Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2022 | 03h00

Planos de saúde

Condenação?

Estou enquadrado no grupo de segurados da saúde acima de 70 anos e apólice individual, logo, posso vir a ter um aumento acima de 40% na anuidade do plano de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) vai suportar o aumento do número de brasileiros que vão precisar de seus serviços ou estou condenado a abreviar meu tempo de vida?

Luiz Frid

fridluiz@gmail.com

São Paulo

*

 ‘Emenda Pix’

Novo golpe

Manchete do Estadão de 31/5 nos explicava a nova modalidade de tramoia contra o País, o “Pix orçamentário”. O governo vai entregar cerca de R$ 3,2 bilhões para prefeituras gastarem com a compra de caminhões de lixo e tratores, promoverem shows de artistas, além de outras liberalidades – nada para combater a fome, o desemprego e a inflação. Esse dinheiro não pode ser rastreado ou fiscalizado por órgãos de controle, o que facilita a liberação de recursos para cidades governadas pela politicalha amiga. Mais um golpe contra o Brasil.

Júlio Roberto Ayres Brisola

jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

*

Bilhões sem controle

A reportagem de 31/5 do Estadão sobre a “Emenda Pix” nos traz de volta à memória o maior escândalo a que já assisti sobre a rapinagem do Orçamento federal. Leigo em Direito, procuro entender como se pode utilizar verba pública sem dar nenhuma satisfação? Trabalhei na administração pública e sei do rigor com que os tribunais de contas vasculham os gastos públicos. Como é possível aprovar um disparate destes sem que o TCU e a Polícia Federal investiguem? O Supremo Tribunal Federal (STF) já deveria ter sido acionado sobre a inconstitucionalidade dessa patranha. Creio que o artigo 70 da Carta Magna está sendo desrespeitado, uma vez que não se pode usar verba pública sem a devida explicação e o comprovante competente. O País ainda não se transformou na Casa da mãe joana, mas já se parece com ela. Urge tirar o Centrão do poder, não votando nos candidatos dos partidos do grupo.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

*

Tragédia no Recife

Promessa nunca cumprida

Oportuno o editorial de ontem sobre as mortes provocadas pelas chuvas no Recife (1/6, A3). Realmente, não são uma fatalidade. O poder público omisso, negligente, finge que não vê o problema, em troca de votos. Isso ocorre há anos, mas o eleitor também tem culpa, porque reelege políticos acreditando nas mesmas promessas feitas, e nunca cumpridas. Acrescente-se a isso um sistema eleitoral sui generis. Quantos brasileiros deixam de votar em candidatos que se elegeram, mas não cumpriram as promessas? Vamos ver quando vão acordar.

Panayotis Poulis

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

*

Trabalho

Da pandemia à eleição

A pandemia provocou o início de uma revolução no emprego que não teria acontecido sem as condições excepcionais provocadas pelo vírus. De repente, muitas empresas perceberam que o trabalho remoto pode funcionar, que escritórios podem ser menores, que não são necessárias oito horas de trabalho, cinco são suficientes, e bater o ponto para quê? Por que horário fixo, se basta que a produtividade se mantenha? Por que trabalhar em São Paulo, se pode ser em Atibaia ou João Pessoa? Certamente, será interessante acompanhar essa revolução. Aqui, cabe uma pergunta: como se desempenharão os principais candidatos à Presidência da República quanto a isso? De Bolsonaro nem precisamos falar, o intelecto não chega lá. Mas e Lula? Nascido nas lutas sindicais dos anos 60, passou a vida discutindo higiene e segurança, horas extras, sindicatos, férias e já se prepara para revogar as últimas mudanças na lei trabalhista, que não lhe agradaram. Será que ele vai dar um up nas leis do emprego?

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

*

Covid-19

Milhões reunidos em SP

Não consigo entender: se o número de casos de covid está aumentando, como é que o prefeito liberou a realização da Virada Cultural no fim de semana passado? Tem qualquer coisa errada no reino da Dinamarca...

