Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2022 | 03h00

 Eleições 2022

A volta do ‘nós contra eles’

“O PFL acabou. Agora, quem acabou foi o PSDB”, afirmou o ex-presidente Lula. Sim, é verdade. O PFL, de fato, acabou e o PSDB, embora não se tenha extinguido, encontra-se em frangalhos. Entretanto, assim como, segundo a lei química de Lavoisier, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, na política brasileira é a mesma coisa: remanescentes de partidos extintos ou em crise não se perdem, apenas migram para outros ou criam outros partidos. Só que há uma agravante: a maior parte deles já faz ou fará parte de um conglomerado poderoso e bem conhecido entre nós, o chamado Centrão, cuja relação venal com Jair Bolsonaro – inclusive salvando-o do impeachment – dispensa maiores comentários. Lula, mais uma vez, precisa tomar cuidado com o que diz, porque, caso venha a ser eleito, poderá sentir saudades do PSDB e até do PFL.

Luciano Harary

lharary@hotmail.com

São Paulo

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O Lula original

Coerência sempre foi uma das referências de vivência que cultivei, diferentemente dos vira-casacas do PSDB, que agora se espantam com o discurso do Lula de sempre. Mantendo seu modus operandi de décadas – quando decidia greves a portas fechadas com os caciques da indústria e, depois, levava a “solução” para a plateia operária –, hoje Lula conversa reservadamente com banqueiros, enquanto para seus eleitores diz que essa conversa só ocorrerá quando ele “tiver interesse”. Fala em união, mas ataca descaradamente o PSDB, onde buscou Geraldo Alckmin para dar forma ao seu ardil. Elogia Fernando Henrique Cardoso, achando que esqueceríamos a posição recorrentemente contrária do PT às reformas promovidas por aquele – aliás, correções estruturais que começaram a ser desconstruídas no período petista de governo, início do atoleiro em que estamos metidos. Lula da Silva e Jair Bolsonaro servem o mesmo alimento de sabor amargo aos brasileiros, só muda a apresentação do prato.

Honyldo Roberto Pereira Pinto

honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

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Em campanha

Lula “pode enganar todos por algum tempo, alguns por todo tempo, mas não todos por todo tempo” (apud Abraham Lincoln).

Eugênio José Alati

eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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Flávio Bolsonaro

Declaração do IR

A respeito das novas alegações de Flávio Bolsonaro sobre a composição de sua renda para a compra de uma mansão de R$ 6 milhões, agora acrescida de seus honorários como advogado, não vejo nenhuma dúvida a ser esclarecida. Pelo que sei, a declaração do Imposto de Renda (IR) é o único documento que comprova o valor e a origem da nossa renda. Se esses honorários estão lá, declarados, bem como os lucros como empresário da área dos chocolates, o assunto se encerra aí. Mas, se não está declarado, são só alegações... São improváveis.

Ana Maria Willoweit

anawo@uol.com.br   

Espírito Santo do Pinhal

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‘Pix quântico’

São antiquados os que apontam inconcretude na versão do senador Flávio Bolsonaro, de ter pagado parte dos milhões por uma mansão nababesca com recebimento de honorários advocatícios. Flávio é um advogado à frente do nosso tempo, que presta assistência jurídica por telepatia e recebe sua remuneração à margem do obsoleto sistema bancário, por uma espécie de “pix quântico”, que materializa pilhas de dinheiro em seu escritório. O 01 já está no século 22.

Túllio Marco Soares Carvalho

tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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Inflação

O calor do inferno

Paulo Guedes afirmou que “o inferno” da inflação acabou (risos). É que o calor do inferno arde mais é no povo brasileiro. Um litro de leite, R$ 5,60; 1 litro de óleo de soja, R$ 11,10; um pacotinho de açúcar, R$ 4,40; e por aí vai. Acorde, ministro!

Maurício Lima

mapeli@uol.com.br

São Paulo

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Armas

Exemplo canadense

Enquanto países desenvolvidos querem banir as armas das mãos de cidadãos comuns, no Brasil querem armar uma população despreparada para seu uso. Um governante que incentiva a violência com povo armado assume sua incapacidade de administrar a segurança do País.

Luiz Claudio Zabatiero

zabasim@outlook.com

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

MAIS BALAS PERDIDAS

Voltou a acontecer: menina de 4 anos foi atingida por “bala perdida” na cabeça num bairro do Rio de Janeiro. Sei lá se a questão é de educação básica dos agentes, falta de treinamento ou mesmo excesso de filmes de ação vistos pelos mesmos. Basicamente o manejo de qualquer arma, desde estilingue até uma .50, exige que o alvo do atirador esteja visível em sua mira. Tiros a esmo só podem resultar em vítimas inocentes.

