Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2022 | 03h00

São Paulo

Mais barulho

A respeito da reportagem Projeto prevê limite de barulho maior perto de estádios; vizinhos são contra (Estado, 6/5, A16), entendo necessário fazer as seguintes observações: 1) a existência de Zonas de Ocupação Especiais (ZOEs) não significa que nesses locais não existam residências e que seus habitantes mereçam menos atenção do poder público do que os que se encontram em qualquer outra zona do Município; 2) há muito conhecimento científico acumulado demonstrando os males para a saúde humana de ruídos contínuos acima de 50/55 decibéis; 3) a Prefeitura paulistana tem sido incapaz de gerir o cotidiano da cidade de sorte a assegurar harmonia neste quesito, e também em outros de sua competência, como as demandas dos cidadãos diante de várias ocorrências por poluição sonora em diferentes áreas da cidade; 4) e o que não dizer de elevar limites nas áreas do entorno de estádios onde são realizados shows para 85 decibéis? O referido projeto de lei é proposta totalmente irresponsável dos vereadores que a defendem. E não será colocando janelas antirruído para minimizar seus efeitos que São Paulo terá política pública num assunto como poluição sonora, que exige atitude diametralmente oposta dos poderes públicos paulistanos. Que São Paulo tenha em tempo um bom código sobre poluição sonora.

Rui Tavares Maluf

rtmaluf@uol.com.br

São Paulo

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Suplício

O projeto que prevê aumentar o limite do barulho próximo a estádios e casas de show é um absurdo. Shows têm substituído a qualidade musical por mais decibéis, e, como se já não bastasse isso, o uso abusivo de subwoofers torna o suplício ainda maior. O som provocado por esses instrumentos de tortura ultrapassa o isolamento acústico de qualquer janela antirruído, porque se propaga pela estrutura dos imóveis. Os vereadores, se realmente preocupados com a saúde e o bem-estar da população, deveriam propor limites mais rigorosos, e não mais flexíveis, além de limitar rigorosamente o uso de subwoofers. Aos artistas, o desafio de atingir a alma das pessoas, e não o físico.

Mário Corrêa da Fonseca Filho

mario@gmocoaching.com.br

São Paulo

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Interesse público

Alguns vereadores se preocupam com mudar o nome de ruas para homenagear amigos dos amigos; outros, com nomear novos cidadãos paulistanos; outros, ainda, com destinar dinheiro público para inúteis eventos políticos. Agora, temos o mais inusitado: autorizar, por meio de lei, o aumento ao máximo permitido de decibéis no entorno de estádios e casas de shows. A quem interessa isso? E qual o interesse em aprovar uma proposta esdrúxula deste nível? Um desrespeito ao merecido sossego noturno de seus munícipes. Pergunto: para que serve um vereador? Com a palavra, a Câmara Municipal de São Paulo.

Arcangelo Sforcin Filho

despachante2121@gmail.com

São Paulo

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1º de Maio em SP

Visão do futuro

Se antes do início da autorização para realização das campanhas eleitorais para o pleito do próximo mês de outubro, para presidente da República, o PT já está gastando por conta – como num show em São Paulo com a participação de artistas (Daniela Mercury recebeu R$ 160 mil) e a presença especial do  ex-presidente Lula da Silva como convidado –, pergunto: como serão os futuros gastos, se ele ainda nem é candidato hoje? E, se ele for eleito, parece que a farra do PT já começou. Vamos conferir.

Mercedes P. Cuencas Dias

mercedesadv@hotmail.com

São Paulo

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Showmício ilegal

Soube que Daniela Mercury recebeu cachê de R$ 100 mil pagos pela Prefeitura de São Paulo para participar de um showmício em favor de pré-candidato às eleições deste ano. Foi nisso que se transformou o evento de 1º de Maio, Dia do Trabalhador, em frente ao Estádio do Pacaembu. A artista perdeu, assim, a moral para criticar Jair Bolsonaro quando este ataca a Lei Rouanet. Com a palavra, o prefeito Ricardo Nunes, o Tribunal de Contas do Município e o Ministério Público.

