Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2022 | 03h00

Ministério da Educação

Num passe de mágica

O Tribunal de Contas da União (TCU) embargou o resultado do leilão para a compra de 3.850 ônibus escolares, por causa da suspeita de ser o pregão lesivo ao Estado. Horas antes, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), como num passe de mágica, tinha resolvido baixar os valores para a aquisição dos veículos de R$ 2,045 bilhões para R$ 1,5 bilhão, ou seja, R$ 510 milhões a menos. Essa atitude demonstra a ganância da politicalha para se locupletar ilicitamente em final de mandato. A música Que país é este?, da banda de rock brasileira Legião Urbana, continua na moda.

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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O papel da imprensa

Nos últimos dias, por duas vezes o Estadão prestou valoroso trabalho à sociedade brasileira, reafirmando a importância de uma imprensa livre e independente num Estado Democrático de Direito. Em março, o periódico revelou a existência de gabinete paralelo no Ministério da Educação (MEC) operando a distribuição de verbas para prefeituras de todo o País por meio de critérios e interesses nada republicanos. Tal era a gravidade do esquema de tráfico de influência que culminou na saída de Milton Ribeiro do MEC. Agora, o objeto de indícios de irregularidades é o FNDE. Não bastaram os avisos da área técnica do fundo ou da Controladoria-Geral da União acerca do sobrepreço na aquisição de ônibus escolares. Tornou-se necessária a divulgação do impasse pelo Estado para que os preços máximos fossem revisados em R$ 510 milhões, no total, antes de se realizar o pregão. É a imprensa cumprindo a sua função primordial ao indicar ações de mandatários que estejam em desacordo com a legalidade e com o interesse público. Não restam dúvidas da razão da baixa simpatia de que a imprensa livre e independente desfruta em setores do bolsonarismo e do lulopetismo.

Elias Menezes

elias.natal@hotmail.com

Belo Horizonte

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Reportagens como a do Estadão sobre o sobrepreço nos ônibus escolares comprados com dinheiro do FNDE mostram a importância do jornalismo na sociedade e como é de extrema importância preservá-lo.

Carlos Alexandre

falaalexandre@yahoo.com

Caruaru (PE)

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Cultura

Lei Paulo Gustavo

O presidente Bolsonaro vetou o projeto de lei que previa verbas para o setor cultural. Em compensação, quer distribuir ônibus escolares por todo o País, afinal, em ano eleitoral, isso deve lhe render mais votos.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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Veto presidencial

Claro que o presidente Jair Bolsonaro vetou a Lei Paulo Gustavo, que deveria levar R$ 3,8 bilhões ao setor cultural, que foi arrasado na pandemia. O dinheiro poderia fazer falta na distribuição de emendas secretas, além de homenagear um ator homossexual que morreu de covid-19. Na eleição de outubro, o País poderá escolher se quer ter cultura, saúde, educação, meio ambiente ou Bolsonaro.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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Vida na cidade

Ensurdecedor

Realmente, o ruído proveniente de obras em edificações em geral, de linhas de metrô ou de qualquer item de infraestrutura urbana, incomoda, e muito. A reportagem publicada na página A17 da edição de ontem do Estadão descreve muito bem essas situações de desconforto da população na vizinhança destas obras. Por um lado, parece existirem possibilidades de diálogo ou de interpelações com base em regulamentos e normas aplicáveis a esses casos, para buscar alguma diminuição nos seus efeitos desagradáveis. E há, também, a perspectiva de que um dia essas obras sejam encerradas e a paz volte, então, a essas regiões da cidade. Mas o que dizer dos ensurdecedores e sempre inoportunos sons provenientes de escapamentos abertos de veículos automotores de qualquer natureza e porte? Nem de longe se poderia imaginar que não existam regulamentos ou normas que prescrevem limites de tolerância para níveis de emissões sonoras por esses equipamentos. Algo precisa ser feito, pois, mesmo que não haja outras consequências, possivelmente existe aí um problema de saúde pública, manifestado na provável diminuição da acuidade auditiva dos condutores desses veículos.

