Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2022 | 03h00

Justiça e corrupção

Anulação de delações

Estupefato, li no Estadão de domingo (A7) que delatores da Operação Lava Jato querem anular os acordos e receber de volta o dinheiro de multas já pagas. Afinal, eles cometeram os crimes? Cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) corrigir esta situação controversa. Quem pariu o filho que o embale. Não cabe aos contribuintes o encargo por esta inusitada situação.

Nelson Augusto Rigobelli

nrigobelli@uol.com.br

São Paulo

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Realismo mágico

Seria bom que o Supremo contratasse Gabriel García Márquez (in memoriam) para equacionar como ficarão, agora, as multas aplicadas e os valores devolvidos no âmbito da Operação Lava Jato.

João Israel Neiva

jneiva@uol.com.br

Cabo Frio (RJ)

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Segurança pública

Câmeras da PM

Quanto à matéria veiculada no sábado, 23/4, tratando da posição dos pré-candidatos ao governo do Estado de São Paulo sobre o uso das câmeras utilizadas pela Polícia Militar, a opinião da maioria no sentido de limitá-la ou descontinuá-la me parece precipitada e de baixíssimo nível de conhecimento sobre as consequências de seu uso. É assustador como ainda hoje, com tanta possibilidade de conhecer bem o funcionamento de políticas públicas antes de uma tomada de decisão, são assumidas posições para agradar a segmentos específicos sem nenhum pudor. Continua-se pensando em políticas imediatistas, facciosas, em detrimento de políticas de Estado. Ainda que eu não deseje assumir uma posição em definitivo, entendo, por tudo o que tenho acompanhado sobre o assunto desde que ele começou a ser implantado, que a possibilidade de registrar as ações policiais é um bem para todos os setores da sociedade, bem como para os próprios policiais. Ademais, a utilização dessas imagens parece estar revestida de protocolos bem pensados e seu eventual emprego em processos judiciais igualmente passa por critérios rigorosos. Espero, sinceramente, que os candidatos venham a oferecer agenda mais elevada para o debate público a respeito do futuro de São Paulo.

Rui Tavares Maluf

rtmaluf@uol.com.br

São Paulo

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Diálogo permanente

É muito difícil, para qualquer policial (militar, civil, guardas municipais e do sistema penitenciário), trabalhar com pessoas em eventuais práticas de crimes. Mas o ganho com o uso das câmeras é concreto. Logo, a medida merece ser apoiada. O resto é politicagem barata em véspera de eleição. O que deveriam propor os candidatos ao governo é um melhor relacionamento com o macrossistema de Segurança Pública, em conversa permanente entre magistratura, Ministério Público, polícias, guardas municipais e sistema penitenciário, num conselho integrado.

Ruyrillo Pedro de Magalhães

ruyrillopedro@gmail.com

Campinas

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IPVA

Pegadinha

Optei por pagar o IPVA de meu veículo parcelado em 5 vezes, com vencimento das duas primeiras parcelas no dia 15 de fevereiro e de março. Em razão do feriado de Páscoa, a data de vencimento da terceira parcela foi antecipada para o dia 14/4. Como havia me programado para pagar no dia 15, me atrasei e perdi o parcelamento. A partir daí, tenho uma única opção, que é pagar como cota única. E, se isso não fosse suficiente, foram cobradas multas e moras desde fevereiro, mesmo eu tendo pago as parcelas de fevereiro e março adequadamente. Não bastasse este imposto surfar na bolha do mercado automotivo, ainda é cruel com o contribuinte. Atenção, demais leitores, para não caírem em mais esta pegadinha, porque não tem solução.

Fábio Soares

fabiosoares77@bol.com.br

São Paulo

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Leandro Karnal

Lucidez

Afetos e açúcares, publicado no domingo (24/4, C12), é mais uma vez uma mostra da lucidez de Leandro Karnal. Como usa as palavras com facilidade e como elas conseguem transmitir a todo e qualquer leitor uma visão simples, mas profunda, de nossa época. Censurar hoje um poema de Chico Buarque escrito há quase 60 anos é quase querer que um retrato tirado naquela época não esteja amarelado e as pessoas, com roupa démodé. Tanto o retrato como a música retratam uma realidade.

