Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2022 | 03h00

Pandemia e carnaval

‘Bloco na rua’

Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda aos países não baixar a guarda em relação ao coronavírus, no Brasil o presidente Bolsonaro e o ministro Marcelo Queiroga, mais uma vez, ignoraram o alerta e decretaram o fim da emergência sanitária no País. Assim, animados com isso e, principalmente, com os baixos índices de internação e de óbitos (pela média nacional), prefeitos e governadores de quase todo o País se empolgaram e resolveram botar o bloco na rua, liberando de vez o “novo normal” e o “novo carnaval”, que começa amanhã. Isso depois de a maioria da população aderir ao fim da obrigatoriedade do uso da máscara e da exigência do passaporte sanitário e, pelo que se desenha, ao pouco-caso com as campanhas de vacinação e outras recomendações da OMS como o uso do álcool em gel, por exemplo. Pelo visto, esses gestores não querem mais seguir tais recomendações e preferem se deixar levar pela tentação do samba, do suor e da cerveja.

João Di Renna

joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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Sem autorização

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse que nem por decreto vai correr atrás dos foliões dos blocos de carnaval, por decreto proibidos de saírem às ruas. Bom lembrar que esse patrulhamento ocorreu em fevereiro, na data oficial da festa. Segundo o alcaide, “os blocos estão pela cidade inteira. Então é Guarda Municipal, é trânsito. É pensar nos transtornos que causa para as pessoas, para minimizar o impacto nas ruas da cidade. É uma celebração muito complexa para organizar direito. (...) O que a gente pede é a compreensão das pessoas”. Prefeito, organizar direito é tirar o sofá da sala, e que se danem os decretos? Aos obedientes e compreensivos foliões dos camarotes será exigido o passaporte vacinal. Já combinou com o folião e os barraqueiros e ambulantes que ficam no viaduto e no entorno do Canal do Mangue prestigiando as agremiações carnavalescas? Daí, após um duplo twist carpado, o mestre-sala comentou: Decretos? Se alguém quiser saber as controversas razões da decisão do prefeito, basta correr atrás do dinheiro. Se foi pra desfazer, por que é que fez?

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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Regime militar

Como esquecer?

Sempre preocupado em se apresentar aos olhos do público como um homem sensato, equilibrado e independente, o comentário feito em tom blasé pelo general Mourão a respeito das revelações da tortura praticada no regime militar o colocam – antes de mais nada – em pé de igualdade com o pensamento desprezível do capitão Bolsonaro. A maneira debochada como o vice-presidente da República abordou o assunto chocou todos nós, quiçá os familiares e amigos de pessoas desaparecidas e torturadas naqueles que ficaram conhecidos como “anos de chumbo”. Uma daquelas tantas vítimas foi o jornalista Vladimir Herzog. Em outubro de 1975, ele era diretor de Jornalismo da TV Cultura, levava uma vida pacata, tinha só 38 anos, esposa e dois filhos pequenos. Foi preso porque as forças repressoras suspeitavam de que ele desenvolvia atividade clandestina. Ficou preso por 7 horas e foi barbaramente assassinado pelo Estado. A versão oficial foi de suicídio. Herzog teria se enforcado amarrando o nó na primeira barra da grade da cela, a 1,63 m do piso. Verdadeira farsa. Àquela altura, foi o 38º “suicida” a morrer nos porões da ditadura. General, como esquecer isso?

Aloísio Lacerda Medeiros

aloisio@almedeiros.com.br

São Paulo

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Verdade e negacionismo

Aos negacionistas da pandemia de covid-19, mais de 660 mil mortos dão prova de sua fatídica ocorrência. Aos negacionistas da ditadura militar no País, a revelação dos áudios de uma década de sessões secretas do Superior Tribunal Militar (STM), com testemunhos vivos de perseguições e tortura, dá prova de sua abominável ocorrência. Ao fim e ao cabo, a verdade sempre prevalece sobre a mentira.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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São Paulo

Cidadão paulistano

Patética a proposta de um vereador de conceder o título de cidadão paulistano ao técnico de futebol do Palmeiras. Por que não conceder tal honraria aos profissionais de saúde que há dois anos se dedicam a minimizar o impacto da covid-19 na cidade? Que qualidade de políticos temos...

