Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2022 | 03h00

Twitter

A compra por Elon Musk

Elon Musk já possuía 9% do Twitter, mas quis mais, e conseguiu. Adquiriu a rede social por US$ 44 bilhões. É muito dinheiro para se tratar somente de contemplação ou distração. Certamente que os participantes da rede vão aguardar como ela será gerida, porque Musk disse desejar que haja ali absoluta liberdade. Eis que liberdade é um conceito amplo, espera-se que não compreenda fake news e outras aventuras criticadas em outras redes. A diretriz momentânea, porém, é aguardar as transformações, mesmo porque a liberdade envolve também os usuários, que podem ou não continuar acessando o Twitter. O tempo dirá.

José C. de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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Revolução

Para haver liberdade de expressão, basta uma grande rede respeitar este princípio. Não dá para censurar uma opinião ou a divulgação de um fato para impor uma narrativa conveniente quando uma das grandes não o faz. A aquisição do Twitter pelo sr. Musk marca o início de uma revolução em todas as redes sociais. Os oligarcas da informação devem estar coçando a cabeça. Os institutos que atestam o que é ou não é verdade, o que é ou não perigoso devem começar a servir à sociedade, e não aos seus interesses. Se o rei estiver nu, o mundo vai saber. É, até agora, o maior evento desta década.

Jorge Alberto Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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Tiro no aeroporto

Rotina de perigo

Alguém pode explicar por que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro pode levar uma arma carregada na bagagem ao entrar no aeroporto para uma viagem de rotina? E, pior, a arma dispara e a desculpa dele é de que o incidente ocorreu quando tirava a munição no balcão da companhia em que embarcava. Os estilhaços feriram uma funcionária num guichê ao lado, sem gravidade. Mas poderia ter sido grave. Este senhor, que é pastor presbiteriano – onde já se viu pastor andar armado? É a subversão dos valores religiosos –, não tem noção do risco em que colocou aquelas pessoas quando resolveu ir fazer check-in armado? Se fosse outro qualquer, teria sido preso no ato. Realmente, o bolsonarismo instaurou uma rotina de perigo constante para nós, cidadãos comuns, neste país. E ainda querem armar mais a população. Temos de dar cabo desta política de violência. E de seu mentor.

Jane Araújo

janeandrade48@gmail.com

Brasília

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Inábil

O sr. Milton Ribeiro já tinha dado provas de incompetência quando ministro, além de insensibilidade. Agora, deixou provado que é inábil para lidar com armas de fogo, mas mesmo assim faz questão de portar uma.

Sérgio Barbosa

sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

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Eleições 2022

O ministro e os militares

O desencontro entre o ministro Luís Roberto Barroso, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, é preocupante e aponta risco à estabilidade. O primeiro afirmou que os militares brasileiros estariam sendo instigados a atuar na promoção do descrédito das eleições. E o general, chefe dos militares, diz que as palavras de Barroso são ofensa grave às Forças Armadas (Estadão, 25/4, A10). Melhor seria que, em vez de declarações públicas (até no exterior), os senhores togados, usando o poder de que dispõem, colocassem concretamente os problemas e determinassem apurações, no caso, até da própria instituição militar. As discussões dos últimos meses sobre urnas eletrônicas – obstinada preocupação de Barroso – são indevidas. Difícil de concluir se o sistema é ou não seguro. O melhor seria realizar inspeções técnicas independentes e que cada agente do meio que pode influir nas decisões cumprisse rigorosamente suas obrigações, sem ceder a pressões tanto de um lado quanto do outro. O Congresso Nacional, direto interessado nas eleições, pois todos os seus integrantes passam pelo processo, precisa ter a coragem de decidir, de preferência, o que seja melhor para o País e para a população. A eleição é um momento cívico. É por ela que o povo manifesta a sua vontade, que, pelos princípios democráticos e legais, é soberana. Não podemos admitir que discussões subalternas, mesmo que por gente de altos postos, tirem o brilho e a representatividade desse evento. Fazê-lo é pôr a Nação em risco.

