Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2022 | 03h00

Violência

A ‘Câmara de gás’ da PRF

Sobre a abordagem policial que terminou com a morte de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, na viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) inalando gás lacrimogêneo em Sergipe (Estado, 27/5, A21), fica evidente que a SS (Schutzstaffel, organização paramilitar ligada ao Partido Nazista) apenas mudou de nome. Hoje ela é chamada de “polícia comunitária e protetora”.

Lucas Feliciano da Silva

lucasfeliciano0@icloud.com

São Caetano do Sul

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Incentivo

A tortura e o assassinato de um homem esquizofrênico por agentes da Polícia Rodoviária Federal é fruto do constante incentivo à violência propagado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Francisco Anéas

franciscoaneas66@gmail.com

São Paulo

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A sincronicidade junguiana

Bolsonaro vetou a inclusão do nome da psiquiatra Nise da Silveira – ícone da humanização compassiva do atendimento psiquiátrico – no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Nise foi aluna do também psiquiatra Carl Gustav Jung, que desenvolveu a genial “teoria da sincronicidade”, sobre a estreita conexão entre acontecimentos aparentemente aleatórios. Pouco tempo depois do veto, agentes da Polícia Rodoviária Federal, reduto bolsonarista, assassinaram um esquizofrênico numa “câmara de gás” improvisada, perpetrando a antítese aterradora das ideias de Nise. O bolsonarismo, o veto a um nome que simboliza compaixão e o assassinato covarde pela polícia de uma pessoa com transtorno mental, tudo acontecendo em sinistra e estreita conectividade. Enfim, a sincronicidade junguiana salta aos olhos de uma nação aterrorizada que percebe, cada vez mais nitidamente, que nada neste governo é por acaso nem aleatório e tudo exala desumanidade e morte.

Túllio Marco Soares Carvalho

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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Transparência

Os gastos do presidente

Causa espécie saber que o juiz federal Marco Aurélio de Mello Castrianni, da 1ª Vara Cível Federal de São Paulo, barrou o acesso deste jornal aos gastos do cartão corporativo do presidente Jair Bolsonaro. A sociedade tem o pleno direito de saber como e onde é gasto o dinheiro recolhido de seus altos impostos. A negativa do acesso às despesas só faz aumentar a suspeita de falta de lisura. Como diz a máxima popular, “quem não deve não teme”.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

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Planos de saúde

Reajustes de até 15,5%

Sou contratante individual de plano de saúde há 38 anos, portanto tenho condições de questionar. Constata-se que, na formulação dos índices de reajuste dos planos de saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) utiliza planilhas de custo elaboradas pelas próprias operadoras, sem uma coleta própria de informações. Tampouco se conhecem os critérios de formulação dos custos – por exemplo, o índice excludente pela inexistência do risco da gravidez no universo masculino. Também é fato que a publicidade desses critérios é notoriamente limitada. E mais: considerando que a utilização dos serviços médicos e hospitalares é reduzida na juventude, aumentando gradativamente com a idade, desconhece-se qualquer estudo da ANS no sentido de assessorar nossos legisladores a reformular a legislação vigente sobre o tema, ou mesmo de apresentar propostas nesse sentido. É nítido o vácuo normativo na exigência da formação de fundos técnicos com o objetivo de cobrir eventuais riscos, como aconteceu na pandemia. Outro questionamento é a exigência inflexível da cobertura total dos riscos, que acaba por prejudicar os usuários do sistema que almejam coberturas mais limitadas e de menor custo, ou seja, somente ambulatorial ou unicamente hospitalar. Por fim, soa estranho falar de prejuízo no segmento das operadoras de planos de saúde quando se tem notícias de aquisições bilionárias entre empresas da área, e também não nos esquecendo dos lucros auferidos.

Honyldo Roberto Pereira Pinto

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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Câmara de São Paulo

Data comemorativa

Fazendo cara de paisagem, os vereadores paulistanos instituíram o Dia da Harmonização Facial. Sem abrir mão da tremenda cara de pau.

