Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2022 | 03h00

Dinheiro público

Virada milionária

Somos um país com uma deficiência enorme em saúde, educação e segurança, mas nossos políticos resolvem, por exemplo, gastar quase R$ 20 milhões, sem fiscalização, com cantores e shows numa Virada Cultural. Todas as despesas públicas devem ser amplamente divulgadas e fiscalizadas por autoridades competentes. O contrário disso é uma aberração.

Marco Martignoni

mmartignoni1941@gmail.com

São Paulo

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Um show nas prefeituras

Prefeitos de cidadezinhas pequenas adoram promover shows com artistas famosos. Assim eles se tornam populares, os shows são gratuitos, a cidade inteira comparece e as prefeituras gastam fortunas com isso. Os parentes de prefeitos montam empresas de eventos e faturam muito. Boa parte do cachê milionário pago aos artistas pode voltar para o prefeito, num esquema muito parecido com as rachadinhas praticadas pela família Bolsonaro. Muitas vezes a cidade está na miséria, a escola, caindo aos pedaços, a saúde se limita a uma ambulância para a cidade mais próxima, mas tem show de graça toda semana. Corrupção pura, só não vê quem não quer. É preciso dar um basta nisso.

Mário Barilá Filho

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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Prioridades

Os tribunais de contas deveriam analisar todos os shows contratados com dinheiro público, e não só quanto à justificativa da contratação por dispensa de licitação, mas também quanto à oportunidade e conveniência do evento. Ou seja, saber se não há prioridades de maior interesse público que estejam esperando o dinheiro que nunca chega.

Franz Josef Hildinger

frzjsf@yahoo.com.br

Praia Grande

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Orçamento

Reforma necessária

Concordo com os especialistas em que é urgente a reforma das normas que disciplinam a apreciação do projeto de lei orçamentária anual pelo Congresso. É imperioso proibir, expressamente, as emendas do relator geral, que são inconstitucionais. Com efeito, o artigo 166 da Constituição federal autoriza apenas a apresentação de duas modalidades de emendas: as individuais e as de bancadas. Tais emendas são disciplinadas pela Carta Magna, que estabelece limitações quanto ao seu conteúdo e critérios para sua apreciação. Entretanto, as emendas do relator geral, que correspondem ao que foi designado como orçamento secreto, não estão previstas na Constituição e foram criadas por simples resolução do Congresso (Resolução nº 1, de 2006, com a redação dada pelo Ato Conjunto dos Presidentes das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal n.º 2, de 2020), sem quaisquer limitações, não se exigindo nem mesmo a identificação do proponente e sendo decididas pelo conchavo entre proponentes e o relator, por critérios puramente político-eleitorais, certamente espúrios – daí porque secretas.

Adilson Abreu Dallari

adilsondallari@uol.com.br

São Paulo

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Escárnio

Futuro hipotecado, título de editorial de ontem no Estadão (31/5, A3), ficaria mais adequado se fosse Presente desprezado, considerando a afronta que o governo está fazendo ao bloquear R$ 14 bilhões do Orçamento – em sua maior parte recursos da saúde, da educação, de ciência e tecnologia –, “para viabilizar reajuste a servidores” e sem tocar nas emendas parlamentares. O editorial destaca: “A conta dessa benesse será dividida entre os mais pobres, que já enfrentam as agruras diárias” do desemprego, da inflação alta, da alimentação insuficiente e da baixa qualidade dos serviços públicos. Eis a atual versão tupiniquim da frase “se não têm pão, que comam brioches!”. É um escárnio dos que detêm o poder no País. Estes não percebem que o nosso 1789 pode chegar a qualquer momento, e cabeças vão rolar.

José Claudio Marmo Rizzo

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

Patrimônio

Preservação histórica

Belíssima iniciativa da Incorporadora Benx em restaurar a Casa de Taipa do Parque Burle Marx (Estado, 31/5, A18). Oxalá tivesse a mesma sorte o Casarão do Anastácio, cuja proprietária, Construtora Eztec, se recusa a recuperar o histórico imóvel que outrora abrigou o brigadeiro Tobias de Aguiar.

