Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2022 | 03h00

Caso Daniel Silveira

Graça concedida

O presidente da República, Jair Bolsonaro, agraciou o deputado federal Daniel Silveira com um indulto, após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por incitar agressões a ministros e atentar contra a democracia ao defender o fechamento da Corte. Em mais um de seus rompantes, Bolsonaro ostentou o poder da caneta de um chefe de Estado, desmerecendo a decisão de dez ministros do STF. Assim como Silveira, Bolsonaro empenha-se em reprovar as determinações da mais alta instância do Poder Judiciário brasileiro, que há mais de um século guarda a Constituição federal. Lamentavelmente, os deslizes praticados por Bolsonaro durante os 40 meses de seu governo deixaram sua imagem de simplório inabalável e memorável.

José Carlos Saraiva da Costa

jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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Rigor

Os ministros do Supremo agiram com rigor e cumpriram a lei, condenando o deputado Daniel Silveira por sucessivas ofensas a magistrados e incitamento à violência. Ninguém está acima das leis. O parlamentar confunde liberdade de expressão com atos irresponsáveis e truculentos contra a democracia. O Brasil não é republiqueta para viver à mercê de destrambelhados que insistem em impor suas leviandades, torpezas, insultos e ameaças, valendo-se equivocadamente da imunidade parlamentar.

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

 Brasília

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Precipício institucional

Ter concedido intempestivamente indulto a Daniel Silveira mostra que democracia Jair Bolsonaro pretende para o Brasil, depois de o deputado ser condenado por 10 votos a 1 pelo Supremo Tribunal Federal. Ainda estranho a alegação de “comoção social” pela condenação, coisa só vista nas redes sociais bolsonaristas. Caminhamos para o precipício institucional?

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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Anarquia

No carnaval da política brasileira, a guerra entre o Executivo e o Judiciário não tem fantasia, disfarce ou samba-enredo. Tem abuso e anarquia. Logo, logo, todos poderão atacar todos, e ninguém será punido.

Elisabeth Migliavacca

Barueri

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Ensaio

Esta manobra de Bolsonaro é um ensaio para o grande momento em que o presidente da República vai, finalmente, anular todo o processo eleitoral. Bolsonaro vai alegar, sem provas, que as urnas eletrônicas foram fraudadas e vai se declarar presidente reeleito. Depois disso, vai acusar o STF e o Tribunal Superior Eleitoral de serem os responsáveis pela fraude nas eleições – sem provas, claro – e vai, enfim, realizar o sonho de fechar essas instituições. Bolsonaro vem anunciando essa manobra há anos, ninguém leva a sério, ninguém faz nada, só que Bolsonaro conta com o apoio da banda podre das Forças Armadas e das polícias. O tal golpe pode, sim, prosperar, e o Brasil levará décadas para se livrar deste lixo todo. Pior do que Bolsonaro, só a inoperância absoluta das instituições brasileiras para acabarem com esta palhaçada.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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Fogo no Brasil

Como eu já imaginava, Bolsonaro não vai aceitar a derrota tranquilamente e porá em crise a democracia, até ser retirado do poder – ou até mesmo depois de ser retirado. A tal graça a Daniel Silveira foi só para fazer graça com seus seguidores mais extremistas e, como já estão dizendo, botar fogo no Brasil. Bolsonaro vai cair atirando. Deus nos ajude.

Ângela Pecsi

pecsierotica@gmail.com

Volta Redonda (RJ)

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A graça concedida por Bolsonaro a um criminoso, reincidente, é uma mensagem clara do que pretende o soberano: sua vontade está acima das leis. Vivam as milícias! Viva a lei dos mais fortes! Viva a rachadinha!

Flavio Rodrigues

rodriguesflavio@uol.com.br

São Paulo

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Cultura

Pixinguinha

23 de abril, Dia Nacional do Choro, pois aniversário do genial Pixinguinha. Homenagem mais que merecida, mas ainda aquém do que o autor de Carinhoso faz por merecer no cenário cultural brasileiro. No Rio de Janeiro deveria haver uma Avenida Pixinguinha. O choro, os chorões e a memória cultural agradeceriam.