João Camargo

inteligencianomundo@hotmail.com

São Paulo

*

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

LIMPEZA ETÁRIA

O que significa a manchete Reajuste dos planos de saúde na faixa acima de 59 anos pode superar os 40% publicada pelo Estadão nesta quarta (1/6, primeira página)? Da mesma forma com que Hitler, na Alemanha nazista, sob o pretexto de depurar a raça ariana, promoveu a chamada "limpeza étnica" com o extermínio cruel de seis milhões de judeus, agora a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), para atender ao interesse econômico dos proprietários das operadoras, decidiu promover uma verdadeira "limpeza etária", condenando a maior parte dos clientes dos planos nas faixas acima de 59 anos a abandoná-los e ficar sem assistência de saúde ou ter que recorrer à assistência demorada e precária dos serviços médicos públicos. Com isso, vai ser inevitável o aumento no número de mortes de idosos, o que parece ser o objetivo dos dirigentes dos planos de saúde agora atendidos pela ANS. O que as autoridades responsáveis pela saúde no País parecem não perceber é que essa não é só uma questão econômica, mas também um importante problema social que, como vários outros, precisa ser resolvido. Senão, só vai restar à ANS incluir no seu logotipo a frase "unsere arbeit macht tot", semelhante àquelas encontradas nos portões de entrada de diversos campos de concentração nazistas, mas que traduzida significa "nosso trabalho produz mortos".

José Claudio Marmo Rizzo

jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

*

VACINAÇÃO DE IDOSOS

Em vista do aumento significativo dos casos de covid nas últimas semanas, os governos estaduais e municipais passaram a estimular com veemência a completação do esquema vacinal e da dose de reforço na população elegível. Só que, paradoxalmente, na cidade de São Paulo, existe, neste momento, um único drive-thru disponível, em Interlagos. Ora, como ficam os idosos, e não são poucos, com dificuldade de locomoção? Os drive-thru realmente são custosos, mas facilitam muito a vacinação desse subgrupo. De nada adiantará a campanha intensiva da Prefeitura se essa não vier acompanhada da estrutura necessária e adequada.

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

*

RECRUDESCIMENTO DA PANDEMIA

Depois de tanto empenho e capital investido por parte da indústria farmacêutica mundial para desenvolver e disponibilizar em tempo recorde vacinas anticovid para a imunização da população, uma grande parte recebeu as picadas e se protegeu contra a tenebrosa praga. No entanto, nota-se nas últimas semanas o recrudescimento da pandemia em São Paulo e no País devido a todos aqueles que se recusam a tomar a vacina ou que se esqueceram de tomar todas as doses que deveriam, provocando desassossego e a tomada de medidas de proteção pelo governo para evitar um novo alastramento. Diante de mais de 660 mil óbitos no País, a recusa em tomar a vacina deve ser considerada uma condenável irresponsabilidade de alguns poucos ao colocarem em risco a saúde e a vida de tantos outros. Vacina já, sem mais delongas e desculpas.

J. S. Decol

decoljs@gmail.com

São Paulo

*

O MÉDICO E O PÚBLICO

No artigo Desafios para a formação médica (1/6, A4), o médico Eduardo Neubarth Trindade apresenta um painel sobre as consequências do aumento de vagas nas escolas de medicina e os riscos para os eventuais usuários desses profissionais. A formação médica sem a devida estrutura de ensino não é desejada, entretanto, o que se observa é a contradição entre a crítica e a realidade. Por exemplo, constata-se que as escolas particulares criticadas são de propriedade de alguns médicos e a maioria de seus professores também. Na solicitação do registro profissional desses recém-formados nos respectivos Conselhos Regionais de Medicina, poderia haver um crivo classificatório que obrigatoriamente deveria constar no seu registro, à disposição do público. E mais: o Conselho Federal de Medicina poderia exigir a exposição do diploma nas salas de espera e nas nominatas das empresas de planos de saúde. São normas que poderiam nos proteger dos profissionais com formação deficiente, independente da escola que o formou, mas que não ocorrem porque estão todos no mesmo barco: são médicos. E a boa prática médica implica em observar os dois lados presentes na profissão: o médico e o usuário de seus serviços. Talvez essa ambivalência explique por que os serviços públicos de saúde, e o público em geral, vivem em eternos conflitos com a classe médica.