Edson Domingues,  integrante do Movimento de Defesa do Casarão do Anastácio

dominguesydomingues@gmail.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

ÁGUA NA CIDADE

Vejo no Estadão (31/05, A16) que mais de 90 pessoas já morreram em decorrência das chuvas na Região Metropolitana de Recife. E que pelo menos 14 cidades pernambucanas decretaram situação de calamidade pública. Tudo numa região que padece com a seca. Hoje é Pernambuco, mas concordemos que a má conservação do solo e o manejo inadequado na fase primária da ocupação são os responsáveis por grandes prejuízos, sofrimento da população e mortes todos os anos em todo o País. O homem não soube encontrar-se respeitosamente com a natureza e, hoje, ele próprio ou seus descendentes pagam elevado preço pelo desencontro. O problema ocorreu em todo o mundo, mas as regiões desenvolvidas – EUA e Europa – já recolocaram seus rios em boas condições. No Brasil, no entanto, ainda temos muito a fazer. Exemplos são o Rio Tietê, um esgoto a céu aberto apesar de campanhas e todo o investimento que nele se fez, notadamente no governo Fleury, e o Rio Pinheiros, que depois de praticamente morto ressurge através dos esforços e altos custos para torná-lo um parque para os paulistanos. Poderíamos citar dezenas, centenas, talvez milhares de cursos d’água maltratados Brasil afora, mas é desnecessário porque todos os brasileiros conhecem pelo menos um ou dois casos mais próximos de onde vivem. Há muito ativismo sobre a água, esgotos e florestas, mas com raras e honrosas exceções, os ativistas pouco se importam com a água que invade a cidade, dá prejuízos e mata suas vítimas nem com aqueles que moram na encosta e correm o risco de a montanha cair-lhe sobre a cabeça. O que eles querem são votos e esquemas que garantam boa vida. Isso precisa mudar.

Dirceu Cardoso Gonçalves

aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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OBRAS IRREGULARES

Quantas pessoas precisam morrer para que o poder público abra os olhos e fiscalize as obras que são feitas nos morros ou em torno das represas? Primeiro constroem casas, depois aparecem os oportunistas oferecendo água, luz, TV a cabo, etc. Tudo feito na cara do poder público que, além de ser negligente, não é capaz de proibir tais construções utilizando- se da lei. Uma volta pela represa Guarapiranga, em São Paulo, nos dá a dimensão da negligência do poder público. Além de ser uma área preservada, onde deveria haver apenas verde, temos famílias poluindo a água que grande parte da população da capital consome. A chuva, essa malvada que incomoda os moradores que vivem em construções ilegais, passa, e rapidamente as pessoas se esquecem da tragédia e voltam a  construir. Governos também passam. Só não passa a dor de quem teve a família inteira ou parte dela morta.

Izabel Avallone

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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DORMIR NA RUA

Há 31.884 pessoas dormindo na rua na capital de São Paulo. O governo é o pior câncer que apresenta o tecido social.

Renato Rodrigues Tucunduva Júnior

renato.tucunduva.junior@gmail.com

São Paulo

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O FAZ-TUDO

O desconhecido candidato à reeleição para o Governo de São Paulo, Rodrigo Garcia, nas suas inserções na mídia televisiva, diz que foi ele quem criou o Poupatempo, metrô, creches, vale-gás, entre outros. Afinal, será verdade que Rodrigo é o “faz-tudo” ou só são mais promessas para se reeleger?