José Roberto dos Santos Vieira

jrdsvieira@gmail.com

São Paulo

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Show de Daniela Mercury

É preciso acabar com esta promiscuidade brasileira chamada emenda parlamentar. Vereadores, deputados e senadores estão jogando no lixo dinheiro dos impostos que pagamos e que poderia ter melhor utilização.

Renato Maia

casaviaterra@hotmail.com

Prados (MG)

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

É impressionante como a imprensa sabe criticar prontamente o ex-presidente Lula, mas se omite de questionar o ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo seu desempenho mais do que desastroso, criminoso, na condução da sua pasta. Nunca vi uma reportagem sequer sobre a privatização da BR Distribuidora, realizada de forma sorrateira neste governo. O preço dos combustíveis em níveis insuportáveis para grande maioria da população, enquanto a Petrobras aumenta seu lucro em 3.700% para beneficiar 0,0001% dos brasileiros que têm ações da empresa e meia dúzia de lobos de Wall Street, que hoje são quem realmente manda na empresa, sugando o povo como vampiros e fazendo com que esse custo seja repassado a toda a cadeia produtiva e gerando esta inflação desenfreada, com o beneplácito do “posto Ipiranga”. É de embrulhar o estômago ver vários analistas fazerem da paridade de preço internacional o décimo primeiro mandamento. Só pode ser ato planejado para queimar a reputação da Petrobras com os brasileiros, operado por quem quer entregá-la de bandeja para os gringos. Adivinhe quem ganha com isso e quem é que vai pagar a conta?

Sandro Ferreira

sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)

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CUSTOS DA ENERGIA

Ao se avaliar tudo o que foi listado no Estadão sobre absurdos cometidos no tratamento da questão de energia no Brasil, chega-se à conclusão de que estamos sendo geridos por irresponsáveis, em todos os níveis, que têm por objetivo maior somente extorquir o nosso dinheiro. É revoltante!

Carlos Ayrton Biasetto

carlos.biasetto@gmail.com

São Paulo

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CAÇANDO POMBOS

Quando a gente pensa que já viu de tudo… Na manhã da última sexta-feira, 6/5, ao passar a pé pela Praça da República, deparei-me com uma cena surreal de virar o estômago. Duas moças caçando pombos com uns grãos de milho atirados ao chão como isca, ao lado de uma armadilha de cordinha que prende os pés das aves. Segundo informação de um vendedor há muitos anos no local, elas fazem o mesmo todos os dias, praticamente ao lado de um posto móvel da Polícia Militar, com a finalidade de se alimentarem. Acreditem se quiserem. A que ponto chegamos!

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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O CABO ELEITORAL DE BOLSONARO

Desde 2018, entendo que Bolsonaro teve uma contribuição decisiva e insólita na sua eleição por parte do ex-presidente Lula. Naquela oportunidade, Lula foi ao Nordeste exclusivamente para desconstruir a candidatura de Ciro Gomes, a meu ver, o único candidato que derrotaria Bolsonaro no segundo turno. Depois, no segundo turno, adotou uma postura espantosamente errática ao convocar Haddad para ir até Curitiba inúmeras vezes encontrá-lo na cadeia da Polícia Federal. Para culminar com a errática estratégia, a campanha do PT lançou a propaganda de que “Haddad é Lula” de tal maneira bisonha que fizeram o então candidato petista posar com uma máscara como se fosse Lula. Em minha opinião, transformou uma pessoa séria em seu poste. Deu no que deu, para azar de todos nós. Agora, o ex-presidente, como candidato, mais uma vez pisa na bola. Primeiro, igualou o presidente da Ucrânia ao russo Putin, enquanto o Exército russo massacra o povo ucraniano, bombardeando até maternidade. E cumpre lembrar que a Ucrânia não fez absolutamente nada para receber tanta ira. Bolsonaro chegou a ir à Rússia prestar solidariedade a Putin e isso seria o seu telhado de vidro na campanha. Lula se igualou a ele. Apesar dos passeios de moto de Bolsonaro, que vêm irritando a população, inclusive utilizando recursos públicos, Lula agora inventou o espetáculo de Daniela Mercury patrocinado com verba pública para fazer sua campanha. Nunca fui político profissional, mas eu jamais faria tanta bobagem como ele vem fazendo. Parece até de propósito. E a terceira via afunda na mediocridade.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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2012 EM 2022

