Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2022 | 03h00

Inflação

A volta do gatilho?


Para quem não se lembra, na época da hiperinflação no Brasil do governo José Sarney (71,9%, 71,7% e 81,3% em janeiro, fevereiro e março de 1990), usava-se o conceito de “gatilho”, pelo qual se aumentavam os preços, taxas, juros e, em menor proporção, os salários automaticamente junto com a inflação. Agora, o capitão reduziu o gatilho que autoriza o reajuste automático da tabela do frete, quando o preço do óleo diesel sobe mais que 5% (antes eram 10%). Com o modelo brasileiro de transporte rodoviário, tudo vai aumentar com o reajuste do custo do frete. Com essa solução fácil e nefasta, o governo fica de bem com os caminheiros, e danem-se a economia e o resto da população. O que os exaltados seguidores do capitão acham disso?


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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Orçamento público

Democracia capenga


O editorial Uma democracia capenga (17/5, A3) salienta que parlamentares em conluio com o Executivo capturam os recursos do Orçamento, o que resulta da prática de um modelo de democracia deficiente estruturado a partir da Constituição de 1988. Só uma reforma política, que corrija falhas da legislação partidária (Lei nº 9.096/1995) e da legislação eleitoral (Lei nº 9.504, 30/9/97), poderá prevenir que incompetentes, predadores e psicopatas sejam alçados às funções de governo e coloquem as mãos no Tesouro Nacional. Na sociedade civil há consenso sobre medidas urgentes de reforma política e de que a reforma não interessa aos políticos, porque o modelo atual interessa aos seus propósitos mesquinhos de se apropriar dos recursos públicos, fortemente evidenciado nos mandatos atuais. A sociedade precisa deflagrar um movimento para formular um projeto de lei, de natureza popular, de reforma política, para ser encaminhado ao Congresso, como foi no caso da legislação sobre ficha limpa.

Nelson Frederico Seiffert nfseiffert@outlook.com.br

Florianópolis

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Eleições 2022

A democracia e as armas


O Brasil, um país pacífico, vê a continuação de sua democracia mediante as eleições de seus representantes, realizadas por meio das urnas eletrônicas. Entretanto, o presidente Jair Bolsonaro, em falas tresloucadas a favor das armas, conclama que é armando a população que se manterão a soberania nacional e a democracia, não interessando os meios que serão necessários para isso. Então, é preciso perguntar que filosofia preside as falas de Jair Bolsonaro. Qual a sua sede verdadeira: a do derramamento de sangue? É isso o que ele almeja para os brasileiros?


Eni Maria Martin de Carvalho enimartin@uol.com.br

Botucatu

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Hora de discutir propostas


Deveremos decidir nossos futuros quatro anos de vida em breve. Hoje, entre lanchaciatas, cavalgadas, motociatas e outros tipos de promoção pessoal, nosso presidente reverbera seu discurso de dúvida das eleições sem fazer o principal, que é governar. Teremos mais um ano sem que investimentos necessários ao País sejam realizados. Se o Executivo falha, o Legislativo e o Judiciário tampouco se contrapõem positivamente: criam-se PECs que privilegiem seus redutos, caso do Legislativo, e aumentos de salários e revitalização de quinquênios ao Judiciário. Resultado: os impostos pagos pela população se esvaem no pagamento de juros, salários e desonerações. Uma limitação que não desenvolve o País, só beneficia uma minoria. Onde estão os investimentos, as reformas necessárias? O que farão os candidatos para melhorar nossa vida de fato?

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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Metrô de SP


O lado fraco, os usuários

O paulistano chega ao Metrô de São Paulo sob um frio cortante, passa 18 minutos na fila para chegar à catraca de embarque, e fica sabendo pelo alto-falante que, por causa de uma falha em um trem, a circulação do restante opera em velocidade reduzida. Depois, fica sabendo também que se tratou de um problema pneumático em razão do frio intenso. Eu pergunto: um serviço que roda há décadas não tem contingência? Check list! Estava parecendo mais vingança dos funcionários que não querem a terceirização dos serviços. E onde a corda arrebenta? Do lado mais fraco, ou seja, da população.

