Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2022 | 03h00

Eleições 2022

Ainda a terceira via

A reportagem de Felipe Frazão no Estado de ontem, Com PSDB e MDB divididos, disputa na terceira via é marcada por traições (18/4, A6), mostra não apenas as traições na propalada terceira via, mas também sua impossibilidade de existência, uma vez que os partidos estão interessados em sua sobrevivência nas eleições para os Parlamentos federal e estaduais. Boa parte dos envolvidos estará junto do próximo governo eleito, qualquer que seja. Não almejam alternativas para o Brasil, mas, sim, alternativas para si próprios.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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Risco de enfarte

O colunista Carlos Pereira nos proporcionou esclarecedora aula de circulação sanguínea em sua coluna no Estadão (O enfarte das alternativas à polarização, 18/4, A8), digna de um especialista em medicina do coração. Uma metáfora para explicar como os bilhões destinados às eleições de outubro serão distribuídos, privilegiando mais os candidatos ao Congresso do que os presidenciáveis. Mas é melhor haver poucos candidatos viáveis do que um bando de desconhecidos. Para quebrar esta gangorra da esquerda burra e da direita furiosa, que lideram as pesquisas, será decisivo haver uma única candidatura de centro capaz de ir para o segundo turno. E uma excelente candidatura.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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Primeiro passo

Excelente a entrevista feita com o economista Affonso Celso Pastore (‘A sociedade não pode ficar a reboque da polarização’, 17/4, B4), sobre as necessárias mudanças econômicas no País. O seu projeto – encomendado pelo infelizmente ex-pré-candidato Sergio Moro – representa o modelo de como lidar com a economia no futuro, sob pena de sofrermos com a pecha de eterno país do futuro. Seguindo suas orientações, o futuro pode estar bem ali. Só que, para tanto, há que dar um fim definitivo a este clima de polarização que só nos traz maus presságios. Torço para que, em meados de maio, a tão esperada terceira via se defina de vez, e abdicar da vaidade, própria da grande maioria de nossos políticos, deve ser o primeiro passo. Feito isso, poderemos degustar tranquilamente uma grande vitória.

Emmanoel Agostinho de Oliveira

eaoliveira2011@gmail.com

Vitória da Conquista (BA)

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Obra inacabada

A terceira via é como o monotrilho de São Paulo: começou, nunca terminou, virou um elefante branco, não sabe para onde vai e, sempre que alguém a assume, não sabe como terminar e não explica o que deseja para o Brasil.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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Sinuca

O próximo presidente do Brasil vai encontrar um país quase quebrado e sem perspectivas num mundo dividido e sem rumo, seja Bolsonaro ou Lula. No tempo em que os dois governaram, não demonstraram saber o que fazer para encaminhar (já que solucionar é trabalho de décadas) os problemas do Brasil. São populistas que, não entendendo de economia (princípios, conjuntura, estrutura), jamais apresentaram um projeto fundamentado para nortear o desenvolvimento do País: sua arte é vender a ideia de que há soluções fáceis e de que, se eles estiverem no comando do País (com poderes absolutos), tudo será resolvido. A considerar ainda que, para governar o Brasil sem uma base político-partidária majoritária, estruturada em valores éticos e republicanos, qualquer um deles dependerá, como dependeram, do Centrão para se manter no poder – e a ambição deste foi, é e sempre será transferir renda da iniciativa privada para seus interesses privados. A sinuca é tão grande que nem os saudosistas têm hoje ao que se apegar: as Forças Armadas se mostram uma corporação como qualquer outra que usa o erário para dele extrair o que pode em benefícios e privilégios.

Jorge Alves

jorgersalves@gmail.com

Jaú

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Regime militar

Segredos do STM

A divulgação de áudios inéditos de sessões do Superior Tribunal Militar em que ministros da Corte admitem a prática de tortura durante a ditadura é emblemática para a história e a memória do País. É importante que a Comissão de Direitos Humanos do Senado requeira acesso a tais gravações para os devidos esclarecimentos. Principalmente, para que as novas gerações tomem conhecimento da barbárie e para que tal tragédia não se repita.

