Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2022 | 03h00

Covid-19

De pandemia a endemia

O governo federal cogitou rebaixar a pandemia de covid-19 para o status de endemia por força de portaria, como se vírus lesse Diário Oficial. Já que o presidente Bolsonaro não gosta de trabalhar, talvez deva tentar, também via Diário Oficial, erradicar outros graves problemas que assolam o Brasil, determinando, por exemplo, que a fome se converta em saciedade, que o desemprego se transmude em pleno-emprego, que o endividamento se torne sólida poupança e que o dragão da inflação vire lagartixa.

Túllio Marco Soares Carvalho

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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Fome

No centro do debate

Excelente o editorial sobre a fome e a insegurança alimentar no Brasil (A indignidade da fome, Estado, 1º/4, A3). Mais que oportuno, a exatos seis meses do primeiro turno das eleições que deverão definir o sucessor do atual ocupante do Palácio do Planalto. A fome, a miséria e a desigualdade precisam estar no centro do debate a respeito das ideias, dos valores e projetos de país de cada pretendente à cadeira de chefe de Estado e de governo. Por compaixão, sim, mas também para cumprir o inciso III do primeiro artigo da Constituição federal de 1988, que coloca a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. Que a sociedade brasileira, principalmente os eleitores, não confundam projetos populares de Estado e de país com projetos de poder de governantes populistas.

João Pedro da Fonseca

fonsecaj@usp.br

São Paulo

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Eleições 2022

Desinteresse

Nota-se uma preocupação das autoridades da Justiça Eleitoral com o pequeno entusiasmo dos jovens entre 16 anos e 18 anos nos processos de escolha dos representantes políticos. Tal fato é evidenciado pela baixa porcentagem, até o momento, deste público a se dirigir aos respectivos tribunais regionais para obter o título de eleitor. Essa observação levou, inclusive, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a utilizar com mais intensidade as redes sociais para estimular esta considerável massa de votantes potenciais, usando como incentivo o fato de que sua participação é fator importante no aperfeiçoamento do processo democrático, mediante o exercício das práticas relacionadas, desde a adolescência. Seria interessante, no entanto, investigar o problema do pouco interesse a partir do ponto de vista dos jovens e direcionar aos candidatos as razões da aparente alienação. As conclusões de tal pesquisa podem ser surpreendentes.

Paulo Roberto Gotaç

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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Liberem o elevador

É democrático e institucional o TSE incentivar os jovens a tirar o título de eleitor, visando a adensar a eleição de outubro. Incabível e indecente, porém, é fazê-lo por vias transversas, “curtindo” posts de internautas seguidores de candidatos, sejam quais forem seus partidos e ideologias. Do alto de minha curiosidade, indago se o TSE e TREs estão igualmente preocupados com o comparecimento dos idosos e dos deficientes físicos, oferecendo a eles meios para chegarem à sua seção eleitoral. No certame passado, numa povoada zona eleitoral no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro, foi muito triste e humilhante assistir aos deficientes e idosos subindo uma íngreme escada no colo de pesarosos e solidários voluntários até a sua seção localizada dois, três andares acima. Detalhe: o estabelecimento, Colégio Recanto, tem elevador que, coincidentemente, estava desativado nos dois turnos da eleição. Bom saber que a referida instituição de ensino tem uma boa área de recreação no térreo, que seguramente pode abrigar as seções instaladas nas salas de aula dos pavimentos superiores. Alô, TSE e TREs, precisa desenhar? Liberem o elevador!

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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Segurança pública

Megafones, placas e apito

Sobre a matéria Contra roubos, moradores do centro de SP usam megafones, placas e apitos (31/3, A19), é absolutamente urgente e necessária e participação ativa da sociedade e dos Conselhos de Segurança dos bairros para auxiliar a polícia no combate às gangues de bikes e motos que assaltam à luz do dia motoristas e pedestres. Não é possível que um bando de bandidos, muitos menores, ponha a vida da população em risco sem que haja reação à altura de todos, civis e policiais.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O QUE NÃO FALTA É BLEFE

