Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2022 | 03h00

Governo Bolsonaro

Ônibus escolares

Até R$ 480 mil para comprar um único ônibus escolar para levar crianças à escola em zonas rurais (Estado, 2/4, A10), dinheiro que sairá do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), comandado por Marcelo Ponte, ex-chefe de gabinete de Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil. E não tem corrupção neste governo?

Sylvio Ferreira

sylvioferreira@hotmail.com

São Paulo

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Agências reguladoras

Independência e segurança

Oportuníssimo o editorial Autoritários detestam agências independentes (Estado, 2/4, A3). A recente troca do comando da Petrobras, por seguir as regras vigentes de preços, é reveladora da fragilidade das nossas instituições. Bolsonaro apenas repete a nefasta intervenção da presidente Dilma Rousseff no setor elétrico e na política de preços da Petrobras, que, por questões menores, quase quebrou os dois setores. A única resposta possível do Congresso Nacional agora seria voltar as suas atenções às agências reguladoras, mas dando-lhes força, independência, agilidade nas decisões e segurança para as partes (consumidores e investidores) de que as leis setoriais serão cumpridas independentemente da vontade e dos interesses dos políticos e governantes. Nessas condições, é exemplar e serve de referência o Tribunal Marítimo, órgão técnico, autônomo, vinculado ao Comando da Marinha, mas com atuação auxiliar do Poder Judiciário. É importante destacar que somente a seriedade do processo regulatório (fixação de tarifas, fiscalização, aplicação de penalidades, outorgas e caducidade de concessões), distante da política, assegura o sucesso das privatizações, pois num ambiente assim os resultados das empresas, em particular das monopolísticas, que dependem das tarifas fixadas pelo “poder concedente”, passarão a depender mais de si, da boa gestão, do que do relacionamento com os políticos. Essa é a linguagem que o capital sério, com perspectivas de longo prazo, entende e na qual ele confia.

Nilson Otávio de Oliveira

noo@uol.com.br

São Paulo

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Risco

Excelente o editorial Autoritários detestam agências independentes. É preciso que este assunto seja mais divulgado, pois existe o risco real de sucumbirmos diante das investidas contra as agências reguladoras. A sociedade deve ser informada e incentivada a se manifestar sobre o tema.

Antonio Luiz Bei

beial@icloud.com

São Paulo

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Economia

‘Hora da verdade’

Enquanto a reforma tributária (Proposta de Emenda Constitucional 110) vem sendo postergada ad aeternum pelos nobres parlamentares (Hora da verdade, Adriana Fernandes, Estado, 2/4, B6), nós, trabalhadores sem lobby para nos representar, continuamos sendo achacados pela não correção da famigerada tabela do Imposto de Renda. Em época de inflação alta, nosso poder de compra vem sendo corroído covardemente.

Luiz Antonio Amaro da Silva

zulloamaro@hotmail.com

Guarulhos

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O preço dos remédios

Na atual conjuntura, o reajuste de 11% no preço dos medicamentos, autorizado pelo governo federal a partir de sexta-feira (1º/4), é muito “justo”, afinal os salários e as aposentadorias foram reajustados na mesma proporção todos os anos, não é mesmo? Lembrem-se disso no dia das eleições.

Lourdes Migliavacca

lourdesmigliavacca@yahoo.com

São Paulo

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Eleições 2022

Sergio Moro

Pena que a desistência de Sergio Moro de concorrer à Presidência – se ela se confirmar – tenha ocorrido só agora, e não há três anos e três meses, quando ele aceitou fazer parte de um governo que ele tinha obrigação de saber que não atendia à sua ideia de competência e democracia.

Elisabeth Berlowitz Buny

bethbuny@uol.com.br

 Cotia

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Pelas beiradas

É óbvio que o ex-juiz Sergio Moro tem sede de poder. Se não tivesse, jamais teria aceitado ser ministro do atual governo. E, também, não estaria envolvido nesta saia-justa de troca-troca de agremiações partidárias nem estaria anunciando sua pré-candidatura à Presidência pelas beiradas.