João Camargo Inteligêncianomundo@hotmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CASO JOÃO DORIA

Defesa de Doria ameaça com ação no TSE e já prevê briga por fundo eleitoral (Estado, 17/5, A8). O caso João Doria é emblemático de como o regime democrático ficou capenga com as recentes decisões que impediram o financiamento privado das campanhas políticas. Sem entrar no mérito de suas eventuais qualificações, Doria, segundo as pesquisas, é rejeitado por dois terços do eleitorado, apesar disso, quer se impor como candidato majoritário, aproveitando-se do financiamento público e da obscuridade do funcionamento dos partidos políticos brasileiros, os quais, muitos pleitos a fio, apresentam para a sociedade sempre os mesmos nomes, num indício de caciquismo, falta de representatividade e de oxigenação de ideias, típicas do cartório no qual o País tem sido transformado pelas corporações que dominam as instituições e que defendem muito mais seus próprios interesses, em vez dos da sociedade brasileira, no que tange à modernização, evolução e inclusão social.

Airton Reis Júnior

areisjr@uol.com.br

São Paulo

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TUCANOS BICUDOS

O PSDB precisa responder a quatro perguntas. 1) Qual a alternativa dentro partido, fora Doria, que tem mais intenção de voto? 2) Não sendo Doria, vai apoiar Lula? 3) Não sendo Doria, vai apoiar Bolsonaro? 4) Ao se unir com o MDB, quem mais chances de vitória: Doria ou Tebet? É hora de apoiar quem tem alguma chance de avançar nas pesquisas.

Manuel Pires Monteiro

manuel.pires1954@hotmail.com

São Paulo

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GESTOR, NÃO POLÍTICO

Nas eleições de 2018, o líder do PT transformou o seu candidato à Presidência da República em seu “poste”, com a ridícula campanha de que “Haddad é Lula”, o que garantiu a vitória de Bolsonaro. Hoje, o presidente tem como apoiador Doria. Tenho um conceito negativo dele, desde quando Jô Soares relatou que foi sua vítima durante as eleições de 1989. Ao se cruzarem no dia da eleição, simulou grande afeto a Jô, abraçando-o para lhe colar nas costas propaganda de Collor. Um senhor que assistiu à agressão avisou Jô Soares, livrando-o do ridículo. Surpreendi-me quando se elegeu prefeito de São Paulo, com o slogan de ser gestor, não político. Sócrates, filósofo grego, definiu político como o cidadão que cuida da coisa pública, ou seja, um gestor público. Enganou os eleitores. Permaneceu no cargo apenas 15 meses, o suficiente para entregar o Pacaembu, um patrimônio histórico, à exploração imobiliária, decisão até hoje discutida na Justiça. Elegeu-se governador de Estado, ainda nessa ilusória maneira de gestão pública. De novo renunciou, para concorrer à Presidência da República, como se tais cargos fossem uma ocupação qualquer. Implodiu o PSDB, hoje, um partido medíocre, que discute traições e outros absurdos, em vez de garantir um segundo turno sem Bolsonaro ou Lula. Complicou até a formação da terceira via. Ciro Gomes, o mais indicado, nas atuais circunstâncias e terceiro colocado nas pesquisas, ficará de fora. Repetiremos 2018.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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NÃO É SÓ NO PSDB

Todo mundo está dizendo que não existe união no PSDB. Eu pergunto: existe algum partido no Brasil que seja unido? Impossível haver união num país onde existem mais de quarenta partidos! Ora, o número de partidos é sinal de que não existe união de pensamentos, ou todos estão perdidos na política brasileira. Só haverá união quando existir no máximo dez partidos, sendo dois ou três majoritários ou dominantes. Quando vai acontecer? Talvez daqui a dezenas de anos.

Toshio Icizuca

toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

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PRIVILÉGIOS DO JUDICIÁRIO

E as benesses continuam no andar de cima. Proposta que recria privilégios a juízes e procuradores tem avanço no Senado (PEC de juízes beneficia só 0,08% dos contratos de trabalho do País, 18/5, B2). Óbvio. Quem julga? O Judiciário. Então não precisa ser gênio para entender. É o famoso "rabo preso", criado pela estrutura com a Constituição de 1988. Por que os indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) têm que passar por sabatina no Senado? Sabatina para inglês ver, de tão ridículas. Ridícula esta estrutura do País. É um dos maiores males e retrocessos. E fica o andar de baixo olhando pra esta palhaçada, dizendo "fora, Lula", “fora, Bolsonaro", "fora, Ciro", etc. Deveriam dizer "fora, esta Constituição".