Sandra Ramos Filippini Borba

sandrafilippini@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CRUCIAL VITÓRIA DE MACRON

Se a União Europeia (UE) respira aliviada com a maiúscula vitória de Emmanuel Macron para um novo mandato como presidente da França (Estado, 24/4, A11), também a reeleição do mandatário francês é de grande alento à democracia, já que venceu a candidata de extrema direita Marine Le Pen, que jamais demonstrou cumplicidade com o regime democrático. Se vencesse, estaria se alinhando aos radicais e extremistas indesejáveis como Vladimir Putin, Donald Trump, Jair Bolsonaro, Viktor Orbán, etc. Hoje, Macron, com o fim do mandato da chanceler alemã Angela Merkel, se configura como um importante líder da UE.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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‘ALLONS ENFANTS DE LA PATRIE’

Nada como ser desenvolvido. Embora inferior ao turno anterior, a diferença do índice da reeleição de Emmanuel Macron continua equidistante da polarização permanente dos países subdesenvolvidos, condenados a conviver com o atraso e a demagogia, quando não ameaçados pelo autoritarismo negacionista. Parabéns aos enfants do dia de la patrie, que raiou há mais de 200 anos e comemora desde então a glória nacional, ensinando ao mundo como viver em um Estado Democrático de Direito no qual prevalece o apreço ao bem comum e à responsabilidade social acima de tudo. 

Lairton Costa

lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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ELEIÇÕES NA FRANÇA

As eleições na França não terminaram com a realização dos dois turnos. A batalha das legislativas é um verdadeiro terceiro turno. Jean-Luc Mélenchon e Marine Le Pen irão se empenhar contra o presidente reeleito. Tanto pode ocorrer a formação de um governo majoritário (com 289 cadeiras do total de 577 membros da Assembleia Nacional) numa coalizão liderada pelo partido de Emmanuel Macron, como um inédito bloqueio de formação de maioria absoluta por parte dos partidos de esquerda e de direita diante de um país socialmente fraturado em três partes.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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OS BURACOS DO QUEIJO

Macron tem um importante papel de evitar que a extrema direita domine a França. Por outro lado, ele não é conhecido por ser um grande unificador e sua impopularidade junto a dois terços da população não deve ajudá-lo em nada em sua próxima administração, começando pelo próprio parlamento. O que ele irá fazer? Conseguirá maioria atraindo para si apenas os moderados? Ou irá aliar-se à extrema esquerda? E o que dizer da aprovação dos franceses se o custo de vida continuar subindo ou até se acelerando, como as previsões indicam? Há ainda as diversas armadilhas escondidas na política climática que pretende adotar. Grandes investimentos em energia renovável, em novas ideias tais como seus parques eólicos no mar, etc. As mesmas tanto podem dar certo como podem dar muito errado. Além disso, Macron tem uma série de ideias para tudo o que envolve a União Europeia, desde o agronegócio até a defesa da França e da Europa. Em geral, o Brasil não é visto com bons olhos em sua agenda. Muito pelo contrário. Suas ideias econômicas também não são recebidas com entusiasmo nem pelos franceses, nem pelos europeus em geral. Ninguém se entusiasma com o imposto que ele propõe sobre combustíveis em toda a União Europeia, com as normas da UE aplicadas a todos os acordos comerciais, etc. Especial destaque para a questão da imigração cuja solução não é nada fácil e que foi um dos principais motivos para a alta votação de Le Pen. Na defesa, também não é o elemento unificador que o Ocidente precisa. Os EUA que o digam. Mas, justamente no item Ucrânia, sua voz tem sido uma das mais moderadas. Talvez uma das poucas vozes que se manteve moderada apesar de tudo o que está ocorrendo. É importante que haja alguém de peso no cenário internacional que possa servir de moderador. A tarefa de se sentar no Eliseu não é fácil. Hoje em dia não é fácil, mas nunca foi. Como dizia De Gaulle: “Como se pode governar um país que tem 246 espécies de queijo?“.