José M. Frings

jmfrings64@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

TCU BARRA LICITAÇÃO VIL

Graças ao Estadão ter denunciado que a direção do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) autorizou a compra superfaturada de 3.850 ônibus escolares, o Tribunal de Contas da União (TCU), por parte do ministro Walton Alencar Rodrigues, embargou o resultado da concorrência realizada na terça, 5 (Estado, 6/4, A9). Que oportuna e célere foi a decisão do TCU, que assim evitou que R$ 732 milhões sejam desviados pelos larápios ligados ao presidente Jair Bolsonaro, já que o preço de mercado e indicação dos técnicos sugeriam que cada um dos ônibus custaria R$ 270,9 mil, e não R$ 480 mil inflados pelos vis. E o preço total da compra, que deveria ser de R$ 1,3 bilhão, iria custar aos cofres públicos um total de R$ 2,045 bilhões. Mas, pela repercussão negativa, o FNDE mudou o valor total para R$ 1,5 bilhão. Porém, se ainda tivesse vingado essa licitação com os números modificados, poderia sobrar para a quadrilha R$ 187 milhões. É de estarrecer que esse cara de pau continue estufando o peito para dizer que em seu governo não existe corrupção.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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SUCESSÃO DE TRAMBIQUES

Já tentaram comprar milhões de computadores para as escolas de todo o Brasil em uma conta que daria vários computadores para cada aluno. Depois iam gastar mais de R$ 1 bilhão por uma vacina muito mais cara, não aprovada e fabricada na Índia, mas com a comissão a ser paga em Cingapura. Um Ministério do Meio Ambiente que se dedica a exportar toras de madeira cortadas por invasores de terras. Uma lojinha de chocolates que deveria ir para o Guinness Book pelas vendas incríveis. E, finalmente mas não em último, a "bondade" com os ônibus escolares, que dariam um lucro de R$ 732 milhões aos organizadores. Esse é o governo que não tem corrupção.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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O BRASIL DE HOJE E DE SEMPRE

Excelente o artigo do grande jurista Modesto Carvalhosa intitulado Os eternos candidatos populistas (Estado, 6/4, A4). Aliás, esse senhor não tem papas na língua quando se trata de execrar os podres políticos e poderes desta infeliz nação. O que foi dito por ele nada menos é do que a radiografia escancarada dos males que nos assombram e assolam a todos e que, com o passar do tempo, tendem a se tornar crônicos sem que se remedie nem com "reza braba". A nossa situação chegou a um cúmulo tão acachapante que, vejam só,  em 2 de outubro deste ano teremos na linha de frente das eleições presidenciais dois seres aos quais eu adjetivaria como energúmenos. A lógica para uma virada nesse tipo de situação seria a ascensão de algo que, aos trancos e barrancos, fornecesse uma luz ao final do túnel, ou seja, algo que pusesse fim à dicotomia Lula X Bolsonaro que, queira o não, teremos que encarar na liderança das pesquisas de intenção de voto, pelo menos até a votação em primeiro turno. Há, porém, um pequeno detalhe que põe em xeque a nossa esperança de mudanças: a vaidade indestrutível que corrói o espírito dos políticos envolvidos no que tange à escolha de uma liderança única entre aqueles sedentos por mudanças do status quo. 

 

Emmanoel Agostinho de Oliveira

eaoliveira2011@gmail.com

Vitória da Conquista (BA)

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LUCIDEZ E COERÊNCIA

Mais uma vez o grande jurista Modesto Carvalhosa nos brinda com um raio de lucidez em meio ao caos. Posso vislumbrar um hipotético país onde mais e mais leitores (cidadãos) pudessem ter acesso a essas mensagens e conseguissem absorver ao menos um pouco dessas preciosas lições de história e cidadania. Que bom seria!

