Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2022 | 03h00

Ministério da Educação

Escolas de mentirinha

São 3.500 escolas paradas em fases diversas de construção, mas o governo anuncia mais 2 mil. Ao todo, serão 5.500 obras não concluídas. Mas isso pouco importa ao governo federal; o que interessa, na realidade, é o impacto que o anúncio de mais 2 mil escolas terá nas eleições. É material que os candidatos usarão à vontade para se mostrarem eficientes. Assim, pois, é o Ministério da Educação de Bolsonaro e seguidores. Note-se que o projeto de lei que trata de fake news nas eleições, em tramitação no Congresso, mira quase exclusivamente as redes sociais. Deveria abarcar também as mentiras ditas por autoridades onde for, vez que a quase totalidade dos políticos alardeia fatos e obras que são mentira, atingem seus objetivos, sem custo punitivo. É justo?

José C. de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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‘Fake news’

PL no Congresso

Que o Congresso demonstre dignidade para representar nosso povo e aprove com sentimento de nobreza e desprendimento de seus integrantes o projeto de lei que impede fake news (não é melhor dizer mentiras?) na campanha eleitoral. A lei, como tantas, não será absolutamente eficiente, mas produzirá alguma salutar inibição do estelionato eleitoral, ao qual já fomos submetidos em 2018. Lembrem-se, compatriotas eleitores, da expressão de Lord Byron: “E, afinal de contas, o que é uma mentira? É apenas a verdade mascarada”.

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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Paulo Guedes

Propaganda

Lendo o editorial do Estado sobre o ministro da Economia (10/4, B8), cheguei à conclusão de que foi um dos raros casos em que o presidente da República disse a verdade. Ao apresentá-lo como “Posto Ipiranga” – referindo-se a uma bem-sucedida promoção de um posto de combustível –, estava apenas copiando uma propaganda. Ao fim e ao cabo, Guedes é ministro de um governo muito parecido com o de Dilma Rousseff: desemprego, inflação e corrupção. Butim grandioso graças ao líder do Centrão, que agora segura mais de uma centena de pedidos de impeachment contra um presidente que o merecia ainda mais do que sua antecessora. O governo Bolsonaro é a obra-prima do Centrão.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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Democracias em crise

Raízes na economia

Brilhante e preocupante o artigo de Pedro Malan (É assustador 2, Estado, 10/4, A4) sobre a fragilização das democracias. Como ele indica, o problema não é só político; tem raízes profundas na economia e na sociedade. Arrisco-me a dizer que o forte impacto da revolução tecnológica no mercado de trabalho está por trás do crescimento do populismo. As tecnologias destroem, criam e transformam os empregos com velocidade meteórica, enquanto a reacomodação das pessoas é um processo lento, durante o qual avança a mobilidade social descendente que frustra todos e prepara o cenário para a ascensão daqueles que prometem restaurar o velho normal.

José Pastore

j.pastore@uol.com.br

São Paulo

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Amazônia

Rios ameaçados

Caro Milton Hatoum, impossível ficar alheio diante da ameaça ao encontro das águas dos Rios Negro e Amazonas, caso às suas margens se construa o novo porto de Manaus (Estado, 10/4, C11). Já submergiram as Sete Quedas desnecessariamente. Acabam com a Mata Atlântica, com o Cerrado, sua fauna e sua flora. Praias poluídas, manguezais destruídos por um nada. O que tem a ganhar este imediatismo frenético sem conhecer verdadeiramente os benefícios e malefícios daquilo que se destrói?

Sergio Holl Lara

jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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Guerra na Ucrânia

O mundo com Putin

Como lidar com potência chefiada por um criminoso de guerra (Estado, 11/4, A10). Thomas L. Friedman tem razão, mas poderia ser mais claro: a luta não é contra o povo da Rússia. Os russos seriam bem acolhidos na comunidade europeia e global. Sob um regime de governo totalitário e criminoso, isso não é possível. Todos deveriam reverberar essa verdade, particularmente nos EUA e na União Europeia.

Harald Hellmuth

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

COM RAIVA DE TUDO E TODOS

Tudo o que J. R. Guzzo escreveu em sua última coluna dominical (Com raiva do mundo, 10/4, A10) serve como uma luva tanto na mão direita de Bolsonaro como na mão esquerda de Lula. Ao atacar o discurso raivoso de Lula, indiretamente o colunista justifica essa postura como um contra-ataque ao discurso de rancor e ódio de seu protegido Jair Bolsonaro, que irá encerrar este ano o mandato presidencial mais perverso e odioso da história do Brasil. 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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CEGUEIRA DE UNS E ESPERTEZA DE OUTROS

Esperteza do Lula e cegueira de outros. Para não ficar no ostracismo, Alckmin preferiu servir de escada para a vitória do PT ao Governo de São Paulo. Ou alguém acha que Zé Dirceu e sua turma darão espaço no governo federal para a imprescindível colaboração do picolé de chuchu?

