Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2022 | 03h00

Eleições 2022

Eterno atraso

A manchete do Estado de 3/5, Sem candidatura de Tebet, MDB pode aderir a Bolsonaro, nos convence de que estamos condenados ao atraso eterno. Já diziam os gregos que a virtude está no meio. Apostar em Lula ou em Bolsonaro é apostar em extremos que só desunem e não constroem nada. Educação é o único caminho para nos tirar do atraso. Lula dizia que nada se aprende em livros e Bolsonaro só colocou pessoas inadequadas – para dizer o mínimo – no MEC. Assusta-me pessoas inteligentes e cultas apostarem nesses extremos. Por outro lado, o editorial O valor inestimável da imprensa livre (3/5, A3) mostra que a imprensa livre é um dos pilares da democracia. Não à toa, todo e qualquer ditador, entre seus primeiros atos, acaba com a imprensa livre. Curiosamente, os extremos representados por Lula e Bolsonaro têm a imprensa livre como inimiga.

Mário Corrêa da Fonseca Filho

mario@gmocoaching.com.br

São Paulo

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Depois do MDB

Que venha, então, a chapa Tebet-Jereissati.

Maria Lucia R. Jorge

mlucia.rjorge@gmail.com

Piracicaba

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Que tal Te e Te?

Está difícil de compor uma opção para a terceira via? Parece-me que uma chapa Te e Te, Tebet e Temer, para citá-los em ordem alfabética, seria bem aceita.

Carlos H. W. Flechtmann

chwflech@usp.br

Piracicaba

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Herança maldita

Já escolhi meu candidato para a Presidência. Quero transferir A verdadeira herança maldita (3/5, A3) para o próprio Bolsonaro. Lula não merece a conta de R$ 82,3 bilhões a pagar, Bolsonaro sim.

Helio Coelho

helio_coelho@hotmail.com.br

São Paulo

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STF

Contaminado

Sobre o editorial O papel do Supremo na democracia (2/5, A3), em que se conclamam os cidadãos a defenderem a instituição dos ataques de Bolsonaro, parlamentares e lideranças do Congresso, não se pode esquecer que o Supremo vive grave desgaste institucional por responsabilidade de seus próprios ministros, de falarem fora dos autos e participarem de conchavos em Brasília. O papel da 2ª turma e do plenário nos julgamentos da Lava Jato e na suspensão de prisão após condenação em segunda instância, para salvar os maus políticos, foi a gota d’água das pessoas de bem de nosso país que ainda acreditavam numa Justiça séria e responsável com os destinos do País. Mas Brasília falou mais alto, e os cidadãos ficaram órfãos, comprometendo a confiança que ainda existia no Supremo. Agora o mal está feito e a degradação do País continuará com o julgamento de anulação das decisões de Curitiba. Pior, o povo não sabe que o próprio governo Bolsonaro ajudou a enterrar a Lava Jato, ao se aliar ao Centrão e não ter dado apoio a Moro em seu combate à corrupção, como demonstraram as decisões do Congresso. Não há salvação para este Supremo. Ele está todo contaminado. Esperamos, para o bem da democracia, que a eleição de outubro consiga dar um novo rumo ao País. O filósofo Bertrand Russell, em suas Reflexões sobre o meu octogésimo aniversário (in Retratos de Memória e outros ensaios, Companhia Editora Nacional, 1958, pág. 49), dizia que “as instituições modelam o caráter e o caráter transforma as instituições”, ao defender a tese de que as mudanças de sentimentos dos homens e das instituições marcham lado a lado nas grandes transformações sociais, sem dogmatismo ou doutrinas parciais.

Paulo Chiecco Toledo

pct@aasp.org.br

São Paulo

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A guerra de Putin

O papa Francisco e Pio XII

Nenhum ato do Vaticano em tempo de guerra deixa de ter uma carga simbólica. O papa Francisco pretende ir à Rússia conversar com Putin. Estará a Igreja Católica reiterando seu ciclo histórico? Em grande estilo, o arcebispo Eugenio Pacelli partiu de Roma, como representante do papa Benedito XV, em direção à Alemanha, em 18 de maio de 1917, para supostamente negociar um plano de paz. O arcebispo viria a ser o “papa de Hitler”, Pio XII, aos olhos do mundo. Francisco dispensa intermediários. Quer o olho no olho, o corpo a corpo com a víbora do Kremlin. Ou o xadrez internacional está fora de nosso alcance ou é desastroso o risco de Francisco ser mal interpretado. Na divina busca da paz, a mulher de César é o anjo que abençoa.