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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ARTHUR DO VAL CASSADO

Por 73 votos, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou a merecida e justificada cassação do mandato de Arthur do Val, vulgo Mamãe Falei (União Brasil-SP), pelo cometimento de cinco infrações ao Código de Ética da Casa. Diante da acertada decisão, o ex-deputado estadual ficará inelegível por oito anos, com base na Lei da Ficha Limpa, tendo a partir de agora tempo de sobra para embarcar para a Ucrânia, onde, segundo suas palavras, "as mulheres são fáceis porque são pobres". Que na volta da viagem de turismo sexual barato recolha-se à sua insignificância porque é pobre de espírito. Tenha uma má viagem!

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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CARA DE PAU

Estarrecedora a manchete desta quarta-feira noticiando que Jair Bolsonaro pretende ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionar o “abuso de

autoridade” do ministro Alexandre de Moraes pelos “sucessivos ataques à democracia, desrespeitando a Constituição e desprezando os direitos e garantias fundamentais” (Estado, 18/5, A12). Na verdade, o povo brasileiro está cansado de saber que todos esses direitos são vilipendiados e desacatados diariamente pelo próprio presidente, que se sente incomodado e nervoso pela sua estagnação nas pesquisas de intenção de voto e, dessa maneira, apresenta discurso cada vez mais ameaçador. Esse é o Bolsonaro que falta com a verdade e opta por disparar fake news contra a democracia e contra as urnas eletrônicas. Que cara de pau!

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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REJEIÇÃO DA QUEIXA-CRIME DE BOLSONARO

“O Estado Democrático de Direito impõe a todos deveres e obrigações, não se mostrando consentâneo com o referido enunciado a tentativa de inversão de papéis, transformando-se o juiz em réu pelo simples fato de ser juiz”, considerou o ministro Dias Toffoli, do STF, na rejeição da queixa-crime de Bolsonaro. Pergunto a Toffoli: por que mesmo o STF condenou o juiz Sergio Moro?

Lourdes Migliavacca

lourdesmigliavacca@yahoo.com

São Paulo

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COMO CALAR BOLSONARO

Assisto ao Jornal Nacional não por sua excelência editorial, mas para saber o que está ouvindo a maioria da população brasileira em todos os estratos sociais. Um fato nas edições de segunda e terça-feira desta semana me chamou a atenção: a edição de 16 de maio não citou a participação de Bolsonaro no evento da Associação Paulista de Supermercados (Apas), em que, aos gritos e usando seu conhecido arsenal de palavrões, mais uma vez agrediu o STF e ameaçou as eleições. Na edição de 17 de maio, não foi noticiada a ação que Bolsonaro ajuizou no STF contra o ministro Alexandre de Moraes. Que coisa boa! Já estava na hora de parar de dar eco aos delírios e imprecações desse psicopata, que tudo o que quer é inflamar suas perigosas hordas.

José Roberto Monteiro

jm6042645@gmail.com

São Paulo

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A NOVA CLOROQUINA

Bolsonaro declarou na cidade de Propriá (SE) que o povo brasileiro deve ser armado, não somente para sua “segurança pessoal”, mas também para a “preservação da democracia”. É a versão bélica da cloroquina. Afinal, com uma arma na mão você consegue tudo: emprego, comida e até vencer as eleições. Mais uma vez, acertou, o capitão.

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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‘DESCONDENAÇÃO’ DO EX-PRESIDENTE