Célio Borba

celioborbacwb@gmail.com

Curitiba

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO

O drama shakespeariano de Sergio Moro pode ser retratado de maneira resumida por Hamlet. Ser ou não ser candidato, eis a questão: será mais nobre sofrer ataques com que a fortuna nos alveja ou insurgir-se contra o mar de provocações? Voltar ou desistir para ficar livre do tumulto da existência política? Enfrentar a insolência oficial e as dilações da lei ou levar fardos de uma vida fatigante? O pensamento, que acovarda e cobra decisão, fica preso nas cogitações. Desviar-se do rumo ou ser chamado à ação?

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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SERGIO MORO

Está mais do que provado que políticos em geral não gostam do ex-juiz Sergio Moro, então ficam criando armadilhas que ele não percebe. Só querem o seu potencial de votos para viabilizar a eleição de uma boa quantidade de deputados que não conseguem se eleger sozinhos.

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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JOÃO DORIA

Merece um estudo o que deu errado com a estratégia do ex-governador de São Paulo João Doria. A sua aposta em dezenas de coletivas diárias sobre a pandemia não foram eficientes. Foi insuficiente o “mais do mesmo". Mas com certeza uma vitória ele conseguiu: detonar o que restava do PSDB.

João Israel Neiva 

jneiva@uol.com.br

Cabo Frio (RJ)

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PESQUISAS ELEITORAIS

Em curtos intervalos de tempo, e já vem desde janeiro deste ano, somos "brindados" com as indigestas pesquisas eleitorais para a Presidência da República, e a única certeza que temos é que as incertezas continuam nas amostras divulgadas. Conforme o calendário eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exige que as pesquisas sejam registradas em até cinco dias antes da publicação de cada estudo, acompanhada das informações previstas na Lei das Eleições (9504/1997). Aí, vem uma série de exigências de difícil  comprovação pelo TSE em tempo hábil. Daí, o tribunal disponibilizou em uma de suas  páginas o Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) para qualquer cidadão interessado em confrontar as pesquisas com o intuito de evitar distorções e as intragáveis fake news com as divulgadas pela mídia. Ficam à disposição por 30 dias. Entretanto, salienta que a Justiça Eleitoral não realiza qualquer controle prévio sobre o resultado dos estudos, atuando conforme provocada por meio de representação. Aí, ficamos com caras de paisagem. Com todas as vênias, o problema do descrédito não está no tribunal e, sim, em fontes de pesquisas mal-intencionadas que enviam os estudos à Justiça Eleitoral já com os "macetes" devidamente arranjados. Por incrível que pareça, em pleno século 21, ainda há eleitores, e são muitos, que votam em quem está à frente nas pesquisas pela desculpa esfarrapada de não gostarem de perder o voto. Então, pergunto: apenas eu sei disso? Não, né?

Sérgio Dafré

sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

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URNAS ELETRÔNICAS

Caro presidente Jair Bolsonaro, não são dois ou três que decidirão como serão contados os votos na eleição na qual o senhor concorrerá, pelo menos no primeiro turno. A Câmara com 513 membros; o Senado, com 81; o Supremo Tribunal Federal (STF), com 11; e a maioria esmagadora dos eleitores já aprovaram que os votos serão contados pelas bem-sucedidas e seguras urnas eletrônicas. Outra coisa, presidente: não será necessário ninguém usar armas para fazer valer a sua escolha democrática.