Nestor Rodrigues Pereira Filho

nestor.filho43@gmail.com

São Paulo

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PROMESSAS DE HADDAD

Li a entrevista de Fernando Haddad, postulante ao cargo de governador de São Paulo (Estado, 31/5, A12). Fiquei perplexa ao saber como ele lidará com o crime. Diz ele: “Com dois objetivos: diminuição da criminalidade, hierarquizando os crimes do mais grave ao menos grave, e aumento da resolutividade”. De concreto, o que será feito? Vai continuar enxugando gelo como fizeram seus antecessores. Estamos vivendo dias de intensa violência e quem sofre é o povo que precisa sair às ruas para trabalhar. Os bandidos adquiriram tantos direitos que hoje estão prendendo o xerife. Como professor e ex-ministro da Educação, o que fará Haddad pelos professores paulistanos, massacrados pelos mais de 20 anos de governo dos tucanos? Candidato, as promessas estão em baixa, o eleitor carece de solução. Basta de discurso demagógico.

Izabel Avallone

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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ELITE ECONÔMICA

Não li a entrevista completa de Fernando Haddad ao Estadão; somente a chamada: "São Paulo é um bunker da elite econômica". Ele e seus colegas de partido fazem parte dessa elite, por inspiração de seu mentor "intelectual".

Ildeu Caudi do Lago

lago.walisa@gmail.com

São Paulo

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TERCEIRA VIA EM SÃO PAULO

Eu voto em candidatos que não usam dinheiro público em suas campanhas. Vou votar no Vinicius Poit, pré-candidato do partido Novo para o Governo de São Paulo. Apesar de que, na minha opinião, não cabe aos candidatos do Executivo falarem sobre a descriminalização das drogas e do aborto, assunto que deve ser tratado no Legislativo. Cabe ao Legislativo responder até quando as mulheres com poder aquisitivo irão abortar fora do Brasil ou em clínicas particulares e as mulheres pobres continuarão morrendo ao abortarem em clínicas clandestinas, e até quando os filhinhos de papai irão financiar o tráfico de drogas. A proibição do aborto e das drogas apenas facilita o trabalho do Estado, pois não precisa desenvolver campanhas e oferecer serviços sociais de prevenção para tais atos. Até quando vamos conviver com a demagogia de que a proibição é a solução para o aborto e o consumo de drogas?

Maria Carmen Del Bel Tunes

carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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A LEI QUE FALTA

A máquina pública é assaz onerosa e ineficiente, cheia de penduricalhos e mordomias que carecem de extinção. É preciso reduzir seu tamanho para sobrar e investir principalmente em Educação. Enquanto a dívida brasileira, hoje em torno de 90% do Produto Interno Bruto (PIB), não atingir 30% dele, deveriam proibir a contratação de novos funcionários e de aumento salarial, exceto na área de Educação, que é mãe de todas as profissões. Valorizar os mestres decentemente com melhores salários, sem qualquer reajuste para as demais classes, seria uma forma de reduzir a dívida pública e prestigiar quem, de fato, carece e merece valorização.

Humberto Schuwartz Soares

hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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DESCARAMENTO

Lula sendo ele mesmo: egoísta e egocentrado. Quer que o PSDB o apoie, pois tem ligado para FHC e outros tucanos. E, agora, sobe no salto alto e diz: "O PSDB acabou" (Lula resgata ‘nós contra eles’ e ataca PSDB; para tucanos, petista semeia ódio, 2/6, A9). Nesse mesmo discurso, desdenhou de outros partidos dizendo que também acabaram e o PT, acusado, ainda está aí. O PSDB que saia do muro, se una, apoie Simone Tebet e mostre logo do que é capaz.

                              

Tania Tavares   

taniatma@hotmail.com  

São Paulo

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LULA E AMBER HEARD

Lula discursando é retrato fiel da Amber Heard depondo no processo contra Johnny Depp. Onde está a nossa Camille Vasquez para fazer o exame cruzado?

Ely Weinstein

elyw@terra.com.br

São Paulo

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BANQUEIROS

Lula, em tom raivoso (só para enganar, claro), disse que os banqueiros com quem ele se reúne (para pedir dinheiro) "nunca perguntam como está o povo na rua". Ora, pode-se dizer muito a respeito dos banqueiros, menos que são burros. Por que fariam perguntas a um interlocutor sobre assunto que desconhece? Qual foi a última vez em que Lula saiu de sua bolha social para se conectar com o povo de verdade? Ademais, banqueiros sempre receberão Lula de braços abertos. A razão é simples: banqueiros brasileiros sempre ganharam muito mais dinheiro no caos. Povo? Banqueiro rende muito mais.

Oscar Thompson

oscarthompson@hotmail.com

São Paulo

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INSTITUTO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS

Com o “Pix orçamentário”, chega-se ao cúmulo da desfaçatez por parte dos legisladores federais: a extinção ou o completo desconhecimento do instituto jurídico da prestação de contas. O dinheiro público não fica mais no erário, porque os políticos, no exercício de seus mandatos, passaram a ser o verdadeiro cofre nacional. É por isso que os brasileiros ficam felizes ao pagar impostos.