Se neste começo da corrida eleitoral para o Planalto está difícil suportar as mesmices das ideias improdutivas do demagogo, chefe de quadrilha na Lava Jato e ex-prisioneiro Lula da Silva. Também, buscando a reeleição, embrulha o estômago dos sensatos a falta de compostura institucional de Jair Bolsonaro. Porém, nesta indefinição por um nome de consenso necessário como terceira via, com o objetivo de enfrentar e derrotar Lula e Bolsonaro, o que não falta é blefe. Como o da última quinta-feira, 31, em que acordamos com a notícia de que o hoje ex-governador de São Paulo, João Doria, escolhido em prévias democráticas para ser candidato à Presidência pelo PSDB, anuncia que desistiu e que iria concluir seu mandato no Palácio dos Bandeirantes. Não passou de um inaceitável blefe, já que, horas depois, perante 619 prefeitos presentes dos 645 do Estado, Doria anuncia que continua candidatíssimo. Até Sergio Moro, ao se filiar ao União Brasil, também deu sinais de que ficaria fora da disputa para o Planalto. Mas, na sexta, 1.º, o ex-magistrado afirma que jamais desistiu de ser candidato à Presidência da República. E nesse turbilhão que só confunde o eleitor, Eduardo Leite, que renunciou ao seu mandato de governador do Rio Grande do Sul, disse que está à disposição para enfrentar novos caminhos. Lógico que de olhos arregalados para ser o escolhido como candidato da terceira via, e mandando às favas (como derrotado que foi) de que respeitaria as prévias do PSDB. Enquanto isso, há sete meses do pleito, a classe política, sem se importar com o nosso retrocesso econômico e social, está dando espaço para que Lula ou Bolsonaro vença a eleição. Cruz credo!

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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O DIA DA MENTIRA NA POLÍTICA BRASILEIRA

 

Este ano, o Dia da Mentira – 1.º de abril – caiu justamente quando os políticos estão encerrando a revoada de mudança de partidos para enfrentar as eleições de outubro. Festa tradicional trazida da Europa, a diversão por conta da mentira ou do engano já foi mais forte. Hoje, está um pouco esquecida pela população e seus novos hábitos. Mas a coincidência nos levou a vivenciar acontecimentos marcantes no Dia da Mentira, ou perto dele. A revolução de 1964, fixada no calendário como ocorrida em 31 de março, teria se consolidado em 1.º de abril, mas seus executores escolheram o dia anterior para manter a seriedade naquele momento de dificuldade política. Agora mesmo, o ex-ministro da Defesa, Braga Netto, divulgou a ordem do dia (lida nos quartéis) em que exalta o movimento. Os opositores ao regime de então torceram o nariz. Deveriam ambos os lados compreender as razões do momento e deixar a rusga para a história, que já é quase sexagenária. O 1.º de abril atual coincidiu com a mudança partidária de mais de 100 deputados federais e a saída de João Doria do governo de São Paulo para concorrer à Presidência da República. No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que perdeu a prévia tucana para Doria, também deixou o governo do Estado. Uma série de candidatos nanicos também se apresentou, mas devemos lembrar que os favoritos à Presidência são Bolsonaro e Lula. Sobre a coincidência de datas, o bom é lembrar aos políticos que, apesar da mentira ser até celebrada, o importante é dizer a verdade.

 

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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ELEIÇÕES

Sergio Moro nunca foi do ramo. Entrou de gaiato na disputa presidencial, incentivado por correligionários aprendizes de paladinos da moral e da ética, como ele. Moro e políticos nunca se entenderam porque ele é, para eles, uma nota de 3 reais. Adora elogios, mas fica deprimido com críticas. Desfecho feio para o casal Moro. O ex-juiz e a mulher deixaram o Podemos pela porta dos fundos. João Doria, por sua vez, vai surfando. Quer passar a impressão de que vai virar o jogo. Não perde a pose própria dos guerreiros paulistanos. Com mania de grandeza, nunca admite erros e está seguro de que vai salvar o Brasil do atoleiro. Outro jovem, igualmente aspirante a salvador da pátria, o gaúcho Eduardo Leite vai na onda do insistente Gilberto Kassab. Quer porque quer ter um candidato à Presidência da República que finalmente possa bater no peito e dizer que é cria dele. O importante é manter-se no jogo. Doria e Leite vão segurar a brocha de pré-candidatos, com sorrisos largos e otimistas por mais um tempo. Como político sem mandato perde o respeito dos correligionários, seguirão adiante o caminho de Moro, disputando vaga para a Câmara dos Deputados. As mexidas dos jogadores na combalida, tonta e perebenta terceira via deixam Lula e Bolsonaro cada vez mais rindo para as paredes. O pleito está longe, mas os búzios indicam que aqueles que se atreverem a disputar a Presidência com eles vão sair chamuscados da peleja. 