Ricardo Hana

ricardopapi@bol.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

QUAL QUADRILHA?

Só rindo para não chorar: o ministro da Justiça pressiona o Congresso para endurecer a lei devido ao ataque da quadrilha no Paraná (Ataque a cidade causa ‘noite de terror’ e ministro defende penas mais duras, 19/4, A15). Ora bolas, será que o governo imagina mesmo que pode controlar esse tipo de criminalidade sem antes controlar a corrupção que nos assola do Oiapoque ao Chuí, ou está apenas fazendo cena? Será que se esquece de que seu chefe, por vergonhosos interesses pessoais, não apoiou Sergio Moro, levando-o a se demitir? Que país é esse em que as pesquisas indicam que o chefe da maior quadrilha de que jamais se ouviu falar está liderando a escolha popular para a Presidência da República? Será que a maioria da população brasileira tem um DNA pró-corrupção, aquela que nasce no lar e que se apresenta, insidiosamente, nas pequenas ações do cotidiano e que também faz com que parte dos fãs da quadrilha que aparelhou o Brasil negue sua origem corrupta e se defenda dizendo que fará “voto útil”? 

Sandra Maria Gonçalves

sandgon46@gmail.com

São Paulo

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ASSALTO EM GUARAPUAVA

Eu só queria entender o que sete blindados de uso das Forças Armadas estavam fazendo nas mãos dos assaltantes no município de Guarapuava (PR). Até agora não ouvi falar nada a respeito: onde arrumaram, de quem pegaram emprestado e se já foram devolvidos aos donos ou foram para a garagem.

Rubens Manoel Paranhos Bello 

rubensmanoelbello@gmail.com 

Jandira

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‘NOVO CANGAÇO’

Esse novo tipo de crime denominado “novo cangaço”, em que marginais fortemente armados invadem pacatas cidades do interior para assaltar agências bancárias ou empresas de valores, como aconteceu agora em Guarapuava, precisa ser urgentemente combatido pelas autoridades policiais para que tal forma de criminalidade não se torne uma atividade costumeira entre nós.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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PÉSSIMO EXEMPLO

Quando o chefe da Nação desafia os Poderes constituídos, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF), “pedindo” ao ministro Alexandre de Moraes para cassar seu mandato e prendê-lo por disparar mentiras sobre as urnas eletrônicas, muitas outras pessoas também se julgam no direito de sequestrar, roubar, invadir comércios, bater em idosos, entre outros crimes. Afinal, se o presidente desrespeita a tudo e a todos, brasileiros de má índole também acham que podem barbarizar o próximo, como se tem visto.

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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A FORÇA DAS EMENDAS PARLAMENTARES