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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O MESMO DE SEMPRE

Enquanto Lula foge do debate para não ser arguido sobre seu plano na esfera econômica – o comentário à revista Time "a gente não discute política econômica antes de ganhar as eleições” foi certeiro e revelador –, o ex-prefeito petista e possível candidato a governador do Estado, Fernando Haddad, afirmou em entrevista que São Paulo "é um bunker de uma certa mentalidade da elite econômica" (Estado, 31/5, A12). Ou seja, nem bem começou a campanha, Lula e Haddad já falam o que não deviam. O projeto econômico do Brasil será um dos pilares definidores do próximo presidente e decisivo para a eleição, portanto é incabível o esquivo do ex-presidente. De outra parte, Haddad deveria saber (provavelmente sabe) que é justamente o que ele chama de elite econômica quem realiza grandes investimentos e gera inúmeros empregos – só não faz mais pela conjuntura interna e externa do País –, fazendo do Estado de São Paulo o mais rico da federação. A depender dessas declarações, o PT continua o mesmo de sempre. Mudará?

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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HADDAD

Ler a entrevista desse senhor que foi um dos piores ministros da Educação que o País teve, se igualando ao desastre bolsonarista educacional, e um prefeito tão ruim que foi demitido no primeiro turno, e ver que o mesmo só tergiversa, que demonstra não ter aprendido nada e que não assume que seu partido montou o maior esquema de corrupção do mundo para tentar se manter no poder, só me deu um sentimento de asco. Sou tucano e jamais votarei em alguém do PT.

José Renato Nascimento 

jrnasc@gmail.com

Santana

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QUANDO LULA VAI SAIR DA TOCA?

Pergunta que não cala, entre eleitores isentos, atentos e que pensam com a própria cabeça: quando Lula vai começar a botar a cara na janela? Quando vai circular nas ruas, nas feiras? Quando vai comer pastel na feira e cachorro-quente na esquina? Não lidera as pesquisas? Elas não são verdadeiras? Por que, então, o medo de sair de casa, da sede do PT ou das solenidades em locais fechados? Será que o Lula paz e amor tem receio de ser alvejado por ovos e tomates? Teme ser chamado de ladrão, de santo do pau oco, pelo povo? Deve ser terrível para um candidato que já se acha vencedor do pleito de outubro ficar enclausurado em casa. Se os gênios da raça que cercam Lula acreditam que ele pode sofrer atentado, como sofreu Bolsonaro, é simples, coloquem nele um colete à prova de bala e tenham coragem de enfrentar a população. Caso seja eleito, Lula vai governar sem ver o sol nascer, como quando foi preso em Curitiba? Com tantas perguntas sem respostas, muitos acreditam que as pesquisas que colocam Lula na dianteira são falsas como cédula de três reais.

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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INIMIGO DE SI MESMO

Em sua coluna, Eliane Cantanhêde fez um retrato de Bolsonaro como um adversário de sua própria candidatura (Estado, 31/5, A9). O homem sem empatia alguma, que se diverte enquanto o povo que o elegeu morre sob escombros nas tragédias causadas pela fúria do tempo, fruto do aquecimento global, mas também da destruição avassaladora das florestas e de todos os biomas do País promovida por seu desgoverno como política de Estado. Ao comentar a tragédia, Bolsonaro resumiu o que pensa sobre mais essa dor incomensurável de milhares de brasileiros vítimas das cheias só este ano: “Catástrofes acontecem”. 

Jane Araújo 

janeandrade48@gmail.com

Brasília

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VOTOS

Muito mais grave que desvios de verbas por parte de políticos é o roubo do futuro do País promovido pelos mesmos e a destruição dos sonhos da população. Nossos votos são como algemas, e temos de saber usá-las na próxima eleição.