Amadeu R. Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

MDB OPORTUNISTA DE SEMPRE

Definitivamente o MDB, com ou sem “P” na frente, continua o mesmo: sai governo, entra governo, o partido faz de tudo para permanecer ao lado do… governo. A constatação de que, caso a candidatura da senadora Simone Tebet não emplaque, a maioria dos emedebistas apoiará Bolsonaro, é um acinte (Estado, 3/5, A8). É jogar a toalha antes mesmo de a luta começar e, pior, já garantir um lugar sagrado ao lado de Bolsonaro, caso ele vença as próximas eleições. E, caso Lula seja o vencedor, o partido correrá para ele, sem dúvida. Ou seja, não há nenhuma verdadeira intenção desses delegados em repudiar a polarização e apoiar um nome de centro em prol do futuro do País. A palavra de ordem do MDB é e continuará sendo “oportunismo”. 

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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CALVÁRIO INTERMINÁVEL

A julgar pelas notícias veiculadas nos últimos dias pela imprensa escrita, falada e filmada, a tão propalada "terceira via" já é coisa do passado. Basta ler a manchete de terça-feira, 3, do Estadão, que destaca que sem a candidatura de Tebet, o MDB pode aderir a Bolsonaro, e lembrar as recentes desistências das pré-candidaturas do juiz da Lava Jato e do governador gaúcho que renunciou primeiro ao seu governo para se candidatar e, depois, à própria pré-candidatura para se concluir que não haverá um "tertius" com potencial de competir nas próximas eleições presidenciais. Assim, para os eleitores minoritários minimamente esclarecidos, resta o calvário interminável de presenciar mais uma vez o transtorno bipolar, não psíquico, mas político, que vai viver a imensa maioria dos brasileiros, oscilante entre dois polos politicamente lamentáveis. Um polo de esquerda (fidelista, chavista, evomoralista), em que se apresenta um candidato ignorante, inescrupuloso, sabidamente desonesto e ex-presidiário que já demonstrou do que é capaz (os dois maiores escândalos de corrupção que o País já viveu) nos períodos em que ocupou a Presidência, de 2003 a 2010. O outro polo, de extrema direita, representado por um candidato grosseiro, mal-educado, agressivo, mentiroso e desonesto, que se não for pelos episódios recentes de corrupção no seu governo com emendas secretas na área da Educação, já o seria pelas conhecidas "rachadinhas". Sim, porque seria ingênuo pensar que tendo exercido por mais de 20 anos sucessivos mandatos no Congresso Nacional, ou seja, no "templo das rachadinhas", não tenha se beneficiado sequer de uma "emendinha secretinha" por parte de um assessor seu qualquer. Logo, o calvário político nacional vai continuar e, diferentemente daquele pelo qual passou Jesus e que terminou com a crucificação, o nosso parece não ter fim e sem a menor perspectiva de ressurreição. Pobre país!

José Claudio Marmo Rizzo

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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MANIFESTAÇÕES NA PAULISTA

O Estadão (des)informou que houve baixa concentração de manifestantes na Paulista. É verdade. Mas havia, pelo menos, 200 vezes mais gente do que o comício do Luladrão. Isso não foi dito. Nenhuma surpresa.

Eduardo Vitale

euvitalee@outlook.com

São Paulo

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SUGESTÃO PARA LULA

As eleições ainda estão longe e só daqui a três meses começa a campanha na TV. Mas a respeito das dificuldades de Lula em Santa Catarina e no Centro-Oeste, eu tenho duas sugestões. Em Santa Catarina, parece-me que o interesse por Bolsonaro é semelhante ao que acontece nos Estados Unidos. A população parece estar com medo de perder o status quo. "Somos catarinenses descendentes de alemães”, dizem. Lula deveria ir lá e dizer que vão continuar sendo. E, no Centro-Oeste, além do fato de haver muitos descendentes de sulistas lá, o problema parece ser semelhante. Lula deveria fechar o maior número de acordos com pastores evangélicos da região e dizer: "Estou do lado de vocês, não contra". Ou seja, Lula tem que andar pelo Brasil com a ideia de que não haverá revolução nenhuma, que estará na Presidência para acrescentar, não para tirar nada de ninguém.

