Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2022 | 03h00

Governo Bolsonaro

Sigilo

O Itamaraty colocou sob sigilo de cinco anos o acesso aos detalhes de documentos da visita do presidente Jair Bolsonaro à Rússia em fevereiro deste ano. Mas, afinal, estamos numa democracia ou não? E onde estão os representantes oficiais das instituições de Estado que garantem os princípios constitucionais democráticos, que não se manifestam com veemência e autoridade sobre os contínuos e repetitivos ataques à nossa democracia por agentes do governo federal?

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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Reforma trabalhista

Saudade do imposto

A federação composta pelo PT, PV e PCdoB coloca como ponto de honra revogar a reforma trabalhista do governo Temer. Na verdade, o objetivo principal é ressuscitar o famigerado Imposto Sindical. Os sindicalistas estão com saudade da farra que faziam com o suado dinheiro do trabalhador. Será que os trabalhadores estão dispostos a contribuir com os sindicatos? Sugiro que algum instituto de pesquisa faça essa sondagem.

José A. Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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Dinheiro fácil

O que Lula e os sindicatos desejam, mesmo, é o retorno do maléfico Imposto Sindical. O resto é conversa para boi dormir. Milhares de sindicatos picaretas perderam o dinheiro fácil que arrancavam dos trabalhadores. Sindicato bom presta bons serviços e atrai inscrições.

Radoico Câmara Guimarães

radoico@gmail.com

São Paulo

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Eleições 2022

Letargia

A seis meses da eleição presidencial, o quadro político continua o mesmo, conforme pesquisas eleitorais: a polarização Lula/Bolsonaro se mantém, Ciro Gomes não consegue deslanchar e a procurada terceira via tornou-se inviável. O que está acontecendo com o nosso eleitorado, que não sai dessa letargia? Acorda, Brasil!

Nivaldo Ribeiro Santos

nivasan1928@gmail.com

São Paulo

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O eterno candidato

Pelo andar da carruagem, Ciro Gomes deve já estar pensando na sua candidatura para 2026.

Robert Haller

São Paulo

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Terrível

As pesquisas eleitorais mostram que, além dos eleitores que já decidiram votar em Lula ou Bolsonaro, há uma quantidade enorme de brasileiros que gostariam de votar em alguém que represente uma alternativa aos dois. Como é possível que essa realidade não tenha sido percebida por outras lideranças, cuja capacidade de negociação pudesse ter definido este caminho? É terrível essa falta de lideranças!

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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Acordos na terceira via

Os diversos pretendentes ao cargo de presidente se reúnem, discutem, dizem ter as soluções para os problemas nacionais, querem evitar a polarização Bolsonaro-Lula, pedem desprendimento por uma causa maior, mas todos se acham preparados e ninguém abre mão da candidatura. As conversas são para o outro desistir.

Paulo Tarso J. Santos

ptjsantos@yahoo.com.br

São Paulo

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Estamos nus

Está faltando um Mario Covas na cena política brasileira, para dizer a que veio e chutar o pau da barraca. Mario Covas não tinha meias-palavras, dizia o que tinha de ser dito, doesse a quem doesse. Sinceramente, não vejo nenhum candidato à Mario Covas na cena política nacional. É muito mimimi e pouco de ação e decisão efetivas. Estamos nus e sem alternativas válidas para o embate entre Bolsonaro e Lula. Que Deus nos ajude.

Luiz Roberto Costa

lrcosta101@gmail.com

São Paulo

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Os áudios do STM

Páscoa ‘light’

Comentando sobre os áudios de sessões de julgamentos no Superior Tribunal Militar (STM) revelando torturas físicas e psicológicas sofridas por presos durante o período da ditadura militar no Brasil, o atual presidente da instituição, o general Luis Carlos Gomes Mattos, disse que o ocorrido “não estragou a Páscoa de ninguém”. Nem dos familiares dos que foram torturados?

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

DANIEL SILVEIRA

Estamos boquiabertos com as consequências da condenação do deputado Daniel Silveira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a oito anos e nove meses de reclusão (Estado, 21/4, A6). Isso porque, depois da confirmação pelo próprio STF de que ninguém é considerado culpado até a inatingível quarta instância de Justiça se pronunciar pela culpa, eis agora o nascimento da quinta instância aparecendo no horizonte dos condenados do andar de cima, pois a Câmara dos Deputados quer que apenas por ela o indigitado deputado possa ser condenado à perda de seu mandato político, mesmo após a condenação do STF nesse sentido.