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com 

Brasília

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MORO E A POLÍTICA

A exemplo do juiz Antonio di Pietro, do Mani Pulite, o ex-juiz Sergio Moro deveria ter continuado com a toga. Ambos processaram políticos corruptos e estes jamais os aceitarão passivamente. Moro está sentindo na pele o quanto sofrerá rejeição de quem sempre tem a temer. Deveria ser professor em Harvard ou ganhar milhões na iniciativa privada. Só em pensar no um metro e meio de inveja de ACM Neto, dá engulhos.

Elisabeth Migliavacca

Barueri

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PUBLICITÁRIO

João Agripino Doria Jr. está de parabéns. Merece todos os aplausos como publicitário e também deve ser ovacionado pela coerência ao mais uma vez não honrar a palavra empenhada justamente na data da comemoração do Dia da Mentira, 1.º de abril.

Maria Gilka

mariagilka@mariagilka.com.br

São Paulo

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ALTERNATIVA PARA O BRASIL

Na despedida do governo de São Paulo, Doria disse: "Eu quero estar ao lado de vocês a partir do próximo dia 2 para mostrar que é possível, sim, ter uma nova alternativa para o Brasil. Uma alternativa de paz, de trabalho, de dedicação, de humildade e de integração de todo o Brasil”. Já ganhou meu voto. Temos que acreditar nessa alternativa para o Brasil.

Ricardo Fioravante Lorenzi

ricardo.lorenzi@gmail.com

São Paulo

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MOMENTO PRÉ-ELEITORAL

O atual momento político pré-eleitoral está tão confuso, com manutenção de pré-candidaturas e desistências de outras, que o eleitorado nacional não consegue ainda vislumbrar o quadro completo dos candidatos ao pleito de outubro próximo. Em razão disso, somente mais à frente teremos condições de ter pesquisas que apontem os principais candidatos que tenham reais chances de vencerem o pleito no primeiro ou segundo turno das eleições gerais que se aproximam. Enquanto isso, iremos assistir a essa mistura de ajustes nas candidaturas políticas deste ano.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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ATENTADO À DEMOCRACIA

Na minha opinião, o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria se preocupar menos com o deputado Daniel Silveira. Esse péssimo deputado não passa de um Tiririca marombado. Nasceu com o reto no lugar do esôfago. Quem atenta contra a democracia é o STF e o Congresso Nacional, que não cumprem a tempo e horas suas mínimas obrigações. Afora os desvios de dinheiro público e mordomias ilimitadas. Não passam de um antro de traidores da pátria.

Paulo Henrique Coimbra de Oliveira 

ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro

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ELOGIOS À DITADURA MILITAR

A imprensa nacional registrou que o presidente Jair Bolsonaro elogiou a ditadura e seus ditadores no aniversário do golpe militar de 1964, em 31 de março. Uma vergonha esse comportamento do presidente da República! Além dos elogios à ditadura militar, voltou a atacar os membros do STF pedindo que algumas pessoas coloquem suas togas e parem de encher o saco. Esse mau comportamento de Bolsonaro terá resposta nas urnas, quando tentará a reeleição para a Presidência.

Marcos Tito

marcostitoadvogados@gmail.com

Belo Horizonte

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EDUCAÇÃO DESPRESTIGIADA

Somente neste governo tivemos cinco ministros da Educação. Mas todos eles apresentaram o pouco que fizeram em favor da educação e das necessidades que ela deveria ter supridas. Infelizmente, os governos brasileiros, com raríssimas exceções, sempre usam o Ministério da Educação para suas políticas que, na maioria das vezes, colidem com o interesse dos brasileiros. O desenvolvimento global voa, atingindo sempre novidades e posturas novas, mas a educação brasileira anda a passos calmos e sempre incapaz de dotar os brasileiros de poder competitivo no segmento de trabalho. Como disse uma vez o ex-ministro Delfim Neto, na época ditatorial: quem correr, continua parado; e quem ficar parado, será atropelado. Estamos, na atualidade, necessitando da aplicação do conselho do ilustre economista. Mas a educação dos brasileiros não ensina a correr.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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TRAGÉDIA NA EDUCAÇÃO