Muito esclarecedora é a matéria Captura do Orçamento por emendas parlamentares é 20 vezes maior no Brasil do que em outros países, de Daniel Weterman (Estado, 19/4, A8). Tal situação nunca foi novidade neste país, onde o sistema presidencialista de coalizão – meio termo entre o presidencialismo e o parlamentarismo – se torna cada vez mais forte, principalmente nessa gestão macabra do "capitão". Bolsonaro se doutorou e pós-doutorou nessa arte pelo tempo que frequentou as cadeiras parlamentares – 7 mandatos –, envergando as camisas tanto de partidos componentes do famigerado Centrão quanto as dos de baixo clero. Portanto, está mais do que escolado sobre o assunto. Como a todo malfeito há de se buscar o maior culpado, eu, particularmente, atribuo culpa de menor grau a tais parlamentares, cabendo a culpa maior ao eleitorado brasileiro que não dá o devido valor ao seu voto, buscando informações mais fidedignas sobre o candidato e seu partido. A  bem da verdade, na grande maioria das vezes, o eleitor não se lembra mais do nome do candidato a parlamentar em quem votou na eleição passada. Isso é muito importante salientar, pois está mais do que comprovado que, no presidencialismo tupiniquim, o ocupante do mandato presidencial não passa de mero serviçal dos caprichos dos maus parlamentares que, infelizmente, formam maioria no Congresso Nacional. Em 2 de outubro deste, nós, cidadãos brasileiros, teremos a oportunidade e obrigação de promover as mudanças necessárias neste cenário utilizando-nos de duas estratégias: a primeira será não votar em candidatos de partidos componentes do abominável Centrão, bem como nos de baixo clero, e a segunda estratégia será pressionar os partidos de centro a se unirem em torno de apenas um candidato – que seja o mais viável – para o enfrentamento à polarização nojenta que insiste em se perpetuar no nosso meio político. O alerta para a escolha do candidato mais viável serve também para a escolha do vice. Até 2 de outubro, então!

Emmanoel Agostinho de Oliveira

eaoliveira2011@gmail.com

Vitória da Conquista (BA)

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PROJETO COMUM

Desculpe o cacoete de pedagogo, mas parece que o eleitor brasileiro tem dificuldade de aprendizagem. O ano de 2018 repetiu 1989, que tinha repetido 1985. Sim, estou misturando eleição nacional com municipal, pois refiro-me à eleição paulistana de 1985. Jânio Quadros (PTB) foi eleito com 37,53% dos votos, Fernando Henrique Cardoso (PMDB) ficou em segundo, com 34,16%, e Eduardo Suplicy (PT) em terceiro, com 19,75%. Façamos uma continha simples de somar: 34,16 mais 19,75 igual a 53,91. Isto mesmo: 37,53% versus 53,91%. Isso lhe diz alguma coisa? Sugere alguma serena reflexão para você, a menos de meio ano da eleição de 2022? Agora, imagina como teria sido para a cidade de São Paulo se PMDB e PT, com suas pequenas diferenças e grandes semelhanças, tivessem dialogado e feito uma aliança programática, com um projeto comum?

João Pedro da Fonseca

fonsecaj@usp.br

São Paulo

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IMPRENSA LIVRE

É uma conquista imaginável termos uma imprensa livre. E é inadmissível assistirmos a um candidato à Presidência da ala da esquerda defender o controle da mídia sem que haja qualquer tipo de contestação da própria imprensa e das suas associações que congregam os mais importantes meios de comunicação do País. Precisamos de uma imprensa livre para informar, denunciar e combater os desmandos públicos, a corrupção e principalmente a impunidade que impera no Brasil. Com certeza essa impunidade está amparada em lei leniente e nos tribunais políticos como Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Tribunal de Contas da União (TCU), compostos através de indicações políticas em vez de juízes de carreira. Nessas cortes, muitas vezes provas de corrupção e má gestão do dinheiro público deixam de ser consideradas ou são ignoradas, e para isso vale tudo e todos os tipos de argumentos com o propósito puro e simples de impor a impunidade. Enquanto esse tipo de postura permanecer, não haverá um país de futuro nem a imprensa livre e fundamental para mudar a sociedade.

Carlos Sulzer

csulzer@terra.com.br

Santos

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MARIZ E BATOCHIO: VISÕES DESEJÁVEIS

