Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2022 | 03h00

 Eleições 2022

O TSE contra ‘fake news’

Se a promessa do ministro Alexandre de Moraes de cassar o registro de candidatos que espalharem notícias falsas for para valer, este ano não haverá eleições.

Ely Weinstein

elyw@terra.com.br

São Paulo

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Governo Bolsonaro

Decreto de calamidade

Quando elegemos um presidente da República, desejamos que ele resolva problemas, ao invés de criá-los. Mas o atual é especialista em criar casos, dia sim e outro também. Qualquer crise circunstancial é turbinada pela falta de destreza e sensatez do presidente. Desentendeu-se com quase todos os seus companheiros de 2018, humilhou generais e acabou se segurando na cadeira ao trazer o Centrão para o coração do governo, que lhe cobrou o Orçamento em troca de proteção. Agora, eles planejam decretar estado de calamidade no País, para raspar o tacho até o último suspiro de mandato, haja vista que a reeleição vai se tornando cada dia mais improvável e o clima de fim de festa beira a pilhagem. Como justificar um país em calamidade, quando seu representante máximo só sabe fazer motociata e farrear de jet-ski? Espero que o Supremo Tribunal Federal aborte esta aberração de calamidade pública. O Brasil está cansado de feitiçarias e truques eleitoreiros. É hora de a Nação amadurecer.

Sandro Ferreira

sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)

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Sangrias e transfusões

Radiografia minimalista da política brasileira: Bolsonaro entregou a chave do banco de sangue ao vampiro Valdemar Costa Neto e fica querendo, agora, administrar a sangria e as transfusões. Neto diz “olhe, contente-se com nós lhe darmos um copo de sangue por dia para você bochechar e expelir à Nação, mas o banco, agora, é nosso”. Bolsonaro, então, recorre ao seu ministro mais próximo, da Casa Civil, e pede ajuda. Ciro Nogueira lhe diz que é amigo e sócio de Valdemar e sugere que vá falar com Lira. O presidente se dirige a Arthur Lira, líder do Centrão e presidente da Câmara, e pede ajuda quase de joelhos. Lira responde que tem de fornecer ração secreta para todo o galinheiro, que custa muito caro e que vai precisar de sempre muito mais, etc. Vá falar com Pacheco, diz. Bolsonaro, então, vai bater na porta do Senado, e o presidente da Casa mineiramente lhe sugere fazer o percurso anterior: “Fale com Valdemar, depois com Ciro, com Lira e, se não resolver, volte aqui no dia 32”.

Bernardo Assis

bafpsi7@uol.com.br

Salvador

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Insegurança alimentar

A ‘feminização da fome’

Editorial no Estadão de 2/6 retratou a triste realidade da insegurança alimentar, mostrando dados que evidenciam o delicado cenário não só da falta de comida, mas também da “feminização da fome”. Importante esse assunto ser abordado num momento em que o País sofre efeitos profundos oriundos da pandemia e do cenário mundial. Ter alimento na mesa está se tornando uma tarefa cada vez mais árdua para todos. Concordo com a afirmação de que a solidariedade é um dos caminhos para ajudar a mudar essa realidade. A exemplo disso, organizações não governamentais como a Legião da Boa Vontade (LBV), com suas ações socioassistenciais, estão mobilizadas para ajudar mães a fim de que tenham o amparo necessário. São inúmeros os apuros que enfrentam as mulheres e mães brasileiras que sustentam seu lar sozinhas. Imaginem passar por isso estando numa situação de vulnerabilidade social.

Nadiele Bortolin, assessora de Comunicação da LBV

NadieleR@lbv.org.br

Porto Alegre

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Cracolândia

‘O amor contra o vício’

Sobre a reportagem Famílias tentam resgatar parentes na Cracolândia em dispersão (Estado, 3/6), agora, sim, podemos ter esperança de que algo bom vá acontecer, e a presença da assistência social certamente saberá como reunir novamente pessoas que se extraviaram e, agora, poderão e deverão receber não só auxílio psicológico e médico, mas também entender o valor da família. Quanto às leis mais justas e condizentes com a realidade tenebrosa que vivemos, temos à nossa frente uma chance valiosa de mudá-las: as eleições e nosso voto. Precisamos evitar novamente o exercício de uma política grotesca e ultrapassada e lançar nosso olhar para mais longe, onde encontraremos, com certeza, cidadãos que realmente querem trabalhar por nosso país.