Alberto Mac Dowell de Figueiredo

amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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TRAIÇÃO

Nós sabemos que os políticos, de uma maneira geral, são pouco confiáveis. Mas a atitude do sr. Geraldo Alckmin de se juntar com o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, com um passado conhecido e pouco recomendável, vem apenas mostrar que para atingir seus objetivos eles são capazes de "vender a mãe". Alckmin acaba de mostrar o seu caráter, traindo os seus eleitores como eu fui um dia. Fui, porque jamais votarei nesse que é mais um crápula ​da política brasileira.

Roberto Luiz Pinto e Silva

robertolpsilva@hotmail.com

São Paulo

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DADOS INCONGRUENTES

A preferência pelos candidatos polarizados é totalmente inaceitável, posto sua absoluta impossibilidade de suprimir os erros que impedem o desenvolvimento da Nação. Os governos de FHC e Michel Temer, afastados das tendências populistas, foram os que apresentaram os melhores resultados no século em curso. Os demais, incrustados pela ignorância, nunca ousaram discernir entre as medidas propícias ao bem comum e as meramente demagógicas. Insistir em soluções polarizadas significa retardar em décadas o desenvolvimento almejado, verdadeiro atestado de burrice e despreparo a impedir a superação do grande atoleiro em que estamos mergulhados.

Lairton Costa

lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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TERCEIRA VIA

No meu entender, nada explicita de forma mais contundente o estado falimentar da política federal quanto essa chamada “terceira via”, que até agora foi comicamente inapta para se mostrar diferente do que já está ou esteve aí. Aparentemente, sequer se preocupam em esconder que sua principal preocupação não é e nunca foi com o País, mas sim com as benesses do poder em si, tais como as verbas secretas ou não, além da divisão de cargos comissionados com seus apoiadores, amigos e familiares. Infelizmente, sem uma candidatura que realmente represente os anseios da Nação, o nosso grande Brasil corre o risco de entrar num estado de total degeneração, com reflexos óbvios sobre a sociedade e a economia nacional. Tristes trópicos.

Fernando T.H.F. Machado 

fthfmachado@hotmail.com

São Paulo

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PPI PETROBRÁS

Todos os ciclos de inflação que presenciei, inclusive aquele dos fiscais do Sarney, com 86% ao mês, tiveram como gatilho a variação exagerada do preço dos combustíveis. Esse Preço de Paridade Internacional (PPI) da Petrobrás é um suicídio nacional. Devemos, como país produtor, adotar um preço interno justo e estável.

Valério Bronzeado

valeriocostabronzeado@gmail.com

João Pessoa

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DÍVIDA PÚBLICA

É fato que o Brasil pagou em 2021 R$ 448,3 bilhões de juros da dívida pública. A dívida é de R$ 5,6 trilhões. Vi articulistas e missivistas indignados colocarem a culpa no sistema bancário. Não vi nenhum se indignar com a classe política. A fonte de desvios parte dos políticos com seus projetos equivocados e assaltos aos cofres públicos. Temos ainda o Judiciário e o Legislativo mais caros do mundo. Óbvio que vai faltar dinheiro para a educação, saúde e infraestrutura. Acabem as roubalheiras e ponham fim aos privilégios que em poucos anos as coisas melhorarão.

Iria de Sá Dodde

iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

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HOMEM INVISÍVEL EM SÃO PAULO

A publicação do romance O Homem Invisível, de H. G. Wells, ocorreu em 1897. O tema inspirou muitos enredos a respeito. O bruxinho Harry Potter, por exemplo, tinha um manto de invisibilidade. E não são poucas as pesquisas para conseguir ficar invisível, o que tem as mais diversas aplicações, principalmente na área militar. Mas, quem diria, em nossa cidade estamos quase chegando lá. O prefeito de São Paulo é aprovado por 12% da população e reprovado por 30%, segundo o Datafolha. O instituto acrescenta: “Nunes é o prefeito paulistano com a maior taxa de entrevistados que não sabem dizer o que acham de sua gestão, desde o início da série histórica”. Só faltou dizer que poucos dos 12% que o aprovam seriam capazes de reconhecê-lo a partir de uma fotografia. Ou responder às perguntas sobre quem é o prefeito de nossa cidade e a que partido ele pertence, mesmo que lhes fosse dada uma lista de múltipla escolha.

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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ESFORÇO INÚTIL?