Fernando Gabeira diz que a educação brasileira é uma tragédia (Estado, 1.º/4, A8). Se fosse apenas a educação, vá lá. Tragédia é o governo Bolsonaro todo.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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GUERRA NA UCRÂNIA

Como se tem visto nessas cinco semanas da covarde, criminosa e injustificável invasão da Ucrânia a mando do sanguinário czar Vladimir Putin, o exército russo dá mostras de não conhecer os limites da civilidade e das leis de guerra por meio do incessante bombardeio de alvos civis, dentre os quais uma maternidade, hospitais, escolas, prédios e casas residenciais, teatros e sedes de prefeituras. Em sua mais recente barbaridade, cometeu o abominável e indesculpável crime de guerra de atacar com artilharia pesada um prédio da Cruz Vermelha (!) em Mariupol, identificado a distância pelo mundialmente conhecido símbolo de uma cruz vermelha sobre fundo branco. Vergonhoso!

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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UM ZELENSKI PARA O BRASIL

O Brasil precisa urgentemente descobrir um Volodimir Zelenski para eleger presidente do Brasil. Um jovem inteligente, corajoso, instruído, simpático e valente para lutar pelos interesses maiores do povo brasileiro. A guerra aqui será contra a desigualdade social, pela oportunidade de toda a população melhorar de vida. Educação de qualidade, saúde ao alcance de todos, começando com o saneamento básico, com água potável e redes de esgoto em todas as cidades. Oportunidade de emprego e ensino técnico. Como pode haver gente passando fome no celeiro do mundo? Somos uma nação rica, com 50 milhões de miseráveis. Alguma coisa muito errada acontece no Brasil, campeão da desigualdade social. Vamos eleger as pessoas mais competentes, inteligentes e interessadas no bem da população, e não em só em se dar bem com o dinheiro público. Chega de salvadores da pátria mentirosos.

 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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FERNANDO DE NORONHA, ARQUIPÉLAGO PERNAMBUCANO

Motes eventuais amiúde são invocados pelo presidente da República e seus rebentos para desencaminhar a atenção do povo brasileiro de seus verdadeiros e decisivos problemas. Agora, invoca-se uma regra emergencial do governo Vargas: do Rio Grande do Norte ao território era o sítio de nosso extremo Nordeste e parte do Norte importantíssimo sob o aspecto geopolítico para a atuação dos aliados contra o javali alemão, pelo qual o poder central, único que se mostra relevante numa crise internacional, deveria governá-lo. Cessada a guerra, cessou o motivo, que foi consagrado no artigo 15 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias de 1988, regramento do empirismo que concretizou a Constituição e, ao artigo 20 do texto, introduziu a exceção de que o território em questão se insere no domínio e posse do Estado de Pernambuco. Mais uma questão "de lana caprina" cria o presidente Bolsonaro para desviar os olhos de sua crônica inépcia governamental.

Amadeu Roberto Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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ROGÉRIO BATEU ABEL

Sou corintiano, portanto, assisti a São Paulo X Palmeiras apenas com os olhos de “futebólatra” e essa condição deu-me a chance de analisar o jogo sem irritar e poder enxergar o que não consigo quando é meu Corinthians. Só não é impossível o Palmeiras poder virar o jogo por ter conseguido um golzinho na “bacia das almas”, como dizem os torcedores, já que se ficasse nos 3 X 0 já teria dado o caneco ao tricolor. A derrota palmeirense começou por não dar espaço à vontade para o Rony e Dudu trabalharem e viverem disso. E, sem ela, o alviverde não existe, mesmo tendo um elenco até superior ao tricolor. Serviu também para tirar um pouco da empáfia do badalado técnico palmeirense, que vai ter que trabalhar muito para poder fazer três gols e tirar a vantagem do tricolor ou no mínimo dois para decidir nos pênaltis.

Laércio  Zannini

spettro@uol.com.br

São Paulo

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