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br

 São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

REDES SOCIAIS UNIFICADAS

Com a compra do Twitter por Elon Musk, o homem mais rico do mundo, há o temor de que o combate às notícias falsas fiquem menos eficazes (Estado, 26/4, B1). Tal realidade preocupa os defensores da democracia, que temem uma radicalização no sistema de informação, beneficiando os poucos detentores de tais redes virtuais e facilitando um processo global antidemocrático de poder – que a direita agora tende a se aliar.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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LIBERDADE DE EXPRESSÃO

John Perry Barlow, ativista digital e letrista da banda Grateful Dead, publicou em 1996 o artigo intitulado A declaração de independência do espaço virtual, em que define a internet como um mundo à parte, alheio e indiferente do direito tradicional. Barlow é um dos grandes defensores da liberdade em todos os sentidos na internet, é um crítico do sistema legal vigente. Em suma, defende a tese de que há de se ter uma independência do ciberespaço, sem a interferência estatal ou detenção do monopólio da força. E, uma vez que não há fronteiras, a rede mundial de computadores seria um ambiente que está em todos os lugares e em lugar algum ao mesmo tempo. No mesmo ano, David Post e David R. Johnson publicam na Stanford Law Review o artigo intitulado O direito e suas fronteiras, em que afirmavam, em suma, que o direito é essencialmente territorial e que tal característica se oporia ao espaço virtual. Tal corrente sofreu fortes embates, principalmente pelo fato de os libertários terem uma crença na utopia da internet como um mundo virtual no qual o direito seria desnecessário e, principalmente, por definir o ciberespaço como um lugar separado do mundo real. Ontem, 25, Elon Musk, trilionário, dono da Tesla, fundador da SpaceX, dentre outras empresas, anunciou a aquisição do Twitter, tornando-a a primeira big tech privada do mundo. A citada aquisição jogou gasolina na fogueira do debate sobre a liberdade de expressão nas redes sociais, porque Musk a defende de um modo mais amplo. Entretanto, questões sobre nazismo, pedofilia, tráfico de órgãos e terrorismo ainda são sensíveis e acirram também o debate sobre a neutralidade da rede. A ponderação de valores e limites constitucionais da liberdade de expressão são temas que vão ganhar cada dia mais espaço em nosso cotidiano. Esse debate, criado desde o surgimento da internet, está cada vez mais em voga.

Luiz Felipe Vieira de Siqueira

siqueira@privacypoint.com.br

Belo Horizonte

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 TWITTER VIRA PAPAGAIO DE PIRATA

O canarinho azul do Twitter vai virar papagaio desbocado, que pode dizer palavrões e mentir à vontade, no ombro do pirata Elon Musk, seu novo dono.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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FELIZES E PREOCUPADOS

Muitos empregados do Twitter recebem boa parte de sua remuneração em ações da companhia. Eles estão muito felizes com a aquisição por parte do sr. Musk, mas preocupados se valerá ou não a pena continuar trabalhando na empresa. 

Jorge Alberto Nurkin 

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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TWEETER DE ELON MUSK

Que o Twitter de US$ 44 bilhões, sob a nova direção do polêmico "homem mais rico do mundo", Elon Musk, não seja transformado numa arena de vale tudo, confundindo liberdade de expressão com libertinagem de expressão. Os elogios de líderes ligados a pautas conservadoras, no Brasil e nos EUA, são prova de que o passarinho azul pode voar por zonas turbulentas. A ver.

J.S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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NOVO BROTHER

O presidente Jair Bolsonaro elegeu como seu novo "brother" o bilionário que comprou a plataforma Twitter, Elon Musk. O interesse e o alívio de Bolsonaro é que Musk é contra a moderação nas postagens da plataforma e quer que as políticas sejam menos abrangentes, principalmente aquelas relativas à desinformação, como o presidente tanto gosta. Na verdade, Bolsonaro nem consegue dormir direito com tanta emoção em poder aumentar sua carga de disparos de notícias falsas para abalar os alicerces da democracia.