Vera Augusta Vailati Bertolucci

veravailati@uol.com.br

São Paulo

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

PESOS E MEDIDAS

Notícia diz que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram, em caráter reservado, decisão de Kassio Nunes Marques que derrubou a cassação do deputado Fernando Francischini, determinada no ano passado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ala de magistrados defende que a decisão do colega seja submetida ao plenário. No espetáculo circense supremo, da coxia, estou a esperar a ala que defende a apreciação pelo plenário das decisões monocráticas dos ministros Lewandowski, Barroso, Fachin e Alexandre de Moraes, este vítima, investigador, juiz e carcereiro do inquérito das fake news, chamado de "fim do mundo" pelo colega Marco Aurélio Mello. Convoquem o Inmetro e os institutos de pesos e medidas para aferir quantos pesos tem a balança suprema. Suas réguas foram formatadas de acordo com as normas da ABNT? Em cores neutras?

Celso David de Oliveira

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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NUNES MARQUES

Kassio Nunes Marques, o ministro do STF representante dos Bolsonaro, suspende cassação de deputado bolsonarista e ficará por isso mesmo (Estado, 3/6, A13). É preciso uma mudança profunda no Judiciário. Isso não pode passar incólume.

Marcos Barbosa

micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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FLÁVIO BOLSONARO

Flávio diz que renda de advocacia bancou casa (Estado, 2/6, A12). Mais um conto da carochinha! Alguém ainda acredita nesse pilantra?

 

Robert Haller

São Paulo

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AGENDA COMUM

A quatro meses do primeiro turno, vislumbro razões para esperança. A matéria Campanhas de Tebet e Ciro articulam pacto de não agressão e agenda comum (Estado, 3/6, A10), ao abordar a sucessão presidencial, traz expressões animadoras para os que anseiam e lutam pela rara e boa política: pacto, não agressão, agenda comum, abertura ao diálogo, convivência pacífica, centro democrático. Como é gostoso ler na página “caminhar, discutir e debater com grandeza”. Viva! Faz muito meu gosto e acho bom demais da conta conjugar os verbos articular, integrar, coordenar e conversar. Principalmente se produzir frutos

para o bem comum.

João Pedro da Fonseca

fonsecaj@usp.br

São Paulo

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CANELADA

Sobre a matéria do site do Estadão Lula diz que rixa com Alckmin no PSDB era de ‘amigos que jogam bola’, na política, como no futebol, pode haver botinada, pisão no pé e canelada, mas se um chamar o outro disso e mais aquilo, o pau quebra, porque chute na canela dói, mas não fere a honra.

Paulo Tarso J. Santos

ptjsantos@yahoo.com.br

São Paulo

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DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO

Lembram-se da série O Túnel do Tempo? Pois bem, Lula parece um personagem que acabou de chegar a 2022, embora acredite estar num palanque dos anos 1980. Ele pega o discurso de 42 anos atrás no bolso e vai para o microfone. A audiência cochicha: "Quem é aquele velho ali?"; outros, mais esclarecidos, estranham: "De que ele está falando?". Diante do constrangimento, a sala de controle consegue transferi-lo para o presídio central da Cuba dos anos 1970, onde está sendo acusado de matar Che Guevara. Ficção ou destino?

Ricardo C. Siqueira

ricardocsiqueira@lwmail.com.br

Niterói (RJ)

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BOLSONARO ARRISCA

O presidente Bolsonaro quer ser reeleito. Será que ele não sente nem um pouco de vergonha de querer se reeleger após quase quatro anos à frente de um governo deplorável, que não realizou nada? Ao invés de se empenhar para cuidar pelo menos dos problemas básicos e essenciais do País, como a saúde, a educação, o meio ambiente, etc., ele nunca mostrou nem se esforçou para solucionar nada. O seu governo nunca teve qualquer planejamento e só tentou resolver os problemas na base do “tapa-buraco”, mesmo os mais graves. E ele nunca se preocupou com a possibilidade de perder o seu mandato por impeachment, pois o seu homem de confiança, o presidente da Câmara dos Deputados, tratou de engavetar todos os pedidos de impedimento contra ele. Hoje, a rejeição da população contra Bolsonaro ultrapassa os 50%, mas ele está tranquilo, pois espera ter a mesma “sorte” de quatro anos atrás, quando foi eleito pela primeira vez.