Quero fazer eco à carta do leitor Károly J. Gombert (Fórum dos Leitores, 16/5, A4), quando declarou que “se Lula for reeleito para presidente do Brasil e a gangue do PT quebrar o Brasil outra vez, o maior culpado será o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). O maior golpe contra a democracia foi dado por ele ao anular a condenação de Lula.” Na minha modesta opinião, o citado ministro não tem a mínima moral para defender a democracia, como fez há poucos dias, pois foi ele quem perpetrou o maior golpe dos últimos tempos contra ela. "Descondenando" o ex-presidente, ele abriu as portas para o desmonte da operação Lava Jato, a maior ação contra a corrupção realizada no País desde o ano de 1500, em processo com provas robustas e incontestáveis contra o réu, o qual não teve cerceado, em nenhum momento, seu direito à defesa (foi mais uma narrativa criada). Com uma canetada, o ministro permitiu que os políticos, a partir de então, perdessem todo e qualquer medo de continuar roubando, o que perpetuará nossa Nação como o país da impunidade e da cleptocracia. Não bastasse isso, desrespeitou a decisão em três instâncias do Judiciário, sendo que, numa delas, a sentença fora até agravada. Além disso, interpretou erradamente a tese do juízo natural, pois que o magistrado à época era juiz federal concursado, portanto plenamente apto a decidir questões da Federação. Na interpretação da nossa Constituição de 1988, veremos que o conceito de juiz natural visava tão somente evitar a existência de tribunais de exceção, medida conveniente, já que à época de sua promulgação acabávamos de sair de uma ditadura. Sem dizer que o citado ministro não teve sequer a decência de se declarar impedido de relatar tal processo, por óbvio e flagrante conflito de interesse.

José Roberto dos Santos Vieira

jrdsvieira@gmail.com

São Paulo

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CASAMENTO COM POMPA

Num momento difícil como este, com grande parte dos brasileiros desempregados, esfomeados e sem teto, o candidato à Presidência Lula demonstrar tanta ostentação no seu casamento é um acinte. Que o povo reflita sobre isso.

          

Tania Tavares   

taniatma@hotmail.com  

São Paulo

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PADRE JÚLIO LANCELOTTI

Gostaria que o padre Júlio Lancelotti parasse de fazer política usando pobres moradores de rua e pedisse ao PT, do qual é filiado, que lhe doe verbas e construa locais para abrigar todas as pessoas que puder, afinal, gastam tanto com os “parças”. São todos canalhas, um exemplo foi o PT dele no poder, que nada fez efetivamente nesse setor a não ser marketing. Sair da mesmice é também ser cristão.

Antônio José G. Maeques

ajgmescalhao@gmail.com

São Paulo

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QUE PAÍS É ESTE?

É no mínimo constrangedor ver a foto de uma mulher negra, com seu rosto nobre de quem já não é nenhum marinheiro de primeira viagem, cuja expressão de cansaço e desalento mostra bem o drama que se complementa com o título da matéria que se segue: trabalhadora dorme em fila de emprego. Mutirão em São Paulo ofereceu 10 mil vagas de trabalhos de baixa renda para ao menos 12 milhões de desempregados no País (Estado, 17/5, B5). Pode uma coisa dessas? Enquanto isso, a farra dos políticos que recentemente meteram a mão em R$ 2,8 bilhões do orçamento “secreto” no Congresso para distribuir em suas bases eleitorais, além do Fundo Eleitoral no montante de R$ 5,7 bilhões aprovado para as eleições de 2022 revelam uma festa de gastança de envergonhar qualquer cidadão de bom senso a respeito das prioridades do País. Os poderosos que estão no topo da cadeia de empregos disponíveis, principalmente aqueles que tiveram acesso a estudos formais e a concursos públicos, outros contaram apenas com um empurrãozinho do papai, do titio ou de um amigo da família, não padeceram de nenhuma das mazelas que aparece expressa na fisionomia da senhora da foto. A gente fica pensando em como pudemos chegar a esse retrocesso. Não é culpa apenas do desgoverno da hora. Não se constrói um Parlamento, nem um Judiciário composto de sanguessugas indiferentes com o resto da população, de um dia para o outro. A obra é trabalhada no longo prazo. Demanda arranjos, acordos, acórdãos minuciosamente elaborados para esse fim. É de deixar o cidadão comum estupefato. Ecoa em nossa memória o refrão cantado pelo roqueiro Renato Russo há mais de uma década em uma das suas criações mais contundentes: que país é este?

Jane Araújo 

janeandrade48@gmail.com

Brasília

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VANESSA SENA DOS SANTOS

Vanessa salta do Capão Redondo para o mundo (Estado, 17/5, A24). Hoje, ela é um dos talentos mais promissores do atletismo nacional. Com muito respeito e esperança, espero que Vanessa continue honrando seu nome.

Antônio Brandi Leone

abrandileone@uol.com.br

São Paulo

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