75 metros; 2) uma simulação de computação gráfica com o acidente de 2007 para verificar velocidade da aeronave na chuva versus extensão da área de escape.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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FUTEBOL FEMININO

O futebol feminino no Brasil está tentando se popularizar. Porém, acredito que está caminhando para um rumo errado, imitando o futebol masculino. É a minha opinião. Por que as meninas precisam imitar tudo o que os homens fazem? Como vestir uniformes semelhantes, fazer gestos masculinizados e, na transmissão, imitar a locução de homens gritando, berrando. Por que as meninas não jogam como meninas, com graciosidade? Nada de comemoração de gol pulando nas costas da companheira ou beijando escudos, fazendo dancinhas horríveis etc. As meninas precisam ser diferentes para atrair torcedores femininos e principalmente masculinos. Outro dia, num jogo feminino entre Real Madrid e Barcelona, havia mais de 91.000 torcedores. Será que o futebol feminino brasileiro tem chance de crescer e atrair uma multidão de espectadores que gostem do jeito que as meninas jogam?

Toshio Icizuca

toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

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PORTUGUESES

Considero um disparate e um abissal colonialismo a quantidade de portugueses treinando equipes brasileiras. As fragorosas derrotas do Flamengo e do Palmeiras, para o Fluminense e o São Paulo, treinados por profissionais brasileiros, serviram para baixar a bola dos treinadores portugueses das duas equipes. Abel e Rogério Ceni são calejados. Não têm nada para aprender com técnicos de fora. Paulo Souza e Abel Ferreira estão se achando o último biscoito do pacote. Falam de nariz empinado. O treinador do Palmeiras, Abel, já se insinua em alguns setores como o substituto de Tite na seleção brasileira. É o fim da picada. Era só o que faltava. São rumores patéticos que não podem prosperar. Temos excelentes profissionais no Brasil e somos pentacampeões do mundo treinados por brasileiros. Francamente.

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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