O cenário cada vez mais assustador de ter apenas Lula contra Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022 nos remete ao filme 2012, de Roland Emmerich, cuja catástrofe iminente se faz presente em cada lado para o qual olhamos. Sabemos que um quarto do eleitorado é petista e outro um quarto é bolsonarista. Mas ainda restam dois quartos. E é impossível que esta gente não acorde em tempo de salvar o Brasil desta trombada mortal que é Lula com Bolsonaro.

Sérgio Eckermann Passos

sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

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AS ‘GAFES’ DE LULA

Os golpistas neoliberais sem coragem de assumir a destruição que sua criatura, Bolsonaro, provoca no País, apelam criticando Lula por falsas “gafes”. O objetivo é intimidar Lula e reduzir a diferença entre Bolsonaro para impor receitas políticas, econômicas e sociais. Quando Lula critica “teto” de gastos, retirada de direitos trabalhistas, aposentadorias, desmonte do Estado social, polícia aliada à milícia e a Bolsonaro, Otan cercando a Rússia para instalar mísseis na Ucrânia a cinco minutos do alvo, com apoio e vibração de Zelenski, a mídia unipolar ataca, diz que ele comete “gafes”, erros, imprudências. O Brasil de 2022 não é 2002, mudou a realidade, mudou Lula, mudou a geopolítica. Lula sabe que não pode se intimidar. Agora é “fora, Bolsonaro” e “volta, Lula”, com Congresso renovado e progressista.

Antonio Negrão de Sá

negraosa1@uol.com.br

Rio de Janeiro

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SIMONE TEBET ATRAI ELEITORES

Simone Tebet é um nome sempre lembrado como boa candidata à Presidência. Com um vice que aglutine mais eleitores, pode ser a chance que a terceira via precisa para deslanchar e, quem sabe, chegar ao segundo turno das eleições. O que estão esperando para lançar essa chapa? É a única saída para não acabarmos no fundo do poço que já se vislumbra se a coisa continuar do jeito que está.

Jane Araújo 

janeandrade48@gmail.com

Brasília

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TERCEIRA VIA

No atual momento do tabuleiro político, Ciro é a peça estratégica. Bastaria que ele se movesse para a retaguarda, desistisse do protagonismo, e apoiasse outro nome. Já pensaram Tebet como candidata, Doria vice e Ciro apoiando por fora, pelo bem do Brasil?  Neste mundo absolutamente maluco, por que não?

 

Francisco Eduardo Britto

britto@znnalinha.com.br

São Paulo

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CAVANDO A PRÓPRIA SEPULTURA

O Centrão está cavando sua própria sepultura ao apoiar o golpe de Estado que Bolsonaro dará nas eleições, depois de assumir o poder. Sem as amolações institucionais, Bolsonaro irá fechar tudo, inclusive o Congresso. Quem detém o poder absoluto não precisa pagar propina para ninguém, não haverá mais emendas parlamentares nem orçamento secreto pelo simples fato de que não haverá mais Parlamento. Com o apoio das Forças Armadas e das polícias e sem as instituições, o Centrão terá que viver do dinheiro roubado e enterrado no quintal das casas.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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MINISTÉRIO DA DEFESA E TSE