Ely Weinstein

elyw@terra.com.br

São Paulo

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AGREGADOR DE PESQUISAS

O nosso Estadão, sempre na busca de inovações privilegiando o seu leitor, lança um agregador de pesquisas (31/5, A8). A ferramenta certamente fará com que o eleitor, até o dia do pleito em outubro próximo, tenha uma fotografia mais cristalina do resultado das pesquisas eleitorais em meio a esta corrida para o Planalto, já que compilará os dados de 14 empresas com o objetivo de encontrar uma média mais segura sobre o desempenho dos candidatos indicados pelos entrevistados. Ideia criativa, que tem tudo para facilitar a escolha do eleitor nas urnas.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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‘FUTURO HIPOTECADO’

Futuro hipotecado para tentar salvar um governo moribundo, natimorto desde o início, diz o editorial sobre o corte de recursos da Educação, Saúde e Ciência e Tecnologia (Estado, 31/5, A3). A compra do Parlamento foi suficiente apenas para não escorraçar o despresidente do Planalto e o Auxílio Brasil, para que ele não descambasse de vez nas pesquisas de intenção de voto. Com o autogolpe iminente, restam paliativos para agradar a uma corja que ainda o defende. O mais triste é que muita gente do meio científico, tecnológico, educacional e da saúde – as principais vítimas de mais este corte orçamentário – está cegamente fechada com o criminoso ex-capitão.

Adilson Roberto Gonçalves,

pesquisador da Unesp

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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PREÇO DO COMBUSTÍVEL

Vendo a entrevista do ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, David Zilberstein, tecendo crítica ao governo Bolsonaro, que chamou de “estupro” o bilionário lucro da Petrobras, pergunto ao mesmo: está correto, nós, brasileiros, termos de pagar mais caro pelo combustível para render lucros à Petrobras, que, se valendo desse vergonhoso monopólio, distribui dividendos a milhões de acionistas privados e aos cofres públicos? A sua privatização e a livre concorrência com mais empresas atuando contribuiria, certamente, com a baixa dos preços dos combustíveis. É a lógica do mercado.

Deri Lemos Maia

derimaia@yahoo.com.br

Araçatuba

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CINTO DE SEGURANÇA

Desde 1998 o uso do cinto de segurança é obrigatório para motoristas e passageiros. Eu acredito que o cinto faz a diferença em casos de colisões. Porém, não deveria ser obrigatório, mas indicado como opção de segurança. Muitos motoristas são penalizados com multas por não usarem ou se esquecerem de usar o cinto, e é sabido que muitos agentes de fiscalização multam de forma para atingir metas, ou seja, por produtividade. Além dos que multam de forma ilícita, mesmo o motorista usando cinto. E recorrer dá muito trabalho, é caso perdido. Interessante que, em ônibus urbanos e intermunicipais lotados, não se precisa de cinto. Motos deveriam ser proibidas, pois não existe segurança, é o corpo exposto como para-choque. Em cidades turísticas, os buggies andam pelas ruas sem cintos de segurança e com três pessoas sentadas na parte traseira, e o mesmo acontece com quadriciclos, em que ninguém usa capacetes. Enfim, cinto de segurança deveria ser opcional: usa quem quer.

Alex Tanner

alextanner.sss@hotmail.com

Nova Odessa

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COMANDO DAS POLÍCIAS

As nossas polícias no Brasil, sejam elas municipais, estaduais ou federais, parecem ser comandadas pelos soldados, agentes ou inspetores. São eles os únicos que comparecem em eventos e crimes de rotina. Aí, eles fazem o que querem mas, em compensação, são os únicos que são punidos, ou “afastados”, no jargão deles. As punições são geralmente leves, como advertência, suspensão temporária ou coisa assim. Às vezes, ocorre uma expulsão, quase sempre de soldados, dificilmente de oficiais ou "comandantes". Afinal eles não comandam nada, só desfilam suas estrelas pelos eventos sociais. Na ação mesmo, quase nunca eles aparecem, só dão pitacos. Planejar e comandar dá muito trabalho e é perigoso, melhor ficar na moita. Que tristeza!

Nelson Newton Ferraz

nelfer2011@gmail.com

São Paulo

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JUSTIÇA

Como Elize Matsunaga, a que matou e esquartejou o marido em 2012, ficou dez anos presa, logo se conclui que crimes bárbaros como esse mostram que é o máximo de pena no Brasil para quem tem bons advogados. Essa é nossa Justiça.

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

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