Eminentes e ilustres criminalistas e representantes da classe dos advogados. Como homens cultos e afeitos às problemáticas do Estado e das ideologias e comportamentos que são usados no seu comando, ambos emitem seus pensamentos no Espaço Aberto de terça, provocando o interesse dos leitores. Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, em seu artigo (Sem amá-lo não teremos o Brasil dos nossos sonhos, 19/4, A4), faz questão de salientar que não há motivos para que os brasileiros se sintam inferiores a povos de outros países. Os brasileiros são inteligentes e capazes e, como sempre foi desejado e ambicionado, juntam-se na atualidade. Unem-se e se manifestam sobre os problemas do País, demonstrando que o conjunto faz a força e a resistência. De outro lado, José Roberto Batochio, estendendo-se mais sobre institutos e axiomas gregos e romanos, leva-nos a meditar sobre a necessidade da clareza e claridade nas ações estatais deste país, onde ocorrem omissões e sigilos imperdoáveis (O sol e a República, 19/4, A6). Insiste no modo de agir de governantes que sonegam informações e se omitem sobre atos que deveriam, por obrigação, tornar públicos. Em resumo, defende e luta pela ocorrência da transparência como modelo governamental. Assim, temos exemplares indicações comportamentais e eu me sinto bastante satisfeito em poder apreciar as palavras dos colegas e amigos de anos, a quem sempre dediquei respeito e consideração, especialmente pelo fato de termos todos nós sido dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em seus escalões brasileiros diversos.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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BRASIL COM ‘B’ MAIÚSCULO

Cumprimentos ao advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira pelo oportuno artigo de terça-feira, 19. De fato, o País tem quase tudo para ser um dos grandes protagonistas no cenário mundial em diversas áreas, faltando para tanto encontrar quem o dirija de forma proba e correta para alcançar seu lugar de liderança no teatro das nações. Tem área geográfica continental; clima ameno e propício ao longo do ano a uma vida agradável; abundância de recursos naturais de imensa valia acima e abaixo da superfície; população pacífica e ordeira de grande monta; inexistência de fenômenos naturais adversos, como furacões, tempestades, terremotos e estações muito frias; relações amistosas com todos os vizinhos e demais países do planeta, entre outros predicados amplamente positivos e favoráveis. Se todos esses elementos são prova inequívoca de que foi abençoado por Deus e é lindo por natureza, sua classe política é prova inconteste de que foi amaldiçoado pelo diabo. E tudo começa pelo voto. Muda, Brasil, com "B" maiúsculo.

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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TORTURA NA DITADURA DE 64

As 10 mil horas de gravações de sessões do Superior Tribunal Militar (STM) são prova cabal de que na ditadura militar entre 1964 e 1985 houve a barbárie da repressão e torturas até a morte contra civis opositores. Os relatos de sete ministros do citado tribunal, formado também por generais, são de estarrecer! O advogado criminalista e pesquisador Carlos Fico, que teve acesso a esses áudios, presta um grande serviço à Nação. E desbanca a farsa de Jair Bolsonaro e outros extremistas que negam o crime de tortura contra brasileiros que enfrentavam democraticamente o regime (Mourão debocha de investigação sobre tortura: ‘Vai tirar do túmulo?’, 19/4, A11). Uma página verdadeiramente negra na história deste Brasil.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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OLGA BENÁRIO PRESTES

Um fato triste durante a ditadura no Brasil foi a entrega de Olga Benário Prestes, uma opositora ao regime vigente, à Alemanha nazista. Em 1942 ela morreu em um campo de concentração. Nunca deveriam tê-la mandado para as mãos de Hitler. Foi algo lamentável e com a chancela de todos os poderes constituídos.

Reinner Carlos de Oliveira

reinnercarlos@uol.com.br

Araçatuba

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HISTÓRIA

Para o vice-presidente, Hamilton Mourão, o fato de os envolvidos na ditadura militar já estarem mortos faz o assunto não ter mais importância. Será que a história não ensina nada? Parece o advogado Antônio Carlos Marins de Oliveira, que fez a observação dizendo que depois do crime não adianta mais punir, porque não poderá ser revertido. Difícil acreditar em tal justificativa. Para onde caminhamos?