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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O BRASIL QUE ASPIRAMOS

Durante o julgamento do deputado Daniel Silveira, vale destacar uma fala do ministro Luís Roberto Barroso em que sugere que todo brasileiro deveria chamar sua família – avós, filhos, netos – para assistir aos três vídeos do deputado em julgamento com suas incitações contra as instituições democráticas, o fomento contra o Estado de Direito, a apologia ao AI-5 e a sugestão de ataques físicos ao STF e seus ministros, tudo descrito de uma maneira violenta, com uma linguagem chula, odiosa, completamente em desacordo com o decoro parlamentar. Daí, disse Barroso, se conseguissem, sem sentir vergonha, ver as “lives” em questão até o fim, que refletissem se ali viram o Brasil que aspiram. Para complementar a biografia de Daniel Silveira: quando era policial militar, teve inúmeras repreensões, passou preso 80 dias e acabou sendo excluído da corporação.

Eni Maria Martin de Carvalho

enimartin@uol.com.br

Botucatu

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NUREMBERG TUPINIQUIM

A cabeça do condenado deputado Daniel Silveira teve como guilhotina dispositivo de lei recente, que tem paridade com um instrumento da revogada Lei de Segurança Nacional. Os supostos crimes atribuídos ao perseguido apenado ocorreram longe do alcance e validade das referidas leis, sem apoio em quaisquer outras, é fato. Em razão disso, renomados operadores do bom e isento direito, aquele que deve fomentar e subsidiar a cega Justiça, porque a lei não pode retroagir à data de sua promulgação, tampouco ser arguida posteriormente à sua revogação, por óbvio, entenderam que a condenação do deputado se deu sem haver amparo legal. E aí, STF? A regra é clara ou não é? A história já pode referenciar o dia 20/4/22 como marco do desrespeito ao Estado Democrático de Direito, que demandou a formalização do Tribunal de Nuremberg Tupiniquim, covardemente operando, até então, na clandestinidade.

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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STF

Os ministros do STF sabem que não poderiam condenar o deputado Daniel Silveira baseando-se na Constituição. O caso é apenas aquele que mais se encaixava nos fins que justificam os meios. E, em momento propício, contra os “desmandos autoritários” daquele que defende o deputado, o presidente Bolsonaro, tentar levar-nos à impostura de reconduzir Lula à Presidência da República.

Carlos Leonel Imenes

leonelzucaimenes@gmail.com

Nazaré Paulista

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INJUSTIÇA

O STF condenou o deputado federal Daniel Silveira, do Rio de Janeiro, a oito anos e nove meses de prisão em regime fechado mais multa por ter ameaçado ministros da Corte e atentado contra a democracia em vídeos postados nas redes sociais. O processo contra o deputado foi célere, rápido e certeiro por crime de ameaça, mas, em contrapartida, há processos engavetados há anos na Suprema Corte contra parlamentares por desvio de dinheiro público, corrupção passiva e recebimento de propina. Que justiça é essa?

José Alcides Muller

josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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DE ONDE VIRÁ O FREIO?

O Supremo Tribunal Federal, ex-guardião da Constituição, resolveu desconsiderá-la. A pergunta que não quer calar: o Brasil pode, e deve, continuar assim? 

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@lwmail.com.br

Niterói (RJ)

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DEMOCRACIA

Entre os percalços que estão ocorrendo, a democracia no Brasil está se estruturando cada vez mais.

Ricardo Fioravante Lorenzi

ricardo.lorenzi@gmail.com

São Paulo 

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DOIS PESOS E UMA MEDIDA

A pergunta que não quer calar: será que o presidente Bolsonaro consideraria como uma manifestação democrática algum deputado (ou qualquer cidadão) manifestar publicamente que gostaria de dar uma surra de gato morto em um general do Superior Tribunal Militar (STM), chamando-o de canalha?

Luigi Petti

luigirpetti@gmail.com

São Paulo

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‘MAMÃE RENUNCIEI’

Que o boçal deputado estadual Arthur do Val (União Brasil), conhecido como Mamãe Falei, agora “Mamãe Renunciei" (Ameaçado de cassação, Arthur do Val renuncia ao mandato na Alesp, 21/4, A7), recolha-se à sua insignificância como político e cidadão e volte à Ucrânia para fazer "turismo sexual barato" assim que terminar a guerra. Espera-se que o julgamento do plenário da casa o torne inelegível por oito anos, tempo suficiente para seus mais de 500 mil eleitores esquecerem seu nome e triste figura.

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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ELETROBRAS

A privatização da Eletrobras vem atravessando um caminho muito complicado porque a empresa sempre foi atacada por nomeações políticas de gente despreparada cujo único objetivo era tirar todas as vantagens possíveis, pouco importando os objetivos da empresa. A atualização da legislação que autoriza a privatização colocou vários jabutis, encarecendo o custo da empresa, mas foi aprovada e está pronta. De repente, surge o Tribunal de Contas da União (TCU) interrompendo o andamento desse processo (Estado, 21/4, B1) – e, coisa esquisita, os diretores responsáveis fazem compromissos de viagem e querem empurrar com a barriga essa privatização. Tristemente, vemos que há muita gente que não quer perder essas tetas, pouco importa que isso prejudique o Brasil. Mais uma derrota para o futuro do País e dos brasileiros.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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ENCOLHIMENTO

Quem diria que o todo-poderoso e famoso Paulo Guedes (carta branca) passaria de ministro da Economia para simples "ordenança" do capitão Bolsonaro? Ele precisava disso na sua biografia?