Jorge A. Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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FRANÇA E BRASIL

Em um sinal inequívoco de que o melhor caminho na política é sempre o do meio, o da moderação e o do equilíbrio, mais uma vez as urnas francesas derrotaram a xenófoba e virulenta extrema direita de Le Pen. Viva a democracia! Vive la France! Que, nas eleições de outubro, as urnas brasileiras sigam o mesmo caminho e votem na terceira via.

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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JUÍZES DRIBLAM CONGRESSO

É muito triste tomar conhecimento de que o nosso Judiciário, o mais caro do mundo, continua legislando em causa própria para aumentar os rendimentos de seus membros, como expõe a reportagem Juízes driblam Congresso, garantem vantagens no CNJ e buscam mais bônus (Estado, 25/4, A6). O pior é que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que foi criado para controle do Judiciário e punir desvios, é agora a fonte do avanço sobre os cofres públicos, num país onde faltam recursos para educação, saúde e outras atividades essenciais. Que vergonha! Quando é que vão parar com esses desmandos, e proceder a reposição dos recursos desviados?

José Elias Laier

joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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JÁ ERA ESPERADO

Delatores da Lava Jato querem anular acordos e receber dinheiro de volta (Estado, 24/4, A7). A reportagem mostra fatos que demoraram a acontecer a despeito de já serem esperados por quem minimamente entende de direito e das consequências da sua aplicação desastrada. É o que ocorreu nas temerárias decisões prolatadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando anulou condenações, no âmbito da Operação Lava Jato, deixando livres, leves e soltas várias figuras do nosso meio político afinadas até o âmago com atos de corrupção investigados por aquela força-tarefa. O que os ministros da Corte Suprema não atentaram foi para o fato de que havia bilhões de reais confiscados de muitos figurões condenados a título de multa ou devolução à Petrobras ou mesmo à União. E, diante das decisões favoráveis à grande parte dos cabeças das quadrilhas envolvidas nos atos de corrupção que deixaram a estatal à beira da falência, a hipótese da devolução de tais recursos aos apenados seria aventada, mais cedo ou mais tarde. Tal situação não deixa de provocar uma dor de cabeça para a ministrada da alta Corte, porém, escorregadios que são, hão de buscar uma saída mágica para o impasse. Deus queira que não!

Emmanoel Agostinho de Oliveira 

eaoliveira2011@gmail.com

Vitória da Conquista (BA)

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VITIMIZAÇÃO

As acusações do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), de que as Forças Armadas estariam atacando e desacreditando o nosso sistema eleitoral se originam em fatos e ações reais e perceptíveis (Estado, 25/4, A10). Mas faltou a Barroso a discrição com que os militares exercem esse papel, para não dar aos atacantes o discurso de vitimização perante a sociedade, processo que já está em plena aplicação, como mostra a declaração do Ministério da Defesa.

Abel Pires​ Rodrigues

ablrod@terra.com.br

Rio de Janeiro

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O BRASIL ESTÁ FARTO

O Brasil está farto de ver as Forças Armadas sendo cúmplices e coniventes de todas as ações criminosas praticadas pelo presidente Bolsonaro. Ofensa grave foi o que o general Pazuello fez na gestão da pandemia, a mando de Bolsonaro. Forças Armadas sempre vigilantes só pode ser piada! Onde está a vigilância na Amazônia? O inimigo está do lado de dentro da fronteira, queimando, desmatando e envenenando os maiores rios do País. Onde está a vigilância no orçamento secreto? Na roubalheira generalizada no Ministério da Educação? O Brasil está farto de assistir ao papel ridículo que as Forças Armadas estão fazendo seguindo as ordens criminosas daqueles que todos sabem que é um mau militar, profundamente corrupto e incompetente contumaz. Tomem tenência.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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OFENSA

O ministro da Defesa vê ofensa grave na fala de Barroso. Caro ministro, ofensa é o que o Exército, que é chamado por Bolsonaro de seu, faz diariamente em ataques à democracia, vide Braga Netto e Mourão recentemente – tudo para ficar bem com o presidente, que ainda sonha com um golpe.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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AUTOCRACIA FUNCIONA?