Honyldo Roberto Pereira Pinto 

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

*

LEI PARA TODOS

Dias atrás, assistimos estupefatos a imagens de policiais rodoviários federais assassinando um homem por estar pilotando uma moto sem capacete. Era um trabalhador, ao contrário do que disse o presidente Bolsonaro, que o qualificou como marginal. Ao invés de condenar essa prática de tortura, de jogar bomba de gás lacrimogêneo na traseira do camburão, o presidente menospreza a vítima, morta pela força pública, e ainda defende os maus e despreparados policiais. E a hipocrisia dele é maior quando o vemos pilotar motocicletas sem usar capacete. Demagogia e ignorância.

Célio Borba

celioborbacwb@gmail.com

Curitiba

*

INQUÉRITO

Leio, estarrecido e indignado, que a Polícia Federal tem 30 dias para concluir o inquérito da morte de Genivaldo de Jesus, podendo ainda prorrogar o prazo. É de pasmar o bom senso e envergonhar mais ainda o Brasil aos olhos do mundo. As imagens são claras, escandalosas e pavorosas, merecedoras de enérgico repúdio da Nação. Os policiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram irresponsáveis e incompetentes na abordagem. Agiram com truculência e despudorada covardia. Assassinaram Genivaldo de Jesus. Resta saber se os policiais serão severamente punidos ou se serão acolhidos, como de costume, pelo corporativismo. Tenho ânsia de vômito. 

Vicente Limongi Netto

limonginetto@hotmail.com

Brasília

*

PRF

Infelizmente, há uma triste semelhança entre o sufocamento do Genivaldo pelos agentes da PRF e as primeiras experiências nazistas nos anos 1930 para eliminar os que eles consideravam indesejáveis, os quais eram colocados à força em caminhões sem janelas e sufocados pelo gás do escapamento do próprio veículo. Todos sabem o que veio depois. No meu entender, o simples fato de não haver, por parte das autoridades de plantão, uma condenação veemente e explícita desse ato descarado de tortura e morte por agentes da polícia brasileira indica que esse comportamento inumano provavelmente está sendo tacitamente tolerado. O que virá depois? Quem será e quem escolherá o próximo da fila da tortura e morte? Acho que chegamos a um ponto perigoso que indica claramente a falência moral do nosso país. No futuro a humanidade assistirá a um Nuremberg brasileiro?

Fernando T. H. F. Machado  

fthfmachado@hotmail.com

São Paulo

*

BANDIDAGEM GERAL

No Brasil não se sabe quem é mais bandido: políticos, policiais ou bandidos.

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

*

ÚLTIMAS CATÁSTROFES

Quantas catástrofes já aconteceram e o nosso presidente não esteve nem aí? O que falta para que uma providência definitiva seja tomada, além de vergonha na cara?

Robert Haller

São Paulo 

*

PERGUNTA AOS PRÉ-CANDIDATOS

Não podemos cair na armadilha de ficar discutindo candidatos à Presidência. Devemos, isso sim, discutir programas de governo de médio e longo prazo. Bastam algumas perguntas. O Brasil pretende ser uma potência industrial e agrícola, que fabrica uma boa parte dos fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas agrícolas, circuitos eletrônicos, remédios básicos e importantes (antibióticos, remédios de uso contínuo, etc.)? Ou quer continuar sendo um fornecedor de proteína animal, óleo e farelo de soja e de minério de ferro? Qual é o programa que deve ser implantado para alcançar a primeira opção? Fazer essas perguntas ao capitão é perda de tempo, pois o seu governo gasta, em média, 3,8 vezes com cada preso em relação ao gasto com um aluno de ensino fundamental (dados de 2021 do Conselho Nacional de Justiça e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). Pior, para poder pagar o reajuste do funcionalismo público federal, cortou R$ 8,2 bilhões das áreas (não estratégicas) da Educação, Saúde e Ciência e Tecnologia. Queremos, e merecemos, um país muito melhor. Devemos continuar cobrando.

Omar El Seoud

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

*

PROJETO DE PAÍS

Embora previsível, pois se trata de uma tragédia anunciada, é muito preocupante a realidade descrita no editorial Futuro hipotecado (31/5, A3). Nem se pode alegar incoerência na escolha dos alvos das tesouradas. Pense bem: quais as razões para o estabelecimento de prioridade no orçamento à saúde, educação, assistência social, direitos humanos, meio ambiente, ciência e tecnologia? Isso só vale dentro de uma visão de futuro comprometida com um projeto de país. Eu não disse “projeto de poder”.