Ângela Pecsi

pecsierotica@gmail.com

Belo Horizonte

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LULA EM SUMARÉ

O ex-presidente Lula estará em Sumaré, município de São Paulo, no dia 5 de maio. A visita será na maior ocupação urbana do Brasil, a Vila Soma, que conta com 10 mil habitantes. Lula, em 2016, visitou duas vezes o local. E neste retorno já está de olho nas próximas eleições, já que a vila é 100% de simpatizantes/devotos de Lula, pois ele sempre foi a favor de invasões. E um dos líderes da Vila Soma foi eleito e reeleito vereador da cidade com maior votação, como também para presidente da Câmara de Vereadores. Enfim, como digo sempre, não existem partidos bons ou alguém perfeito para governar, mas que Lula é o pior para o Brasil, eu não tenho dúvidas. Quem defende comunistas, ditadores e ladrões de celulares não merece meu voto, respeito e muito menos “governar” uma nação.

Alex Tanner

alextanner.sss@hotmail.com

Nova Odessa

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INDIGNAÇÃO

Alguém com o currículo de Daniel Silveira chegar aonde chegou mostra nosso Brasil atual. Há um enorme deboche sobre nossos valores. Sentimento de indignação é pouco.

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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DEFESA DA IMPRENSA

O editorial O valor inestimável da imprensa livre (3/5, A3) defende o último bastião em defesa da democracia. Último porque, se ele cair, tudo de civilizatório já terá ruído. No entanto, é importante ressaltar que imprensa livre não significa imprensa isenta, pois deve denunciar todos os desmandos ocorridos, especialmente os que atentam contra a própria liberdade de expressão e contra a democracia. O profissionalismo jornalístico tem avançado, mas precisa dar-se um tempo para avaliar e explicar diferenças entre sistemas de controle e de regulação e censura.

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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IMPRENSA LIVRE

Fiquei na dúvida quanto a assinar o Estado ou a Folha. Decidi assinar os dois, pois precisamos apoiar a imprensa livre para defender nossos direitos.

Helio Coelho

helio_coelho@hotmail.com.br

São Paulo

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IMPRENSA LIVRE E NECESSÁRIA

Que se façam críticas à imprensa, é um direito. Mas que se reconheçam seus méritos e necessidades. Se não fosse a forma como atua, como fariam os governos de esquerda e de direita? Como considerariam o povo e suas necessidades? Quanta coisa seria escondida e quase nenhuma demonstrada? Na atualidade, a imprensa não mais é o quarto poder, mas um poder paralelo e até mais importante que os demais existentes na democracia, porque é ela que coloca o Estado e sua condução nos limites exatos dos interesses das nações e de seus habitantes.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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PAPEL DO SUPREMO

Sobre o editorial de segunda-feira (O papel do Supremo na democracia, 2/5, A3), correto a princípio, a pergunta que se impõe é se o Supremo Tribunal Federal (STF) estaria interpretando adequadamente nossa Constituição. A comparação feita com o "árbitro" é pertinente, e todos sabemos que árbitros às vezes erram e se tiverem moral questionável podem "roubar" nas decisões. O fato é que diversas decisões recentes do Supremo têm se mostrado esdrúxulas para grande parte da população. A explicação da fundamentação dos votos geralmente tem dezenas de páginas, cuja leitura pode levar horas, de forma ininteligível para o leigo. Sei que os ministros do Supremo têm, e deveriam ter, a palavra final. Mas não estão se portando da forma como deveriam, explicando à população suas decisões, baseando-as na Constituição. Infelizmente suspeito que se julguem superiores aos simples mortais que acompanham e têm que "engolir" suas decisões.

Luiz Alberto Benvenuti

anpluiz@incor.usp.br

São Paulo

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E O IMPEACHMENT?