José de A. Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O VERDADEIRO INIMIGO

O jornalista J. R. Guzzo, em sua coluna de domingo (O ‘inimigo’, 17/4, A11), fala em “golpe branco” contra a candidatura de direita (sic) do Messias, dizendo que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agem publicamente contra esse candidato e que essas instâncias devem ser imparciais e defender o direito dos eleitores. Quer dizer, então, que não é um “direito dos eleitores” deixar de receber compulsoriamente, pelas redes sociais, informações distorcidas, incorretas, escandalosamente falsas e fraudulentas produzidas pelo gabinete jornalístico comandado por Carlos Bolsonaro? Que direito é esse? Ademais, Bolsonaro não é nem nunca será uma candidatura de direita, mas apenas um candidato medíocre e obtuso, arauto da negação, do atraso, da falta de escrúpulos, da total ausência de compaixão e de sentimento solidário que, com suas arminhas, pretende impor ao País a destruição de suas instituições e o caos.

Jorge Luiz Babadópulos

jorgeluiz@babadopulos.com.br

São Paulo

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CENSURA NAS REDES

As redes sociais são uma evolução, assim como os jornais e a televisão foram um dia, e nem por isso foram condenados. Triste ver a censura voltar pelas mãos daqueles que, há bem pouco tempo, a execravam.

 

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@lwmail.com.br

Niterói (RJ)

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HORA DE PENSARMOS O FUTURO

Estamos bem próximos do próximo pleito eleitoral. A maioria dos brasileiros está torcendo para que o próximo governo não seja de esquerda nem de direita, inclusive muitos nem entendem o que significa isso. O que querem realmente é que seja um governo que governe de verdade e coloque nosso país nos trilhos. Temos tudo para ser uma grande nação, mas, infelizmente, nos últimos anos, o que vimos foi uma disputa de poderes, cada um puxando para o seu lado, se esquecendo que no meio deles está o povo brasileiro. Por isso, está na hora de começarmos a conversar sobre política com nossos familiares e nossos amigos, sem discussão partidária, pensando e colocando de forma clara o que desejamos para o nosso futuro. Tenho certeza de que, dessa maneira, conseguiremos chegar a um consenso sobre o que queremos. Nessa conversa aberta e franca com pessoas de nossa convivência, iremos achar entre os outros candidatos fora da polarização entre Lula e Bolsonaro alguém confiável e honesto que fará jus ao nosso voto, fazendo-nos ficarmos orgulhosos de termos família neste país que tanto amamos.

Valdecir Ginevro

valdecir.ginevro@uol.com.br

São José dos Campos

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UM GOVERNO CORRUPTO

No editorial de segunda-feira (A arquitetura da impunidade, 18/4, A3), o Estadão presta relevante serviço à população ao demonstrar como um deputado federal, que sempre pertenceu ao Centrão – grupo de partidos de menor expressão que se unem para constituir a maioria nas duas casas do Congresso Nacional – e ao baixo clero – conjunto de deputados de pouca ou nenhuma relevância focados apenas em interesses pessoais – vem agindo como presidente da República. Conta com os apoios de um procurador-geral da República e um presidente da Câmara dos Deputados que garantem a sua impunidade retendo processos contundentes contra ele. Alega o chefe do Executivo não haver corrupção em seu governo ao mesmo tempo em que pululam casos no Ministério da Educação com os deputados do Centrão aprovando absurdos diversos e se apoderando das verbas públicas em assaltos assemelhados aos dos antigos piratas. Importante também lembrar os casos ocorridos no Ministério da Saúde em plena pandemia. A destruição permitida na Amazônia por quadrilhas internacionais, roubando as nossas riquezas impunemente, completa o maior estrago que um só presidente já fez ao País. Somente um povo tresloucado, ou deveras amedrontado, reconduziria Bolsonaro à Presidência depois de tantos ilícitos perpetrados e prejuízos irrecuperáveis.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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FARTURA SÓ PARA O ALTO COMANDO