Tomomasa Yano

tyanosan@gmail.com

Campinas

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OXIGÊNIO

A sociedade brasileira está cansada das ações dos políticos que há décadas comandam o País, a bordo das indistinguíveis naves da direita e da esquerda. Sem renovação autêntica, pois os que chegam carregam os sobrenomes dos cardeais e os mais recentes já formam suas dinastias, o povo não vê surgirem novas ideias, o que impossibilita a discussão das reformas, entre muitas outras, que diminuam o incrível número de partidos, que modifiquem o viciado sistema eleitoral vigente, que higienizem o Parlamento, um dos mais caros do mundo, com sua miríade de cabides, e que revejam a generalizada prerrogativa de foro. Enquanto não predominar entre nossos homens públicos a noção de que são públicos, não arrivistas de poder e garimpeiros de fortunas particulares, e que, portanto, devem trabalhar em função do povo que os paga, e não, como acontece, ocorrer o inverso, a esperança nascerá morta. Há urgente necessidade de uma dose maior de oxigênio nas vias respiratórias do poder, sob o risco de morte por asfixia do organismo principal, o que colocará em risco a nossa frágil democracia.

Paulo Roberto Gotaç

prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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EM QUEM VOTAR?

Vou pedir ajuda aos universitários para saber em quem votar. Está difícil. Os institutos de pesquisa, que não acertam uma, dizem que Lula está eleito no primeiro turno. Por outro lado, as redes sociais, que elegeram Bolsonaro, também dão vitória ao petista no primeiro turno. Dizem que o índice de rejeição de Bolsonaro é grande, mas não é isso que vemos quando ele sai às ruas. Por outro lado, Lula tem horror de ir a lugares abertos e já declarou que não vai a debates. Só fala em ambientes fechados e previamente selecionados. Será que os universitários vão dizer que devo votar numa terceira via? Vou aguardar pois até outubro tudo pode acontecer.

Iria de Sá Dodde

iriadodde@hotmail.com

Rio de Janeiro

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POLÍTICOS

Quando será, se vier a acontecer, que o Brasil vai ter número razoável de políticos com o mínimo de educação, honestidade e respeito pelo povo que os elegem? Depois de tantos fiascos chegamos a mais uma eleição tendo que ouvir sobre tantos desvios de caráter, revelações de desonestidades, conchavos e a confirmação de que os políticos não passam de um bando de pessoas sem idealismo algum, que mudam de uma sigla para outra de acordo com seus interesses pessoais. Sei que a culpa é nossa que os elegemos. Mas também dos partidos que, apesar de seus estatutos, programas e outras regras, continuam apenas buscando conseguir o maior número de votos pelo dinheiro que as leis, que eles próprios criam, os favoreçam. Que democracia é essa? Apenas eles são povo? Os mal informados, sem oportunidades, não o são? Que Parlamento é esse dominado por bancadas caçadoras de verbas para se manterem faustosamente? Que Executivo é esse que deseja se manter a todo custo, corrompendo políticos, até oposicionistas, com a compra de votos para não perder mordomias como uso desregrado do cartão corporativo, estabelecimento de sigilo secular de gastos, com fortunas gastas em negociatas, motociatas, lanchaciatas e tantas outras “ciatas”? Que pretendente é esse que, após tanta corrupção no cargo, preso e liberto após muita grana gasta, se safou por erro judiciário? As leis, ora, as leis!

Adriles Ulhoa Filho

adriles@uai.com.br

Belo Horizonte

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FRAGMENTAÇÃO POLÍTICA

Excelente o artigo do professor Roberto Macedo, principalmente pelo realismo de endossar a ideia de Marcos Mendes, para quem “serão necessárias mais de duas décadas” de estudos, análises e encaminhamento de soluções (Estado, 2/6, A4). Enquanto se procedem tais avaliações para despertar condições necessárias à formação da “coesão social”, poderíamos talvez providenciar que nas eleições municipais de 2024 os vereadores das cem menores cidades, que tenham pelo menos 65 mil eleitores, sejam eleitos por circunscrições eleitorais não mais do tamanho do município. Em vez disso, que tenham apenas o número de eleitores suficientes para eleger três ou quatro representantes populares para as Câmaras municipais. Com isso, cidadãos em um número relativamente pequeno, com identidade e domicílio residencial conhecidos, podem mais facilmente trocar ideias entre si e com o seu representante, desenvolvendo aos poucos um “espírito de vizinhança” também para um assunto tão sério como é a política. Essa modalidade eleitoral poderia ser aplicada aos demais municípios do País ao longo de umas quatro ou cinco eleições municipais seguintes. Condições imprescindíveis: pequenas circunscrições, voto exclusivamente nominal e apuração dos votos com metodologia que reconhecidamente produza ocupações de cadeiras por partidos, de maneira proporcional ao total de votos recebidos por eles.