Abel Pires​ Rodrigues

abel@knn.com.br

Rio de Janeiro 

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DO OGRO AO SEBASTIANISMO MEDÍOCRE

Neste ano, mais uma vez, diante da escolha entre manter-se no atual estado de abulia ou buscar um caminho que conduza ao almejado e nunca alcançado futuro, as alternativas que se apresentam prometem mais do mesmo, de optar entre um ogro e o sebastianismo obsoleto. Caberia indagar se esta inação se deve a um colonialismo cultural de um povo “pacífico” habituado a obedecer e delegar seu futuro a reis ou a donos do poder; a um poder político que não se renova, entregue a pessoas desqualificadas sem compromisso público e vítimas do passado patrimonialista; a uma elite econômica que sofre de miopia endêmica com perda do tal espírito animal empreendedor, refém da falsa noção do ganho fácil; às elites intelectuais e acadêmicas, que seguem presas a ideologias ultrapassadas que não mais refletem a realidade atual; à produção que continuará dependente do extrativismo mineral ou das atividades agrícolas primárias; ou, finalmente, a tudo isso junto. A receita para escapar dessa armadilha é a do conhecimento comum, a começar por um sistema educacional inteligente, efetivo e motivador, fator elementar básico para a inclusão social da maior porção do contingente social para sua equiparação à produtividade universal e ao desenvolvimento pelo conhecimento da noção de cidadania, que permitiria uma efetiva participação democrática com melhores escolhas. Seguida de uma reorganização de governo pautada no espírito público de um Estado que realmente cumpra as razões de existir. São questões a serem respondidas por uma sociedade ávida de fugir deste acachapante ciclo de mediocridades.

Alberto Mac Dowell de Figueiredo

amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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COMPRA VIL DE ÔNIBUS ESCOLAR

Sabem por que Jair Bolsonaro odeia a imprensa? É porque os podres, que são muitos em seu desgoverno, são denunciados. E o Estadão apresenta nova e grave denúncia de que poderá haver mais um desvio milionário: desta vez no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), de R$ 732 milhões em superfaturamento de 55% na compra de ônibus escolares (Estado, 2/4, A10). Ou seja, pelas mãos do diretor do citado órgão, Garigham Amarante, indicado para o posto pelo ex-prisioneiro por corrupção no mensalão Valdemar da Costa Neto (PL), está para ser concluída uma compra de 3.850 ônibus escolares, de valor de mercado de R$ 270,6 mil, em que querem pagar R$ 480 mil por cada veículo. Assim como a CPI da Covid evitou que no Ministério da Saúde milicianos autorizados também por Bolsonaro tentassem comprar vacinas que jamais chegariam ao País e desviar R$ 1,6 bilhão, espera-se que com mais essa denúncia do jornal seja evitado esse roubo. Alerta de superfaturamento também foi feito por parte da área técnica do FNDE e da Controladoria-Geral da União (CGU). Esse presidente que diz que não há corrupção em sua gestão está carimbado em desvios, como denunciou este mesmo periódico no medíocre Ministério da Educação, em que pastores com aval do Planalto faziam negociatas com prefeituras. E o povo brasileiro, indignado, infelizmente fica com as sobras de um perverso retrocesso econômico e social.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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BALCÃO DE NEGÓCIOS

Todos sabemos que os partidos políticos não reúnem representatividade e muito menos são porta-vozes dos eleitores, mas feudos que se mantêm distantes da democracia cujo intuito único e exclusivo se alicerça nas vantagens e no bilionário Fundo Partidário. A fim de acabar com essa maquiavélica situação que nos torna reféns de ideais partidários egoístas, seria vantajoso que o candidato pudesse se apresentar sem partido e depois de eleito tivesse um ano para escolher aquele de acordo com suas convicções, ficando liberto dos conchavos e dos favores internos, mostrando ao eleitor que seu propósito é servir ao País e não às figuras menores do partido.