A.Fernandes

standyball@hotmail.com

São Paulo

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

ENTREVISTA SOBRE AUSCHWITZ

Lembrança de fato que deprime o gênero humano, principalmente a comunidade judaica. No consagrado filme A Noite dos Generais, diz-se que o inominável em pequena escala pode emocionar mais que as imensas e universais perfídias contra a humanidade. Em verdade, não se pode comparar grandezas, salvo em nossas psiques solitárias. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) se destina a fiscalizar o tráfego em nossas estradas da morte, mas agora prefere matar, como acaba de fazer por torpe asfixia com um homem jovem esquizofrênico no interior de uma viatura transformada em câmara de gás (Estado, 27/5, A21). Pergunta-se ao presidente Bolsonaro e ele se recorda apenas de dois policiais de sua SS, vítimas de um transtornado. Resposta previsível: não se lembra dos rodoviários nas forças rubras do Rio de Janeiro e desconhece o fato desta quinta-feira, 26/5. É como se a imprensa, à época do nazismo, entrevistasse (por hipóstase) Heinrich Himmler sobre Auschwitz.

Amadeu Roberto Garrido de Paula

amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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MAIS UM

A tecnologia pode nos trazer cenas maravilhosas, mas também horrorosas, como esse assassinato cometido por policiais da PRF em Sergipe. Quem suportou ver toda a cena gravada deve ter notado que, em certa altura, um dos policiais coloca os joelhos sobre o pescoço da vítima. Essa é uma modalidade de tortura que não era usual por aqui até a divulgação daquele vídeo em que um policial americano causa a morte de um cidadão negro. Assim somos: bons exemplos são ignorados nesta terra, enquanto que os maus são imediatamente seguidos. Os autores deveriam ser imediatamente presos, deixando-se as demais providências jurídicas para depois.

Nestor Rodrigues Pereira Filho

nestor.filho43@gmail.com

São Paulo

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PELO FIM DA ABORDAGEM POLICIAL

Imaginem se a polícia pudesse tocar a campainha da sua casa, entrar sem mandato algum, sem qualquer denúncia ou suspeita, revistar tudo, cheirar as suas panelas no fogão, revirar cada par de meias nas suas gavetas, tudo com a esfarrapada desculpa de combater o tráfico de drogas. Pois essa é a realidade odiosa que ocorre com quem tem a infelicidade de ser abordado pela polícia nas ruas e estradas. É um acinte a maneira como a polícia aborda os cidadãos nas ruas. Criam todas as dificuldades e constrangimentos possíveis para cavar uma porcaria de propina antes de deixar o cidadão seguir sua vida. Até quando o Brasil vai tolerar esse abuso?

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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O OPORTUNISTA ATIVISMO ANTIPOLICIAL

Os críticos da atividade policial ainda não haviam esgotado a repercussão da operação policial que resultou em mais de duas dezenas de mortes na Vila Cruzeiro (RJ) quando veio a notícia de policiais rodoviários federais do Sergipe que prenderam um homem, trancaram-no na viatura e acabaram matando-o asfixiado com gás. É uma imagem que corre o mundo e afeta a reputação do Brasil. Mas não estamos sozinhos, pois fatos desse naipe – tiros em escola e massacre de arrestados – são recorrentes nos Estados Unidos, Europa e outras partes do mundo. Mesmo assim, não deveriam ocorrer. São resultantes de desvios na sociedade e precisam ser estudados e mitigados. O episódio do Rio de Janeiro é decorrência de anos de omissão estatal que ensejou ao crime organizado assumir o controle de vastas áreas do território. É uma hipocrisia criticar apenas os tiros dos policiais e tentar atribuir a eles todas as mortes ocorridas no embate. Não se pode exigir que o agente de lei, recebido à bala, se exponha deliberadamente à morte só porque os adversários da instituição não querem que atire. Afinal, o Estado deu-lhe uma arma como ferramenta de trabalho para que, no momento certo, a utilize. No confronto da Vila Cruzeiro, o rescaldo dos fatos mostra nuances inesperadas, como a presença entre os mortos de três perigosos criminosos vindos do Pará que ali se encontravam escondidos. Por definição, a polícia não é simpática. Mesmo atuando pela proteção da comunidade, suas ações contrariam interesses e provocam a reação dos contrariados. E os beneficiados não se manifestam e nem têm por que fazê-lo. Mesmo com essa incômoda natureza, é um serviço necessário. Basta imaginarmos o que seria da comunidade em que vivemos se não existisse a polícia. Não devem os críticos exacerbar porque, se, amedrontado, o policial não agir, a sociedade e o cidadão, aí sim, estarão desprotegidos.