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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FELIPE SALTO

O economista Felipe Salto assumiu a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo nomeado pelo governador Rodrigo Garcia (PSDB), ocupando o posto do ex-ministro Henrique Meirelles, que deixou o cargo para se candidatar nas eleições de outubro (Estado, 20/4, A10). Formado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ele é especialista em Administração Pública, Governo e Finanças. Tomando posse como secretário de Estado, Felipe deu um salto na sua vida político-partidária, merecidamente.

Antonio Brandileone

abrandileone@uol.com.br

São Paulo

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ELEIÇÕES FRANCESAS

Os franceses têm como joia da coroa política a inteligência. Não se dispõem a soterrar o iluminismo. Logo, o candidato intelectualmente mais preparado tende a ser o favorito. No entanto, não deve valer-se dessa glória o pedantismo. A França já demonstrou que ocupa posição cultural de vanguarda ao longo de sua história filosófica, literária, política, etc. Daí a preocupação de Emmanuel Macron, no último debate, de ocultar o massacre cultural que poderia impor Marine Le Pen e seu tosco discurso de extrema direita, próprio dessa corrente em todo o mundo, inclusive no Brasil. A maioria dos eleitores franceses vai às urnas no segundo turno, no próximo domingo, certa da reeleição do presidente que não deu tudo o que poderia dar ao seu país, à União Europeia e ao mundo em seu primeiro mandato.

Amadeu Roberto Garrido de Paula.

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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DIREITO DE VIVER E DIREITO DE MORRER

A reportagem Tabu no Brasil, suicídio assistido provoca debate ético e jurídico (Estado, 21/4, A18) reacende uma grande questão. Vivemos num mundo de mentiras e falsas esperanças, em vários sentidos impostos por crenças religiosas e filosóficas herdadas dos tempos do pensamento mágico do passado, do "wishful thinking" (ideias que gostaríamos que fossem verdadeiras). Usos e costumes transformados em leis só por pura tradição. O direito de nascer, o direito à vida digna, num mundo de paz, Justiça ampla e oportunidade de ser feliz, é um anseio humano. Mas a realidade é muito diferente e a vida bem mais complexa e difícil para a grande maioria da humanidade. Às pessoas que sofrem com doenças incuráveis e os que atingem idade avançada, em péssimas condições de saúde, deveria ser assegurado o direito de morrer com dignidade, de acordo com sua própria vontade, e não padecerem de sofrimentos por tabus impostos por autoridades estatais e leis hipócritas que não respeitam a liberdade individual.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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O JESUS DE AMÉLIE

Professor Leandro Karnal, obrigado por sua presença nas quartas e domingos. Sobre a coluna O Jesus de Amélie (Estado, 17/4, C8), eu já lera no próprio jornal um comentário sobre a autora, que é maravilhada pela leitura dos Evangelhos desde criança, e o livro Sede. A busca de Amélie para conhecer o seu Cristo faz de sua obra uma busca profunda. Sede, como ressaltado em seu texto, “promove a aproximação entre o Salvador e a humanidade em um grau muito intenso”. Porém, a exemplo de tantos artigos, comentários, análises em todas as mídias, principalmente por autoridades das diversas correntes cristãs – não a católica –, Sede trata Jesus apenas como humano. Isso não é possível. É plenamente válida a busca por conhecer e se identificar com a humanidade de Cristo, mas sem ignorar sua natureza divina. Ou acreditamos que Jesus Cristo é perfeito Deus e perfeito homem, ou toda e qualquer menção a apenas uma dessas identidades carece de conteúdo. Aliás, heresias foram combatidas nesse tema. Reforçando este comentário, lê-se no Símbolo Atanasiano que Cristo é um só: “É um não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade; um, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da pessoa”. E na instituição da eucaristia, Cristo dá seu corpo e seu sangue em resgate de muitos. Só Deus pode fazer isso. Mais especificamente, com relação à humanidade de Jesus, refiro-me à essa insistência de relações físicas com Madalena. Cristo realizou milagres com o uso de sua saliva, fazendo cego ver, surdo ouvir e mudo falar. Portanto, sua saliva é sagrada e, por extensão, seu corpo e sangue. Em complemento, sabemos que a essência da condição masculina é transmitida por seu sêmen – filhos que se parecem com pais, por exemplo. É válido concluir que, por sua unidade de pessoa, o sêmen de Cristo é sagrado. Ou seja, caso houvesse essa relação carnal, Madalena seria deusa. Isso para ficarmos apenas no campo material. Acredito ter convidado quem insiste na hipótese de Cristo humano sem considerar sua divindade a mudar de assunto.

Luis Tadeu Ribeiro Dix

tadix@terra.com.br

São Paulo

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