José Francisco Graciola

jfgraciola@uol.com.br

Pedreira

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MINISTÉRIO DA DEFESA E ORÇAMENTO SECRETO

Dizer que sou apartidário ou apolítico seria mentir. Tenho as minhas preferências, mas não sou apaixonado por elas. Então estou procurando entender a correlação entre orçamento secreto e Ministério da Defesa. Determinados veículos da mídia mais que insinuam, veem na distribuição de verbas do tal orçamento secreto, essa excrescência tupiniquim, pelo Ministério da Defesa, um deslize dos militares. Certa vez, o Colégio Militar onde estudei recebeu recursos de deputados do PSDB e PT, tendo como porta de entrada o Ministério da Defesa. A grana não vai diretamente para a conta do beneficiário. Então, amigos, quaisquer valores são intermediados pelo poder que "executa", a mando do Legislativo ou do Judiciário (se for questão jurídica). Esses Estados remotos, que só são lembrados quando há mau cheiro no ar, são beneficiados via Programa Calha Norte, cujo executor é o Ministério da Defesa. É dinheiro carimbado. Penso que o Ministério da Defesa nem deveria tentar justificar, alegando os benefícios que uma quadra esportiva pode trazer à população ou uma piscina em uma escola. Deveria mandar questionar o Congresso e os congressistas que, de camarote, assistem à contenda.

Paulo Mello Santos

policarpo681@yahoo.com.br

Salvador

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A CPMF E OS EMPRESÁRIOS

Desespero sempre deve ter limite, devendo a contenção operar comparativamente com outras situações. É inacreditável que um grupo de empresários se prontifique a produzir texto legal para o retorno da CPMF (Bandeiras do retrocesso, 6/4, A3). Se não for desespero, sem dúvida é incoerência e pleno desconhecimento de nossa carga tributária. Mas o resultado da pretensão dos referidos empresários é o protesto e a colocação da quase totalidade dos que produzem neste país contra esses arautos do absurdo: pedir um imposto incabível e que não é digerido pela quase totalidade dos brasileiros. Vão ser inoportunos em outro lugar!

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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ARCEBISPOS NA PETROBRAS

Em que pese termos mais de 70 arcebispos brasileiros, duvido que algum deles deixaria suas augustas posições vitalícias para uma incerta presidência da nossa (sic) grande empresa petroleira, cargo sujeito às veleidades do incumbente do Palácio do Planalto. Mas se baixarmos a régua traçada pelo sr. Arthur Lira, existem aqui bispos a mancheias, muitos dos quais aceitariam de bom grado essa missão, potencialmente trazendo com eles as suas comprovadas capacidades de gerar lucros abundantes.

Alfredo Franz Keppler Neto

alfredo.keppler@yahoo.com.br

Santos

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PETROBRAS ACUADA

A Petrobras está e sempre esteve sob o jugo dos políticos de plantão. A estatal é uma vítima acuada e sem saída. Está sendo massacrada pelas circunstâncias e pela ganância inescrupulosa dos mandatários da República. Não vemos outra solução para libertá-la das amarras desta teia maligna que não seja sua privatização. Deixemo-la livre para trabalhar, se adequar ao mercado e produzir óleo e gás para a população de forma justa. Sua função social mais importante é fornecer seus produtos para todos por um preço justo para a empresa e para a sociedade. 

Mário Negrão Borgonovi

marionegrao.borgonovi@gmail.com

Petrópolis (RJ)

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CABEÇA DE JUIZ

Coisas da nossa Justiça e das nossas leis! Por decisão da juíza Elizabeth Machado Louro, da Segunda Vara Criminal do Rio, pouco menos de um ano após sua prisão, Monique Medeiros, aquela desavergonhada mãe que, juntamente com o torturador, marido e provedor dr. Jairinho, ex-vereador do Rio, responde pela cruel morte de seu filho Henry Borel, vai cumprir prisão domiciliar com tornozeleira. Se a Carta Magna é afrontada e rasgada pelos seus supremos protetores de ofício, devassos ativistas políticos, a decisão da juíza é fichinha! A sabedoria popular é certeira: "Cabeça de juiz é igual a fralda de neném: ninguém sabe o que pode encontrar lá dentro". Brasil, qual é o teu negócio?