Prender bandido que é solto dias depois, ônibus superfaturados, rachadinhas, dinheiro nas calças, nomes para lá e para cá como autores das falcatruas. Alguns assinalam irregularidades, outros encaminham corretivos e atenuantes, nada acontece. Será uma inutilidade levantar dados de ações sociopáticas?

Carlos Ritter

carlos_ritter@yahoo.com.br

Caxias do Sul (RS)

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ENGANADORES NOS HOLOFOTES

Acho que todo mundo já se deu conta de que novas descobertas científicas anunciadas com espalhafato na imprensa nunca são para beneficiar a humanidade imediatamente. Sempre no final da notícia auspiciosa, vem a ressalva fatal de que em X anos ela estará disponível. E geralmente não se ouve mais falar do assunto. É o caso da matéria que diz que cientistas conseguiram rejuvenescer a pele das pessoas em 30 anos (Estado, 10/4, A17). Possivelmente em 30 anos esperam disponibilizar a descoberta, isso, sim. Mas o mais provável é que devam deixar para o Dia de São Nunca.

Ademir Valezi

valezi@uol.com.br

São Paulo

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FOTO BONITA

Parabéns a Rodrigo Corsi, da Agência Paulistão, pela foto dos jogadores na matéria Portuguesa empata, garante volta à 1ª divisão estadual e vê fim da agonia (Estado, 10/4, A10). Habitualmente apenas folheio a página de notícias do futebol, mas a beleza da imagem me deteve para ver do que o texto se tratava.

Sandra Maria Gonçalves

sandgon46@gmail.com

São Paulo

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ELIMINAÇÃO NO 'BBB'

A turba infame de preconceituosos, homofóbicos, machistas e racistas tirou a guerreira Linna das Quebradas do Big Brother Brasil (BBB) 22. Ultrajante e repugnante. Com direito a infeliz, tolo, patético, desnecessário, injustificável e inacreditável comentário do apresentador Tadeu Schmidt, segundo o qual a presença de Linna no jogo "venceu o preconceito". O BBB 22 segue para o final tropeçando e se desmanchando. O mais fraco, medonho e insosso de todas as edições. A ordem é liquidar e afastar as meninas da final. Deixando todas as glórias para o quinteto de marrentos, santinhos do pau oco e marmanjos debochados. Com o cretino e dissimulado reizinho Arthur dando as cartas. 

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com  

Brasília

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ELEIÇÕES

Interessante observar as recentes eleições europeias e compará-las ao que ocorre no Brasil. Orbán na Hungria, sabedor da dificuldade de se reeleger, empenhou-se de corpo e alma na campanha. Distanciou-se de Putin. Com isso surpreendeu com sua vitória folgada, enquanto especialistas políticos previam um pleito mais apertado. Macron, na França, apoiado em pesquisas que lhe davam vitória folgada, se dedicou mais à guerra na Ucrânia que às eleições. Resultado: terá que trabalhar muito para aumentar sua diferença para a segunda colocada na eleição definitiva. Aqui, apesar de as pesquisas indicarem vitoriosos, há muita lenha para queimar num futuro que não parece alvissareiro. Vamos dar tempo ao tempo, mais uma vez.

Sergio Holl Lara

jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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FRANÇA

A candidata da extrema direita francesa, Marine Le Pen, chega ao segundo turno das eleições com 50% de chance de se eleger presidente. Le Pen é simpatizante declarada de Vladimir Putin, tendo inclusive recebido contribuições financeiras generosas do ditador russo em pleitos passados. Perante as atrocidades incabíveis de Putin contra civis numa guerra injustificada, é chocante que metade do eleitorado francês, ao apoiar Le Pen, por tabela endossam ou fecham os olhos aos horrores que acontecem na Ucrânia. Parece que nada aprenderam com as guerras e genocídios passados que, de alguma forma, envolveram a França. Se Le Pen for eleita, os pilares franceses da república e dos direitos humanos universais “liberdade, igualdade e fraternidade” irão para o lixo. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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PÁTRIA MÃE

A natureza sempre causa surpresas boas e más. Como se sabe, a mesma mãe pode gerar filhos totalmente distintos entre si. A Alemanha, que gerou Gutenberg, Beethoven, Kant, Einstein, Goethe e Marx, entre outros grandes nomes da história, apoiou incondicionalmente o austríaco Hitler em sua nefasta e criminosa aventura da criação frustrada do III Reich na 2.ª Guerra Mundial. Do mesmo modo, a mãe Rússia, que deu à luz expoentes como Tchaikovski, Rachmaninoff, Sakharov, Dostoievski e Sergey Brin, entre outros, também pariu facínoras como Stalin e Putin. Assim caminha a humanidade.

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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