Antonio Francisco da Silva

anfrasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O CRIADOR DE CRISES

Mais uma vez Jair Bolsonaro cria enormes crises entre os Poderes. Em atitude totalmente descabida e inoportuna, concedeu indulto em defesa do deputado federal Daniel Silveira (Estado, 22/4, A9) – aquele que se nega a usar tornozeleira eletrônica e, como Bolsonaro, desafia o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus ministros. Na verdade, o negacionista Bolsonaro se une ao anarquista Daniel com o objetivo de desestabilizar o País, desrespeitando os mais basilares pressupostos da democracia. Assim, a tragédia brasileira será pelo seu demérito, em que Bolsonaro entrega de bandeja a Presidência ao ex-presidiário Lula da Silva. Pobre Brasil!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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INDULTO A DANIEL SILVEIRA

Responda rápido: compensa cometer crimes como apologia da violência e ditadura, incitação insistente contra as instituições da República e ameaças aos ministros do STF? A triste resposta é que compensa, sim, se a pessoa for ligada ao capitão, pois ela pode ser perdoada por decreto presidencial, apesar de condenada por dez votos dos ministros do STF. Certamente, Bolsonaro foi o que mais fez para destruir as intuições do Estado e a nossa frágil democracia. Será que nas próximas eleições presidenciais os bolsonaristas vão querer reeleger um presidente “lesa-pátria”? Apavorante!

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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BOLSONARO PERDOA SILVEIRA

Anarquia total. Este país é uma piada!

 

Robert Haller

São Paulo 

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PERDÃO DA PENA

É nítida a manobra de Jair Bolsonaro para ridicularizar o Supremo Tribunal Federal a respeito da condenação do deputado Daniel Silveira que, certamente, estava mancomunado com o presidente para criar essa situação. Isso é muito grave, porque é o início do golpe que o bolsonarismo planeja há muito tempo. As lideranças responsáveis de nosso país precisam estar atentas para reagir a esse ataque.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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IMUNIDADE PARLAMENTAR

Quem é Arthur Lira para rever decisões do STF (Lira recorre ao Supremo para Câmara decidir sobre cassação, 22/4, A10)? Até quando o Brasil vai se conformar em ser refém de um sistema político completamente podre, 100% corrupto e 100% incompetente? A imunidade parlamentar não deveria jamais ser usada para defender crimes comuns. Alguém que ameaça de morte não pode se esconder debaixo da saia da imunidade parlamentar. Qual é o parlamentar que quer se relacionar com um boçal como Daniel Silveira? O Brasil precisa impor a independência entre os Poderes e acabar com as mamatas todas dos políticos. Em que país do mundo Daniel Silveira prosperaria como parlamentar? A legislação brasileira deveria seguir uma linha mediana entre os países civilizados.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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A LÍNGUA OS DERRUBOU

A que ponto chegou a degradação moral no Brasil! Pessoas despreparadas, fanfarronas e falastronas se elegem como nossos representantes. Lá chegando, agem como se não houvesse regra e se acham acima das leis. E, com as redes sociais, a imbecilidade desses sujeitos não tem limite. É o caso dos ignóbeis Daniel Silveira (PTB-RJ) e Arthur do Val (União Brasil-SP). O primeiro foi defenestrado da vida pública e condenado à prisão por decisão do STF – menos de 24 horas depois, Bolsonaro concedeu perdão da pena. O segundo renunciou ao mandato, amarelando com medo da iminente cassação. O que os dois têm em comum, além de serem verborrágicos e bravateiros? Não estão preparados para conviverem em um ambiente democrático. A língua os derrubou. Que sirva de exemplo para muitos pseudopaladinos da moral que ocupam as casas legislativas de todo o Brasil. 