João Pedro da Fonseca

fonsecaj@usp.br

São Paulo

*

ESTADOS UNIDOS

Embora Putin seja um autocrata violento, não se pode fechar os olhos para a participação dos EUA, incentivando esta guerra em que o incompetente presidente da Ucrânia, Zelenski, faz um papel ridículo, levando seu povo a um grande sofrimento. O que os EUA estão realizando é um laboratório sobre o potencial das armas russas.

 

José Luiz Abraços

octopus1@uol.com

São Paulo

*

SEM SAÍDA

Um homem, Carlos Alberto Di Franco, ocupa o Espaço Aberto para exaltar a atriz Cássia Kis, que, em entrevista à apresentadora Fátima Bernardes, falou de sua alegria na fé católica e criticou o aborto (Estado, 30/6, A6). Direito a defender ou atacar o aborto, todos têm, ainda vivemos numa democracia, mas essa questão diz respeito a outro direito inalienável, o da mulher sobre seu corpo e sua vida. Ao impedir que elas interrompam uma gravidez indesejada – não vamos entrar no mérito do porquê é indesejada –, só essas mulheres sabem o absurdo cometido contra elas. Um homem já passou por essa experiência? Não ter condição emocional, financeira, física ou tudo isso junto e ser obrigada a levar adiante uma gestação porque a sociedade, tutelada pelo Estado, assim determina? Aquelas que têm condições financeiras nem tergiversam: buscam uma clínica especializada, mesmo que sob o manto de um procedimento ginecológico de urgência, e resolvem o problema. Mas a maioria são mulheres pobres, jovens, adolescentes, até meninas, crianças muitas vezes abusadas, estupradas dentro de casa pelo pai, o padrasto, o irmão ou um vizinho. Ao descobrirem a gravidez, se desesperam, querem interromper, tirar aquilo que as condenam para sempre a uma vida mais desgraçada ainda, sem escola, sem amigas, sem futuro. É quando aparece aquela vizinha evangélica, que se escandaliza diante do desejo da vítima e convence a mãe a não deixar que isso se concretize. Fala no demônio, no inferno, na maldição que cairá sobre todos, como se a maldição já não fosse o inferno daquela condição miserável. A vítima poderá escapulir e tentar um aborto com alguém que promete resolver aquilo escondido de todos e por alguns trocados. Entram em campo os métodos mais rudimentares e absurdos que muitas vezes resulta na morte da mulher ou menina. É isso que faz a maioria das mulheres e homens esclarecidos a lutar pelo direito de todas as mulheres ao aborto caso assim desejem. Um aborto em hospital, realizado por um médico ou médica, com todo o cuidado que a pessoa merece num momento tão difícil. É importante que os homens, as crentes, o pastor, o padre, as carolas e quem quer que seja saibam que ninguém escolhe isso por prazer, mas por desespero. E a lei tem que garantir esse direito a todas as mulheres que não têm condições de buscar essa alternativa por conta própria. 

Jane Araújo 

janeandrade48@gmail.com

Brasília

*

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

A migração para uma economia mais limpa esbarra não apenas em obstáculos tecnológicos, mas também em políticas equivocadas. Nosso etanol de cana, reconhecido e admirado internacionalmente, segue o preço da gasolina, não de uma política própria que poderia torná-lo muito mais barato do que é hoje. O editorial A guerra e a transição energética (Estado, 1/6, A3) apresenta os desafios modernos nessa seara, mas lembremos que hidrogênio não existe e precisa ser obtido comumente por meio de energia elétrica. Se ela for fotovoltaica ou eólica, temos uma janela de oportunidade importante, diferentemente se for obtida de fontes fósseis por meio de queima em termelétricas.

 

Adilson Roberto Gonçalves

prodomoarg@gmail.com

Campinas

*

LIXO INAPROVEITADO

Mesmo após a lei federal que determina a desativação dos lixões em nossas megalópoles, eles continuam existindo. Sabendo-se que a reciclagem adequada de objetos podem render bilhões de reais, esse desperdício não pode mais continuar acontecendo, devendo as autoridades responsáveis serem devidamente punidas pela Justiça para que possamos sanar essa impressionante e triste inadequação do lixo que produzimos no País.

José de Anchieta Nobre de Almeida

josenobredalmeida@gmail.com

Rio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.