José Carlos de Carvalho Carneiro

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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DINHEIRO PÚBLICO

Necessário e oportuno o editorial Dinheiro público, desfaçatez privada (Estado, 2/6, A3), às vésperas da campanha eleitoral. Em resposta, que os eleitores que não se submetem à servidão voluntária nem sofrem de déficit cívico fiquem atentos aos debates, às entrevistas e sabatinas dos candidatos. Que a democracia representativa saudável ponha fim à deterioração moral e administrativa e à apropriação desavergonhada do suado dinheiro público.

João Pedro da Fonseca

fonsecaj@usp.br

São Paulo

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SELEÇÃO BRASILEIRA

Com times fracos, a Seleção Brasileira de Futebol apresenta bons resultados. Quero ver na Copa do Mundo, em que vai disputar com as seleções da Europa, se a competência vai continuar ou vai tudo por água abaixo, como o 7x1 da Alemanha no Brasil. Infelizmente, nosso país está escasso de craques e só agora apareceu um, o Vinícius Júnior, que pode fazer alguma coisa, mas geralmente uma andorinha só não faz verão e tende a acontecer o pior. Vamos torcer, mas com um pé bem atrás, pois as chances de êxito são mínimas.

Reinner Carlos de Oliveira

reinnercarlos@uol.com.br

Araçatuba

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TREINOS DA SELEÇÃO

Não entendi para que Tite faz treinos. Daniel Silva e Philippe Coutinho não cabem mais nem no campeonato de seniores. O que precisa testar, serão os titulares no mundial? Militão, Vini Júnior e Danilo, que estão jogando um bolão em seus clubes, para que foram para a Coreia? Fazer turismo? Agora entendi por que ninguém organizou jogos de treino com Alemanha ou França: não servem para nada.

Aldo Bertolucci

aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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CAPAS PROMOCIONAIS

As capas promocionais do Estadão foram motivo de texto de Eugênio Bucci (Amantes tardios, 2/6, A8). O artigo começa mostrando a estranheza pelas capas, que seriam antijornalísticas em outras épocas, e termina desejando que elas compensem. Mas o tema central é seu fascínio pelo casal de velhos da capa da edição de domingo, 29/5. O autor faz uma elegia aos "amantes tardios", em trajes mínimos e entrelaçados em "erotismo geriátrico". Invejo pessoas idosas que sentem atração amorosa por outros de mesma idade provecta. Embora namorador compulsivo na mocidade por lindas moças, jamais me interessei por mulheres de minha idade após os 40 anos. Aos 85, prefiro ficar na saudade de amores passados. Divorciado aos 40 anos, voltei a namorar jovens que gostavam de coroas, mas nunca mais me casei, por total falta de interesse em mulheres também coroas. As capas promocionais são úteis financeiramente aos jornais, e estes chegam mais limpos aos leitores, protegidos por velhos assanhados.

 

Paulo Sergio Arisi

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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EUGÊNIO BUCCI

Quanto ao artigo de Eugênio Bucci sobre a capa promocional do Estadão, também senti “surpresa” como o caríssimo jornalista e professor, mas por outro motivo. Gostei porque o que os meus olhos viram foi diferente. Alguém ousou sair da obrigação de levantar uma bandeira ideológica, o que já está chateando. É claro que eles não pretendem vender mais roupas íntimas descoladas para idosos ou sugerir que idosos devam praticar mais sexo. Achei que foram corajosos e sutis. Enfim, não vi idosos nem roupa íntima, mas uma ideia brilhante. Parabéns ao publicitário, seja homem ou mulher. Tenho 68 anos e sou dentista, mas gosto de filosofia e de pessoas corajosas, criativas e inteligentes. Obrigada pela reflexão provocada.

Ligia Orru

ligiaorru@gmail.com

São Paulo

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NAMORO DE ALUGUEL

Quando a gente pensa que já viu de tudo na vida, aparece uma coisa inimaginável para quem foi jovem há mais tempo, como eu: sites que alugam namorados e namoradas. Pessoas solitárias ou que querem fazer ciúmes a um ex, impressionar amigos ou simplesmente não ir sozinhas a uma festa pagam a uma outra para acompanhá-las. Não se trata de prostituição, apenas de uma companhia remunerada. O Dia dos Namorados se aproxima, e eu me pergunto o tanto de gente solitária que talvez contrate um namoro fake. Não deixa de ser lamentável alguém ter de pagar para não ficar sozinho, mas, neste mundo doido, agitado e corrido, a solidão ainda é um fantasma e, para muitos, talvez essa seja a única forma de conseguir um acompanhante em tempo integral. Que tristeza!

João Manuel Maio

clinicamaio@terra.com.br

São José dos Campos

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