As notícias recentes das compras efetivadas pelo Exército durante o governo Bolsonaro têm causado espanto aos brasileiros que usam o cérebro para pensar sobre o comparativo com o conjunto restante da sociedade. Primeiro ficamos sabendo da compra de picanha e do gasto de R$ 15 milhões com leite condensado em licitações milionárias. Em Bauru, neste mês de abril, o quilo da picanha está custando aproximadamente R$ 90. Poucos brasileiros têm condições de comprar esse corte de carne bovina e faz substituições o quanto pode. Portanto, o Exército ostenta algo que não é normal para milhões de brasileiros, muitos passando fome. Agora vem ao conhecimento da sociedade, antes que o presidente imponha sigilo por cem anos, que o mesmo Exército adquiriu comprimidos de Viagra, próteses penianas, gel lubrificante, etc. Fica difícil comentar, imagine justificar essas compras. O presidente, de forma tosca e mentirosa, disse que essa quantidade de viagra seria “para combater hipertensão arterial e doenças reumatológicas”. Nunca em tempo algum ficamos sabendo de tais necessidades por parte da tropa do nosso Exército. Bolsonaro autoriza e ainda ri da cara dos brasileiros quando questionado sobre motivos e valores dessas licitações em tempo de inflação, crise e fome. O pior é saber que, nas unidades de Tiro de Guerra espalhadas pelo País, onde os jovens que são obrigados a se alistarem frequentam por um ano, não é servido almoço nem jantar, e no café da manhã não tem sequer pão com manteiga para alimentá-los. A maioria é de origem pobre e sai de casa, ainda de madrugada, sem nada no estômago. Como uma instituição que adquire picanha, filé mignon, leite condensado, entre outras iguarias, não tem alimentação para os mais jovens? É assim como no Judiciário, em que os recursos ficam no alto escalão, muito longe dos servidores que, em sua maioria, sobrevivem a pão e água.

Rafael Moia Filho

rmoiaf@uol.com.br

Bauru

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VIAGRA PARA OS VETERANOS

Vários leitores, até articulistas, destilam ironia e dão a sua gozadinha (com trocadilho, faz favor) ao tratar de assunto menor, pegando carona na fala de Mourão "O que são 35 mil comprimidos de Viagra para 110 mil velhinhos?". Sabem bem a finalidade da medicação, mas, provocado, aqui vou eu pedindo passagem e espaço igual: caros doutores-jornalistas, é pouco, salvo se a cada velhote for dada apenas uma dose anual. Supondo semanal e fazendo conta na ponta do lápis, atende somente a 673 velhotes assanhados. Vai precisar de mais!

Roberto Maciel

rovisa681@gmail.com

Salvador

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BRASIL E UCRÂNIA

A reportagem do Estadão do último domingo sobre a influência da guerra na Ucrânia sobre o preço dos alimentos no Brasil dá o que pensar (Alta no petróleo e nos alimentos cria onda de instabilidade mundial, 17/4, A12). Cita que produtos como milho, trigo e óleo vegetal estão com preços aumentados devido ao conflito. Não dá para acreditar. A Ucrânia é um país relativamente pequeno. Assim como a Rússia, sofre invernos longos e rigorosos. Sobre a cultura do trigo, vá lá, até pode ser verdade. Mas o que pensar do milho, produto típico das Américas, que aqui dá em qualquer quintal? Com os óleos vegetais ocorre o mesmo – o Brasil deve ser o maior produtor mundial de soja, fonte principal do óleo mais utilizado aqui. Tudo me cheira à especulação, enriquecimento oportunista e coisas piores.

Nestor Rodrigues Pereira Filho

nestor.filho43@gmail.com

São Paulo

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GABRIEL MONTEIRO

Impressionante como o carioca gosta de eleger bandido: Flordelis, Dr. Jairinho e agora esse vereador Gabriel Monteiro (Sexo, mentiras e redes sociais: o caminho para a fama e para a política, 17/4, A10). Será que não tem gente honesta no Rio?

Renato Maia

casaviaterra@hotmail.com

Prados (MG)

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ENXURRADA

Já foi buscar sua medalha no Palácio do Buriti, sede do governo de Brasília? Não precisa ter feito algo relevante pelo bem-estar do brasiliense. Basta chegar lá, entrar na fila e esperar pelo instante mais radiante da sua vida, o de ser honrosamente condecorado pelo governador Ibaneis Rocha. Corra, porque as 121 medalhas da primeira enxurrada já estão acabando. Na próxima edição da farra das medalhas mais banalizadas do universo, Ibaneis garante que não faltarão para ninguém. Ibaneis vai comprar milhares delas. O palanque eleitoreiro do governador vai até outubro. À custa do contribuinte, claro.