Inspirador editorial do Estadão, Fiascos autocráticos (24/4, A3), gera uma importante e atual reflexão sobre a guerra das narrativas, notadamente a democrática liberal na experiência brasileira. A inundação de informações irrelevantes, fake news e desinformação torna difícil manter a lucidez, facilitando o surgimento de lendas e mitos, com o sequestro autocrático da realidade das narrativas. No entanto, raciocinar promove clareza, o que é poder e transformação. Há uma natural tendência humana de pensar em forma de narrativas, não em fatos, lógicas, relações e equações. Quanto mais simples as narrativas, melhor a introdução, o uso e o abuso. Assim surgem os salvadores da pátria, populistas, autoritários impolutos, obsessivos, nacionalistas, intolerantes, arrogantes e infalíveis. Somente pelo voto consciente e pela clareza podemos eliminar a incompetência e usos de tais políticos.

 

Luiz A. Bernardi

luizbernardi@uol.com.br

São Paulo

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DUAS ENTREVISTAS IMPORTANTES

No Estadão deste domingo de “carnaval”, pudemos ler duas entrevistas alentadoras sobre as eleições que se aproximam e que obviamente serão acirradas – ante a decisão do chefe do Executivo de insuflar seus apoiadores contra um eventual fracasso eleitoral em uma cópia avacalhada do ex-presidente norte-americano. A de Maurício Moura, especialista em análise eleitoral, afirmando com razão que esta não será uma eleição normal (Estado, 24/4, A8). E a do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, colocando o seu nome à disposição do Podemos para ser candidato à Presidência (Estado, 24/4, A9). O general Santos Cruz, a meu ver, foi um dos raros membros sérios que passaram por este governo, tanto que a sua permanência foi de poucos meses graças à influência de Olavo de Carvalho, filósofo autodidata guru do bolsonarismo. O general defende princípios éticos, a exemplo da maioria dos brasileiros. Tanto que, na entrevista, afirmou que, em uma eventual convergência dos partidos de centro para o lançamento de uma candidatura única, apoiará o nome que for escolhido para quebrar a polarização entre Lula e Bolsonaro. Realmente, não estaremos diante de uma eleição normal, pois, apesar de ter sido apenas um péssimo presidente, Bolsonaro ainda conta com o apoio de grupos radicais, para os quais a democracia não vale nada. O apoio do general Santos Cruz a uma candidatura única da denominada terceira via é mais uma voz a chamar à realidade vários candidatos que acreditam estar à altura da tarefa grandiosa, quando não a possuem, que será de consertar o País após Bolsonaro.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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GRAÇA SURREAL

Simpatizantes do ex-deputado Roberto Jefferson e do caminhoneiro Zé Trovão, ambos alvos de ações no STF, esperam que Jair Bolsonaro lhes conceda a mesma graça outorgada a Daniel Silveira. Nada mais justo. Afinal, se o presidente se colocou acima da Constituição no caso Daniel, é mais do que lógico que outros acusados reivindiquem o mesmo perdão, sobretudo bolsonaristas. Mas o pior não é isso. Caso Lula vença as próximas eleições, ele igualmente poderá conceder a graça a seus amigos, como, por exemplo, José Dirceu, recém-condenado a 27 anos de prisão. Fosse esse um filme de ficção, seria categorizado como surreal. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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BOLSONARO NO CARNAVAL

Jair Bolsonaro, que não veio comemorar o carnaval de São Paulo, foi lembrado pela escola de samba Rosas de Ouro de maneira que representa todo o seu negacionismo. A escola trouxe um Bolsonaro sendo vacinado pela “vachina” do Doria e transformado em jacaré nas

cores verde e amarelo e com direito à faixa presidencial. A “homenagem” foi recebida com desdenho pelo presidente, o que nem poderia ser diferente.

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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BRASIL SURREAL

Mendigo socialite bancado por um 171 em hotel 5 estrelas? Tá na mídia, não é invenção. Será que é só no Brasil? Talvez não, mas ganhamos todos os concursos de surrealismo. Pudera! Temos um candidato a presidente da República condenado em todas as instâncias, entre outras aberrações. Só a Nasa para nos estudar profundamente. O fundo do poço ainda está muito distante.

Iria de Sá Dodde

iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

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