José M. Frings

jmfrings64@gmail.com

São Paulo

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A FALÁCIA DE LIRA

O artigo do professor Roberto Macedo, que trata sobre o livro de autoria do também economista Marcos Mendes, demonstra qual o problema central do País. No parágrafo final, cita a prerrogativa que o presidente da Câmara tem de decidir, isoladamente, os pedidos de impeachment, o que é inaceitável. Embora engenheiro de formação, aprendi na administração pública que leis e decretos são normas que os profissionais devem obedecer em qualquer organização. Ora, a Carta Magna não dá essa prerrogativa ao presidente da Câmara. Tampouco o regimento interno daquela Casa. O regimento trata o assunto em seu artigo 218: recebida a denúncia e preenchidos os requisitos estabelecidos, o presidente, acatando-a, irá lê-la na sessão seguinte e despachá-la à comissão especial eleita. No caso do indeferimento do pedido, caberá recurso ao plenário. Não existe a prerrogativa de ele poder decidir isoladamente. Esse artifício foi criado pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, condenado a 15 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva. Sua obrigação é prosseguir para a decisão final em votação. E é direito nosso saber quais deputados não votaram para a destituição de um presidente que já deu motivos demais para tanto. O que vem ocorrendo é uma prevaricação ou abuso de poder. E isso é crime.

Gilberto Pacini

benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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SEM COMIDA NA MESA

São de estarrecer os dados apresentados pelo pesquisador da Universidade de São Paulo, Marcelo Neri, como consta no editorial Fome à brasileira (Estado, 3/6, A3). Se, devido à pandemia e a esta guerra insana das tropas russas na Ucrânia, o quadro de insegurança alimentar está afetando o mundo, no Brasil é muito pior. Mesmo antes da pandemia já era alta a falta de comida na mesa para milhões de brasileiros. Como demonstra o estudo, de 2019 a 2021, o índice da fome no País, até pelo alto nível de desemprego, subiu de 30% para 36%. Com o crescimento econômico robusto, de 2003 a 2013, essa insegurança alimentar caiu 35,2% no Brasil. De 2013 a 2018, infelizmente, subiu 62,3%. Ou seja, em sete anos, o número de brasileiros passando fome dobrou. Se a média mundial de insegurança alimentar é de 48%, é desabonador e até humilhante dizer que, entre 2014 e 2021, dos 141 países pesquisados, o Brasil passou de 36% para 75%. Ou seja, tem o pior nível de falta de comida na mesa desde o início dos estudos, em 2006.

Paulo Panossian

paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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CEM DIAS DE GUERRA

Zelenski passou boa parte de sua vida como comediante contando piadas, rindo dos outros e sendo estrela de plantão. Por acasos da vida, virou presidente da Ucrânia. Por interesses dos EUA, como venda de armamentos para países da Otan, influência política na área,  expansão para isolar a Rússia do mercado europeu e um laboratório de guerra para testar as armas russas, entrou numa guerra sem antes tentar uma negociação. Lamentavelmente, hoje está ocorrendo uma brutal perda de vidas humanas e a fuga de milhões de ucranianos para outros países e, para completar, a destruição de propriedades e infraestrutura. É um inexperiente no complicado jogo político mundial.

José Luiz Abraços.

octopus1@uol.com.br

São Paulo

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POLÍTICA INTERNACIONAL

A citação feita pelo astronauta americano Edgar D. Mitchell, sobre o efeito da visão geral depois de ver a Terra da Lua, em 1971, se aplicaria hoje ao líder russo Vladimir Putin: “No espaço exterior, desenvolvemos uma consciência global instantânea, uma orientação para as pessoas, uma intensa insatisfação com o estado do mundo e uma compulsão para fazer algo a respeito. De lá da Lua, a política internacional parece tão mesquinha. Você quer pegar um político pela nuca e arrastá-lo por um quarto de milhão de milhas e dizer ‘Olhe para isso, seu filho da p…’.

Jorge de Jesus Longato

financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi Mirim

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