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.cm

Brasília

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IPTU EM VILA VELHA

Em time que está ganhando não se mexe. A Prefeitura Municipal de Vila Velha (PMVV) não age assim. O IPTU, que sempre foi emitido e entregue no endereço indicado pelo proprietário, não é mais assim desde 2022. O proprietário agora tem que, via internet, emitir o carnê do IPTU e da taxa de lixo, ou então, presencialmente, solicitar na PMVV. Esqueceu que nem todos dispõem de internet. É mais uma dificuldade para, num período de vacas magras, o contribuinte cumprir a sua onerosa carga tributária.

Humberto Schuwartz Soares

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES) 

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PARA QUE NÃO SE REPITA

A morte do general reformado Newton Cruz merece destaque não como homenagem, mas por representar um dos períodos mais negros da nossa história (Estado, 17/4, A8). O ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) durante o período mais brutal da ditadura foi acusado de envolvimento na morte do jornalista Alexandre von Baumgarten, condenado por conivência no atentado do Riocentro, agarrou literalmente pelo pescoço e deu voz de prisão a outro jornalista em frente às câmeras, entre outros episódios e declarações autocráticas e grotescas que demonstravam claramente seu autoritarismo e desprezo pela democracia e direitos humanos. O general precisa, sim, ser lembrado para que a história não se repita.

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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NEWTON CRUZ

Faleceu o general Newton Cruz, ex-chefe da famigerada Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI), que durante os anos de chumbo do regime de exceção da ditadura militar, de lamentável memória, reprimiu a liberdade de expressão por meio da condenável censura à imprensa, além da abominável e covarde perseguição, tortura e assassinato de centenas de inocentes. As famílias enlutadas dos mortos e desaparecidos desejam que o militar não descanse em paz.

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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‘LOCKDOWN’ EM XANGAI, CARNAVAL NO BRASIL

O Brasil, com mais de cem mortos diários pela pandemia da covid, comemora e encerra as medidas sanitárias (Governo anuncia fim da emergência sanitária, 18/4, A13) , enquanto a China mantém 25 milhões de habitantes de Xangai em lockdown por causa de três mortes. Nações com noções distintas. Tiramos as máscaras e vestimos as fantasias de carnaval em abril.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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TRADIÇÕES BRASILEIRAS

O Brasil tem suas tradições. Os réus da Inconfidência Mineira foram sentenciados por crime de lesa-majestade, ou seja, traição contra o rei. Mas Tiradentes foi o único dos conspiradores a ser punido com a morte por ser o inconfidente de posição social mais baixa. Todos os outros ou eram ricos ou tinham patente militar superior. Deu-se assim início à tradição de que os ricos e poderosos sempre se safam em nosso país e os pobres, invariavelmente, pagam a conta. Na manhã de 21 de abril de 1792, Tiradentes percorreu em procissão as ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro, no trajeto entre a cadeia pública e o local onde fora armado o patíbulo. A leitura da sentença durou 18 horas, acompanhada de grandes fanfarras. Era para ser uma demonstração de força da coroa portuguesa, mas ali os planos de marketing começaram a não dar certo nesta terra onde canta o sabiá. Executado e esquartejado, lavrou-se a certidão de que estava cumprida a sentença com o sangue de Tiradentes, tendo sido declarados infames a sua memória e a de seus descendentes. Nenhum personagem de nossa história, no entanto, teve sua memória mais honrada. Desde então, o Brasil não se esquece daquelas poucas pessoas que realmente deram seu sangue por nosso país.

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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BEZERRA DA SILVA

Apagar as músicas, aliás, cancelar Bezerra da Silva por causa do politicamente correto é de uma imbecilidade tamanha (Malandragem dá um tempo, 18/4, C1). Mas ouvir seu pagode e dele tirar lições do que não fazer ou ser é, sim, um aprendizado.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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