Carlos Henrique Abrão

abraoc@uol.com.br

São Paulo

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O FIM DAS EMENDAS PARLAMENTARES

As emendas parlamentares sempre foram um sumidouro de dinheiro público. Com as emendas secretas, ficou insuportável continuar tolerando essa verdadeira roubalheira generalizada dos cofres da nação. Proponho o fim desse mecanismo nefasto de roubo de dinheiro público. Se fizerem uma auditoria nas emendas secretas, iriam descobrir rapidamente que nada de útil foi feito e que os bilhões de reais simplesmente desapareceram sem deixar vestígios.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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DANIEL SILVEIRA

Para calar o famigerado deputado brutamontes Daniel Silveira (União Brasil-RJ), o melhor a fazer é obrigá-lo a usar tornozeleira e lingueira eletrônica. Pois não?

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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ATUALIDADES

Tancredo e Trancado: título de um programa humorístico levado ao ar pelas ondas da Rádio Nacional, lá pelos anos 1950, nas interpretações de Apolo Corrêa e Brandão Filho. Aos domingos, no início da noite. No script, sempre havia a simulação de algum fato causador de estranheza. O Tancredo: "Aí tem jacutinga”! E o Trancado: "Já estou sentindo a catinga”! Tampemos o nariz, pois, com tantas rachaduras, o cheiro está insuportável.

Antonio Francisco da Silva

anfrasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

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GOVERNO RETRÓGRADO

O artigo traduzido pelo Estadão do colunista do The New York Times Thomas L. Friedman (Como derrotar Putin e salvar o planeta, 31/3, A16) aborda o problema da dependência externa do petróleo pelos países que não são autossuficientes. A guerra na Ucrânia imposta pelo potentado russo mostrou o erro grosseiro das nações dependerem do combustível importado, em lugar de desenvolver as novas tecnologias das fontes de energia não poluentes, como a eólica e a fotovoltaica. Embora intermitentes, podem ser compensadas com as novas tecnologias e a interligação com as hidroelétricas. Friedman chama a atenção para o aumento das temperaturas nos dois polos, confirmando o aquecimento global causado pelos derivados do petróleo, entre outros. A tendência mundial, para a nossa sobrevivência, é eliminar a produção de energia derivada do petróleo. Contudo, o Brasil continua priorizando a sua produção, além de hidroelétricas na Amazônia. O governo Bolsonaro pretende construir três delas somente no Rio Tapajós, na região mais preservada da floresta. Ora, não tem como justificar tais construções, em que apenas as empreiteiras serão beneficiadas, além dos eventuais custos não republicanos. Repetirá o erro grosseiro de Belo Monte, em detrimento das energias eólica e fotovoltaica, além dos danos à floresta, nossa principal arma contra o aquecimento global. Serão cometidos dois desatinos econômicos. Um por gastar muito mais do que o equivalente que as energias não poluentes. Outro pelas construções estarem muito distantes das regiões de consumo, além de suas linhas de transmissão causarem danos injustificáveis àquela floresta, por demais valiosa. O presidente se nega a aceitar a nova realidade, causando grave retrocesso ao País, com prejuízos incalculáveis.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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PUTIN RECLAMA DE ZELENSKI

Choroso, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, reclama do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, por ter supostamente atacado uma cidade dentro da Rússia. Na verdade, é o enorme Golias choramingando a atitude do pequeno Davi.

 

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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RIO DE JANEIRO

As chuvas que caíram na cidade do Rio de Janeiro e municípios no dia 1.º de abril causaram muitos estragos, desabrigados, mortes, etc (Chuva deixa ao menos 14 mortos no Rio; Angra e Paraty são áreas mais atingidas, 3/4, A19). Os moradores entrevistados dizem sempre "toda vez que chove é a mesma coisa", e toda eleição é a mesma coisa também. Elegem os mesmos. É duro, lamentável ver pessoas perderem suas casas, móveis, alguns até a vida. As águas vão baixar, e volta tudo à normalidade. Até a próxima tragédia. É isso. Círculo vicioso.

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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CORRER

A onda de correr descalço (Estado, 2/4, D4) me parece muito mais pelo fato de um tênis de corrida custar os olhos da cara no Brasil do que um modismo.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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