             

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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BARBÁRIE EM SERGIPE

Mais um bárbaro crime cometido em Sergipe e, desta vez, por policiais rodoviários. A vítima, Genivaldo de Jesus Santos, 38 anos, dirigindo sua motocicleta, foi abordada pela PRF, na cidade de Umbaúba (SE). Conforme solicitado, colocou as mãos na cabeça e foi revistado. Ao demonstrar alguma resistência, um dos policiais o colocou no chão e, com o joelho no pescoço de Genivaldo, o amarrou. Para completar o ato de selvageria, os policiais empurraram o rapaz para dentro do camburão, tomado por spray de pimenta e outro gás. A caminho da delegacia, Genivaldo infelizmente morreu por asfixia mecânica e insuficiência respiratória, como constatado num hospital da região. A vítima sofria de esquizofrenia, mas tomava regularmente medicamentos. Lógico que uma grande revolta não somente atingiu o povo de Sergipe, como toda a Nação. Será que o nosso presidente Jair Bolsonaro, que sequer se preocupou em salvar vidas nesta pandemia, e que acaba de aplaudir os policiais do Rio que fizeram uma carnificina matando 23 pessoas na Vila Cruzeiro, também vai elogiar os policiais rodoviários por essa barbárie?

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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CRIMINALIDADE OFICIALIZADA

Com a criminalidade oficializada, assentada e exercida pelos Poderes da República brasileira, inclusive entre parlamentares, juízes e pretendentes à Presidência da República, é fácil entender como policiais rodoviários federais, ao vivo e em cores, prendem sem motivos e matam, improvisando uma câmara de gás aos moldes nazistas, para serem, em seguida, “afastados” de suas funções, mas não sumariamente presos em flagrante delito de homicídio com emprego de torturas e aviltamentos do ser humano. Brasil, país acima das leis e abaixo da moralidade.

Marcelo Gomes Jorge Feres

marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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TRAGÉDIA

Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chama de "violência lamentável" as mortes no Rio de Janeiro. Aliás, qualquer ser humano, tirante Bolsonaro e seus asseclas, pensa assim. Queria saber de Gilmar a absurda violência financeira e judicial cometida contra o jornalista Rubens Valente, que foi condenado a pagar indenização ao ministro no valor de R$ 310 mil.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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GRUPO PRERROGATIVAS

Temos um grupo de advogados que se esconde atrás do nome Prerrogativas para defender bandidos e corruptos que tanto fazem mal ao nosso país. Acionaram a Justiça para exigir do ex-juiz Sergio Moro ressarcimento pelos prejuízos causados à Petrobras. Isso também é bandidagem. A OAB não pode permitir esse tipo de conduta.