Nada do que estamos passando no momento teria acontecido, com o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tendo até que ir conversar com o Supremo Tribunal Federal para acalmar a situação, se o sr. Arthur Lira (Progressista -AL) tivesse feito sua obrigação e colocado um dos cento e tantos pedidos de impeachment contra o atual presidente na pauta. Não teríamos chegado a estas desmoralizações da nossa Constituição!

              

Tania Tavares   

taniatma@hotmail.com  

São Paulo

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A ESCOLINHA

Assisto sempre que posso às reapresentações da Escolinha do Professor Raimundo, quadro de humor criado pelo saudoso Chico Anysio que focalizava o Brasil da década de 90. Em cenário que representava uma sala de aula, o professor Raimundo (Chico) questionava cada aluno (atores e humoristas quase todos já falecidos), que devolvia respostas características da época. Numa das mais recentes reprises, um deles, entusiasta da ginástica (Paulo Cintura), fazia campanha para que os Jogos Olímpicos do ano 2000 fossem sediados em Brasília, desejo bastante acalentado naquele momento pela sociedade. O professor aplaudiu a iniciativa mas alertou profeticamente sobre a capacidade financeira do Brasil para tal, pois as Olímpiadas constituíam evento muito dispendioso. A cidade então selecionada foi Sydney e o Rio de Janeiro, escolhido somente em 2016. À época, como país do terceiro mundo, o Brasil enfrentou dificuldades para bancar o acontecimento, mas, assim mesmo, conseguiu fazer um espetáculo apreciado. O mais lamentável, porém, foram os rastros de robusta corrupção deixados pelos preparativos que resultaram até na prisão de políticos e empresários. Talvez em função de tais irregularidades, evaporou-se também o tão prometido legado que os jogos deixaram para a cidade da qual fazia parte, entre outros benefícios, um "upgrading" no sistema de transporte público. Hoje, o Rio possui uma das mais indignas redes de mobilidade do País, é uma cidade abandonada e entregue à própria sorte, sem um mínimo de segurança para a população. Triste história.

Paulo Roberto Gotaç

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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MOEDA ÚNICA NA AMÉRICA LATINA

Na desigual América Latina, com arcabouços econômicos bastante distintos entre si, como o Brasil, com inflação anual de 11,3%, e a Argentina, com 55,1%, parece, por ora, totalmente descabida e fora de propósito a criação de uma moeda única, à la o euro da União Europeia, conforme proposta defendida por Lula e por Paulo Guedes (Estado, 3/5, B4). Como todo o continente se expressa em espanhol, menos o Brasil, cabe perguntar em qual idioma seria o nome da moeda.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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ABORTO NOS ESTADOS UNIDOS

Não há legislação federal sobre o tema do aborto nos Estados Unidos. Além disso, a Constituição não é pró-vida nem pró-escolha. Portanto, a Suprema Corte deve respeitar a autonomia federativa de cada um dos 50 Estados em estabelecer sua legislação estadual sobre o assunto, como já ocorre com a pena de morte desde sua reintrodução em 1976. A consequência será que Estados com maioria liberal, laica, progressista e democrata tenderão a liberar o aborto e manter a proibição da pena de morte. Enquanto isso, Estados com maioria conservadora, religiosa e republicana irão claramente proibir o aborto e manter a pena capital. Será a maior divisão no país desde a Guerra de Secessão (1861-1865), que opôs Estados abolicionistas versus Estados escravocratas, com graves consequências para as próximas eleições presidenciais em 2024.

Luiz Roberto da Costa Jr.

lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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PANDEMIA DE DOIS SÉCULOS

Brasil e outros países voltam a ter aumento de casos e mortes por covid-19 com cepas diversas, o que exige das autoridades sanitárias globais ampliação da cobertura vacinal. Enquanto dita pandemia não ficar totalmente eliminada, temos que ficar individualmente cuidadosos nas medidas preventivas de higiene pessoal e uso de máscaras em locais de aglomeração se quisermos ficar protegidos face a essa infecção viral que nos atingiu neste início de século 21, a semelhança com o ocorrido também no início do século passado. 

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

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