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS

Ao contrário do que pensa o general Mourão, o Brasil não está preocupado em resgatar o lixo do regime militar do passado, mas sim com a possível volta de uma ditadura comandada por um mau militar banido das Forças Armadas e que hoje preside a República. O presidente Bolsonaro não se cansa de anunciar que não irá respeitar o resultado das urnas na próxima eleição. Alguém precisa fazer um desenho explicando para o vice-presidente da República sobre tudo que está acontecendo no país, inclusive e principalmente na Amazônia, que segue sendo destruída em um ritmo alucinante.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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GUERRA NA UCRÂNIA

Muito bom, como sempre, a coluna de João Gabriel de Lima (Os cadáveres e os ‘vladimínions’, 16/4, A12).  Pelo que escreveu o colunista, não há dúvida de que muitas daquelas vítimas de Bucha foram realmente executadas. Tudo certo até aí. O problema é a conclusão desconsiderar a complexidade da situação: foram os russos e ponto. Seria fácil se simples assim fosse. Não é. Como em todos os outros, esse conflito tem especificidades e complexidades próprias. Nesse caso, elas estão muito distantes da nossa realidade e do que se vê na mídia dita ocidental, que nos guia. A própria desculpa esfarrapada criada por Putin, definindo a guerra como uma tal "operação especial para desnazificação da Ucrânia", é uma demonstração da relação estreita entre as duas populações, a partir da visão do povo russo. Ora, para invadir a Geórgia e a Chechênia não foi necessário eufemismo, foi  guerra mesmo. Na Ucrânia jamais poderia ser assim. Quem conhece a história russa e esteve lá, sabe o que sente o russo em relação ao país vizinho. Não há hostilidade, ódio nem ressentimento. Pelo contrário, é outro, o sentimento. A conduta displicente de muitos militares russos no início da invasão demonstra que alguns acreditaram na historinha de Putin por verossimilhança com as próprias crenças e afetividades. Estariam libertando a Ucrânia. Postaram-se como se em casa de irmão estivessem. Não entrariam assim nem mesmo em algumas regiões da própria Rússia. Houve quem não quisesse lutar. Necessário foi trazer mais chechenos e outros povos da federação russa. Entre os ucranianos, contudo, o que se sente é bem diferente e diversificado. Tem história no meio. Neles há um degradê de sentimentos em relação à Rússia, que vão desde os que se acham russos até extremistas visceralmente antirrussos. Pessoas com ressentimentos – alguns justificados, diga-se –, incluindo organizações nazistas ativas desde os anos 1930. Grupos minoritários, é certo, porém ativos e organizados, havendo até evidente complacência e receio de autoridades governamentais. Não obstante o exagero do líder russo, os nazistas existem e estão em toda a Ucrânia, principalmente no seu berçário, Lviv. Gente radicalizada que nutre ódio contra os próprios ucranianos que eventualmente algum dia simpatizou ou apoiou a aproximação com Moscou. Por que grupos assim não poderiam executar os seus próprios cidadãos? O que de fato aconteceu provavelmente nunca saberemos. Essa conta cairá para os russos, tenham sido eles ou não. Não se trata aqui de defender Vladimir, o russo. Tenho dúvidas se haveria para o ucraniano de mesmo nome, homônimos que são do santo príncipe de Kiev. Como leitor, recomendo um artigo do professor Roberto Romano, publicado no Estadão em 10/3/2014: Ucrânia sem maniqueísmos. Faz falta o ilustre professor. É compreensível, contudo, a nossa visão. Vivemos onde vivemos e a conclusão do excelente colunista insere-se nesse contexto. Este jornal, que leio diariamente desde a adolescência, continua me ajudando a pensar sobre essa guerra e outros fatos da política nacional e internacional. Dentro dele, mesmo em edições passadas, encontro pistas e respostas para temas atuais.

José Jairo Martins

josejairomartins7@gmail.com

São Paulo

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SEGUNDA LÍNGUA

É tanto técnico português dando entrevista no futebol brasileiro que já estou quase a falar o português de Portugal, gajo!

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@lwmail.com.br

Niterói (RJ)

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