Cleo Aidar

cleoaidar@hotmail.com

São Paulo

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BASTA DE GUERRAS E VIOLÊNCIA

Sair do espeto e cair na brasa? Claro que não. O Estadão deixou-nos mais animados ao publicar duas matérias sobre a candidata Simone Tebet, que começa a movimentar a terceira via de fato. A primeira informa que empresários e economistas articulam ações para impulsionar sua candidatura (Estado, 26/5, A9). A segunda diz Senadora fala em “pacificação” do País e mira eleitorado feminino. Pode contar conosco, Simone Tebet. Que bela palavra: pacificação. Tão necessária neste momento em que guerras sórdidas e covardes acontecem na Ucrânia, no Iêmen, na Etiópia, no Haiti, em Mianmar, na Síria e no Afeganistão, só para citar os conflitos mais sangrentos. E também aqui, no Rio de Janeiro, cartão-postal de outrora, mas que milícias e polícias, com o apoio de governantes estúpidos, mancham de sangue e de dor milhares de lares. Só mesmo uma reação de todas as pessoas do bem para acabar com esta loucura.

Jane Araújo

janeandrade48@gmail.com

Brasília

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FINALMENTE SIMONE TEBET

Desde que a terceira via foi aventada, o nome de Simone era falado para ser candidata para disputar uma vaga para o segundo turno com Bolsonaro ou Lula. A quantidade absurda de partidos no Brasil dificultou a chegar a um consenso para escolher um candidato capaz de disputar com igualdade de condições com os dois prováveis finalistas. Parece que o consenso prevaleceu e o Brasil pode ganhar uma presidente que merece. Ainda tem tempo o suficiente para divulgar o nome dela, pouco conhecido do público em geral alienado com a política. Porém, quando ela começar a aparecer em propaganda, tende a crescer e superar Bolsonaro, provável segundo lugar até o momento no primeiro turno.

Toshio Icizucz

toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

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TERCEIRA VIA

Simone quem? Vai ser difícil inflar essa senadora desconhecida a uma candidata significante.

Tibor Rabóczkay

trabocka@iq.usp.br

São Paulo

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VITÓRIA

Chega a época de eleição e resultados de pesquisas realizadas por vários institutos predominam no noticiário. O vencedor da etapa é mostrado com grande evidência, como se já tivesse ganhado a eleição. Os demais: perdedores. Neste ínterim, o líder pode falar qualquer idiotice. Será perdoado se não influenciar o resultado da próxima pesquisa. Apoiadores não gostam de lembrar casos como de Russomanno e Fernando Henrique Cardoso para a Prefeitura de São Paulo, líderes de pesquisa e derrotados nas eleições. Luiza Erundina, em São Paulo, e Leonel Brizola, no Rio de Janeiro, que apareciam como perdedores em pesquisas, mas venceram. Portanto, essa forçação de mão por setores da mídia em campanha explícita por certo candidato, querendo-nos fazer crer que é uma campanha decidida previamente, faz muito mal ao processo eleitoral e à democracia. Se a certeza da vitória fosse a realidade, não estaríamos vendo o candidato líder nas pesquisas lutando por expandir seu berço de eleitores, nem se esforçando em fazer alianças regionais com outros partidos.

Sergio Holl Lara

jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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FEDERAÇÕES

PSDB, nascido de cisão no MDB, formou federação com o Cidadania, ex-Partido Popular Socialista, que um dia foi o Partido Comunista. O antagonismo seria evidente até pelos nomes e origens. Mas, para eles, está tudo dentro da normalidade, confirmando o que sempre se soube: as ideologias não passam de discursos ensaboados, os partidos no Brasil são apenas sopa de letrinhas.

Paulo Tarso J. Santos

ptjsantos@yahoo.com.br

São Paulo

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PSDB

E o sonho acabou em pesadelo. Como se viu, a rasteira dada pela cúpula do partido tucano no ex-governador paulista mostrou que o “D” da sigla PSDB é de democracia, não de Doria.

Vicky Vogel

vogelvick7@gmail.com

Rio de Janeiro

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FOME COMO ARMA

É um comunista padrão. A URSS mantinha fome, miséria e doenças. Era a receita de Stalin e Kruschev, que Putin está aplicando também à Rússia e pretende aplicar à Ucrânia. 

Ariovaldo Batista

arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo

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