Foi noticiado que Bolsonaro e as Forças Armadas voltaram a “investir” contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A notícia é distorcida porque, em primeiro lugar, há que se questionar por que o TSE tem tanto medo de transparência. Aliás, está na Constituição Federal, artigo 37, o princípio da transparência, ou seja, da publicidade. Estamos lidando com a coisa pública. Parece-me que não se consegue entender o que está ali disposto. Alguém precisa informar a suas excelências de plantão no TSE que o processo eleitoral numa democracia tem que ser o mais transparente possível. Nada deve ficar sob sigilo. Devemos nos lembrar que, quando o voto era em papel, os mesários eram vigiados 24 horas por dia pelos fiscais de partidos. Isso é transparência. Alguém precisa informar a suas excelências que esse princípio é um dos primordiais e dá cumprimento a um dos braços do que se conhece como accountability, praticado nas grandes democracias. Aliás, foi uma de suas excelências quem convidou as Forças Armadas para participarem do processo eleitoral para, justamente, dar transparência. Muito interessante o acrônimo que surge do artigo 37 da Constituição, Limpe. Ou seja: legalidade (precisa cumprir a lei, aí compreendida a Constituição); impessoalidade (não se pode perseguir ninguém); moralidade (dispensaria comentários); publicidade (eis a transparência com outro nome); e eficiência (a fiscalização do processo gerará eficiência). E viva a democracia!

Ary Braga Pacheco Filho

ary.pacheco.filho@gmail.com

Brasília

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CORRUPÇÃO À VISTA

No século passado eu ouvia meu saudoso avô dizer que se o Brasil não acabasse com as formigas saúvas, as formigas saúvas acabariam com o Brasil. Acredito que, hoje, se meu avô estivesse vivo, ele diria: se o Brasil não acabar com a corrupção, a corrupção acabará com o Brasil.

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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A CRÍTICA DESTRUTIVA

O direito à crítica construtiva pode ser um epifenômeno enviesado do direito de expressão. Assim a democracia descamba para a anarquia, risco inerente à liberdade que os gregos destacaram. As instituições jurídicas, quando não estudadas, são comentadas como moléstias sob o curandeirismo. Boa parte do povo, absolutamente jejuna de conhecimentos jurídicos, critica o Supremo Tribunal Federal (STF) no embalo da leviandade que em nada contribui para a Nação, como mencionou o editorial É preciso preservar a autoridade do STF (Estado, 6/5, A3). É triste ter de advertir nosso povo quando este envereda por veredas de espinhos.

Amadeu Roberto Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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É PRECISO PRESERVAR

O editorial É preciso preservar a autoridade do STF esclarece bem o atual momento do Supremo. Afinal, a sensação de que ele não anda lendo direito a Constituição é notória. É sabido que a autoridade dessa instituição fundamenta-se na sabedoria de seus membros, e isso tem a ver com a formação deles. Especialização em escolas de renome internacional é o mínimo que se espera como credencial para o exercício dessa função, e não só a intimidade com autoridades políticas. O que se espera é que eles pensem bem nisso.

 

José Elias Laier

joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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A POPULARIDADE DO STF

Em todos os países democráticos, os membros magistrados da Suprema Corte portam-se com a maior discrição possível, evitando declarações e entrevistas para a imprensa. A reserva e a parcimônia comportamental fazem parte de sua conduta diuturna. Por isso, não se vê que a Corte seja objeto de apreciações, conceituações e outros substantivos similares. Aqui, entretanto, especialmente nos últimos 20 anos, alguns ministros passaram a entender que a sua presença na mídia é importante para o tribunal, arcando, assim, com o resultado perante a população: debates e apreciações sobre os decisórios e manifestações. Porém, quando a Corte se politiza e judicializa questões políticas, fica sujeita a críticas e considerações que poderiam ser evitadas. O STF somente retornará à sua clássica posição de recato e de respeito cabível e exigido quando seus ministros adotarem comportamento diverso do que hoje estamos a ver. E qual o lema? Falar nos autos e não popularizar despachos e falas de julgamentos. A mídia não é boa companheira do recato.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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FALTA DE DISCRIÇÃO

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, com “cara de paisagem”, disse que não sabia que não poderia falar sobre o bloqueio de R$ 405 mil do condenado Daniel Silveira. Com toda a “propaganda”, o ministro conseguiu bloquear singelos R$ 560, resultando num “tiro no pé”. Na verdade, está claro que Moraes não pretendia impor esse ônus ao deputado – ou seria pura ingenuidade? Afinal, o condenado foi mais rápido e esvaziou suas contas bancárias. Essa é a ridícula falta de discrição. Fica a dica!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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