 

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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A ARMA DO PASTOR

A arma do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro disparou acidentalmente no Aeroporto Internacional de Brasília. Vale lembrar que um disparo a bordo de um avião pode causar a despressurização da cabine e até mesmo a queda da aeronave. Milton Ribeiro foi defenestrado do Ministério da Educação depois do escândalo da propina. Quem mexe com propina tem que andar armado, dirão os bolsonaristas mais fanáticos. O pastor demonstrou que quem anda armado não precisa de educação, muito menos de cultura, coisa de gente frouxa.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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AMOSTRAS DE ESTUPIDEZ

O governo Bolsonaro tem sido estúpido desde seu primeiro dia, seja por má-fé, banditismo ou estupidez mesmo. Tivemos esta semana duas amostras de estupidez ministerial. Milton Ribeiro, que nunca foi ministro da Educação, só estava no cargo, chegou no aeroporto com uma arma carregada e conseguiu dispará-la e ferir uma pessoa. Outro, que tem o cargo de ministro da Saúde, mas nunca o exerceu de forma adequada, declarou que a pandemia está terminada sem dar bola aos milhões de chineses que estão em lockdown nem aos alertas da Organização Mundial da Saúde. É só ele e seu chefe que entendem de pandemia.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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PASTOR EX-MINISTRO

Atualizando Tim Maia, aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia, pobre é de direita e pastor anda armado.

Vital Romaneli Penha

vitalromaneli@gmail.com

Jacareí

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‘HABEMUS’ DITADOR

Parece que o presidente Bolsonaro acredita estar vivendo vida de rei medieval, que tudo podia. Afirmou, segundo a imprensa, que dá graça apenas para salvar inocentes. No caso, o deputado Daniel Silveira que, julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), perdeu por 10 a 1 votos os seus direitos políticos e tem que pagar pesada multa e curtir perto de nove anos de cadeia. Mas o presidente da República, de uma só cajadada, acabou com um dos Três Poderes e implantou uma monarquia, ou ditadura, para proteger o troglodita e apaniguado político, fiel cumpridor de suas extravagantes falas, a fim de se manter no poder. Falta muito para reaprendermos a eleger nossos políticos.

Adriles Ulhoa Filho

adriles@uai.com.br

Belo Horizonte

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CONGRESSO

Vendo a discussão no Congresso sobre quem pode ou não cassar um deputado, no caso do Daniel Silveira, me vem à mente a frase do Tim Maia: "Este país não pode dar certo. Aqui, prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita". E eu acrescentaria: e deputado quer decidir se cassa ou não deputado condenado pela Justiça.

Renato Flavio Fantoni

rffantoni@identidadesegura.com.br

Itatiba

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ELEIÇÕES

Preocupado com as eleições de 2022 no próximo 2 de outubro, principalmente com as ameaças e os riscos que as rondam, prestei atenção no noticiário das eleições ocorridas em Portugal e na França. Duas dúvidas me vêm à cabeça: por que o Brasil não mexe no calendário eleitoral e separa as eleições executivas das eleições legislativas? E por que motivos o Brasil ainda não implantou o voto facultativo? Basta ver os resultados das eleições e a quantidade de abstenções, votos nulos e votos brancos para concluir que o voto compulsório é uma mentira, uma ficção.

João Pedro da Fonseca

fonsecaj@usp.br

São Paulo

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DESEMPENHO DE LE PEN

As regiões da França em que Le Pen foi mais votada têm uma semelhança instigante com as áreas de ocupação nazista na 2.ª Guerra Mundial, tirando os grandes centros. A reportagem de Paloma Varón (Estado, 26/4, A11) destaca as áreas rurais e pequenas cidades onde a candidata obteve mais sucesso, mas seria interessante avaliar o quanto o voto na ultradireita foi de descontentamento e o quanto foi de ignorância. Seria uma análise importante para o que vai acontecer em nosso país, se houver eleições em outubro.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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CONSUMIDOR

O site do Procon para registro de reclamações mudou e para pior. Agora, a pessoa precisa criar uma conta no gov.br e isso dificultará e impedirá muitas pessoas de registar reclamações porque o sistema de login e senha do gov.br é muito complicado, exige até biometria do celular do consumidor. O site era excelente no modelo anterior. Incrível como que o governo federal só consegue piorar e dificultar.

Eliel Queiroz Barros

monoblocosantoandre@hotmail.com

Santo André

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ESTÁTUA DE CRISTO

Cidade gaúcha inaugura Cristo maior que o do Rio (Estado, 26/4, primeira página). Melhor do que a inauguração da estátua seria pôr em prática todos os dias o que Ele pregou.

Vera Bertolucci

veravailati@uol.com.br

São Paulo

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