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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PORTEIRA ABERTA

Como confiar na Justiça quando vemos uma mãe biológica envolvida na morte do próprio filho ser agraciada com prisão domiciliar? Daqui a pouco será vez do tal Jairinho, acompanhado de Sérgio Cabral. Depois que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu a porteira, não há quem segure a bandidagem.

Jose Alcides Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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RÉQUIEM PARA A MPB

A música brasileira atingiu o ápice do mau gosto nas letras. Isso sem falar que melodia não existe mais, é um falatório interminável com um bumbo de dar nos nervos replicando. E todos rebolando e passando a dita cuja na cara da plateia. É o fim de uma arte que teve Tom e Vinícius, João Bosco e Aldir Blanc, Chico Buarque, Gil, Caetano, Noel Rosa, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Djavan, Tim Maia, só pra citar alguns de um rol inumerável de gênios. Ninguém Manda Nessa Raba, de uma tal de MC Pocahontas. Jesusssss!  Enquanto isso, Anitta atinge o Top 10 com uma composição insossa acompanhada por uma coreografia que simula um ato sexual. É o fim, the end, acabou! Fecha tudo, desce a cortina, desliga os rádios, apaga a TV. É de chorar um mar de lágrimas!

Jane Araujo 

janeandrade48@gmail.com

Brasília

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ANITTA

A dona Anitta se revoltou com uma revista internacional que destacou sua fala sobre a energia de “diversão e sexo” do Brasil, mas ela não tem do que reclamar. Essa moça fez sua carreira à custa de vídeos, músicas, imagens e declarações sexualmente apelativas. É inteligente, sim, por explorar a imbecilidade do público que fica deslumbrado com uma mulher simulando relações sexuais nas performances. E os jornais brasileiros ainda dão destaque para ela com orgulho. Gostaria de ver no topo uma cantora brasileira com voz maravilhosa, o que a dona Anitta realmente não tem, como uma Janis Joplin, uma Whitney Houston, até mesmo uma Rihanna ou uma Sandy. O que ela vai fazer quando a idade chegar? Já terá dinheiro suficiente para se retirar de cena.

Sueli Cristina Valete Machado

leonidasjoserolimmachado@yahoo.com.br

São Paulo

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O TELLES DA LYGIA

Como deu na imprensa, no domingo, 3, faleceu aos 98 anos a insigne escritora Lygia Fagundes Telles, autora do livro As Meninas e de outras grandes obras da literatura brasileira. Ela era filha de Durval A. Fernandes, promotor público, e da pianista Maria R. Fagundes. Foi eleita para a Academia Paulista de Letras em 1982 e, em 1985, para a Academia Brasileira de Letras. O que pouca gente sabe é que ela se casou em 1947 com o professor titular de Introdução à Ciência do Direito, Goffredo da Silva Telles Jr., da Faculdade do Largo de São Francisco, onde ela também se formou. Portanto, o seu sobrenome Telles, que usou como escritora, foi ligado ao professor Goffredo, meu mestre.

 

Bismael B. Moraes

bismoraes@uol.com.br

Guarulhos

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LIMA BARRETO NO MODERNISMO

É alvissareiro que Lilia Schwarcz traga múltiplos olhares na exposição Vários 22, sobre a famosa semana de um século atrás (Estado, 6/4, C8). Que ela também mostre a influência de Lima Barreto, especialista sobre sua literatura que é, pois há lampejos daquela triste loucura na plástica do movimento modernista.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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GOIABADA NO BBB

O paredão falso do Big Brother Brasil 22 acabou pegando mal entre os telespectadores. A credibilidade e isenção do programa vai se derretendo. Amadorismo não cabe em arte. A professora e falante Jessi, ativa participante do jogo, logo também percebeu que havia algo errado no paredão que "eliminou" Arthur. Também já deu na vista a explícita proteção que o apresentador Tadeu Schmidt costuma dar a Arthur. Ficou no ar o gostinho de goiabada na reta final do jogo. Pena.

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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