Luiz Thadeu Nunes e Silva

luiz.thadeu@uol.com.br

São Luís

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STJ

“Esse Superior Tribunal de Justiça (STJ) só nos dá trabalho”, dirão os ministros supremos, em razão da decisão da Corte superior ter ratificar a pena de 27 anos e 1 mês aplicada, no âmbito da Lava Jato, a José Dirceu, subguru petista, porque exerceu influência política para manter pessoas na Petrobras recebendo, em troca, valores indevidos sobre os contratos celebrados entre a estatal e a Engevix (Estado, 21/4, A8). Em conexão com a infame e tendenciosa decisão que libertou o amigo Lula, então condenado em três instâncias por crimes bem mais robustos e ofensivos ao erário e à sociedade, o pleno do Supremo Tribunal Federal já deve estar mobilizado para derrubar a impertinente (?) decisão da Corte subalterna. Parafraseando o saudoso Gonzaguinha, com absurda soberba e deslustrada honra, os mal-afamados semideuses supremos, amigos dos condenados cafajestes referidos, gritarão aos magistrados do STJ: "Quem mandava em mim nem nasceu!". Brasil, essa é a tua Justiça?

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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O DIREITO DE IR E VIR

O passeio de moto de Bolsonaro no feriado da Semana Santa, organizado por apoiadores sem nenhum compromisso público que a divulgaram como a “maior da história”, não só foi desmentida pelo Estadão, como se tratou de um grande desrespeito aos paulistas, além de uma grave infração à Lei Eleitoral, visto ser tão somente propaganda antecipada do presidente. Não havia nenhum motivo oficial para o presidente ir até Americana com todo o aparato policial e de segurança próprio do cargo. O governo paulista gastou R$ 1 milhão dos cofres públicos para o reforço da sua segurança. No ato, trabalharam mais de mil policiais militares. A Rodovia dos Bandeirantes ficou interrompida por oito horas em pleno feriado prolongado de Páscoa. De mais significativo em Americana, o presidente foi esbravejar contra o acordo do WhatsApp com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de ameaçar que não será cumprido por ser inadmissível e inaceitável. E não explicou como. Nesse atentado contra a democracia, o fato concreto foi o presidente impedir, por oito horas seguidas, o que a Carta Magna garante aos milhares de paulistas prejudicados por um ilícito presidencial: o seu direito de ir e vir. Deveria ter pena severa para tanto.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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CELSO MING

Parabéns, sr. Celso Ming, pela coluna Produtos primários e industrializados (21/4, B2). Continuas com capacidade ímpar em comunicação para fazer-se entendido por nós.

Cesar Eduardo Jacob

cesared30@gmail.com

São Paulo

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EUGÊNIO BUCCI

O artigo de quinta, Nós, os bobos (21/4, A5), não está entre os dez melhores de Eugênio Bucci, mas é o mais verdadeiro de todos.

Roberto G. Russo

bob.g.russo@gmail.com

São Paulo

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MANUELA D’ÁVILA NA PUC-SP

Assisti a um vídeo de um jornalista que filmou a "comunistérrima" Manuela d'Ávila, que quase foi vice-presidente do Brasil, em um encontro na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) com umas moças tão originais quanto o "whisky Escocês" feito no Paraguai. Só por ele ter perguntado "Por que você não distribui nas comunidades o livro que estava lançando a R$ 50 na PUC?”, ela o expulsa e as " inteligentérrimas" companheiras gritam: "Cuidado, seu fascista, a América Latina vai ser toda feminista". Quase caí de dar risadas. Quem conhece minimamente a América Latina sabe que, ao contrário do Brasil, os demais países, por terem uma história mais socialista, são muito machistas. O Brasil, assim como a América do Norte, são um "oásis" liberal onde existem leis de proteção às mulheres. Pelo amor de Deus, informem essas figuras "sem noção" que elas correm muito mais risco nos governos de extrema esquerda, que as usam como tolas.

Roberto Moreira da Silva 

rrobertomsilva@gmail.com

São Paulo

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CARNAVAL

Nada mais sem graça e inoportuno do que esse carnaval fora de hora, como se todos estivessem felizes e precisassem extravasar. Falta comida na mesa, tem desemprego alto, e a prioridade continua sendo o incentivo às armas. Comemorar a vida? Melhor o silêncio.

Elisabeth Migliavacca

Barueri

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VALEU, ANGELI

Uma tristeza a notícia de que o talentoso cartunista Angeli sofre há sete anos de afasia, razão pela qual tomou a decisão de encerrar a produção de suas imperdíveis tirinhas publicadas diariamente há mais de quatro décadas na Folha de S.Paulo (Estado, 22/4, C5). Uma dura ironia da vida que um artista que se vale da linguagem criativa para exercer seu ofício seja acometido de doença degenerativa incurável que impacta justamente a comunicação verbal e escrita. O criador dos impagáveis Bob Cuspe, o anarquista punk da periferia, Os Skrotinhos sem travas na língua, a dupla hippie Wood & Stock, o machão antiesquerdista Bibelô e Meia Oito e a Rê Bordosa são personagens marcantes e inesquecíveis na história do chargismo brasileiro. Valeu, Angeli!

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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A GUERRA DE PUTIN

Todo mundo sabe que a língua portuguesa é rica em palavras que expressam sentimentos, inclusive até palavras de conotação negativa, para ofender pessoas. E, muitas vezes, a palavra é bem adequada à situação. Mas, para se referir ao presidente Vladimir Putin, percebo que não há nenhuma palavra tão adequada à sua personalidade ou às suas atitudes. O conflito entre a Rússia e a Ucrânia é unilateral. Putin invadiu a Ucrânia e está destruindo o país e a vida dos ucranianos apenas para impor e aumentar o seu domínio político. E todo o resto do mundo sabe disso, mas não quer se intrometer diretamente no conflito, pois a Rússia tem armas nucleares “de sobra” e todos sabem plenamente qual será a reação de Putin se alguém o desafiar. Tudo isso causa extrema indignação, mas parece que até na língua portuguesa faltam palavras para expressarmos uma “ofensa adequada” para um homem “do nível de Putin”. Será que, até nisso, Putin é um homem diferenciado?

Tomomasa Yano

tyanosan@gmail.com

Campinas

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JOE BIDEN

Uma das estratégias da campanha do democrata Joe Biden para ganhar simpatia dos eleitores foi a do amor pelos cachorros. O apelo era "Dog Lovers for Joe" (amantes de cães por Joe). Por essa e outras, Biden chegou ao poder cheio de planos sobre como gastar vários trilhões de dólares em muitas causas, incluindo alívio pandêmico, infraestrutura e mudanças climáticas. Mas, por que, apesar de todos os gastos que foram feitos, os americanos não estão se sentindo numa bonanza? Segundo a Associação Americana de Psicologia, os EUA estão no ponto mais baixo com relação ao estresse de toda a sua história. Quase dois terços dos americanos dizem que o futuro da nação é uma fonte significativa de estresse. Mais de 60% estão pessoalmente estressados com questões de dinheiro, inflação e trabalho. E o crime afeta diretamente a qualidade de vida da maioria da população. Mais de um terço precisa de ajuda psicológica: 45% passam acordados à noite, 36% sentem-se nervosos ou ansiosos, 35% sentem irritabilidade ou raiva e 34% relatam fadiga devido ao estresse. Especialistas americanos recomendaram que crianças acima de oito anos devam ser examinadas quanto à ansiedade e depressão. A recomendação se soma à orientação prévia de que crianças com 12 anos ou mais devem ser examinadas no quesito depressão. Essas recomendações vieram da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF). No final do mês passado, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças divulgaram dados mostrando que mais de 40% dos estudantes do ensino médio se sentiram sem esperança ou persistentemente tristes durante o primeiro semestre de 2021 – números que só aumentaram desde então. Será que as ideias promovidas pelas autoridades educacionais daquele país ressaltando a falta de definição da identidade sexual, o constante conflito racial e a substituição do patriotismo por uma forte crítica aos valores tradicionais podem estar contribuindo para confundir, desmotivar e deprimir os jovens? O índice de suicído em jovens confusos quanto a sua sexualidade pode ser um forte indicador nesse sentido. Há uma piada correndo nos EUA de que todos os que votaram em Biden já estão arrependidos, principalmente os eleitores mortos cujo voto foi tão importante nas últimas eleições. Mas, brincadeiras à parte, voltemos à questão dos cães, que é muito séria. Vou me limitar a observar que as doenças psicológicas acima abordadas são cada vez mais comuns entre os pets americanos, que via de regra as absorvem de seus donos e as aumentam em intensidade. Coitados, eles não fizeram nada para merecer passar por isso.

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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